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Detox Literário.

O Diário de Anne Frank – Resenha (Gustavo Araujo)

Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”. A frase é conhecida. Está no “Pequeno Príncipe”, de Saint-Exupèry mas se aplica bem a Anne Frank.  Dizer que sua história é mundialmente conhecida é soar óbvio demais. 

De fato, poucas pessoas no mundo não ouviram falar na menina judia que por mais de dois anos se escondeu com a família da perseguição nazista, até todos serem apanhados e mandados aos campos de concentração.

O desfecho trágico, tornado público anos depois, fez do relato que Anne manteve durante o tempo passado no Anexo Secreto algo cativante, tornando-a especial para muitas gerações de leitores.

Não é exagerado dizer que qualquer pessoa que se depara com o famoso “Diário” se sente, de certa forma, cúmplice dos sentimentos de Anne, quase um confidente, responsável até pela segurança de todos no anexo secreto.

Traduzir em palavras essa cumplicidade é um desafio enorme, mas uma visita ao Museu Anne Frank, em Amsterdã, pode ajudar a compreender a verdadeira dimensão dos fatos, mesmo depois de quase setenta anos.

No endereço mais famoso de Amsterdã, ergue-se esse lugar incrível, que mistura como nenhum outro tristeza, assombro, admiração, inocência e abnegação.

Já estive em locais marcantes nesse mesmo aspecto, como o campo de concentração de Auschwitz e no museu de Hiroshima, sempre tentando compreender o que nos transforma de seres humanos normais em monstros. Tanto um como outro são impossíveis de esquecer, tal a força com que nos arrebatam.

Mas o Museu Anne Frank supera tudo. Das paredes do anexo secreto a brota a essência do que é feito é ser humano, para o bem e para o mal.

***


A história pode ser contada de muitas maneiras, mas, em linhas gerais, dá para começar dizendo que na segunda metade dos anos 1930, Otto Frank, um próspero comerciante alemão, de origem judaica, decidiu mudar da Alemanha para a Holanda, levando consigo sua família: a esposa Edith e as filhas Margot e Anne. A ideia era escapar das perseguições do governo nazista aos judeus que se tornava pior a cada dia em terras germânicas.

Instalado em Amsterdã, Otto abriu uma firma do ramo de alimentos, chamada Opekta. Os negócios iam muito bem até que com a escalada da Segunda Guerra, a Alemanha invadiu a Holanda e o país passou a ser vítima da mesma política antissemita. Como resultado, os judeus não poderiam mais gerir negócios, frequentar praias, divertir-se ou ir à escola com não judeus. Mais do que isso, passaram a ser recrutados à força para campos de trabalho na Alemanha.

Em 1942, quando Margot, então com 16 anos, recebeu uma intimação para se apresentar às autoridades, Otto Frank decidiu pôr em prática um plano que vinha elaborando havia alguns meses, com a ajuda de quatro funcionários de sua firma, Johannes Kleiman, Bep Voskuijl, Miep Gies e Victor Kugler: esconder sua família da perseguição dos alemães nos fundos da propriedade em que a empresa funcionava, no endereço Prinsengracht, 263.

Em 6 de julho toda a família se mudou para o esconderijo. Anne, a caçula, estava então com 13 anos de idade. Havia ganhado um diário como presente de aniversário, em 12 de junho, e descreveu toda tensão da fuga.

Nós quatro vestíamos tantas camadas de roupas que até parecia que passaríamos a noite numa geladeira, mas a ideia era levar mais roupas. Nenhum judeu em nossa situação ousaria sair de casa com uma mala cheia.

Alguns dias mais tarde, outras pessoas chegam para se esconder: a família Van Pels, composta por Hermann, Auguste e seu filho Peter, de quinze anos. Outros dias se passam e chega, por fim, o último integrante, o dentista Fritz Pfeffer, amigo da família Frank.

Anne retrata o dia a dia no esconderijo de forma sincera, como quem usa o diário para confessar seus medos, esperanças e apreensões. Durante o dia, enquanto a Opekta – agora sob o nome de Gies e Co. – funciona, todos devem permanecer em absoluto silêncio. Apenas à noite e durante os fins de semana é que podem relaxar um pouco.

O medo de serem descobertos pelas autoridades e o que aconteceria depois disso era constante, como se percebe em inúmeras passagens do Diário.

Não poder sair me deixa mais chateada do que posso dizer, e me sinto aterrorizada com a possibilidade de nosso esconderijo ser descoberto e sermos mortos a tiros.

