EntreContos

Detox Literário.

[EM] Faxina (Fernandes Peres)

“Eu prefiro ser… essa metamorfose ambulante…”

Os fones de ouvido, no último volume, ressoavam a música que aprendeu com o avô.

“Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo…”

O esfregão, de um lado para o outro, limpava os restos de alguma coisa grudenta, parecida com uma barata esmagada.

Não ouviu a cientista-chefe chamar.

— Eva!

A sujeira resistia bravamente no chão.

— Eva!!!

De soslaio, percebeu uma movimentação do outro lado da sala. Finalmente entendeu que era com ela.

— Eva, Eva! Abaixa o volume, por favor… vamos começar a experiência.

— Desculpa, doutora — respondeu, enquanto pressionava o botão de volume para baixo e fingia se afastar do que estava para acontecer ali.

Eram anos já. Anos de tentativa e erro, tentativa e erro. E ninguém sabia. Aquele laboratório escondido no subsolo era a última esperança da humanidade, e ninguém sabia.

A distopia que o mundo enfrentava na superfície não era falta de aviso. Foram muitas as vozes a apontar o problema. Mas a marcha do antropoceno era irrefreável, e aconteceu. Agora restava ali, naquele pequeno grupo de quatro cientistas, a última chance de tentar reverter o irreversível.

O biólogo abriu o compartimento do transmutador e colocou com calma a caixa de formigas. Tirou a tampa e observou aquele pequeno exército disciplinado se esparramar caoticamente.

— Tudo certo? — o primeiro assistente perguntou.

— Sim — respondeu, fechando a tampa e virando as costas para o aparelho.

A cientista-chefe, uma renomada geneticista, checou as configurações com o segundo assistente. Localização, amplitude do raio, espécie de origem. O biólogo terminou de configurar a espécie de destino, Apis mellifera, e deu o consentimento para o início da experiência.

A mão da líder da equipe estava a poucos centímetros do “enter” quando o primeiro assistente gritou.

— Espera!

A equipe toda virou os olhos para ele.

— Tem alguma coisa voando dentro do transmutador.

Chegou perto do compartimento. Uma mosca fazia companhia às formigas. Abriu a tampa, esperou pacientemente a invasora sair, e fechou novamente.

Os quatro se entreolharam, pensando “outra vez, não”, e a cientista-chefe exclamou:

— Vou iniciar o procedimento.

E, sem qualquer cerimônia, confirmou.

Em menos de três segundos, as cerca de vinte formigas cobaia tinham se transformado completamente em abelhas.

Houve um momento de completo silêncio na sala, todas as respirações suspensas, rompido logo em seguida pelos gritos de felicidade dos dois assistentes, que pulavam abraçados, e do biólogo, ajoelhado, as duas mãos segurando o rosto.

Apenas da cientista-chefe não se ouviu um pio.

Os outros três seguiam celebrando quando uma voz firme ordenou:

— Todo mundo no chão!

A comemoração deu lugar ao espanto. Com a cientista-chefe sob a mira da arma que carregava com a mão direita, Eva apontou a outra arma para a direção dos três homens.

O biólogo não se rendeu, e questionou:

— O que você quer?

Eva não respondeu. Com a cabeça, fez sinal para que caminhassem em direção ao banheiro.

A cientista-chefe, que demonstrava segurança demais para a situação, afirmou:

— Eva… você sabe que tem câmeras na sala toda, né? Em menos de trinta segundos, os seguranças estarão aqui.

A faxineira sorriu com descaso.

Quase imediatamente, dois homens armados abriram a porta do laboratório.

— Deu certo!? — perguntou Franz, o maior deles, com um misto de descrença e esperança no tom de voz.

— Deu — respondeu Eva, lacônica.

Ambos tiraram suas armas do coldre e tomaram o lugar da faxineira na rendição dos cientistas.

O biólogo repetiu a pergunta, agora no plural:

— O que vocês querem?

Eva caminhou até a parede oposta, que ostentava o logo da Corporação, e respondeu:

— Não é o que nós queremos. É o que eles querem.

A cientista-chefe, inconformada, estufou o peito e começou a discursar.

— A descoberta que acabamos de fazer pode salvar a humanidade! Por que vocês…

Raul, o menor dos seguranças, interrompeu e tomou a palavra.

— Você realmente acredita nisso? Depois de tudo, ainda acredita nisso?

