EntreContos

Detox Literário.

O coelho azul (Bingo)

“3 xícaras de farinha de trigo; 1 xícara de açúcar; 1 xícara de chocolate em pó; 2 colheres de sopa de fermento em pó; 4 colheres de sopa de margarina ou manteiga; 3 ovos; 1 xícara de leite. Junte todos os ingredientes e bata preferencialmente em uma batedeira por aproximadamente 3 minutos. Asse em uma forma untada e enfarinhada em forno médio (180-200ºC), preaquecido, por 35 a 40 minutos.”

O cheiro do bolo mordiscado no café da manhã recuperou de alguma gaveta preservada em sua memória, como uma imagem, a receita anotada em um antigo caderno pautado. Animou-se. Colocaria por cima uma cobertura de brigadeiro, uns guaranás na geladeira e pronto. Teria alguma coisa para oferecer se alguém surgisse sem avisar para cumprimentá-la.  

Planejava quando a campainha tocou. À luz fraca do corredor, estranhou o rosto maquiado, um círculo na ponta do nariz, três traços longos de cada lado — os bigodes —, e as orelhinhas cor-de-rosa no topo da cabeça. A testa franzida, o arquear assimétrico das sobrancelhas, os olhos espantados, reconheceu a expressão de imediato com um espanto igual nos próprios olhos arregalados. 

Não era possível. 

Era possível! Seu desejo satisfeito, um presente de aniversário! 

Destravou a tranca da porta, desfez as duas voltas da chave, girou a maçaneta.

— Marlene? É você? 

— Nãããooo… — balançou a cabeça, a língua projetada à frente dos dentes, as pálpebras apertadas — … é o coelhinho da páscoa — saltou, performática, avançando batente da porta adentro, já apertando a amiga entre os braços, a antiga cumplicidade restaurada transformando em nada o longo hiato de quase três  décadas que as apartara.   

Puxou pela memória. Vinte e seis anos? Vinte e sete? Não se lembrava. Só lhe veio a dor, o susto, quando soube pelo telefone, no final de semana, sábado pela manhã, o dia no qual religiosamente se falavam. 

— Me abraça de volta, mulher! Não sou um fantasma, sou eu mesma. A sua Marlene.

Sem explicação, sem bilhete de despedida. Convencera-se de que ela havia, sim, sido raptada e levada, desmemoriada e incomunicável, para longe, algum distante país estrangeiro, a Rússia, alguma ilha perdida na Ásia. Só isso explicava. E alimentava a esperança. De reencontrá-la no retorno às aulas após as férias de verão. Todos os dias, dos doze aos dezessete, dentro do ônibus sincronizado a caminho do colégio. Depois, sempre nos intervalos, no Normal; nenhuma vez calhou de ficarem na mesma turma. Já adultas, a rotina invertida, os planos de a cada ano passarem ao menos quinze dias, uma semana que fosse, juntas. 

A saudade acomodada em algum lugar dentro dela veio à tona em tremor e sal na violência do abraço em resposta aos braços leves da amiga ao redor de seu corpo agitado, 

— Chorando? Por quê? — desprendeu-se com esforço. — Você sempre tão dramática… — absorveu-lhe as lágrimas com as costas das luvinhas sem dedos. — Hoje é seu aniversário, eu sei, nunca esqueci essa data — falou do antigo jeito, teatral, pronunciando lentamente as palavras que antecediam as pausas. — E nós vamos comemorar em grande estilo — deu um saltou para trás. —  Que tal? — fez uma mesura afetada, chamando atenção para a fantasia de coelhinha: rosa, o tecido aveludado, gasto, desbotado do brilho daquela época.     

— Parece uma que usamos no carnaval. No último. Sessenta… e… nove?   

Uma aura de agitação envolvia a amiga. Além da roupa, da maquiagem e dos olhos piscando num ritmo incomodamente acelerado, um espasmo frequente contraia o lado esquerdo de seu rosto seguido de um sacudir de ombros descoordenado. Era como se as moléculas de ar ao seu redor girassem mais rápido. 

— Bingo!  — fez uma careta espantada e piscou repetidamente, forçando um trejeito, bizarro com os cílios mal colocados. — Que memória! — sacou outro traje, azul, de dentro da sacola plástica que trazia no braço, estendendo-o à amiga.

As fantasias estavam trocadas, a azul era a da Marlene, a sua era a rosa. Achou melhor não apontar o lapso.  

— E onde é essa festa, Marlene?

— É surpresa! Vai se aprontar. Você vai saber quando chegarmos lá. 

Encostou a fantasia na altura do peito e alisou-a de encontro ao corpo comparando suas formas às dela. Ainda lhe servia, seu talhe não havia mudado. Sacudiu-a à luz do sol que entrava pela janela para expulsar a poeira antes de vesti-la e o odor à lança perfumes inundou o quarto fazendo arderem seus olhos, seus ouvidos zunirem, suas pupilas enxergarem estrelinhas azuladas imaginárias e a boca travar num sorriso congelado. Marlene havia conseguido um frasco com um amigo, as duas haviam se impregnado antes de ir para o baile. No salão abarrotado, dançavam alucinadas. Bebiam conhaque de uma garrafinha que Marlene conseguira esconder embaixo da saia. E quando a música ralentava abraçavam-se, só o vácuo separando seus corpos suados. O cheiro, o gosto do cabelo, da nuca da amiga na ponta da língua. A certeza de que jamais deixariam de ser o que eram. Mais que irmãs. Como unha e carne. 

