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Detox Literário.

Fogo Fátuo (Vitor Stuani)

Em verdade, o cemitério não trazia grande apreensão à Natália. Nova como era, a morte ainda lhe soava como um país distante; uma nação perdida de um continente remoto. Um reino soturno orlado por enseadas de nostalgia para onde, vez ou outra, ocasionalmente o avô de alguém partia para não voltar. Algo geograficamente inegável, mas de influência prática nula. Poderia ser que as tais praias não existissem. Poderia ser que a morte fosse apenas um vulto a assombrar os mais velhos. Poderia ser até que, de fato, ninguém morresse. Ou então já estivessem todos mortos e, não sabendo, encenassem a vida. No fim, nada disto mudaria o dia de Natália, visto que não há sentido em sugerir a acidez a quem nunca deu com a língua na polpa do limão. Ela seguia a lógica dos recém-chegados. Em seus seis anos, a vida era uma novidade, e de tão ampla, era apenas horizontes.

A despeito de tudo, era grande. Já a morte, mesmo sendo um recomeço, é antes um limite, um fim. E finais nunca foram assunto para criança.

De fato, o grande responsável pela angústia da menina estava muito distante dos terrenos místicos. O sol já havia corrido um bocado pelo céu desde que chegara ali. Sua mãe estava na casa de seu tio-avô desde então, e ela fazia o máximo para afastar-se do lugar. Era como se negando a realidade, esquecendo-se dela, talvez, com sorte, ela fizesse o mesmo. Sabia que acertavam os detalhes da mudança, mas questionava-se sobre o desfecho. Natália permanecia sentada do lado de fora, às sombras de um ipê amarelo que reinava próximo à entrada do cemitério. Desde que passou pelos portões enferrujados, seguiu certeiramente para lá. Sabia que ali não atrapalharia ninguém e, portanto, lá ficou. Com um graveto, riscava na terra trilhas por onde tentava direcionar as formigas que perambulavam pelo gramado falho, mas logo viu que não conseguia fazer a ordem. Por mais que tentasse, também não conseguia ordenar a si mesma. Sofria por não compreender o porquê de não poder continuar morando com sua mãe. Já fazia duas semanas desde que a mulher havia se decidido, mas o alheamento de sua filha mantinha-se intacto. Suspeitava de ter feito algo terrivelmente errado para o castigo chegar ao exílio. No entanto, a própria menção de levantar a questão parecia um grande pecado. Por isto, terminou por aceitar o acontecimento como sua culpa.

O calor castigava sua pele negra, fazendo o suor minar pelo corpo de menina. Então, com uma ousadia que pouquíssimas vezes se permitiu, atirou o graveto para longe e seguiu para a casa do tio. Deixou os pés amassarem o gramado até alcançar a trilha de lajotas, saltitando para não pisar nas linhas de argamassa. A brincadeira parou assim que, ao aproximar-se do imóvel, sua coragem escapou-lhe no último salto. O pequeno casebre de ripas brancas era acidentalmente contornado por um rodapé avermelhado pela terra. Era pequeno, parecendo se comprimir naqueles poucos metros quadrados de terreno santo para não destoar das construções da vizinhança. Contudo, sua presença era enorme. As tábuas pareciam ressoar ritmicamente, como se um pulmão rígido se comprimisse contra aquele corpo de madeira. Seus pezinhos descalços roçavam de leve a terra batida em movimentos pensados, como se um pisar fora do lugar, ou em um levantar de pés mais alto que o adequado, pudesse fazer-se ouvido até nos confins do inferno. Para evitar descuido, pôs-se de cócoras, e pouco a pouco, aproximou-se da porta indiferentemente aberta. Lá dentro, tio e mãe tratavam de negócios.