Eva completou:

— Tudo que aconteceu lá em cima foi por querer “salvar a humanidade” — ralhou, ironicamente. O que vocês acabaram de descobrir é só mais uma forma de continuar a destruição do planeta. É ele quem precisa ser salvo da humanidade.

— E nós não fazemos parte do planeta? — retrucou o primeiro assistente.

A faxineira encarou-o calmamente. Caminhou até ele, empurrou-o para junto dos outros três, indicando a direção do banheiro, e respondeu:

— Fazemos. Por pouco tempo, agora — e deu o sinal para que os seguranças agissem.

Os dois pressionaram seu desfalecedor contra o pescoço dos quatro cientistas, que foram ao chão. Trancaram a porta e se juntaram à faxineira, já sentada em frente ao computador.

— Você sabe o que fazer? — indagou Franz, sabendo a resposta.

Eva fitou o companheiro com ar de reprovação, de quem passou uma vida toda precisando provar capacidade.

— Claro — respondeu tacitamente — são cinco anos observando tudo aqui dentro.

Raul, alheio ao diálogo, se aproximou do transmutador. Pousou a mão sobre a tampa, observou o compartimento por alguns instantes e libertou as abelhas.

— As primeiras… e últimas — murmurou, melancólico.

Eva notou os insetos voando pelo laboratório e tentou processar o fato de que, minutos antes, eram formigas. Os primeiros seres vivos transmutados do planeta. Teriam alguma compreensão do que tinha acontecido? Tirou do bolso da calça a velha foto da família, em frente ao antigo apiário, e contemplou-a por um instante, tentando resgatar na memória a última vez que estiveram juntos. Não conseguiu, e resolveu voltar a concentração para o computador.

Olhou para a tela, o software do transmutador aberto. Havia estudado o código-fonte em segredo por meses. Conhecia cada função, tinha inclusive corrigido um bug que ninguém notara. Também era responsável pela descoberta, de certa forma.

Abriu o menu de configurações principal e alinhou toda a rede de satélites da Corporação, de forma a cobrir toda a superfície da Terra. Regulou a potência da transmissão para o máximo, capaz de alcançar até a astenosfera. Na espécie de origem, digitou, com desgosto: Homo sapiens sapiens. Na de destino, a caixa de texto indicava Apis mellifera. Eva percebeu outra vez as abelhas voando pelo laboratório e parou.

Franz, observando tudo por cima de seu ombro, se debruçou sobre o teclado e afirmou, categoricamente:

— Não merecemos voar — apagou o campo de destino e digitou Gromphadorhina portentosa, sem nem piscar.

Os dois ex-estudantes de biologia se entreolharam. Sabiam que, dali, não tinha volta. O silêncio ao seu redor só era rompido pelo zumbir das abelhas — e da mosca, que seguia perdida por ali.

Raul, no canto da sala, seguia contemplando o transmutador.

A faxineira olhou uma vez mais para a foto da família. Lembrou do último sorriso de cada um, todos mortos na superfície, o marido durante a Grande Extinção, os filhos na maldita Era do Cinza, e pensou no que estava prestes a fazer. Era o ponto final.

Nunca mais um sorriso, um abraço, um carinho.

Nunca mais uma música.

Nenhuma palavra, nenhum livro, o fim de toda e qualquer ficção.

E ninguém sabia.

Sentindo o coração pulsar mais rápido que as asas de um extinto beija-flor, Eva repousou calmamente o dedo indicador sobre o teclado. Apertou firme a mão de Franz, fechou os olhos, respirou fundo e

18 comentários em “[EM] Faxina (Fernandes Peres)

  1. Nelson Freiria
    8 de maio de 2021

    Ambientação: o conto tem uma evolução interessante, não entregando tudo de cara. Se ambienta facilmente sem contar tudo aos detalhes, se limitando a explorar a questão das abelhas, o que pode deixar alguns leitores desinformados sem uma compreensão completa do texto. Mas isso é bom, o leitor tem que se virar também.

    Enredo: deu aquela impressão de alguém se esforçando para tirar uma história a força da temática. Certos detalhes se tivessem sido melhores explorados, como o cotidiano de espionagem da faxineira e a maneira que os invasores do laboratório entraram, dariam um pouco mais de emoção a trama.