As orelhas que compunham a fantasia, onde estavam? Ao sacudi-la, provavelmente haviam escorregado. Esgueirou-se por baixo da cama para recuperá-las, estendeu o braço, mas não as alcançou. Sentiu uma picada no braço. Um mosquito? Uma ardência antecedeu seu mergulho instantâneo no nada. 

*

Avó e neta chegaram à clínica por volta das quatro da tarde. Nas mãos da mais nova, um bolinho comprado na padaria de esquina perto da faculdade; dentro da mochila, três latinhas de guaraná. 

— Ela esteve muito agitada hoje cedo, daí tivemos que fazer uma medicação. Para acalmá-la — esclareceu a funcionária de uniforme rosado, um adereço na cabeça também cor-de-rosa, porém menos desbotado.   

A mulher estava deitada, mesmo aparentemente dormindo, seus olhos por baixo da pálpebra não descansavam. Em intervalos regulares, a sombra de um espasmo incômodo agitava-lhe o rosto, o pescoço, a espádua. 

— E será que ela vai… acordar?

A funcionária examinou uma espécie de prontuário tentando calcular a duração do efeito do medicamento. 

— Lá pelas seis, seis e meia. É provável.  

— Trouxemos um bolo. Hoje é o aniversário dela — a avó apontou o volume que a neta já havia pousado sobre a cômoda ao lado da porta de entrada.   

— Eu sei — apontou para o criado, de onde um bolinho individual ao qual faltava um pequeno pedaço, a velinha de aniversário ainda enfiada no topo, não havia sido recolhido — fui eu quem trouxe pela manhã, é procedimento na clínica. Até acendi a velinha, pedi que ela fizesse um desejo. Ela fechou os olhinhos pensativa e soprou. Estava animada.

— E esses… cílios postiços? — a avó perguntou enxugando com a ponta do dedo uma lágrima no canto da pálpebra esquerda entrefechada da filha deitada.

— Não sei dizer. Alguma outra interna talvez tenha dado a ela. Quando vim vê-la no meio da manhã ela já estava com eles. E já estava agitada, também. Me deu um abraço apertado. Estava trêmula, chorando. Me chamou de Marlene.

— De Marlene…

— Isso. Quando voltei mais tarde pra ver se ela queria ir até o jardim, tomar um pouco de sol, ela estava sem roupa, com o rosto afundado naquela toalha ali — apontou uma toalha azul ao pé da cama, embolada. 

— Vó, estou te esperando aqui fora, ? — a neta preferia abstrair-se dos detalhes.    

A avó balançou a cabeça, sinalizando com um trejeito que ela também gostaria de saber menos sobre o que se passara pela manhã naquele quarto.

A funcionária continuou no mesmo embalo. 

— O enfermeiro orientou preparar a medicação de SOS prescrita pela psiquiatra dela e aplicar se ela não melhorasse. Foi o que eu fiz. Quando voltei, ela estava metida em baixo da cama. Como não consegui convencê-la a sair dali, apliquei a medicação com ela no chão mesmo e chamei o enfermeiro e a outra funcionária da ala para me ajudar a colocá-la na cama de volta. 

*

Avó e neta faziam hora em um café próximo à clínica.  

— E essa Marlene, vó? Você sabe quem é? 

— Foi uma amiga de infância da sua mãe. Estudaram juntas no colégio e na Escola Normal. Continuaram amigas depois de formadas, já trabalhando. Mais adiante, a Marlene se mudou com a família, os pais e os irmãos, pra uma cidadezinha, próxima de Petrópolis. Mas as duas continuaram a se falar e a se encontrar.  

— Você nunca me falou sobre ela…

— Será? Já devo ter falado, sim. Você é que não está lembrada.

A neta respondeu com um trejeito. Podia ser. Sua mãe era como uma prima distante, por quem ela só fingia se interessar. 

— Um belo dia a Marlene desapareceu de casa. Que eu saiba, nunca mais ninguém teve notícias dela.  

— E a minha mãe e ela ainda eram amigas?

— Sim! Sua mãe ficou muito estranha. Calada, perdeu não sei quantos quilos. Eu tentava conversar, mas ela não se abria. Pensei em levá-la a um psicólogo, mas seu avô disse que era falta de Deus na vida dela e que a culpa era minha, claro. 

— Nossa, vó, que enredo! 

— Põe enredo nisso, minha filha.  Sua mãe e seu pai ainda não eram noivos, mas já namoravam sério. Seu pai, vendo aquela situação: ela abatida, desanimada, definhando; coitado, resolveu antecipar o casamento. Acabou dando certo. Ela se concentrou no enxoval, nos preparativos, na festa e aquela tristeza aos poucos foi passando.  

