EntreContos

Detox Literário.

O Jardim de Luce – Conto (Bebel Souza)

Um conto-jogo em dezoito linhas

Comece pela Linha 1.
Leia somente a linha indicada pelo texto. Quando encontrar uma instrução, siga-a. Não leia as outras linhas. Há caminhos diferentes, mas todos conduzem ao mesmo jardim.

LINHA 1

Havia em Florença uma mulher chamada Luce, dotada de espírito tão vivo que muitos homens saíam de sua companhia desejando ter permanecido em silêncio, e de uma boca tão graciosa que outros esqueciam, diante dela, todas as razões que tinham para permanecer sensatos.

Não era casada. Já lhe haviam oferecido maridos em quantidade suficiente para organizar uma pequena procissão de arrependidos. Luce recusava todos.

Dizia que o casamento era excelente para quem desejava transformar o desejo em obrigação e a obrigação em hábito.

Certa manhã recebeu uma carta.

Não havia selo.

Não havia assinatura.

Havia apenas estas palavras:

Venha ao jardim depois da meia-noite.
Traga aquilo que não ousa confessar.

Luce leu.

Riu.

Guardou a carta no corpete.

E foi.

Se Luce decide ir imediatamente para o jardim, vá para a LINHA 3.
Se primeiro quiser descobrir quem escreveu a carta, vá para a LINHA 2.

LINHA 2

Durante o resto do dia, Luce perguntou a si mesma quem poderia ter escrito a carta.

Pensou em três homens.

O primeiro era casado.

O segundo era poeta.

O terceiro era muito bonito.

Considerou que os três eram suspeitos, mas por razões diferentes.

À noite, porém, decidiu que investigar o autor seria uma ocupação demasiadamente séria para uma mulher que havia recebido um convite tão interessante.

Vestiu-se.

Soltou os cabelos.

Colocou uma pequena faca na liga.

Não porque esperasse perigo.

Porque aprendera que uma mulher prudente nunca deveria sair de casa sem alguma coisa capaz de cortar uma conversa.

À meia-noite, partiu.

Vá para a LINHA 3.

LINHA 3

O jardim ficava no fim de uma rua que Luce jurava não existir durante o dia.

Havia um muro coberto de hera.

Um portão de ferro.

E, além dele, uma casa antiga, iluminada por dentro.

Luce entrou.

Não bateu.

Nunca vira motivo para pedir licença a uma casa.

No salão havia uma mesa.

Sobre a mesa havia um relógio aberto.

Dentro do relógio havia carne viva.

A carne pulsava.

Cada pulsação fazia as velas vacilarem.

Luce aproximou o rosto.

– Meu Deus.

O relógio pulsou outra vez.

– Se for Deus – disse ela -, espero que tenha uma explicação melhor.

Uma voz respondeu atrás dela:

– Talvez ele esteja ocupado.

Luce virou-se.

Se ela responder imediatamente ao homem, vá para a LINHA 4.
Se fingir que não o ouviu, vá para a LINHA 5.

LINHA 4

O homem estava encostado à porta.

Chamava-se Matteo.

Era jovem, elegante e tinha o péssimo costume de saber disso.

Luce olhou para ele dos sapatos ao rosto.

– Você é o dono da casa?

– Não.

– Então estamos começando mal.

– Meu nome é Matteo.

– Eu não perguntei.

Ele sorriu.

– Eu sei.

Luce gostou daquele sorriso contra a própria vontade.

Isso a irritou.

Gostava pouco de homens que lhe despertavam curiosidade antes de despertarem confiança.

– Foi você quem escreveu a carta?

– Talvez.

– Uma resposta covarde.

– Uma resposta prudente.

– Homens prudentes raramente escrevem cartas convidando mulheres desconhecidas para jardins à meia-noite.

Matteo aproximou-se.

– E mulheres prudentes raramente aceitam.

Luce ergueu uma sobrancelha.

– Eu não disse que era prudente.

Vá para a LINHA 6.

LINHA 5

Luce decidiu não responder.

Era uma estratégia antiga e eficiente.

Homens suportam muitas coisas, mas têm dificuldade diante do silêncio de uma mulher que sabem estar ouvindo.

Matteo aproximou-se.

– Vai fingir que não me ouviu?

– Já estou fingindo.

– Está funcionando?

– Não.

Ele riu.

Luce também.

Então percebeu que sorria.

Isso era perigoso.

Ela colocou a mão sobre a mesa.

O relógio apertou seus dedos.

– Ah!

Puxou a mão.