    Escrita: Algumas passagens, como no parágrafo que começa com “A distopia que o mundo enfrentava(…)” não tem nada de errado (ou se tem, eu não notei), mas são ditas de uma maneira que não me parecem naturais. Gostei da agilidade do texto, mas o mais importante foi deixar aquele “e” no fim sem sequer ponto final

    Considerações gerais: por um breve instante no começo, achei que sairia dali um filme novo “A formiga da cabeça branca”, mas quando vi que não era teletransporte e sim transmutação, pensei que teria diante de mim uma história imprevisível, com muitas bizarrices, porém tudo deu espaço a um tom morno de discussão sobre salvação/condenação. Um pouco mais de emoção e essa história seria bem divertida de ler.

  2. Lucas Julião
    6 de maio de 2021

    Ambientação: Pelo jeito eles deixaram o melhor por último mesmo. A ambientação está boa, parabéns. E saquei a referência em metamorfose ambulante haha.

    Enredo: O pessoal aqui as vezes reclama por nada, sei lá! Parecem doidos. O que apareceu é o que deve ter em um conto, poucos personagens, enredo explicado de forma rápida. Alguns contos aqui podem estar melhores: Sim! Mas quem reclamou falou que um conto (que é claramente um capítulo de um livro mal escrito) tava ótimo… Nem se acanhe. Se fosse uma coletânea e o seu não entrasse, tendo em vista a qualidade da maioria aqui, eu ficaria puto.

    Escrita: Tá com descrições rápidas e diretas. Não me perdi em nada e gosto disso.

    Considerações gerais: Tá legal. É um texto bom e não alguma coisa sobre jardinagem. Tá valendo um 8/10

  3. thiagocastrosouza
    6 de maio de 2021

    Ambientação: Simples: um laboratório subterrâneo, sem muitas descrições. A narrativa se apega na interação dos personagens mais do que ao cenário onde interagem.

    Enredo: Enredo clássico em filmes de FC: a descoberta que pode salvar a humanidade cai na mão de pessoas com interesses escusos. Como o texto é curto, há muito dinamismo nas viradas, que surpreendem, até. O desfecho é sarcástico e está implícito desde o início da trama.

    Escrita: Boa! Uso de palavras incomuns, mas precisas naquilo que querem descrever. Chegaram a me atribuir esse texto, o que não é verídico, mas sei a razão das suspeitas: “soslaio” e “ralhou”, duas palavrinhas que, vira e mexe, estão nas minhas produções. Gostei de encontrá-las em texto alheio.

    Considerações Gerais: Conto bom, rápido e com questões subjetivas bem inseridas na trama.

  4. Ângelo Rosa de Lima
    4 de maio de 2021

    Ambientação: Nada fora do normal, nem pro bem nem pro mal. 6.5/10

    Enredo: As coisas fluíram fáceis e de maneira esperada (tirando um leve susto quando Eva, sem ambientação para isso, sacou uma arma). Pode ter faltado coragem. 5/10

    Escrita: Aqui é onde o conto se destacou, pela forma e pelo desenvolvimento estético. 8/10

    Considerações gerais: A mosca foi tão necessária à história quanto o episódio da mosca em Breaking Bad; ou seja: inútil. As vezes é importante contextualizar, mesmo que em significados, esses pequenos acontecimentos que a gente se sente impelidos a adicionar. Por exemplo: poderia ser citado o quanto as moscas sentiriam falta de nós e do nosso lixo. But anyway

    • Fernandes Peres
      4 de maio de 2021

      Ângelo,

      obrigado pela leitura!

      A mosca é uma referência pop ao filme “A mosca”, por isso ela não tem muita participação na história.

      Abraços

  5. Fabio D'Oliveira
    4 de maio de 2021

    Baratas, HAHAHAHAHAHAHA. Acho que nem isso merecemos. Você tem um conto muito bom aqui, Fernandes.

    Vamos lá!

    AMBIENTAÇÃO

    Eu gostei bastante de algumas coisas, mas senti falta de outras.

    Você deixa a superfície sob uma névoa interessante. Ao mesmo tempo que insere alguns conceitos que despertam a curiosidade, como a Grande Extinção e Era do Cinza, você decide não destrinchá-las. Achei uma decisão válida. Ela não é tão importante para o foco do conto.

    Porém, a ausência de um maior desenvolvimento do laboratório subterrâneo me desanimou um pouco. É onde a história acontece. Como se trata de um conto de FC, naturalmente esperamos um pouco mais de explicações, como é natural do gênero. Como tudo funciona? Que tipo de empresa está por detrás de tudo? Qual a aparência do ambiente? Isso tudo dá para fazer sem comprometer a agilidade do conto, inserindo informações aos poucos e de forma orgânica, através de ações dos personagens e diálogos, por exemplo. O experimento seria ideal para delinear os pormenores do laboratório e da situação.

