EntreContos

Detox Literário.

Exu quer se mudar (Andreas Chamorro)

Para Anderson do Prado Silva, 
aprazível voz de mesma frequência
 que encontrei no enxame 

 

1

Como me incomodava. Além de roubar-me quase todo o sol também  entupia-me a boca com folhas secas. Ela é que não deveria estar aqui. Meu lugar é na porta, ela que tivesse se elevado aos céus noutro canto. Ninguém me convencerá que ela é na verdade ele; não não não; minha convicção é única: falo todas a línguas, já andei por todos os caminhos do Ayê e sempre me disseram mais pra  ela do que pra ele. Sou a boca do mundo então o que eu falo, já falaram e o que falei, falarão. Se essa postura é magistral como alguns dizem – os braços abertos, os cabelos suculentos de clorofila – Ah, filhos, o sol adora vê-la verde que só ela. Não é ele.  Os Donos mesmos: uns dizem Ossain, outros dizem Ossanha; nem eles mesmos, que nos inventaram, sabem se é homem, mulher ou pássaro. Minha reclamação é válida e falarei no meríndilogun, gritarei, se preciso: mudem me de lugar, isso, mais à esquerda; já que me montaram com a cara para cima então me deixem ter o direito de esquentar a cara. Não sabiam que ter búzios no lugar dos olhos faz com que água acumule? Embaça tudo! É o que acontece para que eu não enxergue quando um filho seu é assaltado, ou quando deixo alguém que busca uma briga entrar na Casa de meu irmão. Não interessa que vão ter que me desenterrar, sou mais que amigo das Oxorongá, não me preocupo com vísceras;  e sou assim com as três, hein? Vem chegando alguém à estrada; certo, agora como essa vagabunda quer que eu fique vigiando sua porteira com esse incômodo de árvore em cima de mim? O frio, senhora Yalorixá, dá preguiça. Não, não aprendeu direito; sabe o que vou fazer? Vou é falar no meríndilogun de seu pai. Iná Iná mójubà, é mójubà… É, ela esqueceu. Sinto falta de dois séculos atrás, tempos onde filhos de santo sabiam o significado da palavra inã.     Cultuam o orixá que introduziu a fala, a comunicação (me, moi, yo, Ich…) e mal sabem a língua ritual. Onde está o fogo? Quer-me frio como o Velho. Ouço solas a pressionar as pedrinhas da estrada. Ah, sim: Jessica Garcia Vieira filha de Nanã 23/4/94 conversando com Gleice Rodrigues Costa filha de Oyá 12/2/92, então vêm para ajudar? Terá função? Seria mais fácil de querer saber de seus rituais se estivesse calmo. Mas concordo que me acostumei mal, quando alguém come ou eu como junto ou sofra com minhas brincadeiras. Às vezes, indago-me onde seriam aprazíveis esses, os Donos, depois de tantos milênios. Só continuo por ter ciência de que são assim por minha conta. Desde que tudo isso aqui foi criado eu espalhei desordem. Já sabem a maior parte delas: minha fome imensa; quando troquei tudo de lugar; naquela vez em que instaurei um pandemônio numa cidadezinha; não posso deixar de citar a vez que enganei Yemonjá, Oyá e Oxum… Bem, eu fiz de tudo para que fossem felizes, pelo menos felizes, mas foi quando a farinha de trigo sujou a história da África: muitos de nossos filhos ficariam preguiçosos e prefeririam adorar outro deus, cuja liturgia os controla demais. Vejam bem se eu merecia essa árvore insuportável tapando-me inteiro: Exu, meus queridos, é a lábia, a lascívia, o tremer, o toque do veludo, o cheiro da carne salgada sobre o fogo, o sabor da rosa, o tesão de noventa graus, o arrepiar do samba, o beijo que escorre, a sede que mata, a pedra sob o calcanhar, a vontade de enganar, o olhar instigante, o seduzir pela dança, a faca de defesa, o hálito do prazer, o morno do quarto, o papel do cartório, o advogado do errado, o gozo do gastar, a mentira repentina, a liberdade de pensar, a individualidade do retorno, o primeiro pássaro sem asas, o dono das línguas ferinas, o fogo que não queima, a esfera, a espada, a terra. Sendo assim quis o humano feliz. Por isso continuo com eles, por isso ainda estou aqui com Carolina. Aliás, onde estará ela? Deve fofocar pela cozinha. Gostaria muito de enxergar mas só vejo metade céu metade estas folhas enjoadas. Hoje na primeira cliente ela não me escapa. Se for muito teimosa falo por Okánran três vezes. Ikú? Eu convenço-o a procurar outra leva. O grande portão cinzento se abre, desenha um semicírculo sobre meus olhos e bate na parede de blocos, lascas caem em minhas boca funda e circular. Se tivesse tímpanos, estaria surdos já há bons meses com essas batidas de portão corriqueiras. Bando de filho de santo cego essa menina tem, nunca prestam atenção em mim. Além de falantes,  sempre falantes. Gleice Rodrigues Costa filha de Oyá 12/2/92 tenta convencer a irmã de santo de que não beijara Felipe Melo Castelo filho de Oxoguian 10/6/90 nos últimos festejos de meu irmão Ogún. Pegam uma quartinha de barro, pois escuto os ruídos, a água que está dentro jogam na estrada, ouço a areia molhar, imagino com os olhos dos tantos espíritos que aqui são moradores. Estou faminto. Se tivesse estômago o ronco seria demasiado alto ao ponto dessa esquecida pensar se tratar de um Orixá qualquer que dera ilá pelo ilê. Nem olham para mim, passam pois sinto seus pés com os ouvidos. Somem pela chácara. 

