EntreContos

Detox Literário.

Elena e Lena no reflexo (Ana Carolina Machado)

Quando se chega aos setenta anos os ponteiros do relógio chamado tempo começam a girar ao contrário. Como se o presente quisesse se encontrar com o passado e a velhice quisesse receber o abraço doce da infância. 

Nessa fase começamos a sentir falta de coisas que há muito não existem mais. Costumes, brincadeiras e roupas que as areias do passado enterraram em uma juventude longínqua. Amizades de infância que a lâmina do tempo cortou.

Mas quando cheguei nessa fase senti falta principalmente do meu balanço e da casa em que passei a infância . Foi uma saudade diferente, como se fosse novamente uma garotinha que passou apenas uns dias longe do lar.

O que era no mínimo inquietante, pois mesmo  morando em Portugal sempre que podia,durante as férias,  viajava ao Brasil e visitava minha sobrinha que morava na casa em que cresci. Todavia algo me dizia que essa minha nova visita seria diferente e eu estava certa, porque foi ao longo dela que reencontrei minha velha amiga Lena.

Lena era um tipo diferente de amizade. Para começo de conversa ela nem era uma menina de verdade digamos assim. Ela era o meu reflexo que eu via no espelho. 

 Era o ano de 1959 quando minha família se mudou para a casa nova que ficava na cidade de Belém do Pará . Eu tinha dez anos e na época ainda era filha única. A nova vizinhança não tinha crianças da minha idade o que aumentava a solidão. Tentava não ficar triste e procurava fazer o meu máximo para me divertir mesmo sem companhia. 

Logo na primeira semana explorei cada canto da casa. Era uma construção muito bonita e com uma arquitetura que remetia ao ciclo da borracha, período que deixou marcas na história e construções da cidade. O senhor que tinha nos vendido a casa era um dos chamados barões da borracha. Ele tinha uma certa idade e  após insistência dos filhos que moravam em São Paulo ele concordou em vender a casa e ir morar com eles no outro estado. 

Imaginava que cada pedaço da construção guardava uma história e me divertia tentando mentalizar essas narrativas. Mas apesar de gostar da casa o que amava realmente era o quintal. Era um quintal amplo e cheio de mangueiras e outras árvores que pareciam centenárias.  Meu pai tinha prometido colocar um balanço em uma das árvores , porém não foi naquela semana que cumpriu. 

Durante os tempos de chuva não poder ir para o quintal era motivo de grande tristeza. Eram dias em que a hora pareciam se arrastar. Foi em um desses dias que comecei minha amizade com Lena. 

Nesse dia de uma chuva particularmente forte estava no quarto dos meus pais procurando algo para me distrair . Foi quando me vi frente a frente com o espelho que minha mãe  tanto gostava. Era um objeto de moldura dourada que tinha sido herança da minha bisavó de Portugal. 

Fiquei um tempo admirando o meu reflexo. O espelho mostrava uma garotinha que nem eu. Por um momento pensei que a amiga que eu tanto procurava estava no espelho, mas perto do que pensava. Eu resolvi a chamar de Lena, pois ela era uma parte de mim mas ao mesmo tempo imaginava que ela tinha a própria identidade. Passamos o resto daquela tarde brincando. 

Contei para ela todas as novidades sobre a mudança, meus segredos e sonhos. Sabia que ela como meu reflexo sabia de tudo, mas contei mesmo assim. Às vezes tudo que queremos é nos iludir que estamos sendo ouvidos. 

Nos dias seguintes me sentia menos só com a presença dela e meu pai finalmente fez o balanço. Uma nova forma de diversão que Lena gostava tanto quanto eu. 

Ela era como uma amiga imaginária que a minha solidão alimentava.  Mesmo quando começaram as aulas Lena continuava presente. 

Quando estava lendo e olhava pela janela via Lena no balanço sorrindo. Um convite para brincar lá fora. Sempre o atendia alegremente. Nessa rotina se passaram dois anos. Talvez nossa amizade tivesse durado mais, porém um evento mudou tudo. Minha irmã Elvira nasceu. 

Quando Elvira nasceu a Lena começou a sumir lentamente. Foi como se minha mente entendesse que não precisava mais de algo imaginário, pois tinha uma irmã, uma companheira, de carne e osso. Sumiu até a última  visita que fiz na casa de minha infância. 