    Um conto de Ficção Científica sem qualquer explicação parece uma Fantasia Científica. O problema não está no subgênero que citei, mas sim na formação de uma quimera, que não é nem um, nem outro.

    Outra coisa: é fácil explorar alguns elementos de associação em ambientes subterrâneos, como a claustrofobia. Eu queria ter visto algo parecido. Esse tipo de elemento, quando bem desenvolvido, ajuda muito na imersão do leitor.

    ENREDO

    Apesar da premissa desgastada (o ser humano é um vírus para o planeta e etc), eu gostei da história e de alguns elementos inseridos. Você é muito criativo. E sabe trabalhar com isso.

    A abertura do conto é excelente, por exemplo. A música do Raul Seixas que dá contornos para o experimento. A apresentação da Eva, que captura a atenção do leitor de primeira, principalmente pelo nome. Abrem várias portas sobre seu papel na história. O fato da personagem responsável pela faxina do mundo estar disfarçada de faxineira. Adoro ironias. E não podemos esquecer do que ela estava limpando: o que parecia ser os restos de uma barata.

    São elementos inseridos de forma inteligente. É um conto construído com cuidado. E admiro isso.

    A única coisa que me desagradou na parte criativa foi a forma como tudo acontece muito rápido. Sem qualquer desafio, tudo muito conveniente para os faxineiros da humanidade. Pelos trechos bem construídos, imagino que isso não é uma falha, mas sim uma decisão.

    ESCRITA

    Narrativa bem encaminhada. Com certo nível de maturidade. A leitura foi natural, em linhas gerais, tudo bem escrito e não encontrei nenhuma falha de revisão.

    Devo admitir que achei seu estilo de escrita um pouco morno. Você escreve muito bem, mas raramente brilha. Destacaram a frase do beija-flor. Então, nessa parte você brilhou. Muito. Em outros momentos, entretanto, fica num nível um pouco insosso, você passa pela leitura sem sentir muito. Uma leitura mais longa se tornaria tediosa para muita gente.

    Ah, sim, seria bom avaliar a escolha de algumas palavras. Por exemplo:

    “Os fones de ouvido, no último volume, ressoavam a música que aprendeu com o avô.”

    O verbo “ressoar” está muito mais ligado à expansão do som, ao eco, ao som forte que reverbera pelo ambiente e sentimos o ar vibrar. Soa um pouco estranho unir “fones de ouvido” com esse verbo. Tem um que é muito mais certeiro: reproduzir. Não está errado, creio, mas a sonoridade fica muito melhor, até pela associação que o leitor pode ter com a palavra. É um detalhe de lapidação. É sempre bom estudar as palavras, seus significados mais profundos e brincar com seu uso.

    CONSIDERAÇÕES GERAIS

    A leitura foi uma pouco monótona, mas fluiu bem, e, apesar de tudo que apontei, ele é um conto muito bom. Tem muitas virtudes. Você já sabe o básico da escrita: como construir frases, desenrolar o enredo, etc. Se tivesse tentado desenvolver melhor a ideia do laboratório e de como as coisas realmente funcionavam, seria um excelente FC. Eu achei um pouco ruim como as coisas são fáceis demais, sem muitas explicações, quase que uma conveniência de roteiro. E não consigo enxergar como um bom FC mesmo que seja um texto bem escrito.

    É isso. Parabéns pelo trabalho!

    • Fernandes Peres
      4 de maio de 2021

      Fabio,

      que baita comentário! Valeu demais.

      Vou pontuar algumas coisas.

      AMBIENTAÇÃO

      Você tem razão sobre a descrição do laboratório. A parte da superfície não ser descrita é proposital para que o leitor possa imaginar o que quiser, mas o laboratório poderia ter sido mais explorado.

      Acho que pesam aqui duas coisas:

      – eu tinha a ideia desse conto antes de saber do desafio, pensada pra uma série de contos de ficção “quase agora”, ou seja, próximas do nosso tempo. Aí, como já tem outros escritos, e a ideia é que a ficção seja só um elemento da história, não investi muito em descrever a empresa e o equipamento em si (tenho uma ideia de, nessa série, ter um glossário com grandes eventos e invenções que aparecem em mais de um conto).
      – eu esqueci do desafio e escrevi o conto faltando só 4h pro término do prazo hahaha! Aí, apesar de terem rolado algumas betagens, não deu tempo de desenvolver muito. Eu já inclusive mexi nele na versão aqui do computador hehe.