28.09.1942

Nossos muitos amigos e conhecidos judeus estão sendo levados aos montes. A Gestapo está tratando todos eles muito mal e transportando-os em vagões de gado para Westerbork, o grande campo em Drenthe, para onde estão mandando todos os judeus. Miep falou de alguém que conseguiu escapar de lá. Deve ser terrível em Westerbork. As pessoas não têm praticamente nada para comer e menos ainda para beber, já que só existe água uma hora por dia, e há somente um banheiro e uma pia para vários milhares de pessoas. Homens e mulheres vivem no mesmo cômodo, e as mulheres e as crianças costumam ter as cabeças raspadas.

09.10.42


Também a admiração pela coragem dos funcionários que os ajudavam era frequente.

É espantoso o que fazem essas pessoas generosas e despaegadas, arriscando a própria vida para salvar a dos outros. (…) Nunca disseram uma palavra sobre o fardo que devemos representar para eles, nunca reclamaram dizendo que causamos problemas demais. (…) Estampam no rosto as expressões mais alegres, trazem flores e presentes nos aniversários e nos feriados e estão sempre prontos para fazer tudo o que podem.

28.01.44

Mas o mais interessante é perceber como Anne cresce como pessoa, mesmo no espaço confinado do Anexo Secreto, durante o tempo em que lá permanece. As passagens inicialmente ingênuas dão lugar a argumentações filosóficas e questionamentos complexos, que envolvem temas como amor, intolerância, guerra, esperança e medo.

Sempre que vem alguém de fora, com o vento nas roupas e o frio nas bochechas, sinto vontade de enterrar a cabeça debaixo dos cobertores para não pensar: “Quando será que poderemosrespirar ar puro de novo? Não posso fazer isso – pelo contrário, tenho de manter a cabeça erguida e ver as coisas de modo corajoso, mas os pensamentos voltam assim mesmo. Não apenas uma vez, mas sempre e sempre.””

24.12.43

A certa altura, em um vislumbre então improvável de seu futuro, Anne escreve:

Há muito tempo você sabe que meu maior desejo é ser jornalista, e mais tarde uma escritora famosa. Teremos de esperar para ver se essas grandes ilusões (ou desilusões) irão se cumprir, mas até agora não sinto falta de assunto. De qualquer modo, depois da guerra, eu gostaria de publicar um livro chamado O Anexo Secreto. Resta saber se conseguirei, mas meu diário pode servir de base”.

11.05.44

Em diversas oportunidades é possível observar os conflitos de Anne com a mãe, principalmente, mas também com Auguste van Pels e Fritz Pfeffer. Por outro lado, é surpreendente a admiração incondicional que Anne tinha pelo pai.

Estou explodindo de raiva, mas não posso demonstrar. Gostaria de gritar, bater os pés, dar uma boa sacudida em mamãe, chorar e não sei o quê mais por causas das palavras horríveis, olhares de ironia e das acusações que ela me faz dia após dia.

30.01.43

Ainda, mesmo em um espaço tão exíguo, houve tempo para que ela descobrisse o amor e a cumplicidade junto a Peter van Pels.

Vejo minha vida até o Ano-Novo de 1944 como se estivesse olhando através de uma lente poderosa. Quando estava em casa, minha vida era cheia de sol. Depois, no meio de 1942, tudo mudou da noite para o dia. As brigas, as acusações… Não podia me adaptar a elas. Fui apanhada desprevenida, e o único jeito de manter a individualidade era contra-atacar. (…). Virei uma adolescente, e fui tratada como uma pessoa mais crescida. Comecei a pensar em coisas e em escrever histórias ; finalmente percebi que os outros nada tinham a ver comigo. (…). Depois do Ano-Novo, aconteceu a segunda grande mudança: meu sonho, graças ao qual descobri que desejava… um rapaz; não uma amiga, mas um namorado. Também descobri uma felicidade interior, abaixo do meu exterior superficial e alegre. De vez em quando eu ficava quieta. Agora só vivo para Peter, porque o que vai me acontecer no futuro depende principalmente dele.

7.3.44

Tudo isso é traduzido de forma absolutamente comovente, como se escutássemos os detalhes de um segredo narrado por alguém  muito, muito próximo.

E, se eu não tiver nenhum talento para escrever livros ou artigos de jornal, bom, sempre posso escrever para mim mesma. Mas quero conseguir mais que isso. Não consigo me imaginar vivendo como mamãe e, a Sra van Daan e todas as mulheres que fazem o seu trabalho e depois são esquecidas. Preciso ter alguma coisa além de um marido e filhos aos quais me dedicar! (…) Quero continuar vivendo depois da morte! E é por isso que agradeço tanto a Deus por ter me dado esse dom, que posso usar para me desenvolver e para expressar tudo o que existe dentro de mim! Quando escrevo, consigo afastar todas as preocupações. Minha tristeza desaparece, meu ânimo renasce! Mas – e esta é a grande questão – será que conseguirei escrever alguma coisa importante, será que me tornarei jornalista ou escritora? Espero, ah, espero muito, porque escrever me permite registrar tudo, todos os meus pensamentos, meus ideias e minhas fantasias.

