EntreContos

Detox Literário.

Carne de Trópico (Gustavo Aquino)

O Vale de Drâa,
Marrocos,
sem data

Não escrevo isso para vocês.
Faço isso numa idiota homenagem às utopias,
aos diálogos que tive comigo nos quartos dos hostéis,
às paisagens preconcebidas,
aos sonhos já esquecidos.
Minhas verdades…
E estou abdicando do decoro literário,
das regras da gramática,
do meu leitor – quem quer que seja ele –
para escrevê-las exatamente como tenho vivido:
aleatório, paradoxal,
carnal demais,
ignorante demais dos parágrafos da vida.
Não, não escrevo isso para vocês.

 

Neustadt,
Dresden,
04 de setembro de 1996

Bebericamos chá.
Sustentamos olhares e nos permitimos rir de qualquer coisa.
Anika contou-me sobre a adolescência naquela cidade interiorana, de quatrocentos habitantes, para sempre *incrustada na orla da Floresta Negra e **prenhe da presença ***nibelunguiana.
Lentamente, o campo eletromagnético que nos separava saturou-se e nós nos beijamos no meio da cozinha abafada daquele hostel. Lábios tocando lábios. Minha mão apertando o seu seio esquerdo numa ânsia desesperada.
Conduzidos por um tesão inquestionável, de bocas dadas, saímos para a madrugada que descambava pelas ruas de Dresden. Adentramos num parquinho perto dali, deserto àquela hora tão tardia. Próximo da gangorra, depois de ficarmos nus da cintura para baixo, comecei tudo deslizando minha língua por toda a extensão do seu ****clitóris rosado.
Abri os olhos…
*****Notei pegadas pontilhando a areia fina daquele parque. Marcas de pés pequenos, aqui e acolá. Pegadas deixadas por crianças arianas naquela tarde.
Agora, era eu quem estava ali: tiritando na madrugada alemã, transando num parque vazio como um cachorro tropical faria abaixo da linha do Equador.

Observações:

* trocar “incrustada” por alguma outra palavra menos pomposa;

** “prenhe” está desnecessariamente rebuscado;

*** “nibelunguiana”, preciso tomar cuidado com esses nomes e termos desconhecidos para o leitor;

**** evitar o excesso de erotismo;

***** melhorar o ritmo dessa parte;

****** é realmente necessário contar isso? O que isso agrega ao leitor?

 

Olhou ao redor com olhos que já não eram mais os mesmos.

Permaneceu assim: alheio, pensamento em desalinho, o livro que mudara toda a sua existência esquecido nas mãos.

Então, a voz impessoal e metálica o trouxe de volta…

– Achtung! Passagiere des Fluges LH 210 melden Sie sich am Flugsteig 6 au.

Pôs-se de pé.

Segurou o livro com mais firmeza.

Ajeitou a mochila nos ombros.

Suspirou fundo.

E rumou para o portão de embarque.

 

Wien Hauptbahnhof,
Viena,
09 de julho de 1993

Estações de trem me *evocam Lembranças que nunca tive.
Rememoro rostos de narizes **aquilinos, aduncos, achatados, e olhos castanhos, escuros, azuis claros. Traços ***mouriscos, negroides, silhuetas vestidas em tecidos vindos do outro lado de alguma terra cujo nome desconheço.
Estações de trem me fazem crer que a miséria humana, o desterro, são virtudes naturais do nosso século. ****Ciganos esmolando e comendo “nãos”. Crianças oriundas de alguma pátria arruinada pela guerra ceiando lixo. Um hippie que apanha dos guardas austríacos e desaparece do meu raio de visão – não sem antes tornar-se eterno nas minhas retinas ao revelar o vermelho rubro que escorre de sua testa arrebentada.
O sangue sempre vermelho.
Os nós do sempre não.
O sempre desterro.
O sempre apito dos trens entrando e saindo da estação.
A civilização é ausente de qualquer razão.

Observações:

* evitar palavras forçadas. Pode ser apenas “me fazem lembrar”;

** o meu leitor vai saber o que é aquilino? O que é adunco? Evitar o rebusque;

*** “traços árabes, africanos” não fica mais legível? Lembre-se dos conselhos: menos é mais. Menos é mais!;

**** tomar cuidado para não ficar muito piegas. Pode desagradar o leitor;

***** todos os meus relatos são curtos. Apenas fragmentos. Seria interessante tentar desenvolver algum enredo capaz de prender a atenção do leitor?  

Fechou-o.

No fundo, sabia que tinha que lê-lo em doses homeopáticas. Lentamente. Tomando cuidado para não se deixar levar por ele ou por aquele lugar que sempre era mencionado a cada duas novas entradas.

Pouco a pouco, o trem foi saindo do túnel. A escuridão se desmantelou e vales, cinturões de florestas, lagos e vinhas abriram-se num zoom de circunferências diante dos seus olhos. Povoados toscanos, lá longe, deslizavam suavemente debaixo daquele céu onde o azul era a metáfora mais azul do infinito.

– Medo da vida moderna, civilizada…

Repetiu consigo aquela sentença que memorizara tão bem.

Sem saber por qual razão fazia, mas fazendo do mesmo jeito, abriu o livro novamente. Pulou algumas páginas, leu pela centésima vez aquelas palavras datilografadas e tentou decifrar o real significado daquele lugar que sempre era mencionado a cada duas novas entradas.  

 

Faa’a,
13 de julho de 2001

Sentei ali, bem na ponta do *perau, e mirei as águas que banhavam Moorea. Haviam outras ilhas no horizonte **diáfano, sussurros do ***mar-oceano. Sem lápis e caderno, com tinta da brisa amiga, escrevi na paisagem:

“Tive medo daquilo que era conhecido.
Medo das futilidades terrenas.
Medo da vida moderna, civilizada.
Medo dos feitos inúteis.
E a resposta para todos os medos repousa em ****Fatu Hiva

Tão perto agora…

Tão real agora…

Observações:

* o meu leitor vai saber o que é “perau”? Use palavras fáceis, rotineiras

** cuidado com o excesso de adjetivos;

*** você não é um Guimarães Rosa para criar palavras! Tome cuidado! Lembre-se do leitor! Quem é o meu leitor? Quem é mais importante? Sua arte ou o leitor?;

**** O leitor vai ter curiosidade para procurar esse local? É relevante? Pode ser relevante para mim, pode ser a solução para todas as minhas fugas, o meu escapismo, mas e para o leitor? O que ela representa para o leitor?  