Ao entrar na casa fui direto ao quintal e vi a Lena no balanço. Ela continuou me encarando em um convite mudo para brincar. Diferente de mim ela não tinha envelhecido. Foi como se o tempo tivesse voltado e minha alma correu para atender o convite, porém meu corpo envelhecido não permitiu.  Meus joelhos já frágeis pelo passar dos anos protestaram. Logo me cansei e fiquei a encarando de longe. 

Uma lágrima escorreu enquanto tocava nas rugas do meu rosto e admirava a face jovem de Lena.Ela não era mais uma amiga. Tinha virado o fantasma da juventude que perdi.

23 comentários em “Elena e Lena no reflexo (Ana Carolina Machado)

  1. Fabio D'Oliveira
    13 de abril de 2020

    Resumo: Elena se lembra de sua infância enquanto encara a velhice.

    Olá, Elena!

    Aí está um conto bem bonito! E ele pode ser maravilhoso caso decida melhorar a narrativa! O problema está na técnica, na forma como executa a história, mas a construção de algumas frases esclarece seu talento. Então, creio que seja uma questão de praticar mais e mais. Olhe o trecho final:

    “Uma lágrima escorreu enquanto tocava nas rugas do meu rosto e admirava a face jovem de Lena.Ela não era mais uma amiga. Tinha virado o fantasma da juventude que perdi.”

    A frase final é lindíssima, mas o início do parágrafo não acompanha a mesma beleza. Olhe bem:

    “Uma lágrima escapou, urgindo liberdade, e contornou as rugas do meu rosto. Um verdadeiro contraste com a face jovial da menina que sorria para mim. Ela não era mais minha amiga. Era o fantasma da juventude perdida.”

    Fiz no meu estilo, claro, mas deu para notar a diferença. Sua escrita não é ruim, só não é aperfeiçoada ao ponto de encantar. E você é criativa. E sabe construir cenas legais. Falta a forma, agora. Foque nisso que tenho certeza que entregará maravilhas!

  2. M. A. Thompson
    11 de abril de 2020

    Olá autor(a)!

    Antes de expor minha opinião acerca da sua obra gostaria de esclarecer qual critério utilizo, que vale para todos.

    Os contos começam com 5 (nota máxima) e de acordo com os critérios abaixo vão perdendo 1 ponto:

    1) Implicarei com a gramática se houver erros gritantes, não vou implicar com vírgulas ou mínimos erros de digitação.

    2) Após uma primeira leitura procuro ver se o conto faz sentido. Se for exageradamente onírico ou surrealista, sem pé nem cabeça, lamento, mas este ponto você não vai levar.

    3) Em seguida me pergunto se o conto foi capaz de despertar alguma emoção, qualquer que seja ela. Mesmo os “reprovados” no critério anterior podem faturar 1 ponto aqui, por ter causado alguma emoção.

    4) Na sequência analisarei o conjunto da obra nos quesitos criatividade, fluidez narrativa, pontos positivos e negativos, etc.

    5) Finalmente o ponto da excepcionalidade, que só darei para aqueles que realmente me surpreenderem. Aqui, haverá fração.

    Dito isso vamos ao comentário:

    TÍTULO/AUTOR: 1. Elena e Lena no reflexo (Senhora Elena)

    RESUMO: Elena, agora com 70 anos que dividiu a vida entre Brasil e Portugal, ao voltar para o Brasil revê sua amiga imaginária (Lena), na verdade ela mesma personificada pelo seu “eu” infantil.

    CONSIDERAÇÕES: É um conto sobre o saudosismo como consequência do envelhecimento. Neste conto em particular, a saudade não se limitava a perda da juventude, mas também remete as lembranças da casa onde morou. A ideia do conto foi boa, mas tenho algumas reservas quanto a execução. Em vários momentos o(a) autor(a) revela que a amiga imaginária Lena é a Elena criança.
    Achei forçada esta parte que teria ficado melhor se a descoberta de quem é Lena ficasse para o leitor ou como revelação para o final.

    “Ela era o meu reflexo que eu via no espelho.”
    “Ela era como uma amiga imaginária que a minha solidão alimentava.”

