EntreContos

Detox Literário.

Ânsia (Shay Soares)

Era terça feira quando meu irmão desembarcou do carona do meu carro e acenou para mim antes de entrar em casa. Eu estava ajustando o GPS com o endereço da Paola quando ouvi a porta de trás se abrir. Paralisei, involuntariamente meus ouvidos suprimiram todos os sons que não viessem daquela direção.

O tempo parecia ter se alongado e pude sentir o frio do lado de fora soprando na minha nuca, o cheiro mentolado do cigarro recém apagado e ouvi a respiração pesada de quem quer que estivesse entrando. Tudo isso para só então perceber o carro levemente cedendo com o peso do corpo que se acomodava logo atrás de mim.

Eu não consegui me mover. Instantaneamente lembrei de um estudo que havia lido semanas antes que falava sobre as pessoas que congelam quando sob pressão ou em situações de risco. Lembro que concluí que eu era um dos que morriam: que não pulava da frente do carro, que não corria do assaltante, que não reagia nunca. Foi assim que soube, eu morreria nesse dia.

– Podemos ir – disse a pessoa.

Absorto no meu desespero passivo não consegui identificar se o locutor era homem ou mulher. Entrei no modo automático e reagi como se nada de estranho houvesse, coloquei o celular no painel do carro, TEC, estalou a alavanca do pisca. Do banco de trás ouvi apenas o silêncio. Uma tempestade de perguntas se formou em mim, sinal vermelho, freei em seco.

– Me perdoe – disse ao passageiro, a resposta veio em suspiro.

O GPS marcava quarenta minutos para o fim da viagem, eu ainda tinha tempo para achar uma solução. Se Paola morasse em algum condomínio o plano seria mais fácil, poderia pedir socorro logo na entrada. Indaguei qual seria a intenção desse cara? Ir para minha casa e me assaltar? TEC, acionei o pisca e virei à esquerda. Não que ele fosse ter muito sucesso comigo, eu não servia para o que chamavam de empresário bem-sucedido, apesar do meu carro aparentar outro status com seu formato comprido e bancos de couro.

A noite somava-se ao escuro do carro e pelo retrovisor não se via nada no banco de trás. O silêncio começava a soar ameaçador. Comecei a comedir meus movimentos, TEC, esquerda. Decidi que qualquer mudança brusca poderia desencadear um desenrolar agressivo, eu havia assistido Mentes Criminosas por temporadas suficientes para saber disso. Eu não podia romper a quietude.

Sem que pudesse evitar já estava me imaginando amarrado na sala de casa, será que ele me torturaria? Rapidamente uma coletânea de cenas de tortura começaram a desfilar em minha mente. Será que ele quebraria meus dedos, arrancaria minhas unhas? Na minha cabeça unha por unha começou a ser arrancada, rapidamente eu já estava dissecando a ordem que aconteceria. Fechei a mão apertando os dedos contra a palma. Ele começaria introduzindo uma agulha sob a unha do mindinho, cada milímetro acompanhado de gritos de dor, eu sabia da minha covardia, choraria, imploraria. Com a agulha toda enfiada ele começaria a mexê-la de um lado para outro. Quando eu estivesse quase desmaiando de dor e súplicas, ele chegaria perto do meu ouvido e falaria qualquer coisa fedida, com cheiro de tabaco disfarçado de menta. O odor já me habitava, segurei o vômito.

Sentia-me o chofer da morte.

Será que ele me conhecia? Lembrei que meu destino era a casa de Paola, mas não queria pensar nela. TEC, o pisca estalou na minha têmpora esquerda. De canto de olho eu a vi levar uma paulada atrás dos joelhos e cair no chão, o baque me desesperava, mas eu estava imobilizado e o que me restava era assistir o homem a puxando pelos cabelos. Ela gritava. Fiquei ofegante, conhecia aquela sensação, eu beirava um ataque de pânico. O volante estava úmido sob as palmas, minhas mãos escorregavam por ele. O silêncio cada vez mais sufocante.

– Preciso falar alguma coisa – pensei – se não por mim, por Paola. Preciso achar coragem e negociar, numa dessas ele é um cara sensato, apenas um mercenário.

Mais uma busca pelo retrovisor, um par de olhos talvez, mas o fundo do carro era breu. Eu iria falar, eu precisava. Resolvi dar uma leve arranhada na garganta na esperança de quebrar a quietude vagarosamente. Nem ar saiu. Tentei novamente, nada. Um pigarro mudo foi o que eu produzi.

Meu corpo me sabotava. Vinte e quatro minutos para chegar. Se eu saísse da rota será que ele perceberia? TEC. A resposta não era segredo, se saísse da rota o GPS seria o meu carrasco apitando a rota recalculada. TEC. Um aperto arranhava o peito.

As luzes dos postes agora acrescentavam um tom dramático às minhas emoções, um relógio contando os segundos para o fim. Um barulho de couro contra couro quebrou o silêncio, o odor fétido do cigarro disfarçado dançou ao meu redor. Segurei o vômito na garganta:

– Hm… é… Eu não estou indo para casa, sabe.

Quando terminei de falar senti o cheiro azedo que havia saído da minha boca, o enjoo só aumentava. A ânsia me consumia enquanto rezava pela resposta que nunca veio. TEC. O pavor se apoderou de mim, se era para morrer, que morrêssemos os dois. Pisei no acelerador e resolvi fingir para mim mesmo que eu não ligava mais para minha vida.

Eu queria ser bravo, disfarçava que era nobreza, acreditei na minha própria encenação. A avenida, uma pista. No fundo, encoberto por camadas de falsa coragem, eu queria apenas que alguém me salvasse. Podia ser um diálogo, uma resposta, até mesmo uma ameaça, mas o ocupante não me dava nada. Nem 97km/h foram suficientes para arrancar uma reação.

Foi aí que me dei conta: a tortura era essa. Uma gargalhada preencheu minha mente, eu havia descoberto, eu sabia! O silêncio era a tortura, fosse quem fosse aquele sádico, ele desfrutava do meu desespero. O ponteiro desceu, TEC, direita. Ele não tinha mais poder algum sobre mim, eu estava livre do aperto no estômago.

Regozijei-me em meu próprio silêncio, sim, agora eu tinha a minha quietude particular. Foi no auge da minha euforia que notei um formigamento no umbigo, uma dúvida da minha razão. Pude ver Paola empalada no canto da sala e a figura corpulenta agora vinha em minha direção.

Dei-me conta, se ele realmente quisesse me torturar com a ansiedade, teria me ameaçado, tec, teria deixado clara suas intenções, mas ele apenas espreitava em sua escuridão. Uma mentira, havia criado uma mentira que só eu via sentido. Como não criar? Treze minutos. A verdade que eu negava é que ele tinha o poder, tec, em seu pedestal ele apenas contemplava a minha covardia.

