EntreContos

Detox Literário.

O fim de Batman (Bob Finger)

1. O desaparecimento do Cavaleiro das Trevas

Quando a noite cai sobre Gotham, não é apenas a luz do sol que desaparece. Também se recolhe, apressadamente, a multidão que fervilhava ruidosamente pelas ruas da grande metrópole. 

Não há um toque formal de recolher, mas o comando é dado pelo senso de autopreservação dos moradores. Durante a noite, a criminalidade assume as ruas. É o momento em que as famílias de trabalhadores se reúnem para conversar sobre o dia, ajudar os filhos nas tarefas escolares e assistir a programas na tv. E, pelas janelas, observam, temerosas, a movimentação suspeita de vultos.

Durante anos, houve um alento: Batman. O combatente que surgia das sombras e, tomado por um senso de justiça, derrotava criminosos. Ainda que a cidade continuasse perigosa, sua atuação trazia esperança aos moradores de Gotham. O Cavaleiro das Trevas, diferente da polícia local, era eficiente e seus punhos foram responsáveis para enviar vilões para o Asilo Arkham, o presídio/ hospital psiquiátrico.

O problema é que os rivais de Batman eram muitos. Gotham é palco permanente de disputa por uma complexa teia de forças. Há máfias de diversas origens, como as tradicionais famílias italianas Falcone e Maroni, a russa Dimitrov e a mexicana La Eme. São organizações que varrem de sangue os bairros de Gotham, perpetuando seus negócios escusos.

Além das máfias, há inúmeras gangues, que se alternam entre a colaboração com as máfias e a busca por um espaço próprio. Esses grupos são formados por jovens que, sem grandes perspectivas na cidade em decadência econômica, aderem ao crime como alternativa ao desemprego. A liderança das gangues costuma ser ocupada por facínoras que, apesar de flagrantes distúrbios mentais, gozam de popularidade. É o caso das gangues do Coringa, do Duas Caras, do Charada, do Pinguim e de tantos mais. O clima de convulsão social faz de Gotham um ótimo ambiente para a profusão de psicopatas.

Essa situação faz com que os poderes institucionais (legislativo, executivo e judiciário) sejam meros coadjuvantes na cidade. Representam, em suma, apenas uma pequena fração de suborno nas despesas dos criminosos. Mesmo a polícia possui eficácia comprometida por seus agentes corrompidos. A única instituição que parecia funcionar em Gotham era o Batman.

Porém, há semanas não havia relatos da aparição do Homem Morcego. Não havia mais bandidos amarrados em cordas com a marca do herói e a taxa de crimes aumentava. O que gerou boatos de que a saúde de Batman estava fragilizada. Ele poderia, inclusive, estar morto.

Os indícios, além do sumiço recente, indicavam sua última aparição: um confronto com o Duas Caras. O vilão e sua gangue haviam promovido uma tentativa de assalto a um banco no Centro Financeiro de Gotham. Batman conseguiu frustrar a ação, que culminou em mais uma prisão de alter ego de Harvey Dent. Porém, ao ser levado pela polícia, o ex-promotor público comemorava: havia alvejado o Homem Morcego com ao menos um tiro.

O que poderia ser mera bravata ganharia contornos dramáticos com o misterioso sumiço de Batman nas semanas seguintes. Com medo de perder o aliado, o comissário Jim Gordon acendeu o bat-sinal em algumas noites. O holofote com o símbolo do morcego era um chamado para que Batman o encontrasse em um local combinado. Mas a tentativa de contato foi ignorada.

Era a confirmação do que Gotham mais temia: Batman estava fora de combate. Os mais pessimistas já decretavam sua morte. Assim, a cidade imersa na escuridão, se viu ainda mais vulnerável, enquanto os vilões preparam para efetivamente toma-la para si.

 

2. Um inimigo inesperado

A sala de reuniões presidencial da Wayne Tower já estava ocupada pelos 12 membros de Diretoria Executiva quando Bruce chegou. Tinha o porte de atleta lesionado, já que se apoiava em uma muleta. Ele trajava um impecável terno italiano, solene como a ocasião. A iluminação reduzida destacava a projeção do Power Point “Atualização econômica: o futuro da WayneCorp”, que seria apresentado por Lucius Fox. O CEO abandonou o tablado de apresentação e foi pessoalmente receber o chefe. 

– Senhor Wayne! É bom ver que está se recuperando!

