EntreContos

Detox Literário.

Pelo Buraco da Fechadura (Fil Felix)

PRÓLOGO

– la démence –

As lembranças são como fios num tear, entrelaçando e sobrepondo umas às outras, formando uma tapeçaria de vivências que percorre o imenso rio mental, desaguando em regiões – e momentos – desconhecidos. Aos dez anos, sentado na terceira fileira do Teatro Nação, Jonas presenciou pela primeira vez um espetáculo de dança. Era uma encenação de A Sagração da Primavera, com seus bailarinos girando e saltando sobre o palco e em círculos, simulando selvagens recebendo e abençoando a chegada da Primavera, através de rituais pagãos.

A melodia dos fagotes ritmavam com as batidas de seu coração. Aquele ar místico pairando sobre todo o palco, escoando para o público ali presente. Sons guturais intercalavam um passo e outro dos artistas. E desde aquele momento, Jonas percebeu que não estava sozinho no mundo, pois assim como na peça, ele também havia sido eleito o escolhido pela natureza. Algo a mais, que ia além da figura familiar do pai e da mãe ou até mesmo dos amigos imaginários, o acompanhava. Algo que transbordava de excitação, escorrendo por entre as frestas e buracos em sua volta, pois era como um líquido amniótico, acompanhando-o desde o nascimento.

A orquestra de bumbos, flautas, fagotes, violoncelos e violinos seguia a composição de Igor Stravinsky, com os bailarinos apertando os passos, abrindo caminho para o clímax da peça, o momento em que uma das dançarinas seria escolhida como oferenda, dançando até a morte. A cada compasso, os pés batiam fortes no chão, seus corpos rodavam e saltavam no ar: echappé, entrechat, jeté, tour en l´air. A malha dos figurinos apertavam seus corpos, comprimindo o suor e delineando músculos, curvas, seios e virilhas. Os olhos de Jonas brilhavam com tamanha beleza e perfeição universais à sua frente, que tocavam-lhe a alma sem o intermédio das palavras, mas apenas com sensações: sentia cada vibração do palco.

Era como nas aulas de artes da escola, onde ele podia cortar, dobrar e colar um pedaço de papel a fim de criar uma pequena obra prima particular, semelhante ao que os bailarinos faziam com o próprio corpo ali no palco, transformando e ressignificando a própria pele e carne em um novo objeto, uma nova obra prima. E entre os passos finais da apresentação, Jonas fitou de longe sua companheira, que permanecia imóvel entre os homens e mulheres em movimento. Não mais transbordando entre as arestas, querendo brotar no mundo real e vivo; mas como a escolhida no ritual encenado da peça. Como se olhasse para um espelho que o olha de volta, bem ao centro do palco, cercado por movimentos animalescos, um outro Jonas o observava.

E numa fração de segundo, quando a percussão soou alta anunciando o trecho final – A Dança Sagrada -, com a legião de bailarinos em ritmos assimétricos e selvagens, incorporando a coreografia de Vaslav Nijinsky, que o escolhido foi isolado e dançou até a morte. O escolhido que era duplo, Jonas e a bailarina. E o menino viu os corpos dos bailarinos se dobrarem ao redor do escolhido, como em sua aula de arte, transformando-se em garças brancas que bateram asas e sobrevoaram toda a plateia. Um vendaval de mil tsurus metamorfoseados e famintos, bicando e destroçando as cabeças em seu caminho.

E ao cessar da orquestra, estavam todos aos seus lugares originais, imóveis pelo silêncio profundo e absoluto. Um zumbido atingiu os tímpanos de Jonas, que observava a sua volta com olhar de espanto, as palmas frenéticas e silenciosas de todos na platéia. E assim que sua companheira esgueirou-se por uma fresta, o som ecoou por todo o teatro: centenas de mãos batendo umas contra as outras. E Jonas chorou, pois as aves haviam sumido e mais ninguém, além dele – o escolhido -, deu conta do que acontecera.

 

A PRIMEIRA CAMPAINHA

– le regard –

Jonas foi diagnosticado com esquizofrenia logo no início da adolescência. E apesar de manter a informação longe dos ouvidos alheios, era comum que chegasse aos colegas de escola, sendo automaticamente um alvo da chacota e preconceito, desencadeando uma série de momentos e lembranças ruins, além de surtos e ataque de pânico na frente dos alunos. Mudou de escola diversas vezes e com o passar dos anos conseguiu controlar melhor sua doença a base de pílulas e terapias, sempre tomando um comprimido assim que observava pelo canto do olho a loucura, sua velha companheira, deslizando entre as frestas de um armário ou pelas bocas dos copos, surgindo como ilusões e delírios.

Aprendeu a conviver com ela, consciente de sua própria condição, das dificuldades que poderia enfrentar. Nunca teve um relacionamento duradouro: aos vinte e seis namorou durante dois meses, até então um record, uma garota que conhecera na faculdade de contabilidade, que o ajudou em sua pesquisa sobre as probabilidades matemáticas de um cubo mágico – seu brinquedo favorito. Mergulhar nos números e no universo da precisão foi um meio que encontrou de fugir da instabilidade que a vida insistia em lhe presentear.

Mas foi quando comemorou seu trigésimo aniversário – numa festa singela, somente para ele e sua mãe, a eterna amiga – que a situação piorou. Morando num apartamento pequeno da Liberdade, próximo à empresa em que trabalhava como contador, Jonas pressentiu que as paredes que seguravam sua sombra estavam prestes a desmoronar definitivamente. Passou uma semana inteira tendo calafrios, sonhos perturbadores envolvendo corpos contorcidos e a música, aquela música ensurdecedora. Toda manhã no caminho para o trabalho podia enxergar algo pelo canto do olho, como se um espectro seguisse ao seu lado, um sinal de que o apocalipse interior estivesse prestes a acontecer. Apostava em um comprimido pela manhã e outro pela noite, que já não surtiam mais efeito.

Ao término da semana, naquela fatídica sexta-feira, um dia antes do apocalipse, Jonas teve uma péssima intuição ao sair de casa. O trabalho foi tortuoso, atendeu cada cliente com o suor escorrendo pelo rosto, pingando sobre os papéis de contratos e outras burocracias. Tomou três xícaras de café por hora, com o coração disparando ao observar através das janelas do prédio as pessoas andando na rua. Pois não eram mais pessoas, eram os animais de seu inconsciente outra vez. Percebeu que não poderia permanecer no serviço naquela tarde, não poderia surtar na frente de todos, como ocorria nos anos de escola, pois com toda certeza seria mandado embora. Não podiam descobrir essa faceta sua, escondida sob tantas combinações mentais.

Enquanto arrumava a mochila, chegou a comentar que não se sentia bem com um colega. Avisou que precisava voltar para casa e, ao mirar a porta de saída, percebeu que todos os olhares, de funcionários a clientes, passaram a fitá-lo. Todos no lugar ficaram imóveis, os olhos estatelados e observando-o. “Para onde vai? O que pensa que está fazendo?”. Além dos olhares humanos, cada fresta e buraco no andar transformaram-se em novos olhos, da fechadura à saída de ar. “Não fuja! Aceite!”. Jonas fixou o próprio olhar no chão e saiu correndo pela rua, percorrendo todo o caminho de volta para casa sem olhar para os lados, com os passos acelerados, tropeçando em quem ficava na sua frente.

Apesar do sol queimar no alto, as ruas ao seu redor escureciam cada vez mais, a percussão daquele dia, de quando era criança, soou no céu como trombetas. As trevas somente se dissiparam quando tocou no portão do condomínio. Mesmo com o coração acelerado, subiu correndo os quatro lances de escadas do prédio, chegando ao corredor do seu apartamento. Ofegava, tentando se recompor e inspirando fundo apoiado numa das pilastras, seu apartamento parecia incrivelmente distante de onde estava, como se percorresse um túnel. Caminhou devagar, tateando as paredes, pois mantinha os olhos cerrados no receio de encontrá-la outra vez – sua companheira. Ao segurar no batente da porta, procurou no bolso pela chave, tentando uma, duas, três, quatro… dez chaves diferentes de um molho interminável; mas não desistiu.

O rosto aflito e molhado pelas lágrimas embranqueceu ao ouvir um grito que vinha da outra extremidade do corredor. Olhou para trás e viu a porta entreaberta do apartamento da frente, que parecia estar a quilômetros de distância, mas com um som incrivelmente próximo. Ele podia ver, através dessa pequena fresta da porta, um garoto franzino apontando um revólver para os pais à sua frente. Um revólver que provavelmente o pai escondia em cima do guarda-roupa e foi encontrado pelo garoto naquela mesma tarde. E um pai e uma mãe que provavelmente apareciam ali, para ele, como duas figuras camufladas de monstros.