***** Extremamente enfadonho esse aqui. Poesia por poesia. Não estabelece nenhuma comunicação com quem lê.

 

– Como se chama?

– O quê?

– A música que você estava cantando hoje de manhã…

– Ah! É de um cantor brasileiro chamado Belchior. Acho que você não deve conhecer – respondeu num espanhol sofrível.

Houve um silêncio entre os dois.

– Me pareceu linda. Quero dizer. Não entendi nada, mas o ritmo é maravilhoso. Canta mais… – Paola tornou a dizer.

O sorriso fez com que ele, pela primeira vez em muito tempo, colocasse o livro de lado. Aproximou-se dela e, em meio a algazarra festiva que se fazia soberana por todos os desvãos daquele hostel, cantou desafinadamente:

“E eu ainda sou bem moço pra tanta tristeza
Deixemos de coisas, cuidemos da vida.
Senão chega a morte
ou coisa parecida
e nos arrasta, moço, sem ter visto a vida.
Ou coisa parecida,
ou coisa parecida…”

 

Praga,
República Tcheca,
12 de setembro de 1996

O rio Vltava é uma linha prateada naquela madrugada.
Bushman guiava o caminho enquanto *Leonie, escanchada na garupa da bicicleta, me masturbava.
Atravessamos a ponte, o rio de águas tchecas.
Bushman assobiando um adágio de Bach.
**Eu lutando inutilmente para não gozar.
Quanta poesia naquilo tudo.
Ao pararmos próximo de um edifício, Leonie desvencilhou sua mão direita da base do meu ***pau e saltou do assento. Olhares brilharam – íris verdes e azuis sussurrando seduções à meia-luz que incidia dos postes na calçada.
Então, Bushman inclinou-se bem perto dos meus ouvidos e sugeriu o ménage à trois num murmúrio ****aveludado.

“Não quer dormir aqui? O sofá é grande e acho que dá para nós três”.

O rio Vltava é uma linha prateada naquela madrugada.
Como a *****porra de um déspota medieval cruzo a Charles Bridge montado não num garanhão, mas numa bicicleta enferrujada. Entre a neblina que turva os meus olhos vejo o rosto de Leonie e a decepção no semblante de Bushman diante da minha pudica recusa.
Eu não estava pronto para um ménage à trois…
Um rio de águas tchecas.
O adágio suprimido.
Fiquei pensando em Bushman e no seu tesão reprimido
Pobre daquele que, para se dar a um prazer, carece da permissão do outro.

Observações:

* cuidado com o excesso de descrições carnais. Elas podem desagradar o leitor. Escrevo isso para mim ou para o outro?;

** carnal demais. Ver o comentário anterior. Substituir por “(…) para não ter um orgasmo”;

*** muito vulgar! Que tipo de literatura é essa?;

**** tomar cuidado com o excesso de adjetivos;

***** preciso evitar o linguajar chulo! Devo pensar no meu leitor! O leitor!

Estava nu, estirado na cama.

Olhou na direção da janela à frente e tudo o que conseguiu discernir foram os galhos dos tulipeiros que se erguiam para além dos muros do Le Jardin des Plantes. Muito em breve, breve mesmo, os pequenos dramas que vivera nos últimos anos se tornariam lembranças metafísicas, desbotadas e pueris. Levantou bem sutilmente, evitando despertá-la. Apanhou o livro de dentro da mochila, caminhou até a janela e recitou baixinho aquela entrada:  

“Sussuros de uma viagem…
Respostas que pairam em recifes
e atóis de cores que ninguém sabe o nome.
Enseadas ensombreadas, eterno-verde.
É ali que a civilização capitula.
É ali…”

Chat noir, você não vai desistir disso? Vai continuar acreditando nessa utopie? – indagou Alexia num tom de voz sonolento, os cabelos desgrenhados, os seios perfeitos, e a certeza de que aquelas perguntas teriam as mesmas respostas de todas as horas.  

Edimburgo,
06 de julho de 2018

Busquei a independência.
Independência da civilização.
Independência absoluta da vida burguesa.
Independência de todas as coisas, exceto da natureza.

Mas falhei…

E que outros possam encontrar a resposta lá…

Pois eu agora estou aqui.
Sozinho.
Irremediavelmente sozinho.
E tudo que tenho são linhas…
Obtusas,
intermináveis,
linhas.

Observações:

 

Ficou de pé, ou pelo menos tentou.

Estava zonzo, a cabeça martelando por conta do porre homérico que se enfiara na noite anterior. Equilibrou-se como pôde e, pegando a toalha no estrado superior da beliche, arrastou as pernas até o banheiro. Lá, entregou-se a um banho demorado. Não havia razão para ter pressa. Ponderou, expôs argumentos, pesou os contras, mandou os prós à merda, e chegou à conclusão de que aquele seria o seu último dia naquela cidade. Partiria de Edimburgo na manhã seguinte e nem mesmo as construções medievais, as ameias do século XII, as promessas sexuais e afetivas, a herança celta de cada esquina, seriam capazes de demovê-lo da idéia.

Estava decidido. E, claro, arrasado.

Afinal, frustrara-se demais. Bebera demais. Fantasiara demais. Transara de menos…

Ao vestir-se com as roupas escalafobéticas de todos os dias, conferiu os pertences na mala. Depois, desceu as escadas para o silêncio.

Ninguém na recepção do hostel.

Ninguém na sala principal.

Desacostumado com a solidão, sentou-se numa das poltronas e observou o ambiente. Aqui, dispostos numa estética dessemelhante, os móveis combinando com nada. Acolá, a partir da grande janela que se abria para o entardecer escocês, as pinturas emolduradas, a estante retrô atulhada de livros e o cartaz afixado na parede orientando em letras garrafais:

OUR HOSTEL PUBLIC LIBRARY! RETRIEVE A BOOK AND LEAVE ANOTHER!”

A pedido da ociosidade, se aproximou. Passou os olhos pelos títulos e notou que muitas publicações eram traduções de obras clássicas. Lorca em russo pela mão de um Bróvkin. Hermann Hesse em hindi por um tal de Sarthak Jain. Vargas Vila em alemão por uma desconhecida Epple.

