EntreContos

Literatura que desafia.

Mil Pedaços de um Coração Tatuado à Nanquim (Fabio Baptista)

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Pobre coração…
Quando o teu estava comigo era tão bom.

Abro a cortina, com imprudente celeridade. O Sol, espreitando lá fora desde horas há muito não visitadas por meus ponteiros, com fótons mordazes trespassa córneas, retinas, pupilas e cristalinos, numa explosão cega de diminutas supernovas que faz meu semblante contorcer-se num emaranhado de rugas, sobrancelhas amassadas e olhos espremidos até adquirir vislumbres de máscara de Pierrô em Quarta-feira de cinzas.

Domingo de primavera, desses que até nos levam a crer, bobamente, que a felicidade é um estado natural; geram sorrisos mais espontâneos que espinhas em rostos adolescentes; impelem idosos a buscar sombra e novos mexericos no frescor do terraço; lotam piscinas públicas com uma profusão de maiôs, sungas, urina, cloro, corpos fora de forma e frieiras; atulham os shoppings de gente buscando o refúgio artificial das luzes de led, do ar condicionado, das filas de cinema e mensagens de celular, das novas coisas indispensáveis que nunca fizeram a menor falta; entopem estradas, alamedas, trilhas, ruas, becos, avenidas, vielas ou quaisquer outras vias que à praia conduzam. Ah, a praia! Eu gosto da praia. Gosto do amontoado orgânico de cadeiras e guarda-sóis que se espalha, numa miríade de padrões mesmerizantes, pela areia que voa ao gosto do vento como a matéria-prima dos sonhos, das estrelas que brilham em outros céus e das nebulosas que desdenham de nossa pequenez nos confins do espaço-tempo, por detrás dos sóis gêmeos que afundam sob o lago enquanto as sombras dos pecados dos homens alongam-se em Carcosa.

Sim, eu gosto da praia.

Mas não hoje.

Hoje o mar está distante. E lá fora a vida apresenta-se jovial, agradável, com uma ameaça velada de urgência que nos obriga a tentar pegar tão somente o que já estiver ao alcance da mão. Trata-se de mais um embuste dessa velha traiçoeira, bem sei! Mas deixo-me enganar. Ah, sim! Em verdade vos digo – eu quero ser enganado! Anseio por isso de todo coração, com todo resquício de força que ainda ostenta a honradez, ou quiçá a loucura, de dar as caras em minha alma. Assim, atendo ao convite da janela, em um ímpeto dourado tão repentino quanto bem-vindo de sair à rua, caminhar, provar uma vez mais a ardência do Sol avermelhando a palidez da minha reclusão, do meu “estar-se preso por (falta de) vontade”. Abandonar, mesmo que por instantes efêmeros, o mofo das caixas que se empilham preguiçosas no velho apartamento e em fino papelão embalam discos, livros, retratos, pôsteres, honras, promessas, lembranças, histórias e o pouco da saudade indecentemente bela que resistiu, mais por teimosia que por bravura, ao rigor lancinante do inverno.

Aceno um burocrático “até logo”, às paredes e seu silêncio ensurdecedor, ao prato que solitário jaz à mesa, ao sândalo destilando seu torpor, às aranhas que em cantos escuros tecem fios de tristeza. Palavras vãs, que no vasto mundo de minha mente, onde agora até o velho diabo parece negar-se a vir prestar seu ofício, anseiam ser solução, mas são (quando muito) apenas rima.

Saio de casa, sentindo-me um urso parido pela caverna após hibernar. O ímpeto dourado enferruja antes que meus pés encontrem pela segunda vez o chão ladrilhado da calçada. Tudo parecia tão melhor quando visto da janela! Já não quero mais ser enganado porcaria nenhuma, já sinto falta do cheiro de mofo e papelão empoeirado, mas insisto, vou até o parque. Ao adentrar o portão principal e constatar o tanto de gente que compartilhou da mesma ideia, penso em voltar. Mas continuo insistindo. Sou cercado por crianças – elas brincam entre si com a inocência maldosa que só quem ainda não provou dos dissabores do mundo pode brincar. Posso sentir suas risadas reverberando em meu espírito, mas não me alegro. Sigo em frente e, sem perceber, acabo mergulhando no mar de atletas de fim de semana, bicicletas rangendo correntes apressadas, maratonistas amadores, triciclos, casais enamorados insultando a amargura alheia com a euforia da paixão recente, árvores velhas com suas folhas secas e raízes eclodindo ranzinzas no cimento, vendedores ambulantes, fragmentos de conversa, cata-ventos e balões em formato de personagens que desconheço, capoeiristas e seus onomatopeicos berimbaus, gritos na quadra de vôlei, jogos de futebol, bolas de basquete, cães esbaforidos, estátuas, pombos, pardais, patins, pipas, carrinhos de bebê, skates deixando rastros de madeira esfarelada no chão.

Tudo parece banhado por uma demão aguada de nanquim.

Tão insosso.

Completo uma volta. Dois quilômetros e meio. Deve ser mais do que caminhei nos últimos dois anos. Estou surpreso (e um pouco decepcionado) por não ter esbarrado em ninguém. Ainda mais surpreso (e confesso que ainda mais decepcionado) por não ter presenciado nenhum acidente na ciclo-faixa – andar por ali me pareceu tão seguro quanto um piquenique na Faixa de Gaza. Boca seca. Encosto aleatoriamente em uma dessas barraquinhas que vendem água de coco, salgadinhos, conservantes com aroma de laranja e bugigangas afins. Aguardo minha vez de ser atendido, distraindo-me com glúteos e bustos hermeticamente embalados em lycra que transitam fluorescentes pela pista de atletismo. Então – num daqueles eventos que nos deixam com a pulga atrás da orelha, refletindo se é tudo uma grande coincidência ou se existe um titereiro brincalhão zombando de nós no alto das nuvens – alguém resolve parar na mesma fila que eu. E minha vida muda.