O tiro seco e grave acelerou ainda mais o coração de Jonas, que finalmente acertou a chave e conseguiu entrar no apartamento. Fechou as janelas e cortinas, cobriu com lençóis o computador, a televisão, a geladeira e boa parte dos móveis. Trancou-se no quarto e procurou pelo contato do terapeuta no celular, apertando a tecla de ligação e colando o aparelho no ouvido, vibrando em cada barulho do sinal de chamada, como campainhas. Tuuuu… Tuuuu… Tuuuu… No primeiro sinal de atendido, Jonas tentou explicar tudo que vinha acontecendo nos últimos dias. “Senhor Alberto, sou eu! O Jonas! Está acontecendo de novo, não to conseguindo controlar. Os animais, os olhos… Tão tudo voltando! E acho que acabo de presenciar um assassinato. Não sei se foi real ou não, mas os gritos… o barulho. Acho que aconteceu alguma coisa com meus vizinhos, preciso de ajuda… Não posso voltar pro médico, eles vão me internar de novo! Não posso perder meu trabalho.”

Uma voz mecânica e falha respondia do outro lado: “Jonas, já conversamos sobre seus vizinhos. Não se lembra? Se estiver em crise novamente, venha aqui no consultório amanhã e…”, a ligação foi interrompida pelo som seco de outro tiro vindo do apartamento ali próximo.

 

A SEGUNDA CAMPAINHA

– les souvenirs –

Jonas só dormiu, com roupa, sapato e tudo, depois de tomar três comprimidos do seu remédio, que acabaram por derrubá-lo como um dardo tranquilizante, pois por um momento foi um dos animais que tanto o perturbava. Teve sonhos estranhos e absurdos. Sonhou com uma torre que crescia em direção ao céu. Sonhou com triângulos de metal sendo cutucados por bastões. Sonhou com cavalos de corrida voando ao disparo de um revólver. Sonhou com sua namorada de anos atrás… a única intimidade real que teve, a única pessoa que ousou compreendê-lo de verdade, se perdendo no processo. Sonhou com ela. Ou era ele? As memórias se misturavam aos sonhos como num emaranhado de linhas, cada qual cheia de significados.

A manhã seguinte despertava lá fora e Jonas acordou com outro barulho, como se o próprio Apolo passasse com sua carruagem ao lado do prédio, puxando o sol consigo e iluminando a cidade. Jonas abriu as janelas e percebeu que os animais haviam ido embora, as pessoas estavam de volta às suas roupas convencionais, tumultuando as ruas do centro. Tomou um copo d’água e um comprimido como café da manhã, lembrando que havia marcado de se encontrar com o senhor Alberto. Sequer tomou banho: jogou uma água no rosto, ajeitou a roupa e correu apartamento afora, dando uma pequena parada ao ficar de frente à porta fechada, mas antes entreaberta, da noite anterior. Fez um gesto ameaçando girar a maçaneta, mas mudou de ideia.

Desceu correndo pelas escadas e saiu destrambelhado pelas ruas da Liberdade, cruzando com barracas de artesanato e comidas típicas do Japão, turistas e lojas lotadas a fim de procurar pelo consultório do Senhor Alberto. Por um instante sentiu-se perdido, mas como alcoólatras que sempre encontram o caminho de casa, conseguiu encontrar o portão largo de ferro que dava acesso à clínica. Entrou sem rodeios, perguntando pelo psicanalista. A recepcionista, muito assustada com a abordagem, indicou com os dedos a sala onde o homem estava. “Jonas, que faz aqui?”, indagou o senhor Alberto ao ser surpreendido pela visita. “Tenho um paciente que está pra chegar.”

Como assim, senhor?”, respondeu Jonas, fechando as cortinas e deitando os objetos que encontrava pela sala, como porta retratos e enfeites. “Nós conversamos ontem, não se lembra? De noite. Eles voltaram, senhor. Sinto que ela está mais próxima dessa vez”. Finalmente deitou-se no divã, tremendo os pés e gesticulando muito com as mãos, evitando olhar para o rosto do velho, com medo de que o olhasse de volta com os olhos que só sua companheira tinham.

“Talvez seja hora de voltarmos a falar com seu psiquiatra, Jonas. Os delírios e a paranoia estão voltando com força, pelo que estou vendo. Nós não nos falamos ontem!”, tentou estabelecer uma certa ordem o senhor Alberto. Mas era inútil, pois Jonas já não estava com a mente dentro daquela sala. Com os pensamentos vagando entre as paredes da clínica, como se estivesse fora do próprio corpo, observando do alto seu plexo solar brilhar e emanar energia, pois era o dia do apocalipse.

“Estou articulando… Não consigo resolver… As aves me seguiram… Não sou culpado?”, Jonas balbuciava. O senhor Alberto tentava decifrar a fala desordenada de seu paciente fora de hora. “Aves, Jonas? Como as garças de sua infância?”. E ele sabia qual linha puxar para desfazer o emaranhado, pois no momento que trouxe essa lembrança à tona, Jonas parou de gesticular com as mãos e permaneceu imóvel durantes alguns minutos.

Para o senhor Alberto, os minutos de silêncio faziam parte das consultas, momentos que funcionavam como catarse para seus pacientes, momentos que muitos davam-se conta das coisas que diziam e as situações pelas quais passavam. Mas para Jonas, era como se a clínica inteira tivesse sido engolida por uma baleia, podendo ver suas entranhas vermelhas pela única janela da sala. Um som característico ecoou pelo ambiente, como uma sirene abafada, tremendo o chão e as paredes, trincando todos os vidros. Um esguicho de água surgia da fechadura da porta, outro esguicho vinha da janela trincada, e assim a sala foi sendo inundada aos poucos por fluidos cristalinos. Jonas podia ver os móveis ficando encharcados, mas estranhou a atitude inerte do senhor Alberto, que permanecia sentado e atento.

O nível da água ia chegando próximo à altura do divã, quando a janela estourou e uma horda de garças desesperadas e assustadas adentraram a sala, sobrevoando suas cabeças e deixando um rastro de destruição por onde passavam, pois também trucidavam umas às outras. Jonas tomou impulso e levantou do divã, caminhando com certa dificuldade pela sala e finalmente abrindo a porta, fugindo dessa hecatombe, escorregando pelo corredor da clínica e deixando toda a água da sala escoar, quase como um parto normal.

 

A TERCEIRA CAMPAINHA

– le trou –

Ofegante, Jonas parou na calçada da clínica e apoiou as mãos sobre os joelhos, puxando a respiração para ganhar fôlego. A cabeça doía e os pensamentos surgiam desordenados, pois já não conseguia distinguir o real do imaginário. Era como se o véu de Maya cobrisse todo o seu ser, prendendo-o em ilusões das quais não conseguia fugir. A clínica, quando olhou para trás, já não estava mais lá. A rua, as casas e prédios, calçada, postes, transeuntes, carros, tudo ao redor parecia tomar uma forma diferente, um brilho próprio. Eram tons de azul, verde, amarelo, vermelho, laranja e branco.

E de dentro para fora, seu estômago revirou, assim como a sua volta. Os objetos giraram, trocaram de lugar, se movimentaram, saltando de um lado para o outro. Mas como era possível? Jonas ajoelhou e tentou fechar os olhos, no intuito de colocar a cabeça no lugar, mas era impossível. Mesmo com os olhos fechados, sua visão continuava ativa e atenta, pois o momento havia chego. Sua companheira exigia o sacrifício prometido duas décadas atrás.

Jonas viu-se dentro do seu próprio cubo multicolorido, mas que aos poucos cada objeto ali, cada parte dessas facetas, ia ganhando tons de branco. Não pela ausência, mas pela soma de todas as cores, possibilidades, desejos e falsas coincidências que movimentavam as engrenagens e moviam os fios da realidade. A mente de Jonas, tão sensível às mudanças, translúcida e ao mesmo tempo doente, recebeu um golpe que despedaçou todos os seus pensamentos:

“Não é real…
        É real…
                    Tudo está girando
     Onde estou…
Não é real…
          Quais aves?
                   Porque tudo está…
¿oxıɐq ɐɹɐd ɐçǝqɐɔ ǝp opuɐɹıʌ
¿soãɯ sɐɥuıɯ ɯǝ ossı ǝnb           
            Meu cubo,
meu velho brinquedo.
Seguro em minhas mãos,      
Meu

c   u   b   o
n   ɔ   o   q
b   o   ɔ   u
o   q   n   ɔ

 

De dentro pra fora, do micro ao macrocosmos, Jonas transcendeu em sua loucura. Carregava nas mãos seu próprio quebra-cabeças, seu cubo mágico de seis faces e inúmeras partes, com suas milhares de combinações possíveis. Todos os objetos à sua volta transformaram-se em pequenos azulejos e pisos quadrados e brancos, assim como o bairro da Liberdade tornou-se uma sala pequena que o mantinha preso ali. Seu cubo interior em suas mãos, ao tempo que dava conta de manter-se dentro do cubo exterior.