      ENREDO

      Sim, a decisão de não ter grandes desafios e só a virada do final é proposital. Até tinha pensado outro desenrolar com os seguranças, mas achei que seria, além de batido, muito mais um enrolar pra uma história que eu queria que fosse dinâmica do que outra coisa.

      ESCRITA

      Valeu pelo toque sobre o ressoar, faz todo o sentido. Sobre a escrita morna, confesso que aqui o tempo também jogou contra. Em outros contos eu acho que mandei melhor hehehe.

      CONSIDERAÇÕES GERAIS

      Acho que a parte da FC eu já expliquei lá em ambientação, mas faz sentido mesmo. Não conhecia esse gênero Fantasia Científica, achei interessante, talvez esteja mais pra isso mesmo. E sobre as coisas serem fáceis demais, preciso pensar. É uma ótima crítica.

      Outra vez obrigado e um abraço!

      • Fabio D'Oliveira
        5 de maio de 2021

        Sendo sincero, esse é um dos meus primeiros desafios que não envio um conto feito em cima da hora, hahaha.

        Entendo completamente sua situação.

        E tendo em vista esse detalhe, mandou muito bem.

  6. Pedro Teixeira
    3 de maio de 2021

    Ambientação: Boa ambientação, consegue passar a imagem de um laboratório no subsolo de maneira bem eficiente.
    Enredo: Não consegui “suspender a descrença” para entrar na ideia: me parece que se a humanidade já estivesse num nível de conhecimento tão elevado que permitisse esse grau de controle das estruturas moleculares outras soluções já teriam sido encontradas antes. Mas pode ser só chatice minha.
    Escrita- Boa técnica, com um uso inteligente das referências e um solução bem adequada para o final.
    Considerações gerais – O enredo não me seduziu, mas talvez seja mais uma falha minha como leitor do que propriamente uma deficiência. É um bom conto.

    • Fernandes Peres
      4 de maio de 2021

      Pedro,

      obrigado pela leitura! Acho que não tem falha de leitura, tem questão de se identificar mesmo. Tem temas e textos que sim e outros que não, faz parte.

      Abraços

  7. Fheluany Nogueira
    3 de maio de 2021

    AMBIENTAÇÃO –
    A ficção científica se baseou em escrever sobre um cenário alternativo possível: um laboratório no subsolo e um mundo depois da Grande Extinção e da Era do Cinza.

    ENREDO –
    Baratas dominando o planeta? A ideia parece plausível, já que é um inseto numeroso e resistente, reprodução rápida, em grande número e tolerância à radiação maior do que outros animais. Uma maldade com os humanos, sobretudo com aquele “e” final que sugere a transmutação concluída — muito bom humor e criatividade por parte do(a) autor(a). Apenas não entendi a motivação dos personagens que ao intervirem na transmutação preferiram a barata — talvez pela capacidade de sobrevivência? Não importa quantos venenos, chineladas e vassouradas elas levem, sempre voltam a aparecer…

    ESCRITA – Técnica boa, sem grandes destaques, mas eficiente em contar a história. Diálogos críveis, leitura fluente e prazerosa.

    Destaque para a frase: ” Sentindo o coração pulsar mais rápido que as asas de um extinto beija-flor ”

    CONSIDERAÇÕES GERAIS:
    A mensagem é dura e sugere um conflito claro entre o ser e as imposições sociais, na alusão a Raul Seixas e Kafka — uma faxina que traz a extinção dos humanos e a permanência dos insetos considerados os mais sujos e asquerosos.

    Parabéns pela ideia e execução. Sucesso. Abraços.

    • Fernandes Peres
      4 de maio de 2021

      Fheluany,

      obrigado pela leitura!

      A escolha pelas baratas é uma referência ao Franz Kafka.

      Abraços

  8. Anderson Prado
    2 de maio de 2021

    Ambientação: Ambientação ótima: vi-me com clareza nesse mundo devastado e nesse laboratório subterrâneo.

    Enredo: O enredo está bem delimitado e desenvolvido: é um conto com início, meio e fim (aberto, embora).

