EntreContos

Detox Literário.

Penso, logo existo (Pétrya Bischoff)

Não é como estar sonhando.

Eu não vejo imagens ou ouço vozes; eu sinto. Sinto nitidamente. Neste momento não me ouço falar, no entanto, sinto toda a eloquencia das palavras. O Espaço não é negro; quando não estou sentindo lembranças, parece branco. Quando penso no “branco”, torna-se translúcido. Quando digo isso, sinto esses balõezinhos róseas flutuando como bolhas-de-sabão. E continua assim, como um metamorfo das maravilhas, até que outra lembrança se faça presente. Mas não é como estar sonhando, definitivamente.

Não há, também, outras pessoas aqui. Tampouco eu estou aqui. Digo, meu corpo. Não sinto braços ou pernas ou olhos. Não respiro. Chego a pensar que não vivo; se morri será este O Além? Um vazio alucinante de confusão e incertezas? Com qual finalidade? Essas interrogações flutuam como os balõezinhos, no Espaço de minha consciência.

***

Este conto faz parte da coletânea “Devaneios Improváveis“, Primeira Antologia EntreContos, cujo download gratuito pode ser feito AQUI.

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28 comentários em “Penso, logo existo (Pétrya Bischoff)

  1. Vívian Ferreira
    5 de abril de 2014

    Lindo, poético e bem escrito. Um conto muito bom. Parabéns ao autor. Está entre os meus favoritos.

  2. Wilson Coelho
    5 de abril de 2014

    Um bom conto, o final um soco no estômago bem dado. Gostei bastante.

  3. fernandoabreude88
    4 de abril de 2014

    Gostei desse conto, apesar de soar meio estranho às vezes, nota-se a capacidade do escritor em levar o leitor com facilidade. Gostei na narração e também do final, só me incomodaram algumas palavras que o escritor utilizou, que não me cabe citar aqui, pois já arrumei confusão suficiente nesse concurso, rs. Bom conto!

    • Pétrya Bischoff
      4 de abril de 2014

      Olá, Fernando
      Fiquei curiosa quanto as palavras que lhe incomodaram. Prometo que não arrumarei confusão, se quiseres cita-las. Rsrs
      E fico feliz em saber que parte dele lhe agradou 🙂

  4. Hugo Cântara
    3 de abril de 2014

    Um bom conto. Nao me estava a cativar até entrar a velha em acção. A partir daí, o texto voou rapidamente para o final, que também foi muito bem conseguido.
    A escrita é muito boa e gostei da construção, saltando ao passado e de novo ao presente.
    Parabéns e boa sorte!

    Hugo Cântara

  5. Alexandre Santangelo
    2 de abril de 2014

    Um dos contos mais intimistas que já li por aqui. Não tem como não se contagiar pelo lirismo do inicio. Excelente conto. Parabéns.

  6. Socram Bradley
    2 de abril de 2014

    Triste, melancólico…E a referência a Star Trek me conquistou….”Espaço…a fronteira final…” O fim nem sempre é o fim. Boa história. Boa sorte.

  7. Marcellus
    1 de abril de 2014

    Bons textos são aqueles que provocam sensações no leitor. Sensações para além da simples assimilação fonética, do mequetrefe debulhar de letras pelos olhos.
    Esse conto me causou profundo desconcerto, justamente por tratar de um dos maiores medos: a mente que se esvai aos poucos de um corpo disfuncional.
    Parabéns à autora.

  8. Thata Pereira
    31 de março de 2014

    Lindo!! Adoro esses contos curtinhos que possuem uma narração mas poética, pois ela envolve o leitor de uma maneira positiva. Foi o que aconteceu aqui. Mesmo o final triste foi absorvido pela poesia contida na narração, o que me agradou muio! Os diálogos da menina e da senhora me transmitiram a ideia de interior o que entrou em choque com a poesia da narração, mas foi um choque *muito* positivo.

    Lindo, lindo, lindo!

    Boa sorte!!