– Acabe logo com isso – choraminguei.

Senti um movimento moderado logo atrás de mim para então o fio gelado da faca se acomodar em minha garganta. Ele estava esperando eu ceder, ele queria provar a minha fraqueza. Ouvi um sussurro:

– Aonde você pensa que está indo?

Meu pescoço acolhia a faca e eu almejava o corte.

– Para casa da minha namorada – respondi derrotado.

A respiração do sujeito aumentou, tec. Essa foi minha confirmação, ele se excitava com aquilo. A faca me pressionou mais decidida. O mentolado quase esquecido sob o cheiro do cigarro apalpava o meu rosto. Foi quando ouvi, pela primeira vez, uma voz feminina:

– Pare. O. Carro. – disse pontuando o final de cada palavra – Agora! – gritou.

Tremi com a exaltação e senti um pequeno fio de sangue se formar em meu pescoço, tec. Parei o carro e houve um momento, uma hesitação onde nada aconteceu. Eu ansiava pela faca talhar seu caminho em meu pescoço, queria deixar meu corpo ceder. Então, a mulher abriu a porta e saiu. Pelo retrovisor lateral a vi correr. Fiquei confuso, ela estava indo embora? Como assim? Abri a porta e me levantei:

– Ei! Onde você vai? O que aconteceu? – gritei, perdido em minhas reações, mas ela só continuou correndo.

Voltei para o carro. Com as mãos tremendo sob o volante, tentei encontrar algum sentimento para expressar. Será que ela havia tido uma crise de consciência? O punhal com o qual ela havia me ameaçado estava caído no banco do passageiro, um desenho curioso percorria o cabo.

Encarando o traço foi que lembrei, eu já havia visto aquilo antes. Numa matéria em um jornal anos atrás, me arregalei, era o símbolo de uma seita:

– Eu deveria ter sido um sacrifício – percebi boquiaberto.

Tive um ataque de riso descontrolado. Não conseguia acreditar que ainda houvesse gente que fizesse esse tipo de coisa, nunca adivinharia. Um sacrifício, inacreditável! Gargalhei um pouco mais. Precisava contar para Paola. Pensei em ligar, mas não, eu queria vivenciar aquilo através das expressões dela. Liguei o carro, tec, antes que pudesse acelerar senti uma dor aguda no pescoço: o corte.

Acendi a luz e pelo espelho analisei o estrago, estranhamente já havia infeccionado.  Apalpei ao redor do machucado, saiu um pouco de pus, a carne parecia flácida e a ferida fedia. Quando tirei a mão uma parte de pele e carne vieram junto. Comecei a palpitar, será que o punhal era envenenado? O choro se alojou num nó na garganta.

No retrovisor vi as luzes de uma viatura piscando ao longe na rua, sai do carro e comecei a correr entre tropeços em direção ao carro de polícia que se aproximava. A ferida em meu pescoço começou a arder, todo aquele alvoroço aumentou o corte, o sangue engrossava enquanto corria, eu tentava em vão estancar o ferimento com as mãos.

Me aproximando da viatura comecei a sinalizar com uma das mãos enquanto a outra se mantinha no pescoço. Eles saíram do carro apontando as armas, caí de joelhos, tentei falar, mas já sentia o sangue invadindo a minha boca. Dois policiais vieram em meu socorro. Ao se aproximarem, para meu espanto, me jogaram contra o chão e me renderam.

Sem entender pensei em levantar o rosto, mas eles fizeram isso por mim. Como se eu estivesse sendo escolhido para abate me exibiram para alguém que estava ao lado da viatura:

– É ele?

– Sim – respondeu uma mulher, aquela mulher – é ele.

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Postagem Facebook, por Carla Kling

O dia em que eu não fui sequestrada

Para quem não soube pela TV, essa semana “quase” sofri um rapto num Uber. Eu estava acabada por causa da minha enxaqueca, então quando entrei no Uber eu logo fechei os olhos para evitar a qualquer claridade, até aí tudo bem. Quando fui dar uma conferida se já estávamos chegando eu percebi que o motorista havia me levado para um lugar completamente descon… ver mais.

22 comentários em “Ânsia (Shay Soares)

  1. Marco Aurélio Saraiva
    15 de junho de 2019

    O personagem principal deixa o irmão em casa e é confundindo com um Uber por uma mulher, que manda que ele ande com o carro. Ele, por outro lado, acha que está sendo assaltado e seguem-se momentos de tensão até que a mulher acha que está sendo raptada. Tudo acaba quando quando ela o ameaça com uma faca e ele busca a polícia apenas para descobrir que a polícia o procurava por sequestro.

    Um excelente conto!! Tinha tudo para se tornar comédia – afinal, desde o início eu achei que fosse um mal entendido e que ela havia achado que ele era mesmo um uber. Só que a tensão foi sendo construída de tal forma, e com tal maestria, que a situação logo deixou de ser engraçada. Acompanhar a ânsia do personagem principal foi sufocante. Foi a pérola do conto – o que você realmente queria mostrar.

    Não entendi o final com a faca de culto e o ferimento “envenenado”. Mas, tirando isso, foi um conto tenso, que me prendeu do início ao fim e muito bem escrito. Um dos melhores!!!

  2. Rsollberg
    14 de junho de 2019

    Ânsia
    Fala, Walter.

    Resumo: Homem passa por uma experiência angustiante ao pensar que está sendo sequestrado.

    De início percebemos o emprego de uma técnica muito usual nos contos de terror, uma imersão nas sensações do protagonista e a utilização dos arquétipos do suspense.
    E aqui o tema se apresenta bem, do jeito que mais aprecio no gênero, criando agonia no personagem e no leitor, um terror psicológico crescente onde visualizamos tudo o que poderá ocorrer e seus piores cenários. Desconforto atrás de desconforto, empatia pelo personagem.
    Temos também, um aproveitamento muito bom do título, palpável em cada linha, onde o autor com grande habilidade nos demonstra a todo momento na pele do protagonista. (possivelmente refletida também no passageiro).
    Esse tipo de narrativa pede uma escrita ágil, que o autor soube utilizar empregando um vocabulário sem muitas firulas e com um fluxo de consciência mais direto, sem grandes divagações, exemplo disso é esse trecho “Pisei no acelerador e resolvi fingir para mim mesmo que eu não ligava mais para minha vida.” Ou nesse; “Foi assim que soube, eu morreria nesse dia.”
    O protagonista é bem desenvolvido tendo em vista a escolha da narrativa em primeira pessoa, que me pareceu sobremaneira acertada.
    O final revela que a coisa toda teve origem em um equívoco. Porém, essa frase: “Encarando o traço foi que lembrei, eu já havia visto aquilo antes. Numa matéria em um jornal anos atrás, me arregalei, era o símbolo de uma seita” aliada ao processo rápido de inflamação da ferida do pescoço do personagem, deixa uma pequena pulga atrás da orelha do leitor. Em meu entendimento não houve um anticlímax.
    Penso que as situações de maior terror realmente ocorrem em razão dos mais simples equívocos.
    Pra não deixar passar em branco, vale relembrar aquele episódio “mosca” do Breaking Bad, que guardada as devidas proporções, tem esse viés de desconforto e agonia.

