EntreContos

Detox Literário.

A Carta (Ricardo Falco)

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Aos dezessete anos teve uma experiência que mudaria por completo a vida dele. Estava sentado num destes bancos de praça quando, no meio da conversa que tinha com seu melhor amigo na época, apareceu aquele cara.

Desconhecido.

Deu boa noite, trocou algumas palavras para quebrar o clima e, depois, calou-se. Incomodado, Osíris se questionava interiormente sobre as intenções daquela pessoa que se achegara sem ser convidada.

Prosseguiu na conversa com o amigo, embora se mantivesse atento às reações do intruso. Acendeu um cigarro. Sempre com o canto do olho a observar aquele estranho, sentado no banco em frente ao deles.

Calado.

Bebiam uma mistura de refrigerante com vodka, numa garrafa de dois litros que os acompanhara durante toda a noite. Depois, até se questionou sobre este fato, mas acabou chegando a um ponto que não dava mais para refugiar-se nesta fácil desculpa alcoólica.

PARECE MESMO

Foi a frase que ouviu, logo após pensar que a fumaça tragada do cigarro, e que então soltava, parecia não ter fim. Pois, até terminar o fôlego, a névoa branca que saía de sua boca não findara.

Estava frio.

A fumaça do cigarro misturava-se com a que era gerada pela diferença de temperatura entre o ar que expelia de seus pulmões, mais quente, e a que pairava ao redor deles, naquele início de madrugada de inverno.

Parecia mesmo não ter fim.

Olhava para o estranho, que permanecia imóvel. Na mesma posição que estabelecera já havia um bom tempo. Sentado no encosto do banco de madeira, com os pés apoiados sobre a base do assento.

Osíris levantou-se e, ainda de frente para o estranho – cada vez mais estranho –, subiu para três o número de questionamentos que até então pensava deter somente em sua mente.

Havia ele pensado em voz alta sobre a impressão que tivera, a respeito da fumaça do cigarro que expelia pela boca parecer não ter fim?

Primeiro questionamento.

O estranho tinha mesmo dito aquela frase que ele pensara ter escutado como resposta ao seu pensamento, mesmo sem perceber nenhum movimento na boca do “dito” cujo?

Segundo.

Estava ele bêbado demais por causa do álcool misturado no refrigerante que compartilhara com o amigo?

Terceiro e último questionamento.

Na dúvida, Osíris decidiu dar por terminada aquela noitada. Estranha noitada. Despediu-se do amigo e do estranho — que agora o encarava com um também soturno sorriso nos lábios — e partiu para a casa da mãe.

Game over.

Numa outra ocasião, muito pouco tempo depois, viu-se ele cercado por desconhecidos que, também, de uma hora para outra, sabiam tudo o que ele pensava. Simples assim. Foi numa festa na casa do namorado de uma amiga da irmã de um amigo dele. Osíris bebeu de tudo e também participou de tudo o que rolou naquele festejo.

Festa estranha; com gente esquisita…

Lá pelas tantas da madrugada, estava ele compondo uma rodinha em um dos quartos da casa onde acontecia a tal folia. Já havia percebido o clima diferente que se formara ali dentro, ao fechar da porta. Na terceira ou quarta rodada, Osíris compreendeu o imperceptível até então.

O vulto.

Uma sombra que parecia alternar-se entre os três demais integrantes da roda, como se o trio compusesse um único ser; uma múltipla unidade. Uma colmeia humana onde todas as operárias compartilhavam do mesmo poder.

Um elo mental.

Osíris percebeu que o indivíduo para onde o vulto arremetia adquiria uma feição sombria; um brilho diferente no olhar, e que passava a encará-lo desafiadoramente. Um olhar que se revelava ciente do que existia dentro de seus pensamentos. Sua mente era lida…

Literal mente.

As únicas frases ditas pelos operários daquela estranha colmeia eram as respostas às perguntas não pronunciadas por Osíris, como provas de que realmente conseguiam “escutar” os seus pensamentos.

E o intuito era mesmo seduzir Osíris com aquele não mais suposto poder. Queriam que ele se juntasse à colmeia; que, por livre e espontânea pressão, ele optasse por compartilhar daquele estranho mel.

Fel.

Um pouco mais arredio e cuidadoso, Osíris passou não somente a acreditar, mas principalmente a aceitar o conhecimento adquirido na prática sobre as muito mais coisas que, como avisava o sábio ditado, existiam entre o céu e a terra.