Noa Noa: Das verlorene Paradies. Zwei Jahre auf Tahiti ─ tentou reproduzir, em um alemão esdrúxulo, um dos títulos ali.

Então, quase que por acaso, apanhou aquele outro livro que estava do lado. Tomou-o nas mãos cuidadosamente, pois a capa improvisada estava parcialmente solta. Era uma espécie de publicação amadora; algo que, sem dúvida, fora descartado naquela biblioteca comunitária.

Ao trazê-lo para mais perto dos olhos, após folhear rapidamente as últimas páginas e espantar-se pelo seu conteúdo estar em português, reconheceu que aquilo era um diário.

Intrigado, recomeçou a análise a partir da primeira página.

E leu:

 

Carne de Trópico.

 

Tudo mudou depois disso.

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51 comentários em “Carne de Trópico (Gustavo Aquino)

  1. Ana Carolina Machado
    27 de abril de 2018

    Oiii. Em alguns momentos me perdi um pouco na leitura, talvez devido as idas e vindas, mas eu gostei de como passou por vários lugares e épocas, é um conto que vai conquistando aos poucos, como uma viagem que é percorrida há passos lentos, o final dá uma ideia de continuação, como de um final aberto. Parabéns. Abraços.

  2. Amanda Dumani
    27 de abril de 2018

    As duas narrativas paralelas me prenderam. As revisões utilizadas apenas na parte do diário foram interessantes. Tradução da batalha interminável entre deixar a voz do autor fluir livremente e o cuidado extremo de como a obra será recebida pelo leitor. Curiosamente a prosa do leitor do diário é bem polida – já revisada? O que mais gosto é a não linearidade temporal. O fim é apenas mais um começo? O que menos gosto é da introdução – um pouco destoada talvez?

  3. Sabrina Dalbelo
    27 de abril de 2018

    Olá,

    A impressão – bastante positiva, pois funcionou – é a de que há 3 histórias em uma só: 1) a real, que acontece com o personagem principal (que inicialmente pensei fosse o próprio escritor das anotações); 2) a contada nas anotações do livro; 3) a que é fruto da percepção do escritor nas próprias anotações.
    Todas são ótimas e se fundem.

    O texto é bonito e mesmo os termos contundentes deslizam na sutileza da trama; pois tudo acontece como num bom filme francês, clássico e classudo.
    Parabenizo o autor, inclusive, pelo bom conhecimento de línguas e localização geográfica. É como um texto nobre, sabe?!

    Eu fiquei muito chateada de não ter conseguido captar a mensagem do final do texto. Eu não entendi se o livro que ele encontra é o próprio livro “que teria mudado a sua vida” ou se é outro. E isso atrapalha justamente a parte que eu deveria pegar o fio da meada. Oh fuck!

    E li duas vezes, porque acho desonesto avaliar para menos texto cuja compreensão eu não tenha captado.
    O que posso dizer é que possivelmente haja algo escondido que não percebi – e aí te convido a fazer o teu “mea culpa” pois talvez tu tenha escondido demais – e que eu gostei muito, por isso vou avaliar bem.
    Um abraço!

  4. Daniel Reis
    26 de abril de 2018

    “Não, não escrevo isso para vocês.” Assim, o autor já avisa que a história não é para nossos olhos. Porém, o recurso de notas de revisão/observações é muito interessante, para quem quer que seja que esteja, como nós, escrevendo/revisando um texto. Acho que, graficamente, usar o tachado em vez do sublinhado diria mais sobre o processo do escritor. Ouvi ecos de Henry Miller, e gostei. Bom trabalho e boa sorte para você!

  5. Amanda Gomez
    24 de abril de 2018

    Olá, Hobo

    Terminei o conto sem saber ao certo se o que eu interpretei é o cerreto, mas acho que isso é algo que você propôs, essa dubiedade.

    Entendi que é um homem que vai a uma biblioteca muito antiga e se aventura através dos livros, ele encontrou esse diário e apenas o leu, não chegou a fazer parte do mesmo… não realmente, claro. Perdoe-me se tiver equivocada.

    Essa é a parte do enrendo do seu texto, há também a forma. As anotações do escritor, sua preocupação em agradar ao leitor ao invés dele mesmo.. o que é bem irônico pois trata-se de um diário pessoal. Isso cria uma identificação com quem está lendo, quando entramos em um desafio estamos escrevendo pra quem? para nós ou para os leitores? escolher um dos dois caminhos é sempre complicado, mas necessário.

    Eu gostei do seu conto, embora ele tenha dado trabalho, a leitura embora dinâmica, é lenta, pois há no meio músicas, poesias e outras formas. Ele parece maior do que de fato é… e por ser uma histórias sobre personagens quase que avulsos, dificilmente se cria uma empatia.

    Parabéns pelo trabalho, boa sorte no desafio!

  6. M. A. Thompson
    24 de abril de 2018

    Olá autor(a).

    O experimental está presente, me senti lendo manuscritos com todas as anotações que costumamos fazer a cada revisão. Parabéns pela obra que demonstra grande habilidade na arte de escrever.

    Em relação a história em si não gostei, começou já começada e terminou sem dizer a que veio. Curiosamente algumas partes que me desagradaram estão nos comentários dos trechos do “a revisar”.

    Achei que o texto se alongou além do necessário e a metalinguagem continuaria existindo sem algumas partes que não contribuíram para o entendimento geral. Uma das perguntas que você faz é se esta escrevendo para si ou para o leitor, acho que escreveu para si.

  7. angst447
    23 de abril de 2018

    Nossa, jurava que já tinha comentado este conto.
    Vamos lá! A ideia das anotações feitas durante o processo criativo pareceu-me bem instigante. A preocupação do autor em adequar a sua criação de acordo com o leitor que considera seu público alvo é bem realista. O que nos leva a pensar para quem escrevemos? Para nós mesmos ou para um determinado público? Submetemos nossas ideias a um processo de triagem para recebermos aplausos ou somos fiéis a nossa inspiração primitiva? Até que ponto o escritório cede para que sua obra seja aceita?
    Senti a angústia do autor, indo e vindo, avançando e recuando para rabiscar anotações em seu manuscrito. Esta revisão massacrante está o lado experimental do conto. Achei bem interessante, embora alguns trechos sejam um pouco cansativos, mas isso também faz parte do processo que o autor quer passar.
    Boa sorte!