    Frase de destaque: “Uma tempestade de perguntas se formou em mim, sinal vermelho, freei em seco.”

    Não curti muito: A noticia do facebook como “explicação/origem” do causo.
    Curti muito: O clima de desconforto crescente que favoreceu muito a história do conto.

    Saudações!

  3. Daniel Reis
    13 de junho de 2019

    Resumo: O narrador, motorista de Uber, tem seu carro invadido e é sequestrado. Estava indo para a casa da namorada, mas o evento o coloca numa espiral de imaginar os horrores a que estaria sujeito na mão do sequestrador. Ao fim, a sequestradora foge e ele é acusado de ter abusado dela.
    Premissa: Gênero terror psicológico. O tempo todo, estamos com a narrativa do protagonista, que só se inverte no final, com a postagem da Carla, a sequestradora.
    Técnica: predominância da narrativa e da disgressão por parte do protagonista, com trechos bastante detalhados dos momentos do sequestro. Registro apenas que algumas pontas ficaram soltas na história, como o fato dele não ter percebido se era homem ou mulher quem havia embarcado; de não ter recebido ordem alguma sobre para onde ir; e sobre o por quê a antagonista havia agido daquela forma. Outra coisa é que é pouco plausível que alguém embarque no Uber sem fazer uma chamada, que ficaria registrada.
    Voz Narrativa: bastante segura, ainda que em alguns momentos confusa nas disgressões do protagonista pelo excesso de pensamentos e pouca ação. O recurso de colocar o post do Facebook no final foi bastante interessante, ainda mais com a interrupção.

  4. Gustavo Araujo
    13 de junho de 2019

    Resumo: mulher entra em carro imaginando tratar-se de um uber. O motorista, assustado, imagina tratar-se de um assalto ou algo do gênero e fica desesperado, antecipando em sua mente o que poderá acontecer. Em certo ponto, a mulher deixa o carro e, alarmada, aciona a polícia, que por fim prende o motorista.

    Impressões: é um bom conto de suspense psicológico, em que tudo se passa na mente do protagonista narrador. A trama conduz o leitor num crescente de expectativa, deixando pistas sobre o que poderá ou não acontecer, sobre quem é quem, sobre escolhas, sobre o que se deve ou não fazer numa hora dessas. Dá para o leitor se identificar com o motorista, pois em casos extremos, agimos de modo estúpido, sem pensar, de maneira imponderável, criando realidades. E num mundo urbano tomado pela violência, esse tipo de situação não deve ser assim tão incomum.

    Contudo, achei o narrador um tanto plano. Talvez o texto ganhasse em densidade se houvesse mais informações sobre ele, sobre seus desejos, seus medos. Isso aumentaria a empatia com o leitor, faria com que torcêssemos mais por ele e, ao final, faria com que sentíssemos melhor a sua dor, a decepção, a maneira cruel como o mundo trata os derrotados.
    De todo modo, é um texto competente, bem escrito e que demonstra personalidade. Parabéns ao autor e boa sorte no desafio.

  5. Fabio Baptista
    12 de junho de 2019

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    RESUMO
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    Motorista de Uber (isso só descobrimos no final e nos spoilers do grupo) acha que seu carro foi invadido por um assassino misterioso.
    No final, era ele a real ameaça ali.

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    ANOTAÇÕES AUXILIARES
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    – primeiro parágrafo cheio de informações… irmão desce do carro, motorista ajusta o GPS para casa de Paola (namorada?), alguém entra no carro clandestinamente.
    – o passageiro misterioso apenas manda seguir e o motorista segue para a casa de Paola, a 40 minutos dali
    – o motorista começa a viajar, imaginando as torturas que o passageiro eventualmente fará com ele
    – “De canto de olho eu a vi levar uma paulada atrás dos joelhos e cair no chão”… aqui não dá pra saber se ainda é a imaginação, se aconteceu mesmo… (suponho que seja só imaginação, pois não haveria nem espaço para essa paulada dentro do carro… não que eu já tenha tentado algo dessa natureza…)
    – O motorista meteu o loco e resolveu se matar junto com o suposto algoz no bando detrás
    – uma faca no pescoço do motorista… mais um “tec” e começo a torcer pro assassino…
    – a “assassina” manda parar o carro, foge e deixa a faca para trás…
    – o motorista conclui que quase foi “protagonista” de um sacrifício… esse cara tá cheirado.
    – a polícia prende o motorista (para espanto do próprio)

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    TÉCNICA
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    A narrativa tem um bom ritmo e poucos problemas gramaticais.
    Algumas sequências perderam um pouco de fluidez devido ao excesso de informação. Os delírios do motorista vez ou outra ficaram confusos (talvez tenha sido intencional, eram delírios, afinal), trazendo uma sensação de “peraí… que que tá acontecendo aqui mesmo?”.
    A cena de tortura da unha foi muito bem descrita.

    – Era terça feira
    >>> Era terça-feira

    – como se nada de estranho houvesse
    >>> Não está errado, mas às vezes um jeito mais simples de alocar as palavras gera um efeito melhor: como se não houvesse nada de estranho

    – poderia desencadear um desenrolar agressivo
    >>> essa sequência desencadear / desenrolar não ficou legal
    >>> poderia desencadear/despertar reações/atitudes agressivas

    – Preciso falar alguma coisa – pensei
    >>> era melhor ter colocado pensamento entre aspas, para não confundir com diálogo

    – teria deixado clara suas intenções
    >>> concordância: claras as suas intenções

    – sai do carro e comecei
    >>> saí

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    TRAMA
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    O conto aposta na virada final, onde o perseguido se revela perseguidor. Narrar sob a perspectiva do personagem louco (que não tem consciência de que é louco) foi uma aposta arriscada que surtiu um efeito parcial.
    Não se criou muita tensão, porque dava pra notar que havia algo de errado com o cara, então não era um narrador muito confiável. Paola também ficou meio jogada na história. Talvez surtisse um efeito melhor se o relato final fosse “o dia em que quase fui assassinada”, citando que o cara havia torturado e matado Paola.

    De todo modo, o terror está presente.

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    SALDO FINAL
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    Um bom entretenimento, bem escrito e que atende ao tema do desafio. Não me agradou totalmente, mas tem os requisitos para uma boa nota.

