EntreContos

Detox Literário.

Até Que Ninguém Mais Fale Sua Língua (Tom Lima)

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Um cruzado rápido, certeiro e potente. O braço forte da lei. O golpe fez o forasteiro cambalear para longe do balcão. Rapidamente o salão foi tomado pelo caos. Ninguém ofenderia a honra dos homens daquela cidade que nem deus sabia o nome e sairia impune.

Outros golpes vieram, de todos os lados, mas o forasteiro não os viu. Somente os sentia. Um após o outro, lhe ferindo costelas e braços e pernas. Uma cadeira foi lançada contra suas costas pouco antes de ser atirado para fora, caindo pesadamente no chão de terra do exterior.

-Levante e suma da minha cidade, seu verme insolente! Se cruzar meu caminho outra vez vai ser um homem morto!

O xerife atingiu com precisão o olho direito do forasteiro caído e quebrado com o cuspe negro do fumo mascado. Ficou no chão por um longo tempo até ser novamente capaz de levantar. Sentia dores nas costelas, nas costas, nas pernas, no rosto. Sentia gosto de sangue na boca e o olho direito inchando. Sentia algo. Ainda sentia.

De quatro, engatinhou pelo chão de terra até chegar ao seu chapéu. Estava aos pés de um velho índio que ria.

****

Foi difícil chagar até o cavalo. Ainda pior tendo um velho índio chayenne caçoando da sua desgraça enquanto lhe segue. Foi difícil montar, foi difícil cavalgar e sair da cidade. Não sabia o nome dela, e isso não importava. Mesmo que soubesse logo esqueceria. Só a próxima cidade importa. Só ir mais para o sul importa. Cavalgou por horas enquanto o índio o acompanhava a cavalo. Montava uma égua branca e seguia logo atrás do forasteiro.

-Sabia que a terra é redonda, Johnny? Se continuar indo pro Sul desse jeito vai acabar voltando pro Norte.

E gargalhou tão intensamente que quase caiu do cavalo. O forasteiro soprava a fumaça do cigarro enquanto tentava ignorar o índio.

-Não adianta fugir, Johnny. E fingir que não me ouve não vai mudar os fatos.

Odiava ser chamado de Johnny. O índio sabia disso. Já fora chamado por muitos nomes e não gostava de nenhum. Forasteiro o identificava melhor, vivia entrando e saindo de cidades em que nunca antes pisara. Era sempre um forasteiro e nunca ficava tempo o bastante para o título perder o sentido.

-Pode tentar ignorar o passado, Johnny, mas ele não vai desaparecer por isso.

A fumaça subia enquanto o Sol descia.

-Não pode fugir, Johnny, não pode.

O índio parecia não se importar com a falta de atenção.

-Olhe pra mim, Johnny.

Os olhos do forasteiro continuavam fixos no horizonte cada vez mais alaranjado.

-Olhe pra nós!

Dessa vez não foi a voz do índio velho que ele ouviu, mas a de centenas deles, mulheres e crianças, jovens e velhos. Crianças e mulheres na sua maioria. Não pode evitar, teve que olhar. Viu uma fila interminável de índios. O forasteiro sabia a diferença entre chayenne, lakota e arapaho, também sabia que todos estariam ali, liderados pelo velho índio a cavalo. Alguns poucos estavam armados e pintados para a guerra. Todos tinham marcas terríveis pelos corpos. Marcas de dilaceração, como mordidas de alguma besta selvagem. Nada na natureza conhecida poderia ter causado aquelas marcas. O forasteiro sabia.

-Vê o que você fez, Johnny? Vê o que você é? Você mata, é isso que você faz e não há cidade alguma no mundo em que você possa fugir disso. É a sua natureza, ela vai com você pra onde você for.

Com olhos arregalados e respiração sem controle, o forasteiro fez seu cavalo parar. Uma constelação de olhos cheios de ódio plantados sobre ele. Queria pedir perdão mas não podia. Nenhum deles o iria ouvir. Seus ossos há muito jaziam descarnados em algum lugar de Montana.

