EntreContos

Detox Literário.

A Casa Amarela (Rafael Magiolino)

            Mais uma bela tarde se implantava na cidade. O céu estava limpo com um belo azul, as crianças brincavam pelas ruas ou iam ao clube dentro da grande piscina para se refrescar, o melhor lugar para se ir durante as férias de verão.

            Porém, naquela mesma bela tarde, Dênis se encontrava sentado na calçada em frente de sua casa. Ouvia apenas seus pensamentos infantis e observava a rua sem saída onde morava, afinal, uma criança de seis anos sem amigos não tem muito a fazer. Segurava um galho que encontrou sob uma árvore e o usava para brincar com algumas formigas próximas aos seus pés. Não as machucava, simplesmente gostava de assustá-las, vê-las desesperadas sentindo medo.

            Continuou daquela forma por poucos minutos até erguer a cabeça e ver outro garoto, provavelmente de sua idade, sentado na frente da casa ao lado. Achou aquilo estranho devido ao fato de nunca tê-lo visto sendo seu vizinho e morando em uma cidade pequena, entretanto, crianças de seis anos não possuem uma consciência clara sobre aquele tipo de coisa. Se soubesse o rumo que tudo aquilo lhe levaria, talvez tivesse entrado em sua casa e assistido á televisão.

            Deixou o galho no chão, levantou-se, limpou a parte de trás do short e foi em direção ao menino. Enquanto se aproximava não pôde deixar de reparar que o outro garoto também brincava com a calçada, apesar de que desenhava alguma coisa por lá ao invés de se divertir com as formigas.

            Parou a poucos passos de distância e por alguns segundos os dois ficaram se encarando sob o forte sol. Dênis não sabia como iniciar uma conversa com um estranho, um dos motivos por não ter amigos na escola nem em qualquer outro lugar. Sempre ficava nervoso antes de falar com alguém e por isso apenas ergueu a cabeça, respirou fundo e perguntou a primeira coisa que surgiu em sua cabeça.

            – Oi, quer brincar?

            O outro menino observou Dênis mais um pouco, aparentando ser pensativo quanto à pergunta, antes de responder em poucas palavras e com uma outra pergunta.

            – Sim. Como você chama?

            – Dênis, e você?

            – Vinicius. Do que você gosta?

            – Ah por mim tanto faz na verdade. Não costumo muito brincar com os outros, então qualquer coisa já tá bom. Vem comigo.

            Os dois andaram de volta na direção da casa de Dênis. A rua terminava em um muro de cimento a poucos metros da casa. Logo atrás havia um pequeno terreno baldio abandonado com apenas uma árvore no meio e devido ao fato do muro ser baixo, lá se transformava em um bom lugar para as crianças.
Durante o curto trajeto Dênis percebeu que Vinicius não gostava de conversar, talvez sendo até mais tímido. Não era muito bom com as palavras, mas precisava continuar falando para não ter feito uma amizade de apenas dois minutos.

            – A gente pode jogar futebol aqui mesmo. Minha mãe deixa eu ficar por aqui porque não passa nenhum carro. Vou pegar minha bola lá dentro e a gente pode jogar tá?

            Vinicius simplesmente balançou a cabeça afirmativamente como resposta. Dênis estava começando a gostar de seu novo amigo, ele também era de poucas palavras. Pouco depois os dois jogaram futebol, o muro sendo o gol defendido por Vinicius, enquanto Dênis bancava o grande atacante.

            Terminaram apenas quando o sol do fim da tarde começou a ficar com seu brilho todo amarelo e o céu adquirir um tom mais escuro. Ambos suavam e haviam dado várias risadas no percorrer das horas e, mesmo não conversando, conseguiram se comunicar de alguma forma diferente.

            – Tem certeza que você não quer entrar? – perguntou Dênis – Eu posso pedir pra minha mãe fazer alguma coisa pra você comer.

            – Não precisa. Eu não to com fome e preciso ir embora também, já até passou da minha hora por hoje.

            – Tudo bem. Amanhã a gente se vê de novo?

            – Sim, claro. Até amanhã.

            Dênis entrou na sala justamente quando sua mãe estava no sofá assistindo a alguma novela segurando um copo com alguma bebida alcoólica na mão esquerda e um cigarro aceso na outra. Em intervalos de poucos segundos ela se inclinava em direção ao cinzeiro sobre a mesa para colocar as cinzas.

