EntreContos

Detox Literário.

A Aprendiz (Lucas Guimarães)

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Então, vamos lá. A mesa está pronta, as seis cartas viradas para baixo na mesa em formação de ferradura, tudo certo. Então…

Um passado na primeira carta, A Imperatriz, um bom começo. Cristina, Cris para os íntimos e Minha Margarida para o marido em momentos de paixão, era uma mãe e empresaria de sucesso. Juntou as graças de Atena, Hera e Zeus, e, da pobreza, cresceu, casou-se, teve dois lindos meninos – um Augusto, o engenheiro químico, e o outro Pedro, o médico anestesista – e, a partir de uma pequena loja de conveniência num posto da Tijuca, criou a maior rede de supermercados que a população fluminense já vira, alguns chegam a discutir a etimologia do termo “supermercado”, afinal, aquilo mais parecia um shopping vertical sem muros. Porém, por que esse escudo, imperatriz? Defende-se do que? A insegurança expõe-se em suas estressantes rugas que demonstram um rosto cansado de erguer um império que ameaça se destruir em segundos, tens medo dos olhos cobiçosos e da luta pela sobrevivência na selva de pedra. Um bom começo.

Agora, vejamos. O tempo presente na próxima carta, O Louco, excelente conjunto para uma personagem. A viajante seguirá seus instintos, as vozes de uma imponente narradora. Cristina, em meio a uma infindável torre de papel, ainda que sem sede, decide sair um pouco de seu escritório, seu cubículo que a separava do mundo, e vai beber um copo d’água junto aos funcionários, coisa que não era rotineira, mas que se decidiu por fazer. Lá, ignorando o ciclone de olhos curiosos – mais câmeras viciosas do que propriamente olhos – liga para seu marido para fazer uma aleatória e despreocupada declaração de amor.

– Oi, amor, o que você quer? Eu tô meio ocupado agora.

– Oi, amor, só liguei para te dizer o quanto eu amo você e os nossos filhos.

– Como? Cê tá bem?

– Claro que estou.

– Ok, então, também te amo, amor, tenho que ir, meu cliente me espera, tchau.

– Beijo, tchau. – Nossa, por que eu fiz isso?, pensei.

Pronto, temos uma apresentação, preciso de um clímax agora, um futuro próximo, Os Enamorados! No final do corredor, Cristina vê, vê mais que simples paisagem, vê a flecha do cupido, não mirada em sua direção, mas sim materializada em pura carne e osso – mais carne do osso se me permitem o comentário. Um simples entregador de pele morena, cabelos pretos e olhos verdes, seu nome, Rodrigo. Sim, Cristina estava mais uma vez apaixonada, o deus do sexo atiçava seus feromônios para conquistar um empregado-amante. A essa altura, ela pouco se importava com o código de ética do trabalho ou da família, queria aventuras em sua monótona vida, mas algo mudaria o desfecho dessa história e colocaria Romeo e Julieta em seus devidos lugares.

Próxima carta, um obstáculo, A Morte, uma mudança. A empresária de sucesso vai enfrentar os julgamentos do público e ameaçar a sua tão árdua e lapidada figura de chefe para se declarar ao entregador em frente a todos.

– Ahn? Não! Não vou! Eu não sinto nada por ele.

Como?! De novo, vamos lá, Cristina foi até o entregador…

– Já disse que não, eu não gosto dele.

Você está respondendo?

– Claro, você está querendo mandar na minha vida!

Você é uma personagem, apenas segue as instruções de sua narradora e deixa a história seguir seu rumo, deixa que o leitor se entretenha com suas peripécias e infortúnios, os quais vou criando e emoldurando até fechar em uma chave de ouro digna da obra prima parnasiana. Então, Cristinha, vá até o Rodrigo e deixe que eu conduza esse pequeno fragmento de sua fictícia vida.

– Não, não, não, não, só por que você é a narradora, acha que pode fazer qualquer coisa com seus personagens? A literatura não é essa anarquia, se eu digo que não gosto dele como você diz, eu não gosto e ponto, não há voz divina que vá mudar isso.

Isso não está certo, o que eu fiz de errado? Tenho que dar um jeito…

– Não, você não tem que, pare de tentar conduzir a obra e deixe-a seguir por si só, solte-se, deixe a criatividade fluir de olhos fechados, eu sou a personagem principal, sei o que fazer de minha vida, tenho o direito de gozar de liberdade, já ouviu falar de narrador em primeira pessoa?