O silêncio fez com que Jonas desse conta de si mesmo, sua posição, seu passado, presente e futuro. Seus arrependimentos traçaram inúmeras combinações de ações que poderiam ter sido diferentes. Sua ansiedade traçou inúmeras combinações que poderiam acontecer. E ao soar a sequência de três campainhas, sua atenção foi chamada para a porta, a única porta presente na outra extremidade da sala. Jonas caminhou até ela, que não possuía maçaneta, não podia ser aberta por dentro. Mas mantinha o buraco da fechadura. E o que poderia aguardá-lo do outro lado? Quem ou o quê poderia mantê-lo preso ali? Largou o cubo no chão e, apesar de ainda aflito, engatinhou como Alice e olhou pelo buraco da fechadura.

Do outro lado da porta, Jonas viu um palco sendo preenchido por bailarinos que dançavam sob a melodia estranha de instrumentos que não conhecia. E na frente do palco, uma plateia com dezenas de fileiras de cadeiras que iam subindo pelos fundos e pelas laterais. E ali, na terceira fileira, ele enxergou a si mesmo. O dia seguinte seria domingo, ele sabia. Esse dia enigmático, que ao mesmo tempo marcava seu apocalipse, o final de toda sua sanidade. Mas também seria o dia número um, o início de uma nova gênese de possibilidades. Tudo presente ali, sentado à sua frente, ainda sem culpa ou pecados.

36 comentários em “Pelo Buraco da Fechadura (Fil Felix)

  1. Misael Pulhes
    12 de dezembro de 2020

    Olá, “Molière”.

    Resumo: a história de alguns dias decisivos na vida de Jonas, um rapaz esquizofrênico.

    Comentários: Uma obviedade: trata-se de um conto escrito por alguém cheio de referências, com muito talento artístico. Eu adoro referências e há várias no conto (desde o pseudônimo, passando pelo Ballet, etc). O autor escreve muitíssimo bem também. A história é bem conduzida, e o desfecho me deu um arrepio de satisfação (não sei se entendi bem, mas pensei que haveria um ciclo, com a cena final voltando ao ballet, como se o protagonista agora estivesse na posição da bailarina que encena a eleita ao sacrifício tribal. Isso me deu um arrepio. Mas, depois, pareceu-me não ser bem isso. Perdoe-me a dúvida).

    No entanto, um conto assim parece cheio de pretensões grandiosas, o que amplia nossas expectativas e, sob esse prisma, há alguns defeitos importantes no meu ver:
    1) a linguagem parece perder a força após o prólogo. Claro que é diferente narrar a cena do teatro e um dia de trabalho de um rapaz, mas a impressão deixada no início faz querer quer as coisas se mantenham no mesmo patamar vocabular, o que não houve.
    2) paradoxalmente, defender o que defendi no ponto 1 não significa um conto cheio de grandiloquência vazia. E justamente isso acho que ocorreu aqui e acolá… há umas referências aparentemente gratuitas e umas comparações desmedidas (como quando se menciona Apolo, e em “Era como se o véu de Maya cobrisse todo o seu ser”).
    3) Contos com a linguagem tão pesada fazem aparecer mais fortemente erros como “havia chego”.

    É um conto cheio de potencial, um autor certamente talentosíssimo que, por gerar todas essas expectativas, ficou, no meu sentir, devendo um pouco.

    O que não quer dizer que o conto não seja muito bom. Parabéns, aliás e boa sorte!!

  2. Euler d'Eugênia
    12 de dezembro de 2020

    Resolução da sua complicação mental, em comparativo a um cubo mágico, tão difícil quanto, cheio de possibilidades, mas possível. E suponho que a resolução tenha sido realizada quando ele aceitou seus monstros e valsou com eles.
    A abertura se demonstrou teatral, porém logo caiu na monotonia, quando artístico ele era triunfante, quando na rotina, um esquizofrênico.
    É um conto cheio de imagens, as quais foram deterioradas devido o uso excessivo do ‘como’, da comparação constante, devido o ‘mágico usar somente um truque’ a leitura se dispersou pra mim. A naturalidade das imagens se foi e a meu ver se tornaram forçadas, o recurso comparativo se deu aos montes.
    Ressalvo aqui: “Como se olhasse para um espelho que o olha de volta, bem ao centro do palco, cercado por movimentos animalescos, um outro Jonas o observava.”, bela construção de imagens, da parceira de dança, da aceitação dos seus monstros quando artístico, tão fiel quanto um espelho (aqui ele é aceito, pode tudo e se reconhece afora).
    *Pronomes: não entendi o uso da ênclise: ‘que tocavam-lhe’, ‘companheira esgueirou-se’, ‘andar transformaram-se’, ‘instante sentiu-se’. Aqui é ênclise devido o infinitivo: ‘tentando se recompor’. Aqui é ênclise devido o gerúndio: ‘verdade, se perdendo’. Aqui é próclise devido à preposição (mesmo com o infinitivo): ‘de manter-se’;
    Destaco o final, donde a imagem da palavra toma o texto e torna-se um cubo. Essa demonstração da imagem foi excelente.
    É um texto que foi decepcionando-me, começa magistralmente e o mesmo recurso foi desgastando as imagens do texto e até seu valor.

  3. Bruno de Paula
    12 de dezembro de 2020

    Acompanhamos a história de Jonas, que sofre de esquizofrenia paranoide, desde os dez anos, quando ele “descobre” algo diferente em si; até os trinta, quando é acometido por um surto violento que vem a fechar alguma espécie de ciclo(?) iniciado vinte anos antes.

    Olá, Molière.

    Já antecipo: você não vai gostar do meu comentário. Mas entenda que apenas estou sendo honesto com minhas impressões acerca deste conto. Não pretendo diminui-lo como escritor, até porque, lendo apenas esse texto – do qual não gostei – pude perceber facilmente que você tem domínio da escrita. Apenas não concordei com as escolhas que você fez para este conto em específico. Espero ter a chance de ver outros escritos seus, sobre outros temas, com os quais certamente conseguirei me comunicar melhor.

    Tenho que confessar que já peguei uma certa birra na primeira parte do conto. As citações ao nome do compositor e do coreógrafo do balé me soaram gratuitas, colocadas em momentos em que não havia necessidade, não me pareceram orgânicas. Isso me dá a impressão do autor tentando se mostrar erudito, o que sempre me incomoda. Também achei exagerada a descrição do balé como um todo, inclusive com termos técnicos dos movimentos, que nada dizem a quem não os conhece. Isso reforçou ainda mais minha impressão.

    Entendo que pode não ter sido essa a sua intenção. Talvez você só tenha feito questão de dar crédito aos artistas e quis instigar o leitor com os termos técnicos. Não pretendo adivinhar o que passa na sua cabeça. Apenas passo a minha sensação.

    Minha birra aumentou ao ver a forma como você retrata a doença. Esquizofrênicos precisam de medicação diária, não tomam pílulas quando sentem que o surto está por vir. Aliás, o surto é repentino, não dá pra desconfiar antes. Esquizofrênicos também não fazem terapia e evitam psiquiatras. Você descreve basicamente o oposto da realidade.

    Isso me incomodou demais porque parece que você gastou tempo pesquisando minúcias do balé – ou talvez já tivesse esse conhecimento previamente – mas não se preocupou em pesquisar sobre a doença, que é o tema principal do texto e, em última instância, da competição como um todo.

    A partir daí vem a descrição do surto. A forma como Jonas reage às alucinações, de forma tão consciente, também não me pareceu verossímil. Pior: o texto passa a se preocupar mais em criar imagens marcantes – e consegue, com louvor – do que acrescentar alguma substância ao enredo ou à personalidade de Jonas.

    Me senti vendo um clipe cheio de imagens bonitas e surreais, mas que não se comunicam e não formam uma unidade. Tipo um filme do Zack Snyder, rs.

    O final tem uma ideia de fechamento de ciclo – mas que raio de ciclo é esse? – que também me pareceu artificial, calculado, nada orgânico.

    Peço desculpas se exagerei no tom ou te causei algum desconforto. Repito que não quero lhe atingir como escritor e não duvido da sua capacidade técnica. Apenas não gostei deste conto.

    Mas você escreve bem, narra de maneira muito imagética e seu conto se encaixa bem no tema do certame. Não nego seus méritos.

    É isso.

    Abraço.