— Foi uma espécie de depressão. Normal. Mas ela nunca comentou nada com você depois? 

— Jamais, nem uma palavra, nem durante, nem depois — respirou fundo, uma pausa, talvez refletindo por um instante se era prudente continuar a história. — Quando sua mãe deixou vocês, seu pai colocou na cabeça que ela havia ido atrás da Marlene. Ele morria de ciúmes da amizade das duas durante o namoro, sua mãe às vezes se queixava. Ele ficou meio louco, obcecado com essa ideia, chegou a contratar um investigador para seguir uma das irmãs da Marlene, só pra você ter uma ideia — segurou a mão da neta entre seus dedos antigos. — Enfim, eu sempre achei que essa cisma foi o motivo dele partir deixando você comigo — sorriu, a lágrima permanente sobre os olhos ressecados ligeiramente avolumada. — Devo isso à Marlene, veja só. 

A neta devolveu o carinho dando três beijos estalados nas costas da mão da avó e tratou de mudar de assunto assim que desfez o nó na garganta que ameaçava sufocá-la com algumas respirações profundas, embora discretas, e um gole de água gelada. 

 

*

De volta ao quarto da clínica, a situação da mulher prostrada na cama não havia mudado.

— Vó, já são seis e meia e eu ainda tenho que terminar um trabalho da faculdade. Preciso ir embora. 

— Vamos, sim, querida — alisou novamente a testa da filha. A respiração mudara, talvez estivesse consciente, mas as pálpebras permaneciam fechadas. — Mesmo se ela acordar agora, até nos reconhecer, entender que viemos para o aniversário, vai demorar, não é? Melhor deixar para outro dia.

— Isso, vó. Outro dia a gente vem de novo, com calma.

*

Os olhos se recusavam a abrir. Marlene a conduzia pela mão, prometendo uma noitada fantástica. Hesitou um segundo à entrada. Pareceu ver a mãe…e a filha? à distância de um abraço. Acenou, ou pensou acenar, os braços pesavam uma tonelada. Foi seu último gesto antes de entrar no salão de festas de onde só sairia, não mais um coelho azul, mas pássaro, voando de volta definitivamente para casa.

21 comentários em “O coelho azul (Bingo)

  1. Jorge Santos
    21 de novembro de 2020

    Olá.
    Este foi um dos contos que li até agora neste desafio que mostrou a loucura de uma mais real e elegante. Podem haver outros leitores para quem a loucura é algo abstracto, mas eu conheço-a na sua forma mais crua e dura desde Janeiro de 2018.
    Neste conto, uma mulher vive em estado catatónico, revivendo em sonhos na ilusão de encontrar a sua amiga de adolescente, que desapareceu sem deixar rasto (numa clara alusão aos abusos cometidos durante a ditadura militar – a alusão cronológica a isso parece indicar, mas posso estar enganado). Tudo é uma metáfora poética que ilustra a esquizofrenia e os estados depressivos que lhe costumam estar associados. O final fica em aberto. O ciclo parece querer quebrar-se, mas fica em aberto se ela desperta para a vida ou se desiste. De qualquer das formas, parece um processo longo do qual o(a) autor(a) do texto não pretende que sejamos testemunhas. Despertou-me a curiosidade e isso é mais do que suficiente para mim, enquanto leitor.

  2. Anna
    17 de novembro de 2020

    Resumo : Uma paciente de uma clínica psiquiátrica fantasia a presença de uma amiga sua, pela qual sempre foi apaixonada e acabou por enlouquecer pela falta dela. Sua mãe e sua filha lhe visitam mas ela não as ve, apenas exerga sua eterna Marlene.
    Comentário : O conto é tocante. Entendi que Marlene sumiu porque não amava a amiga de maneira romantica e quis se afastar. Também entendi que a protagonista não se assumiu lésbica por causa da pressão da sociedade e acabou gerando uma filha que não correspondia a seus sonhos. O sonho dela é Marlene e em sua mente Marlene sempre está e em seu coração Marlene sempre morará.

  3. Andre Brizola
    15 de novembro de 2020

    Olá, Bingo.

    Um conto sobre loucura de fato. Mãe visita a filha em uma clínica e sua neta a acompanha. Naquele mesmo dia, muito provavelmente em razão de seu aniversário, a interna passa por uma intensificação de seus delírios, e é preciso que seja sedada.

    Primeiro conto que leio no desafio em que a loucura assume protagonismo, apontando aí alguns elementos clássicos da patologia na literatura, clínica de internação, delírios, remédios e enfermeiros. E podemos dividir o conto em duas situações bastante distintas, o que é delírio e o que é real.

    Gostei principalmente da parte dedicada ao delírio. A relação entre a interna e sua antiga amiga, agora imaginária, é muito palpável, muito terno e crível. O clima de saudosismo permeia os diálogos e cativa o leitor. Gostei muito dessa primeira parte. É carismática e cativante.

    A parte dedicada às visitantes, entretanto, leva o conto a um ritmo diferente. Há uma quebra brusca e aí entra a melancolia, que guia todos os diálogos, ora reforçada pela tristeza da mãe-avó, em ver sua filha ali, prostrada e inerte, ora pela neta-filha, cujo desinteresse pela própria mãe chega a afligir.