            Fabiana sempre fora uma mulher complicada. Tudo começava a partir de uma infância difícil, onde a vida dentro de casa era um verdadeiro inferno, aguentando os pais brigarem quase todas as noites. Em outras circunstâncias seu pai chegava bêbado após uma ida no bar com os amigos e agredia as duas com uma agressividade moderada, precisando dizer a todos na escola que havia levado um tombo na escada ou outra desculpa do tipo.

            Nos últimos meses de aula no terceiro ano do ensino médio foi a festa de formatura de sua classe e após ter bebido até ultrapassar seu limite, fez o que acabou resultando em uma gravidez. Após o choque inicial foi obrigada por sua mãe a fazer o aborto, caso contrário seria mandada embora de casa.

            Após ter se formado e começado a trabalhar como professora do infantil da Escola Municipal, com seus vinte e três anos, se envolveu com o dono de uma farmácia e acabou tendo sua segunda gravidez indesejada em um período de apenas cinco anos. Já tinha se decidido quanto a realizar outro aborto, porém acabou convencida por Ricardo a aceitar a criança e a se casar com ele.

            Tudo correu bem por menos de três anos, quando seu marido resolveu morar com uma de suas funcionárias, deixando Fabiana vivendo com um filho que jamais desejou ter e recebendo um salário incompatível para viver com ele.

            Durante a maior parte do tempo que passava em casa preferia ficar no computador buscando informações desnecessárias ou assistindo a televisão, exatamente como naquele momento, ao invés de curtir o tempo com seu filho, levando-o passear em alguns lugares diferentes, como por exemplo, ao shopping. Em vez disso estabelecia uma regra para Dênis brincar na rua e não lhe atrapalhar.

            – Quando a gente vai comer? – perguntou Dênis ao chegar do seu lado.

            – Quantas vezes eu já lhe disse para não me atrapalhar enquanto estou descansando?

            – Desculpe mamãe. Só tô com fome.

            – O problema é seu. Quando terminar aqui eu esquento alguns salgados.

            – Obrigado – respondeu Dênis enquanto se sentava no sofá também.

            Os dois permaneceram sentados apenas atentos ao som da novela, a única coisa impedindo o silêncio total no ambiente. Esperou até os últimos comerciais serem transmitidos para contar a grande novidade para sua mãe.

            – Fiz um novo amigo hoje a tarde – começou enquanto Fabiana dava outro gole de seu copo e derrubava mais algumas cinzas – Jogamos bola durante a tarde inteira quase. Ele se chama Vinicius e mora na casa aqui do lado, aquela amarela. – Sabia que precisava contar tudo de uma vez para sua mãe antes dela ter a oportunidade de interrompê-lo.

            – Olha só que surpresa. O menino mais estranho da cidade fazendo uma amizade pela primeira vez na vida, estou até emocionada garoto – Dênis era muito pequeno para entender a ironia no tom de sua mãe – Infelizmente você é um incompetente até para ter amigos imaginários. Não mora ninguém naquela casa já faz mais de sete meses. Você me envergonha com a sua burrice.

            – Me desculpe, só queria te deixar feliz.

            – Para isso você precisa voltar no tempo e me impedir de conhecer o seu pai.

Dênis já era acostumado a ser humilhado pela mãe, mesmo sem saber disso a maior parte das vezes. Considerava-se uma criança burra pela quantidade de vezes que ouvira aquilo de sua própria mãe, mas tinha certeza quanto a ter conversado e brincado com Vinicius durante a tarde toda, e ainda tê-lo visto entrar na casa amarela.

            Era apenas uma criança, não conseguia relacionar tudo de uma vez, portanto a única coisa que fez foi esperar a novela terminar, enquanto ficava viajando em seus pensamentos, imaginando com o que poderia fazer no dia seguinte com seu novo amigo. Após jantar subiu para seu quarto, coloriu alguns desenhos em seu caderno e logo depois dormiu.

            A semana seguiu nublada e por isso Dênis passou a maior parte do tempo dentro de casa, se contentando apenas em ver desenhos e se divertir com seus brinquedos para passar o tempo. Olhava ocasionalmente para a janela da sala na esperança de encontrar Vinicius sentado no mesmo lugar daquela tarde, porém via a calçada em frente a casa amarela vazia. Voltaram a se encontrar apenas oito dias depois, duas semanas antes da véspera de Natal.