Matteo segurou seu pulso.

Não para prendê-la.

Para examiná-lo.

– Ele gostou de você.

– O relógio?

– Sim.

Luce olhou para o homem.

– E você?

Matteo demorou a responder.

– Ainda estou tentando decidir.

– Decida depressa.

Vá para a LINHA 6.

LINHA 6

Sentaram-se diante do relógio.

Por algum tempo, conversaram.

Luce descobriu que Matteo escrevia versos, mas não os publicava.

– Por quê?

– Porque tenho vergonha.

– Finalmente encontrei um homem que conhece a própria limitação.

Ele riu.

– E você? O que faz?

– Evito homens que escrevem versos.

– Por quê?

– Porque costumam prometer eternidade e esquecer de pagar o jantar.

Matteo ficou sério.

– Posso pagar o jantar.

– Então talvez haja esperança.

Ele inclinou-se.

– E se eu não prometer eternidade?

Luce olhou para sua boca.

– Melhor.

– O que devo prometer?

Ela se aproximou.

– Nada.

E o beijou.

Foi um beijo breve.

O relógio bateu uma hora que não existia.

As velas se apagaram.

Quando voltaram a acender, as paredes estavam cobertas de flores.

As flores tinham olhos.

Luce observou uma delas.

– Estamos sendo julgados.

Matteo olhou para a flor.

– Por quem?

– Pelas flores.

– Então estamos perdidos.

Se Luce rir, vá para a LINHA 7.
Se ela ficar séria, vá para a LINHA 8.

LINHA 7

Luce riu.

Riu tanto que precisou sentar.

Matteo sentou ao lado dela.

– Nunca vi uma mulher rir depois de ser observada por flores.

– Nunca fui observada por flores.

– Talvez seja uma experiência rara.

– Há muitas coisas raras nesta casa.

– Inclusive eu?

Luce virou o rosto.

– Ainda não decidi.

– Você gosta de dizer isso.

– Gosto de manter os homens inquietos.

– E funciona?

Ela olhou para ele.

– Você está inquieto?

Matteo não respondeu.

Luce sorriu.

– Então funciona.

Vá para a LINHA 9.

LINHA 8

Luce ficou séria.

– Não gosto de ser observada.

Matteo aproximou-se.

– Posso mandar as flores embora.

– Pode?

– Não.

Ela riu.

– Então não prometa.

– Posso fazer outra coisa.

– O quê?

Ele segurou sua mão.

– Ficar entre você e elas.

Luce olhou para ele.

Desta vez não fez piada.

Aproximou-se.

O beijo veio devagar.

Quando terminou, uma das flores fechou as pétalas.

Luce sorriu.

– Pelo menos uma delas teve educação.

Vá para a LINHA 9.

LINHA 9

Os dois caminharam pela casa.

Passaram pela cozinha.

Havia vinho, pão, frutas e uma mesa preparada para duas pessoas.

– A casa esperava por nós – disse Matteo.

– Ou espera qualquer pessoa que saiba abrir uma garrafa.

Ele serviu o vinho.

Depois passaram pela biblioteca.

Os livros se abriam sozinhos quando Luce entrava.

Um deles caiu diante dela.

Todas as páginas estavam em branco.

– Este é o livro mais honesto que já encontrei.

Matteo pegou o volume.

– Talvez esteja esperando uma história.

– Então é melhor não contar a nossa.

– Por quê?

Luce fechou o livro.

– Porque ninguém acreditaria.

Atrás da estante havia uma pequena porta.

Ela a abriu.

Vá para a LINHA 10.

LINHA 10

Do outro lado estava o jardim.

Era enorme.

Havia árvores carregadas de frutos de prata.

Havia roseiras envolvendo estátuas antigas.

Havia uma fonte no centro.

E sobre a água havia uma única flor branca.

Luce aproximou-se.

A flor abriu.

Dentro dela havia uma chave.

Matteo ficou atrás dela.

– Pegue.

– Você nunca sabe o que uma coisa misteriosa pode fazer?

– Não.

– Isso explica muita coisa sobre você.

Ela pegou a chave.

A casa inteira tremeu.

O relógio começou a bater.

Uma vez.

Duas.

Três.

Todas as portas se abriram.

As janelas se abriram.

As paredes começaram a desaparecer.

Luce olhou para Matteo.

— Você sabia que isso aconteceria?

– Não.

– Excelente.

Se Luce quiser fugir, vá para a LINHA 11.
Se quiser descobrir o que a chave abre, vá para a LINHA 12.