  4. Amana
    12 de dezembro de 2020

    Obs.: A nota final não se dará simplesmente pela soma da pontuação dos critérios estabelecidos aqui.
    Resumo: História de Jonas, que sofre de esquizofrenia, contada da infância até a idade adulta.
    Parágrafo inicial (2/2): Um início que não fiz muita coisa do enredo, encanta pela beleza da descrição.
    Desenvolvimento (1/2): Aqui eu descontei nota por causa de partes que pra mim tiraram a verossimilhança do conto em relação à loucura do personagem. A esquizofrenia, a meu ver, não foi retratada como acontece na realidade. Somente um psiquiatra pode tratar o esquizofrênico, porque para acalmá-lo, controlá-lo, o único jeito é remédio. Não adianta fazer terapia. Se o doente não tomar remédio, a dose indicada pelo psiquiatra, todo dia, vai sofrer com alucinações. E a relação com a doença depende muito do nível de conhecimento da pessoa. Alguém sem estudo e sem compreender questões de tratamento e doença, ou as duas coisas, não vai entender que precisa do remédio na dose certa todo dia. Mas o Jonas até faculdade fez, deveria saber lidar melhor com a doença. Foi assistindo ao filme Uma Mente Brilhante, que consegui relacionar a esquizofrenia com o que a minha sogra sofria. Até seus 54, 55, o pessoal achava ela doidinha, mas sequer pensava que pudesse ser esquizofrenia. Pelo menos era paranoide, não psicótica. Esquizofrênico não pode ficar muito tempo internado. Só até o remédio fazer efeito, já que não adianta, o jeito é tomar remédio. Mas minha sogra não tem estudo, não lê, não escreve, não tem essa compreensão de que deve tomar o remédio certinho. Então o jeito foi ela vir morar com a gente, nós que controlamos isso, damos o remédio todo dia. Faz 7 anos, a dose dela é a mesma. E nunca mais teve surto, desde então. Ela conversa sozinha, não lembra da gente muitas vezes, tem cisma comigo, paranoia com computador (uma vez sumiu com um pendrive meu, nunca mais achei! Decerto achou muito suspeita aquela coisa que eu vivia usando rs), mas é inofensiva, tem o seu mundo. Por isso estranhei vendo o Jonas tomar remédio sempre que via algo estranho, mas se ele tomava a dose certa, isso não deveria acontecer. Ou então o/a autor/a escondeu algo de nós, leitores. E quando eu digo a respeito do estudo, do conhecimento, é que Jonas, estando consciente do que sofre, deveria agir como o personagem principal do filme que citei: desconfiou de algo, se é real ou não, pergunte a alguém se está vendo a mesma coisa que ele. Se só ele estiver vendo, não é real. Esquizofrênicos paranoides medicados podem levar uma vida normal, casar, ter filhos, trabalhar… O psicótico já é bem complicado… E minha sogra, que não teve muito acesso ao conhecimento, se a gente tenta explicar o que ela tem, simplesmente ouvimos um “eu não sou louca!” E fim de papo…
    Personagens (2/2): Tive empatia pelo Jonas, apesar do que escrevi no tópico anterior, porque não é fácil sofrer dessa doença.
    Revisão (1/1): nada que tenha me incomodado…
    Gosto (1,5/3): Pela falta de verossimilhança na abordagem do tema. Para muitos que não compreendem muitos detalhes sobre essa doença, certamente não levarão isso em conta.

  5. Amanda Gomez
    12 de dezembro de 2020

    Resumo📝 Homem que convive com a esquizofrenia durante toda a vida, luta para impedir o próprio apocalipse.

    Gostei 😃👍 Cara, que conto visual. Que imagens! Eu achei um texto tão rico, colorido, perfeitamente escrito que depois que terminei de ler fiquei assim… meio viajando nesse caleidoscópio que você formou. Seu talento com a escrita é inegável, uma história simples mas conduzida com muita precisão. O personagem causa empatia, a luta dele pra se conter, para continuar em frente… uma batalha solitária. O começo do conto é impressionante, as descrições… não é uma tarefa fácil ser tão preciso ao criar imagens como vc fez, o palco, a tensão, a beleza, o choro do menino entendendo que a parti daquele momento nada seria igual. E aí temos o final que remete a aquele exato momento. Consegui visualizar o cubo. Acho que o conto em si é a descrição do interior desse homem. Uma visão rica de como deve ser a mente dos acometidos por essa doença tão triste. Não ser em primeira pessoa fez toda a diferença, porque se fosse com certeza afastaria o leitor e acabaria se tornando mais um devaneio incompressível… foi grande acerto. O casamento com o título, a imagem, o personagem observando a si. Enfim, belíssimo trabalho! Sei que há muitas nuances que eu não consigo expressar, mas sai na leitura com aquela sensação boa de que senti o que o autor queria passar.

    Não gostei 😐👎 Nada a comentar.

    O conto em emoji : 🚪⏳

  6. Fabio D'Oliveira
    12 de dezembro de 2020

    Vão reclamar ou zoar, mas vou falar mesmo assim: outro conto que está sendo difícil avaliar.
    .
    Ele é muito bem escrito, organizado com primor, uma coisa que admiro, pois demonstra o cuidado do autor com seu leitor, tentando deixar o texto da melhor forma possível para seus admiradores. E posso falar que você é um escritor nato, Molière. Escreve bom propriedade, é seguro de si, sabe o que está fazendo. Isso é inquestionável. A parte técnica está impecável e é um dos melhores contos quando se trata de adaptação ao tema. Foco total na loucura do protagonista.
    .
    Acompanhar a história de Jonas foi interessante. O ato inicial, do balé, é carregado de simbolismo, que trabalha o caos do protagonista, suas tendências, sua insanidade. Depois, vemos sua vida num ritmo de vai e vem, entre momentos de surtos e sanidade. Num ponto, acho importante ressaltar, vemos que ele quer ter uma vida normal, o que me entristeceu muito. A pessoa que carrega essa doença sofre demais. No final, entrando no ápice do conto, Jonas tem outro surto, que vai se intensificando com o passar do tempo. Imagino que a cena do tiro representa algum pecado cometido no passado. Algo que sempre retorna, talvez somente nos surtos. O final, dando uma conotação cíclica para o conto, foi bom. Eu gostei e achei interessante. Tudo que me pareça surreal é atraente, haha.
    .
    A dificuldade para avaliar o conto está na forma dele. Não há qualquer inovação no corpo do texto ou no conteúdo. É uma história muito bem escrita, mas ela, em si, não trás novidades, não encanta, não brilha por conta própria. Não se engane: seu conto tem brilho, mas voltado para sua narrativa impecável. Estou procurando promover contos mais inovadores, mais criativos, que exploram a imaginação mesmo. Por isso, um texto com moldes tão tradicionais acaba me afastando do objetivo que me dei nesse desafio. Eu não gostei da leitura, pessoal, pois achei ela bem densa e arrastada. Eu tive que ler em partes e três vezes, no total, pra realmente ler tudo sem dispersar a atenção. Por isso não gostei. Achei que alguns pontos se alongaram mais do que deveriam, mas entendo que é o estilo que decidiu adotar. Eu respeito isso.
    .
    É um texto exemplar, com uma boa história e bem construído. Nunca pense o contrário disso.

  7. Carlos Fati
    11 de dezembro de 2020

    Resumo: Jonas, o esquizofrênico

    Comentário: Um conto muito bem realizado, com início, meio e fim, não necessariamente nessa ordem. O autor preza pelos detalhes e pela pesquisa temática, o que garante um texto rico, interessante capaz de atrair, sim, a atenção do leitor. Em todo o momento. Comigo foi assim e, por isso, dou os parabéns ao autor.

  8. Rafael Penha
    11 de dezembro de 2020

    RESUMO: A história de Jonas, um esquizofrênico.
    COMENTÁRIO: A esquizofrenia do personagem narrada de forma impecável.
    A narrativa do conto e pareceu um pouco truncada, narrar a mente de um louco é complicado, e apesar da esquizofrenia de Jonas ter sido mostrada quase que de forma palpável, nos carrega para sua espiral de loucura a qual é difícil de acompanhar, para mim foi difícil.
    O personagem é bem mostrado, sua condição, desde cedo mostrada com sucesso, o conto é ele. Não há tanto enredo a ser desenvolvido, já que o conto é a vida de Jonas em meio a seus delírios. Essa é minha crítica, entrar na mente de um louco nos contos do desafio estão me parecendo mais como “mostrar como é a mente de um louco” do que “contar uma história sobre loucura”. Aqui, a mente é mostrada com excelência, mas eu sinto falta do enredo, do personagem indo do ponto A ao ponto B, da mudança, do conflito e resolução. É um gosto pessoal, de fato, mas sinto neste conto, assim como em outros, que não há história, só uma viagem pela mente do personagem. Entretanto, se avaliarmos apenas neste quesito, este é um conto memorável.
    Um grande abraço!