    Tecnicamente o conto é muito bem escrito. Percebemos facilmente o domínio da arte de contar uma história e, como ressalva, cito apenas essa pequena quebra de ritmo entre as duas partes, o que na prática não é uma falha, e sim uma opção do autor. E gostei muito da escolha pela simplicidade gramatical para retratar as cenas. Um texto mais rebuscado poderia aumentar a distância entre a situação emocional narrada e o leitor.

    É isso, boa sorte no desafio!

  4. Paula Giannini
    14 de novembro de 2020

    Olá Contista,

    Tudo bem?

    Resumo – Delírios e memórias de um passado feliz ao lado da melhor amiga, também o amor de sua vida.

    Minhas Impressões:

    O conto tem início com uma receita de bolo, em um formato que, não sei se o(a) escritor(a) sabe, é aquele que exploro em meu livro “Como a Vida”: contos receita. Assim, não posso deixar de dar início a meu comentário sem dizer de minha surpresa inicial. Será a pena por trás da receita alguém que conheço ou que já leu algum de meus contos híbridos? Fiquei intrigada e louca para desvendar o mistério. Além de, devo dizer, morta de vontade de comer chocolate. Será que meus leitores de receitas-conto também sentem essa fome? rsrsrs

    Deixando as brincadeiras de lado, vamos ao conto:

    Escrito com visível cuidado não só no que toca a sintaxe, como no que tange a trama, a história prende o leitor com uma escrita muito sensorial. Não sei se pelo bolo inicial, ou se pelo modo como o(a) escritor(a) conduz a trama, o fato é que a experiência de leitura povoou meu imaginário com cheiros, texturas e sabores, como na cena da nuca suada e os cabelos da amiga, por exemplo.

    Interessante notar que o conto se divide em dois “universos”. O momento quando o leitor percebe o mundo imaginário da protagonista como real e o segundo, quando, em um surpreendente plot twist, somos lançados à “realidade” da personagem, internada em uma clínica. Para mim, é justamente na linha que divide os dois mundos (realidade x ficção – recordações x delírios) que reside a beleza da narrativa. De modo sutil, em uma trama acessível a leitores de todos os tipos, o(a) contista insere elementos do mundo dos sonhos na triste realidade da interna. O triste bolinho da clínica é o delicioso bolo de chocolate que abre a história, o mosquito nada mais é que a agulha no braço da moça, e por aí vai.

    Outro ponto que me chamou a atenção, foi a delicadeza como a trama tange o romance das amigas. Cheguei a torcer por elas e imaginar que, talvez, a antiga amiga pudesse ter visitado a clínica, deixando cílios postiços como prova de sua passagem. Fica a dúvida… Algo para que o leitor leve para sua imaginação além da leitura.

    Parabéns pelo belo conto.

    Como digo a todos por aqui, se minha análise não estiver de acordo com seu trabalho, desconsidere.

    Desejo muita sorte no desafio.

    Vou ali comer um bolo de chocolate.

    Beijos
    Paula Giannini

  5. Amanda Gomez
    13 de novembro de 2020

    O coelho azul (Bingo)

    Resumo📝 Uma mulher vive delírios enquanto está internada em um hospital psiquiátrico. É seu aniversário, na vida real ela recebe a mãe e a filha, na imaginária, comemora com a amiga de infância que desapareceu ainda jovem. Provável motivo da sua depressão e loucura.

    Gostei 😃👍 Achei um conto bem interessante, o começo confuso afasta um pouco o leitor, mas é so se concentrar pra entender a proposta. O tema já nos faz criar teorias, imaginei que seria um conto de terror com um coelho assassino no início rs. Logo as revelações são feitas, se trata de uma mulher que está há muitos anos internada. Gostei bastante da história por trás, o autor nos dar apenas um vislumbre mas é suficiente pra montar o quebra cabeça. Entendi que as duas tinham um relacionamento íntimo nunca revelado e o sumiço de Marlene deu a entender que se trata de um crime cometido pelo marido dela. ( Me corrija se eu estiver totalmente equivocada) a aparente “indiferença” da filha nos dá a ideia da quantidade de tempo que ela estava internada e mesmo antes, não chegaram a ter uma relação muito próxima. O final é simbólico, uma libertação. Um conto bem pensado. Gostei.

    Não gostei 😐👎 Acho que a estrutura do texto soa um pouco confusa, acho que pra tentar segurar ao máximo as surpresas o autor usou pouca liga entre um acontecimento e outro, sobretudo no começo, a cena inicial soa um tanto confusa, meio nublada não muito clara. Quando chega a parte do hospital já é o contrário, muitas explicações, bem detalhadas que faz referência a festa imaginária. Não é um grande problema, contudo. Não prejudica o texto de fato.

    O conto em um emoji : 🐇

  6. opedropaulo
    13 de novembro de 2020

    RESUMO: A protagonista se surpreende ao reencontrar uma amiga que já não via havia quase três décadas. Entretanto, a enfermeira, sua mãe e sua filha não veem o mesmo. Enquanto só ela pode enxergar a amiga, só essas outras mulheres podem enxergar o quarto do manicômio em que está.

