EntreContos

Detox Literário.

“Ubik” – Resenha (Rubem Cabral)

Ubik

Ubik. O que é Ubik? Esta pergunta persegue o leitor desde o primeiro capítulo e apenas aumenta sua curiosidade em cada novo. Propagandas falando do uso de Ubik para lustrar móveis, rejuvenescer, sanar todos os problemas de saúde… O produto sendo apresentado em todos os formatos. Raios, o que é Ubik?

Mais do que isso, desde o inicio o leitor é atirado num mundo estranho, cheio de telepatas, precogs e suas contrapartidas: indivíduos capazes de bloqueá-los. Agências de espionagem e contraespionagem são contratadas a peso de ouro. Gente prevendo o futuro enquanto outros alteram o passado. Há um clima de desconfiança e paranoia a la Guerra Fria.

Há também o curiosíssimo conceito dos semimortos, pessoas que foram acondicionadas em módulos de criogênese, que não podem ser recuperadas em sua forma física, mas que ainda podem ser contatadas pelos parentes vivos.

Como muito da obra de Philip K. Dick, a trama é muito engenhosa, nada parece ser o que é e dá certa vertigem por parte do leitor meio perdido. Há também muitas surpresas e reviravoltas. Como muitos dos escritos do malucão, as personagens não são lá muito desenvolvidas e algumas descrições – de um cafona futuro retrô-psicodélico (afinal, o livro foi escrito em 1969) – são bem divertidas.

Se você gosta de livros estranhos com tramas mirabolantes e inteligentes e acha divertido e charmoso FC retrô, o livro é um prato cheio.

Um trecho do livro:

A melhor forma de pedir uma cerveja é gritar Ubik. Feita com lúpulo selecionado, água de qualidade superior, envelhecida lentamente para um sabor perfeito, Ubik é a escolha número um da nação em cervejas. Feita apenas em Cleveland.

Ereta em seu esquife transparente, revestida por uma exalação de névoa gelada, Ella Runciter estava de olhos fechados, as mãos permanentemente erguidas na direção do rosto impassível. Fazia três anos que ele não a via, e é claro que Ella não tinha mudado. Nunca mais mudaria, pelo menos na forma física e visível. Mas a cada ressuscitação para a meia-vida ativa, para um retorno da atividade cerebral, por mais curto que fosse, Ella morria um tanto. O tempo restante, para ela, pulsava e sumia, esgotando-se lentamente.

3 comentários em ““Ubik” – Resenha (Rubem Cabral)

  1. Davenir da Silveira Viganon
    1 de agosto de 2015

    “FC retrô” é maldade… este é um livro de FC Ciberpunk. “High tech, Low life”
    O Ubik é além do que o livro descreve (não quero dar Spoiler) uma poderosa critica a sociedade de consumo, no inicio mesmo quando um personagem não consegue abrir a porta do próprio apartamento porque não tem moedas para pagar a porta!!!

  2. Bia Machado
    31 de janeiro de 2014

    Que coisa louca! Pior que eu gosto disso, rs… Acabei de ler o “Fluam, minhas lágrimas, disse o policial” e não consegui me envolver com a história. Gostei muito do começo e do final, e o meio da história me deixou impaciente, me cansou. Talvez eu não estivesse em boa hora para lê-lo, tem isso, rs.

  3. junioresinc
    24 de janeiro de 2014

    I like.

E Então? O que achou?

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

Informação

Publicado às 22 de janeiro de 2014 por em Resenhas e marcado , , .