—E leva embora quando? – prosseguiu o velho, em aparente desinteresse. Deixava-se cair sobre uma cadeira de madeira sem cerimônia, ignorando qualquer norma de etiqueta. Era um senhor de boa idade, com uns tantos anos vividos após os sessenta. Os cabelos que não o abandonaram haviam branqueado por completo. Sua tez denunciava um abuso do sol, dando-lhe uma aparência olivada e seca. Usava uma camiseta listrada aberta, negligenciando a existência de botões. Sobre a mesa, um cigarro queimava no cinzeiro.

—Logo. Já falei. Deixa disso, tio Maneco. Vai ajudar ou não? – a mãe de Natália retrucou impaciente. Quase tão negra quanto a filha, por pouco não passaria por sua irmã. Com pouco mais que o triplo de sua idade, Priscila conheceu a maternidade cedo.

—Já criei filho meu pro mundo. Você que dê conta dos teus. –fungou o velho. – Oxi, não te joguei pra cima da cama de ninguém! Não tenho esse compromisso.

—Não vem me apontando o dedo, não!- explodiu a mulher, puxando uma cadeira para si junto à mesa. – Se a tia te botou para fora de casa não foi por você ser um santo. Que quê há? – parou por um instante, no que correu um sorriso em seus lábios, feito quando soluciona-se um enigma complicado. – Quer mais dinheiro, não é?

—Cinquentão por mês não paga nem o que deve cair do garfo dessa aí. Eu é que não vou bancar filha dos outros.

—A menina é miúda, passa fácil com umas colheradas por dia. E tem braço forte. Já aguenta o peso de um balde pra limpar a casa.

Natália esticava o pescoço, forçando-se a ficar o mais próximo possível do chão. De onde estava, via apenas um impaciente espetáculo de bater de pés.

—Deixa disso. – prosseguiu Priscila, levantando-se e andando pelo cômodo, o que fez Natália recuar em um pulo. – Sei que ninguém gosta de viver num chiqueiro desses.

–Mas e o Roberto?- ponderou o tio. – Ele que olhe pela menina!

—Tem mais sete anos pra cumprir. Talvez pegue semiaberto antes, sei lá. Espero já estar é longe.

—Ah, sei. Mas me diz, é por conta desse sujeitinho, n é? – prosseguiu Maneco com olhos carregados de malícia. – Como chama, o pedreiro?

—É mestre de obras. Thiago. E não, não é por causa dele. Cacete, é mais complicado que isso! Você mesmo está reclamando de criar filho dos outros, imagine para ele, cuidando da filha do meu ex.

Com uma tristeza fingida, o senhor apenas deu de ombros. Nesse momento, Natália criou coragem a ponto de colocar a cabeça para dentro da sala. Seu coração disparou no instante em que ela notou aqueles olhos gelados sobre ela. Ele a vira.

—Você é mesmo nojento. Te pago setenta pila, e é só.

—Então deixe ela no dia em que trouxer o dinheiro. – sorriu.

*

Natália saltava de túmulo em túmulo com uma agilidade felina. Já passava mais tempo entre as lúgubres avenidas daquela cidade de mortos do que as que levavam para os outros cantos do mundo. Seu universo era agora o limitado pelos muros daquela necrópole. Embora gastasse grande parte do seu dia com os nada fáceis serviços domésticos, em pouco tempo percebeu quanto mais rápido lidasse com os afazeres de Maneco, mais tempo lhe sobraria para perambular pelo cemitério. De fato, a mágoa do abandono ainda a seguia, sorrateira, como quem se esqueceu de ir embora. No entanto, ela conseguiu distrair-se em meio às maravilhas daquele novo mundo. Não demorou para ver-se em um misto de maravilhamento e um temor respeitoso. Sentia-se magnetizada pelo esplendor dos mausoléus e dos querubins de cobre que sempre pareciam apontar direções opostas, como se não chegasse a um consenso sobre a direção do paraíso. Esbanjando de seu tempo livre, logo Maneco tomou conhecimento do que considerou uma afronta. A fim de aumentar seu recebimento, o tio servia alguns mensalistas na função de limpar o túmulo semanalmente de seus entes queridos. No dia seguinte, era Natália quem esfregava lápides alheias.