            Outra tarde ensolarada pairava no céu. Dênis brincava sozinho de futebol no muro quando Vinicius apareceu. Ele vestia a mesma camiseta de algum desenho, talvez fosse o Mickey, e o mesmo short preto. Dênis se assustou em vê-lo de repente, mas na verdade sentiu um grande alívio e uma certa felicidade com o reencontro.

            – Você demorou pra voltar – começou Dênis – Achei que não tinha gostado daquele dia.

            – Me desculpa. Eu gostei sim, mas é que eu não pude sair de casa nesses dias.

            – Tá tudo bem. Quer brincar de esconde-esconde hoje? O terreno ali atrás é um bom lugar.

            – Só se você começar contando – disse Vinicius mostrando um tímido sorriso.

            O espaço podia ser considerado de um tamanho razoável. O terreno baldio mais o comprimento da rua até onde se iniciava o movimento de alguns carros, o limite imposto por Fabiana para Dênis, equivalia a vários locais para se esconder e tudo corria bem entre as crianças até a terceira vez seguida em que Dênis começaria a contagem com a cabeça encostada no muro de cimento.

            Após ter chegado aos trinta segundos, deu uma breve observada ao redor. Com apenas alguns passos adiante, não conseguiu encontrar nenhuma movimentação de Vinicius por entre as casas. Como ele já havia se escondido as outras vezes por lá, Dênis contornou o muro até sua entrada para o terreno para procurá-lo e o encontrou instantaneamente.

            Vinicius estava parado logo em frente a única árvore do local. Encarava a parte inferior de seu tronco e a pele havia possuído um grande tom de palidez, destacando ainda mais seu cabelo loiro. Mesmo vendo a cena de longe Dênis achou que Vinicius não se sentia bem e resolveu se aproximar na tentativa de ajudá-lo.

            Perguntou se estava tudo bem e não obteve resposta. Vinicius apenas continuava encarando o lugar como se sentisse medo de lá. Os dois continuaram parados por pouco tempo até que Vinicius disse algo. Sua voz saiu em um tom baixo e rouco, completamente diferente de seu jeito habitual, parecendo que tivera pego uma forte gripe de repente.

            – Foi aqui que me enterraram.

            Dênis permaneceu imóvel da mesma forma. Não havia entendido muito bem o que ele quis dizer com aquilo. Imaginou ter ouvido algo diferente, como se Vinicius tivesse se referido a algum tipo de brincadeira, mas antes que pudesse falar algo, Vinicius prosseguiu.

            – Ninguém nunca me achou, mesmo com o passar do tempo. Não sei se alguém ainda está atrás de mim, acho que não. Pelo menos fiquei perto de casa.

            Com toda sua inocência infantil e falta de raciocínio lógico, Dênis chegou à conclusão de que Vinicius se referia a alguma brincadeira de esconde-esconde. Mesmo não entendendo a situação, ele percebeu como Vinicius se sentia mal e propôs outra atividade para eles, desta vez no fim da rua. Nunca havia gostado muito daquele terreno e após aquele dia jamais pisaria lá novamente.

            Brincaram por mais alguns minutos, até que Fabiana apareceu de surpresa na porta de sua casa e gritou uma frase que provavelmente ecoou pelo bairro inteiro. O breve e forte grito chamou a atenção do menino no mesmo instante.

            – Dênis, venha já para dentro! – depois deu meia volta e bateu a porta com também grande força.

            Assustado com aquele escândalo todo, o garoto olhou rapidamente para a direção de Vinicius, que arregalou os olhos e apenas deu de ombros. Nem precisaram se despedir e Dênis andou até sua casa, sem nem se importar em pegar suas coisas da rua.

            Abriu a porta lentamente sentindo medo e viu sua mãe sentada no sofá com as pernas cruzadas. Não conseguia ver seu rosto direito devido a luz apagada e o sol do fim de tarde, mas tinha quase certeza da expressão no rosto de Fabiana. Apenas torcia para não ter de dormir aquela noite com alguns hematomas.

            – O que você estava fazendo lá fora menino? – ela tomava outra bebida, igual o dia anterior e quase todos os dias da semana.

            – Brincando, mamãe, eu já tinha te falado isso.