    COMENTÁRIO: Este é o conto da reviravolta “estava tudo em sua cabeça”! Acho que foi uma falha narrativa revelar tão cedo que se tratava de um sonho. Apesar de que, logo na primeira seção foram colocadas evidências de que havia algo de errado com aparição da amiga, tanto na forma como foi feita a visita como nos tiques nervosos que ela mostrava. Então me pareceu que planejava desde o começo que aquilo fosse apresentado como uma ilusão. Apesar disso, achei que, com a revelação dada tão cedo, o impacto foi atenuado e o conto perdeu força. O restante, mostrando principalmente e avó e a filha, ganha pela sutileza, ao colocar um plano de fundo patriarcal e opressivo na família de onde veio a personagem e sem nos entregar tudo do mistério que é o paradeiro de Marlene. A loucura é bastante presente, mas não de todo explicada, o que faz dela intrigante e assegura o encaixe temático deste texto. Há problemas de revisão que são perceptíveis, só que não chegam a desvirtuar a leitura. Para encerrar a crítica, quero falar sobre a importância que tem o início do texto. Transcrevendo palavra por palavra de uma receita de bolo, o que não vem a ter efeito prático ou simbólico na narrativa, pareceu-me um início por demasiado despropositado, que poderia ter sido substituído por algo mais relacionado à trama. Então o enredo funciona e tem elementos interessantes, faltando um trabalho melhor na narrativa.

    Boa sorte.

  7. angst447
    12 de novembro de 2020

    RESUMO
    Mulher internada em uma clínica tem delírios e imagina receber a visita de uma amiga íntima dos tempos de adolescência. Devido a sua agitação foi necessário sedá-la. Nisso, chegam visitas para comemorar o seu aniversário: a mãe e a filha, mas a mulher segue por outro caminho, puxada pela memória de Marlene.

    AVALIAÇÃO
    Conto com tom de nostalgia, apresenta trama de uma história de amizade íntima, um amor de juventude, entre duas meninas. A protagonista com distúrbios psicológicos refugia-se nas lembranças e delira com o reencontro tantas vezes desejado. Lá estava ela , a “sua” Marlene, após três décadas de afastamento. Era carnaval e vestidas de coelhos, o azul e o rosa, como complementares, mas pouco compreendidas.
    Há um mistério quanto ao sumiço de Marlene. Ela teria se afastado por que assustou-se com a paixão revelada pela amiga? Ou teria sido o namorado que deu um jeito de afastá-las?
    O final passou a ideia (a mim pelo menos) de que a protagonista estava partindo desta vida “antes de entrar no salão de festas de onde só sairia, não mais um coelho azul, mas pássaro, voando de volta definitivamente para casa.”
    O conto está muito bem escrito, com belas descrições e caracterizações precisas, construídas com esmero. A leitura flui facilmente, sem entraves.
    Boa sorte e que o coelho/pássaro encontre a felicidade no horizonte.

  8. jeff. (@JeeffLemos)
    12 de novembro de 2020

    Resumo: uma mulher está internada, sofrendo de condições que põem em xeque sua noção de realidade,, e recebe a visita de sua filha e sua mãe.

    Olá, caro autor.

    Gostei da maneira como você escreve. Parece saber fazer isso muito bem. Sua história foi leve, bem tocante, mas senti falta de um aprofundamento. Acredito que a história ficaria muito melhor com mais (até porque você escreve muito bem). Gostei da parte do delírio, toda a relação com o coelho, e achei interessante todo esse fato sobre a marlene, mas ao meu ver faltou um pouco de informações pra nos apegarmos mais ao ideais e sonhos da personagem.
    No entanto, é um conto muito bom, bem escrito, com uma história bacana, que poderia ficar melhor ainda com um cadinho mais. As questões levantadas acerca do trato com pessoas com distúrbios também é legal. É um texto curto, mas rico.

    Parabéns e boa sorte!

  9. Alguém
    12 de novembro de 2020

    Olá, Autor.

    Resumo: Uma mulher mentalmente doente e internada recebe a visita da sua filha e mãe no dia do aniversário. No seu mundo, ela vive paralelamente o dia de aniversário, acreditando receber a visita da sua amiga Marlene, desaparecida sem deixar rasto muitos anos antes. No final, ficamos a saber que ela percebeu vagamente a presença das visitantes, imediatamente antes de deixar a pouca lucidez que lhe restava para trás, ou talvez a própria vida.

    Comentário: A estrutura, roteiro, linguagem e revisão deste conto, dizem-me que estou na presença de um autor experiente e maduro.

    A história, não tendo em si mesma um enredo muito apaixonante, é contada com mestria, sobrando apenas a receita inicial, a qual leva a crer que o autor, após ter começado a escrever o conto, terá mudado um pouco o rumo que inicialmente pretendia dar.

    Gostei consideravelmente mais da parte inicial e final que do meio do conto, onde a avó e a neta poderiam ter sido mais e melhor exploradas e, aí sim, teríamos um conto de mão-cheia.

