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Detox Literário.

O Dia e o Assassinato (Anorkinda Neide)

o dia

Amanheço em sossego, um doce sossego.

A brisa traz a meiguice matinal do vento. Dali a pouco o calor ser´s escaldante, mas agora a brisa é doce… Sossego…
Conforme a manhã transcorre e o calor gradativamente aumenta, eu sinto o sangue esquentar. Isto provoca uma reação nervosa por todo meu corpo… Tremor…

Na coroação do meio-dia, já não há auto-controle, o fluxo atinge neurônios.
Cabelos ruivos brilham ao sol, parece uma deidade. Ela ri, ela ama o sol, o calor, o suor que molha a raiz dos cabelos vermelhos em sua nuca… branca, macia… Ela confia.

Minhas mãos suadas, tremem, o sangue ferve. É meio-dia. O sol queima-me o dorso, os nervos descontrolados. Minhas mãos… A nuca alva, o cabelo vermelho.
A alcanço… Minhas mãos fortes não obedecem, apenas a apertam. O riso some, o brilho no olho some, a alegria pelo sol, some…O olho fecha. Ela não ri mais, nunca mais.

Solto-a. Sigo meu caminho como antes seguia, absorto, alheio… Menos tenso. Sei que vai esvair-se o calor, assim como a cor daquela moça… Vai passar…

Caminho até o entardecer, paro em frente ao mar. A temperatura já está normal, olho o sol…Vermelho… Se põe no mar. Mergulho diário dele, refresca-se. Alivio meus tremores, ele se foi…

Está escuro… Sossego… A brisa traz agora a doçura estrelada da noite. Não precisarei mais acompanhar a caminhada quente do astro-rei… Sirenes…Prisão…Sossego.

17 comentários em “O Dia e o Assassinato (Anorkinda Neide)

  1. daniel vianna
    20 de novembro de 2014

    Como dizia Safo, ‘Não me cante as canções do dia, pois o sol é inimigo dos amantes. Cante-me as sombras e a escuridão. Cante-me as lembranças da meia noite’. Imaginei a ruiva como a personificação do sol e das canções do dia, que afligiam, de certo modo, o protagonista, que desejou, assim, matá-la, junto com suas sirenes. Com isso, ele pôde se reencontrar com a noite e, posteriormente, com a meiguice matinal do vento. Como os dias se repetem, poderíamos prosseguir com as Mil e Uma Noites, até que ele encontrasse sossego no dia. Legal. Duas trajetórias e duas narrativas. Duas personagens, cada qual com sua trajetória, fundindo-se no assassinato. Duas narrativas, a real, encoberta, e a poética. Muito bom. Parabéns.

    • Anorkinda Neide
      20 de novembro de 2014

      Obrigada!!!
      Adoro Safo! Que beleza de comentário, hein! Fiquei feliz! hehe

  2. Brian Oliveira Lancaster
    13 de outubro de 2014

    Precisei ler duas vezes para entender o final. Ótima jogada de palavras. Lemos o início pensando no sublime e terminamos com “como assim?”. Leve, me deixei levar pela primeira vez. Depois fui entender o caso “real”. Curto e profundo.

    • Anorkinda Neide
      18 de outubro de 2014

      Obrigada pela leitura … que bom que ela lhe trouxe sensações contrastantes.. hehehe

      Abração

  3. fantasticontos
    10 de outubro de 2014

    Conto rápido, pungente, desafiador diria. Extremamente bom, consegui sentir a angustia do personagem. Excelente a sugestão da Maria Santino.
    Parabéns Neide.

  4. Ledi Spenassatto
    10 de outubro de 2014

    Hum! Queria um pouco mais do conto?

  5. Karla Kélvia
    9 de outubro de 2014

    Amando o blog, amei o texto, td!
    http://livroarbitriodotco.wordpress.com/

  6. Anorkinda Neide
    9 de outubro de 2014

    Oi, gente obrigada pela leitura!
    Foi o primeiro conto de minha vida, no Orkut, Rubem não lembra não? rsrsrs
    Claro, tirando as incursões no colégio…

    O título nem foi muito pensado sabe… na verdade, foi a partir dele q a história surgiu. Vou pensar nas dicas 😉

    Fui arrumar um verbo e saiu errado ali :’será’.

    Abração

    • Anorkinda Neide
      9 de outubro de 2014

      Ops.. acabo de ver no meu próprio blog que meu primeiro conto foi outro..bem… então são gêmeos… 🙂

  7. Claudia Roberta Angst
    9 de outubro de 2014

    Gostoso de ler. Curto sem pretensões maiores, o conto acaba quase ao começar. O título tira o suspense, mas a confusão do que é realidade ou pensamento me agradou. Gosto do caos sentimental. 🙂

  8. rubemcabral
    9 de outubro de 2014

    Oi, Neide. Então, além da sugestão da Maria eu ainda indicaria o uso de itálico ou recurso semelhante, para separar mais claramente os dois narradores.

    Achei o miniconto interessante.

  9. Maria Santino
    9 de outubro de 2014

    Oi, Anorkinda!

    Acho um desafio criar muito em pouco espaço. Sempre prezo pela surpresa 😀 Achei bacana. Se me permite, mudaria o título para dar suspense, algo como: Calor ruivo, Sangue quente, Sossego 😉

    Abraço!

  10. Lucas Rezende
    9 de outubro de 2014

    Eu adoro contos que dizem tão claramente o que aconteceu sem dizer literalmente. Ficou claro? hahaha
    O tamanho ficou perfeito.
    Parabéns

  11. Gustavo Garcia De Andrade
    9 de outubro de 2014

    Que doideira! Só tenho isso a dizer k

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Publicado às 9 de outubro de 2014 por em Contos Off-Desafio e marcado .
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