– Oi… tá na fila, moço?

Sua pele é ébano nobre, seus dentes pérolas perfeitas confinadas num baú de tesouro que jamais será encontrado por pirata ou Peter Pan, seus lábios fazem inveja a incontáveis Iracemas e seus olhos… ah, meu Deus, seus olhos! Eles escondem todos os segredos sussurrados, todos os sonhos sonhados e todas as juras de amor proferidas desde a criação do universo. Seus ouvidos não deveriam ser incomodados com nada menos doce que as liras que tocaram os querubins ao receber as tropas celestes entrando triunfantes pelos portões de safira após a batalha do cipreste branco.

– Oi… é… estou esperando faz um tempinho. Na verdade está demorando tanto que estou desconfiado que foram plantar o coqueiro… – arrisco uma piada, já me sentindo um completo idiota antes de terminar a frase.

Minha voz definitivamente não deve sequer assemelhar-se à lira de anjo algum, mesmo com a mais desafinada delas. Mas ela ri. E o mundo fica colorido.

– Ai, final de semana é terrível, né? Parece que todo mundo resolve vir pra cá, é impressionante! – Para minha surpresa, ela dá andamento à conversa.

– As pessoas no Shopping devem estar pensando a mesma coisa agora mesmo.

– É verdade! – Concorda, abrindo um sorriso mais largo e, certamente contrariando alguma lei da física, ainda mais bonito. – Acho que tem é gente demais nessa cidade, né?

– Dez milhões de solitários, cercados de estranhos por todos os lados… – as palavras escapam da boca involuntariamente e meu rosto queima em brasa. – Putz, não faço a menor ideia do porquê de ter falado isso… quero dizer, até faço, mas não era pra falar. Digo, não que eu queira esconder algo, é que… bom, acho que já me enrolei o suficiente, melhor parar, né?

– Você parece ser engraçado… – ela lança-me um olhar, que ouso classificar como “interessado”.

– Engraçado tipo “tonto”, ou engraçado tipo “legal”?

– Engraçado tipo… “engraçado” – ela dá uma gargalhada encantadoramente boba, parecida com soluço, mas que ao meu coração soa tipo: “desfibrilador”.

Pegamos as garrafinhas e antes de nos darmos conta estamos caminhando juntos, falando sobre relacionamentos traumatizantes, amor, Deus, almas gêmeas, furacões, montanhas russas, músicas de elevador, sentido da vida, medo da morte e outras coisas sem importância. Contemplo árvores farfalhando num verde exuberante, abelhas beijando as flores com o fulgor de amantes saudosos, o Sol transformando-se em prata líquida ao refletir-se no lago atulhado de patos e cisnes que grasnam ritmados. Sinto uma leve brisa acariciar meu rosto, trazendo consigo o cheiro adocicado das bromélias que ladeiam a trilha. Tudo é tão bonito, tão perfeito. Mesmo os arrulhos dos pombos, que em dias acinzentados chegam aos ouvidos quase como juras de maldição, agora parecem entoar a cândida melodia da mais bela entre todas as canções do mundo.

Duas voltas depois, estou encharcado de suor. E completamente apaixonado. Tão apaixonado que sequer sinto câimbras (as tais endorfinas são mesmo milagrosas). Não faço a menor ideia de como sobrevivi até então, sem a companhia dessa garota de pele morena com quem sonhei há tanto, tanto tempo. Na despedida, ela anota o telefone em um guardanapo e me entrega, junto a mais um olhar interessado e um “me liga”. Coloco-me no caminho de casa, sentindo-me menino que ganha beijo em porta de escola, segurando o número como se fosse bilhete de loteria premiado. Mas então, ao cruzar o portão principal, lembro-me da minha vida embalada em fino papelão no velho apartamento. E uma nova aguada de nanquim é pincelada sobre a paisagem. Entristeço-me, com a sensação de ser o cão que, picado por cobra, passa a ter medo até de linguiça. Todavia, logo o sorriso sorrateiro do passarinho que antevê o perigo e bate asas antes de pisar na arapuca, escapa-me ao canto da boca.

Ah, vida! Sua traiçoeira incorrigível! Um dia desses, num desses encontros casuais, talvez volte a me enganar, talvez pegue os mil pedaços do meu coração e parta-os em mil outros mais. Talvez você ainda volte a tatuar seus desmandos, caprichos e devaneios em minha alma. Talvez. Provavelmente. Quem sabe. Um dia.

Mas não hoje.

Amasso o guardanapo e atiro-o à primeira lixeira.

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49 comentários em “Mil Pedaços de um Coração Tatuado à Nanquim (Fabio Baptista)

  1. Eduardo Barão
    4 de outubro de 2014

    Estou me sentindo muito culpado (ou imbecil, não há precisão) por não ter gostado tanto deste conto como grande parte dos colegas abaixo. Ganhará boa nota por conta da escrita inquestionavelmente primorosa, mas de resto…

    O grande acerto do conto está na elaboração dos diálogos. Naturais, críveis. `Por outro lado, a narrativa não me soou espontânea. As descrições não me fizeram imergir e o final não supriu minhas expectativas.