-Eu não faço mais isso, índio velho. Deixei tudo para trás em Little Big Horn.

O índio riu alto e farto.

-Você fugiu como um covarde antes da batalha perto do rio, Johnny, mas isso não apagou o que você fez.

-Eu segui ordens!

O desespero na sua voz só não se convertia em lágrimas por que sua alma já estava seca.

-Por quê você obedeceu? Você matou porque isso é o que te deixa feliz, você matou porque gosta, Johnny, isso sim! Pode fugir o quanto quiser, mas eles vão vir te pegar. Um desertor não fica sem punição. Não adianta fugir, mais cedo ou mais tarde Deus vai te pegar.

Num movimento rápido o forasteiro sacou a winchester da cela do cavalo. Com grande esforço atirou contra o índio, mas a bala foi lenta demais. Desapareceu, assim como todos os outros, junto do som do tiro que fez vários abutres levantarem voo. O forasteiro ficou ali, parado, tentando manter as memórias em seu lugar. Mantê-las em um passado distante do qual já não se lembra. Não quer lembrar. Não pode lembrar.

Seguiu pela estrada só porque uma estrada deve levar a algum lugar. Seu único guia era o Sol, que deveria ficar à sua esquerda pela manhã e à direita pela tarde. Enquanto a estrada seguisse para o Sul ele seguiria a estrada. Para o sul até que ninguém mais falasse sua língua.

Depois de horas ou dias, não saberia dizer, chegou à outra cidade. Uma velha placa de madeira com tinta descorada indicava o nome do lugar, mas o forasteiro nem se deu o trabalho de ler. Era um pouco maior que a anterior, composta de duas ruas ao invés de uma. Fez o que sempre fazia ao chegar a uma nova cidade. Olhou os cartazes de procurados, reconheceu seu rosto entre muitos outros e seguiu para o bar. Normalmente era lá que ele arranjava confusão, tomava uma surra e era jogado pra fora da cidade, mas, vez ou outra, tinha de parar para reabastecer provisões, munições e curar as feridas. A cadeirada nas costas ainda incomodava ao cavalgar.

Caminhou na direção do bar sabendo que essa não era a melhor coisa a fazer. Deveria ter ido direto para a estalagem, descansar, mas a tequila o chamou com mais ímpeto que a cama.

Entrou no bar sem tentar chamar a atenção para si. Cabeça baixa e chapéu cobrindo os olhos. Mesmo assim a atenção se voltou para ele. Em qualquer lugar forasteiros tem esse efeito. Andou sem pressa até o balcão e pediu tequila a um jovem secava um copo com um pano sujo do outro lado. Com o queixo erguido desafiador o jovem serviu o alívio âmbar no copo que acabara de secar. Nem teve tempo de se afastar. O forasteiro esvaziou o copo e pediu:

-Outra.

Um murmúrio, que começou a se espalhar pelo salão quando o forasteiro entrou, começou a crescer e tomar corpo. O garoto derramava o líquido e tentava compreender o que aquilo significava quando o olhar fixo e frio do forasteiro foi de encontro ao seu. Primeiro a surpresa tomou conta do jovem rosto, depois o medo.

-Chega!

A voz rouca do forasteiro era quase raivosa. O garoto demorou a entender que ele falava da tequila, que já havia enchido o copo e se espalhava pelo balcão. O medo cresceu em suas pernas quando o forasteiro levou a mão para baixo do pano preto que lhe cobria os ombros. Deu um passo para trás esbarrando na prateleira das bebidas. Só voltou a respirar quando viu que o brilho metálico na mão do homem de preto era uma moeda. Pagava as bebidas e deixava um bom troco.

O forasteiro pôs a moeda sobre o balcão e se virou, andando na direção da porta. Parou do lado de fora do bar para acender um cigarro e ouvir um pouco da profusão de vozes que irrompeu lá dentro. Pode distinguir algumas frases. “É ele mesmo” e outros “Chamem o xerife!” e ainda ”É muito dinheiro”. Sorriu enquanto acendia o cigarro. Gostava de sentir o cheiro do medo na voz daqueles homens. Não sabia explicar o porquê, mas aquela sensação era uma das duas coisas que ainda lhe davam prazer. A outra era a tequila.