    O conto não surpreendeu e minha maior crítica diz respeito a explicação de quem era Lena, algo que poderia ter sido mais subjetivo.

    NOTA: 4.0

    Independentemente da avaliação aproveito para parabenizar-lhe pela obra e desejo sucesso na classificação.

    Boa Sorte!

  3. Jorge Miranda
    11 de abril de 2020

    Uma mulher do alto de seus setenta anos visita a casa onde morou na infância. Lembranças vem a tona, o quintal, as mangueiras, o balanço e Lena, sua amiga imaginária.
    A premissa do conto não é algo original, mas a história é bem contada e gostei do tom algo saudosista e melancólico que você imprimiu, tem um bom ritmo e não é uma leitura cansativa. Você contextualizou bem a cidade de Belém com sua chuva, mangueiras e casarões da Belle Époque (minha cidade, rsrsrs).
    Parabéns pela narrativa. Nota 3,5.

  4. Daniel Reis
    10 de abril de 2020

    1. Elena e Lena no reflexo (Senhora Elena)
    Tema: Amiga invisível.
    Resumo: Contada setenta anos depois, a história é da infãncia de Elena, que tem uma amiga invisível no espelho, Lena. Elas se afastam após o nascimento da irmã. Muitos anos depois, ao retornar à casa, encontra o espírito da infância ali, no balanço, pronta para brincar. O fantasma da juventude perdida.
    Técnica: a escrita é um pouco rebuscada em construções poéticas, e chega até mesmo a dificultar algumas vezes a leitura. O conto tem elementos de “O menino no espelho” e “Meu pé de laranja lima”, porém acaba corrido pela característica do estilo.
    Emoção: arrependimento da idade e infância perdida são sempre temas universais, mas acho que a história precisa ser mais desenvolvida.

  5. Valéria Vianna
    9 de abril de 2020

    O conto mostra uma senhora de idade envolta em suas lembranças de infância, da casa em que morou e de sua amiga imaginária: na verdade, o próprio reflexo no espelho. Na última vez em que visita a casa, agora habitada por uma sobrinha, reencontra essa amiga em outros termos de sua psique. Constata triste que suas limitações a impedem de viver essa amizade novamente.

    Nota: 4,9

    O autor demonstra sensibilidade ao promover o encontro entre a senhora e a menina que ela um dia foi. Trabalhou o tema do amigo imaginário de maneira amarga e doce ao mesmo tempo, Temperou bem. Alguns problemas com pontuação, mas nada que tenha prejudicado a fluência da leitura. Em alguns momentos, lançou mão de explicações narrativas desnecessárias (ao meu ver).

  6. Fernanda Caleffi Barbetta
    9 de abril de 2020

    Resumo
    Ao completar 70 anos, Elena recorda-se de sua infância e da amizade que mantinha com seu reflexo no espelho, a quem uma nova identidade e um nome, Lena. A amizade foi importante para ela até o nascimento de sua irmã. Ao retornar à casa de sua infância ela revê Lena no balanço no quintal, com a mesma aparência jovem de antes. Pensa em ir até ela para brincar mas percebe as limitações da idade, que a fazem chorar e perceber que Lena não é mais sua amiga, mas o fantasma da juventude perdida.

    Comentário
    Muito bonito seu conto. Destaque para frases como “Amizades de infância que a lâmina do tempo cortou” e “Costumes, brincadeiras e roupas que as areias do passado enterraram em uma juventude longínqua”. Lindas colocações, parabéns.
    Gostei da sua ideia de colocar a Lena sendo um segundo eu de Elena, outra personalidade dela mesma, porém, me incomodei um pouco com o fato de Lena ser um reflexo no espelho, mas aparecer em outros lugares, como no balanço. Não digo que é errado (quem sou eu para dizer isso do seu conto) mas digo que me incomodou, pois ela era um reflexo no espelho mas não se restringia apenas ao espelho.
    A ambientação também foi muito boa, me levando para dentro do texto em vários trechos.
    O final foi triste, mas gostei de sua opção por finalizar o conto de forma realista, mostrando que a velhice nos limita e que, ao invés dela terminar senil e confusa sobre o seu regresso à infância, ela mostrou-se bastante lúcida.