    Espero que o autor possa me desculpar, mas o conto não me conquistou. No entanto, me despeço fazendo a citação da passagem que mais gostei:

    “Mas então, ao cruzar o portão principal, lembro-me da minha vida embalada em fino papelão no velho apartamento. E uma nova aguada de nanquim é pincelada sobre a paisagem”.

  2. Angélica
    4 de outubro de 2014

    Achei o conto exageradamente descritivo, mas gostei demais da forma como autor escreveu cada paragrafo, o dialogo mental do personagem trás a tona o que aconteceu na vida dele para estar naquela situação. Adorei o desenrolar dos fatos e a contradição que se dá no final, pois parecia que o personagem reagiria de uma forma e isso não ocorre. Parabéns e Boa sorte!

  3. tamarapadilha
    4 de outubro de 2014

    Parabéns, muito bem escrito. Não consegui entrar no enredo mas acho que isso já deve ser de ter tantos contos na mente, risos.

  4. Thiago Mendonça
    4 de outubro de 2014

    Excelente conto, muito bem escrito e com um ótimo final! Ótima técnica!

    • Thiago Mendonça
      4 de outubro de 2014

      Continuando, você “brincou” bem com os sentimentos do personagem, fazendo-nos achar que ele tinha alguma “salvação”, e jogou isso “na nossa cara” no final. Quanto mais eu matuto aqui, mais eu gosto do conto! Muito bom!

  5. Edivana
    4 de outubro de 2014

    Bem, esse conto é espetacular, cadenciado, cínico, com um final surpreendente. A tristeza é circular aí, mas quando você acha que o protagonista quer se livrar dela, é quando descobre que ele a conserva com muito esmero. Narrativa perfeita.

  6. Alana Santiago
    3 de outubro de 2014

    Gostei muito, muito mesmo! O único conselho que eu daria é um pouquinho mais de cuidado na transição de quando eles se encontram e o passeio que fazem. Mas foi só a sensação de que poderia ter ido um pouco mais devagar nessa parte, só isso. Do restante, muito bom de ler! Parabéns!

  7. Fabio D'Oliveira
    3 de outubro de 2014

    Devo concordar com um colega, também gostei do conto por causa do seu final. Está muito bem escritoe o protagonista está bem desenvolvido. Porém, não gostei muito do clima do conto, o que fez a leitura ficar um pouco cansativa pra mim. Mas é um bom conto! Parabéns.

  8. felipeholloway2
    3 de outubro de 2014

    Pooorrra, demorou, mas saiu: meu primeiro 10!

    E que 10 merecido, rapaz! É exatamente desse jeito que José de Alencar escreveria, se tivesse um cérebro em vez de açúcar e “o manual do escritor gongórico” preenchendo a caixa craniana. Que delícia acompanhar, por meio de uma narrativa tão primorosa, a ranhetice do seu protagonista convertendo-se na boba alegria dos que pressentem a paixão chegando (os elementos do ambiente, antes repulsivos, se enchendo de cores), e voltando a ser ranhetice no final, quando a “insanidade socialmente aceitável” do amor é controlada a tempo. Os símiles, as metáforas, a sutileza, a cadência… Tudo neste conto concorre para torná-lo quase um genuíno exemplar de texto Hors-concours, dado o nível médio do certame, até aqui. E o que dizer do diálogo? Acho que foi o mais fluido, natural e bem sucedido diálogo que já li no Entrecontos, e olha que estou aqui desde o começo da bagaça. Quanto à voz do narrador-protagonista, você se equilibra exatamente na corda entre a pompa maneirista e o virtuosismo salutar. Há um total domínio da técnica e dos rumos da história a ser narrada, bem como da esplêndida psicologia do teu personagem mal(bem/mal de novo)humorado.

    Meus sinceros parabéns, meu amigo.

  9. williansmarc
    3 de outubro de 2014

    Ótimo conto. No começo estava achando um pouco entediante, mas depois consegui “entrar” no texto e me vi dentro do parque do Ibirapuera observando o casal. Todavia, recomendo que use com moderação esse recurso de várias descrições para a mesma cena, acredito que isso restringe um pouco a abrangência do seu publico alvo. Tirando esse pequeno excesso, acredito que o conto beira a perfeição. Destaco também o final que realmente fugiu do que eu esperava.

    Parabéns e boa sorte no desafio.

  10. rsollberg
    3 de outubro de 2014

    Cara, não tenho muito o que comentar. Só que gosto muito desse estilo do autor. Narrativa perfeita, humor, informação, carga emocional. Ágil e ritmado.

    A música foi ótima, na minha opinião, uma das melhores do “Tempestade”. O inicio dela é fantástico “Eu não me perdi, o sândalo perfuma…”. O vocal dele está impecável nessa faixa.

    Na verdade, Renato tinha um pouco disto do que você narrou no texto, essa solitudine estranha, não por acaso criou uma das grandes frases de sua geração, “o mal do século é a solidão”. O protagonista não chega a ser um agorafóbico, mas já está um grau acima da síndrome do pânico.

    Bom, é por isso que não se pode fazer previsões antes de ler todos os contos…

    Parabéns e boa sorte.

  11. Carolina Soares
    2 de outubro de 2014

    Olá,

    seu conto foi muito bem escrito, você conseguiu dialogar com a música dos Engenheiros do Hawaii sem necessariamente contá-la. Melhor conto até agora. Parabéns! Boa sorte no desafio!

