Eu tinha seis anos quando meu primeiro dente caiu.
Chorei.
Não entendi direito por que aquilo aconteceu comigo.
Mamãe me disse:
— Fique quietinha, que é assim mesmo.
Escove os outros dentes com muito cuidado.
Mesmo assim, eles foram embora, um a um.
E eu sentia medo ao ver, no espelho, minhas gengivas sangrando.
Nunca encontrei a Fada do Dente.
Nem conseguiria sorrir para ela.
Porque estava me transformando em outra.
(Efeito colateral daquela pedrinha mágica do meu tio, jogada no chão do quarto, entre meus brinquedos e chumaços de cabelo; e seu brilho azul, no escuro, irradiando pelas paredes).
Achei a ideia interessante. A dinâmica foi muito inteligente. Na minha opinião, a revelação ficaria muito melhor se integrada à história e não com uma frase explicativa no final. Perdeu um pouco, mas continua sendo um ótimo conto.
Senti a angustia da personagem me percebendo na mudança de si mesma. Amei.
Gostei do texto! A infância, o medo e a transformação ficaram muito vivos. Só senti que o final explica e perde um pouco da força.