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Detox Literário.

Crachá (Wilian Cândido)

Em casa, ria com dentes; o espelho confirmava. No trabalho, o rosto aprendia economia, um músculo por vez. Chamaram para a foto do crachá, e ele sorriu para a câmera — pouco, o suficiente. A imagem saiu correta, sem excesso. Na saída, tentou rir no elevador. O reflexo não devolveu. Foi aí que entendeu que o crachá não dizia quem ele era, apenas onde deveria ficar. Guardou o riso no bolso e passou a usá-lo só aos domingos.

38 comentários em “Crachá (Wilian Cândido)

  1. leandrobarreiros
    16 de fevereiro de 2026
    Avatar de leandrobarreiros

    Controle.

    Foi a palavra que me veio à cabeça quando terminei de ler o conto. Existem muitas considerações sobre controle aqui. Primeiro e mais nítido é o controle do mundo corporativo, que deixa claro o que é esperado daqueles que vem e vão nos seus edifícios.

    O segundo ponto sobre controle é como ele se espalha por regras não ditas. Não precisou ninguém proibir o funcionário para que soubesse que deveria guardar o sorriso no bolso, ele fez isso a partir de sua experiência pessoal no elevador, que é uma metáfora para as experiências no prédio.

    Finalmente o auto controle. Aquilo que o funcionário precisa exercer para conseguir funcionar no trabalho.

    Um micro muito bom. Queria colocar na lista, mas já nem sei mais o que vai ou não entrar.

  2. Sarah Nascimento
    16 de fevereiro de 2026
    Avatar de Sarah Nascimento

    Olá! Caraca, bem simbólico e interessante seu microconto! Isso de guardar o riso no bolso e usar de domingo, nossa ficou muito legal. ficou impactante. Parece aquela pessoa que tá simulando tudo, ta vivendo por viver, meio fingindo, meio sem saber se o sorriso é verdadeiro se o sentimento é verdadeiro, muito interessante como seu microconto mexe com essas questões. Achei legal também a forma como vemos cada tipo de sorriso dele, espelho, câmera, elevador. Construção envolvente e inteligente. Senti que era cômico com uma pitada de tristeza.

  3. maquiammateussilveira
    16 de fevereiro de 2026
    Avatar de maquiammateussilveira

    Um microconto discreto, crítico e conciso. A metáfora do sorriso no crachá e do reflexo no espelho são interessantes. Em relação ao tema proposto pelo desafio, não consegui fazer conexões diretas ao texto. A situação do persoangem é mais de adaptação e não realmente de transformação, muito menos de metamorfose. Mesmo assim, o texto é bem escrito. Senti falta de algum elemento que chamasse mais atenção. Talvez seja difícil, pois o tema e a ambientação são decididamente tediosos, o que é muito corajoso por parte de quem o escreveu. Analisando-o isoladamente, é um texto bem elaborado. Mas no desafio, comparado a outros contos, infelizmente ele fica um tanto apagado.

  4. Asstrongo
    15 de fevereiro de 2026
    Avatar de Asstrongo

    parece que o cara descobriu que o sorriso dele da pra por e tirar conforme a situação. o crachá não mente, é a verdade empresarial, seu modo robótico de vida, um holograma burocrático. E o espelho confirma? no trabalho, o rosto vira uma planilha de excel e vai assim para cada situação. Achei cômico e um pouco absurdo.

  5. Alexandre Costa Moraes
    15 de fevereiro de 2026
    Avatar de Alexandre Costa Moraes

    Olá, Sombra!

    Achei a ideia do seu microconto simples e certeira: em casa, ele existe inteiro, no trabalho, ele aprende a se encaixar pra garantir o sustento (muito real isso). O crachá vira uma espécie de atestado de conformidade social. Não diz quem ele é, só onde ele deve ficar. A imagem de “guardar o riso no bolso” fecha com uma tristeza cruel e bastante atual.

    Sobre o tema, a metamorfose aqui não é evolução nem descoberta, é adaptação forçada, um comportamento moldado pelo ambiente, até o próprio reflexo parar de confirmar aquilo que ele sente. No geral, você encostou bem no tema, mas fica no limiar justamente por ser mais ajuste de máscara do que transformação em si.

    De toda forma, seu texto é um belo choque de realidade.
    Parabéns e boa sorte no desafio.