Certo dia, enquanto encerava a lateral de um mausoléu, já em uma das avenidas limítrofes do terreno, a garota avistou uma grande cruz escondida sob a sobra das árvores. Não seria uma figura estranha para se encontrar naquele tipo de lugar, mas sua disposição, o fato de encerrar a avenida feito um beco sem saída, foi o que lhe prendeu a atenção. A seu lado, supervisionando seu trabalho, Maneco bebericava uma garrafa de pinga escondida dentro de um saco de mercado. Olhava-a pelo canto dos olhos enquanto descia a boca para o gargalo da aguardente. Aproveitando-se da euforia que a bebida levava o velho em um primeiro instante, a garota criou coragem para perguntar:

—Tio, e ali, o que tem? – questionou enquanto apontava a direção com a cabeça.

Talvez por causa da bebida, talvez pela falta de costume de ouvir a menina dirigindo-lhe a palavra, Maneco demorou alguns instantes para perceber que era com ele que ela falava.

—Fala ali no fim? Chamamos este de Cruzeiro. Vê, por causa da cruz. – indicou o homem.

A menina anuiu, como se recebesse uma grande revelação.

—Quem está enterrado ali deve ser muito importante. –ponderou.

—Há! Como você é burra. – gargalhou o velho, limpando os olhos com o dorso do indicador. – Venha, vou te mostrar.

Maneco esticou um braço convidando-a para tomar a dianteira. Natália não gostava de seu sorriso. Caminharam alguns metros, ela a frente, a respiração dele atrás. Pouco a pouco, a grande cruz azulada crescia às sombras dos ipês. Chutando as florzinhas amarelas, a menina chegou aos degraus do monumento.

—Ó ali, as velas. – apontou asperamente o velho.

Em uma grade abaixo dos degraus, uma grelha de ferro se perdia em meio a parafina. Feito dedos esqueléticos fugindo do chão, algumas velas remanesciam tortuosas exibindo sua vitória em um pavio apagado.

—Acendem pros mortos. Não os próximos, os de longe. Pra aqueles que ‘tão embaixo doutras terra. As orações daqui partem feito raio pra qualquer canto. É o que dizem.

Impressionada, a menina olha para o Cruzeiro com cerimônia, contornando-o com passos lentos. Sentia beirando o sagrado. Súbito, como se algo profano saltasse nas esferas celestes, ela assustou-se com uma figura tortuosa apoiada sobre os degraus da base. Era uma imagem de gesso quebrada.

—Tio, e isso? – perguntou temerosa enquanto se afastava.

—Ah, chegou uns novos. – disse enquanto pegava a imagem e a rodava entre mãos- Tudo santo. As pessoas deixam aqui imagens lascadas, quebradas ou que não queiram mais por medo da heresia que seria jogá-las no lixo. A ira divina chega contra aqueles que fazem desfeita com os seus. Esse santo Antônio deve ter chego essa semana.

—E aquele? – apontou a menina, surpreendendo-se agora por ver que grande parte dos degraus estava forrados com as imagens.

—Aquele? São Francisco? Não sei. É, é. São Francisco, certeza. E ali, com o menino, é Santo Antonio. Está sem a cabeça, mas é fácil reconhecer. Tua mãe costumava desgarrar santíssimo do outro para chantageá-lo a arrumar homem, há!há! Agora chega disso. Vamos, ainda tem placa mortuária para arear.

Natália já virava as costas para a cruz quando sentiu uma presença pesar-lhe sobre a nuca. Diria serem olhos cravados sobre ela, mas o que ela viu depois não tinha olhos. Esquecido próximo ao chão, uma figura envolta em túnica mirava seu rosto sem feições para a menina. Tendo seus traços sido varridos pelo tempo, o que fora um santo em tempos passados agora era uma imagem desumanizada que parecia zombar do sagrado. Um frio gelou a espinha da menina enquanto ela o olhava.