  8. Bianca Machado
    21 de abril de 2018

    Olá, autor/autora. Não me sinto em condições de fazer comentários muito técnicos
    dessa vez. Então tentei passar as minhas impressões de leitura, da forma como senti assim que a terminei. Desde já, parabenizo por ter participado!

    Então, vamos ao que interessa!
    ————————————————

    Outra coisa que adoro: metalinguagem. Quando li o comecinho, achei que seria uma leitura meio “nhéééé”, mas foi só surgirem as primeiras anotações que tudo mudou, o sol dos trópicos se abriu em minha leitura! XD Que dizer? Achei que está muito bom, as anotações valeram a pena. O escritor/a escritora (pra mim é escritor…) é muito experiente. Vai conseguir sobreviver a essa vida de escreve e revisa, rs. Totalmente adequado ao concurso e muito bem escrito, mais uma vez.

  9. Andre Brizola
    21 de abril de 2018

    Salve, Hobo!

    Eu acho que o principal desafio de um conto que enverede pelo tema experimental é fazê-lo de maneira que tanto enredo quanto forma saiam da “trilha”, do “normal”, apresentando consistência e, sobretudo, conteúdo. Reconheço, aqui há tudo isso.
    Seu conto é esteticamente primoroso, com o recurso da metalinguagem enriquecendo o texto a cada inserção. O texto propriamente dito é muito bom também, é refinado, mas não é pedante.
    Mas, sabendo tudo isso, e reconhecendo todas as qualidades, ainda não consigo dizer que gostei totalmente. Achei um tanto cansativo, com o tom melancólico acentuado demais. O caos na disposição das datas também me gerou certo desconforto na leitura, pois em uma segunda tentativa preferi ler cronologicamente. Sei que o tema é para nos desafiar como leitores também. Mas alguns fracionamentos geraram mais desconforto que apelo estético.

    É isso! Boa sorte no desafio!

  10. Rose Hahn
    21 de abril de 2018

    Caro Autor, alinhada com a proposta do desafio, estou “experimentando” uma forma diferente de tecer os comentários: concisa, objetiva, sem firulas, e seguindo os aspectos de avaliação de acordo com a técnica literária do “joelhaço” desenvolvida pelo meu conterrâneo, o Analista de Bagé:

    . Escrita: Making off da escrita;
    . Enredo: O autor começa: “E estou abdicando do decoro literário,das regras da gramática, do meu leitor – quem quer que seja ele…Não, não escrevo isso para vocês”. Achei paradoxal em relação ao que foi apresentado na narrativa, da preocupação em excesso com o entendimento do leitor;
    . Adequação ao tema: Um dos mais experimentais até aqui;
    . Emoção: “o campo eletromagnético que nos separava”. Lindo, pura energia.
    . Criatividade: De escritor feito.

    . Nota: De amores e ódio. Ah, malditos leitores.

  11. Jorge Santos
    21 de abril de 2018

    Este conto é-me estranhamente familiar. Lembrar-me a construção de um romance e a sua fase mais entediante, embora necessária, que é a da revisão (comentário a este comentário: tão entediante que o autor deste comentário já enviou originais para concursos com marcas de revisão – este texto trouxe-me à memória este momento vergonhoso da minha existência). Quanto ao conto propriamente dito, presta-se a algumas interpretações. Fiquei com a ideia de um ciclo, um autor em crise criativa que consegue um manuscrito anónimo num hostel e que o revê para o tornar seu. Pode ser uma visão completamente oposta à pretendida pelo autor, mas foi a que eu, enquanto leitor, fiquei. Gostei da línguagem poética descrita nas referências geográficas, eróticas e culturais. No entanto faltou algo que permitisse que o leitor não se perdesse no meio da narrativa.

  12. André Lima
    21 de abril de 2018

    Se a história tem um ponto forte, certamente é por se tratar de metalinguagem. Não só na brincadeira de um conto onde se tem um texto recheado de revisões, mas também na própria referência aos comentários e críticas contidas nos desafios do Entrecontos. Tenho certeza que não foi mera obra do acaso. A brincadeira inteligente me agradou, deu um ar de humor bem sutil que a obra parece lutar para não ter.

    O enredo, portanto, é confuso demais. Não consegui perceber ao certo do que se trata a história principal. Acredito também que não tenha ficado claro se a intenção era essa confusão mesmo. De todo modo, a ideia é legal, bem executada, mas me frustra ter pouco material para dar minha crítica, visto que realmente não consegui captar a essência do enredo.

    Boa sorte no desafio e parabéns pelo conto!

  13. Renata Afonso
    15 de abril de 2018

    Oi, Hobo!
    Achei muito interessante seu experimentalismo, levando o leitor à uma reflexão de tudo o que leu, apreendeu, e encaixando tudo na narrativa. Surge a pergunta: Quem fala? Quem viveu? O que tá rolando? E essa meio que loucura toda, em vez de complicar, trouxe clareza e visão, isso agrada muito ao meu eu, leitor – embora não faça diferença pra vc rs.
    Técnica e escrita impecáveis.
    Gostei muito!

  14. Priscila Pereira
    13 de abril de 2018

    Olá Hobo,
    Sabe aquela sensação de não ter conseguido entender o que o autor realmente queria dizer com o texto? Pois é. Estou com ela agora.
    Eu nunca penso no leitor quando escrevo… Deve ser por isso que não tenho muito sucesso…kkkk não me identifiquei com seu conto, sei lá. Acho que sou uma autora egoísta que só pensa em si própria. O melhor do seu conto é que ele me fez repensar o ato de escrever.
    O conto é bem experimental e tem otimas descrições. Parabéns e boa sorte!

  15. Rsollberg
    11 de abril de 2018

    Fala Hobo!

    Seu conto é muito experimental, tanto em forma quanto conteúdo.
    Achei uma grande sacada esse embate entre os autores. No prólogo você já sabiamente adverte, que o conto é para si. Contudo , no decorrer da narrativa o “alter ego” insuportável começa com seu olhar crítico, emulando um leitor fraco, ou melhor, subestimando em sua cabeça os todos os futuros expectadores daquela história. Não sabemos o momento da “revisão”, mas o certo é que por ser após o primeiro ímpeto, carece de paixão e tenta oferecer um padrão ordinário, mais “aceitável”.