LINHA 11

Luce correu.

Matteo correu atrás.

Atravessaram o jardim.

Passaram pela fonte.

Chegaram ao portão.

O portão não existia mais.

Luce olhou para ele.

– Parabéns.

– Pelo quê?

– Você conseguiu nos prender numa casa sobrenatural.

– Tecnicamente, foi você quem pegou a chave.

– Tecnicamente, você mandou.

– Então estamos empatados.

Luce aproximou-se.

– Não gosto de empates.

– O que prefere?

Ela segurou sua gravata.

– Vantagem.

Puxou-o para perto.

Beijou-o.

A casa tremeu outra vez.

O portão reapareceu.

Luce soltou a gravata.

– Funcionou.

Matteo piscou.

– O beijo?

– O medo.

– Eu estava com medo?

– Muito.

Vá para a LINHA 13.

LINHA 12

Luce voltou-se para a fonte.

– O que esta chave abre?

Matteo olhou para a água.

– Talvez a casa inteira.

– Isso não faz sentido.

– É uma casa mágica.

– Justamente por isso deveria haver algum esforço de coerência.

Ela mergulhou a chave na água.

A fonte se abriu.

Debaixo dela havia uma porta.

A porta se abriu sozinha.

Atrás dela havia o mesmo salão onde haviam começado.

O mesmo relógio.

A mesma mesa.

A mesma carne pulsando.

Luce ficou imóvel.

– Nós já estivemos aqui.

Matteo olhou ao redor.

– Ainda não.

Ela o encarou.

– Como sabe?

– Porque o vinho ainda está cheio.

Luce olhou para a mesa.

Depois para ele.

– Você é um homem de prioridades admiráveis.

Vá para a LINHA 13.

LINHA 13

A casa finalmente desapareceu.

Restaram o jardim, a noite e os dois.

Matteo segurava a mão de Luce.

– E agora?

Ela olhou para a chave.

Depois para ele.

– Agora fazemos alguma coisa sensata.

– Finalmente.

Luce jogou a chave na fonte.

Matteo ficou horrorizado.

– Era necessário?

– Não.

– Então por quê?

– Porque queria ver sua expressão.

Ele riu.

Ela também.

Depois Matteo aproximou-se.

– Você sempre faz isso?

– O quê?

– Transforma tudo em brincadeira quando começa a sentir alguma coisa.

Luce ficou quieta.

Foi a primeira pergunta naquela noite que ela não respondeu imediatamente.

– Talvez.

– E agora?

Ela olhou para ele.

– Agora não quero brincar.

Beijou-o.

O beijo demorou.

O jardim ficou silencioso.

Até as flores fecharam os olhos.

O resto daquela noite pertenceu aos dois e, por isso mesmo, não pertence à história.

Há coisas que perdem a graça quando são contadas em voz alta.

Vá para a LINHA 14.

LINHA 14

Ao amanhecer, Luce e Matteo caminhavam pela rua.

Florença começava a despertar.

As janelas se abriam.

As carroças passavam.

As padarias recebiam o primeiro pão do dia.

Luce caminhava ao lado dele com os cabelos desfeitos e a expressão tranquila de quem não devia explicações a ninguém.

Matteo parecia satisfeito.

– Está pensando em alguma coisa? – perguntou ela.

– Estou pensando em pedir que fique comigo.

– Isso é uma proposta?

– É.

– Então vou recusar.

Ele parou.

Luce continuou andando.

Depois virou-se.

– Você não perguntou até quando.

Matteo sorriu.

– Até quando?

– Até o almoço.

– E depois?

– Depois veremos.

Vá para a LINHA 15.

LINHA 15

A notícia de que Luce passara a noite fora de casa chegou aos ouvidos de suas amigas antes do meio-dia.

Perguntaram quem era o homem.

Luce respondeu:

– Um sujeito.

Perguntaram se era bonito.

– Bastante.

Perguntaram se era rico.

– Não sei.

Perguntaram se era bom amante.

Luce tomou um gole de vinho.

– Essa pergunta não se responde antes da sobremesa.

As mulheres riram.

Uma delas perguntou:

– Vai casar?

Luce quase engasgou.

– Deus me livre.

E continuou solteira.

Mas Matteo passou a aparecer para jantar.

Depois passou a aparecer sem convite.

Depois passou a deixar livros na casa dela.

Depois Luce começou a reclamar quando ele demorava.

E foi assim que ambos descobriram que o verdadeiro perigo não estava no jardim.

Estava no hábito.