Caminhava, na direção da placa “Estalagem Dos Ojos”, sem pressa, quando o som das portas do bar batendo violentamente contra as paredes o fez parar, mantendo as costas voltadas para a voz.

-Espere. Pare!

A voz parecia ser do jovem atendente.

-Parado ai, fora da lei,

Outro homem, com voz de velho deu o tosco ultimato. Talvez houvesse alguma coragem nos homens daquele buraco chamado de cidade.

-Tem um cartaz aqui que diz que tu vale sete mil dólares.

Um terceiro falou, dando enfase às três últimas palavras.

-Vivo ou morto.

Um quarto acrescentou, com voz sombria.

“Só quatro?”

Pensou. Precisava ter certeza.

-Sete mil dólares é muto dinheiro pra dividir pra quatro, até mesmo pra cinco…

O forasteiro tragou profundamente ignorando a insinuação. Era a voz do garoto atendente que continuou falando.

-Podemos fazer um acordo, podemos levar você e depo

Quatro estampidos quase sem intervalos entre si. Quatro corpos caindo, quase sem intervalo entre as quedas. A pequena aglomeração de pessoas, na sua maioria saídas do bar, olhava sem crer em seus olhos.

O forasteiro voltou a andar, mas na direção do seu cavalo. Descansar e reabastecer teria de ficar para a próxima cidade. Montou, esporeou, e fugiu. Rápido, sempre para o sul. Sempre para longe da curva do rio.

Quando finalmente diminuiu a velocidade o velho índio voltou a falar. Era sempre assim, o velho índio sempre voltava a falar.

-Vê, Johnny, você não pode evitar. Mata mesmo que não seja preciso. Isao é parte de você. Isso te define.

O forasteiro tentava ignorar aquela voz, chata e repetitiva, que nem em sonhos lhe dava trégua. Desmontou do cavalo negro, o sol já ia se escondendo e era melhor montar acampamento.

-Por que matou eles, Johnny? Por quê?

-Não tive escolhas índio velho. Eles iam me levar de volta.

-E o que importa? Vai continuar fugindo para sempre? Não esta cansado?

-Estou, mas o que posso fazer? Não volto a receber ordens do Custer.

-Seu idiota, se eles te pega eles te enforcam!

-Por quê?

-Você é ignorante ou se finge? Você matou tanta gente tentando fugir, roubou bancos no caminho! É procurado, Johnny, vivo ou morto. Bem, isso não importa agora, com eles na sua cola.

O velho índio disse com um braço estendido para o norte. Semi encobertos pela noite vinham doze homens, levantando poeira com seus cavalos marrons e brancos. Vinham rápidos e determinados.

-São eles, índio? São homens do exércicito, não são?

A voz do forasteiro tremia. O índio já não estava lá.

Pensou em sacar as pistolas, matar todos antes que eles desmontassem. Seria capaz disso. Mas desistiu já com as duas mãos sobre os cabos das armas. Lembrou das palavras do índio e anos de fuga pesaram sobre seus ombros. Anos matando qualquer um que tentasse prende-lo. Anos tentando esquecer. Era hora de pagar por seus atos. Aceitaria bem a forca se isso significasse não mais obedecer o velho Custer.

Os cavaleiros se aproximaram. Quatro saltaram dos cavalos, os outros seguravam com uma mão as rédeas e com a outra as armas. Um homem alto e barrigudo tomou a frente. Portava uma estrela de cinco pontas dourada no peito.

-É melhor tirar as mãos dessas armas! Tenho doze apontadas pra você, prontas pra te matar, você escolhe se sei daqui vivo ou morto.

O forasteiro deixou os braços caírem dos lado do corpo. Exausto, deixou os joelhos encontrarem a terra vermelha.

O homem da lei continuou.

-Foi realmente impressionante o que você fez lá na cidade. Quatro tiros precisos, atingindo a testa de cada um deles! Aquele Jack era um filho da mãe mesmo, mereceu o tiro. Mas os outros três eram bons homens, e o pequeno Bob era só um garoto.