– Obrigado, Lucius. Sim, estou bem melhor. A muleta é só um cuidado para não forçar as costelas partidas. E como está o clima apor aqui?

– Já estivemos melhor, como o senhor pode imaginar.

Bruce acompanhou Lucius até o tablado. E, então, se dirigiu aos demais participantes da reunião.

– Pessoal, boa tarde. Peço desculpas pelo atraso. Como vocês sabem, sofri um acidente praticando kitesurf há três semanas e rompi duas costelas. Ou seja, está confirmada a nossa suspeita de que usar o colete salva-vidas não é o suficiente para nos deixar seguros.

A resposta à piada do chefe da empresa foi discreta. Apenas algumas risadas por educação.

– Apesar da licença médica, estive em contato com Lucius e acompanhei a conclusão deste relatório. Passo, portanto, a palavra para nosso CEO, Lucius Fox.

Lucius agradeceu e começou a sua apresentação. Páginas cheias de números vermelhos e gráficos em curva descendente. A Wayne Enterprises, após anos de operação deficitária, vivia seus últimos dias. Bruce, embora ciente da situação, tinha o semblante abatido ao ouvir a exposição dos dados. Era melancólico ver a empresa bilionária diante de uma eminente falência. Seus cabelos grisalhos haviam se multiplicaram e o rosto mostrava mais marcas do que se esperava do homem vaidoso que não completara 40 anos.

O Power Point de Lucius indicava alguns motivos para a bancarrota. Havia a crise econômica mundial, impactando empresas tradicionais. Também ocorriam divergências políticas entre os Estados Unidos e a China, país que concentrava etapas de produção das indústrias Wayne. E, por fim, os gastos da empresa, que só aumentavam ao longo dos anos.

– Então, Conselho, nossa única saída é decretar a falência. Assim, poderemos negociar nossas dívidas com o governo e o mercado. Vai levar algum tempo, mas será um caminho para, quem sabe em alguns anos, voltarmos a operar.

O silêncio que se seguiu era compreensível. Os membros da Diretoria eram funcionários que haviam participado da fundação da empresa por Thomas Wayne. Não era fácil se desfazer de uma parte tão importante de suas vidas. Bruce Wayne pediu a palavra.

– Obrigado pela detalhada explanação, Lucius. Como você mesmo observou, não temos muitas opções a partir de agora. Ainda assim, como praxe, vamos dar uns dias para vocês analisarem os dados e voltaremos a nos reunir para aprovar as próximas medidas administrativas.

Margareth Wings, decana do Conselho, pediu a palavra.

– Eu preciso desabafar. É muito triste para mim viver essa situação.

– É triste para todos nós, Margareth.

– Não, Sr. Bruce, me perdoe a indelicadeza. A maioria de nós esteve ao lado do seu pai na consolidação dessa empresa. O senhor… Bom, o senhor não tem noção dos esforços necessários para chegar até aqui. O senhor recebeu isso de presente. E fica brincando de surf, ou sei lá o quê, enquanto a WayneCorp agoniza. As festas, os gastos não declarados todos os anos. O senhor nunca entendeu o legado que o seu pai lhe deixou.

– Margareth, eu entendo sua frustração.

Bruce não tinha argumentos para se defender. Até concordava com a aliada de seu pai. Aquele legado nunca foi sua prioridade. Delegou a Lucius Fox as decisões mais importantes da corporação até recentemente. Com a crise, se dedicou mais aos negócios, dando suporte ao difícil trabalho de seu CEO. Mas o empenho tardio não foi o suficiente para apagar a imagem de bon vivant.

Era só fachada, mas Bruce não podia assumir isso. Tampouco poderia declarar que prezava, sim, a WayneCorp, mas apenas como uma forma de viabilizar o projeto que realmente o motivava: combater ao crime. E que estava, sim, devastado por abandonar o que dava sentido à sua existência. 

Com o clima pesado, Bruce encerrou a reunião. Com o abraço mais forte que suas costelas partidas permitiam, se despediu do aliado Lucius. Agora que a falência era pública, Bruce Wayne precisava tomar algumas medidas. Entre elas, a mais difícil: aprender a viver sem de Batman.