    A paranoia do pai da menina com a amizade e fixação da mãe em relação à amiga, levanta algumas suspeitas quanto à natureza dessa mesma amizade, mas não permite ao leitor tirar conclusões. Se a ideia era essa, uma vez mais foi pouco explorada; se não era, transpareceu. Em todo o caso, isso seria apenas um pormenor que ajudaria a perceber se havia ou não algum fundamento para o comportamento do pai.

    Deduzo que a protagonista esteja internada há muito tempo, isto atendendo ao desligamento emocional entre a sua mãe e filha e ela.

    Um conto muito bom e muito bem escrito, que certamente será devidamente apreciado também por outros leitores.

    Parabéns e boa sorte no desafio.

  10. Regina Ruth Rincon Caires
    11 de novembro de 2020

    O coelho azul (Bingo)

    Resumo:

    A história de duas amigas – a doente e Marlene. Mesmo internada em clínica psiquiátrica, mulher continua “vivendo” em mundo imaginário.

    Comentário:

    Um conto primoroso. Construção feita com esmero, o autor não deixou qualquer dúvida no enredo, mesmo sendo uma narrativa de muitas pontas entre o real e o imaginário. Para conduzir uma narrativa utilizando este recurso, sabemos que não pode ser iniciante na arte da escrita. Requer domínio da estrutura do conto, do fio condutor que indica início, meio e desfecho. Fiquei encantada com a competência do autor. Trata-se de um texto com narrativas invertidas, enxertadas, e, ao final, não há qualquer ponta solta. Trabalho para poucos.

    Se há deslizes, não os encontrei, a leitura foi prazerosa, fluente. O conto prende o leitor, há muita criatividade e técnica. O autor conduz o interesse de quem lê, instiga, lança mistério, embaralha tudo, cabendo ao leitor separar o real do imaginário. Muito bom.

    Parabéns, Bingo! Obrigada pelo presente!

    Boa sorte no desafio!

    Abraços…

  11. antoniosbatista
    11 de novembro de 2020

    Resumo: Mulher internada numa clínica para doentes mentais, recebe a visita da mãe e da filha.

    Comentário: Me pareceu que a protagonista ficou perturbada depois que a amiga desapareceu. Isso sugere que havia uma relação amorosa entre elas. Estranho que essa perda a perturbou a vida toda a ponto de ela perder razão e ser internada. Ou talvez a causa seja outra, não consegui vislumbrar o motivo certo. O enredo é bom, mas algumas frases são compostas por várias palavras que não dão sonoridade, tampouco sentido poético que a cena merece, já que se trata de conflitos sentimentais amorosos. Às vezes uma frase curta completa melhor a ideia do que uma longa cheia de floreios. Para descrever uma cena, ou ambiente, podemos fazer de várias formas e palavras, o ideal é escolher a melhor forma e palavras de melhor sonoridade e com mesmo sentido. De qualquer forma, é uma história interessante e uma boa ideia. Boa sorte no Desafio.

  12. Misael Pulhes
    7 de novembro de 2020

    Olá, “Bingo”.

    Resumo: uma alucinação de um mulher que parece nunca ter superado a perda de uma amiga (ou mais que isso) na juventude.

    Comentários: o texto é certinho. Bem escrito, bem desenvolvido. Talvez com um final muito brusco e com um miolo que explique demais. Mas, sem dúvidas, um bom conto, muito bem escrito.

    O ponto alto, pra mim, é o fim da primeira seção: “Sentiu uma picada no braço. Um mosquito? Uma ardência antecedeu seu mergulho instantâneo no nada”. Um plot twist formidável.

    Parabéns e boa sorte!

  13. Fabio Monteiro
    6 de novembro de 2020

    Resumo: Um momento de alienação faz com que uma mulher idealize a visita de sua melhor amiga. Amiga esta que desapareceu na infância sem deixar vestígios. A relação existente entre ambas parece revelar uma escolha e, ao mesmo tempo, perturbações que nos levam a entender seu sofrimento.

    Esse é o primeiro texto da categoria que traz a homossexualidade dentro de um transtorno. Isso fica subentendido. Não há como saber se, de fato, as amigas tinham uma relação assim. Também não há no texto fatos para que este seja o motivo das crises e alucinações da protagonista.

    Até pouco tempo atrás ser homossexual era considerado um transtorno mental. Ele vinha bem destacado no CID F. e revelava no diagnosticado condutas improprias de caráter ou desvio de personalidade. Um grande erro cometido pela modernidade.

    Por essa razão muitos foram internados, considerados impróprios a convivência, desviados da moral, narcisistas sexuais e taxados de pervertidos. Rótulos que ainda permeiam dias atuais.

    De toda e qualquer forma o homossexualismo é visto como improprio pela sociedade, já que, biologicamente não condiz com a perpetuação da espécie. O mundo e suas bizarrices.
    Isso mudou (ao menos um pouco), mas ainda há um longo caminho a ser percorrido.

    No que se refere ao texto em si, desejos ocultos pouco explorados podem ser um gatilho para criação de conflitos internos. Isso sem citar a perda, a ausência e a falta gigantesca que essa amiga teve na vida da outra.