  6. Alexandre Parisi
    15 de fevereiro de 2026
    Avatar de Alexandre Parisi

    Oi, Sombra! Teu conto é um retrato melancólico e certeiro da “vida corporativa”. Gostei demais de como você usou a economia muscular como metáfora para o apagamento da identidade; a metamorfose aqui é sutil e social: o homem que vira função.

    O enredo é muito bem construído, e a cena do elevador, onde o reflexo não devolve o riso, é o ponto alto — causa uma sensação de alienação legítima. Como oportunidade de melhoria, a distinção entre “rir” e “sorrir” no início poderia ser mais precisa para marcar o que é realmente espontâneo. Além disso, para alguns, a metamorfose pode parecer “invisível” demais por ser puramente comportamental.

    Gramaticalmente o texto é sólido e enxuto. É uma crítica potente à desumanização do trabalho, mostrando que o crachá muitas vezes limita onde devemos ficar, mas não quem somos.

  7. Fabio D'Oliveira
    15 de fevereiro de 2026
    Avatar de Fabio D'Oliveira

    Melancólico.

    Um tapa na cara do leitor. O micro aborda uma realidade inquietante da sociedade. Uma situação que, muitas vezes, evitamos falar. Muitas vezes, não temos permissão para sorrir em alguns lugares. E o sorriso não é literal. O sorriso representa quem somos. Em determinadas situações, precisamos vestir máscaras, algumas desagradáveis, que vão contra quem somos. Teve outro texto que abordou algo similar, mas com um final libertador. Aqui não temos isso. Temos aceitação por parte do protagonista. E isso é triste.

    É um ótimo microconto.

  8. Bia Machado
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de Bia Machado

    O conto funciona muito bem porque transforma a perda do riso em metamorfose íntima, silenciosa e dolorosa. A abertura contrasta o riso pleno de casa com a contenção progressiva no trabalho, criando um arco claro de apagamento. A foto do crachá é o ponto de virada: o sorriso “correto, sem excesso” cristaliza a adaptação forçada, e o momento no elevador revela a mudança irreversível: o reflexo já não o reconhece. A metáfora do crachá como identidade imposta é precisa, e o gesto final de “guardar o riso no bolso” sintetiza a renúncia. É um texto enxuto, elegante e melancólico, com uma metamorfose emocional muito bem construída.

  9. danielreis1973
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de danielreis1973

    Prezado(a) Microcontista (aviso comum em todo os contos):

    Por conta do sistema de comentários (abertos) e do sistema de votação (escolha dos dez favoritos), estou adotando também um critério de análise mais simples para todos, procurando refletir mais como me senti com leitor do seu texto do que como analista/crítico e atribuidor de notas. Por isso, desculpo-me de antemão pela concisão, e reforço que o que comento aqui é sobre como me senti ao ler seu conto, não sobre o quão bom ele ou você é, ok?

    Vamos à análise:

    Neste conto, a brutalidade da metamorfose corporativa é explorada com muita  objetividade e precisão. Acho que esse conto me ensinou muito sobre construção de cenário, evolução de situação e destino da história.  O fechamento é magistral. Parabéns, muito sucesso para você!

  10. André Lima
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de André Lima

    Eu sou o cara que nunca implica com o tema, mas, sinceramente, eu não encontrei sequer vestígios aqui nesse texto. Teríamos que forçar uma barra enorme para tentar justificar a metamorfose aos domingos (Com o sorriso), mas, novamente, não é o tema que brilha aqui.

    É um bom relato do cotidiano. É um texto leve, mas com um peso introspectivo interessante. É um bom trabalho. Aliás, ótimo trabalho, mas sinto que não se adequa ao tema proposto.

  11. Renata Rothstein
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de Renata Rothstein

    Olá, Sombra. Tudo bem? Você nos traz um microconto sutil, inteligente e reflexivo, que explora metamorfose social e identidade de forma elegante e convincente. Gostei muito.

    Desejo boa sorte no Desafio. Beijos

  12. Leandro Vasconcelos
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de Leandro Vasconcelos

    Opa! Como vai, caro autor? Bom o seu conto, viu? Tem uma pegada crítica que me atraiu. O sujeito, em casa, se via feliz. No trabalho, não podia rir, e quando o fazia, era de modo afetado, artificial. Então ele tem uma revelação no espelho do elevador: ali ele não pode ser quem ele é. Deve se prestar apenas ao trabalho. É um micro que trata da alienação do trabalhador. A metamorfose aqui vem bem sutil. O sujeito se transforma quando está no trabalho: passa a mostrar uma face que não é a dele, mas sim uma máscara, que deve ser “econômica”, sem excesso, traduzir sobriedade e disciplina, a fim de que sobreviva nesse ambiente hostil. Muito bom! Conseguiu passar essa mensagem crítica sem panfletagem, sem muito alarde. Bastou mostrar. Bueno!  