  9. Fabio Monteiro
    10 de dezembro de 2020

    Esquizofrenico clássico, Jonas não consegue dar seguimento a sua vida. Ele vive ciclos e fases de delírios que parecem intermináveis. Sua insanidade o prejudica em inúmeros aspectos, social, pessoal, humano, comportamental.
    Esquizofrenia é o pior de todos os problemas mentais. Livrar se dos pensamentos ruins e das vozes não é algo fácil de conseguir. Jonas parece viver um ciclo de transtornos que termina sempre com a piora de sua condição humana. Sinto que ele tenta espiar-se a si próprio. Fato que não consegue.
    Sobre o texto em si, achei a leitura presa em muitos momentos. Me perdi em vários pontos. Foi difícil a compreensão. Isso não diminui a nota que darei pela excelência no conto. É apenas uma forma de mostrar ao autor que outras impressões surgem e cada um tem uma percepção. O EC nos permite mostrar essas condições como uma forma de melhorar ou adaptar a escrita para que seja ainda mais clara e coerente.
    De toda forma, excelente autor
    Boa Sorte.

  10. Alexandre Coslei (@Alex_Coslei)
    10 de dezembro de 2020

    RESUMO:
    Um personagem esquizofrênico que passa a vida sem conseguir imprimir estabilidade à sua existência.

    ABERTURA:
    Um primeiro parágrafo de profissional. Excelente escrita, bem elaborado, intenso. Uma abertura que já nos coloca no clima do grande conto que virá.

    DESENVOLVIMENTO:
    O autor tem ótima escrita, é intuitivo, abordou o tema com profundidade, desenvolveu uma ideia coerente e a atendeu de forma eficiente com uma boa narrativa. Um trabalho tecido em detalhes e com muito capricho. A extensão do conto não se perdeu do objetivo narrativo. Não senti perda de interesse pela leitura em nenhum momento. Um trabalho de fôlego feito sem pressa, com esmero e precisão. Um ótimo texto.

    DESFECHO:
    Não senti impacto com o desfecho, o que foi uma boa escolha do autor. O final seguiu o fluxo da narrativa e fechou as cortinas do espetáculo com classe e elegância. Bem realizado. Sucesso.

  11. Regina Ruth Rincon Caires
    10 de dezembro de 2020

    Pelo Buraco da Fechadura (Molière)

    Resumo:

    A história de Jonas, personagem que convive com esquizofrenia desde criança. A história narrada em forma de anel, o início é o final.

    Comentário:

    É impressionante o quinhão de veracidade que a narrativa tenta passar. Tudo é tão pormenorizado que, ao leitor, é possível transferir as sensações vividas por Jonas. Acredito que o autor fez uma pesquisa intensa para escrever sobre a psicose.

    O texto é poesia pura. Tanta sensibilidade do autor dá à narrativa um teor doce, mesmo trabalhando sobre dores intensas. A descrição é clara, serena. Tocante. A angústia é trazida com leveza. Não retira a dor, só ameniza o contar. Que trabalho lindo!

    Há poucos deslizes na escrita, particípio (forma verbal), mas uma breve revisão arranja tudo.

    Bonito o comparativo entre as facetas do cubo mágico e as “caras” trazidas pela doença. Sensacional!

    Parabéns, Molière!

    Boa sorte no desafio!

    Abraços…

  12. antoniosbatista
    10 de dezembro de 2020

    Resumo: Jonas sofre de esquizofrenia e em seus delírios não consegue ter uma vida normal. Mais ou menos isso.

    Comentário: Vemos na história de Jonas, o desenvolvimento de sua loucura. Texto bem escrito, o autor (a) desenvolve bem a narrativa, com frases elaboradas, mas sem excesso. Faz algumas referências, inclusive com o Jonas bíblico que foi engolido por uma baleia. As ações são fortes, marcantes, com muitas imagens surreais compondo a loucura de Jonas.

    A ciência não tem certeza se a esquizofrenia nasce com o indivíduo. Não percebi na narrativa, se Jonas ficou assim por causa de algum trauma na infância, se era ele o garoto com a arma na mão apontando para os pais, ou se ele viu algo perturbador e traumático, ao olhar pela fechadura de uma porta. De qualquer forma, é um conto bem escrito. Embora não traga nada novo, em termos de argumento, destaca o talento do autor (a) com a escrita. Boa sorte.

  13. Daniel Reis
    9 de dezembro de 2020

    RESUMO: A evolução da esquizofrenia na vida de Jonas, desde a infância até a vida adulta, quando os pensamentos se fragmentam em delírios e ilusões

    IMPRESSÕES: Uma história triste e bem contada, pois a esquizofrenia é realmente uma condição lamentável. Na parte técnica, me chamou a atenção as figuras alegóricas criadas pelo autor, que nos insere na mente do personagem. Como efeito, achei que o final em suspenso (não aberto) foi um pouco frustrante. Parabéns ao autor, um belo trabalho!

  14. Paula Giannini
    7 de dezembro de 2020

    Olá, Contista,

    Tudo bem?

    Resumo – A luta contra a esquizofrenia.

    Minhas Impressões:

    Um texto cheio de camadas e com ótimas referências acerca da arte, sobretudo as cênicas (teatro e dança), as plásticas e a literatura. Interessante notar que o conto se organiza quase de modo concreto, como se o artista por trás da pena desenhasse seu conto enquanto o escreve. Assim, o personagem que assiste ao teatro é o mesmo que se vê de ângulos diversos, em um tipo de estrutura tridimensional. A técnica utilizada pelo(a) autor(a) dá a impressão de que o protagonista, de algum modo, observa-se de fora do próprio corpo.

    A trama é simples, mas apresentada com uma narrativa sofisticada e muito intrigante. Este conto é uma caixa, dentro de outra e de outra mais.

    O arremate é um primor, uma espécie de volta ao início, sem de fato o ser.

    Há que se notar, também, os títulos que dividem os capítulos, as três campainhas sonoras que acontecem em um espetáculo de teatro soam antes do efetivo início da peça. Desse modo, para esta leitora aqui, tão envolvida com teatro, restou a impressão de que toda a luta de Jonas ocorre em alguns minutos, toda uma vida a que ele assiste (a dele mesmo refletida na Morte do Cisne) da cadeira de um teatro, antes do descortinar do pano, com o início de uma “comédia de erros”, especialidade de Moliére.

    Um excelente desfecho para este desafio de tanta qualidade.

    Parabéns pelo excelente texto.

    Se acaso minhas impressões erram o alvo, apenas desconsidere-as.

    Grande sorte no desafio.

    Beijos
    Paula Giannini

  15. Andre Brizola
    6 de dezembro de 2020

    Olá, Molière.
    Conto sobre a luta de Jonas contra sua esquizofrenia, doença que o afeta desde os dez anos de idade. Durante sua vida, Jonas sofre com seus efeitos em sua vida profissional, emocional e, no final, em um recomeço, vê a si mesmo, ainda intocado, em um círculo.
    Acho que este conto tem que ser comentado de duas maneiras. A primeira delas abordando a parte técnica, em que há muito a ser destacado. Começo pela escolha lexical, em que encontramos, ao mesmo tempo, opções não tão usuais (como a menção aos fagotes, instrumentos de sons graves, e que raramente ultrapassam os dois ou três em uma orquestra) e termos bem comuns e simples, que são aliados em construções bonitas e elegantes (“tocavam-lhe a alma sem o intermédio das palavras, mas apenas com sensações”). A opção por contar a história em forma de capítulos também contribuiu em muito para o fortalecimento do personagem. A esquizofrenia não é um mal súbito, de forma que qualquer tratamento que lhe fosse dispensado de forma episódica tiraria o peso dela em Jonas. Isso foi muito bem pensado.
    A segunda maneira de comentar esse conto é com relação ao enredo. Simples, mas muito bem tratado, ele nos apresenta a história de Jonas, que cresce sabendo que é um escolhido pela natureza a carregar o fardo de não ser só, de ter sua mente “partilhada” com a loucura. O acompanhamos em um crescente e, no final, estamos praticamente dentro de sua mente, vislumbrando os efeitos da loucura até o momento crítico, inicial, no teatro.
    O conto atende plenamente o tema do desafio. É muito bem escrito e carismático. Se tenho a apontar algo de negativo, talvez, seja um pequeno excesso de informação, que pode ter deixado o conto mais longo do que o necessário. Mesmo assim, achei que é um dos melhores dentre os 57 participantes.
    É isso, boa sorte no desafio!