    NOTA: 4

  6. Tikkun Olam
    5 de junho de 2019

    Ânsia – W. White

    O início é o que cativa. O meio é o que sustenta. O final é o que surpreende. O título é o que resume. O estilo é o que ilumina. O tema é o que guia. E com esses elementos, junto com meu ego, analiso esse texto, humildemente. Não sou dono da verdade, apenas um leitor. Posso causar dor, posso causar alegria, como todo ser humano.

    – Resumo: Ao deixar seu irmão em casa, o protagonista-narrador se depara com uma situação assustadora: um estranho entra no carro e manda seguir seu caminho. Acompanhamos toda sua ansiedade e agonia enquanto dirige rumo ao desconhecido e tenta lidar com a situação da melhor forma possível.

    – Início: Instigante. A situação apresentada é próxima da nossa realidade. Deu para sentir, no começo, o medo brotar no protagonista-narrador de forma tão real, tão convincente, que pareceu uma pessoa real.

    – Meio: Denso. Muita informação, muita repetição de ideias. A ansiedade é isso mesmo, creio, mas cansou. A situação, em si, já era tensa. Não precisava deixar tudo tão pesado, tão repetitivo. Tem um livro, As Ruínas, de Scott Smith, que ele apresenta a ansiedade de forma impecável e brilhante. Não cansa e consegue transmitir o sentimento muito bem. Mas admito: ainda prendeu minha atenção. Isso é bom.

    – Final: Confuso. O autor quis impressionar, acho. Porém, deixou-me mais confuso do que qualquer outra coisa. Reli. E acredite: continuou forçado. Um final mais simples seria tão eficaz…

    – Título: Adequado. O ponto forte do conto é toda essa agonia na narrativa. Somos inundados com a ansiedade do protagonista. E o título, nesse caso, encaixou-se perfeitamente.

    – Estilo: Morno. O autor escreve bem, soube conduzir uma narrativa que cativou minha ansiedade — senti-me na pele do personagem, principalmente no início e meio da história —, mas faltou alguma coisa que tornasse a leitura especial. Um brilho extra no estilo. É difícil explicar, porém, alguns autores nos cativam de forma tão natural, tão simples, que torna a leitura melhor.

    – Tema: Razoável. Um terror psicológico, com uma tensão crescente, digno de um thriller de Hitchcock. O final exagerado decepcionou e confundiu, mas isso não tira o mérito geral do texto.

    – Conceito: Prata.

  7. Fil Felix
    2 de junho de 2019

    Um motorista recebe um passageiro misterioso no banco de trás, que faz elevar sua ansiedade e seus medos, imaginando que pode ser todo tipo de situação. Durante a jornada, ele é atacado pela passageira e, com o pescoço cortado, sai do carro e é rendido pela polícia, que foi acionada pela própria mulher.

    Um conto de suspense muito legal, que utiliza do passageiro misterioso para criar uma ótima ambientação. Afinal de contas, é um passageiro sem rosto que acaba por desencadear várias emoções no motorista, como medo, ansiedade, a própria ânsia do título, além da paranoia. E isso é bem interessante porque vai moldando toda a narrativa e despertando também no leitor a curiosidade em entender o que está acontecendo. O desenrolar, com a faca da seita, não me cativou tanto quanto o início, mas constrói uma outra narrativa, um novo mistério a ser resolvido, agora que a situação se inverteu. O post ao final ajuda a manter o conto atual.

  8. Sidney Muniz (@SidneyMuniz_)
    31 de maio de 2019

    Resumo: Ânsia (W. White)

    Um conto interessante, primeiro pela mente do motorista, passando uma impressão interessante, um ponto de vista esquizofrênico, enquanto acompanhamos sua ansiedade, sua loucura até um final onde o desfecho é deveras revelador. O mais interessante é a forma esplêndida que o autor(a) inteligentemente fecha o conto, adorei a técnica utilizada para replicar a página do face, muito top! Parabéns, ficamos de fato querendo saber mais, nós um bando de curiosos pelo feed de notícias! Não vale… ou melhor, valeu muito!
    Comecei a comedir – Contive meus movimentos –

    Avaliação: (Para os contos da Série A-B não considerarei o título, as notas serão divididas por 5 para encontrarmos a média. Porém teremos uma ordem de peso para avaliação caso tenha empates… Categoria/ Enredo / Narrativa / Personagens / Gramática.

    Terror: de 1 a 5 – Nota: 3,5 (Não encontrei tanto terror, ele existe sim, mas há mais angústia e suspense, algumas cenas bacanas)

    Gramática – de 1 a 5 – Nota 4,5 (Pequenos detalhes)

    Narrativa – de 1 a 5 – Nota 5,0 (Muito boa)

    Enredo – de 1 a 5 – Nota 5,0 (Gostei!)

    Personagens – de 1 a 5 – Nota 5 (Muito bons!!!)

    Total: 23,0 / 5 = 4,6

  9. Julia Mascaro Julia Mascaro Alvim
    27 de maio de 2019

    muito bom! o texto prende a atenção na medida certa sem criar inverossimilhanças. qd. o pus se forma na garganta do agente fiquei na dúvida da veracidade. parabéns

  10. Regina Ruth Rincon Caires
    18 de maio de 2019

    Ânsia (W. White)

    Resumo:
    Uma passageira (Carla Kling) entra num carro pensando ser o UBER que aguardava. E o motorista, não compreendendo o que acontecia, vive um trajeto de puro terror. E narra suas sensações.

    Comentário:
    De início, levando-se em conta que se trata de uma narrativa que transpira tanto ansiedade e angústia quanto mal-estar e náusea, o título é muito apropriado. Tiro certeiro. Apesar de pesquisar, o pseudônimo pode ter sido colocado de maneira aleatória, pode ser relativo ao psicólogo norte-americano, ou pode brincar com o contraste da escuridão da noite. Não concluí.

    A minha leitura foi sem trégua, o texto prendeu-me do início ao fim. Interessante que, num tempo que oscila apenas entre 45 minutos, e tendo uma narrativa cujos fatos ocorrem, na sua maioria, dentro da mente do protagonista, as sensações são vividas pelo leitor de maneira quase palpável. Com certeza, nos pensamentos da passageira, a história decorria de modo inverso, não menos torturante.