Por Zeus, agora ela se revolta. Algo… Algo… Aí, Ana, sua secretária rechonchuda e ruiva em seus cabelos ondulados que vão até a cintura, começa a empurrar Cristina na direção do entregador. Ana conhece sua chefe e amiga, conhece as caras de apaixonada dela e, abusando da intimidade, tenta corroborar com uma pequena aventura adúltera.

– Não, pare Ana! Cristina empurra, levemente, sua secretária fazendo-a desistir da ideia e parte para o elevador na tentativa de dar uma pequena fugida do trabalho e de sua imensa responsabilidade como chefe.

Você não pode narrar a minha história! Assim que Cristina sai do elevador no primeiro andar, o jovem Rodrigo simplesmente aparece ,como num milagre vindo direto de Afrodite, apenas de cueca boxe branca mostrando seu aspecto moreno atlético e malhado e denunciando ainda mais seus olhos verde piscina que tanto hipnotizavam Sua Margarida. O entregador, com a camisinha em uma das mãos, parte para agarrar seu bolo de despedida de solteiro mesmo ali no saguão de um grande prédio coorporativo, no qual ninguém parecia prestar muita atenção nos arredores.

– Entretanto, um dos seguranças percebe o ensandecido seminu e arrasta-o até a saída enquanto chama a polícia.

Não! O segurança tropeça…

– Outro aparece…

Porém, ele esperava a ligação do médico sobre o estado de saúde dos seus pais e, nesse exato momento, o telefone toca. O segundo segurança dá meia volta…

-Mas outra pessoa que também esperava uma ligação atende e percebe que era de fato para ela. O segurança volta…

Da meia volta!

– Volta!

O segurança, em meio a sua confusão, tira sua pistola e mira no jovem entregador fugitivo, mas erra e acaba acertando Cristina…

– Errata: quase acertando Cristina. Você é maluca?! Quer me matar?!

Eu quero resolver tudo isso!

– Resolver não é matar a personagem principal! Quem você acha que é? Nelson Rodrigues?

Preciso de uma carta para me salvar…

– Para te salvar?! E eu? A pessoa que você quase matou?

Você não é real, é apenas uma personagem que eu criei com a ajuda das cartas, você não tem vida, somente aquela que eu ditar para entreter o leitor.

– Que se foda o leitor! Cristina, não sabendo o que fazer, na busca por sua salvação do deus olimpiano que brinca com sua existência para satisfazer o mesmo hedonismo pérfido que amaldiçoou sua antecessora Pandora, foge, foge sem destino – por mais que a expressão soe irônica – e encontra um portal para a salvação, uma igreja! O bom Deus cristão irá ajudá-la na luta contra o paganismo, contra as cartas e o destino, os sinos do grande edifício gótico ressoam as palavras do Senhor; livre arbítrio.

Uma carta para a atitude dos outros, O Diabo, exatamente isso! Como os humanos são patéticos, adoram a doce ilusão e, à base dela, seguem o impulso cego das vozes.

– Padre, me ajude! As vozes tentam me controlar, elas querem guiar o rumo de minha própria vida!

– Ora, então as siga, os conselhos divinos vêm direto de Deus e, como próprios, devem ser obedecidos até as últimas circunstâncias, veja Abraão, ele estava pronto para obedecer.

– Mas, padre…

– Não esquente a cabeça com isso, criança, feche os olhos e deixe o Senhor fazer o resto, e aproveite o conselho divino para também se entregar a uma vida mais religiosa, esqueça isso de trabalho e volte para o conforto do lar e de seu marido.

Dizia o padre enquanto partia e deixava nossa nova anti-heroína sozinha. Agora, vamos tentar dar um passo para trás e tentar recomeçar tudo, para isso, basta uma carta para o caminho de superação, vejamos, A Torre! Quem diria! As cartas não mentem, a vitória é minha, a interpretação é clara! A pequena confusão que você causou será ajeitada pelas cordas ordenadas do destino, sem mais subversão!

– Não! Eu não vou, você não vai, nada irá! Eu me cansei disso! Aos poucos, o mundo tão arduamente criado vai se desfalecendo em si, terremotos na Zona Leste, maremoto na Sul, na Norte aparece um furacão e na Oeste, uma erupção.