    Gramática
    O que era no mínimo inquietante, pois mesmo morando em Portugal (escolha por não colocar uma vírgula aqui me confundiu na primeira leitura, deu a impressão de que morava em Portugal sempre que podia. Uma vírgula resolveria isso) sempre que podia, durante as férias, viajava ao Brasil
    Lena era um tipo diferente de amizade (talvez colocar “com” Lena ou trocar amizade por amiga)
    a hora (as horas) pareciam se arrastar
    uma garotinha que nem eu (trocar “que nem eu” por “como eu”, pois é um vício de linguagem que usamos quando falamos)
    mas (mais) perto do que pensava
    Nos dias seguintes me sentia menos só com a presença dela (colocaria uma vírgula aqui para separar estas duas ações distintas) e meu pai finalmente fez o balanço.

  7. Amanda Gomez
    9 de abril de 2020

    Olá,

    Resumo 📝 A história de Elena, relembrando seu passado e da sua amiga imaginária. Um reflexo seu no espelho.

    Gostei 😁👍 O texto é bem escrito, uma narrativa envolvente. Gostei do ar mais histórico, a ambientação também está boa.

    Não gostei🙄👎 A história em si é bastante ingênua, linear. A gente lê sem esperar por surpresas e de fato elas não acontecem. É uma lembrança, longa e detalhada. Tem o tom nostálgico que eu gosto…mas, é só isso.

    Destaque📌 “Uma lágrima escorreu enquanto tocava nas rugas do meu rosto e admirava a face jovem de Lena.Ela não era mais uma amiga. Tinha virado o fantasma da juventude que perdi.”

    Conclusão = ☺️ Um texto nostálgico sobre uma personagem que o leitor desconhece. O propósito do texto é contar um detalhe sobre a infância dela. O que conta com talento, a escrita é boa.

  8. Fabio
    7 de abril de 2020

    1. ELENA E LENA NO REFLEXO (SENHORA ELENA)

    Resumo: A história de uma mulher (senhora) que durante suas visitas na casa onde morou, memorava fatos ocorridos em sua vida. Lembrava-se de uma amiga imaginaria que tinha especialmente quando se admirava no espelho.

    Comentário: O texto foi muito bem escrito. A história começa e nem percebemos que chegou a fim. Aliás, o final é surpreendente. O criador traçou começo, meio e fim com excelência na minha opinião. Digno deste certame.

  9. Elisa Ribeiro
    3 de abril de 2020

    Mulher idosa e nostálgica retorna à casa em que morou na infância, reencontra sua amiga imaginária quando criança e narra suas memórias desse tempo.

    Seu conto recorta dois momentos da vida da personagem. O saudosismo aos setenta e a solidão de filha única, preenchida por uma amiga imaginária até o nascimento da irmã. Pareceu-me que a intenção foi traçar um paralelo entre esses dois momentos de ruptura na vida da personagem. A amiga imaginária Lena como um símbolo dessa transição, sendo seu desvanecimento o sinal de superação e reacomodação da personagem às novas condições. Considerando essa interpretação, o texto apresenta o tema do desafio em duas abordagens: o amadurecimento da personagem com a chegada da irmã e sua aceitação da velhice ao se deparar com o fantasma de sua juventude ao final.

    O texto começa bem, com dois parágrafos elegantemente narrados. Na história que Elena nos narra de sua infância, destaca-se a boa ambientação. Senti falta, entretanto de um maior aprofundamento na interioridade da personagem. Achei o fecho do conto satisfatório, embora sem surpreender combinou bem com o tom da história.

    Achei a narrativa segura. A combinação de uma linguagem mais poética no começo/fecho do conto e mais direta na rememoração do passado demonstra boa técnica e se prestou bem ao propósito do conto.

    É uma história calma e sóbria, sem grande impacto ou arroubos de criatividade, mas ainda assim um conto que prende a atenção e proporciona uma leitura muito agradável.

    Parabéns pela participação. Desejo boa sorte no desafio e em tudo mais. Grande abraço.