    O conto é todo narrado e “vivido” pelos sentidos: sons, cheiros, tato, gostos, visões. E o autor arrasa com a sua vasta propriedade narrativa. Brilhou! Destaquei algumas frases que me prenderam:

    … meus ouvidos suprimiram todos os sons que não viessem daquela direção.
    …o cheiro mentolado do cigarro recém apagado.
    … o carro levemente cedendo com o peso do corpo que se acomodava logo atrás de mim.
    … Do banco de trás ouvi apenas o silêncio.
    … TEC, estalou a alavanca do pisca.
    … Eu não podia romper a quietude.
    … Sentia-me o chofer da morte.
    … Um pigarro mudo foi o que eu produzi.
    … Um barulho de couro contra couro quebrou o silêncio…
    … Uma gargalhada preencheu minha mente.
    …O silêncio era a tortura…

    Texto brilhantemente escrito, eu percebi apenas a “ausência” de alguns hifens. O autor conduziu magnificamente o enredo, pecando apenas, na minha modesta opinião, quando mistura o “sobrenatural”: (Acendi a luz e pelo espelho analisei o estrago, estranhamente já havia infeccionado. Apalpei ao redor do machucado, saiu um pouco de pus, a carne parecia flácida e a ferida fedia. Quando tirei a mão uma parte de pele e carne vieram junto. Comecei a palpitar, será que o punhal era envenenado? O choro se alojou num nó na garganta.). Soou-me um pouquinho forçado, mas, reforço, na minha insignificante opinião.

    Agora, caro autor, o desfecho foi de deixar o leitor boquiaberto! Eu fiquei! Até aconteceu certa “confusão” nos comentários livres. Houve leitor que clicava no “leia mais…” e ficava perdido em razão de voltar ao início do texto. SENSACIONAL!!!

    Parabéns, W. White! Que lindo trabalho!

    Boa sorte no desafio!

    Abraços…

  11. Catarina Cunha
    15 de maio de 2019

    O que entendi: Motorista de aplicativo recebe cliente misteriosamente suspeita. Durante a viagem ele vai desenvolvendo um terror por autossugestão, até culminar na inversão dos papéis entre vítima e agressor; ou não.

    Técnica: Arriscada, partindo do casual cotidiano para a alucinação crescente, sem que o leitor consiga ter certeza do que é real, imaginário ou fantástico. Sendo um conto curto, aqui foi bem executada.

    Criatividade: Boa! Foge do terror explicito e passeia pelo psicológico.

    Impacto: Positivo. Eu não esperava um final tão pé no chão. Adoro ser surpreendida com finais abertos. Na publicação de Carla a coisa fica meio subtendida (muito bom o “…ver mais”). Talvez a intenção seja essa mesma: a gente ficar na dúvida se era ou não um sacrifício. Bom conto.

    Destaque: “Lembro que concluí que eu era um dos que morriam: que não pulava da frente do carro, que não corria do assaltante, que não reagia nunca. Foi assim que soube, eu morreria nesse dia.” – Premissa de medo bem traduzida.

    Sugestão: Rever a forma como a faquinha envenenada entra no contexto da trama e na aparente persona da vítima (acho que ficou meio gratuito o apodrecimento instantâneo… rsrsrs).

  12. Leo Jardim
    14 de maio de 2019

    🗒 Resumo: rapaz se prepara para ir à casa da namorada, mas recebe um passageiro misterioso. Com muito medo de ser assaltado ou morto, entra em pânico para, enfim, descobrir que se tratava de uma passageira que pegou o Uber errado.

    📜 Trama (⭐⭐⭐▫▫): a trama em si é simples: gira em torno do passageiro desconhecido e as loucuras que o motorista imagina que vão acontecer. Preciso dizer que, desde o começo, imaginei que se tratava de um mal-entendido e achei que o desenrolar acabou ficando um pouco maior que o desejado. Se analisarmos o texto com calma, veremos que, de fato, pouca coisa acontece. Apesar disso, o texto prendeu minha atenção na ânsia (🤭) de descobrir o que iria acontecer. Na conclusão, fiquei na dúvida se ele teve mesmo sua garganta cortada ou foi uma alucinação causada pelo pânico. Ficou faltando explicar o punhal e a tal seita. Não peguei essa parte.

    📝 Técnica (⭐⭐⭐▫▫): bem escrita, uma leitura corrida e gostosa de ler. Li o texto inteiro sem sentir e sem anotar os problemas ortográficos. Só os peguei na segunda vez. Corrigindo a pontuação e caprichando um pouco mais nas metáforas e figuras de linguagem, terá uma técnica muito boa (a parte inicial, por exemplo, tem uma boa sinestesia, com o cheiro do cigarro e o frio da rua).

    ▪ Absorto no meu desespero passivo *vírgula* não consegui identificar

    ▪ A noite somava-se ao escuro do carro e *vírgula* pelo retrovisor *vírgula* não se via nada no banco de trás

    ▪ Sem que pudesse evitar *vírgula* já estava me imaginando amarrado na sala de casa *ponto* Será que ele me torturaria?

    ▪ Rapidamente *vírgula* uma coletânea de cenas de cenas de tortura *começaram* (começou) a desfilar em minha mente. 

    ▪ Na minha cabeça *vírgula* unha por unha começou a ser arrancada

    ▪ Com a agulha toda enfiada *vírgula* ele começaria a mexê-la

    ▪ De canto de olho *vírgula* eu a vi

    ▪ Me aproximando (no português oficial, não e permitido iniciar frases com o pronome oblíquo átono: https://vestibular.uol.com.br/duvidas-de-portugues/te-peguei.htm) Como é muito comum no português falado, o recomendado é usar apenas dentro de diálogos.

    🎯 Tema (⭐▫): creio que o objetivo do autor era fazer um texto de terror psicológico, mas como acabou dando pistas demais de que o motorista estava exagerando, ficou mais cômico do que trágico.

    💡 Criatividade (⭐⭐▫): a sacada é boa e interessante, embora não creio que seja totalmente nova.

    🎭 Impacto (⭐⭐⭐▫▫): o texto se apoia bastante na reviravolta final, mas acaba adiantando muito, dando muitas pistas, reduzindo o impacto. Apesar disso, como já disse, é um texto de leitura agradável.

    Obs.: o link no fim não funciona, mas não considerei isso na avaliação.

  13. Pedro Paulo
    11 de maio de 2019

    RESUMO: Após deixar o irmão em casa, um rapaz se apronta para se dirigir à casa da namorada, quando um passageiro inesperado ocupa o banco de trás e o ordena a prosseguir. Toda a viagem é feita em desesperadas especulações do que o seu possível algoz fará a ele e/ou à sua namorada. Ao fim, desfeito de qualquer coragem e até mesmo da vontade de sobreviver à enrascada, é ferido e deixado sozinho no carro. Antes que possa compreender a situação, é encontrado e dominado pela polícia. Ao fim, é revelado que havia sido confundido com um motorista de Uber e que a passageirA imaginou que teria sido sequestrada. Tudo um mal-entendido.