—Tio, e esse, quem é?

O velho virou-se impaciente e olhou para a figura. Por um momento, sentiu do mesmo desconforto que a sobrinha. Contrariado pela situação, deu um gole de sua bebida e arrastou-se para perto da menina. Pouco a pouco, ajoelhou-se em sua frente e deixou seu hálito etílico roçar-lhe o rosto enquanto pousava as mãos em seus ombros.

—Um santo qualquer, que importa? E para que eu iria querer saber? Ou é ele quem irá terminar a limpeza? Sua mãe já não me manda dinheiro tem um mês. Melhor fazer valer o que anda comendo, menina.

*

Já era noite corrida, mas Natália não conseguia pegar no sono. Revirava em seu colchão enquanto a imagem do santo sem nome povoava seus pensamentos. Como acontecia em tantas noites, encontrava-se sozinha em casa. Sabia que o tio apenas apareceria na manhã seguinte, bêbado demais para importar-se com a maioria das coisas e pronto para bater, com o restante delas. Impaciente, levantou-se do chão e sentou-se próxima a janela. A noite seguia limpa, e o firmamento parecia desnudo, exibindo-se em constelações e nebulosas. Do cemitério, nenhum ruído, apenas a paz aparente dos mortos. Foi então que um brilho azul cortou ao longe. Natália saltou de sua cadeira. O bruxulear azulado corria pelos corredores da necrópole. Parecia um convite, e a ela o aceitou.

Após sair da casa, Natália ouvia seus passos ecoando pelo chão de cimento tantas vezes refeito por conta de covas novas. Uma canção mais profunda, porém, aparecia em um crescente. Agora, era o seu nome que ela ouvia. Um sussurro suave soprado pelo vento. Da copa das árvores, canções alegres falavam sobre a noite e as fadas. E as vozes prosseguiam.

“Venha! Conosco não há dor. Não há perca e nem abandono. Pra quê ser sofredor, se aqui quem chega já não pensa em retorno?”

A chama corria serpenteava entre as tumbas, e Natália a seguia com a felicidade de quem brinca entre amigos. Gargalhava, como há muito não fazia. Foi então que, em um sopro frio, fez-se silêncio. A chama azul apagara-se.

Ao longe, uma figura encapada seguia em passos lentos e compassados, marcado por um bater de pé firme. Andava pelas encruzilhadas dobrando as sombras, as quais tomavam em mãos círios e a acompanhavam caladas pela procissão. Sem precisar olhar, Natália sabia quem ele era. Lentamente, a procissão do Santo Sem Rosto galgava os terrenos do cemitério. As suas costas, as sombras iam e vinham feito uma maré negra. Escalavam sepulturas, cobriam as paredes dos mausoléus, engoliam cruzes e anjos. Um cheiro nauseante alcançou Natália, e, estando já sem forças, apenas contribuiu para estancá-la. Havia perdido o controle de suas pernas, e sabia que não podia correr.

Pouco a pouco, a proximidade era cada vez maior. Tentou gritar, mas também viu-se sem voz. E a marcha do Santo nunca tinha fim. A menina fechou os olhos, apenas para sentir o roçar de tecido contra seu rosto. Então seu grito saiu, porém era tarde. Mãos geladas envolveram seu pescoço quebrando sua voz. Era o abraço de uma cobra. Com um impulso, arremessou o corpo da menina contra o chão, o que roubou-lhe todo o ar. Atravessando a barreira do medo, abriu os olhos. O pavor tomou conta de seu corpo quando viu aquele rosto sem traços próximo ao seu pescoço, cheirando seus cabelos. Sentia seus dedos correrem por seu corpo, como se procurassem por alguma coisa. Então veio o pior. Uma dor aguda atravessou-lhe por baixo, como sua vida estivesse sendo invadida. Pensava em sua mãe, e culpava-se por fazer isto com ela. Se agisse certo, não seria abandonada. Um calor úmido tomou-lhe as pernas, e a dor crescia como se logo fosse rompê-la. Gritaria, se pudesse. Aos poucos, sua visão embaçava. Por vezes, imaginava que o Santo tinha, de fato, um rosto, porém ele perdia-se em meio às brumas da noite. Faltava-lhe o ar. Já não respirava. Em seu pescoço, sentia o ofegar quente dos pulmões do outro, e nisto o invejava. Foi então que, atrás da figura, reencontrou a chama azulada. Estava ali o convite, ela sabia. Naquele momento, a decisão veio fácil. Fechou os olhos e entregou-se.