O que você está fazendo?!

– Eu me cansei, não aguento mais, a empresa sendo cobiça por meu braço direito, meus filhos longe, meu marido ausente, a carga de ter que sustentar tudo num tripé sem vértice, não dá! Todas as pessoas, secundárias ou principais, morrem, morrem dos desastres naturais, morrem da crise administrativa desse mundo imaginário, tudo acaba sendo destruído…

Pare!

– Prédios, casas, hospitais, nada sobra de pé, apenas as árvores que sustentam os ninhos dos passarinhos…

Não faça isso com o meu mundo!

– Aos poucos, o material vai se entregando ao nada que é a escuridão de um universo sem estrelas…

O que eu faço?! Não há como resolver isso, eu estou perdida, meu fracasso como narradora espreita as abas da mesa, eu sou uma fracassada.

– O nada… O nada…

Eu, Átropos, canso de ser reles observadora do fracasso de minha indisciplinada aprendiz e sigo em direção à mesa. Um resultado, viro a última das seis enigmáticas cartas do Tarô, O Enforcado. Ninguém foge ao seu destino.

– Sem o principal não há nada! Você não é nada sem mim, sem ter alguém para realizar seus atos narrados! Alcanço no chão um dos cacos de vidro dos vitrais destruídos da igreja e faço um semicírculo vermelho e sanguinolento em meu pescoço, tudo se esvai, o mundo, a vida, a minha consciência.

Como você fez isso?

O destino é imutável. Agora, saia da minha sala e volte a tecer lã! Você não está pronta para isso, nunca será uma verdadeira Moira desse jeito, tecer o fio do destino de homens comuns, guerreiro e heróis é algo delicado de mais para essas suas mão rudes e enverrugadas e para essa sua cabeça mole. Saia!

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39 comentários em “A Aprendiz (Lucas Guimarães)

  1. Pedro Luna
    26 de fevereiro de 2014

    kkkkkk…eu curti. Apesar de não achar tão interessante essa manipulação da narrativa, não prejudicou o conto.

  2. Frank
    25 de fevereiro de 2014

    Muito bem escrito e divertido, sem dúvida. Mas eu não acho que personagens conversando com o escritor não é algo tão inovador e/ou criativo. Independente disso, curti bastante o conto!

  3. Weslley Reis
    25 de fevereiro de 2014

    Achei a ideia incrível, talvez por nunca ter lido algo com esse viés. A coisa toda se torna tão hilária e ridícula que não há como não se perder com a autora/personagem. Meus parabéns.

  4. Leonardo Stockler
    25 de fevereiro de 2014

    Hahahahaha, excelente! “Literatura não é essa anarquia!”; “Que se foda o leitor!”, hahahah, simplesmente demais! O conto realmente começou em marcha lenta, mas depois que engrenou ficou a coisa mais gostosa do mundo. Lembra também aquela peça do Luigi Pirandello: “Seis personagens em busca de um autor”, ou aqueles momentos dos desenhos animados em que o personagem briga com o lápis do desenhista. Meus parabéns!

  5. Gustavo Araujo
    20 de fevereiro de 2014

    Lembrei de um excelente conto do Rubem – cujo título agora me foge – em que os personagens se revoltam com o autor da história por ele ser muito ruim. Tanto lá, como cá a criatividade do verdadeiro autor se sobressai. É bacana mesmo ver essa questão – essa inevitável vontade própria que brota dos personagens quando os criamos – abordada de forma tão original, engraçada até. Enfim, gostei bastante do conto, embora também não tenha entendido xongas do final 😛

    • Lucas Guimarães
      24 de fevereiro de 2014

      Olá, Gustavo! Fico feliz que tenha gostado! Não conheço esse conto do Rubem, mas vou tentar dar uma buscada no Google, se você acabar se lembrando, diga-me, agradeceria bastante! Como disse, não gosto de explicar o final, não me sinto bem com isso hahaha, mas talvez o problema tenha sido no conceito de Moira, ela é peça-chave na história. Enfim, obrigado pelo seu comentário!