            – Isso eu consegui ver seu gênio. Mas por quê precisou mentir para mim, inventando aquele seu amigo?

            Ao ouvir aquilo Dênis não conseguiu pensar em uma resposta imediata. Não sabia da onde ela tirara aquela ideia e era impossível ela não ter visto Vinicius sentado bem do seu lado.

            – Eu tava brincando com ele sim, como você não viu?

            – Não tente argumentar comigo seu moleque. Eu ouvi sua gritaria e fui até a janela ver o que estava acontecendo, mas só vi você com todos seus brinquedos jogados por lá e falando sozinho.

            – Eu não menti pra você….

            – Cale a boca quando eu estiver falando – Dênis mordeu os lábios e abaixou a cabeça – Você me envergonha sabia? Como se já não bastasse suas professoras da escola me dizerem que você não conversa com ninguém e parece um louco. Agora você está agindo como um. Não quero mais você brincando na rua, apenas aqui em casa. Se for agir como um retardado prefiro você aqui onde ninguém pode te ver, estamos entendidos?

            – Sim mamãe. – continuava olhando para seus próprios pés.

            – Agora pegue suas coisas e vá para seu quarto. Só quero descansar um pouco.

             O tempo pareceu demorar muito mais do que de costume para passar até o final da semana. Em nenhuma de suas outras férias teve alguém para lhe fazer companhia, era realmente um garoto solitário, e justo quando encontrou alguém para passar o tempo sua mãe o privou daquilo. Sentia algo percorrer dentro de seu corpo, alguma coisa que não conseguia identificar. Apenas queria ficar o mais distante possível de sua mãe. A solidão era muito melhor do que sua companhia.

            Na tarde de uma quarta-feira Fabiana dormia em seu quarto e Dênis assistia Pica-Pau na televisão quando a campainha tocou. Foi até a porta rapidamente antes de sua mãe acordar e colocar a culpa nele por aquilo. Sempre era o culpado de tudo, mesmo quando não tinha o menor motivo para tal coisa.

            Girou a maçaneta e viu Vinicius parado logo a sua frente. Sentiu uma grande alegria ao vê-lo, porém logo tornou a sentir raiva de sua mãe. Sim, foi naquele instante em que admitiu odiar sua mãe.

            – Tá tudo bem aí? – Vinicius era pena um ano mais velho, mas falava com uma seriedade em sua voz correspondente a alguém mais velho – Você sumiu depois daquele dia e achei que alguma coisa ruim tinha acontecido.

            – Minha mãe não me deixa mais sair de casa. Ela tem vergonha de me ver falando sozinho.

            – Ela não sabe de nada – seu tom de voz tinha ficado mais sério – Ela precisava entender que você apenas quer se divertir e aproveitar a vida antes de envelhecer

Era uma coisa incomum de uma criança dizer, porém era tudo verdade e Dênis sabia daquilo. No fundo, bem próximo da onde sua raiva estava guardada, ele sabia.

      – Nada que eu fizer irá adiantar. Para ela eu sempre tô errado e não adianta discutir.

      – Olha, eu preciso ir agora e vou voltar só depois. Pense um pouco e saberá exatamente o que fazer, isso eu tenho certeza. E a vontade já está dentro de você.

Antes de Dênis dizer alguma coisa ele se virou e voltou até a casa amarela. Continuou parado com as mãos na porta antes de voltar ao sofá. Já não prestava mais atenção no outro desenho passando na televisão, apenas olhava pára a tela com várias coisas em sua cabeça.

Achou estranho ver Vinicius conversando daquela forma, assumindo um estilo superior e determinado. Também se surpreendeu ao concluir que seu amigo tinha razão sobre aquilo que lhe falara. Ele poderia ser uma criança normal e feliz se Fabiana parasse de atrapalhar.

Cerca de uma hora depois ele continuava sentado sem se mover, apenas refletindo. Sua mente havia abandonado seu corpo e estava, de alguma forma, hipnotizado. Ainda respirava e fazia tudo normalmente, mas no segundo em que colocou os dois pés no chão seu corpo agiu mecanicamente seguindo sua consciência. Jamais faria nada daquilo por vontade própria. Precisou de um empurrão do além para conseguir se libertar.