Fez uma pausa, com quem espera uma resposta. Uma defesa. Vendo que nada viria prosseguiu.

-Minha vontade é te matar e enterrar aqui mesmo. Mas sou um homem da lei, tenho que dar o exemplo. Vou te levar de volta.

Do chão o forasteiro ergueu os olhos, símbolos do desespero.

-Me mate agora, mas não me leve de volta para o Custer! Por favor, não me levem de volta pra ele! Qualquer coisa! Qualquer coisa! Vocês não sabem o que ele faz! O que ele me fez fazer! NÂO SABEM! EU NÃO VOU VOLTAR!

O xerife olhou para os seus homens, buscando resposta em algum deles. Foi o mais velho, ainda montado no cavalo, quem respondeu.

-Acho que ele ta falando do general Custer, aquele que morreu em Litle Big Horn, chefe.

O xerife ainda estava intrigado e irritado.

-Talvez ele ache que é um desertor, ou algo do tipo.

-Como assim acha?

-Bem, chefe, isso foi a quase trinta anos, esse homem não tem idade pra ter servido o exército naquela época…

O xerife olhou para o homem de preto desolado no chão. Quase sentiu pena dele.

-O Sol queimou seus miolos, filho.

A comitiva da lei se desfez em risos. O forasteiro não reagiu, na verdade nem ouviu. Só pensava no que faria se voltasse a receber ordens do general. Ordens terríveis. Queimar aldeias, matar mulheres, crianças, isso era parte da guerra. Mas o que o general fazia com os prisioneiros, isso estava além das imaginações mais férteis. O forasteiro não se lembrava das coisas que o general fazia, não queria lembrar, era mais saudável não lembrar. Mas sabia que foram coisas hediondas Somente algumas imagens, cheiros, sons e sentimentos brotavam das profundezas da sua mente. Gritos, choros, cheiro de carne sendo assada, comida, uma náusea profunda. Imagens soltas que logo erram mandadas de volta para a escuridão. Imerso em memórias quebradas, não viu suas mãos serem amarradas, ou quando foi posto sobre uma mula, ou quando foi trancado numa cela.

Quando voltou a si estava sentado sobre uma mula embaixo de uma árvore e tinha uma corda em volta do pescoço. Muita gente havia ido ali para ver o espetáculo. Um homem lia uma longa lista de crimes que terminava com a sentença:

-…a ser pendurado pelo pescoço até a morte. Que Deus tenha pena dessa alma.

A mesma estrela dourada que o capturou deu um tapa firme e decidido nas ancas da mula, que correu para longe. A corda segurou o forasteiro. Seu corpo balançou para a frente e para trás ao mesmo tempo que se debatia, tentando se livrar do laco derradeiro. Balançou e balançou. A cada movimento menos ar nos pulmões. Parou.

Um outro homem, que provavelmente era médico, tentou medir suas pulsações. Morte confirmada com um olhar. O corpo foi retirado da corda e posto numa caixa de tábuas simples. Foi enterrado no cemitério local, numa vala sem identificações. Mais um fora da lei levado à justiça.

**********

O sol nascia baixo sobre o tumulo recém coberto. O caixão era apertado mas havia espaço suficiente para riscar um fósforo. O forasteiro descobriu que lhe haviam levado os cigarros. Dessa vez a cova era rasa e a madeira vagabunda, fácil de quebrar. Já esteve em piores situações, onde o caixão era de madeira nobre e a cova funda. Mas de um jeito ou de outro ele saia, tinha que sair. Caso contrario estaria preso a um ciclo de sono, despertar, asfixia, dor, morte, sono, despertar. Já havia passado por isso, por um tempo. Não, era melhor levantar para outro ciclo, igualmente ruim mas um pouco mais longo e menos monótono. Um cilo onde a tequila er auma opção. Saiu da cova sem grandes dificuldades, chacoalhando a terra fofa das roupas quase pretas.

Na cova ao lado um velho índio esperava enquanto fumava seu cachimbo.