  12. Lucas Almeida
    2 de outubro de 2014

    Confesso que gostei do texto por causa do final. Se ele ficasse com o numero, provavelmente estragaria toda a esta mensagem, pelo menos que eu percebi, de que cada um se mantém na dor que quer, sendo que o mundo pode ser melhor do que aparenta ser. Sendo assim, o conto casou com a musica muito bem. Boa sorte!

  13. Lorena
    1 de outubro de 2014

    Gostei do conto , me lembrei das vezes em q me enterrei na areia e fingi q era um guarda-sol

    parabéns ao autor por me relembrar desses bons momentos

  14. Felipe Moreira
    1 de outubro de 2014

    Gostei. Quando li o primeiro parágrafo, imaginei que o texto fosse me cansar, mas me enganei. Ele flui mesmo nessa pega mais poética, profunda de uma cosmovisão bem particular, a julgar pela transformação abrupta de humor no final. Os diálogos foram precisos, sem se perder na densidade do texto. Minha parte favorita do texto foi a paixão repentina, a explicação quase que didática do efeito causado nele ao encontrar a morena.

    Parabéns pelo trabalho e boa sorte no desafio.

  15. Swylmar Ferreira
    30 de setembro de 2014

    Conto bem elaborado e muito bem escrito, história completa, linguagem objetiva . O autor(a) usou muito bem a mescla de narrativa com diálogos diretos no conto, além de poucas descrições.
    O texto é muito interessante e gostoso de ler.
    No final cara, devia ter guardado o guardanapo e ligado para a menina.
    Boa sorte. Parabéns pelo excelente conto.

  16. Camila H.Bragança
    30 de setembro de 2014

    Colega

    Como dito antes, vosso texto é bem escrito, mas não esquenta e nem esfria. Não sou Deus, e portanto, estou fadada a erros. Haja vista minha Inaptidão cognitiva, não consegui identificar a mensagem e/ou propósito do anticlímax. Julgo ser para que o leitor não receba o que lhe é indicado, mas se mostra gratuito, assim como gratuito algumas descrições. Talvez o conto se torne um dos dez mais pedido entre os suicidas, pois tudo frustou e me causou enfado.
    –>> Um suicídio do protagonista pela incapacidade de se relacionar. Talvez matar a mulher por não conseguir firmar o ato sexual. Junção de atos do passado com o momento presente que deságue em algum ponto de tensão. São exemplos que poderiam ser empregados para retirar vossa obra da pantanosa incerteza a qual está mergulhada – As músicas baseadas possuem propósitos, vosso texto, não.

    • Eddie Rousseau
      30 de setembro de 2014

      Prezada Camila,

      Não é de meu costume a manifestação durante o certame, pois tenho a impressão que, assim como as piadas, os contos que pedem por maiores elucidações ao final da leitura acabam por perder a graça. E, sobretudo, penso que quando o leitor não entende parcial ou totalmente um texto a culpa é do escritor, que não teve a presteza de esculpir adequadamente suas ideias com as palavras. Sob esse prisma, temo (sendo um tanto radical, admito) que respostas de natureza semelhante a que estou escrevendo exatamente agora não estejam 100% em conformidade com a ética (ao menos não em “época de eleição”), no tocante que afiguram-se a um complemento do texto, algo que pode influenciar o leitor (e consequentemente sua avaliação).

      Porém acredito que uma exceção se faz deveras necessária diante de tão ilustre comentário.

      Permita-me uma breve explanação acerca da proposta geral do conto. Não tenho com isso o intuito de demovê-la de sua má impressão, que fique claro. Não obstante, penso que talvez, com um maior detalhamento do enredo (que as inaptidões técnicas impediram-me de passar com a verossimilhança adequada no texto), vossa percepção altere-se – para o bem, ou para o mal (ou para além disso, como sonhava aquele filósofo bigodudo). Em suma – respeito que a senhora ou qualquer outro confrade não aprecie essa escrita parcamente inspirada, todavia, preferiria que isso ocorresse após a interpretação adequada do que tentei dizer (reafirmo – o texto deveria ser suficiente para isso e, se não foi, a culpa é exclusivamente minha).

      Ok… cansei dessa linguagem pomposa, vamos à vaca fria! 😀

      A música “Mil Pedaços” fala sobre alguém que está perceptivelmente triste (senão deprimido) com uma separação recente. É nesse estado que se encontra nosso pobre protagonista (a citação do trecho da música no início tenta dar uma contextualização disso).

      As caixas de papelão indicam que ele está de mudança (provavelmente terá que vender o “velho apartamento” para rachar a grana com a ex, ou algo assim). O fato de dormir até tarde, não sair de casa, não ter vontade de fazer nada, etc., são os sinais da tristeza/depressão. O cara está na fossa, tudo está pintado em preto (como narra a música “Black”).

      Certo… depois de algum tempo, esse cara cria forças para sair (aliás, esse é o momento mais perigoso da depressão… isso não tem qualquer relevância para o que estou dizendo, mas é um fato curioso que quis compartilhar :D). Então vai ao parque e conhece a morena. Uma mulher linda que faz certos sentimentos ressuscitarem em seu coração.

      No final o que parece um presente do destino, torna-se um dilema: repetir o ciclo, mergulhar novamente no perigoso jogo da paixão? Arriscar? E se não desse certo? Estaria pronto para uma nova pancada da vida?