    Por motivos óbvios, há uma identificação com o conto, vez que quase todos nós passamos por isso, No entanto, creio que só alcançaremos a plenitude, se é que isso existe, se seguirmos as primeiras linhas dessa obra.
    O texto está muito bem escrito, em minha perspectiva as anotações funcionaram como uma espécie de alivio cómico, especialmente nas frases mais desesperadas por puritanismo, Nesse sentido, tendo a crer que o título do livro recém descoberto faz referencia e deferência aos fantásticos Trópico de Cancer e Capricórnio do inigualável Henry Miller.

    O diário de um viajante sempre rende boas histórias, pois trazem o olhar do protagonista e suas impressões (normalmente primeiras). Aqui o autor acerta em cheio pois suas descrições levam essa premissa em mais alto patamar,
    Bem, se esse conto deixa uma grande lição é (pelo menos pra mim), somos nosso primeiro e principal leitor, os outros vem depois.
    Parabéns, camarada! E muita boa sorte no desafio.

  16. Anderson Henrique
    10 de abril de 2018

    A ideia de questionar a questão da revisão e censura do próprio autor diante do texto que irá “ganhar o mundo” é bem interessante. O conto está, sem dúvida, experimental em sua estrutura. As notas de rodapé e comentário são bons, mas acho que dá pra enxugar um pouco. Senti falta apenas de um pouco mais de substância no enredo. É um bom conto.

  17. iolandinhapinheiro
    10 de abril de 2018

    Vim aqui porque prometi me desculpar por ter interpretado o seu texto como racista em alguns trechos, mas lembre-se que os personagens não necessariamente traduzem os sentimentos do autor, mas ainda assim se vc afirma que seus personagens não tinham esta intenção, quem sou eu para discordar, uma vez que a história saiu da sua cabeça e eu só tentei compreendê-la! É isso, um abraço e boa sorte no desafio

  18. Catarina Cunha
    10 de abril de 2018

    Frase experimental: “”Agora, era eu quem estava ali: tiritando na madrugada alemã, transando num parque vazio como um cachorro tropical faria abaixo da linha do Equador.”
    Divido este conto em 3 fases:
    1º – Inspiração poética livre (1º parágrafo). Uma belíssima construção sem truques primários.
    2º – Escrito em outro momento. O estilo se consolida melancólico e viaja sem porto. Tem uma dor aí implícita, solitária. Gostei disso.
    3º – A maldita revisão de autor que tanto nos amofina (“amofina”? Melhor “aborrece”, aspas entre parênteses fica estranho… aff). Aqui deu um charme de ensaio, coisa não terminada, logo muito experimental.

  19. Luís Amorim
    8 de abril de 2018

    É um conto onde o experimentalismo vai aparecendo com as revisões e a crítica que o autor vai introduzindo ao seu próprio texto. O diário vai apresentando cidades interessantes e até poesia por aqui existe.

  20. werneck2017
    5 de abril de 2018

    Olá,

    O texto é muito bem escrito e as referências a lugares e a linguagem demonstra que o autor é refinado. O experimentalismo fica por conta das revisões, da introdução e da mistura de impressões pessoais e o diário sobre lugares interessantes. Dito isso, confesso que a leitura se tornou cansativa em dado momento e não me fez conectar-me ao narrador. Talvez por incapacidade minha, o que desde já peço perdão. Boa sorte no desafio.

  21. S Ferrari
    2 de abril de 2018

    Tento imaginar o tema como algo que futuramente possa ser utilizado e depois mais uma vez e depois uma terceira pessoa possa pegar o pioneirismo e passar ainda mais adiante. No seu conto, com uma história, para mim, um Noir-SolarPunk (Não pergunte o pq, foi o q senti) a revisão vem bem a calhar, mas revisaria (Olha só) se precisa mesmo ter tanta, para o bom curso do enredo. Vc revisita os livros de história com seus * ** *** e as correções e criticas literárias. Um pecado aquela introdução horrorosa que pede desculpas a mim, não desculpo. É um horror, pois seu conto é lindo

  22. Ana Maria Monteiro
    31 de março de 2018

    Olá, Hobo. Vou começar resumindo as impressões. Gostei imenso. Não li um conto. É absolutamente experimental. Está muitíssimo bem escrito. É uma crítica brutal à censura instaurada e assente entre os leitores actuais, formatados que foram para tudo policiar e a tudo ser sensíveis, dessa forma limitando cada vez mais a criatividade dos autores.
    Poderia ficar por aqui, pois realmente disse tudo, mas continuarei um pouco mais.
    Qual é o principal problema do seu texto? algo que você não teria como evitar: o experimental salta à vista e, neste desafio em que andamos todos à caça do experimental em cada conto, o facto de ele se apresentar de imediato, apaga um pouco o entusiasmo e, muito pior, pode levar a que as pessoas não se apercebam do que diz nem da própria riqueza que se encontra na base dessa experimentalidade e que é o conflito do autor enquanto escreve e actualmente quase é necessário fazê-lo de pinças (não sei se usam esta expressão aí).
    Dei-me ao trabalho de ler os comentários feitos até ao momento e noto que estou em total desacordo com alguns, encontro uma ausência de sensibilidade em leitores sensíveis absolutamente impressionante. Encontrei outras coisas que prefiro nem nomear.
    Devo dizer, ainda assim, que não captei bem a história propriamente dita, se me perguntasse não saberia dizer ao certo sobre o que foi.
    Agora a angústia do pobre autor enquanto escreve e corta cor de pele para não ser chamado de racista e palavrão porque é ofensivo e cena de sexo porque pode ferir susceptibilidades e cala a boca a um personagem homofóbico para não levar ele próprio esse rótulo e evita palavras difíceis porque o leitor pode não compreender e tem de se lembrar das teorias da moda, criadas, as mais das vezes, por académicos e estudiosos quase sempre incapazes de, eles próprios, produzirem alguma coisa de jeito, como “mostrar e não contar”, e, e, e… dasse. É demais!
    Além disso e já agora, não é que em muitos casos não seja agradável a experiência da leitura ser mostrada, mas por favor!, se querem ver em lugar de ler e acompanhar o processo que apeteceu ao escritor, não critiquem a sua opção, vão ao cinema.
    Bem, vou calar-me porque já me zanguei a escrever sozinha e ganhei alguns inimigos. Espero que poucos leiam este comentário.
    Então, não o tendo sido para mim, acho que o problema do seu texto é que ele é experimental em forma e em conteúdo e, aos olhos de muitos, as duas facetas podem entrar em conflito uma com a outra. Pior ainda: entendi que a história que vai sendo narrada é o terceiro elemento, o mais fraco e o único não experimental (mas absolutamente necessário para fornecer o suporte ao que pretende), e quem está numa de só ler a história vai achar que as notas de rodapé (onde se encontra todo o sumo) só servem para atrapalhar.
    Concluindo: acho que desenvolveu um excelente trabalho e espero sinceramente que lhe reconheçam o valor que tem. Parabéns e boa sorte no desafio.