O belo sol de verão da tarde tinha desaparecido por entre as nuvens. Era como se tudo estivesse no roteiro, cooperando para a ação que Dênis executaria em poucos minutos. Caminhou até a cozinha, abriu a terceira gaveta ao lado da geladeira e pegou a faca de cortar carne. Via sua mãe usá-la de vem em quando e sabia de sua eficiência.

Atravessou a sala mais uma vez, ignorando a televisão ligada. Subiu a escada de madeira calmamente e, ao mesmo tempo, ia ajustando a sua mão no cabo da faca. Quando chegou ao topo apertou o interruptor na parede e continuou em seu ritmo tranquilo até chegar á porta no final do corredor. Abriu-a sem hesitar.

O quarto não era muito grande e a cama de casal onde Fabiana dormia ocupava a maior parte. Dênis chegou o mais próximo possível da mãe, sendo capaz de ouvir sua suave respiração. Ela estava virada para o outro lado e seu corpo tremia um pouco em intervalos de segundos. Dênis apenas sorriu para si mesmo, imaginando que ela estaria tendo um pesadelo exatamente com o que iria acontecer.

A primeira facada foi pouco abaixo do seio esquerdo de Fabiana, entre suas costelas. Imediatamente ela arregalou os olhos e deu um grito misturado com susto e dor. Dênis sentiu um enorme prazer em fazer aquilo, especialmente pela dor sofrida por ela.

Retirou a faca com alguma dificuldade e a cravou no centro da barriga de sua mãe. Suas pernas se encolheram junto aos braços, ficando parecida com uma posição fetal. Ela ergueu a cabeça retirando os cabelos da frente de seus olhos e viu Dênis com a faca erguida mais uma vez encarando-a com um sorriso estampado no rosto. O que mais a assustou naquela imagem, além do filho como um assassino, foi de ver que seu rosto estava com uma feição diferente, lembrando em quase nada seu pequeno filho.

Tentou gritar outra vez, porém conseguiu emitir apenas um baixo gemido enquanto sangue saía também de sua boca e seu corpo já ia se empalidecendo. Dênis deu o terceiro e último golpe em um dos olhos de Fabiana, colocando a faca funda o suficiente para conseguir atingir seu cérebro. Deixou a faca lá e tornou a descer as escadas, deixando para trás o corpo de sua mãe, que já tinha uma poça de sangue formada na cama e em breve iria se formar outra no chão.

Quando chegou á sala de novo Vinicius estava sentado no sofá. Dênis não se surpreendeu em vê-lo ali. Não queria saber nem como ele havia entrado lá, aliás, sentiu grande alívio em saber que ninguém mais poderia lhe atrapalhar. Os dois apenas se encararam por poucos segundos antes de começarem a rir em gargalhadas e ficariam daquela forma até decidirem do que iriam brincar.

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25 comentários em “A Casa Amarela (Rafael Magiolino)

  1. Frank
    15 de janeiro de 2014

    Gostei do aspecto macabro. Também, como alguém mencionou os pensamentos bastante elaborados me incomodaram. Por fim, acho que algumas coisas podiam ser revistas para aumentar a surpresa (ex. a falta de caráter da mãe).

  2. Carlos Relva
    15 de janeiro de 2014

    Achei o conto regular. A opção do autor em contar o passado da mãe do menino tirou muitas surpresa, principalmente sobre quem era o fantasma. E por que o fantasma parece ter um ano a mais do que o menino, se morreu cinco anos antes no aborto? Um grande abraço e boa sorte!

  3. Leandro B.
    14 de janeiro de 2014

    Eita.

    Me incomodou um pouco os pensamentos da criança pela idade que lhe é dada. Por questões cognitivas não acho que aos cinco ou seis anos alguém poderia apresentar pensamentos tão reflexivos, principalmente no que diz respeito a considerar a personalidade de outro.

    Pode parecer besteira, mas isso acaba enfraquecendo um pouco a aceitação do personagem Dênis. Não há, na prática, um motivo para essa idade ao longo do texto, exceto pela cena macabra ao final. Eu daria mais alguns anos ao menino.

    Não gostei da forma como a mãe foi construída. Ficou claro logo no começo: é uma escrota e vai se ferrar no fim. Aliás, se o que se pretende buscar no final é justamente o impacto do macabro, sugiro que torne a mãe um pouco mais complexa. Digo, mostre que ela ama o filho da maneira dela, de verdade, em um ou outro ato. Acho que o matricídio, assim, ficaria ainda mais forte.