  6. Blanche
    20 de fevereiro de 2014

    Nada a reclamar: a leitura flui de forma deliciosa, a história é muito criativa e eu sou fã de exercícios metalinguísticos. Juro que fiquei boiando no final, mas isso não tornou o conto menos interessante para mim. Parabéns e boa sorte. 😉

    • Lucas Guimarães
      24 de fevereiro de 2014

      Olá, Blanche! Fico feliz que tenha gostado! Também gosto muito de metalinguagem, principalmente quando feita pelo Bruxo do Cosme Velho hahaha. Não vou explicar o final, não gosto disso, desculpe, hahaha, mas talvez o problema esteja no conceito de Moira, ela é peça-chave na história. Enfim, obrigado pelo seu comentário!

  7. Bia Machado
    20 de fevereiro de 2014

    Gostei, adoro essas coisas assim, bem diferentes! Bem criativo e não pude deixar de rir da situação, rs. Pessoal falou da revisão, o autor também… o.O Parabéns pela ideia!

    • Lucas Guimarães
      24 de fevereiro de 2014

      Olá, Bia! Normal reclamarem da revisão, há erros que às vezes machucam a gente lá no fundo hahaha. Fico feliz que tenha gostado, gosto de procurar fazer um conto diferente e, se der, engraçado. Obrigado pelo comentário!

  8. Pedro Viana
    19 de fevereiro de 2014

    Eu já estava virando os olhos para a história quando a personagem se deu conta que era uma personagem e começou a interagir com a narradora. Desse ponto em diante, dei boas gargalhadas e cheguei até o final sem problema. Gostei. É um conto bem legal. Parabéns!

    • Lucas Guimarães
      24 de fevereiro de 2014

      Olá, Pedro! Fico feliz que tenha gostado! O começo foi meio chato fazer também, mas, pelo menos, compensei no resto. Obrigado pelo comentário!

  9. Tom Lima
    18 de fevereiro de 2014

    Uma coisa: Stanley’s Parable! 🙂

    Outra coisa: Wyrd bid ful araed.

    Gostei muito do conto, sem mais.

    Parabéns!

    • Lucas Guimarães
      24 de fevereiro de 2014

      Olá, Tom! Fico feliz que tenha gostado! Stanley’s Parable realmente foi uma das inspirações para esse conto, mas Wyrd bid ful araed, sinceramente, não faço a mínima ideia do que seja hahaha. Obrigado pelo seu comentário!

  10. Thata Pereira
    17 de fevereiro de 2014

    Fico encantada com as imagens que os contistas postam aqui no Entre Contos. Bela imagem!

    Gostei muito do conto! Poxa, gostei mesmo. Reparei em alguns errinhos de revisão, mas não os julgo. Sei que é melhor não deixá-los passar, mas eu mesma tenho uma dificuldade muito grande de detectar os erros nos meus contos.

    Boa Sorte!

    • Lucas Guimarães
      24 de fevereiro de 2014

      Olá, Thata! Fico feliz que tenha gostado do conto e da imagem! Ela é a representação das próprias Moiras então achei que fosse se adequar perfeitamente ao conto. Revisar é realmente um problema, mas, como disse aos outros, vou procurar melhorar o máximo possível para o próximo desafio! Obrigado pelo seu comentário!

  11. mhs1971
    16 de fevereiro de 2014

    Bom conto. Bem estruturado. Parabéns

    • Lucas Guimarães
      24 de fevereiro de 2014

      Olá, Mhs! Fico feliz que tenha gostado! Obrigado pelo seu comentário!

  12. Sandra
    16 de fevereiro de 2014

    Um conto bem diferente e ousado: nós, leitores, acompanhamos o processo de criação em tempo real… Um narrador-personagem que manipula e interage com sua protagonista (me lembrou d´O Mundo de Sofia) e com ela duela até seu (dele) ‘fracasso’ como aprendiz: é um autor/narrador-personagem sem freios, nem limites…
    O ‘desconforto’ é o que desfolho deste personagem que narra, o ‘autor’! Há então, um autor, de verdade (escondidim), um autor fictício que é o narrador e o personagem que brinca de deus. No construir da história, a personalidade deste autor/narrador-personagem vai aparecendo… E vai ‘aporrinhando’ a vida da pobre Cristina… rs… Queria que ela se revoltasse e desse a volta por cima.
    Criativo. Apreciado.