-Tudo isso é culpa sua índio maldito!

O índio, com movimentos suaves e lentos, soltou longamente a fumaça que havia espirado.

-Como isso é minha culpa Johnny?

-Você me amaldiçoou no dia em que eu te matei. Você não me deixa morrer!

Gritava no cemitério deserto. Corvos assistiam ao debate solitário.

O índio balanço a cabeça lentamente de um lado para o outro.

-Pobre Johnny, fingindo não se lembrar do passado. Sabe que eu sou fruto da sua imaginação. Sabe que eu morri há muitos anos. Eu sou só a imagem que a sua culpa escolheu, Johnny, só isso. Eu sou parte de você. Eu não sou nada. Você sabe que essa coisa, essa história de sair debaixo da terra, é culpa do seu chefe, das coisas que você fez pra ele e não tem coragem de lembrar. Você sabe, Johnny, só finge que não.

O forasteiro voltou a ignorar o velho índio. Balançou a cabeça e deu falta do chapéu. A pior parte de morrer era que as pessoas vivas achavam que tinham o direito de tomar as suas coisas. Ou essa era a pior parte de voltar do túmulo? Não importava, o Sol ia baixo a oeste, ele deveria ficar à sua direita então. Sempre para o Sul, até que ninguém mais fale sua língua.

-Vai começar tudo de novo, Johnny?

O forasteiro fingiu não ouvir. O índio balançou a cabeça enquanto exalava fumaça branca.

-Quantas vezes mais vou ter que fazer isso, índio velho?

Com um riso de surpresa o índio respondeu.

-Até você se lembrar, Johnny. Até você aceitar seu passado e, por consequencia, seu destino. Vamos , Johnny, você sabe o que o Custer fazia com homens como eu, não é? O que ele fazia com as mulheres e crianças da minha tribo e das outras. Você até participou, Johnny!

O índio falava alto, mas o tenente Jonnas Carter não ouvia. Era novamente o forasteiro e continuaria indo para o sul até que ninguém mais falasse sua língua.

-Sabia que a terra é redonda, Johnny?

22 comentários em “Até Que Ninguém Mais Fale Sua Língua (Tom Lima)

  1. luan vieira
    10 de junho de 2014

    A parte em que diz que a terra é redonda e caminhando para o sul se volta… é o ponto sobre qual giram minhas criticas. Existe uma repetiçao nas imagens que a principio me incomodam um pouco e que só se resolvem na ultima frase do texto, que me lembra, que o caminhar somente para o sul, numa terra redonda, faz com que o pesonagem, volte, e volte, e volte. Sendo necessaria reticao das imagens, do caminhar, do sol, do cavalo, a cor a temperatura, tudo isso a mim, parecesse ter sido visto antes. Enfatizando sutilmente o fato de jonny estar preso a um ciclo angustiante, tanto para mim que assisto como para ele que vive.. Entao, essa frase reforca o fato do forasteiro jonny està preso, de sul a sul, em um ciclo ao qual ele nao terá escapatória enquanto nao se livrar da culpa. E foi muito bem encaixada no enredo.
    A culpa, que por sua vez é concretizada pelo indio, a me causa sensaçao fastasmagorica, que volto a ter no final. Quando descubro que a unica possibilidade, baseado na parte que diz:
    sono, despertar, asfixia, dor, morte, sono, despertar. Já havia passado por isso, por um tempo.
    A unica possibilidade para jonny ter passado por esse ciclo seria estar morto.
    Colocando jonny tambem, de certa forma, numa quarta dimensao, e o indio numa quinta, ja que é uma dimensao imaterial de um ser aue também é imaterial. E jonny, dessa vez como fantasma, ganha pra mim, nesse momento, uma conotacao de espirito terreno que precisa evoluir ( se livrando da culpa) para seguir, e sair desse ciclo infernal e de castigo.
    , Se, existe sutileza no uso da frase relacionada ao mundo redondo citada no inicio da minha critica, essa sutileza falta no final. Pois do final do texto quando o indio explica quem é, fecham-se muitas possibilidades e liberdade de imaginacao, para nos colocar em uma explicao final quase didatica e nada sutil. Volto a dizer que todas essa impressoes me sao feitas antes de ler a frase final.
    A “cena” do bang bang, apesar de cinematografica, me é muito necessatia, e uma inteligente forma, de me falar: ta vendo, nesse ciclo, de sul a sul, jhonny vai sempre passar por issp. Pq ele é um forasteiro, e sempre vai acabar como um forasteiro, e voltar como tal.
    É a forma que o texto me revela que o que vai acontecer, de novo, de novo e de novo. Sem que a cena se repita, de novo, de novo, e de novo. E isso é bom.