  23. Luis Guilherme
    31 de março de 2018

    Bom diaa, Hobo! Td bem por ai?

    Gostei bastante do conto! Muito bom!

    A linguagem é muito, muito boa, e a leitura foi bastante prazerosa. O vocabulário é rico, bem como o aporte cultural que você utilizou. As referências aos locais e cenários foram muito felizes. Me senti de fato viajando o mundo na mala do personagem, e como sou apaixonado por viagens e sonho viajar o mundo, a experiência me foi muito agradável.

    Gostei também da estrutura do texto, com duas histórias rolando em paralelo (o enredo principal, e o enredo do livro-diário). Aliás, a estrutura do livro-diário foi a cereja no bolo! Gostei muito do recurso utilizado, das anotações e observações que o autor ia fazendo conforme escrevia.

    Achei bastante empático, pois acho que a maioria dos escritores acaba passando por essa situação. Me identifiquei principalmente com as anotações de “cuidado com o excesso de adjetivos”, que é algo que eu faço muito (o Fabio Baptista que o diga kkkkkkk).

    Enfim, gostei! Parabéns e boa sorte, *sangue bom

    *Rever essa parte: será que tenho liberdade o suficiente com o autor pra tanta intimidade? Lembre-se que você tá aqui pra comentar imparcialmente, e não ficar com intimidades.

  24. Thata Pereira
    27 de março de 2018

    Cara, eu achei esse conto fantástico. haha’

    Eu já tinha começado a ler antes de hoje, mas tive que interromper a leitura e só retomei agora. Isso tinha me deixado muito tensa, porque queria logo poder comentar.

    Essa ideia da revisão no conto é o que mais me encantou. Não sei qual foi a intenção do autor (como queria que fosse eu 😥 😥 😥 ), mas eu pensei na questão da maioria dos escritores estarem limitados àquilo que o leitor deseja ler. O leitor não deseja sair da zona de conforto. O leitor não deseja ultrapassar seus valores. O leitor não deseja refletir sobre determinado fato. O leitor não quer precisar ler com um dicionário do lado. Alguém pode vir aqui e dizer: a Thata tá generalizando. Mas porra, basta parar para ver, até mesmo, as críticas presentes aqui no Entre Contos (apenas fazendo uma citação, que não é uma crítica, já que esse é um dos meus lugares preferidos na internet).

    E aí fica a dúvida: e o tesão do autor de escrever? Será que o leitor é um ser tão egoísta que não leva isso em consideração? Apenas os seus desejos como leitor devem ser supridos, enquanto quem escreveu gasta horas analisando e amputando seu texto para poder agradar e, egoistamente TAMBÉM, ser aclamado como um bom escritor?

    Não fica claro se quem escreve é ou não um escritor de ficção ou apenas alguém que narra o que acontece consigo. Se é exatamente essa pessoa que se critica, ou o próprio autor do conto, na condição de autor. Será que só eu também achei isso fantástico?

    Caralho.

    Boa sorte!!

    • Hobo
      28 de março de 2018

      Eu não sei nem o que dizer depois de ler o seu comentário, Thata! Você captou exatamente o que eu quis realizar com o mecanismo das revisões! O constante jogo de silenciar, de amputar, de interromper o desejo principal do autor em prol do leitor. Quem é mais importante? Não sei. É uma pergunta que não consigo responder. O exercício de escrever pressupõe o outro… Obrigado, de verdade.

  25. Paula Giannini
    26 de março de 2018

    Olá autor (a),

    Tudo bem?

    Confesso que uma de minhas ideias era a de construir um texto como o seu, escancarando a revisão, bem como as considerações do autor por trás do conto. Bem, ainda não sei o que enviarei, mas acabei partindo para duas outras ideias.

    O fato é que o formato me agrada muito. Ao expôr aquilo que o(a) autor(a) pensa, cria-se uma espécie de metalinguagem, onde se conhece o autor-personagem, bem como se enxerga a verdadeira pena por traz das letras.

    Ponto que me intriga é a construção da trama propriamente dita. Em uma espécie de colagem, o que se lê é uma série de recortes que me remeteram à “Se Um Viajante em Uma Noite de Inverno”, de Ítalo Calvino.

    Talvez o todo feche na ideia do autor em busca de aperfeiçoamento e, ao encontrar o livro final, a luz se dê e o escritor modifique seu modo de escrever ou, ainda mais, cheguei a pensar, seu modo de “plagiar” (falo do autor fictício, o personagem, entenda-se por favor).

    Experimentar é isso. Mesclar aqui, recortar ali, reinventar-se acolá. Beber de algumas fontes, às vezes de nossas próprias, antigas. E, quem sabe, o autor nos traga antigos trechos de próprio punho, guardados em gaveta. Eu mesma tenho vários inacabados que caberiam bem em um conjunto.

    O resultado é bom.

    Parabéns por seu trabalho e boa sorte no desafio.

    Beijos
    Paula Giannini

  26. Ricardo Gnecco Falco
    23 de março de 2018

    PONTOS POSITIVOS = As paisagens das cidades visitadas, que vêm à mente do leitor, mesmo sem o mesmo (como no meu caso) conhecer tais locais.

    PONTOS NEGATIVOS = A repetição das ‘notas de rodapé’. O excesso delas deixou o texto (e a leitura) um pouco cansativos.

    IMPRESÕES PESSOAIS = A ideia para o experimentalismo me soou legal: criar uma história com ruptura temporal que, ao final, reordena o Tempo e as cenas apresentadas.

    SUGESTÕES PERTINENTES = Deixar o texto mais ligeiro, chegando rapidamente ao ponto que interessa; ou transferir o ponto de encontro do protagonista com o diário mais para cima (lá pelo meio da história), para evitar que leitores se percam ou, pior, percam o interesse pela conclusão do ‘mistério’ narrativo.