Já não havia mais pulsação no corpo de Natália. Pela bebida, demoraria para ele perceber. Endireitando a calça, Maneco guardou seu membro umedecido sem se importar com o sangue que se misturava ao sêmen. Também não via a chama azul que, discreta, saia do peito da menina deitada ao chão. Um fogo fátuo, que apenas na morte encontrou sua luz.

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Este conto foi escrito por Vitor Stuani, para o Desafio Literário de Setembro de 2013.

28 comentários em “Fogo Fátuo (Vitor Stuani)

  1. vitorts
    30 de setembro de 2013
    Avatar de vitorts

    Agora que já tiramos as máscaras, gostaria de agradecer a todos que se dispuseram a ler meu texto, e um agradecimento ainda maior aos que comentaram. Suas críticas e sugestões serão de grande valia.

    Apenas justificando (se é que isso merece justificativa) a falta de revisão. Fui o último enviar, tendo a petulância de atormentar o Gustavo via facebook para não perder este trem. Já havia escrito os dois primeiros parágrafos no dia anterior, e a estes dei uma atenção especial. O restante, precisei escrever em uma paulada, sem parar para olhar para atrás. Não quero ficar de lenga lenga, mas é que dá até vergonha de ver algumas coisas que me escaparam. Em tempo, pelo menos não sucumbi às abreviações de internet: o “n é?” era pra ser um “né?”, não um “não é?”. Enfim, mea culpa. 🙂

    • Gustavo Araujo
      30 de setembro de 2013
      Avatar de Gustavo Araujo

      Parabéns, meu amigo! Seu conto é mesmo sensacional. E… da próxima vez, vê se não deixa tudo para o último minuto, n é?

      • vitorts
        30 de setembro de 2013
        Avatar de vitorts

        Rá! Parece até que não me conhece.

        É lógico que vou deixar! 😀

  2. Martha Angelo
    29 de setembro de 2013
    Avatar de Martha Angelo

    Excelente! Não há muito o que dizer mais.,assino embaixo dos elogios tecidos nos outros comentários. Um dos melhores textos deste concurso, sem dúvida!

  3. Fernando Abreu
    28 de setembro de 2013
    Avatar de Fernando Abreu

    Li duas vezes o texto. Não há muito o que falar, a não ser que está muito, mas muito bom mesmo. Me sinto até mal de apenas elencar coisas, análises nunca foram o meu forte. Mas existem os personagens bem construídos (os diálogos parecem realmente de pessoas negras), o cenário que faz um misto da tristeza do cemitério com a esperança que envolve a garota e o elemento fantástico, incluindo as luzes azuis que “bruxuleiam” (que verbo bonito) pelo céu e o ser de face abstrata. Já li todos os textos e esse está entre os meus dois preferidos.

  4. Arlete Hamerski
    28 de setembro de 2013
    Avatar de Arlete Hamerski

    É um texto longo, com muitas descrições, mas a história é muito boa.

  5. Diogo Bernadelli
    28 de setembro de 2013
    Avatar de Diogo Bernadelli

    Forte e cru. Um dos mais bem escritos e maduros. Naturalmente não se vê imune aos erros, alguns dos quais seriam eliminados se a revisão do autor dispusesse de mais um decantador. Ao contrário de José Geraldo, não enxerguei subsídios que os qualificassem como uma manobra consciente. Tais errinhos, por outro lado, não diminuem o valor da obra.