 

3. A despedida do herói e o ressurgimento de Coringa

No carro, em uma das últimas viagens que faria com motorista particular, Wayne pensava nas pessoas com quem precisava falar. Não eram tantas, ele concluiu, fazer amigos nunca foi uma prioridade. Quando seu celular tocou, ele pediu ao motorista para subir o vidro isolador de som.

– Olá, Dick, como vai?

– Bruce, o que há com você? Por que está ignorando minhas chamadas?

– Dick, são tempos difíceis para mim.

– Eu vejo os noticiários, cara. Sei que se feriu na briga com o Duas Caras. Mas a cidade está pensando que você morreu! Precisamos dar uma resposta. O Coringa…

– Garoto, me escuta. Eu tenho notícias para você e elas não são boas. A WayneCorp está nas últimas. Quebrou, já era. A falência deve ser divulgada nos próximos dias. 

– Nossa, Bruce, eu sinto muito.

– Obrigado. E, como você deve imaginar, isso nos impacta diretamente. Não poderei continuar te dando aporte financeiro. Você foi um grande parceiro nesses anos, como Robin e agora como Asa Noturna. Muitos daqueles bandidos só foram pegos graças à sua ajuda. Eu o agradeço por isso.

– Poxa, Bruce, eu não sei o que dizer.

– Não tem que dizer nada. Quero que reflita sobre o que é melhor para você. Se vai querer continuar atuando como Asa Noturna ou deixará o combate ao crime. Eu adianto que estou abandonando o Batman.

– Não! Bruce, você não pode fazer isso. Gotham precisa do Batman!

– Dick, eu não posso continuar. Desde que os recursos da empresa reduziram está difícil. Na minha luta contra o Duas Caras, meu cinto de utilidades estava vazio. Apenas serviu, basicamente, para segurar minhas calças. Eu só tinha alguns batrangs e uma corda. Minha visão noturna estragou no meio da batalha e não tenho previsão para consertá-la. Como serei o Cavaleiro das Trevas sem enxergar no escuro?

– Mas, Bruce, os bandidos… Não sei se você acompanha, mas o Coringa está publicando vídeos na internet.

– Eu sei, ele tem um Canal no Youtube agora, não é?

– Sim, mas não é disso que estou falando. Há vídeos em outras plataformas, gravações violentas em que o bando dele agride políticos e empresários. O Coringa diz que, com a morte do Batman, ele agora é o herói de Gotham e que vai limpar a cidade da corrupção.

– Eu não estava sabendo.

– Tudo bem. Mas veja, não podemos deixar a cidade nas mãos desses facínoras. Ele tem muitos seguidores, Bruce. Por mais cruel que seja, as pessoas se sentem representadas por esse tipo de violência.

– Robin, Dick, eu entendo. Mas pense comigo. Em todos esses anos, o que conseguimos? Prendemos essa corja algumas vezes e, em seguida, vimos novos crápulas surgirem e os antigos fugirem da prisão. É um trabalho inútil… E, sinceramente, eu vi a morte muito perto desta vez. A bala partiu duas costelas e se alojou perto do pulmão. Sem recursos, continuar essa luta seria suicídio. Faça como eu. Ainda dá tempo para termos uma vida normal.

– Bruce, me desculpe. Mas eu não posso deixar o Asa Noturna. Não vou abandonar Gotham. Estou investigando sobre a atuação do Coringa e, quando encontrá-lo, vou agir.

– Faça como quiser. Como eu te disse, infelizmente não poderei fornecer mais equipamentos e armas para você.

– Eu me viro, Batman.

A insistência e a ingenuidade eram marcas da personalidade de Dick. Bruce se sentia um pouco culpado por demiti-lo anos atrás do posto de Robin. Não se importava com os boatos maldosos, mas quando o Charada espalhou cartazes pela cidade, com montagens pornográficas dos dois como um casal gay, sentiu que aquilo prejudicaria o combate ao crime. Parte da força do Homem Morcego era o medo que os bandidos sentiam dele. Ser chacota não era uma boa estratégia. 

***

Bruce chegou à Mansão Wayne no princípio da noite. Assim que cruzou a imensa porta de madeira maciça, seu mordomo, Alfred Pennyworth, retirou o casaco do patrão.

– Sr. Wayne, espero que tenha sido uma boa reunião.

– Na medida do possível, Alfred. Não era um assunto fácil. Decretaremos falência em breve. Não existe alternativa.

Bruce foi cruzando a casa em direção à área externa, de onde poderia ver o imenso jardim. Mesmo com a iluminação, as sombras dominavam o quintal.