  Esperei até à noite. Planejei-me para depois de Egún passar. Um bom número de filhos chegara às sete; favorável estava para me divertir, não irei mentir. O pai da mentira é o branco, ou tem rosto de bode, ou é escamoso… Cão? Eles nunca se decidem, sempre dizem que o Inimigo sou eu… Eles são assim, eu e o João portador de uma colher de maconha; ambos somos negros. Sinceramente,  esse Lúcio ou algo do tipo nada tem de  ver comigo. O que é o mal? A vida dos Donos todos poderia ser resumida em um ditado de minha terra-porto: toma lá, dá cá. Um pequeno grupo de filhos (os mais quentes e barulhentos) decidiram fumar cigarros e destilar olorogún entre os irmãos. De novo, eu,  só enxergava a grande noite. A presença somente se dava para por conta das fumaças. Aproveito para chamar qualquer entidade que ali estivesse. Os Donos não as veem mesmo. Eu psiu!, Babá Onã!, Ah, és um exu-mirim, Estou catando guimbas, Axé! muito bom,  mas agora faça o seguinte, Mas cato guimbas no momento…, Desligue a chave de luz, É muito alta, Peça alguém para te levantar, outro como você, Vou derrubar alguma coisa, sou desastrado, Não repetirei, menino. Tão medroso; fora de imediato, mesmo teimando. Então falei para essa Yalorixá preguiçosa em seus búzios, aproveitando que jogava para a mãe de um filho de santo cuja aparecera como visitante: me mude de lugar, longe de Ossain, embaixo de sol. Mas meu pai, exu, o pai Edgar ordenou para que eu lhe escondesse do sol, pai, ouvi ela dizer; ultimei-a: Mude-me e me de comer ou vou brincar um pouco com seus filhos.

 

2

– O que foi mãe? 

– Não filha é que Onã apareceu no seu jogo, mas é coisa da casa…

– Onã?

– É o exu do portão.

– Ele não está me avisando de algo não, mãe? 

– Não não, coisa da casa, não é Henrique? 

– É, mãe, fica despreocupada. Às vezes, as entidades assentadas da casa falam com a mãe de santo nos búzios, é muito comum; meu pai Erinlé pediu para vestir na festa do pai da casa assim, no jogo de uma cliente.

– Não te falei? – disse Carolina. 