    Eu gostei muito da protagonista. Ela nos fala de amizade, de família, de carinho, de proximidade, de relações saudáveis.
    Alucinação ou não, ela nos traz reflexões sobre o mundo moderno em poucas frases.

    Parabéns autor(a).

    Digno de comentários positivos.

    Boa Sorte.

  14. Fheluany Nogueira
    5 de novembro de 2020

    Mulher imagina a visita de uma amiga (talvez, namorada), distanciadas há bastante tempo. Vestida de coelho, ela a leva para uma festa surpresa. Com a visita real, na clínica, da mãe e filha da paciente (é seu aniversário), são apresentados detalhes de sua vida e é sugerido o relacionamento familiar.

    Narrativa interessante, com certo suspense e zigue-zagues entre a realidade e a alucinação. O leitor vai montando o quebra-cabeça paulatinamente.

    Texto bem escrito, frases de efeito, leitura fluente e agradável, apesar de alguns trechos explicativos.Gostei.

    Parabéns pelo trabalho e boa sorte! Abraço.

  15. Fernanda Caleffi Barbetta
    4 de novembro de 2020

    Resumo
    Mulher em clínica psiquiátrica tem um devaneio no dia do seu aniversário, imaginando ter sido visitada pela melhor amiga, desaparecida há anos. Vestida de coelho, ela a leva para uma festa surpresa.

    Comentário
    Gostei bastante do seu conto, principalmente da primeira parte. Interessante como foi nos levando até a revelação de que ela estaria em um hospital psiquiátrico, não imaginei e achei a ideia muito boa.
    Atendeu perfeitamente o tema loucura. Você escreve muito bem e conseguiu minha atenção logo de cara.
    O conto é muito bem escrito. Minha ressalva quanto ao enredo é este trecho inicial: “À luz fraca do corredor, estranhou o rosto maquiado, um círculo na ponta do nariz, três traços longos de cada lado — os bigodes —, e as orelhinhas cor-de-rosa no topo da cabeça. A testa franzida, o arquear assimétrico das sobrancelhas, os olhos espantados, reconheceu a expressão de imediato com um espanto igual nos próprios olhos arregalados.” – Não conseguir formar na minha mente esta cena… a luz do corredor fraca permitiu que ela visse o coelho em todos os seus detalhes, todas as suas expressões? Depois ela destranca a porta… Ao final do texto, entendi que a ideia do corredor escuro seria a representação dela embaixo da cama… mas quebrou um pouco a leitura e causou estranhamento.
    Várias construções maravilhosas, como esta: ”A saudade acomodada em algum lugar dentro dela veio à tona em tremor e sal na violência do abraço em resposta aos braços leves da amiga ao redor de seu corpo agitado”. Gostei bastante.
    Em dado momento, o texto ficou muito explicativo, o que achei que tirou um pouco a graça do texto. E muitas destas explicações, eu como leitora já havia compreendido sem que precisasse se preocupar em deixar tão claro o que aconteceu.
    em baixo – embaixo

  16. Angelo Rodrigues
    4 de novembro de 2020

    Resumo:
    Mulher vive em um hospital, certamente para doentes da alma. Em seu mundo privado, ela continua sonhando com seu passado ao lado da amiga. No mundo real, mãe e filhas buscam contato com a protagonista, que continua viajando em seu passado.

    Comentários:
    Conto bonito de ler. Um folding em dois tempos. O tempo real, o tempo da protagonista.

    O autor começa pela primeira dobradura do conto, reportando – sem o conhecimento do leitor – parte do delírio da protagonista. A segunda parte nos traz a segunda dobradura, expondo o mundo real, mostrando o significado ensaiado na primeira parte.

    O conto se divide em dois mundos. O mundo da protagonista com a amiga Marlene, e o mundo corrente, onde vivem a mãe e a filha.

    No dia do seu aniversário, a protagonista, interna em uma clínica, tem alucinações relativamente a um passado que viveu com a amiga Marlene.

    A despeito do que acontece no mundo corrente, a nossa protagonista continua vivendo sua festa da juventude, certamente se negando a aceitar a ausência da amiga Marlene.

    Há sutilezas no conto que, embora deixem marcas, não ouso me aprofundar. O mesmo se deu com o conto Tem Alguma Coisa do Outro Lado da Janela (Visão), onde o autor insinua um amor sexual entre duas mulheres. Pareceu-me, aqui, que houve também aqui o mesmo propósito, possivelmente insinuando um amor sexual entre a protagonista e Marlene: um amor oblíquo pode levar à loucura? Fiquei pensando sobre isso.

    O conto funciona com flashbacks, onde a segunda parte explica a primeira, pontuando os detalhes naquela parte ocorridos. Textos em flashbacks, de modo geral, têm problemas. Se curtos – os flashbacks – podem não ter muito significado; se longos demais, podem fazer o leitor perder o fio da meada. Não creio que isso se deu com este conto, que teve uma solução rápida, não deixando que o leitor se perdesse.

    Boa sorte no desafio.