    Maaaaaaaaas, eu acho que, talvez, o final ficasse melhor substituindo o matricídio por suicídio. Embora isso leve a menos sangue, certamente traria maior comoção.

    É claro que isso é apenas o que eu gostaria de ver como leitor. Espero não ter sido muito intrometido.

    Ah, apesar dessas coisas, achei o conto bem fluído. Um texto assim é sempre bom de ler.

    Parabéns.

  4. Paula Melo
    13 de janeiro de 2014

    Gostei bastante,fui lendo e me envolvendo com o texto.
    O Autor tem potencial e um bom material em mãos.

    Bos Sorte!

  5. Cácia Leal
    13 de janeiro de 2014

    Eu gostei do texto. Achei muito bem escrito e interessante. Gostei da história, embora ache que os personagens infantis estão com diálogos adultos demais e muito maduro pra suas idades. Talvez fosse bom rever essa questão.

  6. Marcelo Porto
    12 de janeiro de 2014

    Se o autor conseguir narrar essa historia sob o ponto de vista do menino e em primeira pessoa ele fica perfeito.

    A história é muito boa e conseguiu me prender. Fiquei incomodado pelo excesso de explicações por parte do narrador, isso quebrou muito o ritmo.

    Experimente pensar como uma criança e re-escreva suprimindo os excessos, sei que é difícil, mas seria interessante reler isso depois.

  7. Raione
    11 de janeiro de 2014

    O conto tem potencial, mas ainda não sei o que pensar da escalada macabra e trash que a história sofre. Às vezes o grande mérito de um conto é o que ele não conta, e nesse sentido muita coisa aqui funcionaria melhor se não viesse à superfície, como a vida da Fabiana antes do nascimento do filho (a personalidade e o comportamento da mulher bastam para sugerir uma história de vida desse tipo). Até o matricídio eu penso que seria mais significativo se radicalmente abreviado, ou apenas sugerido, pairando como uma sombra enorme, como um hiato entre as brincadeiras inocentes dos meninos. Uma influência maligna vindo do Vinicius como motivação pro assassinato não convence, é rasa, sem sustentação suficiente no texto. Um dos pontos fortes do conto é o momento ao redor da árvore, quando o Vinicius solta aquela fala certeira (“Foi aqui que me enterraram”). É uma surpresa, um desconcerto que poderia ser reforçado se fossem eliminadas as sugestões anteriores sobre a natureza fantasmática do garoto. Uma revisão que reformulasse algumas frases não muito eficazes e outras esquisitas (um exemplo: “iam ao clube dentro da grande piscina”, sem poder evitar a gente imagina um clube no fundo de uma piscina) melhoraria a narração. Acho que o narrador frisa muitas vezes que Dênis tem “pensamentos infantis”, “inocência infantil”, “falta de raciocínio lógico”, e isso atrapalhou um pouco minha imersão na leitura, bastaria descrever as coisas de criança que uma criança normalmente faz. No geral, está razoável, apresenta potencial.

  8. Pedro Viana
    7 de janeiro de 2014

    Desde início ficou na cara que o amigo do menino era um fantasma. Como isso já ficou evidente no começo, o restante da história acabou tornando-se difícil de acompanhar, afinal, o leitor já havia matado a charada. A narrativa precisa ser melhorada. Para mim, frases como “Se soubesse o rumo que tudo aquilo lhe levaria, talvez tivesse entrado em sua casa e assistido á televisão” soam como “Senhor Leitor, pare de ler esse texto porque, como pode ver, já estou contando o que vai acontecer antes de acontecer e você não precisa se preocupar com surpresas.”

  9. bellatrizfernandes
    6 de janeiro de 2014

    Macabro, cara.
    Acho que o comportamento submisso do menino era contrastante com a história de vida que ele parecia ter. Quer dizer, quando a criança só conhece violência desde pequena, ela reproduz a violência. Ao que parece ele não teve um pai significativo no quesito carinho e nunca nenhum amigo, nem nada. Não vejo porque ele seria tão comportado.
    Sei lá. Ainda estou em choque.