  9. Ricardo Gnecco Falco
    29 de março de 2014

    Engraçado que não dava nada pelo conto devido ao título… Achei um título bem clichê e imaginei que iria me deparar com um monte de chavões e lugares comuns. Mas, não… Mesmo continuando a não gostar da escolha do título (mesmo após o final, quando o mesmo parece fazer algum sentido mais sensato), o tom poético e o sentimentalismo empregado à escrita conseguiram me conquistar e, mesmo que desconfiado sobre a autoria (feminina) da obra, me surpreendi com a sutileza empregada aqui ao tema do presente Desafio. Já vejo, inclusive, como uma assinatura da autorA. Se for quem eu estou pensando, né… Rs! Contudo, deixo meus parabéns por esta “volta às origens” literárias emotivas e características autorais.
    Parabéns e boa sorte!
    🙂
    Paz e Bem!

  10. Eduardo B.
    28 de março de 2014

    Bem escrito, poético… Mas não me fez refletir, não me comoveu, não me soou muito memorável. Alcancei o fim com uma sensação de vazio (que, por sua vez, não encarei como ponto positivo).

    De qualquer forma, parabéns. Continue escrevendo.

  11. rubemcabral
    27 de março de 2014

    Achei o texto bonito, embora tenha sentido falta de mais história; mais descrições do além, mais memórias da via pregressa, etc.

    Um bom conto, contudo.

  12. Rodrigues
    26 de março de 2014

    Achei o conto poético, com construções interessantes e boa narração. Notei um certo rebuscamento que achei meio exagerado, mas há de se pensar que seria proposital, coisa de estilo. No mais, não consegui me deixar levar, algo aí me incomodou. A melhor parte é a segunda, quando ocorre o encontro entre os dois. Mudaria o começo e o final. É isso.

  13. Rodrigo Arcadia
    24 de março de 2014

    Que conto bonito, poético, um pouco filosófico ao meu ver. tudo é agradavel aqui, merece bons elogios.
    Abraço!

  14. Helena Frenzel
    24 de março de 2014

    Comento antes de ler os comentários dos colegas, para evitar influências. Gostei bastante, mas durante a leitura não pude evitar o pensamento de que ‘riso-de-canto-boca’ já tenha virado clichê… Quem será que saiu com essa tirada por aí primeiro? Interessante, eu não vivo no Brasil… Sim, fora os questionamentos que poderão levantar sobre a abordagem do tema, gostei muito da poesia, achei lindo o texto, parabéns!

  15. Bia Machado
    24 de março de 2014

    Muito, muito bonito, bem poético, cheio de sentimento, que dá gosto de ler. Bem poucas coisas para corrigir, mas nada que impediu de apreciar a forma como foi escrito, nem mesmo saber que tipo de fim de mundo seria esse que se daria até o final do texto. Parabéns!

  16. Maurem Kayna
    23 de março de 2014

    Lindo. Dos que li até agora é meu favorito. Só achei que o clima lúgubre descrevendo o quarto no primeiro encontro ficou deslocado. Ali achei que o conto rumaria para outros lados… Mas gostei do efeito geral.

  17. Gustavo Araujo
    23 de março de 2014

    Um conto magnífico. O autor soube empregar muito bem a mudança de pontos de vista, criando uma atmosfera lá e cá, deixando o leitor zonzo (no melhor sentido da expressão). Há uma poesia entremeada na história, tornando a narrativa doída mas apaixonante. Confesso que gostei muito. O mundo acabou? Não da maneira clássica, mas à maneira fielmente delineada e proposta pelo texto. Excelente. Parabéns ao autor.

  18. Weslley Reis
    23 de março de 2014

    A escrita é permeada de poesia, apesar de não ser o tipo de narrativa que eu mais aprecio, é notável a qualidade do texto.

    Fugir do padrão também é algo relevante e a leitura flui muito bem.

    Parabéns.

  19. Anorkinda Neide
    23 de março de 2014

    Embora eu priorize na votação, os fins de mundo literais… gostei muito desta leitura.
    Um conto muito bonito.
    Parabens à autora!

  20. Alexandre Horta
    22 de março de 2014

    Denso. Achei que o meio ficou um pouco perdido, ou poderia ter sido melhor explorado. Muito triste esse seu conto, gostei muito. O final ficou lindo. Parabéns.

  21. Claudia Roberta Angst
    22 de março de 2014

    Eu compreendi logo o fim do mundo neste conto. Simples, pessoal, finito. Como deve ser o final para cada um, pois na hora derradeira é o mundo particular que se acaba e essa é uma viagem subjetiva. A ideia do narrador acompanhar o fim do seu próprio universo, do seu corpo. O cérebro parou de funcionar, ele deixou de pensar e consequentemente de existir. Fim.
    O leitor segue a narrativa fisgado pela curiosidade. O que acontecerá com o casal? O desfecho ficou muito bom com o “Lá fora, morte cerebral”. Lembrei do “A verdade está lá fora” do seriado Arquivo X. Boa sorte!