  13. Leila Patrícia
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de Leila Patrícia

    Oi, Sombra. Tudo bem? Gostei muito do seu micro.O personagem vai se encolhendo dentro do trabalho até o próprio rosto desaprender a rir. A foto do crachá funcionou muito bem como símbolo desse lugar onde a pessoa vira função, e não presença. Me lembrei de ouvir, em algum momento da vida, alguém dizer que não reconhecia o pessoal da limpeza quando estavam sem o uniforme. Isso é assustadoramente real. Quando ele percebe que o reflexo já não devolve o riso, o conto acerta em cheio.

    O final, guardando o riso para usar só aos domingos, é simples e triste na medida certa. Ótimo conto. Boa sorte no desafio.

  14. Luis Guilherme Banzi Florido
    14 de fevereiro de 2026
    Avatar de Luis Guilherme Banzi Florido

    Oi, sombra! tudo bem? Fico me perguntando um pouco sobre seu pseudonimo, sobre o conceito de sombra da psicanalise. Aqui, parece que ele não reprime os instintos, não os coloca nas sombras, mas ao invés disso, tenta usar uma mascara social. É um conto interessante, com uma metafora relevante. Quantas mascaras vestimos para cada ocasião de nossas vidas? Aqui, voce usou não mascara, mas sorriso para retratar essa necessidade de se adequar e fingir felicidade como meio de patrimonio social. O homem começa sorrindo no trabalho, tentando demonstrar satisfação, até que se cansa e decide sorrir somente aos domingos, quando realmente está feliz, com as pessoas que ama. A metamorfose como quebra de paradigma. Bom trabalho! Parabens!

  15. Martim Butcher
    13 de fevereiro de 2026
    Avatar de Martim Butcher

    Sombra,

    É curioso que, embora o protagonista tenha um momento de resistência em relação à “crachalização” da vida e do sorriso, o momento de liberdade que lhe resta (o domingo) também é designado pela máquina. Há uma amargura na liberdade. Isso é bem interessante.

    Mas confesso que seu texto não me atraiu muito. Talvez seja muito difícil, hoje, fazer uma “crítica ao sistema” que não soe a coisa repetida. Quero dizer, toda boa literatura em alguma medida resiste aos poderes constituídos, mas há aquela que procura opor-se de maneira mais pronunciada ou evidente, como é o caso da sua. Essa pronúncia, creio, exige atualmente outras formulações.

  16. Thiago Amaral
    13 de fevereiro de 2026
    Avatar de Thiago Amaral

    É um conto tocante, que funciona muito bem quando lemos a frase final. Entendemos completamente o que é o sentimento do personagem, se sacrificando para ganhar o pão.

    Só fiquei meio confuso com as descrições. “sorrir com os dentes” e “um músculo de cada vez”… fiquei imaginando e até tentando fazer aqui enquanto lia. Não sei se o primeiro é sorriso espontaneo ou não, inclusive. Acho que a falta de clareza tenha atrapalhado um pouco.

    O tema também ficou pouco utilizado, na minha opinião.

    No entanto, em outro desafio, acho que encaixaria muito bem.

  17. Wilian Cândido Corrêa
    13 de fevereiro de 2026
    Avatar de Wilian Cândido Corrêa

    Esse foi um dos que quase entrou no meu Top 10. Ficou ali na beira.

    O que me pega é a simplicidade da situação. Não tem exagero, não tem acontecimento grandioso. É só um homem que sorri diferente em casa e no trabalho. Mas é justamente nessa diferença que o texto cresce.

    A imagem do crachá me parece muito bem escolhida. O crachá é identificação, mas também é redução. Ele diz quem você é dentro de um sistema, não quem você é inteiro. E quando o personagem regula o sorriso para caber naquela foto, eu sinto que não é só o sorriso que está sendo ajustado. É uma parte dele que precisa caber num molde.

    Gosto também do detalhe de ele guardar o riso verdadeiro para o domingo. Isso diz muito sem explicar nada. Existe ali uma divisão muito clara entre o que é espontâneo e o que é permitido. Não há metamorfose física, mas há uma espécie de adaptação constante, quase uma sobrevivência social.