   Por alguns instantes ficou observando a idosa rechonchuda que sentava do outro lado da mesa, a tez desta murchou com o alívio, um sorriso esboçou-se entre as rugas. Até então, a mãe de santo estava nervosa por atender a mãe de Henrique: “ Dona de uma franquia de peixarias; peixarias; ama peixes de água doce, ela disse; minha mãe Oxum obrigada obrigada obrigada!”, pensou no banheiro antes de sentar à mesa de búzios. A animosidade era grande visto a idosa ser a primeira milionária a pisar no templo. Contudo, seu coração se acalmou como se os tantos orixás assentados no cômodo tivessem postado a mão em seu ombro. O sorriso de alívio da consulente deu forças para que ela continuasse. 

   No que a Yalorixá entrava em catarse graças ao o jogo de búzios de sua vida, seus filhos, por outro lado, flanavam pelo terreiro, alguns tranquilos, outros perdidos nos telefones, outros fumando e tomando café como loucos na entrada da roça. Jessica, uma menina de bochechas fartas e cabelos escorridos era vidrada em sobrenaturalidade. Com anedotas falsas, tentava amedrontar os irmãos que denotavam ser os mais assustados. 

  – Vai, Valéria! Desce lá! Tem que pegar o pano, é sério mano, na moral, Valerinha.

   – Vai você, menina. Eu tô com dor nas costas, eu é que não vou ficar baixando para passar no Babá.

   Ekê isso aí, hein, Valéria – disse Gleice, soltando fumaça pela boca enquanto andava para lá e para cá. – É que Jessica tá sem celular, não deve ter visto mas Valéria postou no grupo da Casa hoje de manhã: “não que eu acordei animada, tô indo pra função feliz, fiz academia de manhã.” Sabe o que é isso? Filha de Odé o nome.

    – Epahey!! – Este foi o uníssono do irmãos em resposta. 

   – Vai falar nada não, Valéria? – quis saber Telma, a única Ekedi presente no grupo.

   – Mas tinha de ser se Oxoguian, adora olorogún mesmo, hein, mãe? – gritou Fábio, o único ogã da casa. 

   – Vou lá buscar o pano – murmurou Valéria.

   – É o que, menina? – vociferou Gleice. 

   – Motumbá, mãe – replicou Valéria se abaixando solenemente perante a irmã mais velha, que tomou como provocação.

   – Calma, não tá vendo que a menina ficou triste? – interviu Christian, um jovem perspicaz que até então só observava os diálogos. 

  Gleice bufou e deu alguns passos em direção à estrada de terra banhada pela lua. 

  Valéria a muito já havia descido em direção a um tanque feito de pedra que ficava aos fundos do barracão, de frente ao temido Igbo

   O terreiro de mãe Carolina era uma chácara de dois mil metros quadrados, três anos de vida, vinte e oito filhos de santo. Se comparamos às centenárias do Nordeste teremos aqui uma jovem casa de candomblé. As antigas, claro, também tiveram essa fase; todas passam, só mudamos data e século. Por ser de recente inauguração o ilê vasto de Carolina ainda carecia de construções, quartos de santo, cozinhas e outras edificações que facilitem o dia-a-dia do terreiro. O templo se limitava em um barracão de paredes de bloco, quatro quartos contíguos no mesmo estado, sendo dois para rituais e dois para pernoites (Carolina dormia em sua casa alguns quilômetros de distância da roça ), uma cozinha e seu tanque a céu aberto nos fundos. O restante do terreno tratava-se  do gigantesco Igbo e da casa de Babá: o cômodo que mesmo se construído a ouro seria decrépito e imantado de sombras. Nada mal para o quarto que guarda a morte dentro de uma casa de candomblé. 