Se quiser saber o que aconteceu com Matteo, vá para a LINHA 16.
Se quiser saber o que aconteceu com Luce, vá para a LINHA 17.

LINHA 16

Matteo contou a história do jardim a três amigos.

Dois não acreditaram.

O terceiro acreditou tanto que passou três meses procurando a casa.

Encontrou apenas um muro coberto de hera.

Bateu nele.

Nada aconteceu.

Voltou no dia seguinte.

Bateu outra vez.

Uma flor caiu sobre sua cabeça.

Ele decidiu que aquilo era uma resposta.

Nunca mais falou do assunto.

Matteo, por sua vez, continuou visitando Luce.

Anos depois, quando alguém lhe perguntava o que havia acontecido naquela noite, ele respondia:

– Não sei.

E sorria.

Era a única parte da história que dizia com absoluta sinceridade.

Vá para a LINHA 18.

LINHA 17

Luce guardou a primeira carta.

Guardou também a chave.

Não porque ainda funcionasse.

Porque gostava de conservar provas de que, em algum momento da vida, fizera alguma coisa sem pensar nas consequências.

Quando um homem lhe perguntava por que nunca se casara, ela respondia:

– Porque tenho memória.

Quando perguntavam se amara alguém, respondia:

– Essa é uma pergunta muito mais perigosa.

E quando perguntavam por Matteo, sorria.

Nunca explicava.

Algumas histórias pertencem ao público.

Outras pertencem àqueles que as viveram.

Luce sabia muito bem a diferença.

Vá para a LINHA 18.

LINHA 18

Muitos anos depois, a casa desapareceu completamente.

O jardim também.

No terreno nasceu uma construção nova.

Depois outra.

Depois outra.

A cidade mudou.

Os homens mudaram.

As mulheres mudaram.

As histórias permaneceram.

Dizia-se que, certa noite, uma mulher chamada Luce entrara numa casa que não existia e saíra de lá com um homem que também não deveria ter existido.

Dizia-se que havia um relógio com carne dentro.

Dizia-se que as flores tinham olhos.

Dizia-se muita coisa.

Mas ninguém sabia a verdade.

A verdade era simples.

Luce recebera uma carta.

Fora ao jardim.

Encontrara Matteo.

Beijara-o.

Apaixonara-se um pouco.

Assustara-se bastante.

E, em vez de transformar aquilo numa tragédia, fez o que sempre soubera fazer melhor:

riu.

Porque há mulheres que perdem a cabeça por amor.

Luce preferia conservá-la.

Tinha usos melhores para ela.

E assim terminou a história.

Ou quase.

Pois, numa manhã de primavera, muitos anos depois, uma nova carta apareceu debaixo da porta de Luce.

Não havia selo.

Não havia assinatura.

Dizia apenas:

Venha ao jardim depois da meia-noite.
Traga aquilo que ainda não ousou confessar.

Luce leu.

Sorriu.

Pegou o casaco.

E, antes de sair, escreveu no verso:

Desta vez, mande vinho.

4 comentários em “O Jardim de Luce – Conto (Bebel Souza)

  1. Martim
    31 de agosto de 2026
    Avatar de Martim

    Bebel!

    Antes de ler seu conto – ou uma versão possível dele – a introdução me fez pensar: será uma resposta ao Jardín de los senderos que se bifurcan? Não tinha nenhuma condição de dizer nem que sim nem que não, porque a verdade é que não lembrava quase nada desse famoso conto do Borges, exceto que nele havia um jardim, e que nesse jardim os caminhos se bifurcavam. Li o seu conto, reli o de Borges. Na verdade, o jardim era o de menos no conto de Borges, porque a bifurcação se dá propriamente na leitura. Como no seu conto, por sinal. A diferença é que lá os caminhos se abriam, e essa multiplicação era terrível como os labirintos e os espelhos, enquanto aqui você dá uma piscadela ao leitor que, antecipando o fato de não poder conhecer todos os caminhos, se angustia de antemão: você nos explica que todos os caminhos conduzem ao mesmo jardim.

    Isso é um alívio e tanto! A operação deu leveza à leitura. Se eu perdi alguma coisa por conta do caminho que escolhi – e certamente perdi – vou com a consciência tranquila de ter, pelo menos, percorrido um caminho. É disse que se trata na vida, não é? Percorrer um caminho, mesmo que saibamos que ele vá dar no mesmo lugar que todos os outros: em nada, nada, nada, nada, como diz o Gil.