  16. Fernando Dias Cyrino
    5 de dezembro de 2020

    Olá, Molière, você me apresenta um conto muito bonito. A história de Jonas, um esquizofrênico em sua luta contra os seus delírios. Uma narrativa muito bem estruturada. Ponto pra você por ter colocado a história em capítulos e ficou muito bacana trazer o ballet – e um ballet essencial com a música de Stravinsky – para dentro da história. Na Sagração da Primavera o nosso herói se mistura com a bailarina que irá ser imolada aos deuses. Você escreve muito bem, sabe narrar cuidadosamente a história. Traz-me momentos especiais o seu conto. O uso da literatura concreta nele a partir do cubo mágico, ficou, desculpas pelo trocadilho, mágica. Gostei de ter apresentado, na chegada em casa de Jonas, um possível assassinato dos pais por um menino. Ou seria a sua fantasia, o seu delírio e a sua loucura? Achei que ficou muito bom isto. O final circular e aberto a tantas interpretações, ligado ao início da história quando Jonas, mais que assistia, saboreava intensamente o ballet ficou bem legal. Passou um “chego” aí na sua revisão cuidadosa. Nada que atrapalhe o meu gosto pela leitura da sua bela história. Só achei, Molière, que poderia ter me arrumado um pseudônimo mais adequado à dança e não ao teatro. Para terminar, amigo, lhe digo que pelo Buraco da Fechadura, me trouxe prazer na leitura. Um belo de um conto com certeza fará bonito e estará postado entre os melhores do desafio. Parabéns e grande abraço, amigo.

  17. Andreas Chamorro
    1 de dezembro de 2020

    Resumo: panorama da condição do esquizofrênico Jonas, passando pela infância e chegando à idade adulta. O autor juntas as pontas: começo e fim se ligam como num orobouro.

    Salut, Molière, très bien, tu as fait du bon travail! Conto interessantíssimo, bem escrito e bem pensado. Há vários detalhes dignos de comentários, contudo vou abordar o que me agradou de verdade.
    No primeiro capítulo, me saltou aos olhos a invisibilidade da esquizofrenia para o pequeno Jonas, ele não sabe o que ela é, todo o fantástico visto no palco poderia ser muito bem a imaginação infantil. Achei isso interessante, se o ladeamos com o Jonas adulto que se atormenta por saber de sua condição. O teatro e toda a descrição é bem alegórica, dá para se arrancar bastante coisa daí.
    Os capítulos seguintes me agraram pelos títulos, a campainha, as alucinações que corroboram com tudo isso. Falando nelas, achei-as muito bem construídas, as imagens não aparentam serem clichês, gostei muito da metáfora da baleia e do bairro da Liberdade o “asfixiar”.
    O autor soube dosar no subtexto, escutei uma voz freudiana em alguns momentos, até o conceito de pulsão de morte pesquei ali ou aqui. Ou seja, o autor sabe do que estava falando, e não colocou seu juízo de valor em momento algum, contou a história através de um narrador neutro, nada intrometido, esperançoso até. No que tange a diagramação, achei pertinente mas já não é novidade (vide o romance House ou Leaves), contudo aqui, no caso deste conto, fora muito bem utilizada, transportando a metafísica da linguagem verbal para a ortografia.
    Texto excepcional! Parabéns, de verdade. E boa-sorte!

  18. Fheluany Nogueira
    28 de novembro de 2020

    Percurso de um esquizofrênico, desde a adolescência, que busca certa normalidade; mas aos trinta anos entra em colapso.
    A cereja do bolo neste texto é a linguagem — poesia, metáforas, comparações, imagens, referências, símbolos, descrições, construções frasais, o título — tudo bonito e inteligente. A estrutura também auxilia no ritmo cadenciado e na fluidez. A trama, em si, é simples, apesar de intensa; faltaram elementos que lhe dessem maior substância — um conflito. A proposta não é muito narrar a história, mas sim os sentimentos, a confusão.
    Enfim, uma ótima experiência de leitura. Parabéns e boa sorte no desafio. Um abraço.

  19. Jefferson Lemos
    26 de novembro de 2020

    Resumo: O conto é narrado pela perspectiva de jonas, o protagonista que sofre de esquizofrenia e vive seu eterno apocalipse.

    Olá, caro autor.

    Primeiramente: que escrita primorosa.
    Lindo a maneira como você escreve, o início do seu conto me lembrou muito Cisne Negro, com toda a questão do balé e das dualidades. Gostei.
    O desenvolvimento da trama é bom, você realmente consegue dar vida aos personagens em cada trejeito dele. E o conto é muito visual e eu amo isso, gosto muito de escrever assim também (apesar de não ter a sua maestria).
    Meu único ponto negativo é que o final me deixou meio decepcionado. Não que tenha sido ruim, mas eu esperava algo mais.
    É isso, você é um autor classe S, cara! Escreve bem demais!
    Parabéns e boa sorte!

  20. Ana Maria Monteiro
    26 de novembro de 2020

    Olá, Autor.

    Resumo: Jonas é diagnosticado com esquizofrenia na adolescência. Sofre o primeiro surto aos dez anos, mas apenas ele se apercebe; pouco mais tarde, chega o diagnóstico. Ao longo da sua vida, tenta aparentar a normalidade possível para não ser excluído nem motivo de chacota, mas ele próprio tem dificuldades de relacionamento pessoal e social e torna-se uma pessoa bastante isolada. A medicação e o seu psicanalista conseguem ajudá-lo a manter o controlo, sempre com dificuldade e, aos trinta anos, em novo surto a que chama de apocalipse, Jonas perde-se completamente e mergulha definitivamente na loucura.

    Comentário: Um texto impecável, sem falhas. Ou antes, vi um Chego em lugar de chegado, mas isso acontece a qualquer um. Nem sei o que dizer, pois ainda estou meio zonza da viagem alucinada que percorri com Jonas. Visualizei tudo, incluindo o cubo e as pedras da calçada em multiplicação e desmultiplicação. Ufa! Você fez um trabalho genial, embora eu não saiba se existem cabeças que funcionem assim, mas deve tornar-se insuportável.

    E depois veio a acalmia e o buraco da fechadura e um novo começo de tudo. Fantástico!

    Um conto que dá prazer e o que pensar.

    Obrigada pela leitura.

    Parabéns e boa sorte no desafio.

  21. Marco Aurélio Saraiva
    24 de novembro de 2020

    RESUMO: Jonas sofre de esquizofrenia desde muito cedo na vida, desencadeada por um evento que ocorreu durante a apresentação de dança; algo que ele viu, algo que fez, o leitor não sabe bem o quê. Mas é seu “apocalipse”. Ele cresce e aprende a viver mas, aos trinta anos, tem uma crise terrível da doença e cai novamente em espiral incrontrolável de loucura.

    O texto arrisca ao colocar o ponto de vista de Jonas como o ponto de vista narrativo (apesar de o narrador não ser ele mesmo). Mas eu diria que a escolha foi certeira, não por que tornou o conto mais claro (não foi isso que aconteceu) mas por quê visto deste ângulo o tema do desafio fica ainda mais evidente. O leitor acaba mergulhando no mundo esquizofrênico de Jonas, e entende um pouco do que passa alguém com este problema. O objetivo do conto não é contar uma história – um enredo – com algum sentido mas, antes, é contar os dramas de Jonas em tentar superar a própria doença. É agoniante vê-lo ciente das próprias limitações e, apesar de agir racionalmente em seu próprio mundo, não conseguir alterar seu destino, que é naufragar na insanidade sempre a espreita, revivendo seu próprio apocalipse, tentando desventar a “chave” da sua mente que o tornaria uma pessoa normal e “desligaria” aquele problema.
    Gostei da alusão com o cubo de Rubik. É como se a mente das pessoas “normais” fossem cubos de Rubik quase montados, mas a de Jonas é um cubo embaralhado, assim como o próprio conto.

    É um conto bem escrito, com um enredo vago mas que, como citado acima, não vejo como algo ruim.

  22. opedropaulo
    23 de novembro de 2020

    RESUMO: Desde adolescente, Jonas lida com a esquizofrenia, vivendo uma vida solitária e isolada, só ele e a sombra que o persegue. Certo dia, a sombra se avoluma e os arredores mudam de forma, evocando a lembrança de um palco em que ele é a principal oferenda. E, enquanto tudo é olhos e ele é a peça principal, Jonas se vê olhando de volta pelas fechaduras pelas quais o espiam… e, por elas, ele se vê.