    COMENTÁRIO: Este é o primeiro comentário que redijo. Parece-me que nestes eu sempre acabo estabelecendo a minha orientação para as demais avaliações, neste caso ligada à própria temática do desafio, que é o terror. Para esse gênero, imagino que seja necessário fazer algo parecido com a comédia, que é manipular magistralmente as expectativas do leitor de maneira a, com o “tempo” correto, surpreendê-lo. A diferença deve ser, talvez, que na comédia se procure surpreender com algo que não se tenha conhecimento, enquanto no terror, é justamente ter uma informação, geralmente incompleta, que fundamenta o elemento de inquietude que angustia o leitor.

    Sobre esse “elemento de inquietude”, devo reconhecer que ele é estabelecido logo no início do conto, e com bastante agilidade até, pois se trata de uma situação muito simples, mas enervante, que está diretamente relacionada ao espaço físico de um carro, algo que muitos – se não todos – leitores saberão identificar. Na posição do protagonista, a vulnerabilidade é real e temerosa, principalmente quando não se sabe quem ou o que é que está atrás.

    O que eu consideraria um déficits do conto é justamente o que vem depois. Acertado no estabelecimento da situação, principalmente em virtude de uma escrita eficiente em que se encontram conciliadas a informação do que está acontecendo com o que o personagem está sentindo, o problema está justamente no desenvolvimento. A tensão é mantida ao longo da leitura, mas logo se torna cansativo ficar preso somente aos devaneios do protagonista impotente. Em certo momento, especialmente o da tortura, as imagens às quais ele recorre não são tão assombrosas quanto cômicas. Li e pensei: cara, ele está exagerando! Afinal, apesar de não sabermos quem está atrás dele, até então o perigo real não tinha sido indicado, fazendo do terror da personagem mais cômico do que algo para “se identificar”.

    Enfim, o desfecho. Avalio que a conclusão deu continuidade mais aos problemas do desenvolvimento do que ao cenário estabelecido no início. Basicamente, tratou-se de um terrível mal-entendido, então tudo o que eu imaginei enquanto lia os devaneios do personagem, que ele estava exagerando e tal, comprovou-se verdadeiro. Não houve um momento de confirmação do perigo e mesmo antes, esse “perigo” já não estava tão expressado. Ao fim, a impressão que se teve foi a da leitura de uma comédia dentro do humor sinistro do que de propriamente terror. Nada contra, é claro, mas é um desacerto com o tema do desafio e o conto acaba começando com um tom e terminando com outro.

    Boa sorte!

  14. Fernando Cyrino.
    9 de maio de 2019

    Meu caro W White, cá estou eu às voltas com o seu conto. A mulher que invade o carro (e depois se fica sabendo que ela estava mesmo era tomando um UBER, por engano), entrando pela porta traseira e fere o pescoço do condutor, o narrador da história. Ele, que ia para a casa de alguém querido (a namorada?) começa a imaginar a tortura que ele e ela iriam viver dali a pouco. Mas nada disto acontece, ela o fere e, mesmo que levemente, aquilo infecciona de imediato. A mulher manda que pare, desce do carro. Ele olha a ferida e vê que está mal. Sai correndo, vê as luzes do carro da polícia e vai até ele. Lá a mulher o identifica para os policiais que o subjugam. Um bom começo da história e um final estupendo. Gostei muito mesmo dele. Você me traz um bom enredo. A história prende e se fica desejando seguir nela para se ver o que virá em seguida. Achei que poderia ter dado mais indícios do engano durante a narrativa. Sem dúvidas que você foi criativo, seu conto, principalmente o seu final, demonstra isso. Você tem um bom domínio do idioma. Maneja bem as palavras. Quem sabe possam lhe ajudar algumas dicas. Use-as tanto quanto sinta que lhe possam ser úteis e as descarte caso sinta que não lhe sirvam. Ei-las: Eu aprendi, faz tempo, que o verbo lembrar, quando usado no sentido de recordar é sempre pronominal. Não sei se as novas reformas e as mudanças coloquiais da língua oferecem a possibilidade do seu uso sem o pronome. Achei também que você usou em demasia os pronomes pessoais. Vários ele e eu poderiam ser tirados sem prejudicar a história. Ao contrário, a ausência deles, no meu modo de ver, melhoraria a fluidez da escrita. Sem querer ser chato, também notei um “clara suas intenções” que, definitivamente, não lhe tira pontos. Também, no relato da Carla Kling, achei que ficou demasiado o a em “evitar a qualquer claridade”, que também não lhe tira pontos. Uma história muito bem narrada, um bom domínio do idioma e um encantamento acima da média.

  15. neusafontolan
    7 de maio de 2019

    Mas que confusão!
    O pavor do cara era tanto que ele viu até a garganta cortada!
    Parabéns
    é um ótimo conto.

  16. Ricardo Gnecco Falco
    6 de maio de 2019

    Olá Heisenberg; tudo bem?
    O seu conto é o primeiríssimo trabalho que eu estou lendo e avaliando.

    ——————————–
    O QUE ACHEI DO SEU TRABALHO
    ——————————–

    Gostei bastante da sua escrita! O início do conto foi muito bem elaborado e causou o que um bom começo de conto deve causar: prendeu a minha atenção. Gostei também de como você descreve as cenas e os sentimentos da personagem principal (narradora). A história possui uma boa premissa e, não fosse eu logo de cara já ter conjecturado que o/a misterioso/a passageiro/a fosse alguém que tivesse entrado no carro por engano, pensando exatamente tratar-se de um Uber, eu certamente teria uma baita surpresa ao final.
    Mas, o fato de eu já logo de cara ter conjecturado o que viria a se confirmar no final, a obra não perde nada dos grandes atributos que possui! Gostei muito do seu vocabulário e da forma com que você foi causando (e aumentando!) a tensão durante o conto. Isso ficou muito bom!
    Como ponto de estranhamento, cito apenas a passagem em que o narrador-personagem “pensa” que precisa fazer alguma coisa, e você optou por transcrever este pensamento iniciando o mesmo com um travessão, o que eu julgo que trouxe um sentimento para o leitor errado, como se o personagem estivesse “falando” (em voz alta) ao invés de apenas pensar. Nem sei se isso procede tecnicamente, mas o travessão traz esta imagem de “fala”. Talvez, como sugestão, eu tirasse aquele travessão dali e substituísse o pensamento expresso no texto de forma diferenciada, talvez em itálico ou entre aspas.
    Bem… É isso! Gostei do seu conto e do caráter até meio experimental que você utilizou para contar a sua história! 🙂
    Parabéns pelo trabalho! E boa sorte no Desafio! 😉

    Bem, pra finalizar, as regras do Certame exigem que eu faça um resuminho da história avaliada, para comprovar minha leitura. Então vamos lá:

    ————————
    RESUMO DA HISTÓRIA:
    ————————

    Motorista é surpreendido por alguém que entra em seu carro e, sem que pudesse ver o passageiro, acaba por se tornar vítima de seus próprios medos, ao agir com ansiedade. Uma ansiedade fatal…

  17. Angelo Rodrigues
    5 de maio de 2019

    Resumo:
    [Terror de mal explícito e inexplicável]
    Na direção de um veículo, um rapaz experimenta a presença de uma pessoa que o ameaça com uma faca ao pescoço. Tem o irmão e a namorada Paola na jogada, além de um relato (truncado) de uma tal Carla Kling na jogada.

