Eu tinha seis anos quando meu primeiro dente caiu.
Chorei.
Não entendi direito por que aquilo aconteceu comigo.
Mamãe me disse:
— Fique quietinha, que é assim mesmo.
Escove os outros dentes com muito cuidado.
Mesmo assim, eles foram embora, um a um.
E eu sentia medo ao ver, no espelho, minhas gengivas sangrando.
Nunca encontrei a Fada do Dente.
Nem conseguiria sorrir para ela.
Porque estava me transformando em outra.
(Efeito colateral daquela pedrinha mágica do meu tio, jogada no chão do quarto, entre meus brinquedos e chumaços de cabelo; e seu brilho azul, no escuro, irradiando pelas paredes).
Olá, autor(a), tudo bem?
O texto apresenta a metamorfose de uma menininha saudável em uma doente condenada, devido ao efeito provocado pelo elemento radioativo em seu quarto. A “pedrinha azul” (ou pó azul/brilhante) é o Césio-137 (Cs-137).
No início da narrativa, a protagonista diz que perdeu o primeiro dente aos 6 anos. Isso é o natural para a faixa etária. Então, o(a) leitor(a) se ilude pensando que a metamorfose será essa: o crescimento da garotinha. No entanto, a transformação era outra, muito mais cruel.
Concordo quando dizem que o final ficou um pouco explicativo demais e que teria mais impacto se a informação fosse diluída durante a narrativa. Difícil fazer isso em poucas palavras, né?
Parabéns pela participação e boa sorte no desafio.
Achei a ideia interessante. A dinâmica foi muito inteligente. Na minha opinião, a revelação ficaria muito melhor se integrada à história e não com uma frase explicativa no final. Perdeu um pouco, mas continua sendo um ótimo conto.
Senti a angustia da personagem me percebendo na mudança de si mesma. Amei.
Gostei do texto! A infância, o medo e a transformação ficaram muito vivos. Só senti que o final explica e perde um pouco da força.