      Eu, Eddie Rousseau, não dispensaria uma morenona dessa de jeito nenhum! rs

      Mas não estou deprimido como o sujeito estava. Não considero o cara “um merda“ como classificou o Gustavo Araújo, por exemplo. Mas sim alguém que está ressabiado e inseguro pela mágoa recente, com medo de dar uma boa golada no que parece ser remédio e descobrir depois que na verdade era veneno. Não há incapacidade de se relacionar… apenas o momento não é propício para isso (conclusão do personagem).

      O final não é gratuito, feito só para sair do lugar comum conforme sugerido. Além dessas motivações explicadas acima, temos que considerar o final da música Mil Pedaços – “vou fugir dessa dor… meu amor, se quiseres voltar… volta não, porque me quebraste em mil pedaços”. Sim, na música trata-se da mesma pessoa que abandonou o protagonista e no conto é uma desconhecida, mas creio que a ideia principal não se altera – o medo de amar e quebrar a cara novamente.

      Ufa! Era isso. 😀

      Saudações,

      Eddie Rousseau

      • Camila H.Bragança
        1 de outubro de 2014

        Prezado, colega.

        Tenho em vista a repercussão que meu comentário causou a vossa excelência, retorno a esta página com intuito de lastimar o retiro de vossa paz de espirito. Observei diversos comentários e discussões – algumas com fundamentos, outras nem tanto -, e percebo que é detestável que não se possa falar o que se pensa ainda que se use palavras dosadas. Provavelmente fui infeliz ao afirmar que o conto se tornaria um dos dez mais pedidos entre os suicidas e, devido a isso, lamento e peço que perdoe minha sinceridade e/ou ironia e/ou linguaja.
        Concordo quando vossa excelência afirma que nenhuma obra – os clássicos, por exemplo -, precise de elucidação por parte do autor – Nem Dom Casmurro precisa se simplificado para “mentes atuais”, nem os demais considerados complexos como: João Guimarães Rosa, Dostoiévski, Goethe e tantos outros. Aquele que não consegue entender, que quebre a cabeça e se inteire, explicar é afirmar a mediocridade de quem ler.
        Quando sugestionei que fosse tomada alguma atitude para retirar vossa obra da incerteza, foi somente me baseado em concepções inteiramente minhas e, como dito, estou fadada a erros. Não explique vossa obra, pois isso é tido como uma afronta – talvez seja essa mesma vossa intenção, e não vejo motivo para tanto, a menos que seja alguém no desabrochar da juventude que não consiga suportar uma palavra contrária, menos aveludada ou, talvez, esteja explicando aos seus confrades. Ainda assim, vossa explicação só serviram para reafirmam que minhas sugestões não estão deslocadas.Retorno ao que foi dito em outros comentários feitos por mim: Não espere que algo dentro da canção escolhida elucide as ideias de vossa obra, ela deve caminhar com as próprias pernas.
        Palestras acerca de física/ciência/tecnologia, são enfadonhas para todo o público leigo, e na arte ocorre a mesma coisa, porém, o pulo do gato está em fazer o leigo enternecer com o que é ofertado. Pense nisso, Jovem.

        Passar Bem.

      • Camila H.Bragança
        1 de outubro de 2014

        Vossas EXPLICAÇÕES

      • Eddie Rousseau
        1 de outubro de 2014

        Ah, Camila… quem me dera ainda ser jovem! rs

        Olha… não vou me alongar muito, mas só uma constatação: você me interpretou mal.

        “Mas não vou brigar, por causa disso…” (Sereníssima :D)

        Sou totalmente favorável às críticas sinceras e, acredite, não me ofendo (não muito) com as negativas, mesmo com as mais ofensivas. Respondi a sua porque estava acompanhando suas respostas em outros textos e achei engraçado o jeito que começou a escrever (num limiar de ironia e deboche, segundo minha percepção) depois que seus comentários foram removidos.

        Daí, sei lá… meio que quis te provocar. rs

        Saudações,

        Eddie Rousseau.

        PS: Também acho que esse conto seria top 10 fácil entre os suicidas! 😀

      • Lígia
        1 de outubro de 2014

        O autor Rousseau tá cheio de blá blá blá e choro hein???? Esses tapinhas em luva de pelica enojam qualquer um.

      • Eddie Rousseau
        1 de outubro de 2014

        Putz… agora virou motim!!! 😀

      • Claudia Roberta Angst
        1 de outubro de 2014

        Aqui tem cantinho para refletir? Cinco minutos para cada ego pensar no que fez.

  17. Fil Felix
    29 de setembro de 2014

    #O que gostei: escrita muito boa e analogia incríveis. O conto me ganhou ao final, totalmente inesperado e que me tirou do lugar comum pra tentar uma reflexão. Gosto disto, principalmente em narrativas sobre o cotidiano, mostrando o tédio de certas vivências.

    #O que não gostei: não sou muito fan de mega-descrições, principalmente quando são do estilo “objeto X parecido com sensação Y, objeto X parecido com sensação Y, objeto X parecido com sensação Y….”. Uma sucessão de analogias e/ ou metáforas, como nos primeiros parágrafos.

    #O que mudaria: seu conto está muito bem escrito e ambientado. Diminuiria, talvez, esses pontos que falei acima, pra deixar mais dinâmico.

  18. David.Mayer
    29 de setembro de 2014

    Caraca, que texto bom.

    Confesso que o primeiro parágrafo foi um tanto afobado, rápido, sem pontos, um suspiro prolongado e sem brilho.

    Mas daí em diante tudo foi metamorfoseando, transformando as palavras/pensamentos numa metáfora de uma vida triste e fútil. Estava na cara que ele tinha sofrido de amor… ah, quem não? E tudo pareceu para ele sem importância. Dava para perceber no arrastar de suas pernas o peso da solidão e da prisão de mofo que construíra para si. Decepcionado que estava.