  10. Fernando. Cyrino
    2 de abril de 2020

    Ei, Helena, vim aqui visitar o seu conto. Ficou bonita a sua história. Gostei de visitar com você a mangueira sob a qual está o balanço e nele Lena, ainda criança a te acenar para brincar com ela. Ficou bacana. Um enredo legal, você encaminha a narrativa de forma leve e a gente vai seguindo. Achei que ainda ficou faltando – quem sabe pelo pouco tempo para se enviar o conto para o desafio – uma última revisão nele. Teria ficado melhor ainda. Com certeza que outros comentaristas já sugeriram pra você o que seria legal dar uma mexidinha. meu abraço fraterno e sucesso no Desafio.

  11. Cilas Medi
    1 de abril de 2020

    Olá Senhora Elena.
    “Eu resolvi a chamar de Lena, pois ela era uma parte de mim (virgula) mas ao mesmo tempo(virgula) imaginava que ela tinha a própria identidade.”
    Sete vezes a palavra “quando”.
    Não leve em consideração o escrito acima, somente observação para uma possível revisão.
    Mesmo não levando nota, você escreveu um ato lírico, formoso, complacente e diretamente ligado ao tema proposto, de uma maneira delicada sobre como envelhecer jovem, sentindo saudades do que lhe fez bem na juventude.
    Parabéns!
    Espero encontra-la em uma ótima posição no desafio, sequer nos primeiros ou vencer.

  12. Angelo Rodrigues
    28 de março de 2020

    Elena e Lena no reflexo (Senhora Elena)

    Resumo: Mulher envelhece e conta de sua pequena amiga de infância, que acaba se tornando prescindível em sua vida. Sua irmã nasce, e esse foi o ponto de virada. Envelhecida, ela volta ao balanço onde brincou, e lá está a sua amiga de infância chamando-a para brincar, mas já não é possível.

    Comentários: Conto com uma pegada poética, particularmente no início, com frases bem construídas. Um bom conto retratando a passagem do tempo para a protagonista.
    Centrou-se no distanciamento que ficou entre a solitária felicidade da infância com a melancolia adquirida com a velhice.
    Algumas observações sobre a escrita: creio que tenham faltado algumas vírgulas e, em dois pontos, percebi que houve equívoco na escolha das palavras e na concordância, a saber:
    … a(s) hora(s) pareciam…
    … mas (mais) perto do que pensava…
    Conto legal de ler. Observo ainda que, com apenas 824 palavras, a ideia escolhida para desenvolvimento do conto poderia ter sido mais explorada. Sendo o tema “Envelhecer”, nada se sabe sobre aquela que envelhece, salvo pela melancolia gerada por decorrência da distância entre os dois polos de sua vida.
    Boa sorte no desafio.

  13. Pedro Paulo
    26 de março de 2020

    Olá, Elena! Esperto fazer jus ao seu conto neste comentário. Como não participo deste certame, desobrigo-me a fazer o resumo e depois o comentário, serei logo direto.

    O enredo se trata de um retorno para casa e de um retorno pela via das lembranças, o tom melancólico presente em todo o texto, quando vamos percebendo que há saudades de algo que nem é real e que nem é recuperável. Um amigo imaginário não pode ser reimaginado, eu acho. Só pode ser imaginado e valorizado de uma só forma… acho que isto o texto passa bem.

    Na qualidade técnica, eu não enxerguei bem um conto, pois senti falta de um enredo, um conflito cuja resolução se encaixasse no início, meio e fim, tendo aspecto de crônica. Além disso, vi uns espaços a mais que uma revisão poderia ter eliminado e algumas construções que poderiam ter sido melhoradas, como “o espelho mostrava uma garotinha que nem eu”, o “que nem eu” marcando certa redundância e podendo ser trocado por, digamos, uma descrição mais elaborada da personagem se vendo no espelho. Isto é só um exemplo do que poderia ter sido escrito, claro. Como realmente será não cabe a mim dizer.

    Enfim, avalio que faltou ao texto um formato mais pertinente ao desafio e um refino técnico.

  14. Rafael Penha
    25 de março de 2020

    Um texto bem escrito. Sem grandes malabares gramaticais ou construcões complexas.

    Um história simplew, que carece de mais enredo. Senti muitos detalhes supérfluos e barrigas que parecem estar ali só pra dae gordura.

    Poderia ter dado mais atenção à relação da protagonista com Lena.

    Texto bonito, fácil de ler, mas um ppuco arrastado.