  A luz amarela da lâmpada empoeirada apenas destacava as primeiras árvores do Igbo e parte da Casa de Babá. Ciente que encontraria a cena medonha, Valéria correu com passinhos curtos assim que viu o tanque. O “pano” era um quadrado de renda que estava torcido ao lado da torneira. A menina franzina  ficou de costas para a Casa de Babá, pegou no pano e percebeu o quanto ele ainda estava encharcado. Suspirou de olhos fechados. Então iniciou a torção do pesado e grosso tecido, até as mãos avermelharem, até água amortecer as pontas dos dedos. Pressentiu que alguém vinha em direção aos fundos; não se importou de primeira, sabia que a casa estava cheia. Ao terminar, suspirou mais uma vez, tornou a direita, visualizou o caminho de volta, ignorou a tentação de olhar para a Casa de Babá. “Não me abaixei”, pensou aflita. Mas continuou sua corridinha, até que, prestes a virar na esquina do barracão ouviu uma madeira ruidosa e reclamona gritar em suas costas. Estacou. O suor escorreu, frio, de sua axila até o cós da saia. “A porta do Babá é de madeira?”; não queria nem lembrar nem se convencer. Mesmo assim, olhou. 

  Primeiro esperou os olhos se acostumarem com o mar de árvores, então acharem o decrépito cômodo em madeira perdido entre elas.  Valéria reparou que a parede parecia diferente: a textura não era a da folha fina de madeirite usada na concepção do cômodo, mas de tábuas delgadas e velhas, riscadas e enegrecidas; como as da porta. “Se a porta cobre a parede, então a porta…”, achou que pensou. Onde a porta deveria estar havia apenas uma escuridão, um convite, um calor que se aproximou de Valéria. 

  Correu.

 Retornou junto de seus irmãos de santo porém estava ofegante demais para soltar a novidade de uma vez: a iaô apoiou em Gleice, recebera um olhar desconfiado em resposta.

   – Mãe Gleice, é sério!

   – O que foi menina? – quis saber Christian. – Você está branca.

  Valéria não conseguia falar, apenas dava passos em falso. Gleice percebeu o desmaio: 

   – Oxê, menina! – pôs o cigarro na boca e a segurou no ar.

   – Desmaiou, foi?

   – Bolar que não bolou, né, Christian, a menina já raspou, me ajuda aqui.

  Deitaram-na no gramado, próximo ao assentamento de Onã, um rosto feito de argila, rodeado por talheres e lanças de ferro, olhos e nariz feitos com búzios enterrados. 

  Assim que Ogã Fábio tomou ciência do desmaio e fez menção de se deslocar a luz se apagou. Todo o terreno foi engolido por um breu. 

  – Eita, Laroyê! – gritou Christian.

  Os filhos de santo tentavam se localizar na penumbra, viravam o pescoço em todas as direções à espera do acalmar de suas retinas ou da ajuda da luz quase nula da noite. O silêncio dominou os primeiros instantes de adequação, as vozes sumiram, comum de acontecer aos humanos quando vistos numa escuridão repentina. O chacoalhar dos búzios da Yalorixá silenciaram, no quarto de Ogun nenhuma palavra era dita. Vieram os cochichos.

  –  Vamos atrás da mãe?

  – Por que tá cochichando Christian? Eu, hein, viado, fala normal – disse Gleice, tentando enxergar alguém próximo. 

  – Jessica, pai Fábio, alguém? Vocês tão aí?

  – Gleice eles não tão respondendo.

  –  Calma, mano…

  – Gleice, eles estavam na porta do barracão. Como eles não ia escutar essa sua voz de búfala? 

  A ebomi se guardou em silêncio e isso amedrontara mais ainda nosso amigo Christian. Bom conhecedor de Gleice, este sabia que quando a filha de Iansã não respondia a algo somente poderia significar duas coisas: cólera ou medo. 

  – Gleice, vamos sair daqui?

  – E a Valéria? Você, magrinho desse jeito não vai conseguir carregar sozinho, vou ter que ajudar né.

   – Por que tá nervosa?

   – Não tô nervosa. Vamos lá pro barracão; é só andar em frente, pai Fábio deve ter entrado para ver a mãe. 

  – Pega os braços – disse Christian alçando as pernas de Valéria. 

   – Ah, ela é levinha… Viado, cuidado a saia vai cair, vai mostrar a bunda da menina.