    • Sandra
      16 de fevereiro de 2014

      OBS: não acompanhamos o processo de criação do verdadeiro autor; mas do ‘autor’ narrador/personagem.

    • Lucas Guimarães
      24 de fevereiro de 2014

      Olá, Sandra! Fico feliz que tenha gostado! Mundo de Sofia e Stanley’s Parable foram as minhas inspirações para esse conto. No fundo, eu também gostaria que a Cristina tivesse virado o jogo, inclusive pelo significado que isso teria, mas eu não gosto de mexer nas histórias uma vez que estão concluídas na minha cabeça. Obrigado pelo seu comentário!

  13. Anorkinda Neide
    14 de fevereiro de 2014

    Olha, sinceramente.. não entendi muito bem o conto, portanto não pude gostar dele…não gostei dos diálogos da personagem com a narradora, achei abrupto quando isto começou e destoou do começo que ia bem com a abertura das cartas.

    um abraço e boa sorte pra vc!

    • Lucas Guimarães
      24 de fevereiro de 2014

      Olá, Anorkinda! Sinto muito que não tenha gostado, diálogos para mim são realmente um desafio, mas obrigado pelo seu comentário! Procurarei melhorar!

  14. Paula Melo
    13 de fevereiro de 2014

    Ótimo conto não teve uma só linha que eu não tenha apreciado.
    Muito bem escrito,estruturado de forma que não faz o leitor se perder.

    Parabéns e Boa Sorte!

    • Lucas Guimarães
      13 de fevereiro de 2014

      Olá, Paula! Fico muito feliz que tenha gostado! Obrigado pelo comentário!

  15. Pétrya Bischoff
    13 de fevereiro de 2014

    Gostei da sensação de um desmoronar do mundo. Foi meio rápido e confuso, mas de maneira nenhuma ruim. Também gostei da narrativa, como uma conversa entre duas consciências.
    No entanto, a quantidade de diálogos não me agradou, mas é questão de gosto mesmo.
    Parabéns e boa sorte 😉

    • Lucas Guimarães
      13 de fevereiro de 2014

      Olá, Pétrya! Fico feliz que tenha gostado apesar dos poucos diálogos! Eu, sinceramente, não consigo me prender num diálogo por muito tempo, costumo ficar mais na consciência e nas ações. Obrigado pelo comentário!

  16. Rodrigo Arcadia
    13 de fevereiro de 2014

    Gostei da história. acho bom utilizar esse tipo de recurso, me deu uma baita sensação de rodopio, e como se eu estivesse virado de cabeça pra baixo. gostei.

    Abraço!

    • Lucas Guimarães
      13 de fevereiro de 2014

      Olá, Rodrigo! Fico feliz que tenha gostado! Eu gosto de quando uma história me gera espanto ou abala minhas expectativas, consequentemente, tento trazer o mesmo nos meus contos. Obrigado pelo comentário, abraço!

  17. Ricardo Gnecco Falco
    13 de fevereiro de 2014

    Interessante… Passa a sensação de estarmos no meio de um jogo de cartas que tende mais para um RPG. (o que, se pararmos para pensar, não deixa de ser correta a analogia)
    Gostei da ousadia!
    Boa sorte!
    😉
    Paz e Bem!

    • Lucas Guimarães
      13 de fevereiro de 2014

      Olá, Ricardo! Não tinha parado para pensar nessa possível analogia, mas faz todo o sentido. Fico feliz que tenha gostado. Obrigado pelo comentário!

  18. Eduardo Selga
    12 de fevereiro de 2014

    O conto apresenta uma ideia muito interessante: a subversão da personagem frente à sua narradora, recurso que sempre provoca grande impacto, por violar o pacto implícito o qual estabelece a ciência do leitor frente ao texto:ele sabe se tratar de ficção e a “pessoa” é apenas personagem (representação linguística). Isso, contudo, demanda necessariamente grande habilidade com as palavras.

    Ao sublevar-se, a personagem se torna uma segunda narradora, negando as diretrizes da quem iniciou o texto. Nessa disputa pelo destino (ser narrada ou se auto-narrar?) o texto nos faz lembrar de certos conceitos da construção literária como “peripécia”, “chave de ouro”, “narrador em primeira pessoa”. É, portanto, um exercício de metalinguagem literária. No qual, inclusive, há menção à realidade concreta, que a personagem mostra conhecer ( “- Resolver não é matar a personagem principal! Quem você acha que é? Nelson Rodrigues?”)