    Grande abraço

  15. Julia Mascaro Alvim
    24 de março de 2020

    Chegar aos setenta anos equivale ao presente se encontrar ao passado. Como se a velhice quisesse se encontrar à infância. Em umas de minhas viagens de Portugal para o Brasil reencontrei minha velha amiga Lena. Na verdade, era um personagem imaginário inventado frente ao espelho. E me distraía dessa forma. Quando minha irmã Elvira nasceu, Lena foi desaparecendo aos poucos. Ao reencontrá-la, ela permanecia jovem , mas eu não. E me convidou ao balanço em que brincávamos. A minha idade impediu qualquer ato. Então, concluí que Lena se tornara o fantasma da minha juventude perdida.
    A autora narra os acontecimentos com clareza e consegue nos transportar para as cenas através das descrições. O recurso poético do personagem imaginário Lena é tocante. Minha nota é 04.

  16. antoniosbatista
    24 de março de 2020

    Resumo: Uma senhora idosa narra as lembranças da juventude, o tempo da infância quando brincava com o próprio reflexo num espelho

    Comentário: Achei um bom texto, escrita, narração, um bom argumento dentro do tema. A ideia da velhice e infância foram bem combinadas, proporcionando uma leitura agradável. Embora não trazendo nada original, achei uma boa história. A narração foi perfeita, descrições e criação de ambientes, perfeitos.A única coisa que recomendo é ser mais original isto é, escrever algo que seja novo, que surpreenda pela criatividade, por argumentos fortes e contundentes. Fugir do simples, do clichê. Boa sorte.

  17. Luciana Merley
    23 de março de 2020

    Olá, caro autor. Um conto com saudades da infância. Uma mulher contando sua própria história de quando, por questões de solidão, acabou por adquirir uma amiga imaginária (uma cópia de si mesma) e que fazia-lhe companhia. O tempo passa e a amiga imaginária permanece como era, uma criança, guardando o saudosismo e o desejo de permanecer jovem.

    AVALIAÇÃO: Utilizo os seguintes critérios: Técnica + CRI (Coesão, Ritmo e Impacto) sendo que, desses, o impacto é subjetivo e é geralmente o que definirá se o conto me conquistou ou não.

    Técnica – Uma narrativa fluída e muito parecida com uma crônica, em especial no início. O conto é curto e ainda assim houve desperdício de palavras e explicações, assim como descrições desnecessárias ao enredo (Ex: a história do vendedor da casa).

    CRI – O vai lá, vem cá da narrativa perturbou a coesão e o ritmo do conto. Apesar de ser mesmo uma narrativa leve, faltou ação, em especial no início. Uma bonita história, mas que não me impactou muito pela falta de elementos já citados.

    Um abraço.

  18. Marco Aurélio Saraiva
    23 de março de 2020

    Elena volta de portugal para visitar mais uma vez sua sobrinha na casa onde cresceu mas, desta vez, a visita é cheia de nostalgia e ela reencontra uma velha amiga imaginária – ela mesma – sua juventude.

    Será que Elena realmente perdiu sua juventude, ou ela simplesmente “passou”? Elea parece ter tido uma juventude excelente. A nostalgia que vem com a idade é implacável o texto demonstra bem como que, na mente da pessoa que está na situação de Elena, a juventude distante parece perdida, “uma imagem dos bons tempos que jamais voltarão”. Algo que experienciamos mesmo aos trinta, ou quarenta, ou cinquenta anos… mas que imagino ficar mais evidente e poderoso com o passar o tempo.

    Gostei de como Lena deixou de ser sua imaginária e passou a ser um totem de um passado aparentemente esquecido. Deu um corpo às lembranças que Elena tinha do passado – e a cena onde ela tenta alcançar o balanço mas para, cansada e com os joelhos doendo, é tocante. E apesar de o conto parecer ser mais um conto sobre a ifância do que a velhice, esta cena final foi a que deu o tom à narrativa, e faz o leitor entender tudo o que Elena sentiu naquela última visita.

    A escrita é muito boa e envolvente. Simples, mas direta.

    Parabéns!

  19. Priscila Pereira
    22 de março de 2020

    Olá, Senhora Elena!