   – A luz acabou, Gleice.

   – Cadê a voz do pai Fábio? um vozeirão daqueles já daria para escutar daqui – disfarçou a ebomi.

   – Aqui onde? Não tô enxergando nada.

   – Christian, eu tô com medo.

   – Nossa, me deixou mais feliz agora. Fudeu mesmo, se você está com medo…

  Então Gleice soltou um grito. A desfalecida de um repente começou a chacoalhar os braços e pernas à guisa de fugir do domínio dos irmãos. Christian, com o susto, largou-a no chão de qualquer maneira, o que se seguiu foram os dois verem uma sombra mais escura que o breu correr, então os barulhos das folhas secas se quebrando com conforme seus passos iam se afastando. 

   – Foi para os fundos? 

  Gleice esticou sua mão esquerda; sentiu a palmeira. 

   – Já estamos no mariô, só mais uns passos já vamos ver o barracão. 

   – Gleice, eu tô falando da menina que acabou de incorporar coisa ruim e correu para o Igbo.

   – Meus olhos já se acostumaram, e o seus? Olha o céu é mais azul, vem…

  Christian a segurou pelos pulsos.

   – Mulher, calma. Nem parece macumbeira, assim você me preocupa. Vai, vamos lá avisar a mãe que a estranhinha pegou Egún e está tudo resolvido.

  Assim fizeram. Com as mãos dadas e como cegos foram dando passos largos em direção à escuridão quadrada que depois se revelou ser o barracão. Entraram pela porta e deram de cara com o salão vazio. O primeiro estranhamento fora perceberem que a luz que iluminava os fundos do terreno (o Igbo) ainda estava acesa. 

  – Oxê, como que eu não vi essa lâmpada lá fora? – indagou-se Christian. 

 Ligeiramente, Gleice correu em direção ao curto corredor, bateu na porta do quarto de Ogun. Ninguém respondeu. Abriu e deu de cara com a penumbra de um quarto com as janelas fechadas. “A mãe de santo está brincando com a gente. Deve ter combinado com a menina. Que sem graça; deve ser coisa de Fábio. Mas a janela. A janela tava aberta que eu vi, não tô louca”, pensou. 

  Segurando com os lábios seu fio feito  de âmbar, a pensativa Gleice tornou ao salão. Christian, em silêncio, bisbilhotava pela janela os fundos do terreno. Gleice se aproximou e esticou o pescoço por sobre o ombro do irmão de santo. Então viu o que ele via: uma horda de mortos em frangalhos olhava fixamente para o barracão, não se moviam, apenas estatelados, frios e eretos examinavam os rostos de Gleice e Christian pela janela.

5 comentários em “Exu quer se mudar (Andreas Chamorro)

  1. Thiago de Castro
    6 de outubro de 2020

    Andreas, que texto!

    Meus pais são umbandistas e eu, apesar de ateu, já estudei sobre a mitologia dos Orixás, principalmente no trabalho que faço como mediador de leitura (gosto muito dos livros do Reginaldo Prandi), então ver esse Exu visivelmente incomodado com seu atual estado de abandono, mas ligado em todas as atividades que envolvem o terreiro, ligando passado e presente, ainda tendo que se justificar e desassociar de toda demonização que foi elaborada em cima dele pelo cristianismo me agradou demais. Diferente da boa parte dos colegas, acho que a primeira parte me agradou bastante, ainda que precise me aprofundar mais nos temas e conceitos que apresenta no texto, percebi um Exu escrito com propriedade, o senhor dos caminhos não deixando barato o descaso com sua figura.

    Quanto a segunda parte, me agradou o link com o tempo presente, e a relação atual da juventude com o Candomblé, religião centenária, mas em constante mutação assim como qualquer manifestação cultural, onde os seus adeptos utilizam grupos de celular para se organizarem, tem os dramas de todas juventude e o linguajar de sua época. O desfecho final ainda traz o peso da responsabilidade ancestral que é ser adepto da religião dos Orixás, e as consequências, ainda que uma peça de Exu, são aterrorizantes.