    Eu nao sei se compreendi o texto como deveria, e nem, se tem uma forma certa de compreender, visto que depois de criado a obra passa a ser do mundo, nao sua. Mas, essa é minha critica. Foi uma historia boa de acompanhar. E uma memoria boa de guardar. Sinto, até pena do pobre jhonny, e essa vida que vc deu a ele. Ou melhor, essa nao vida. Parabéns Tom. Quero ler mais… super abraco!

  2. Marcellus
    24 de maio de 2014

    Gostei do conto. Mais um a misturar o “Velho Oeste” com fantasia, de um jeito bem bacana.

    É claro que há algumas coisas a arrumar, acertar os tempos verbais, erros de digitação, talvez focar um pouco mais na culpa do anti-herói… mas a história tem bom potencial.

    Boa sorte ao autor!

  3. Bia Machado
    24 de maio de 2014

    No começo não estava gostando muito, confesso. Mas insisti e acabei achando muito bom! Bem no clima de faroeste mesmo. Precisa de alguma revisão, erros provocados certamente pela pressa. Parabéns!

  4. vitorts
    24 de maio de 2014

    Gostei bastante. Algumas frases ficaram especialmente boas, como:

    “Era sempre um forasteiro e nunca ficava tempo o bastante para o título perder o sentido.”
    “Seguiu pela estrada só porque uma estrada deve levar a algum lugar.”

    Cortaria a menção a Deus na fala do índio. Só se justificaria caso o personagem fosse fruto da imaginação do pistoleiro, o que arruinaria com o tom dúbio entre realidade x loucura que o texto propõem.

    Parabéns pelo texto.

  5. Srgio Ferrari
    22 de maio de 2014

    Simples e sem novidades. Fiquei um tempo sem ler, pq deu no saco velho oeste, agora retornando e dei de cara com este. Mesmo assim não é dos piores. 😦

  6. Thiago Lopes
    20 de maio de 2014

    Gostei do conto. Os colegas aqui já deram boas dicas. Eu particularmente gostei muito do personagem índio. Gostei também desse ar errante do personagem principal. Conto bem legal.

  7. Thata Pereira
    18 de maio de 2014

    Gostei. Do final, principalmente. Alguns errinhos passaram batido na revisão, mas isso acontece mesmo. Não chegam a me incomodar. Eu gostei muito dos diálogos neste conto. Foi um faroeste bem “real” para mim. Deu vontade de terminar e voltar no começo de novo. Um ciclo sem fim rs’

    Boa Sorte!!

  8. Felipe Moreira
    17 de maio de 2014

    Um belo conto de realismo fantástico. O texto pecou muito na revisão, sobretudo digitação mesmo. Porém, a prosa é muito eficiente e essa jornada do Johnny que fugia de si mesmo foi épica. O seu conto é bem singular em relação aos outros. Gostei muito.

    Parabéns e boa sorte.

  9. Brian Oliveira Lancaster
    16 de maio de 2014

    O final-paradoxo e o inusitado me prenderam, apesar do início um tanto corrido. O elemento fantástico foi muito bem aplicado.

  10. rsollberg
    16 de maio de 2014

    Adorei “o sol queimou seus miolos, filho” é exatamente isso que espero (no bom sentido) em contos ambientados no velho-oeste.
    Gostei da reviravolta, a guinada que precisava para o conto ficar mais envolvente.
    Também aprecio o fantástico e não sou muito afeito a coisa explicadinhas.
    Portanto, deixo aqui meu parabéns e boa sorte.