5.4.1944

Em 4 de agosto de 1944, o esconderijo foi descoberto. Alguém cuja identidade permanece desconhecida até hoje denunciou o lugar às autoridades. Johanes Kleiman e Victor Kugler foram presos. Os Frank, Os van Pels e Fritz Pfeffer terminaram transferidos para um campo de concentração de Westerbork e, cerca de um mês depois, para Auschwitz, na Polônia.

Na chegada, todos passaram pela triagem de médicos do campo. Herman van Pels foi considerado incapaz para o trabalho e imediatamente mandado para a câmara de gás.

Em outubro, Fritz Pfeffer foi enviado para o campo de concentração de Neungamme, onde morreria de exaustão em dezembro de 1944.

Em janeiro de 1945, Peter van Pels foi transferido de Auschwitz para Mauthausen, numa jornada de 600km. O jovem morreria nesse local em maio de 1945, dias antes da liberação do campo.

Ainda em janeiro de 1945, Margot e Anne deixaram Auschwitz e foram enviadas para Bergen Belsen. Auguste van Pels seguiu para o mesmo destino logo após. Incapaz de suportar a separação de suas filhas, Edith Hollander morreu logo em seguida, de exaustão e fome.

Auschwitz foi liberado por tropas soviéticas em janeiro de 1945. Entre os sobreviventes libertados estava Otto Frank, que desconhecia totalmente o destino de sua família e amigos.

Em fevereiro de 1945, Auguste van Pels foi transferida de Bergen Belsen para Buchenwald, onde morreria alguns meses mais tarde.

Em março de 1945, devido às péssimas condições do campo de Bergen-Belsen, Margot sucumbiu ao tifo. Anne seguiu a mesma sorte, logo depois.

Jane Brilleslijper, outra prisioneira testemunhou os últimos momentos das irmãs Frank:

Em um instante, Anne parou diante de mim, embrulhada em um cobertor. Ela não tinha mais lágrimas. Aliás, nenhuma de nós as tinha havia muito tempo. Ela disse que estava sofrendo muito com piolhos e pulgas e que havia jogado fora todas as suas roupas. Era o auge do inverno e ela estava embrulhada em um cobertor. Então eu reuni tudo o que pude encontrar para que ela pudesse se vestir novamente.

Sobre o momento derradeiro, Brilleslijper disse:

Primeiro Margot caiu da cama sobre o piso de pedra. Ela não conseguia mais levantar. Anne morreu um dia depois.

O campo seria liberado por tropas britânicas cerca de três semanas mais tarde.

Quando Otto Frank conseguiu voltar a Amsterdã, recebeu de Miep Gies o diário de Anne, que ela havia recuperado logo depois que o Anexo Secreto fora descoberto.

De todo modo, ele procurou descobrir a qualquer custo se suas filhas estavam vivas. Colocou anuncios em jornais e escreveu cartas a inúmeras pessoas e organizações, como a Cruz Vermelha. Também conversou com sobreviventes de diversos campos de concentração. Até que encontrou Jane Brilleslijper. Diria ele tempos depois:

Pequenos grupos continuavam retornando de campos de concentração e por diversas vezes eu tentei descobrir se eles sabiam alguma coisa sobre Margot e Anne. Finalmente, encontrei duas irmãs que tinham estado com elas em Bergen Belsen. Elas me contaram sobre os últimos e miseráveis dias, e sobre a morte de minhas crianças.

Levou alguns meses até que Otto começasse a se recuperar  da dor e tivesse coragem de ler, pouco a pouco, o que sua filha mais nova escrevera. E a surpresa foi enorme:

Comecei a ler devagar, poucas páginas por dia, que era tudo o que conseguia. Fui inundado com lembranças dolorosas. Uma Anne que era bem diferente da filha que eu perdera aparecia diante de mim. Sentimentos e pensamentos tão profundos – eu nunca tive ideia. Que Anne havia se envolvido tão profundamente na questão e no significado do sofrimento dos Judeus através dos séculos, que ela colocou tanta energia em sua fé em Deus, tomou-me completamente de surpresa. Como eu poderia ter sabido que a castanheira era tão importante para ela, quando ela jamais demonstrara qualquer interesse na natureza? Ela manteve todos esses sentimentos para si.

Amigos e familiares sugeriram a Otto que publicasse o diário. No início, ele relutou, mas acabou cedendo ao perceber que assim estaria, de alguma forma, atendendo ao desejo de Anne.