Tudo isso já aos dezoito anos.

Contudo, diferente do supostamente exposto pela Filosofia, mostrou-se vã a tentativa de Osíris de lutar contra os desejos empíricos de seu próprio coração. Apaixonou-se. Naquela tenra idade, mesmo arredio e cuidadoso, foi Osíris pego pelo velho clichê do amor eterno da juventude.

E o seu lastimoso fim.

Coração exposto, à flor da pele. E a pele em carne viva. A intensidade do querer, a completude do ter e a dor desarmoniosamente insana, experimentada no perder.  Osíris levou vários anos até conseguir superar. Até conseguir lidar com esta parte de sua vida.

Até conseguir voltar a enxergar.

Osíris experimentaria, então, outro momento daquele tipo. Sobrenatural. Outro “estupro mental”, como após o ocorrido passaria a chamar tais experiências vividas.

Sofridas.

Mesmo tendo sido para o seu próprio bem, Osíris lutou e relutou – não vai entrar! –, em vão, para que sua alma não fosse inteiramente revelada, exposta para um par de olhos poderosos que, após vencerem a silenciosa batalha inicial, por completo o desvendaram.

O crescentemente brilho branco que se expandiu daquele olhar conseguiu, aos poucos, arrancar do mais profundo poço, sob a mais grossa barreira, por trás do mais denso muro, aquilo que Osíris mais desejava manter. O seu maior vício. A vívida lembrança daquela latente dor…

Dor de amor.

A já nem tão estranha moça que empreendera este difícil e louvável trabalho, tirando Osíris da beira daquele precipício sentimental, nunca mais foi vista por ele. E, no momento seguinte à extirpação daquele mal que ele secretamente guardava dentro de si, ela lhe dissera, também sem pronunciar nenhuma palavra, que Osíris iria esquecer-se de tudo o que eles haviam “conversado”. Tudo o que ela havia feito e ali acontecido.

Mas, ele não se esqueceu de nada…

E assim se passaram os anos, repletos de histórias como estas. Com a diferença que Osíris foi se tornando um adulto e, ao contrário de como normalmente acontece, se dando conta de que existiam mais respostas do que perguntas no mundo.

Aprendeu também que algumas – senão todas – perguntas já estavam contidas nas próprias respostas. Viu-se vivendo num mundo onde, mesmo sendo diferente da maioria das pessoas e, principalmente, percebendo a existência de pessoas diferentes desta grande maioria, conseguia ir levando a vida “normalmente”.

Terminou os estudos e virou doutor.

No caso dele, Doutor Osíris. O mais famoso e requisitado oftalmologista daquela pequena cidade de interior, na qual decidira viver. Era onde praticava os conhecimentos adquiridos na faculdade cursada em sua cidade natal; esta sim, a maior de seu país.

São Paulo, Brasil.

O diploma ganho lá na capital, e que preenchia a parede de seu consultório, refletia a fila que diariamente lhe aguardava, já na chegada ao mesmo. Ambos, diploma e fila, não deixavam margens para quaisquer dúvidas quanto a sua aptidão.

Doutor Osíris era o melhor oftalmologista da cidade.

Uma unanimidade. Uma referência local. E não somente daquele quase vilarejo, que teimavam em chamar de cidade; mas, também, de toda a região ao redor dali. Até mesmo da gigantesca capital, volta e meia, aparecia alguém a procurar por seus serviços.

Um verdadeiro ícone.

E era muito, muito querido por seus pacientes; pessoas que praticamente o adotavam como membro de suas famílias. Uma grande família. Sérias disputas já tinham ocorrido por sua causa e ele já havia perdido a conta de quantos casamentos participara como padrinho. Tantos batizados, crismas…

Doutor Osíris era quase uma personalidade pública.

Muito estimado pelo povo e, principalmente, pelas pessoas mais simples e humildes. Para as mais pobres, muitas vezes, nem cobrava pelas consultas. Conseguia, ainda, trazer da capital medicamentos que estavam em falta na região e, se quisesse, sairia de longe vitorioso em qualquer eleição municipal, ou até mesmo estadual.

Mas, política nunca fora a praia dele…

Inclusive, vale mencionar que ele não atendia qualquer um. Algumas pessoas – e não eram poucas, ultimamente – não passavam da primeira consulta. E, para estas, após o primeiro exame, ele simplesmente afirmava não poder ajudar naquele momento. Dizia sentir muito, muito mesmo.