– Alfred, dentro de alguns meses terei que vender essa mansão, os carros, me desfazer de todo esse patrimônio. Provavelmente sobrará o suficiente para comprar uma kitnet no centro de Gotham. Por mais que me doa, terei que dispensá-lo. Não terei mais renda para pagar seu salário. Farei todos os contatos possíveis para arrumar um novo emprego para você.

– Não se preocupe, Sr. Bruce. Eu tenho minha aposentadoria.

– Sempre serei grato a você, Alfred. Sem o seu zelo, eu jamais sobreviveria à perda dos meus pais. Obrigado.

– Sr. Bruce, não há o que agradecer. Foi uma honra. E eu continuarei à disposição para colaborar com o Batman. Meus conhecimentos em medicina de guerra ainda poderão ser úteis.

– Não haverá mais Batman, Alfred. Eu não posso combater o crime sem os instrumentos tecnológicos que minha fortuna proporcionou ao longo desses anos. Não dá. Eu não nasci em Krypton, tampouco sou filho de deusas. Meu superpoder era o dinheiro. Sem ele, não existe Batman.

– Mas o senhor está pronto para isso? Para abandonar sua identidade secreta?

– Tenho tentado me convencer. Estou me preparando para abandonar essa mansão, meus hábitos e, claro, deixar de ser o vigilante de Gotham. Por mais que esse lugar seja bonito, quando penso em minha infância o que me vem em mente é dor, a tristeza de perder meus pais. Ser o Batman me livrou desse conflito. Tinha a ilusão de que eu poderia salvar a cidade, deixá-la um lugar melhor, como meus pais gostariam que ela fosse. Assim, a morte deles faria sentido. Não tem funcionado. A cidade continua um caos. 

– Estaria pior sem você, Sr. Wayne. 

– Talvez. Sinceramente, não creio que esteja pronto para desistir do Batman. É como tirar um fardo das costas e descobrir que ele está ligado à sua espinha dorsal. Não sei se terei suporte para viver uma vida normal.

***

Bruce dormiu mal naquela noite. Quando adormeceu, teve um pesadelo: ele fugia por um labirinto. Corria nu, com o corpo embebido em suor e orvalho. Estava encurralado e não conhecia a saída. Quando, finalmente, caiu fatigado, teve que encarar o seu perseguidor: um imenso morcego.

Durante o café da manhã, assistiu ao noticiário. Coringa foi tema de uma reportagem que enfatizava sua crescente popularidade na internet, enquanto aumentavam os crimes atribuídos a ele. Um vereador havia sido espancado naquela noite por um grupo de pessoas fantasiadas de palhaço.

Além daquela notícia, Bruce também se impressionou com a investigação sobre uma chacina na região portuária de Gotham. Aparentemente, ninguém sabia de nada. A criminalidade festejava a ausência de Batman.

Antes de sair de casa, ele recebeu mensagens de Dick Grayson. O Asa Noturna sugeria que eles tentassem um financiamento coletivo para manter as atividades como combatentes do crime. Para o jovem, a população de Gotham se mobilizaria para os heróis continuarem a atividade. 

Bruce não respondeu. A experiência na Fundação Wayne o ensinou que as pessoas só participam de filantropia quando há jantares de alta gastronomia.

Ele já havia pensado nessa alternativa para continuar a luta contra o crime. Também cogitou procurar o poder público e se oferecer para ser um agente oficial do Estado. Afinal, era interessante para a cidade que Batman continuasse em atividade. Mas logo rechaçou a ideia. O jogo político o engoliria em intrigas.

Ainda era manhã quando Bruce foi para a casa de Talia. Era a conversa que o deixava mais tenso. Temia que a garota se revoltasse ao saber da falência da WayneCorp, que reduziria significativamente a pensão de Damian.

Ser visto em festas com belas mulheres fazia parte da persona Bruce Wayne. Quanto mais superficial fosse o personagem, menor as chances de desconfiarem de sua identidade secreta. 

Talia era uma das garotas que o acompanhavam em eventos sociais e, no dia seguinte, estampavam capas de revistas. Só que, por descuido dos dois, ela engravidou.

Ao ver o pai, o pequeno Damian correu para seus braços. Era um menino bonito de dois anos, com grandes olhos negros e contornos delicados. A criança era muito carinhosa.