    Parabéns!

  2. pedropaulosd
    3 de outubro de 2020

    Com demora, li o conto.

    Li também os comentários dos colegas para verificar se apenas eu me perdi. Em outras ocasiões, esse cuidado de checar a impressão alheia foi uma tentativa de me consolar, mas agora confesso que vim aos comentários por sua causa, Andreas. Não sei se já esperava que nós tivéssemos dificuldade para reconhecer todos os elementos que compõem o terreiro ou se imaginava que teríamos a familiaridade. Seja como for, eu, acredito que ainda mais do que as colegas acima, confesso que me perdi durante a leitura e a releitura.

    Para mim, portanto, este conto foi um grande de um puxão de orelha. Apesar de ter entendido que a entidade que abre o conto estava brincando com os filhos, a profusão de termos que desconheço me deixou um pouco desorientado na primeira parte, o que apenas reforça o quanto preciso aprender. Aproveito esse momento para me confessar um ateu um tanto aculturado, mas, ao menos, felicito-me que o reconhecimento facilite e motive o aprendizado.

    A segunda parte já foi mais compreensível e gostei bastante dos diálogos. Tenho dificuldade para escrever conversas e achei que a oralidade ficou bastante natural aqui. O conto dá uma acelerada no final. Aliás, um final bem mórbido, do tipo do qual gosto bastante. Ler sua inspiração no grupo do Facebook me confirmou que se tratava de um desfecho voltado ao fantástico.

    Abraços, aguardo os próximos textos.

  3. Bianca Cidreira Cammarota
    29 de setembro de 2020

    Andreas, seu conto é um desafio para ler no sentido que mostra um mundo totalmente novo para a maioria das pessoas. Vou ler novamente depois… mas já deixarei aqui meu comentário.

    Trabalhei como cambona em um terreiro de Umbanda por dois anos, com um viés esotérico. Então, minha visão de Exu e das entidades é diferente (meu pé é bem no Oriente, casando com a Teosofia). Para mim também é diferente ver o olhar do Candomblé, abrindo um outro mundo no mundo que eu conheço.

    Facilmente se vê a intimidade que você tem, pois viveu nesse mundo. E é fantástico poder escrever sobre ele!

    Dou-lhe os parabéns! A escrita está impecável e a história é muito interessante! É visível o grande trabalho que você teve ao escrever o conto, bem como seu amor.

    Abraços!
    Bibi

  4. Anderson Do Prado Silva
    28 de setembro de 2020

    Andreas, eu já conhecia esse texto e sua dedicatória, mas como ela foi transplantada para cá, sinto que devo aqui também agradecer! Obrigado pelo carinho! E parabéns por esse começo tão significativo aqui no EntreContos, com “Márcia”, “Francisco Silva” e, agora, com “Exu”!

    • Giselle Fiorini Bohn
      30 de setembro de 2020

      Andreas, precisei ler seu texto três vezes antes de comentar alguma coisa. E, mesmo agora, não sei se estou pronta; ele fala de um universo tão distante do meu que é meio como ler sobre a teoria que ganhou o Nobel de Matemática (eu ia falar física quântica, mas ninguém aguenta mais essa comparação!). É visível o seu conhecimento sobre o assunto, na maneira como usa a terminologia e descreve os personagens e o ambiente. Achei muito interessante, e na segunda parte você foi muito bem sucedido na criação do suspense, fui lendo meio sem respirar depois que a escuridão virou um personagem no conto. Parabéns! Já falei isso antes, mas repito: você vai longe, menino!
      Ah, uma única birra, de que já falei também: eu sinto que há uma “quebra de acordo”, na falta de um termo melhor, quando o narrador se dirige ao leitor. Senti esse incômodo neste trecho: “… e isso amedrontara mais ainda nosso amigo Christian”. Mas é um ranço meu, com certeza não deve incomodar a maioria das pessoas! De novo, parabéns, amigo! 🙂

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Informação

Publicado às 26 de setembro de 2020 por em Contos Off-Desafio e marcado .