Sinto muito, muito mesmo…

Não que tais indivíduos ou grupos possuíssem doenças raras ou desconhecidas. Muitos destes o procuravam, supostamente, por pequenas causas; as mais simples, como conjuntivites ou alergias comuns. Mas ele, o famoso Dr. Osíris, para espanto dos ouvintes, não poderia tratá-los.

Simples assim.

Algumas destas pessoas e grupos sequer possuíam problemas nas vistas, indo procura-lo mais devido a grande fama que o antecedia do que por motivos médicos propriamente.

Todos queriam uma consulta com o Dr. Osíris.

Contudo, como disse, alguns não passavam da primeira. Ele recebia prontamente a todos em seu cada vez mais concorrido consultório e, somente após o exame inicial, que normalmente consistia-se da análise de fundo de olho do paciente, o veredicto era dado.

Inconformados, os poucos – mas repercussivos – casos que o afamado oftalmologista afirmava não poder tratar reuniam-se em secretas conversas que, quase sempre, resultavam em protestos repletos de rancor e promessas de vingança. E ficavam marcados no falatório local como rejeitados pelo célebre médico.

Verdadeiros abortos sociais.

No entanto, era muito maior o número de pessoas que praticamente o idolatravam. Sua fama ultrapassava o campo da medicina – pelo menos o da tradicional –, atingindo contornos sobrenaturais e que, se restritos àquela região, poderiam ser encarados como crendices locais, típicas de pequenas cidades interioranas.

“Causos” e histórias de um povo mais humilde.

Mas, o fato foi que esta tal fama estendeu-se para muito além daquele pequeno povoado. Doutor Osíris, ao contrário do que desejava, tornou-se conhecido também nas principais capitais. E não apenas do Brasil. De algumas destas, inclusive, partiram pessoas – e aqui então finalmente me incluo nesta história – enviadas por outras que podem, certamente, ser chamadas de “mais esclarecidas”.

E… Poderosas.

À primeira vista, já pedindo a todos aqui desculpas pelo trocadilho, a fama adquirida pelo oftalmologista poderia ser justificada pelo modo como o Dr. Osíris atendia seus pacientes…

Completa.

Não apenas as questões médicas eram analisadas por ele. Mas, também – deixando “visível” o primeiro diferencial do médico –, Dr. Osíris cuidava das questões de caráter pessoal de seus pacientes.

Inclusive as inconscientes.

Quando cheguei à cidade, encarregada de verificar secretamente a atuação deste “já mundialmente famoso profissional”, confesso que tinha uma preconceituosa ideia formada na cabeça a respeito dele. Algo posicionado ali entre o charlatanismo e o oportunismo. Mas, o Dr. Osíris não era nenhum “curandeiro” ou coisa do tipo.

Longe disso…

Após me instalar e acompanhar de perto – bem de perto – a atuação do médico, admito que já de cara deu para notar a importância daquela estranha missão recebida. Percebi a presença de outras agências e, principalmente, do nível dos colegas de profissão escalados para tal.

Só agentes do primeiro escalão.

Logo, percebi como me destacar. Era só deixar de lado o livro e agir de forma inesperada. Buscava uma promoção há anos e naquele inusitado oftalmologista enxerguei a oportunidade perfeita para consegui-la. A operação não aparentava perigo físico e então a distância seria o meu diferencial.

Na verdade, a falta dela.

Pois, de nada adiantaria levar o mesmo tipo de material que todos os outros teriam. Passei alguns dias observando a intensa movimentação do consultório dele. Ficava a manhã inteira na rua em frente, escutando, contabilizando e analisando o perfil das pessoas atendidas. E das não atendidas, também…

Então, decidi me tornar um daqueles pacientes do ilustre Dr. Osíris.

Foi, realmente, uma grande surpresa. A maior, de toda a minha vida. Quando ele me olhou já pela primeira vez, senti uma coisa que jamais saberei como descrever. Eu simplesmente sabia que ele me via por completo. Sem máscaras, barreiras, personagens…

Não havia segredos para ele.

Aquele exame de fundo de olho que ele fazia, então… Era como rebobinar uma antiga fita de vídeo num aparelho ligado à TV. Em cerca de cinco ou dez minutos, ele simplesmente passava a compartilhar toda uma vida com quem quer que fosse.