    COMENTÁRIO: Conto muito bem escrito, com um uso poderoso de metáforas e do próprio formato do texto para expressar as angústias do personagem. Os primeiros parágrafos são um exemplo do primor que é um aspecto geral do conto ao realmente nos colocar na pele do personagem, sentindo a sua angústia, absorvendo os vários aspectos daquele espaço, inclusive os que só ele pode ver. É com essa sensibilidade que se lê todo o restante. Há uma dinâmica presente na narrativa, que é a tensão entre o personagem e a sua sanidade, algo que envolve o leitor e faz indagar se Jonas conseguirá lidar com essa crise como tem feito há anos ou se esta será a que sobrepujará uma luta de tanto tempo. Nessa tensão, a loucura é praticamente tangível, rica em símbolos, faz questionar se trechos do cotidiano do personagem são reais ou devaneios… Minha única crítica é para o final que, sim, nos dá um desfecho, mas não tem um impacto. Deixa em aberto, nos transmite a ideia de um ciclo, de uma realidade espelhada, mas finaliza a leitura com uma sensação de que o protagonista girou em círculos, de que foi algo muito interessante de se ler, mas que a principal dúvida incitada durante a leitura – se Jonas vai continuar à frente da insanidade – não é realmente respondida ou mesmo tocada em maior profundidade, acabando por se tornar o pano de fundo do texto. Mesmo assim, é um conto excelente.

    Boa sorte.

  23. Jorge Santos
    21 de novembro de 2020

    Olá Moliere. O seu conto narra a história de uma vítima de esquizofrenia, centrando-se num surto. Ele tem especial fixação por aves e fechaduras de portas.
    Gostei do conto, se bem que achasse algo monótono na linguagem. Creio que a fluidez do texto poderia ser melhorada sem que o mesmo perdesse sentido. A caracterização da personagem está magistral, em especial a caracterização da loucura pessoal dele, talvez a melhor que li neste desafio. Conheço demasiado bem esta doença e hoje em dia há medicamentos que permitem controlar eficazmente os surtos e permitir uma vida normal. O problema é encontrar a combinação certa, pelo que se conhecer alguém a sofrer deste mal, diga-lhe para procurar outro especialista.
    Gostei muito do desfecho. Ele vê-se a ele próprio antes da doença se começar a manifestar. Aqui notei alguma incongruência. A esquizofrenia costuma começar mais tarde, por volta dos 18 anos, mas nada que tire qualidade ao conto.

  24. Priscila Pereira
    16 de novembro de 2020

    Resumo: Homem com esquizofrenia tenta escapar do apocalipse pessoal, ou seja, a loucura que vai acabar de vez com o que resta da sua sanidade.

    Olá, Moliére!
    Gostei bastante do começo, pra mim, ficou bem verossimel a chegada da loucura, imagino que aconteça assim mesmo, de repente, sem aviso, uma hora vc é são, outra tá vendo e ouvindo o que não devia.
    A comparação com a orquestra e a dança ficaram muito boas ao longo do texto todo. A luta dele pra ter uma vida normal foi muito bem mostrada e o início do apocalipse também, mas acho que o final foi difícil de acompanhar, com certeza foi proposital, perde-se o fio da meada e descamba para a loucura de vez.
    Parabéns! Boa sorte!
    Até mais!

  25. Josemar Ferreira
    16 de novembro de 2020

    O conto narra a história de Jonas a partir de sua primeira crise de esquizofrenia, e revela a luta por uma vida normal. Jonas, esquisofrênico, tenta manter a normalidade em si mesmo, através de medicações. Mas vai chegando um tempo que os remédios não têm a mesma potência para controlar o que as frestas da mente do Jonas mostram gradualmente a todo momento. O final me pareceu que Jonar havia sido internado e no quarto ou sala que estava não possuia maçaneta, mas havia uma fresta que o fez revisitar toda a sua tragetória até ali.

    Gostei do conto, achei a leitura fluida, embora não tenha me envolvido com igual proporção de fluidez.

    Boa sorte no desafio.

  26. angst447
    15 de novembro de 2020

    RESUMO
    Jonas, diagnosticado como esquizofrênico desde a adolescência, tenta levar uma vida “normal”, mas sempre se depara com a sombra de sua companheira – a loucura. Teme chegar o momento do seu apocalipse particular.

    AVALIAÇÃO
    Conto bem escrito abordando com habilidade os meandros da loucura. A trama desenvolve -se densa e conduz o leitor para o âmago de um redemoinho de pensamentos e sentimentos que vão aos poucos se desconectado da realidade.
    Jonas não mais o personagem bíblico que é engolido pela baleia, mas sim naufraga dentro de si mesmo.
    Há outros símbolos e referências que reforçam o estado psíquico crítico. O cubo mágico que possui 6 lados, 6 quadrados e em nenhum deles Jonas consegue mais se “enquadrar”, não consegue chegar à combinação exata de cores para o equilíbrio. Alice olhando pela fechadura… tudo transita entre o exterior e o interior .
    Uma leitura que exige um mergulho profundo e que por vezes se arrasta e rouba o fôlego.
    Boa sorte e que o apocalipse seja adiado.

  27. Elisa Ribeiro
    13 de novembro de 2020

    A trajetória de Jonas, um esquizofrênico, de seu primeiro surto, aos dez, aos trinta anos.
    As descrições em cores vibrantes dos delírios do personagem esquizofrênico são o ponto alto da narrativa. Enquanto lia, fiquei me perguntando de onde o autor as teria tirado. Não tenho ideia de como funciona a mente de um esquizofrênico, mas suas descrições soaram convincentes e incrivelmente imagéticas.
    Também gostei da forma como vocês estruturou a narrativa em atos de um espetáculo teatral combinando com a ambientação parcial do conto e os delírios do personagem.
    Com relação à linguagem, há alguns malabarismos que pesam a leitura (períodos quase sempre exageradamente longos e muitas subordinações). Também notei algumas desarmonias verbais e regências que me soaram estranhas durante a leitura. Provavelmente decorrências da tendência de alongar os períodos. Nada contra subordinações e tal, inclusive quem sou eu para criticar pois costumo escrever assim também, somente aponto para sua reflexão como escritor porque foi algo que me afetou durante a leitura.
    O que não gostei: o primeiro período que abre seu conto. Uma cena tão inspirada de um menino na plateia do ballet Sagração da Primavera não precisava do período, que me soou um pouco floreado, que a antecede para gerar impacto no leitor. Minha sugestão seria transformar a frase em epígrafe para não ofuscar o encanto da cena de abertura do seu conto.
    O que gostei: a descrição dos delírios do personagem Jonas. Fiquei completamente imersa enquanto lia. Palmas para o autor.
    Parabéns pelo conto. No geral gostei bastante. Desejo sorte do desafio. Um abraço.

  28. Bianca Cidreira Cammarota
    12 de novembro de 2020

    Relato de um homem esquizofrênico, desde sua infância, ao ser revelada a patologia, até sua vida adulta, quando surta, aparentemente em definitivo.

    Molière, oi!

    Um conto que revela um autor que tem segurança na escrita. Há belos jogos de palavras. A mente sadia e doente do protagonista nos traz angústia, pois ele tem noção de sua demência e luta contra ela, levando o leitor à sua desesperada busca de sanidade.

    Suas descrições são ótimas. No entanto, senti falta de elementos no enredo que dessem maior textura ao protagonista, às suas motivações, às causas da doença.

    Autor, eu admiro a sua desenvoltura e domínio na escrita. São invejáveis! O cuidado com o texto e a ousadia dos efeitos visuais são ótimos. A relação da personagem e do cubo, antes e durante o surto, são muito bons – até a profissão dele, contador, onde os números e as formas geométricas, por serem exatas e, digamos, palpáveis, serviam de âncora para a sanidade da personagem. Ironicamente, foi no cubo e nessas mesmas geometrias que ele imergiu no surto.

    Boa sorte no Desafio!

  29. Anna
    11 de novembro de 2020

    Resumo : Jonas possui esquizofrenia.Luta contra a doença mas no fundo sabe que um dia ela vai dominá-lo completamente e aguarda esse dia com muito pavor.
    Comentário : O conto é extremamente bom. Senti pena do triste destino de Jonas, é lamentável quando a loucura rouba a liberdade de Jonas e o faz de marionete.