    Eis então que surge uma bela morena (acho que foi por isso que gostei tanto. É das minhas preferidas… pele de ébano e etc ehehehe) e as coisas à sua volta mudam de forma a encantá-lo e a vida pareceu sorrir mais uma vez. Quem sabe uma segunda chance para um coração tão amargo e frustrado? Já estava empolgado, ele iria se dar bem, então, ele é pego pelo medo.

    Um medo que tantos, assim como ele, eu também, sentiria, em abrir o coração e deixá-lo a mercê do próximo. Da pessoa amada. E ele, sem coragem, não se permitiu viver um novo amor.

    Parabéns e muito obrigado por compartilhar este sentimento/conto.

  19. Pétrya Bischoff
    28 de setembro de 2014

    Que escrita maravilhosa! De narrativa e descrição perfeitas. Logo no primeiro parágrafo, abri um sorriso e tive certeza das belezas que viriam.
    Não gosto de piscinas ou praia (nunca estive em nenhuma), mas a situação descrita no parque, no sétimo parágrafo, é exatamente o que vivo ao sair em público. Gostei disso.
    Ah, quase me apaixonei pela guria, devido suas descrições 😉
    Senti uma pontada de tristeza quando ele rejeita a felicidade ao colocar fora o número dela, mas é de sua essência, não é?, ser solitário.
    Parabéns e boa sorte.

  20. Andréa Berger
    28 de setembro de 2014

    Que escrita impressionante. Gosto muito de escritas descritivas, que fazem uma fotografia do que se está lendo, e aqui pude visualiza claramente todo o sentimento da personagem principal. Tudo muito poético. A trama é bem simples, mas eu gostei. E a base musical é fantástica. Legião e Pearl Jam (e a referência a Engenheiros) me lembram muito meu início de adolescência, há uns 10 anos atrás. Me deu um gostinho de nostalgia.
    Um abraço e boa sorte

  21. Leandro
    27 de setembro de 2014

    Caro autor, achei tudo muito exagerado ( saio de casa sentindo-me como um urso parido pela caverna….) e confesso que esse tipo de narrativa me agrada pouco. Pontos positivos pela sua criatividade de transformar algo simples em diferente, no nosso quotidiano, ficou bem escrito, mas confesso que esperava mais. Boa sorte!!

  22. Fabio Baptista
    26 de setembro de 2014

    ======= ANÁLISE TÉCNICA

    Caramba, mais um texto muito bem escrito. Esse desafio está páreo duro!

    Normalmente não costumo gostar dessa pegada mais poética, mas aqui acho que o autor conseguiu incluir a poesia sem prejudicar a fluidez da narrativa e o resultado ficou muito bom.

    Não achei nenhum apontamento gramatical para fazer. Assim como o amigo José Leonardo, talvez trocasse a ordem de uma ou duas vírgulas.

    ======= ANÁLISE DA TRAMA

    A abordagem das músicas foi muito boa. Além de “Pra ser sincero” identificada pela Thata Pereira, reconheci trechos de “Eu sei” e “Sereníssima”, além de dois trechos literais de “Black”. Tudo inserido de modo natural na narrativa (ótimo!). Há também uma passagem um pouco obscura (não captei ao certo a ideia), com referência para “O Rei de Amarelo” – se existe algo musical nesse sentido, eu desconheço…

    A princípio a trama é simples, não resta dúvida. Mas por trás dessa aparente simplicidade há um enorme contexto “não dito”, que cabe ao leitor imaginar. Discordo do amigo Andre Luiz quando diz que conflitos interiores não cabem em um conto. Aqui pelo menos, na minha opinião, eles couberam muito bem.

    – Espaço temporal reduzido
    – Poucos personagens
    – Poucos cenários
    – Final surpreendente

    Está tudo aí, parabéns!

    ======= SUGESTÕES

    Não tenho nada a sugerir, achei esse conto realmente muito bom.

    Não é o meu preferido do desafio porque aquele da metamorfose é quase imbatível (ainda faltam 9 ou 10 pra ler).

    ======= AVALIAÇÃO

    Técnica: *****
    Trama: ****
    Impacto: ****

  23. fmoline
    26 de setembro de 2014

    Olá,

    Caramba, estou impressionado com as descrições. Todas bem compostas e rápidas, deu um estilão forte para o texto (e com um humor bem saudável, eu diria). Honestamente, não conheço a música abordada, mas vi várias intertextualidades (Camões, por exemplo) muito bacanas pelo caminho. Não satisfeito em escrever muito bem, o autor(a) ainda deu toque a mais com a história e reflexões (principalmente ali no final) interessantíssimos! Um texto maravilhoso.

    Parabéns!! Meus maiores cumprimentos.
    (Ps: adorei o título, foi o que me chamou atenção desde o começo!!)

  24. José Geraldo Gouvêa
    26 de setembro de 2014

    O autor escreve bem, isso é óbvio. Mas nesse texto, especificamente, eu acho que ele saltou depressa demais do ponto A ao ponto B sem fazer o leitor abrir a boca e dar aquele “Ah!” que justifica um dez. Refiro-me à transição excessivamente vaga entre o encontro na barraca de coco e a conversa. Esse afastamento súbito de um narrador que estivera próximo fica parecendo uma fuga da incapacidade de dar força e beleza a este momento específico da conversa.

    Bom texto, mesmo asim, mas ñao o melhor.