  17. Bianca Cidreira Cammarota
    3 de novembro de 2020

    O conto disserta sobre a história de uma mulher insana em seus delírios sobre Marlene, uma antiga amiga), variando o texto entre essas alucinações e a realidade.

    Bingo, tudo bem?

    Interessante como você começa o conto com uma situação aparentemente normal e o leva assim, muito embora já tenham elementos que denotam que há algo de errado na própria situação. Como um mágico revela e vela a verdade. E, ainda sim, mostra uma carta na manga, pois o que podemos pensar que seja, não é – é muito mais.

    É patente o distanciamento da protagonista em relação à família ( sua mãe e sua filha). A filha, totalmente desconectada, talvez até guardando ressentimentos da mãe (a protagonista) pela ausência em sua vida. A avó, genitora da personagem central, embora trate com complacência a própria filha, também está distante, como se ali realmente não estivesse.

    Isso é de cortar o coração. Vemos o abandono emocional dos parentes da protagonista por essa. Contudo, também é perceptível o distanciamento da própria personagem de seus familiares. Sua fixação em Marlene é tamanha na insanidade que, pelos fatos apresentados depois, podemos supor que também ela abandonou afetivamente os seus.

    Sua escrita é bonita, redonda.

    Achei os diálogos entre a avó e a neta sem muita “liga”. No entanto, a primeira parte (o delírio) e o desfecho foram muito, muito bons!

    Boa sorte!

  18. Leandro Rodrigues dos Santos
    3 de novembro de 2020

    Fala-se sobre a relação de duas amigas separadas abruptamente que desandou a vida duma, após o sumiço da outra, com análises sutis dos abusos, saudades e relatos pra ir situando as passagens temporais (as quais repetidas em detalhes, nuances conectivas a cores, objetos e lembrança-aniversário).

    No todo um conto emotivo, sente-se a perda, o vazio deixado.
    Pequenos erros no uso dos pronomes e, também na conjunção ‘e’ (leves repetições que poderiam não ter acontecido com o uso da vírgula).

  19. Anderson Do Prado Silva
    3 de novembro de 2020

    Resumo:

    Avó e neta visitam uma louca (filha da primeira e mãe da segunda) em uma clínica.

    Comentário:

    Conto escrito com pleno domínio do léxico, mas não notei qualquer ousadia em termos de linguagem, enredo, conceitos etc. Ainda assim, é uma história bonita, delicada, até comovente em alguns momentos.

    Parabéns pelo texto e boa sorte no desafio!

  20. Lara
    3 de novembro de 2020

    Resumo : Uma mulher vítima de delírios, vive fantasiando a presença de uma amiga pela qual é apaixonada. Não tem mais contato com essa amiga mas em sua loucura ela está sempre presente.
    Comentário : Amei o texto e ele me levou a pensar : Quantos casamentos foram realizados com um membro do casal estar apaixonado por outra pessoa ? Qual o efeito de termos um grande amor não correspondido ? Será que a loucura é melhor do que a frieza da realidade na qual o amor nos é negado ?

  21. Thiago de Castro
    3 de novembro de 2020

    Resumo: Interna de uma clínica psiquiátrica tem delírios associados ao seu passado traumático, onde nutria um amor secreto por uma amiga cuja separação foi imposta, de forma violenta, pelas famílias de ambas. Transitando entre as alucinações da personagem e a família responsável por ela, composta pelas apáticas mãe e filha, o conto nos explica o caminho percorrido pela protagonista até a sua metamorfose libertadora.

    Comentário:

    Conto bem trabalho em termos de enredo. O jogo feito entre delírio e realidade é bom, pois nos leva a perceber os acontecimentos por ângulos diversos. A loucura é, aqui, a forma como percebemos a realidade.

    Há ainda uma discussão sobre o que fazemos com os “loucos” da família. Presos em clínicas, tratados como membros de segunda categoria, um interesse mais de obrigação do que afetivo compele mãe e filha à manterem as visitas. Nada mais, pois a protagonista já se percebe em total abandono dentro do seu mundo interno. Há um romance não expressado, talvez pouco vivido e interrompido entre a protagonista e Marlene, que justifica a loucura da personagem, trazendo para o seu conto pinceladas sobre questões como ciúmes doentio, homoafetividade, reacionarismo e preconceito.

    Se tivesse que fazer um apontamento, no todo do conto, que é bom, seria no diálogo entre avó e neta. Achei muito explicativo e direto, com pouca dinâmica, aquela coisa ping-pong onde um personagem faz uma pergunta que levanta a bola para que o outro responda com a próxima informação que o leitor precisa receber antes de finalizar o conto. Não é nada gritante ou que comprometa a obra, mas fica o registro dessa impressão.

    O último parágrafo é bonito demais! A distância de um abraço pode ser longa e inalcançável, a família se vai e, na loucura, fica claro que o que realmente importa é Marlene, sempre foi o que realmente importou. Nada como uma metamorfose libertadora para nos arrematar, ainda que seja com a morte da protagonista.

    Parabéns pelo texto e boa sorte!

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Informação

Publicado em 3 de novembro de 2020 por em Loucura.