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Metamorfose não é mutação (Leide das Neves)

Eu tinha seis anos quando meu primeiro dente caiu.

Chorei.

Não entendi direito por que aquilo aconteceu comigo.

Mamãe me disse:

— Fique quietinha, que é assim mesmo.

Escove os outros dentes com muito cuidado.

Mesmo assim, eles foram embora, um a um.

E eu sentia medo ao ver, no espelho, minhas gengivas sangrando.

Nunca encontrei a Fada do Dente.

Nem conseguiria sorrir para ela.

Porque estava me transformando em outra.

(Efeito colateral daquela pedrinha mágica do meu tio, jogada no chão do quarto, entre meus brinquedos e chumaços de cabelo; e seu brilho azul, no escuro, irradiando pelas paredes).

4 comentários em “Metamorfose não é mutação (Leide das Neves)

  1. claudiaangst
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de claudiaangst

    Olá, autor(a), tudo bem?

    O texto apresenta a metamorfose de uma menininha saudável em uma doente condenada, devido ao efeito provocado pelo elemento radioativo em seu quarto. A “pedrinha azul” (ou pó azul/brilhante) é o Césio-137 (Cs-137). 

    No início da narrativa, a protagonista diz que perdeu o primeiro dente aos 6 anos. Isso é o natural para a faixa etária. Então, o(a) leitor(a) se ilude pensando que a metamorfose será essa: o crescimento da garotinha. No entanto, a transformação era outra, muito mais cruel.

    Concordo quando dizem que o final ficou um pouco explicativo demais e que teria mais impacto se a informação fosse diluída durante a narrativa. Difícil fazer isso em poucas palavras, né?

    Parabéns pela participação e boa sorte no desafio.

  2. Nilo Paraná
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Nilo Paraná

    Achei a ideia interessante. A dinâmica foi muito inteligente. Na minha opinião, a revelação ficaria muito melhor se integrada à história e não com uma frase explicativa no final. Perdeu um pouco, mas continua sendo um ótimo conto.

  3. Ana Paula Benini
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Ana Paula Benini

    Senti a angustia da personagem me percebendo na mudança de si mesma. Amei.

  4. Wilian Cândido Corrêa
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Wilian Cândido Corrêa

    Gostei do texto! A infância, o medo e a transformação ficaram muito vivos. Só senti que o final explica e perde um pouco da força.

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Informação

Publicado em 8 de fevereiro de 2026 por em Microcontos 2026.