    Talvez ele não tenha entrado na minha lista porque a transformação aqui é mais contida, mais silenciosa. Ainda assim, é um micro que funciona bem pela escolha do símbolo e pela precisão do recorte. Ele não faz barulho, mas deixa eco.

  18. Kelly Hatanaka
    13 de fevereiro de 2026
    Avatar de Kelly Hatanaka

    Um conto sobre como somos moldados pelas expectativas dos ambientes que frequentamos. O riso com dentes de casa vira sorriso comedido no trabalho e o espelho devolve o que é aceito. O riso com dentes fica guardado no bolso apenas para os domingos.

    O curioso é que o riso com dentes, aquele de casa, dos domingos, tampouco parece espontâneo. O riso é com dentes, não é feliz e nem aberto. O termo me faz pensar num riso forçado. E o espelho confirmava, ou seja, o riso com dentes também estava sujeito à aprovação.

    O que faz pensar: como seria a cara desse cidadão, se não houvesse espelhos/julgamentos?

  19. toniluismc
    12 de fevereiro de 2026
    Avatar de toniluismc

    Olá, Sombra!

    Seu texto é gramaticalmente correto e tenta uma reflexão sutil sobre alienação no trabalho, onde o protagonista sofre uma metamorfose emocional: o riso espontâneo de casa é domado em “economia muscular” no crachá e no reflexo, até virar algo guardado pro domingo.
    O espelho como juiz implacável reforça o tema, simbolizando perda de identidade autêntica pra uma versão corporativa, com o bolso como esconderijo final de si mesmo.
    Infelizmente, a metamorfose é tênue demais, quase invisível. Falta uma mudança mais palpável (física ou simbólica) pra ancorar o tema, e o texto não envolve emocionalmente porque fica na descrição fria, sem conflito interno ou detalhe que doa.
    É limpo, mas sem impacto, como um crachá sem foto. Poderia melhorar com um momento de tensão no elevador (um riso falhado que ecoa) pra tornar a perda mais visceral.
    Enfim, boa sorte no desafio!

  20. Rodrigo Ortiz Vinholo
    12 de fevereiro de 2026
    Avatar de Rodrigo Ortiz Vinholo

    A pressão social nos transforma, e nem sempre a metamorfose é boa. Gostei da sua abordagem! Dos detalhes do sorriso se desdobra uma história muito maior. Parabéns!

  21. Gustavo Araujo
    12 de fevereiro de 2026
    Avatar de Gustavo Araujo

    Em certa medida, este conto dialoga com o Casulo, da Anis Nin, já que toca na ferida de sermos pessoas diferentes, personagens diferentes a depender do lugar e do ambiente que frequentamos. Aqui, a pegada está no trabalho e, triste para o protagonista, um trabalho que sufoca seu verdadeiro eu. Talvez economistas não gostem dessa abordagem, aliás kk

    Essa diferença é marcada pelo sorriso, presente quando o personagem principal está em casa, inexistente quando está se desfazendo em prol do capitalismo. Talvez seja melhor chorar mesmo, até porque não há saída…

    Enfim, um conto inteligente, simples, e com uma leve crítica social. Parabéns e boa sorte no desafio.

  22. Fernanda Caleffi Barbetta
    12 de fevereiro de 2026
    Avatar de Fernanda Caleffi Barbetta

    Olá, Sombra

    Seu microconto trata de muitas questões interessantes, como nos vemos e como queremos que nos vejam, o que mostramos e o que realmente somos, as faces que assumimos em lugares e situações diversas. Gostei.

    Na sua narrativa, não houve uma metamorfose, mas uma não-metamorfose. Quando ele julgou que poderia mudar por conta do novo cargo, recuou. Negar a metamorfose é uma forma de abordar a metamorfose. Boa ideia.

    Sorrir com dentes no começo me deixou confusa, seria uma gargalhada ou um sorriso só mostrando os dentes, contido? Pelo desfecho, imaginando que aos domingos quer dizer estar em casa ou com as pessoas das quais gosta, faz sentido ser um sorriso aberto. Talvez seja falta de conhecimento meu com relação a tipos de sorriso, mas eu deixaria mais claro no começo que era uma gargalhada, bica aberta, algo bom. Com os dentes me dá uma sensação de algo travado, falso.  