Tudo através dos olhos da pessoa.

E então ficou mais do que claro que, impreterivelmente, ele já sabia quem eu era; o que eu fazia, por que eu estava ali e, principalmente, quem havia me enviado. Sabia, inclusive, o que eu ainda não sabia. Ou melhor… Ele já havia juntado os pontos que eu ainda não tinha percebido em tudo aquilo.

Olhou novamente em meus olhos e disse: Sinto muito, muito mesmo…

Quando voltei à capital, não consegui compreender o real significado de minha demissão. Muito menos de minha real missão. Pensava haver falhado e ser digna apenas daquela vexatória consequência profissional.

Porém, após desistir de tentar entender de fato o significado de haver conhecido alguém com aqueles poderes e do que este fato poderia significar não apenas em minha vida, recebi aquela visita inusitada.

Aquela frase…

Ecoando em minha mente enquanto estava sentada diante do computador, digitando o relatório ultrassecreto que nunca chegaria a enviar. Não era um relatório o que deveria escrever. E nem para ninguém deles…

Eu deveria escrever para vocês.

Avisá-los sobre o que já está acontecendo. Contar sobre tudo o que vi; sobre o que me foi revelado; compartilhado por ele. Provado por ele. Atestado por ele naqueles poucos minutos daquela consulta onde duas vidas simplesmente se tornaram uma, conforme narrei aqui.

Minha missão, enquanto ainda posso, enquanto eles não descobrirem, é exatamente alertá-los. Ajudá-los. Prepará-los para o que está por vir. É mostrar-lhes o quão próximo está o fim. Muito mais próximo do que “pensamos”.

Se é que já pensamos – propriamente – nisso.

Sim, falo do fim do mundo. Do mundo como o conhecemos e o entendemos. E não “pense” você – que me lê agora –, que estou louca ou sob o efeito de alguma droga. Pois, o fim do mundo, o tão falado fim do mundo, não é o que, nem como, nós imaginamos que fosse, ou que pudesse ser.

O fim do mundo é o nosso próprio fim; do “eu”, do “meu”…

Na verdade, para ser exata, é a completa aniquilação de uma parte fundamental da nossa vida; de quem somos e do que acreditamos possuir por inteiro. Daquele pedaço de nós mesmos que seria somente nosso, único, e responsável pelo nosso senso de identidade.

Nossa própria individualidade.

Infelizmente, tudo aquilo que imaginamos não ser do conhecimento de mais ninguém – ninguém! –, já não nos pertence mais. Não é mais exclusividade nossa.

E eu não estou me referindo às câmeras, satélites, cartões de crédito, internet, redes sociais e todas as informações pessoais que circulam através de tudo isso e que somos levados o tempo todo a fornecer. Estes “dados”, sabemos que oferecemos – são dados! – e, portanto, mesmo contribuindo para o fim que se aproxima, não representam o real perigo que sequer percebemos acontecer.

Eu falo, justamente, dos pensamentos.

Os seus, os meus, os nossos pensamentos estão sendo roubados. De você, de mim; de quase todos. Secreta e livremente acessados, registrados e analisados. E a porta, de irrestrito acesso para as nossas ondas mentais, são os nossos olhos. Porta de saída…

E de entrada.

Nossos pensamentos estão sendo massivamente armazenados na superfície de um mar que, quando finalmente “vier à tona”, será chamado de individunidade; cujo significado, confesso, será tão óbvio que se tornará praticamente impossível acreditar que não tenha sido notado antes.

Ou “visto”.

Por isso peço-lhes, meus familiares e amigos queridos, que após lerem esta carta, mesmo que ainda não acreditem em mim, risquem seus nomes da lista em anexo e a enviem imediatamente para outro que ainda não a tenha lido; não importa a ordem.

Podem até acrescentar mais nomes, desde que, ao chegar ao último, este me envie de volta esta carta, esta mesma carta, para eu entregar em mãos ao Dr. Osíris, conforme o mesmo me pediu.

Assim, cumpro com minha missão neste denso, e “conectado”, emaranhado de um plano que já começou; do qual eu mesma fazia parte, sem o saber. E do qual indubitavelmente vocês serão vítimas, se não estiverem preparados, protegidos. Se não tiverem seus olhos abertos.

Ou melhor, fechados.