  30. Thiago de Castro
    10 de novembro de 2020

    Resumo: Jonas descobre a esquizofrenia ainda criança, num espetáculo de teatro e passa a conviver com a condição até a vida adulta, onde busca ocultar de familiares, amigos e empregadores.
    Comentário:
    Caro autor, achei o início do conto promissor, um nascer da esquizofrenia dentro do teatro descrito com tensão e peso. Um bom começo. O decorrer do conto, por outro lado, não me segurou tanto, ainda que perceba todo seu engenho e esforço para arquitetar o enredo, dividindo-o como um espetáculo. No geral, o protagonista sucumbe sem motivo aparente (gostaria de saber qual a relação da festa de 30 anos com o despontar da doença) e faz o caminho tradicional já descrito numa série de outros contos aqui: a tentativa de controle, a busca por ajuda médica, o delírio mais grave e o final do sofrimento pelo sacrifício ou sua perpetuação. Porém, nesse último ponto, o desfecho foi feliz em trazer o personagem de volta a cena inicial que você construiu com tanta competência, e toda ambientação densa e pesarosa do espetáculo vem a tona novamente para o personagem, agora consciente, simultaneamente, da resolução e perpetuação desse problema. A simbologia do nome Jonas e sua relação com o mito bíblico da baleia também foi bem utilizada.
    Tivesse elaborado melhor o meio do texto, creio que seria um dos melhores do desafio, mas toda a divisão em atos, as palavras em francês, as referências, perdem força na simplicidade desse miolo, foi o que senti, pois o conto se apresenta grandioso. O final ficou a altura do começo, foi minha impressão.
    Parabéns pelo texto e boa sorte no desafio!

  31. Fernanda Caleffi Barbetta
    10 de novembro de 2020

    Pelo buraco da fechadura

    Resumo
    Jonas e esquizofrênico e enxerga o mundo de uma maneira diferente do que consideramos convencional. Um dia, ele tem um surto e consegue ver seu passado, seu presente e seu futuro.

    Comentário
    Conto muito bem escrito, interessante, com um enredo envolvente que tornou a leitura, apesar de confusa, como deveria ser, prazerosa. Boa a sua opção por dividir o texto em três capítulos, organizaram melhor as ideias, mas não entendi os enunciados em francês… em português, passaria a sua informação mais claramente. Logicamente você tem um motivo para usar em francês… é também uma mensagem, mas eu nça captei. Desculpe.
    Faltou explicar o que levou ao surto? Por que naquele momento?” Mas foi quando comemorou seu trigésimo aniversário – numa festa singela, somente para ele e sua mãe, a eterna amiga – que a situação piorou” – por quê?
    Cenas muito bem, apresentadas que me levaram para dentro do conto. Destaco esta:” Um som característico ecoou pelo ambiente, como uma sirene abafada, tremendo o chão e as paredes, trincando todos os vidros. Um esguicho de água surgia da fechadura da porta, outro esguicho vinha da janela trincada, e assim a sala foi sendo inundada aos poucos por fluidos cristalinos. Jonas podia ver os móveis ficando encharcados, mas estranhou a atitude inerte do senhor Alberto, que permanecia sentado e atento.”
    Construções muito boas, como esta: “Como se olhasse para um espelho que o olha de volta, bem ao centro do palco, cercado por movimentos animalescos, um outro Jonas o observava”-
    Na primeira parte ficou um pouco confusa a história do Jonas e a amiga, eram os dois os escolhidos? Ora dá a entender que era ela, ora são os dois, ora é ele…acho que me perdi um pouco nesta parte.
    E numa fração de segundo, quando a percussão soou alta anunciando o trecho final – A Dança Sagrada -, com a legião de bailarinos em ritmos assimétricos e selvagens, incorporando a coreografia de Vaslav Nijinsky, (faltou um verbo aqui ou tirar o que) que o escolhido foi isolado e dançou até a morte.
    Um vendaval de mil tsurus metamorfoseados e famintos, bicando e destroçando as cabeças em seu caminho (em seus caminhos).
    Platéia – plateia
    controlar melhor sua doença a (à) base de pílulas e terapias
    até então um record – não entendi a escolha pela palavra record no lugar de recorde.
    Mergulhar nos números e no universo da precisão foi um meio que encontrou de fugir da instabilidade (com) que a vida insistia em lhe presentear.
    “um sinal de que o apocalipse interior estivesse prestes a acontecer” – gostei disso
    “Por um instante sentiu-se perdido, mas como alcoólatras que sempre encontram o caminho de casa, conseguiu encontrar o portão largo de ferro que dava acesso à clínica” – muito bom isso.
    “Jonas, que faz aqui?”, indagou o senhor Alberto ao ser surpreendido pela visita – eu sugiro tirar o que vem após as aspas porque é algo obvio, tanto o fato de ser Alberto o dono da frase, como ele estar surpreendido.
    O final, com a o cubo foi a cereja do bolo. Ótima ideia. Muito bem pensada, bem desenvolvida, consegui ver a cena., Só o último parágrafo que não atendeu às minhas expectativas.
    Parabéns pelo belo texto.

  32. Leda Spenassatto
    9 de novembro de 2020

    Resumo:
    Pelo Buraco da Fechadura
    A esquizofrenia é dona da mente de Jonas.
    Comentário:
    Na loucura do Jonas quase me perdi. Cheguei a ter dúvidas sobre quem era o louco.
    Gostei muito do seu conto, você escreve bem legal. Porém, senti falta de um pouco mais de emoção.
    Mas você não tem culpa por eu ser tão utópica .
    Sucessos !
    Muito sucesso!

  33. Anderson Do Prado Silva
    9 de novembro de 2020

    Resumo:

    Jovem enlouquece e, digamos assim, “viaja no tempo-espaço”.

    Comentário:

    Achei a investida extremamente corajosa! A apresentação do texto está linda! Título, fonte, formatação, dimensão da imagem na página etc.!

    (Prezado Senhor Administrador do Site, gostaria de saber como é que faz para o texto ficar bonitão assim! Só digo que, no próximo desafio, também quero! Seria legal também disponibilizar para os demais EntreContistas dicas sobre a apresentação do texto! Quem sabe escrever um manual e publicar no site?)

    O domínio da língua e das técnicas de narração é muito bom! Senti-me profundamente imerso na mente do louco! O paralelo com o cubo mágico ficou excelente!

    Os parágrafos longos, muitas vezes de caráter puramente explicativos, e sem diálogos, na minha opinião, se mostraram dispersivos em alguns momentos.

    Parabéns pelo texto, do qual gostei muito, e boa sorte no desafio!

  34. Angelo Rodrigues
    9 de novembro de 2020

    Resumo:
    Com transtornos psicóticos, nosso protagonista atravessa sua vida com imensas dificuldades, sempre aguardando que o dia do seu apocalipse aconteça.

    Comentário:
    Gostei do conto. Está bem estruturado, com passagens memoráveis.

    A representação e a tipificação do personagem ficou bem legal. O tom do esfacelamento de sua personalidade, tornada fragmentária, ficou bastante convincente.

    Gostei também da união entre o prólogo com o epílogo, quando, finalmente, ocorre o seu apocalipse, quando sua personalidade se perde em direção à sua infância, de volta ao palco, de volta à representação, talvez, o momento mais feliz de sua infância, talvez de sua vida toda.

    Interessante também o paralelismo criado entre o cubo mágico e as multipartes da personalidade do protagonista, e também a remontagem de sua personalidade por meio da remontagem do palco que, lentamente, ia se reconstruindo como se isso o remetesse à calma primordial que havia perdido. A busca pelo equilíbrio.

    Acho que a escolha de um narrador externo foi bastante acertada. Isso aumenta consideravelmente as possibilidades de uma narrativa mais rica.

    Boa sorte no desafio.

  35. Lara
    9 de novembro de 2020

    Resumo : Jonas é um homem que sofre de esquizofrenia , sempre lutou contra essa doença que atrapalha sua vida constantemente. Nunca teve um relacionamento duradouro. Os remédios mantém seu segredo sob controle no trabalho. Até que chega um dia que ele não aguenta mais, diz não se sentir bem e sai do trabalho. Nem o psiquiatra consegue leva-lo de volta para a realidade. Parece mergulhar de vez no mundo das ilusões.
    Comentário : Conto muito bom. Como leitora consegui me sentir na pele de Jonas. Quanta frustração Jonas sofreu ? Quantos momentos de sua vida lhe foram roubados por sua doença? Onde andará sua namorada de dois meses ? Será que foi a falta de amor que fez Jonas sucumbir ? Como ficará a mãe de Jonas nessa nova fase ? Me pergunto como o escritor conseguiu descrever a esquizofrenia de Jonas de maneira tão contundente.

  36. Giselle F. Bohn
    9 de novembro de 2020

    Jonas é um rapaz esquizofrênico que tenta se manter são, mas acaba por perder a batalha contra a loucura.
    Este conto é, sem dúvida, muitíssimo bem escrito (apenas vi de errado a palavra “chego” onde deveria ser “chegado”), com uma narrativa lindamente conduzida e personagens bem construídos. Foi bem interessante também a analogia do cubo mágico. O autor foi feliz na criação do suspense em direção ao final, mas, de alguma maneira, fiquei um pouco decepcionada com o encerramento. Mas pode ser apenas uma falha minha como leitora, pois trata-se de um texto excelente.
    Parabéns pelo trabalho e boa sorte!

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Informação

Publicado às 8 de novembro de 2020 por em Loucura e marcado .