  10. Gustavo Araujo
    6 de janeiro de 2014

    Honestamente, achei a escrita um tanto incipiente. O texto lembra mais um rascunho, dado o número elevado de erros, sobretudo referentes ao uso de tempos verbais. A ideia não é ruim, apesar de se constituir em um clichê do gênero. Porém, algumas partes me soaram por demais inverossímeis – mesmo quando o tema (fantasmas) já o é, por si – como por exemplo, o tratamento maniqueísta que se dá à construção da mãe, e também ao fato de o garoto se tornar um psicopata tão rapidamente. Creio que o autor seja alguém jovem. A sugestão que lhe faço é persistir, lendo mais, escrevendo mais.

  11. Bia
    3 de janeiro de 2014

    Acho que o menino precisava ser mais velho para certas partes do conto funcionarem. A narrativa não me pegou. Gostei do início, mas depois o texto não me agradou, contudo acho que deve ser trabalhado, aproveitando as dicas dos que leram, acredito que tem potencial. E ainda que não tenha curtido muito, ainda assim desejo boa sorte.

  12. Tom Lima
    2 de janeiro de 2014

    Achei chato, cansativo. Foi difícil ler até o fim.

    A ideia é interessante. Acho que poderia ter dado mais ênfase a influência que levou ele ao assassinato.

    Boa sorte.

  13. Ricardo Gnecco Falco
    31 de dezembro de 2013

    A história não me “fisgou”, mas desejo boa sorte ao autor!

  14. Ryan Mso
    28 de dezembro de 2013

    Outro texto que vejo potencial para ser mais trabalhado, tal como o autor. Gostei, mas senti falta de algo, como já senti em outros. De qualquer forma, gostaria de parabenizar ao autor. Tem potencial.

  15. Ana Google
    28 de dezembro de 2013

    Hmmm, não sei exatamente o que pensar a respeito do conto! No inicio estava amando, mas do meio pra frente não sei explicar bem, desandou de uma forma inexplicável! Achei que a casa amarela que deu título ao conto deveria ser melhor explorada! O final não me convenceu. Sou mãe de uma criança de exatos seis anos bem maior e mais forte que normalmente crianças de seis anos e a cena da faca não me parece sequer verossímil! O texto carece também de uma revisão mais atenta. Vejamos: “Vinicius era pena”, sendo que o correto seria empregar a palavra “apenas”, “imaginando com o que” (correto: “imaginando o que”), faltou ponto final depois da palavra “envelhecer”, acentuações faltam, etc.

    De qualquer forma, uma modificada no texto o tornaria perfeito…

    Boa sorte!!!

  16. Inês Montenegro
    27 de dezembro de 2013

    O texto precisa de uma revisão, havendo falha em algumas vírgulas e acentos.
    O final tornou-se previsível para o leitor a partir de determinado momento, o que não será necessariamente mau, visto que surpreender não parece ser o objectivo principal do conto.
    Gostei tanto na narração quanto do enredo, que fazem com que o conto seja lido muito bem, contudo, como já foi dito, o texto ficava a ganhar caso fossem sendo inseridos alguns factores que tivessem gerado uma gradação até ao final, em vez da viragem brusca que se viu.

  17. Caio
    26 de dezembro de 2013

    Olá. Estranho a falta de reação que eu tive ao conto… não fiquei pensando se era verossímil ou não, só li e terminei de ler. Pensando agora acho que podia ter um arco mais claro pela história toda do Vini convencendo o Denis a fazer o que ele faz, conversas pelo conto, em vez de um ponto único em que tudo vira de repente. Mesmo com a cena forte do final, a falta de construção e de um senso de tensão crescente fez tudo passar meio a toa pra mim.

    Mas eu tava entretido durante a leitura e nem senti o tamanho do texto, foi um uso interessante do tema. Meu negócio foi que eu quis mais uma fundação pelo texto para o que acontece no final. Quem sabe cenas até em que ele responde mais forte a mãe, já mostrando sinais de estar sendo tomado aos pouco pela influencia do fantasma, coisas assim. Espero que ajude, abraços

  18. Pedro Luna Coelho Façanha
    25 de dezembro de 2013

    Pô..infelizmente muitas coisas não me convenceram. A fixação de Dênis, um garoto aparentemente sem amigos, por Vinicius. Os pensamentos e atitudes que não são marcas de crianças tão novas. E a atitude dele de matar a mãe ficou meio esquisita… Ah, e o fantasma ficou previsível demais, também. Não foi um conto ruim, só não me agradou.

