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Detox Literário.

Noite que se ia (Juscimara Mendes)

Demétrio levantou-se da cama, posteriormente acordou de verdade. Passou manteiga em um pão, que era do dia anterior. Viu que eram 7h. Contemplou, por meio da janela, a paisagem. Caía uma chuvinha, o dia estava cinza. Era possível escutar o balançar das folhas das árvores que enriqueciam aquele lugar. Demétrio era magro, alto e calmo. Em um dado momento, o jovem escritor começou a escrever. Tratava-se da noite, uma luz fina podia ser vista na cidade. As estrelas faziam seu eminente papel. Os atalhos escondiam-se dos que se encontravam em indefinido lugar. Uns zumbidos podiam ser escutados por aqueles que ouvem o não dito, o não realizado, o inexprimível.

Era vento que caía sobre a madrugada perplexa, atravessando as epidermes alheias. Calor que incomodava os calmos, agradando a outrem.

Havia tempestade de chamas,que “se fazia de boazinha”, no meio da cidade. Alguns gritavam, outros corriam, o tempo se ia. Uma escuridão luzia, e a noite partia. Tratava-se da noite de desesperança, que se armava, que se tecia. E esta, ao partir, deixava a lembrança dos “tempos idos” como se nada mais fizesse sentido.

A noite,desvairada,se apressava e dizia o que nem todos queriam. Era uma noite que insistia:

–Toc, toc, toc. Toc, toc, toc…

– Pode entrar – disseDemétrio.

Era noite que insistia, era noite que morria.

4 comentários em “Noite que se ia (Juscimara Mendes)

  1. Maria Santino
    11 de outubro de 2014

    Caía UMA CHUVINHA, o dia estava cinza… Hum… Conheço uma piadinha sobre o uso dessa frase, saca só:

    Carentinha

    Carente que só ela, confundia “uma chuvinha” com: O MACHO VINHA 😛 – Era pra rir, ok?

    Bem, seu conto ficou meio a meio comigo. Não posso dizer que gostei, mas também não digo que achei ruim. Achei sim que você foi feliz casando algumas palavras, já em outras, as frases soaram estranhas (mas, não o estranho bom, foi o estranho, ESTRANHO, sabe?). Vou dizer o que não gostei.
    Você começa com um ritmo leve e de repente o Demétrio é escritor (achei brusco e possui duplo sentido), depois fala que ele começa a escrever e as palavras tomam sentido ambíguo (novamente), pois não se sabe se você descreve a noite, ou se está citando o que ele está escrevendo. Acho que o vento passa e não cai (exemplo de estranheza). Mas gostei de algumas passagens como essas: Uns zumbidos podiam ser escutados por aqueles que ouvem o não dito … Uma escuridão luzia. (como a escuridão pode luzir? Bem, desse estranhamento aqui eu gostei 😀 )

    Siga firme. Abraço!

    • Joice22
      11 de outubro de 2014

      Houve o intento de explicitar características do Simbolismo (risos).

  2. Ledi Spenassatto
    8 de outubro de 2014

    Fique com algumas incertezas a primeira leitura. Isso me parece bom.
    Gosto das duvidas, elas me levam a reflexão.

    • Joice22
      10 de outubro de 2014

      Muito obrigada pelo comentário.

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Informação

Publicado às 6 de outubro de 2014 por em Contos Off-Desafio e marcado .