    Boa sorte no Desafio!

  27. Fabio Baptista
    22 de março de 2018

    O conto está muito bem escrito e com certeza se enquadra no que considero experimental. Foi uma leitura agradável, devido à qualidade da escrita, mas… acabo de ler pela segunda vez e se me perguntarem sobre o que é a história só vou conseguir dizer “é sobre um cara que encontra um diário”. Tipo, não consegui me conectar muito bem com essas flutuações do texto do livro (nas revisões eu lembrei dos puxões de orelha da Claudia! hahuahuahua) e da “vida real”, acabei não absorvendo muito bem nem um, nem outro.

    – céu onde o azul era a metáfora mais azul do infinito
    >>> não saquei muito bem se foi proposital essa repetição do azul, mas não ficou legal de todo modo

    *** muito vulgar! Que tipo de literatura é essa?;
    >>> Literatura de enredo! hauahua

    Abraço!

  28. Fernando Cyrino.
    20 de março de 2018

    Olá, Hobo, estou aqui envolvido com a sua história. Sim, com toda certeza uma experiência literária. Senti, mas trata-se de problema meu, certa dificuldade com o texto, mas no geral lhe digo que você deu conta do recado de forma bem bacana. Ficou legal a crítica que faz ao texto, como se fora excertos do rascunho do texto a serem revisados. Gostei disto, eis que ajudou a prender a minha atenção na história. O final deixado em aberto (talvez excessivamente aberto) deixa em mim a sensação não de que eu deva construir o que se segue, mas que o número de palavras terminou antes que você pudesse dar por encerrada a história. Mas creia-me, Hobo, tudo aqui nada mais são do que as anotações e observações de um cara que não conseguiu se adaptar às modernidades assim tão grandes, beirando a serem mesmo absolutas. Grande abraço.

  29. Jowilton Amaral da Costa
    19 de março de 2018

    O conto é bem escrito, a técnica é boa, no entanto, eu não gostei muito. Passei um tempão para me conectar a ele, lendo e relendo. No início imaginei que o cara que escrevia era o mesmo que viajava. No final acabamos descobrindo que o livro que ele lia foi encontrado numa biblioteca de um hotel. O conto tem um tom melancólico que me agrada, mas, o jogo entre a leitura do livro e as viagens do personagem não conseguiu me prender. As notas de rodapé me incomodaram ainda mais. Na minha opinião ficaram “over”, deve ser ranzinzice minha, sou meio ranzinza. Boa sorte no desafio.

  30. Mariana
    16 de março de 2018

    O que é mais importante: a arte ou o leitor? Bom, eu também me pergunto…

    Um conto experimental, entende-se o que acontece apenas nas linhas finais. Enfim, fragmentos de uma vida, ricamente (de)escritos. Gostaria eu também de conhecer Dresden, Marrocos, Edimburgo… É interessante que há um requinte para descrever situações sexuais, o que foi curioso. Apesar das notas quebrarem o ritmo e tornarem o texto cansativo, considerei a proposta interessante pela metalinguagem e as questões levantadas. O trabalho exige entrega e bagagem do leitor, mas gostei do conto. Parabéns e boa sorte no desafio

  31. Evelyn Postali
    14 de março de 2018

    Experimental E reflexivo porque ao longo da leitura fui mergulhando em questões levantadas na sutileza dos detalhes. Esse é um conto muito bom. Seu personagem está a ler um diário ou algo assim. Eu gostei das observações no final do s textos, mas sinceramente, gosto de palavras difíceis e de referências que me façam pesquisar. Textos cuja escrita é muito fácil tiram o prazer da leitura, do momento. E gostei de todos os momentos em que refleti. Em especial naqueles em que enxerguei poesia, mesmo parecendo não ser.

  32. Higor Benízio
    14 de março de 2018

    Uma idiota homenagem as utopias, realmente não tem forma melhor de definir o texto. O autor (a) captou bem a imagem dos bundas moles aspirantes a “Alex supertramp”, mas que não gostam de queimar dinheiro, hehe. Texto divertido, narrativa charmosa, boas sacadas: “se importa ou não?”, “por si mesmo ou pelos outros?”, “triste ou feliz?”, enfim, uma idiota homenagem as utopias… Bom trabalho

  33. Regina Ruth Rincon Caires
    12 de março de 2018

    Acho que li um texto descompromissado com tudo. Sem ordem cronológica, totalmente livre no falar, no contar, no sentir. O autor, majestosamente, dança entre os modos de escrita. Percebe-se um texto estudado, muito bem cuidado. São as narrativas experimentais de um viajante, e as escritas, que são externadas, passam por um crivo do próprio autor. Muitas vezes, no censor aparece uma impressão que o leitor teve. Uma ou mais… Muito interessante. Diferente de tudo que vi até agora. O autor é de uma baita competência, faz o que quer com as palavras…

    Particularmente, obrigada pelas revisões!!!

    “E eu ainda sou bem moço pra tanta tristeza
    Deixemos de coisas, cuidemos da vida.
    Senão chega a morte
    ou coisa parecida
    e nos arrasta, moço, sem ter visto a vida.
    Ou coisa parecida,
    ou coisa parecida…”

    Parabéns, Hobo!

    Abraços…

  34. Rubem Cabral
    12 de março de 2018

    Olá, Hobo.

    Então, adorei o seu conto! Gostei muito das revisões e críticas inseridas pelo escritor, embora eu prefira as palavras “difíceis” e achei quase todas as observações um tanto castradoras e simplificadoras.

    Há um tom melancólico que permeia o texto, lembrei-me muito do Kundera, talvez em função da mistura de sensações e a falta de frescura para se falar de sexo, fora ter Praga no texto, minha cidade europeia favorita. Foi um texto muito gostoso de ler!

    Como pequena correção ao seu conto excelente, creio que o verbo correto seria “anmelden” e não “aumelden” na passagem em alemão. Logo, “– Achtung! Passagiere des Fluges LH 210 melden Sie sich am Flugsteig 6 an.” (com an no final, pq é um “trennbar”, os malditos verbos que se “quebram” ao conjugar).

    Parabéns e boa sorte no desafio!

    • Hobo
      14 de março de 2018

      Querido, Rubens.

      Que bom que você gostou.

      Me alegra muito, de verdade.

      Praga!

      Sim, lembro de um conto teu. Os Blues de Praga!

      E obrigado por corrigir a frase em alemão.