Para surpresa de Bruce, Talia reagiu bem.

– Sem problemas, Bruce. Eu sou grata a você, de toda forma. Engravidar de um bilionário me deu muitos seguidores nas redes sociais. Eu não seria hoje uma das maiores influencers de Gotham sem você. O seu dinheiro não vai fazer falta. 

Com o pequeno no colo, Bruce se sentiu ainda mais inseguro sobre abandonar Batman. Afinal, pensava muito no passado, no combate ao crime como vingança pela morte dos pais. Mas, e o futuro? Abriria mão tão facilmente da esperança de deixar uma cidade melhor para o filho?

 Antes de ir embora, porém, uma ideia lhe ocorreu.

– Talia, como funciona essa história de influencer?

 

4. O novo herói de Gotham

O cenário minimalista, com duas poltronas e uma mesa de centro, poderia indicar uma atração fracassada, com baixo orçamento. Mas quando Arthur Fleck, o Coringa, surgia, seu magnetismo tomava conta da tela. Sua risada ecoava com vigor, enquanto ele gesticulava e dançava teatralmente.

Os vídeos diários, postados no canal do Youtube, eram assistidos por milhões de internautas em poucas horas. E compartilhados diversas vezes. 

Era contraditório, mas o carisma do Coringa se alimentava da ausência de seu arquirrival. Enquanto Batman era um guerreiro da justiça, tão tripudiada na metrópole, o personagem de Arthur representava a subversão de qualquer ordem. Com discursos efusivos, ainda que sem muito nexo, Coringa se tornava ídolo em uma cidade carente de um horizonte para seguir. Seu nome começava a ser especulado como possível candidato à prefeito para Gotham.

Ele fazia uma transmissão ao vivo quando as janelas do estúdio foram quebradas. Coringa e Arlequina, que fazia as gravações, julgavam-se seguros em seu esconderijo, uma discreta casa no bairro de Midtown. Com um chute, o invasor entrou, imponente, com uma roupa em que o preto dividia espaço com o azul e o dourado, em um design bastante moderno. A capa, entretanto, fora mantida. Um segundo invasor, também mascarado, veio em seguida.

Foi uma ação rápida e calculada. Com movimentos plásticos, Batman e Asa Noturna dominaram os vilões sem armas, apenas com técnicas de imobilização. No dia seguinte, enquanto os noticiários repercutiam a prisão de Coringa, uma conta no Instagram, @obatman_oficial, apresentava o vídeo com a ação dos heróis. Recebeu milhões de visualizações. 

A estratégia deu certo. A ideia era aproveitar a visibilidade do canal do Coringa e impor a ele uma derrota humilhante diante de seus seguidores. Assim, derrotavam o inimigo e iniciavam a construção da popularidade do Batman. A mensagem que dariam ao público era a de que, apesar de todo o carisma, o Coringa era fraco.

A conta na rede social foi rapidamente abastecida com fotos em estúdio do Homem Morcego, com detalhes do novo uniforme. Um consultor de imagem sugeriu a mudança nas cores, para uma melhor comunicação com o público jovem.

Foi um sucesso. Em poucos dias, marcas faziam fila para expor no Instagram do herói. Que continuava com a identidade oculta, mas agora poderia ser visto em eventos patrocinados. Batman era fotografado treinando em academias, tomando whey protein e circulando por Gotham em carros esportivos.

Foi uma mudança drástica e Bruce se sentiu estranho no início. Afinal, era a descaracterização do Cavaleiro das Trevas. Parecia um preço muito alto para manter o herói ativo. Por sorte, ele estava acostumado com a exposição pública de Bruce Wayne. Só precisou misturar os personagens.

O objetivo de continuar a combater o crime foi alcançado. Ao transformar Batman em influencer, ele conseguiu recursos. Empresas forneciam armamentos de alta tecnologia gratuitamente para ele, apenas pela exposição da marca. Batman® passou a licenciar diversos produtos, de shampoo a revistas em quadrinhos.

Com o tempo, Bruce passou a achar natural a exposição pública de seu personagem. Se era o preço para continuar em ação, tudo bem. A batalha era árdua, mas valia a pena. Afinal, era o que mais gostava de fazer. Lutar pelos seus pais, por Damian e, sobretudo, para matar o tédio.

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Informação

Publicado em 24 de agosto de 2020 por em FanFic, FanFic - Grupo 1.