    Embora eu saba pouco de tipos de sorriso, para mim, existe uma diferença entre rir e sorrir. Rir é dar risada. Sorrir é “dar um sorriso”. São coisas diferentes. No seu microconto, substituiria rir por sorrir.

    Parabéns pelo texto!

  23. Lucas Santos
    11 de fevereiro de 2026
    Avatar de Lucas Santos

    Parabéns pela participação, Sombra!

    O sorriso simboliza a dignidade humana. Em casa, ambiente de conforto, o personagem gargalha à vontade. Já no espaço laboral — onde a humanidade é violada pelas horas extras não remuneradas, pelo acúmulo de funções, pela escala 6×1, pelo salário insuficiente, pela rispidez dos superiores, etc. —, ele guarda o sorriso, pois percebe não existir lugar para descontração. A metamorfose consiste na mudança de comportamento condicionada pelo ambiente. Em domicílio, ele é um; no trabalho, outro.

    “Guardou o riso no bolso e passou a usá-lo só aos domingos” é um trecho cirúrgico, porque sublinha a posse do personagem sobre o sorriso, um acessório que a empresa ainda não conseguiu roubar. Ainda! Acredito, então, que seja um ato de resistência. Domingo é seu dia de folga, sua única oportunidade de estar em casa, confortável, praticando um hobby, consumindo cultura, passando tempo de qualidade com familiares e amigos, enfim, desfrutando da migalha de dignidade que lhe restou.

    No crachá, está estampada a face do personagem, que pôde sorrir controladamente para a foto. Curioso. Raro instante em que o espaço laboral “autorizou” o gesto. Talvez seja um método utilizado para vender uma imagem humanizada às pessoas alheias à insalubridade do ambiente corporativo.

    O trecho “Foi aí que entendeu que o crachá não dizia quem ele era, apenas onde deveria ficar” aborda a desumanização do indivíduo, que passa a ser considerado uma ferramenta facilmente substituível.

    Por último, a escrita não carece de retoques. Ortografia e gramática estão sólidas. Quanto ao ritmo, os períodos curtos otimizam a leitura e conferem objetividade — um dos pontos mais fortes do microconto.

  24. São Tomás de Aquino
    11 de fevereiro de 2026
    Avatar de São Tomás de Aquino

    Eu também guardo meu riso para os Domingos…

  25. Fabiano Dexter
    11 de fevereiro de 2026
    Avatar de Fabiano Dexter

    Ola Sombra,

    Interessante a ideia de metamorfose trazida aqui, onde não apenas o funcionário se transforma ao iniciar seu trabalho em uma empresa, mas também se transforma quando entra lá todos os dias, sendo ele apenas nas folgas, ou seja, aos domingos.

    A transformação entre pessoa e profissional.

    Gostei. Parabéns!

  26. Pedro Paulo
    11 de fevereiro de 2026
    Avatar de Pedro Paulo

    Opa! Já assistiu a “Ruptura”? Foi o que me lembrou esse micro, mas de uma forma menos visceral e sci-fi do que na série. Aqui é apenas uma despersonificação e automação na posição de trabalhador, o que não deixa de ser uma cisão profunda, considerando-se o tempo que se dedica ao trabalho. Para além da sutileza como essa diferença é transmitida, para mim o que abrilhantou o micro foi a frase final, “usar o sorriso somente aos domingos”. Poxa, acho que eu mesmo acabarei adotando essa! Ótima abordagem do tema.

  27. GIVAGO DOMINGUES THIMOTI
    11 de fevereiro de 2026
    Avatar de GIVAGO DOMINGUES THIMOTI

    Olá, Sombra! Tudo bem?

    Eu diria que eu gostei da narrativa proposta. Dialoga bastante com o individualismo e a competição que observamos em corporações. Você foi muito feliz em conseguir aplicar esse ambiente duro dentro do micro.

    Minha única ressalva neste micro é a sensação que essa frase “Foi aí que entendeu que o crachá não dizia quem ele era, apenas onde deveria ficar.” sobrou no micro. Pelo contexto, deu para inferir.

    No mais, parabéns pelo trabalho!