No mais, tudo o que posso dizer é que sinto muito, muito mesmo… Por ser a portadora desta calamitosa notícia; autora desta inesperada carta. Mas, sei que o Dr. Osíris a lerá com carinho e atenção e, então, também cada um de vocês, leitores que pousaram seus olhares por sobre estas mesmas linhas, serão vistos; terão suas vidas e atos – mesmo os inconscientes – analisados; poderão conhecer e ser conhecidos, além de integralmente tratados por este incrível médico.

Aguardem um contato dele. Que virá muito em breve…

Com amor,

Helen Snowden.

25 comentários em “A Carta (Ricardo Falco)

  1. Weslley Reis
    5 de abril de 2014

    Não sei, o começo do conto prometia mais e a recorrência de citação da fama do médico foi cansativa. No mais é um ótimo conto, mas não me cativou.

  2. Alexandre Santangelo
    5 de abril de 2014

    Poxa, que pena. A ideia do conto era muito boa. Pena que ficou pouco desenvolvida. Mas o autor conhece do riscado. Boa sorte!

  3. fernandoabreude88
    4 de abril de 2014

    Acho que a estrutura desse conto não me cativou, mas é bem escrito e não tem muitos erros. Vou usar um comentário clichê que sempre vejo aqui, mas sintetiza o que sinto ao ler muitos contos aqui postados: ˜gostei da ideia, mas não da execução˜.

  4. bellatrizfernandes
    2 de abril de 2014

    Achei a primeira parte desnecessária, pesada. Até a parte que Osíris se tornou doutor poderia ter sido facilmente retirada e não me faria diferença. Os vultos se tornariam mais interessantes se tivessem abordado Helen, na minha opinião.
    A explicação sobre o fim do mundo, além de vaga, se estendeu demais e ficou cansativa…
    Não curti muito, desculpe…
    Mas boa sorte!

  5. Wilson Coelho
    2 de abril de 2014

    Foi o caso de uma história muito diferente e potencialmente muito boa, porém o ritmo do texto com muitas rimas e frases curtas meio que estragou o conto. Fiquei distante do texto o tempo todo, infelizmente.

  6. Marcelo Porto
    30 de março de 2014

    Que viagem!
    O primeiro ato nos conecta imediatamente e gera a curiosidade necessária para prosseguir. A conexão continua até o final, que ao meu ver ficou aberto demais.
    Gostei do desenvolvimento, achei a introdução do narrador na história bem interessante e deu um gás, parecendo que ela iria engrenar de vez. Mas infelizmente não engrenou.
    Um material original que merece uma retrabalhada e um melhor desenvolvimento, principalmente sobre os “estranhos” que somem da trama sem maiores explicações.

  7. Hugo Cântara
    27 de março de 2014

    Apesar da ideia ser bastante original (em “conceito” de ideia,uma das que mais gostei até agora) o conto foi cansativo e confesso que tornou-se difícil manter-me atento. O ritmo e construção escolhido não ajudou.
    Continua a escrever 🙂 boa sorte!
    Hugo Cântara

  8. Thata Pereira
    25 de março de 2014

    Infelizmente, para mim, o conto também foi muito cansativo. Os dois fatores que colaboraram com isso ao meu ver foram:

    – Os parágrafos pequenos. Eu gosto, lembro até que cheguei a comentar em outro desafio que apreciei o modo como foi escrito justamente por conter esses parágrafos curtos, que davam uma sonoridade linda na hora da leitura. O problema aqui foi o excesso.
    – Advérbios terminados em “mente”. O uso deles é muito inconsciente, muitas vezes, quando escrevo, releio o texto e vejo que ele está lotadooo dessas palavrinhas. Mas só percebo porque elas tornam o texto muito cansativo. Algumas rimas bem colocadas durante a prosa são bem-vindas, mas ficar lendo somente/ principalmente/ supostamente, no mesmo parágrafo, trava a leitura.

    O final, quando a explicação da frase começa a ser feita me agradou muito.

    Boa Sorte!

  9. Eduardo B.
    25 de março de 2014

    Muito cansativo. Meus olhos se arrastaram em algumas partes graças ao excesso de frases curtas (que constituem a chamada quebra de parágrafos) cujo uso deveria ter sido limado pela autora para tornar a narrativa mais dinâmica. No entanto, impossível negar que a trama em si é bem original diante do tema proposto. Parabéns.