    Eu gostei bastante do seu conto! Tem muitas frases belíssimas de grande reflexão! A personagem é bem delineada e o enredo coerente, singelo e tocante. Se encontrar consigo mesma, com seu passado, a amiga imaginária, sua infância perdida, acho que todos vamos passar por isso e você descreveu tudo isso com muita sensibilidade. Parabéns e boa sorte!!

    • Priscila Pereira
      31 de março de 2020

      Esqueci do resumo…aff

      Resumo: Elena conta como fez amizade com seu reflexo no espelho quando era criança e sentia-se sozinha. Logo esqueceu-se dela e quando já idosa retorna a antiga casa, reencontra essa amiga.

  20. Gustavo Araujo (@Gus_Writer)
    22 de março de 2020

    Resumo: as reminiscências de Elena, que prestes a visitar a casa em que crescera, nos conta sobre a amiga imaginária — uma versão menina de si mesma — que a acompanhara na infância. No fim, ela a reencontra, mas em vez do júbilo, sente uma espécie de anticlimax em face do tempo decorrido.

    Impressões: é um bom conto, bem escrito e que desperta o interesse. Gostei da opção pela narrativa em primeira pessoa e também do modo como Lena nos é apresentada. Contudo, fiquei com a impressão de que tudo se referiu a um prólogo, uma preparação para algo mais profundo que, na verdade, não se concretizou. Creio que a ideia é boa demais para parar nessa reflexão sobre a passagem do tempo. Admito que o tema me atrai, mas um pouco mais de história não faria mal, penso. Um segredo, um mistério que ficou preso no passado e que poderia ser desenterrado agora, quando a velha Elena retorna ao lar — é uma divagação, claro, mas que indica, de certo modo, a pequena frustração que experimentei por ver o conto terminar tão abruptamente.

    De todo modo, parabéns e boa sorte no desafio.

    Nota: 3,5

  21. Regina Ruth Rincon Caires
    22 de março de 2020

    Elena e Lena no reflexo (Senhora Elena)

    Resumo:

    A história de Elena (senhora de agora) e Lena (a amiga imaginária que na realidade era a própria Elena criança). Elena, menina solitária, criou a amiga imaginária para ter companhia nas brincadeiras. Foram muito ligadas até o nascimento da pequena Elvira, irmã de Elena. Na velhice, retornando à antiga casa, reencontra a “imagem da amiga imaginária” e chora.

    Comentários:

    Compreendi o texto como uma crônica. Um relato delicado e minucioso da construção de uma amiga imaginária para atenuar a solidão. Narrativa leve, com figuras bonitas nas descrições.

    “Como se o presente quisesse se encontrar com o passado e a velhice quisesse receber o abraço doce da infância. “
    “Amizades de infância que a lâmina do tempo cortou.”
    “Às vezes tudo que queremos é nos iludir que estamos sendo ouvidos.”

    Notei que a pontuação é quase inexistente, e tive dificuldade em alguns parágrafos. As pausas não colocadas, ao longo da leitura, truncam a fluência do texto. O leitor fica com aquela “mania” de ler e corrigir (ao mesmo tempo), quebrando a sequência da narrativa.

    Acredito que, com revisão cuidadosa, os pequenos deslizes de concordância, colocação pronominal e de escrita serão sanados e o texto ficará perfeito.

    Aprecio textos que, como este, traduzem sentimentos profundos. Fico tocada.

    Parabéns, Senhora Elena!

    Boa sorte no desafio!

    Abraços…

  22. Felipe Rodrigues
    22 de março de 2020

    O texto parte de memórias de uma mulher refletidas na personagem de Lena, que alinhava o desenvolvimento do conto por meio de suas aparições até que, ao final, revela-se o motivo maior do relato emocionado, pois é ela a razão, o símbolo-mor de uma juventude que se foi e deixou muita saudade.

    O conto lembrou uma espécie de diário, nele fundem-se de maneira simples as lembranças de uma mulher que já se considera longe da juventude. O tom de memoir não preza tanto pelo trabalho da palavra ou criação de um enredo, é ele o próprio enredo e funcionaria melhor se estivesse sendo lido por um parente ou conhecido da protagonista, visto que não existe nada que chame a atenção neste conto.

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Publicado às 22 de março de 2020 por em Envelhecer, Envelhecer - Grupo 1 e marcado .