    … Previsível de certo ponto em diante, ok. Mas saber que lhe darão uma paulada nas costas não diminui o estrago do impacto. Parabéns ao autor, que deixou suas digitais por todo lado, hahaha!

  6. Leandro Barreiros
    26 de setembro de 2013
    Avatar de Leandro Barreiros

    Um conto muito bem escrito. Pela forma como o texto foi apresentado suponho que o autor tenha uma boa bagagem.

    Pelos cuidados nas descrições pensei que o autor seria o J.G.G., mas parece que me enganei.

    Os diálogos estão invejáveis, bem como as já mencionadas descrições.

    Boa sorte no desafio.
    Parabéns.

  7. Maria Inês Menezes
    26 de setembro de 2013
    Avatar de Maria Inês Menezes

    Conto muito bom, bem escrito e enredo ótimo! Meio aterrorizantem talvez, mas de uma realidade crua. Gostei

  8. Marjory Tolentino
    25 de setembro de 2013
    Avatar de Marjory Tolentino

    O autor escreve muito bem, gosto da forma que lida com as palavras. A narrativa esta deliciosa e acabei por criar um caso de amor e ódio com este conto. não me sinto confortável com a angustia quando ela deixa os muros do fantástico e vem passear aqui na realidade. Isso remete ao um desconforto desnecessário, mas pode ser esta a intenção do autor. Também achei muito previsível. Não apenas o final mas toda a história.

  9. Rubem Cabral
    25 de setembro de 2013
    Avatar de Rubem Cabral

    Gostei muito do conto; bons diálogos, personagens críveis, belas descrições. O final horrível caiu feito uma lápide pesada.
    Enfim: muito bom.

  10. Thais Lemes Pereira (@ThataLPereira)
    25 de setembro de 2013
    Avatar de Thais Lemes Pereira (@ThataLPereira)

    Eu não costumo ler esse tipo de conto. Por ser mulher e nova ( tenho vinte anos), eles me incomodam – quem sabe por falta de um pouco mais de maturidade. Mas o modo como foi escrito amortizou todo impacto que causaria em mim. Excelente!

    • Felipe Holloway
      25 de setembro de 2013
      Avatar de Felipe Holloway

      Eu estava chutando que VOCÊ fosse a autora deste conto, Thais. Droga, perdi o bolão. =(

      • Thata Pereira
        30 de setembro de 2013
        Avatar de Thata Pereira

        Eu nunca conseguiria escrever nessa linha! (rs’) talvez, algo que eu precise amadurecer. Mas é um excelente conto, fico até honrada de ter pensado que eu escrevi. ^^

  11. Inês Montenegro
    25 de setembro de 2013
    Avatar de Inês Montenegro

    Com excepção de uma ou outra falha (“n é?”), a escrita é boa, tem excelentes descrições, e, junto com o ritmo, contextualiza muito bem as personagens e o ambiente.
    Ao longo da leitura, fui gostando mais da realidade utilizada a favor do texto do que do cariz fantástico – embora a ideia da “campa” dos ídolos religiosos seja excelente, e algo que sem dúvida merece ser aprofundado -, o que levou a que, apesar de o ter adivinhado com bastante antecedência, tenha também apreciado o final.

  12. Sandra
    24 de setembro de 2013
    Avatar de Sandra

    Até agora, o melhor que li. Descrições primorosas, puxa! Como mencionou o Feliper: uma aula. O final forte, impactante, é suavizado pela escrita muito bem conduzida.

  13. Bia Machado
    23 de setembro de 2013
    Avatar de Bia Machado

    Caramba, perfeito. Só posso dizer isso. Obrigada pelos momentos de ótima leitura. Parece que a gente espera pelo final que foi dado, ainda assim… Perfeito!

  14. Emerson Braga
    23 de setembro de 2013
    Avatar de Emerson Braga

    Tema espinhoso, mas escrito de maneira corajosa e responsável. gostei!