    Há certos pontos nos quais a distinção entre a enunciação da narradora e a da personagem se torna um tanto nebulosa. O uso do travessão nem sempre funcionou como divisor de águas, como parece ter sido a intenção autoral.

    Muito boa a briga entre elas. Soou encenação circense, non sense, a sucessão de fatos um tanto inverossímeis, porém perfeitamente adequados ao que se pretendeu. No trecho em que o “jovem Rodrigo” aparece “apenas de cueca boxe” no edifício é um exemplo disso, ao mesmo tempo em que gera uma confusão: a personagem narra que ele a chama de “Minha Margarida”. Mas esse tratamento não é feito por seu marido? Então o rapaz é na verdade o marido? Não me parece tenha ficado claro.

    É um conto que não se concentra no óbvio, qual seja, fazer dos personagens do tarô os protagonistas. É um dos poucos desse desafio que se ocupa de outros aspectos, como a leitura das cartas. Apesar disso, a inserção de personagem da mitologia grega (Átropos e Moira) pareceu-me abrupta demais, sem muito o que justificasse. Talvez funcionasse menos gratuito se houvesse antes (no início, por exemplo) alguma sinalização da presença de Átropos.

    • Lucas Guimarães
      12 de fevereiro de 2014

      Olá, Eduardo. Primeiramente, muito obrigado por seu comentário. A inserção da Moira e de Átropos era realmente o meu maior medo, temia que fosse ficar deslocado. Fiz referências à mitologia (Zeus, Pandora, paganismo, etc) exatamente para tentar consolidar um pouco mais a ideia, afinal, a Moira servia para reforçar – no caso, finalizar – a luta entre o livre arbítrio da personagem e o destino do Tarô, da narradora, da Moira. Bom, não consegui, mas tentarei fazer alterações no início como recomendado. Sobre a enunciação da personagem, a travessão foi o método que me pareceu mais claro no momento da escrita,mas parece que causou confusões, no momento que Rodrigo chama de “Minha Margarida” (“[…] seus olhos verde piscina que tanto hipnotizavam Sua Margarida.”), na verdade, é a própria narradora narrando e usando de artimanhas na tentativa de seduzir a personagem e de fazê-la se entregar aos fatos narrados, no caso, se entregar à “sua paixão” por Rodrigo. Realmente, não ficou claro.
      Esse foi o meu primeiro conto aqui. Da próxima vez tentarei melhorar e ficarei de olho nesses casos. Obrigado pelo comentário!

  19. Claudia Roberta Angst
    12 de fevereiro de 2014

    Interessante o rumo que a narrativa tomou. A princípio, a revolta da personagem me surpreendeu tanto quanto à narradora fictícia. Tive de reler a passagem para entender o que havia acontecido.
    Alguns errinhos que escaparam da revisão. Nada grave.
    Boa sorte!

    • Lucas Guimarães
      12 de fevereiro de 2014

      Olá, Claudia! Auto revisão me é realmente muito difícil, à todo mundo creio eu, mas vou buscar os erros e corrigi-los! Realmente, algumas partes não ficaram claras e necessitam de uma releitura para o entendimento, ainda há muito o que melhorar. Obrigado pelo comentário!

  20. rubemcabral
    12 de fevereiro de 2014

    Curiosa e diferente a história. Achei bacana o recurso de quebra da quarta parede. Qto à escrita, precisa de um tanto de revisão: “de mais”, “sendo cobiça”, alguns acentos “comidos”, etc.

    Bom conto!

    • Lucas Guimarães
      12 de fevereiro de 2014

      Olá, Rubem! Ainda não consegui me auto corrigir plenamente, mas estou tentando melhorar! Buscarei os erros nesse texto e vou corrigi-los! Fico feliz que tenha gostado do conto. Obrigado pelo comentário!

  21. Jefferson Lemos
    12 de fevereiro de 2014

    Achei a escrita muito boa, e gostei da história no todo.
    Parabéns e boa sorte!

    • Lucas Guimarães
      12 de fevereiro de 2014

      Obrigado pelo comentário, Jefferson! Fico muito feliz que tenha gostado!

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Informação

Publicado às 11 de fevereiro de 2014 por em Tarô e marcado .