  11. Leandro B.
    13 de maio de 2014

    Bacana. Bom conto.

    Pecou um pouco na revisão. Me incomodaram alguns tempos verbais se alterando, algumas palavras e pontuações comidas e alguns erros de concordância. Claramente deslizes na revisão.

    O fluxo da narrativa, contudo, compensa. Somos instigados a continuar a leitura sem nos apegarmos a esses problemas.

    Não conhecia o personagem, mas pela maneira com que o nome foi revelado imaginei que ele traria algumas respostas, por isso pesquisei (rapidamente).

    Quando Johnny revela que o índio o amaldiçoou fiquei bastante desapontado. Parecia uma saída muito simples para o enigma que estava sendo elaborado. Por isso, fiquei feliz quando o índio logo assinalou que aquilo era invenção de Johnny.

    Criei uma teoria quando pesquisei sobre o personagem, mas não vou dividi-la porque me apeguei a ela e não quero que o autor me corrija (rsrs)

    Olha, novamente parabéns pela tecnica da narrativa. Merece destaque.

    Bom conto.

    • Django (The D is silent)
      14 de maio de 2014

      Poxa, fiquei curioso agora, apesar de imaginar qual seja.

      Depois do resultado e os nomes dos autores divulgados me procure e me conte, por favor. hehe

      Obrigado.

  12. Rodrigo Arcadia
    7 de maio de 2014

    Pois é, uma maldição sem fim, um ciclo que não termina. Bem horrível estar amaldiçoado. bom conto.

    Abraço!

  13. Fabio Baptista
    7 de maio de 2014

    Gostei.

    Notei alguns erros de digitação e gramática que poderiam ser facilmente eliminados numa revisão mais apurada.
    Exemplos:
    – Isao é parte de você
    – Não esta cansado
    – que logo erram mandadas
    – do laco derradeiro
    – O índio balanço a cabeça

    Nada comprometedor, mas são coisinhas pros chatos de galocha que nem eu apontarem. 😀

    Também existe a repetição de palavras em alguns parágrafos, que é algo que sempre me incomoda (isso é coisa minha, não quero dizer que é um erro).

    Mas a história é boa e a narrativa convincente, limpa. Não chega a brilhar com belas figuras de linguagem (recurso que eu gosto), mas prende muito bem a atenção. No geral gostei dos diálogos. Apenas no final achei a fala do índio um tanto didática e repetitiva.

    Acho que seria melhor o conto ter encerrado em: “Sempre para o Sul, até que ninguém mais fale sua língua”, ou trazendo a frase da terra redonda logo depois disso.

    Abraço!

  14. Swylmar Ferreira
    6 de maio de 2014

    Gostei!
    O conto foi num crescendo de entusiasmo para um final esperado (nisso faltou melhorar). Bem gostei do enredo e da narrativa, os poucos erros não comprometem em nada o conto.
    Parabéns!

  15. Claudia Roberta Angst
    5 de maio de 2014

    Não lido com o fantástico desde os tempos de faculdade, mas aprecio. Só não me aventuro a redigir algo nessa linha por achar que não sou muito hábil com os elementos fantásticos. Quem sabe um dia?
    Gostei bastante da trama e do título. Logo percebi que o índio era um fantasma ou alucinação.
    Adorei a fala – “Sabia que a terra é redonda, Johnny?” Bem simbólica a ideia toda – redonda= círculo sem fim nem começo= um ciclo sem fim. Por isso, Jonnas Carter sempre recomeçava a mesma viagem, a mesma sina . Interessante mesmo.
    Boa sorte!

  16. Pétrya Bischoff
    4 de maio de 2014

    As primeiras descrições (da pauleira que ele levou) são bem semelhantes a um conto meu. Isso foi legal.
    Depois a leitura foi esfriando e pensei que morreria. No entanto, em algum momento durante seus devaneios (ou eternas vivências) a coisa toda voltou e acabei gostando da finaleira.
    Só foi meio longo, para meu gosto.
    Mas de qualquer maneira, está de parabéns.