    Comentários:
    Caro W. White,
    A ideia do conto não é nova, mas não há erro em revisitá-la, podendo-se entregar ao leitor boas sensações de terror.
    O conto, parece-me, busca passar a ideia do medo inominado, oculto. Com uma presença que busca transmitir medo ao motorista narrador, a figura com uma faca à mão, que atemoriza.
    O sujeito do conto é um motorista de Uber, ou algo assim, creio.
    Há, entretanto, no processo criativo, algumas construções que fragilizaram o texto, uma delas é esta:
    “Absorto no meu desespero passivo…”
    Sinônimos para absorto não faltam, e vão de “concentrado” a “distraído”. Imagino que num conto onde a ideia objetiva seja transferir ao leitor uma sensação de medo, jogá-lo na indecisão não ajuda muito. Estar absorto num desespero passivo passa exatamente ao leitor quê sentimento?
    Há um grande fluxo de oscilação, algo como “absorto=tranquilo” seguido de “desespero=pavor” seguido de “passivo=Ok, tudo bem, vamos em frente.” Como o leitor veria isso?
    Algumas frases são colocadas no modo interrogativo quando não deveriam, ou deveriam ser revistas com mudança de pontuação, por exemplo:
    “Indaguei qual seria a intenção desse cara?” Será que o protagonista pergunta a si mesmo?
    “Sem que pudesse evitar já estava me sentindo amarrado na sala de casa, será que ele me torturaria?”
    No português, ao contrário do espanhol (? invertida), as frases interrogativas não avisam que o são logo de saída, havendo a necessidade de que, quando longas, transfiram de cara ao leitor algum senso de interrogação, justo para que ele não precise retornar ao início da frase e a ler como interrogativa (será; por que, e outros indicativos).
    O texto precisa de uma revisão, dado que isso se repete algumas vezes.
    Imaginei que o “TEC” pudesse significar uma mudança de enforque, de revisão ou mudança de realidade, algo como o presente vivido pelo motorista e uma situação futura, imaginada por ele, mas isso não se confirmou, o que seria bastante interessante, caso se confirmasse.
    Ficou-me claro aqui, que o TEC era apenas uma mudança de direção do veículo, e não de realidade:
    “Meu corpo me sabotava. Vinte e quatro minutos para chegar. Se eu saísse da rota será que ele perceberia? TEC. A resposta não era segredo, se saísse da rota o GPS seria o meu carrasco apitando a rota recalculada. TEC. Um aperto arranhava o peito.”
    Antes e depois do TEC a realidade é a mesma.
    Há marcas que caracterizam todo tipo de literatura. Os contos de terror, por exemplo, quando narrados na primeira pessoa do singular, têm, grosso modo, dois caminhos a seguir: ou o narrador morreu “de medo” e conta a partir de um corpo morto, sua alma, ou salvou-se do terror que viveu, e, da mesma forma, relata a sua experiência.
    Isso em si já é quase uma spoiler, pois a leitura, necessariamente, conduz o leitor a compreender que apenas dois movimentos serão possíveis na narrativa: a superação ou a morte frente ao terror.
    Uma das saídas para “iludir” o leitor é, independente de o narrador haver morrido ou não, transferir a ele, durante a narrativa, as dificuldades pelas quais o protagonista passou, seu medo, seu pânico e, portanto, isso deve ser a tônica do conto, e tanto será mais terrível o conto, quanto essa dificuldade não puder ser superada, talvez pela morte do narrador, que, morto, relata o que lhe ocorreu.
    Resumindo, entre a superação e a morte, há que se colocar vivamente o medo, o pavor.
    No conto em análise, o narrador não morreu, está vivo e narra. Aí está a chave para o conto, que, no caso presente, não transferiu ao narrador o medo que ele sentiu e o leitor tomou conhecimento, mas apenas relatou um desconforto ocasional, ainda que “estranho”.
    E onde está esta ocasionalidade? Justo no fato de o conto contar sobre o medo do protagonista, mas não mostrar vivamente o que lhe acontecia, fazendo-o verdadeiramente viver a sua agonia.
    O conto, creio, pode ser bem melhorado com alguns ajustes de rumo.
    Como observação que talvez seja relevante, o link que há no final do conto, não remete a lugar algum, o que talvez pudesse ter ajudado mais um pouco na compreensão total da narrativa, mas… isso não ajudaria ao conto a melhorar, dado que o conto, em si, deveria, no todo, dar o seu recado, sem necessidade de uma compreensão extraordinária, que só o fragiliza.
    Parabéns e boa sorte no desafio.

  18. Antonio Stegues Batista
    3 de maio de 2019

    Ânsia, é a história de um motorista de táxi que imagina que a pessoa que entrou no carro era o ex namorado de sua namorada e que ele queria matá-lo. Imagina até, que está sendo esfaqueado. Na realidade era apenas uma passageira.

    Realmente, a gente fica ansiado para saber o final da história. O suspense e o terror do personagem, foi bem construído em parte. Achei que a narração, as descrições da paranoia do personagem se alongaram demais. Como houve insistência sobre esse fato, o final acabou sendo previsível, ou seja, não foi nenhuma surpresa em saber que não era nada daquilo que ele imaginava. Poderia ter escrito mais ações, desenvolvido mais o enredo, em outro ambiente, fora do carro por exemplo, pois o texto tem 1747 palavras, faltou 753 para atingir o limite de 2500. Havia espaço para algum imprevisto. De qualquer forma, está bem escrito.
    Boa sorte no Desafio.

  19. Leandro Soares Barreiros
    2 de maio de 2019

    Acabei fazendo um meio resumo ao longo do texto. Só pra complementar formalmente, resumo: Homem paranoico acredita que está sendo sequestrado, quando na verdade uma mulher confundiu seu carro com um uber. O texto prossegue sobre a tensão do homem, até que a mulher passa a acreditar que ELA está sendo sequestrada. A moça “escapa” e pede ajuda a polícia, que prende o desventuroso protagonista.