    Continue escrevendo. 😉

  10. Eduardo Selga
    24 de março de 2014

    O(a) autor(a) conseguiu, evidentemente sem o pretender, estragar uma ideia bem original relativamente ao fim do mundo -a penetração de outrem nas consciências individuais-. Além de um tanto confuso, o texto tem claramente uma “batida” ritmada, soando como um bumbo, que são os parágrafos curtos entremeados de longos. Se a intenção foi provocar ritmo, seguramente conseguiu, mas é preciso atentar-se para o fato de que até água, quando em excesso, prejudica. Por outras palavras: nenhum recurso de construção textual é, por si mesmo, bom ou mau. Depende de seu uso e interação com outras ferramentas, mas o exagero costuma ser danoso. E a “batida de bumbo” foi muito além da dose, podendo causar, inclusive, a perda da linha narrativa por parte do leitor.

    ***

    Outra observação, concernente também ao ritmo: o texto apresenta algumas “rimas” em prosa que, parece-me, não foram propositais, pois seu uso não causa nenhum efeito estético positivo. Exemplos:

    ***
    “soMENTE em sua MENTE”.
    “onde acontecIA a tal folIA”.

    “E a pele em carne viva. A intensidade do querER, a completude do tER e a dor desarmoniosamente insana, experimentada no perdER.”

  11. Pétrya Bischoff
    23 de março de 2014

    Bueno, absolutamente toda a cena inicial remeteu-me à adolescência; bebida e refri na garrafa de dois litros, amigos e estranhos na madrugada, senta-se no encosto de um banco de praça e (a que mais amei) a fumaça do cigarro confundindo-se com uma baforada de geada no inverno. Foi muito bom ler isso.
    Seguindo o conto, penso que o autor fez muitos rodeios na estória, slá. Porém, gostei muito da estrutura textual, bem como me interessaram os personagens que nos despem a alma pelos olhos. No entanto, essa nóia de uma dominação mundial pareceu demais para mim :/ Mas enfim, parabéns e boa sorte,

  12. Vívian Ferreira
    19 de março de 2014

    A ideia é boa, uma outra forma de fim de mundo, mas a maneira apresentada ficou um pouco cansativa. Com as dicas já apresentadas pelos colegas quanto às quebras e repetições, acredito que narrativa se tornará mais dinâmica e aí sim ficará mais compreensível. Boa sorte!

  13. Felipe Rodriguez
    19 de março de 2014

    Achei legal a ideia, mas não consegui me prender aos personagens e nem ao cenário, pouco desenvolvidos. Bacana a referência a uma situação atual que tanto influencia nosso cotidiano, só acho que eu gostaria mais se fosse narrado de outra forma.

  14. Bia Machado
    19 de março de 2014

    Pra mim não funcionou. É uma ideia interessante, foge do lugar comum até, mas não me cativou, talvez pela estrutura? Senti as personagens distantes, não me criaram empatia. Talvez se a narração tivesse se dado de outra forma… Contudo, parabenizo o(a) autor(a).

  15. Rodrigo Arcadia
    19 de março de 2014

    Texto bom, gostei da narrativa, mas confesso que não entendi nada, ou nem entrei na ideia da história. e fica aquele clima de que existe um grande mal por trás de tudo.
    Abraço!

  16. Felipe Moreira
    18 de março de 2014

    Meu interesse despertou quando Osíris cresceu e se formou. Dali a vontade de entender o conto acendeu. O texto pareceu fluir mais, com um objetivo. A referência ao Snowden caiu muito bem, inclusive os últimos parágrafos utilizam um discurso semelhante ao dele na revelação de espionagem.

    Assim como alguns comentaram, as frases curtas incomodaram um pouco, mais pelo excesso. Se a narrativa tivesse uma outra linha(meu ponto de vista), com prosa, ficaria mais interessante, porque eu gostei do enredo. Acho que realismo fantástico cairia muito bem ao tratar do Osíris, mas como era um comunicado, um depoimento jornalístico, a grandeza da sua ideia ficou em menor plano.

    Devo reconhecer sua criatividade e embasamento filosófico no texto. Parabéns e boa sorte.