  25. Thata Pereira
    26 de setembro de 2014

    O final do conto me fez lembrar uma música do Engenheiros do Hawaii, pensei que o conto fosse inspirado nela “um dia desses, num desses encontros casuais, talvez a gente se encontre, talvez a gente encontre explicação… ♫”.

    Gostei do conto. Achei algumas frases muito longas, como “Sigo em frente e, sem perceber, acabo mergulhando no mar de atletas de fim de semana, bicicletas rangendo correntes apressadas, (…)”, apesar de ter achado as descrições escolhidas muito bonitas. Eu amei o título!!

    Boa sorte!!

  26. piscies
    25 de setembro de 2014

    Que escrita poética! Quanta elegância! Realmente um texto maravilhoso. Faz pensar, faz sorrir, faz entristecer. Uma fotografia maravilhosa de um dia de um coração atribulado. E outras mil coisas que podemos retirar do texto.

    Achei excelente. Você é um exímio escritor.

    Exímio até demais, as vezes. Algumas descrições estão muito exageradas, tão exageradas e poéticas que chegam a cansar um pouco. São descrições divinas, porém as vezes longas demais. O primeiro parágrafo é um exemplo bastante óbvio. Tirando isto, não vejo mais pontos negativos.

    Parabéns!

  27. Lucimar Simon
    25 de setembro de 2014

    Sim. Um bom conto. Singularidade, imagético elementos extra comuns. acho que estou aprendendo a avaliar contos, será que estou aprendendo a escrever também? rs. Lembrou-me a melancolia estoica de Bandeira, nada de uma morte por a caso, uma morte, uma tristeza construída para impressionar. Marcador de um tempo, de um momento de pensar. Parabéns, boa sorte.

  28. Andre Luiz
    24 de setembro de 2014

    O clima acalorado do conto é um chamativo essencial para o leitor. O seu texto é bastante descritivo e bem ambientado, mas falta ainda – em meu ver – algo mais. Sim, algo mais como um conflito físico ou coisa do gênero. Enfim, a trama me surpreendeu pelo rebuscamento de enredos (uma coisa difícil de se fazer) e uma articulação bastante coerente de ideias.

    Abstenho-me quanto aos erros de gramática, se houverem. Preconizo a estética e a narrativa.

    Algo certamente a se consertar diz respeito às turbulências filosóficas, às brigas e lutas pessoais, do personagem principal. Apesar de, por um pensamento extremamente particular, eu achar que enriquecem, e muito, um texto, infelizmente não cabem em um conto; cuja proposta é apresentar um enredo de fácil entendimento e que, preferencialmente, aconteça sem passagens de tempo, espaço ou conflitos interiores.

    Sendo assim, acredito no potencial do autor e, mesmo com algumas correções ínfimas, o conto ficou delicado, simples e sutil, magnífico!

  29. Anorkinda Neide
    24 de setembro de 2014

    Ok, conto inspirado nas musicas de fossa… um romance terminado, um mundo monocromático… mas subitamente apaixonado pela morena? e a paixão não foi mais forte do que as últimas lembranças tristes? ok.. acontece.
    Mas então, toda aquela adjetivação que permeou todo o encontro com a moça, torna-se mais exagerado do que já havia se mostrado.
    Realmente, não curti tanto rebuscamento e orações longas que me tiraram o fôlego ao ler.
    Mas, como és um escritor bem preparado ganharás muitos likes… srsrrs

    Abração

  30. Gustavo Araujo
    23 de setembro de 2014

    Gostei do conto. No início achei um pouco arrastado, com todas essas digressões filosóficas e tal. Quando a garota aparece, porém, tudo mudou. Senti o sopro de vida, a brisa, o ar fresco oxigenando a narrativa. É o amor, diria o Zezé. O texto ganha vida, fica colorido com a perspectiva de que o protagonista — um pessimista de carteirinha — irá mudar sua maneira de ver o mundo.

    Apesar de eu ter ter achado o narrador um tanto enfadonho, me vi torcendo por ele no fim. Ainda que eu imaginasse como seria o arremate da história, mantive acesas as esperanças. Essas são as maiores qualidades do conto, a meu ver. Torci pelo cara, mesmo sabendo que ele era um… merda. Ter optado por ficar preso à sua existência modorrenta só confirmou isso.

    De todo modo, creio que o autor aproveitou muito bem as músicas que lhe serviram de inspiração. Um dia desses, num desses desafios casuais, talvez se sagre campeão. Material para tanto, tem de sobra. Parabéns.

  31. Michele Amitrano
    23 de setembro de 2014

    Que comentário infeliz. Típico de quem não leu. Cadê a fundamentação? Morno por quê?

  32. José Leonardo
    22 de setembro de 2014

    Olá, autor(a).

    Um bom conto. Gostei das imagens proporcionadas, da bela verve do autor, da maneira como lenta e astutamente (feito um ourives) conduziu o enredo. O fim melancólico (como o de alguém que percebe a solidão da vida e seus processos idênticos mas não renuncia a eles) me agradou, fugiu de qualquer obviedade. As músicas ficaram a contento, e agradeço ao autor por não ter inserido trechos literais delas como se fossem parte do conto. Apesar do primeiro parágrafo ser vagaroso (a meu ver), a leitura é agradável. Não notei erros ortográficos; só pelo esmero para com as concordâncias nominais posso depreender que o autor é muito zeloso quanto à escrita e tende a ser perfeccionista ao máximo (o que me agrada).