    A prosa se alia bem a essa leveza. As respostas de Luce têm também algo de lúdico. Os diálogos entre eles são bem gostosos, um tipo de sedução curioso, quase hostil, mas por isso mesmo cheio de graça.

    Como ressalva, diria que, quando aparecem as bifurcações, há uma ruptura na imersão ficcional que quebra um pouco o encanto da coisa. Por exemplo:

    Se Luce decide ir imediatamente para o jardim, vá para a LINHA 3.
    Se primeiro quiser descobrir quem escreveu a carta, vá para a LINHA 2.

    Eu entendo que isso tem um função no jogo, e isso está perfeito. Mas é tão pragmático! Talvez – apenas talvez – ficaria mais interessante se essas opções (e não só essas, mas cada uma das bifurcações) fossem mais enigmáticas, ou mais… “poéticas”. Da forma como está, funciona muito bem, mas a meu ver enfatiza demais o mecanismo.

    Mas é só um detalhe, tá?

    Obrigado por publicar!

    • Canibalismo Cultural
      1 de setembro de 2026
      Avatar de Canibalismo Cultural

      Matim, esse texto do borges não conhecia mas o li e achei muito engraçada essa parte: 

      Después reflexioné que todas las cosas que suceden a uno precisamente, precisamente ahora. Siglos de siglos y solo en el presente ocurren los hechos; innumerables hombres en el aire, en la tierra y el mar, y todo lo que realmente pasa me pasa a mí… 

      Ontem, quando estava no ônibus voltando do trabalho, estava pensando no meu peixe favorito, o peixe-morcego-de-lábios-vermelhos, e após um tempo pensei algo parecido com essa parte do texto, estava refletindo sobre o céu e o mar, sincronicidades da vida e etc… Inclusive estou escutando se eu quiser falar com deus a umas duas semanas em loop, ou seja, outra sincronicidade bestafericamente bizonha kkkk e pra tentar escapar disso escrevi esse texto rsrs estava querendo algo meio sonho etéreo espiritual e meio trágico, me inspirei no poema Alfonsina y el Mar também, que fala ca poeta que se suicidou entrando no Mar del Plata. Também estou escutando ele musicado, na voz da Mercedes Sosa só que a um mês, desde que encontrei uma partitura enquanto catalogava uma pasta. Bom que conheci a poeta e a cantora rsrs

      Achei que e não faria sentido pois só após dois dias dele publicado vi que o diagrama que fiz não fazia sentido, pra mim a pessoa ou iria escolher todas as primeiras opções ou todas as segundas, até pensei em pedir pra apagar pq achei q iria ficar estranho mas só aceitei a derrota, mas aparentemente fez sentido mesmo assim, o que me deixou surpresa

      Sobre as instruções do jogo ficarem mais enigmáticas, vou pensar sobre. Eu gosto de como esta, mas vou rascunhar uma versão mais misteriosa pra ver como soa. Obrigada pela dica!

  2. Sarah S Nascimento
    27 de agosto de 2026
    Avatar de Sarah S Nascimento

    Oiiieee, bebel! Seu conto tem um pouco de romance e uma pitada de estranhesa né? Achei bastante enigmático. Eu curti os diálogos curtos, são bem rápidos e fluem bem. Tudo fica nessa atmosfera misteriosa e adorei a estrutura diferente do conto. Ir pulando para outros trechos é muito legal, isso foi bem criativo! Fiquei com pena do amigo do Matheo que não foi escolhido aí para encontrar nem casa, nem jardim nem mulher, nem nada. rs. Mas achei legal ele pelo menos tentar. Interessante as reflexões que o conto traz, bem leves e ainda assim profundas. Conto muito bom, até maiiis!

    • Canibalismo Cultural
      1 de setembro de 2026
      Avatar de Canibalismo Cultural

      Fico tão feliz que você tenha percebido essa estranheza. Acho que esse conto nasceu justamente de um lugar meio nebuloso, onde nem tudo precisa se explicar completamente.

      E confesso que tenho um carinho especial pelo amigo do Matheo também rs. Talvez ele tenha sido o mais corajoso justamente porque tentou, mesmo sem saber se encontraria uma casa, um jardim, uma mulher ou qualquer coisa que pudesse chamar de destino.

      Como o Martim disse a cima, “Percorrer um caminho, mesmo que saibamos que ele vá dar no mesmo lugar que todos os outros: em nada, nada, nada, nada, como diz o Gil.”

E Então? O que achou?

Informação

Publicado às 25 de agosto de 2026 por em Contos Off-Desafio e marcado .