  15. José Geraldo Gouvea (@jggouvea)
    22 de setembro de 2013
    Avatar de José Geraldo Gouvea (@jggouvea)

    Acho que já encontrei um dos meus candidatos… heheh.

    Este é um conto do jeito que eu gosto: não recorre ao sobrenatural como mecanismo fácil para compensar a falta de imaginação do autor (sim, tem gente que acha que é criativo usar um cenário fantástico). A história não nos transporta a um universo diferente, a um mundo de fantasia, mas a uma fantasia dentro do mundo, dentro da cabeça de um personagem. O narrador não onisciente em terceira pessoa reflete muito bem as limitações da percepção da narradora menina.

    Há várias palavras no conto que são escritas em desacordo com a norma culta (como “perca” em vez de “perda” e “chego” em vez de “chegado”). Algumas destas ocorrências não estão na fala do personagem, mas na intervenção do narrador. Pelo domínio que o autor demonstra em relação à língua, fica evidente que estes não são deslizes, mas recursos calculados para aproximar o narrador do nível cultural (baixíssimo) dos próprios personagens. E isso é um recurso competentíssimo.

    Enfim, um conto maduro, seguro, bem construído e cujos defeitos são fáceis de ignorar. Com certeza vai ficar entre os cinco, e acredito, inclusive, que terá mais pontos que o meu.

  16. feliper.
    20 de setembro de 2013
    Avatar de Rodrigues

    Ótimo conto. Uma aula de descrições e paciência para situar os personagens em um ambiente de beleza e decadência. A fragilidade da garota em meio à necrópole contraposta à brutalidade do tio torna este conto uma crítica atemporal. Lerei novamente.

  17. Reury Bacurau
    20 de setembro de 2013
    Avatar de Reury Bacurau

    Uma história bem triste contada de forma magistral. Muito bom!

  18. lu261292
    20 de setembro de 2013
    Avatar de lu261292

    Triste, porém cativante. Envolvente ao ponto de se sentir tristeza pela doce menina. parabéns !

  19. Claudia Roberta Angst
    20 de setembro de 2013
    Avatar de Claudia Roberta Angst

    História cativante narrada de forma quase poética mesmo tratando de assunto tão difícil e duro. Muito bem escrito com os diálogos agilizando a narrativa. Parabéns.

  20. Marcelo Porto
    20 de setembro de 2013
    Avatar de Marcelo Porto

    Cruento. Esse é o resumo deste conto.

    No inicio achei que seria mais uma narrativa de fantasma, mas à medida que evolui percebi ser algo mais. E é muito mais.

    Impactante e inesperado.

    Tecnicamente precisa de alguns ajustes e talvez pequenas concisões aqui e ali, mas a história é excelente.

  21. Gustavo Araujo
    20 de setembro de 2013
    Avatar de Gustavo Araujo

    Há certos parágrafos neste conto, certas descrições, que se situam em um nível próximo da perfeição – pelo menos para o meu gosto. A história é cativante – não há como não se afeiçoar a Natália, torcer por ela. E não há como não sentir uma repugnância tremenda ao ler o desfecho. Triste, porém verossímil. É lírico, belo e desconfortável. Fruto de uma mente magnificamente perturbada – no melhor sentido da expressão.

  22. selma
    20 de setembro de 2013
    Avatar de selma

    bem escrito, envolvente, uma triste realidade. gostei muito! parabens.

  23. marcopiscies
    20 de setembro de 2013
    Avatar de marcopiscies

    Um conto corajoso, eu diria. Um tema desconfortável mas… não dizem muitos autores que um conto tem que causar desconforto mesmo?

    A escrita é excelente. Consegui avistar apenas alguns erros menores, mas nada de pesado. Só achei os parágrafos um pouco extensos.

    Parabéns!

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Publicado às 20 de setembro de 2013 por em Cemitérios e marcado .