  20. Leandro Soares Barreiros
    2 de maio de 2019

    Aviso prévio: Todas as notas refletem unica e exclusivamente minha opinião em quanto leitor. Não entendo nada de teoria literária. E não é que seu texto seja esta nota. Apenas para os critérios que decidi levar em conta neste desafio foi assim. Se avaliasse outros aspectos, a nota poderia ser diferente. E qualquer sugestão que faço sobre a narrativa não é algo como “ficaria melhor assim”. É só um brainstorm para ajudar em uma possível reformulação, se o autor tiver interesse em reformular, ou em brincar com o texto depois.

    A menor nota por critério é zero.

    Olá, White.
    matei o conto logo no início, talvez por já ter entrado em dois ou três carros por engano. Vou tentar analisar a história através de alguns critérios replicáveis em outros contos. Vamos ver se da certo:

    1) Protagonista —- Nota: 1 de 2
    O protagonista do conto conto é o namorado de Paola. Percebemos que se trata de alguém que sofre de ansiedade, construindo os cenários mais pessimistas possíveis para as situações que se encontra.

    Particularmente, não o achei muito relacionável, nem me preocupei tanto com ele. Talvez por ter visto a charada bem cedo. Fato é, contudo, que se mostra bem humano.

    2)Vilão — Nota: 2 de 2

    O vilão é, em síntese, a própria ansiedade do namorado de Paola. É uma ideia criativa, embora não única (e o que é?)

    3) Mudanças de valor na narrativa -Nota: 1,5 de 3

    O principal valor que acompanha a narrativa é o binômio segurança (+) e perigo (-).

    A narrativa começa com um valor positivo, nosso protagonista deixando o irmão em casa, dentro de seu mundo e se preparando para visitar a namorada.

    O valor muda bruscamente quando alguém entra no carro do desavisado protagonista. O seu mundo, então, se modifica, e passamos a ler uma espiral de seu próprio medo. É uma boa mudança.

    A narrativa se mantém em uma carga negativa, progressiva, até que o passageiro salta do carro. Neste momento, algum alívio por parte do homem.

    Passamos, então, de um momento negativo para um positivo. Do perigo para a segurança. Isso é bom. Um texto com a mesma polaridade de emoção acaba ficando cansativo.

    No final, com a chegada da polícia e a confusão sobre o caso, a polaridade muda novamente para negativa, e isso também é bom.

    O problema é que a nova mudança é inferior em impacto aos problemas que o homem sentia antes. Veja, se considerarmos que não descobrimos o que se passa ao longo do texto, a vida do sujeito estava em jogo e, com o final, apenas sua liberdade momentaneamente está em perigo. Quando perceberem que o rapaz não era um uber, tudo será resolvido, então, de certa forma, o risco caiu demais.

    4) O que o texto pretendia/ o que o texto fez – Nota 1 de 3.

    Aqui é um palpite, em todos os contos assim será.

    O texto tem a intenção de esconder o que está acontecendo na narrativa, submergindo os fatos na psique ansiosa do protagonista. É uma ideia interessante e realmente válida, e é assim que bons textos nascem.

    Espera-se um impacto com o ocorrido, assim funciona o final revelação, proposto no texto.

    Para conduzir a narrativa, o autor pareceu escolher o trabalho com a tensão do que pode ser a partir da mente do motorista. Em outras palavras, a história só funciona como terror caso o leitor não perceba o que se passa e se sinta angustiado com o possível sequestro.

    O problema:

    Este leitor percebeu o que acontecia. Para uma crítica bacana do efeito do texto, é bom ver se a maior parte dos outros leitores acreditou na confusão do motorista. Uma vez que percebi o que acontecia, a tensão do texto se desfez.

    Sugestão?

    Talvez, TALVEZ, explorar o que você fez por um curto espaço de tempo. Se a maior parte dos leitores passarem batido sobre o caso, o texto está funcionando bem. Senão, mude o foco da tensão: não o perigo que o motorista segue, mas sua tendência paranoica que coloca em risco o passageiro desavisado. Pra isso funcionar, é necessário consolidar de maneira mais sútil os problemas psicológicos do protagonista (fala que esqueceu de ir na farmácia comprar remédio que não toma a dias ou algo do tipo), encaixar algumas frases do passageiro implorando, criar uma situação em que o protagonista faça as torturas que imaginava… qualquer coisa assim.

    Mas isso é só uma sugestão, um brainstorm, isso tudo se o texto não alcançar o efeito desejado com a maioria dos leitores.

    Síntese: Um texto criativo, que demonstra bons conhecimentos de elementos narrativos clássicos (subtexto, revelação), mas deslizou no momento de tornar o mistério do conto um efetivo mistério.

    Nota final: 2,8

  21. Paula Giannini
    2 de maio de 2019

    Olá, Entrecontista,

    Tudo bem?

    Resumo:

    Em Uma crise de síndrome do pânico, motorista de Uber confunde passageira com uma possível assassina.

    Minhas Impressões:

    Não há como negar que o ponto alto deste conto é a premissa da trama. O desenvolvimento, no entanto, também é digno de nota. Síndrome do pânico, a imaginação da “vitima-motorista”, toda descrição de sua ânsia até o desfecho, pode até fazer com que o leitor suspeite de que, na verdade, a passageira não é o que ele imagina. Entretanto, a curiosidade instiga o leitor a seguir em frente e descobrir o que há, indagando-se se o banco traseiro estaria vazio, se lá estaria um amigo, ou algo do gênero.

    O parágrafo final solucionando a questão de forma criativa e rápida é uma excelente sacada do(a) autor(a).

    Vale comentar ainda o humor neste conto de “terrir”, muito bem dosado, fugindo (e ao mesmo tempo brincando) dos clichês do gênero.

    Parabéns!

    Beijos

    Paula Giannini

  22. Rubem Cabral
    2 de maio de 2019

    Olá, W. White.

    Resumo da história: acompanhamos o angustiante desenrolar de uma narrativa de possível violência: sequestro, assassinato, sacrifício. O narrador é o motorista e fica em suspense, por quase todo o texto, a identidade e mesmo o gênero do possível agressor. Ao fim, descobrimos que tudo foi apenas um grande engano, gerado pela paranoia do motorista e a enxaqueca da passageira.

    Prós: a escrita é ágil, atira-nos à ação rapidamente e tem uma conclusão surpreendente. Há poucos erros de escrita,feito “teria deixado clara suas intenções” e uma ou outra vírgula “estranha”. A imaginação do motorista leva o leitor ao terror a que a narrativa provavelmente propõe mostrar: empalamento, tortura, etc.

    Contras: ao menos para mim, o conto falhou na suspensão de descrença. Em outras palavras, não consegui aceitar bem a ideia de absoluta escuridão no banco traseiro, a ponto do motorista do Uber sequer saber o gênero do passageiro e tudo mais.

    Boa sorte no desafio!

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Informação

Publicado às 1 de maio de 2019 por em Liga 2019 - Rodada 2, Série B e marcado .