  22. giulialisto
    22 de março de 2014

    Gostei muito mesmo. Fugiu do lugar comum de “Fim do Mundo” global para um fim de mundo pessoal, íntimo. Fim do meu mundo. Muito bom mesmo. Parabéns!

  23. Eduardo Selga
    22 de março de 2014

    Uma peça linda. A cada cinco ou seis textos que leio aqui aparece um em que há efetivo trabalho com a língua, em que as palavras são usadas para além da simples denotação. Nesses casos, sempre existem o fantasmas do exagero e com isso o texto ficar meio barroco, nebuloso em demasia. Porém, isso não aconteceu aqui. E, afinal de contas, literatura é essa utilização,como, por exemplo, na frase “A conversa era com os OLHOS E OLHARES, sorrisos e risadas”. Porém, numa das muitas passagens identifiquei uma construção muito semelhante à existente em outro conto aqui publicado.

    Uma análise apressada diria que em “- Mas tu soubeste do rapaz, namoradinho da menina essa?” o uso do pronome demonstrativo ESSA estaria absolutamente errado. Gramaticalmente, sim. Não nesse conto, porém. Foi um modo engenhoso de mostrar a fala característica da personagem, o deslocamento do pronome e desmembramento da preposição. Na ordem direta ficaria assim: “- Mas tu soubeste do rapaz, namoradinho dessa menina?” Há uma linha tênue entre o erro e a originalidade, mas o bom autor consegue deixar claro, ao bom leitor, que não se trata de erro.

    A ideia do enredo é muito interessante, uma espécie de memória afetiva acionada por intermédio do aroma, lembrando-me ligeiramente “O Perfume”, de Patrick Süskind. Outra ideia que merece ser avaliada é a concepção de que a morte cerebral, da qual é vítima o personagem, está “lá fora”. O interior é então esse mundo de sensações. É uma separação corpo-alma ou corpo-mente.

    Mas isso é o fim do mundo, ainda que individual? Afinal, o personagem continua, ao menos em algumas de suas percepções.”Penso, logo existo” não seria a negação desse possível fim de fundo individual?

    • René
      22 de março de 2014

      Eduardo!, fico sempre maravilhada com tuas explanações. Só posso dizer que conseguiste captar absolutamente tudo que tentei passar no conto.
      Quanto a esse fim de mundo, bem, fica a critério do leitor; bem sei que muitos nem aceitarão esse conto nesse desafio, mas é isso… Subjetividade!
      Muito obrigada e boa sorte a todos nós 🙂

  24. Fabio Baptista
    22 de março de 2014

    A escrita é boa, bonita, melancólica.
    A narração tem um ar de poesia.

    O final ficou muito bom, mas eu acabaria o texto na citação de Descartes. Talvez invertendo as frases, colocando a informação sobre a morte cerebral antes. Tenho impressão que daria mais impacto.

    Porém achei que o tema “fim do mundo” só pode ser encontrado com uma bela dose de boa vontade do leitor.

    No mais, um bom texto, parabéns.

    Abraço.

  25. Jefferson Lemos
    22 de março de 2014

    Ache o conto bem escrito. Em alguns momentos excessivo, mas no geral manteve uma boa linha. Achei a história mediana, não foi algo muito grande, mas foi agradável de se ler. Ela me remeteu a alguma coisa, mas eu não consigo me lembra o que, então acho que isso valeu o texto. rs

    Um conto agradável, pequeno e sentimental ao seu jeito. Parabéns ao autor!

    Boa sorte!

  26. Felipe Moreira
    22 de março de 2014

    Olha, eu gostei do que você criou aqui. A primeira parte já me dava uma pista do que seria o final e eu insisti na leitura, por vezes frágil, ao meu ver. Mas a última parte reconquistou a minha atenção e o final foi belo, ainda que triste.

    Pra mim, seu conto está acima da média, mas não pela narrativa e sim pela revelação.

    Parabéns e bos sorte.

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Publicado às 22 de março de 2014 por em Fim do Mundo e marcado .