    Escrita: Sem ser perfeita, a escrita é bastante caprichosa. Se há erros de revisão, passaram despercebidos (o autor é caprichoso).

    Considerações gerais: Considerando que se trata de um desafio sobre literatura de gênero e que tenho que gostar mais de uns contos do que de outros (não posso odiar a todos igualmente), certamente este aqui é um dos melhores até agora. A escrita é caprichosa (como já dito) e o texto está bem revisado; o volume de diálogos torna o texto leve e a pouca extensão dos parágrafos torna o texto fluido. A literatura de gênero normalmente exige mesmo um espírito criativo… porém, aqui, a criatividade é inteligente: o texto propõe reflexões importantes (embora não inéditas). Por enquanto, há, para mim, um outro texto de que gostei mais; ainda assim, este e aquele dividirão meu 10 (não obstante depois eu não possa incluí-los na mesmo posição na minha lista de preferências). Achei o final terminado com “e” bastante interessante (Ubaldo Ribeiro faz o mesmo em Sargento Getúlio). Adorei a imagem que ilustra o conto e o título (considerado o enredo) beira o perfeito (talvez ficasse legal o artigo “a”?).

    • Fernandes Peres
      4 de maio de 2021

      Anderson,

      muito obrigado pela leitura! Não conheço esse texto do Ubaldo Ribeiro, vou procurá-lo.

      Abraços!

  9. Kelly Hatanaka
    1 de maio de 2021

    Oi Fernandes!

    Gostei do seu conto niilista. Parece meio cruel com nossa espécie, mas, às vezes, parece que somos mesmo o problema do planeta… Abaixo, meus comentários.

    Ambientação:
    Bem feita. Não há grandes descrições, mas a sensação de fim de mundo é evocada muito eficientemente pelos sentimentos e pelas perdas sofridas pelos personagens. Deixa bastante coisa para a imaginação, de um jeito bom.

    Enredo:
    A reviravolta foi muito bem feita. Pelo nome do conto e da faxineira, imaginei outras coisas, outras possibilidades. Me pegou de surpresa, caí feito um pato. Gostei. Só não gostei de imaginar tantas baratas feiosas por aí. Podiam escolher outro bicho, né! rsrsrsrs

    Escrita:
    Escrita clara e correta. Diálogos bem construídos, personagens bem definidos. As motivações estão claras, fazem sentido, existe uma lógica muito boa no seu texto, tudo bem amarradinho e explicado, sem ficar cansativo.

    Considerações gerais:
    Gostei das referências. A faxineira, no fim, faxinou o mundo eliminando esses seres humanos que só causam. E o conto que começou com Metamorfose Ambulante do Raulzito terminou numa Metamorfose de Kafka.

    • Fernandes Peres
      2 de maio de 2021

      Oi Kelly! Valeu pelo comentário e que legal que as referências ficaram claras, hehe.

      Sobre as baratas, bom, ninguém gosta delas, mas já foi dito tantas vezes que elas herdarão o mundo que, né…

      E ah, eu nem sou tão niilista assim, mas pra imaginar o fim do mundo entrei por esse caminho haha.

  10. Ana Lúcia
    1 de maio de 2021

    Ambientação: Achei muito interessante, porém queria que tivesse tido mais explicações sobre o que aconteceu com o mundo e por que a faxinaria e seu colegas eram contra o projeto dos cientistas.
    Enredo: Gostei dos poucos personagens e de só nomear aqueles que realmente importavam, mesmo sendo uma história curta achei que foi até que bem trabalhada(se não contar com a falta de explicação em algumas partes)
    Escrita: gostosinha de ler e fluida, não me senti cansada e nem com vontade de pular logo pro final como aconteceu com um outro conto.
    Considerações finais: Como já disse duas vezes senti falta de maiores explicações, mas de resto é uma boa história.

    • Fernandes Peres
      2 de maio de 2021

      Oi Ana Lúcia! Valeu pelo comentário!

      Sobre a ausência de explicações, a ideia foi deixar pra imaginação do leitor mesmo, mas tem indicações: antropoceno, Grande Extinção, Era do Cinza…

      As motivações de Eva, Raul e Franz não são explicadas, mas a questão pra eles é que a humanidade é o problema, e exterminar a humanidade a solução, antes que ela possa usar o transmutador pra… imagina tudo de ruim que dá pra fazer com um treco desse? Hehe.

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Informação

Publicado em 1 de maio de 2021 por em EntreMundos - Fim do Mundo.