    Atenciosamente,

    Givago

  28. Antonio Stegues Batista
    11 de fevereiro de 2026
    Avatar de Antonio Stegues Batista

    Homem consegue emprego em uma grande empresa, no primeiro dia ele sorri, satisfeito, mas quando ganha o crachá, vê estampado ali, o cargo que ocupa, seu sorriso murcha. O cargo é muito baixo, talvez porteiro, office-boy, que ele acha indigno para si. Bom, mas ele sabia disso quando fez a entrevista, mas parece que é orgulhoso demais para se aceitar como porteiro. Como precisa do emprego, melhor porteiro do que nada, deixa o sorriso para ser exibido só aos domingos, em casa; Acho que ele tem medo da esposa. Ela deve o ter chamado de vagabundo, quando esteve desempregado.

  29. Fernando Cyrino
    10 de fevereiro de 2026
    Avatar de Fernando Cyrino

    Olá, Sombra, pois é. O crachá que não apresenta o rosto do funcionário, mas apenas representa o papel que se deseja seja desempenhado por ele no escritório. Ele que sorria com os dentes, sorria só com um músculo de cada vez no trabalho. Gostei do conto, gostei da forma como você foi criando a narrativa. Parabéns e que tenha sucesso no desafio. 

  30. andersondopradosilva
    10 de fevereiro de 2026
    Avatar de andersondopradosilva

    Excelente, compacto e realista retrato do cotidiano do trabalhador corporativo. Inteligente e crítico. Um doloroso convite à reflexão.

  31. claudiaangst
    10 de fevereiro de 2026
    Avatar de claudiaangst

    Olá, autor(a), tudo bem?

    O tema proposto pelo desafio foi abordado de forma clara: a metamorfose do protagonista ocorre para que ele possa se adequar ao ambiente onde transita. Em casa é sorridente, alegre, no trabalho, economiza sorrisos. Duas caras para duas situações/realidades diferentes.

    Linguagem objetiva, mensagem transmitida com clareza.

    Não encontrei falhas de revisão.

    Parabéns pela participação e boa sorte.

  32. cyro eduardo fernandes
    10 de fevereiro de 2026
    Avatar de cyro eduardo fernandes

    Sombrio e realista, um ótimo conto. O mundo, não apenas o corporativo, tem trazido um nível de infelicidade e hipocrisia associados. Parabéns!

  33. Nilo Paraná
    9 de fevereiro de 2026
    Avatar de Nilo Paraná

    Olá Sombra, parabéns pelo micro. Muito bem escrito. Sucinto. Seco como um corte, como deve ser um micro conto. Melancólico. Felicidade e alegria homeopática.

  34. Mariana
    9 de fevereiro de 2026
    Avatar de Mariana

    Olá, é um conto bastante interessante sobre o mundo do trabalho e como o vivenciamos. Lembrou a série Ruptura, nosso eu e as vivências partidas para garantir a sobreviência. Admito que a primeira leitura foi truncada, mas, ao rever, entendi a profundidade e dou os parabéns para “a sombra” que escreveu. A falta de imagem é uma ilustração da secura do conteúdo, foi tudo bem pensado. Provavelmente entrará nos favoritos…

  35. Priscila Pereira
    9 de fevereiro de 2026
    Avatar de Priscila Pereira

    Olá, Sombra! Tudo bem?

    Seu micro é triste… trata da metamorfose que acontece quando estamos em um trabalho ruim, que suga nossa alma e nossa alegria. Em casa de um jeito, no trabalho de outro… lembrei de uma época em que chegava domingo a noite e eu já ficava angustiada de ter que ir trabalhar no outro dia… graças a Deus essa época da minha vida já passou 🙏

    Gostei bastante! Parabéns!

    Boa sorte no desafio!

    Até mais!

  36. LEO AUGUSTO TARILONTE JUNIOR
    9 de fevereiro de 2026
    Avatar de LEO AUGUSTO TARILONTE JUNIOR

    Achei seu microconto interessante. O tema da metamorfose aparece nos diversos tipos de sorriso que o personagem principal ostenta ao longo das cenas. É um texto bastante atual que fala sobre as máscaras que precisamos usar nas diversas situações da vida e também sobre a nossa busca por autenticidade.

  37. Ana Paula Benini
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Ana Paula Benini

    A temática do cotidiano ganha um peso maravilhoso quando abordada com tal sensibilidade. Parabéns.

  38. Wilian Cândido Corrêa
    8 de fevereiro de 2026
    Avatar de Wilian Cândido Corrêa

    Achei incrível!

    Fiquei com a sensação de quanto a rotina e o trabalho moldam quem somos.

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Publicado às 8 de fevereiro de 2026 por em Microcontos 2026 e marcado .