  19. Marcellus
    24 de dezembro de 2013

    Gostei da história e da ambientação, mas a narrativa precisa de alguma revisão. Além disso, o texto entrega tudo ao leitor, de mão beijada: não é preciso nenhum esforço, nada. Isso tirou um pouco da graça.

    De qualquer forma, o autor tem muito potencial. Parabéns e boa sorte!

  20. Thata Pereira
    24 de dezembro de 2013

    Que final macabro! rs’

    No começo, comecei a estranhar os diálogos, assim como a Cláudia. Depois, comecei a levar em consideração o quanto as crianças estão desenvolvidas hoje em dia. Após ver as condições de vida do menino, sua presença na rua para não “atrapalhar” a mãe, comecei a associar com algumas crianças que conheço que vivem as mesmas condições, infelizmente, e percebi que é possível sim, esse diálogo que normalmente não empregamos à crianças de seis anos.

    Algumas construções ficaram estranhas, no meu ponto de vista. Como “AGREDIA as duas com uma AGRESSIVIDADE moderada” e “deixando Fabiana VIVENDO com um filho que jamais desejou ter e recebendo um salário incompatível para VIVER com ele”.

    **SPOILER**

    Não gostei do final. Não pelo fato do menino ter matado a mãe da forma como fez (também questionei se um menino de seis anos teria força para enfiar uma faca no corpo de uma mulher — senti a ideia de possessão, mas ela não ficou muito clara para mim). Fiquei esperando que eles fossem morar juntos na Casa Amarela, acho que ela poderia ser um pouquinho mais valorizada, pois é o que dá nome à história.

    Boa Sorte!!

  21. Claudia Roberta Angst - C.R.Angst
    24 de dezembro de 2013

    Estranhei um pouco o nível de diálogo de um garotinho de seis anos. A narrativa prende, o leitor quer saber o que vai acontecer mais adiante e a surpresa acontece. Humm, ainda não sei se gostei da finalização, mas que foi surpreendente, isso foi mesmo.
    Por que o menino não podia brincar lá fora quando o dia estava nublado? Era uma névoa tão densa assim que ele se perderia?
    Esta frase ficou estranha: “(…) deixando Fabiana vivendo com um filho que jamais desejou ter e recebendo um salário incompatível para viver com ele.” – talvez pudesse mudar o final para “incompatível para sustentá-lo”
    “Tudo começava a partir de uma infância…” – Acho que o adequado seria “Tudo começARA…”
    Há outros errinhos que devem ter escapado à revisão.
    Talvez o conto pudesse ser um pouco mais breve com explicações mais concisas, sem muitos detalhes que cansam um pouco.
    Boa sorte.

  22. Weslley Reis
    24 de dezembro de 2013

    A única coisa que não me agradou foi a narração. Poderia ter sido ‘enxugada’ e o texto mais conciso.

    Mas a trama é muito boa. Com uma melhora nos diálogos e a enxugada citada, tem tudo pra ser um conto excelente.

  23. Jefferson Lemos
    24 de dezembro de 2013

    Que massa, velho! Haha
    Achei o meu favorito para esse mês. Eu já desconfiava que seria esse desde que comecei a ler, mas esse final (que se fosse eu que tivesse escrito esse texto, eu teria feito do mesmo jeito) me deu a certeza!
    Parabéns e muito boa sorte! 😀

  24. Gunther Schmidt de Miranda
    23 de dezembro de 2013

    Com texto tão longo, o escritor não pode gastar algumas palavras dizendo quando e onde está acontecendo os fatos? Mais um texto com sangue… E fantaminhas infantis… Esperava ver algo novo… Não gostei.

    • Gunther Schmidt de Miranda
      24 de dezembro de 2013

      Inicio este comentário pedindo perdão ao auotr. Minhas expectativas sobre um texto não podem ser impostas e muito menos demonstradas da forma como coloquei. A questão do espaço/tempo cada criador tem a sua forma de apresentar. Os fantasmas serem jovnes, adultos ou idosos também é uma opção do autor e, fui algoz na nota acima. Novamente peço perdão. Um bom texto que me leva a desejar boa sorte.

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Informação

Publicado às 23 de dezembro de 2013 por em Fantasmas e marcado .