  17. Davi Mayer
    4 de maio de 2014

    Texto muito bom e criativo. No começo eu pensei “de novo essa historia… “, mas no decorrer percebi que se tratava de algo mais especial e envolvente. Como foi citado, alguns erros basicos de tempo verbal e letras comidas… nada que uma boa revisão não resolvesse.

    Parabens.

  18. mariasantino1
    4 de maio de 2014

    Um conto pra ser lido ao som de Jonny Cash ( I see a darkness, devido ao clima). Gostei muito e a amputação de algumas palavras não é percebido nem retira o brilho da trama. O índio me ganhou de cara e quando achei que terminaria, eis que…

    O inicio parece outra coisa e essa reviravolta foi muito boa, pois o conto parecia que seguia para uma trama batida, mas do meio para o fim, se percebe que não é nada disso.

    “Sabia que a terra é redonda, Johnny?” Gostei demais!

  19. Anorkinda Neide
    4 de maio de 2014

    Outro fantástico aqui e que fantástico! Parabéns!

    A história envolveu sempre mais, buscando-se as respostas.. meio que não gostei de todas serem respondidas pelo índio imaginário, ficou um pouco explicativo demais, mas pouco… gostaria de descobrir mais lentamente ainda.. hehehe
    só por prazer.

    Abração

  20. Eduardo Selga
    4 de maio de 2014

    O enredo do conto é muito bom, uma bela incursão pelo fantástico, na qual os fatos vão aos poucos se revelando: a princípio, percebendo que o índio não é real, pode-se imaginar tratar-se um fantasma ou a voz da consciência do protagonista perseguindo-lhe, e, ao fim, a condição dele não fica muito clara. Felizmente, pois é essa nebulosidade que dá encanto ao texto.

    Nuvens que ofuscam o leitor (coitadinho dele, tão desamparado…), exigindo grande trabalho na tarefa de interpretar. Ao final, o personagem parece caminhar numa linha tênue entre o real e o irreal, o concreto e o abstrato, a ponto de ele mesmo, personagem, não parecer a representação de uma pessoa “de carne e osso”: Talvez até o personagem seja um fantasma ou sonho, já que ele escapa do caixão enterrado, como já fizera outras vezes. Mas se ele não é concreto, a cena inicial (ele sendo expulso do saloon) também não pode ser. Aliás, nada pode ser.

    Essa dúvida é a beleza do conto. Trabalho artístico.

    Mas em alguns momentos o narrador apresenta uma dicção muito próxima dos filmes tradicionais de western, made in USA. Parece-me desnecessário, a menos que a intenção fosse irônica, o que não me parece o caso. Nas expressões usadas, “pequeno Bob” e “O Sol queimou seus miolos, filho”, parece John Wayne ou qualquer caubói de cinema falando. E, quero crer, o western vai além dessas construções do cinema, já que, apesar de se tratar de um gênero essencialmente cinematográfico, é a recriação de uma realidade dos Estados Unidos. Como essa recriação hollywoodiana é ficcionalizada e muito estereotipada, buscar fugir disso seria interessante.

    Faltou revisão. “Em tentando manter as memórias em seu lugar” deveria ser “em seus lugares” ou “a memória” e em “-Podemos fazer um acordo, podemos levar você e depo” parece ter havido em pedaço do texto que foi comido pelo autor. Até pode ser entendido como a interrupção da fala do personagem em função dos quatro tiros que vêm logo a seguir, mas nesse caso de veria haver reticência.

  21. JC Lemos
    4 de maio de 2014

    Confesso que o início não estava muito bom para mim, mas do meio para o fim eu gostei bastante! Principalmente do final, pois ficou um tom surreal ao terminar de ler.
    O pistoleiro me lembrou Roland Deschain.

    Há alguns errinhos no decorrer do texto, e algumas palavras comidas, mas com uma revisão mais minuciosa eles somem.

    Parabéns e boa sorte!

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Informação

Publicado às 4 de maio de 2014 por em Faroeste e marcado .
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