    No entanto, o texto poderia passar por mais um polimento, ainda que mínimo. Principalmente quanto ao excesso de vírgulas em alguns trechos fazendo a leitura caminhar em lenta moagem (tal excesso quebrou um pouco o ritmo). No primeiro parágrafo, por exemplo, dou uma sugestão: suprimir a primeira vírgula e isolar o trecho “espreitando lá fora desde horas há muito não visitadas por meus ponteiros, com fótons mordazes” com travessões, além de suprimir a vírgula aqui também (bom, é somente sugestão de um sub-amador que sou, mas creio que daria fluidez ao parágrafo).
    Aprecio imensamente excesso de informações num texto, mas fiquei fatigado em algumas passagens estendidas. As descrições do ambiente externo e dos itens da conversa com a mulher são necessárias, mas não me agradaram (também tenho problemas com isso na escrita, autor).
    Quanto aos diálogos: claro, é a praia, ambiente totalmente informal e onde não se esperam conversações de “profundidade filosófica”, mas gostaria que o autor ousasse mais nelas de um modo geral — ficaram aquém, na minha opinião, da qualidade do enredo.

    Boa sorte.

    • José Leonardo
      22 de setembro de 2014

      *só pelo esmero com as concordâncias nominais JÁ posso depreender que…

  33. Gabriela Correa
    22 de setembro de 2014

    “Dez milhões de solitários, cercados de estranhos por todos os lados…” Bonito, fresco, moderno, urbano. Muito bem escrito, trama simples, cotidiana e bem pensada. Humor e melancolia muito bem entrelaçados, funcionando maravilhosamente bem. Um conto agradável e agridoce, com um final surpreendente que coroa sua ótima narrativa com um quê de realidade quase suspensa naquele encontro tão promissor. Encantador e cativante! Parabéns, boa sorte! 🙂

  34. rubemcabral
    22 de setembro de 2014

    Lindo conto, muito poético e imagético. O primeiro parágrafo havia me soado exagerado, rebuscado demais, mas depois dele o conto ganha novo frescor e humor, e então deslancha muito bem.

    Sem maiores críticas, salvo o bobo ter jogado o guardanapo fora, rs.

  35. Brian Oliveira Lancaster
    22 de setembro de 2014

    A parte do “hermeticamente embalados” me fez rir alto. Um curioso tom poético e bem humorado inserido em um estilo urbano – inusitado. O final foi inesperado, o que é bom, mas ainda é um belo soco. Novamente, acho que seria melhor quebrar uns parágrafos ali. Me fez ter a sensação de alguém que anda com a cabeça nas nuvens, em devaneios sem fim – garanto que muitos escritores por aqui vão sentir certa proximidade com o personagem, o que torna melhor a leitura.

  36. mariasantino1
    22 de setembro de 2014

    Olá!

    Putz! Tu me ganhaste com a explicação do cara. Eu ri demais (que fofo!).

    Ah! Pearl Jam me lembra a infância, sozinha em casa com minha irmã (Dez anos mais velha que eu) que morria de amores pelo Eddie Vedder e também o cara do Soundgarden. Pra mim, seu conto me lembrou aquela canção do R.E.M “It’s The End Of The World”, sabe qual é? Aquele turbilhão de palavras se afunilando.
    Gostei, tem imagens cotidianas e certa melancolia que eu gosto.

    Parabéns!

    Sucesso 😉

  37. JC Lemos
    21 de setembro de 2014

    Um belo e poético conto!

    Mesmo o preto tem seus variados tons, e os daqui tangeram as cores em certos momentos. Gostei do que li, e gostei da narrativa. Bem escrito de verdade.
    Foi uma pena o papel ter sido atirado ao lixo, mas um diz cinza a mais não iria fazer diferença, de qualquer forma.

    Ótimo conto!
    Parabéns e boa sorte!

  38. Claudia Roberta Angst
    21 de setembro de 2014

    Gostei das músicas selecionadas como inspiração e trilha sonora.
    A narrativa é toda costurada em uma melancolia poética que dá até vontade de adotar o pobre coitado do protagonista. A vida ingrata manchando seus dias com nanquim.
    Também quero ser enganada, mas desta vez não. Reconheço o talento do autor com as palavras e não me deixarei seduzir facilmente. Agradeço o deleite e parabenizo o autor. Sem mais demãos de nanquim. Boa sorte!

  39. Andre Luiz
    20 de setembro de 2014

    Então, o que falar? Simplesmente fantástico. Adorei a forma como descreve as coisas, os fatos e as emoções, tão puras e tão cativantes! Agraciou-me o autor com tamanha beleza de palavras, quase que escolhidas a dedo, contadas metricamente e dispostas com maestria. O conto em si é simples, com um enredo macio e tranquilo, não é algo pesado, mas que é de leveza inconfundível.

  40. Eddie Rousseau
    20 de setembro de 2014

    Conto inspirado pela música “Mil Pedaços”, Legião Urbana:

    (Muito recomendada em casos de fossa…)

    E também por “Black”, Pearl Jam:

    (Também muito recomendada em casos de fossa e também quando todo mundo já está bêbado no Karaokê. Todos vão comentar no dia seguinte que sua voz é igualzinha a do Eddie Vedder! Experimentem, é sensacional).

    Há referências diretas e indiretas a outras músicas durante a narrativa, mas o “clima” que tentei passar era o dessas acima.

    Espero que gostem! Ou que pelo menos não me xinguem muito pelo “Tempo Perdido” (putz, outra do Legião!). 😀

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Publicado às 20 de setembro de 2014 por em Música e marcado .