Quando o historiador holandês Jan Romain escreveu um artigo sobre o diário, intitulado “Kinderstem” – A Voz de Uma Criança –, no jornal Het Parool, o mundo começou a descobrir Anne Frank.

Editoras se aproximaram de Otto Frank, desejosas de publicar os escritos de sua filha, o que acabou acontecendo em 1947. Logo surgiram traduções para o inglês e para o Alemão. Em pouco tempo, o livro tornou-se um bestseller, seguindo-se adaptações para o teatro e para o cinema.

O legado de Anne estava firmado. Em 1960 o museu foi aberto, pois todos os que liam o diário quedavam-se desejosos de conhecer o anexo secreto, de alguma forma, aproximar-se de Anne e compreender melhor seus desejos e anseios. De lá para cá, Anne Frank tornou-se um mito, uma das pessoas mais influentes e conhecidas na literatura e na história recente do mundo.

As filas enormes que se formam no museu, trazendo mais de um milhão de visitantes por ano, são a prova cabal disso. A dica, a propósito, é agendar pela internet.

Dos corredores apertados e escadas íngremes do museu é quase possível recitar o diário de memória.

Na parte da frente, onde funcionavam os escritórios da Opekta, o visitante é levado a conhecer o contexto histórico, os personagens, objetos, fotos e cartazes da época – é, de fato, um museu por excelência.

Mas é atrás, após a falsa estante de livros montada por Johannes Kleiman, que é possível voltar no tempo e sentir-se como um dos membros da família.

Mesmo com a enorme quantidade de pessoas que visitam o anexo, formando uma fila que se move lentamente, dá para ter uma ideia da atmosfera opressora que envolveu aqueles que ali se refugiaram.

Embora o local esteja completamente vazio de móveis, é como se pudesse ouvir os sussurros.

A todo o tempo, eu imaginava: “ela estava aqui… ali… subiu esta escada… talvez tenha sentado sob a janela para pensar…”

Nas paredes, gravuras recortadas de revistas, com rostos famosos da época traduzem a intenção singela de Anne e Margot em deixar o ambiente mais alegre – eram apenas meninas, afinal.

Pequenos riscos horizontais, próximos à porta de um dos cômodos, feitos por Otto Frank, informam o crescimento das duas durante o período em que estiveram ali escondidas.

Havia vida ali, apesar de tudo.

Sem muito esforço, dá para ver os fantasmas, os pais de Anne caminhando com cuidado de um lado para o outro. Os van Pels discutindo, Peter sozinho no sótão. Margot lendo e Anne, claro, escrevendo.

Fora do anexo, a visita termina em um salão com alguns painéis que indicam o destino de cada qual dos personagens, com diversas fotos de campos de concentração e imagens da intolerância nazista.

Impossível não se impressionar, mesmo já tendo visto fotos e filmes a respeito.

Hoje em dia, é evidente a influência que Anne Frank teve e ainda tem em todo o mundo na divulgação das atrocidades cometidas pelos alemães na Segunda Guerra Mundial. É, sem sombra de dúvida, a maior representante de todas as vítimas da opressão nazista.

As palavras de Anne ainda irão marcar inúmeras gerações que poderão conhecer, sob sua ótica, um dos capítulos mais infames da história da humanidade.

Otto Frank costumava dizer que a história deve ser recontada para que não se repita.

Ao fim da vida, já com noventa anos, ele pôde perceber como o diário de Anne ajudou o mundo a se tornar um lugar melhor.

Mas eu não tenho qualquer dúvida de que ele trocaria tudo isso pela chance de nunca terem sido descobertos, pela chance de ter visto sua pequena menina crescer e ser feliz.

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P.S. Para quem quiser saber mais – há muito mais – deixo aqui a dica óbvia da leitura do “Diário de Anne Frank”, em sua edição definitiva. Sugiro também a visita virtual a espetacular site do Museu (www.annefrank.org) e, também, a página de Anne Frank na Wikipedia, em inglês (http://en.wikipedia.org/wiki/Anne_frank).

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2 comentários em “O Diário de Anne Frank – Resenha (Gustavo Araujo)

  1. Brian Oliveira Lancaster
    9 de dezembro de 2015

    Não tinha visto essa resenha ainda. É ótimo descobrir novas referências literárias (e tão importantes historicamente) como essa. Nos faz refletir e sair um pouco do lugar-comum, assimilando o contexto ao nosso dia a dia e por que não, na escrita, mesmo que parte de entretenimento intelectual.

  2. Renata
    14 de agosto de 2015

    Sensacional!!

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Publicado às 2 de outubro de 2011 por em Resenhas e marcado , , .