  17. Felipe França
    17 de março de 2014

    Aqui, a autora apresenta um texto totalmente original e com a trama que pode render mais. Bem escrito, com ar sombrio, a autora tenta nos alertar por algo muito ruim que está por vir… não o fim do mundo na forma física, mas o fim deste nosso mundo em um outro campo que mal conhecemos, ou imaginamos. Minha única crítica são estas quebras de parágrafos que deixaram o conto cansativo, e fez com que não fluísse de maneira leve, contudo temos um excelente texto que com um pouco mais de trabalho ficará redondo. Parabéns!

  18. Amadeu Paes
    17 de março de 2014

    Este conto me lembrou a ideia de Deuses Americanos do Gaiman, eu gostei da ideia de quebrar o conto em frases curtas e aparentemente desconexas, mas faltou o clima de suspense ou de misticismo que o Gaiman consegue por em seus textos (Não estou comparando o autor com Gaiman, apenas para referencia).

    Um dos motivos para o não clima acima mencionado é pq o conto está muito explicativo, procure explorar suas ideias e por no papel palavra por palavra aquilo que vc está imaginando, mas não explique, apenas descreva.

    Abs

  19. Fabio Baptista
    14 de março de 2014

    Achei muito confuso.

    Conforme já mencionado, o excesso de frases curtas intercaladas aos parágrafos ditou um ritmo que acabou tornando-se previsível, monótono.

    Está bem escrito, assim como a esmagadora maioria dos contos desse desafio, mas não me cativou.

    Abraço.

  20. Anorkinda Neide
    13 de março de 2014

    Olá! Acabo de reler o conto e confesso que não entendi muito, por isso nada posso dizer sobre ele.

    Bem, antes da votação, lerei de novo pra ver se formo alguma opinião.. rsrsrs

    Abraço

  21. Claudia Roberta Angst
    11 de março de 2014

    Como já foi dito, a ideia do conto é bem original e foge do lugar comum do tema. Achei um tanto longo e os parágrafos sem diálogos cansaram. Narrativa bem conduzida e história bem escrita, mas não conseguiu prender minha atenção de fato. Boa sorte!

  22. marcellus
    11 de março de 2014

    Não achei o conto ruim, ao contrário. Mas ficou cansativo, justamente pelo recurso dos parágrafos curtos marcando o passo como um tambor.

    Também notei um enorme desnível quando q narrativa muda o foco para a autora. Mas foi bom, porque já havia lido sete parágrafos sobre elogiando o doutor osiris…

    Boa sorte à autora!

  23. rubemcabral
    11 de março de 2014

    Achei que a história foi muito criativa, que fugiu bastante do que seria típico de um conto com temática de “fim de mundo”. E isso foi bom.

    No entanto, ao menos para mim, a narração não funcionou como devia. Em especial pelo recurso de entremear frases curtas entre parágrafos mais longos. Eu até gosto do efeito do uso parcimonioso de tal técnica narrativa, porém acho que a repetição excessiva deixou o conto soluçante. Isso foi um tanto cansativo – incomodou-me e atrapalhou-me em dedicar atenção mais à história e menos ao estilo.

    Bem escrito, portanto, diferente, com certeza, mas devido ao exposto acima o conto não me empolgou.

  24. Gustavo Araujo
    10 de março de 2014

    Achei bacana essa ideia um tanto mediúnica – um oftalmologista que enxerga algo como “o terceiro segredo de fátima” nos olhos de seus pacientes. Texto bem escrito, ideia bem desenvolvida e original (algo difícil para este tema) por quem domina a matéria. Gostei do protagonista (inclusive a alusão a Osíris, o deus dos mortos para os egípcios) bem construído, mas algo me incomodou quanto à Helen. Entendi a homenagem a Edward Snowden no que tange à revelação de algo bombástico, mas acho que ela, ou melhor, seu passado poderia ter sido tão bem trabalhado como o do médico. Na verdade, senti um sobressalto na narrativa quando deixa-se de falar de Osiris e se passa a falar dela. Agora, quanto a divulgar o texto, mandem bala – bom para o blog e para a autora 😉

  25. Jefferson Lemos
    10 de março de 2014

    Achei o conto até bem escrito, mas não consegui comprar a ideia. Por alguns momentos, até mesmo achei cansativo. Mas no meu caso, a questão é pessoal mesmo.

    Impressão minha ou o “Snowden” é fazendo referência ao Edward Snowden? Até que faz sentido. hahaha

    Parabéns e boa sorte!

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Publicado às 10 de março de 2014 por em Fim do Mundo e marcado .
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