  35. Antonio Stegues Batista
    11 de março de 2018

    Me pareceu que o conto se refere a alguém rico que gasta o dinheiro em viagens e sexo casual, enquanto escreve num diário, as suas aventuras. As observações não trouxeram nenhum valor literário ao conto,muito menos elucidar, ou justificar os termos. Algumas frases estão ótimas, outras não, como as fantasias misturadas com realidade, não combinaram. A ideia é boa, mas o experimental aqui, foi fraco. Boa sorte.

  36. Cirineu Pereira
    11 de março de 2018

    O mais experimental que lí até aqui, ainda que não aja real novidade, é realmente experimental com a total aleatoriedade cronológica, a ausência de continuidade e de ligação entre os trechos, bem como alternância narrativa. Cumpre totalmente o requisito “experimental”, não obstante, antes disso é um conto e o conto deve prender o leitor, incitar-lhe algo, desafiá-lo intelectualmente, sequestrá-lo à realidade e comigo nada disso aconteceu, até pelo contrário, a leitura foi fastidiosa, seja pelo estilo um tanto cru, seja pela ausência de uma conexão, ainda por mais sutil que pudesse ser, entre os pequenos enredos.

  37. Evandro Furtado
    11 de março de 2018

    O conto consegue criar uma atmosfera etérea que permite ao leitor navegar livremente. Não há correntes, há uma liberdade total. A estruturação permite isso. O fato de combinar diferentes estilos contribui para tal.
    Creio que essa seja uma história de contemplação. Contempla-se o próprio processo de escrita e, por isso, acho que tem uma grande chance de criar uma conexão aqui. Gosto da ambiguidade dos comentários de cada trecho. Pode ser que seja um comentarista externo que diz ao escritor o que fazer, ou, melhor ainda, pode ser mais freudiano: um superego perfeccionista a ditar as regras do tecer textual. O final, no entanto, me incomoda um pouco justamente por, talvez, tornar-se literal demais.
    A escrita é magnífica, com o autor, como já dito anteriormente, flutuando entre estilos e com muita propriedade.

  38. Fheluany Nogueira
    11 de março de 2018

    Li os comentários para sentir se o texto seria mesmo o que pensei. Prefiro minha primeira ideia: Hobo é um trabalhador itinerante, sem-teto, aventureiro, que viaja sem destino (termo inglês), enfim, o que chamamos de mochileiro. O narrador está lendo o rascunho de outro viajante ou dele mesmo, daí as observações sobre a escrita ou recomendações de um agente, editor… E não está lendo em ordem cronológica, mas o que lhe chama atenção (“tinha que lê-lo em doses homeopáticas” — falha de colocação de pronome “que o ler” — mas é um rascunho, valeu). De entremeio à transcrição da leitura, estão as próprias notas.

    Bom trabalho, Hobo. Uma experiência interessante e bem construída, para mim, fluida e prazerosa. Parabéns! Abraço.

    • iolandinhapinheiro
      11 de março de 2018

      Esse apelido Hobo, eu fui pesquisar, e apareceu isso. Pessoa itinerante, sem – teto. Mas as falas estavam mais afeitas a uma pessoa com acesso à educação formal.

  39. Gustavo Aquino Dos Reis
    11 de março de 2018

    Iolandinha, obrigado pelos comentários. E obrigado por ter compreendido o conto. Só peço para você, se não for atrapalhar, lê-lo de novo. Racista nunca. Essa palavra até dói.

    Se mesmo assim você continuar com essa impressão de que ambos os personagens são racistas. Bem, não sei o que dizer.

    Muito obrigado.

    • iolandinhapinheiro
      11 de março de 2018

      Lerei com prazer, assim que entregar uns documentos de trabalho com prazo para esta semana. Abraços.

  40. iolandinhapinheiro
    11 de março de 2018

    Olá, autor!
    Achei o seu texto experimental. Uma conversa de um escritor consigo mesmo sobre as decisões literárias para melhorar a história. Quando finalmente acabei, achei que o final podia ser o começo, e que foi a partir do momento em que ele abre o volume/diário Carne de Trópico que as anotações ganharam mais uma justificativa de existência, então, provavelmente, temos a narrativa do cara que encontra o diário e a narrativa dentro do diário. Dois pontos de vista. Infelizmente os dois personagens me pareceram igualmente racistas. Não sei se consegui dividir corretamente qual era o pensamento de um e o do outro, mas em vários momentos dos textos (do diário e do relato cara que encontrou o diário) se percebe a preocupação deles com a existência de pessoas com as diferenças nas aparências e origens das pessoas (cigana, árabe, germânica…) como se isso fosse de fato torná-las superiores ou inferiores umas às outras. Também achei super antipático ficar traduzindo palavras para leitores que não alcançariam sozinhos o significado das palavras. Mas, claro, isso são palavras do seu personagem, não necessariamente vc pense igual a ele e tenha sobre os outros a mesma impressão. Para resumir, na minha opinião vc trouxe sim um texto experimental. Se eu gostei é outra história. Para não ser injusta, vou voltar aqui e ler outra vez antes de dar a nota. Gramática ok, a fluidez foi atrapalhada pelos cortes, um texto interessante, bem pesquisado. Parabéns e sorte no desafio.

  41. Paulo Luís Ferreira
    10 de março de 2018

    Definitivamente este desafio vai ser sofrível para se entabular um senso crítico, no mínimo razoável, pois que na maioria dos trabalhos até aqui apresentados tem sido de uma crueldade indescritível, para não dizer indigesto.Tudo indica que o propósito estabelecido é complicar o máximo que puder, quanto mais inexplicado mais experimental vai parecer aos olhos dos ignorantes. Quanto menos disser alguma coisa, mais experimental vai parecer, é isso? Melhor tornar confundido para definir a razão do ser experimental, assim me parece, pelo que tenho visto até por aqui. Resta esperar mais um pouco; quem sabe eu aguente até o final. O Guimarães Rosa deve está se contorcendo, dando reviravoltas em seu túmulo

    • Paulo Luís Ferreira
      11 de março de 2018

      Caro Hobo!, gostaria aqui de fazer uma “mea-culpa”, apelando para que releve meu comentário anterior ao seu trabalho, visto ter percebido em outros comentários dos colegas que deste certame fazem parte, e voltando a uma releitura mais apurada verifiquei equívocos de minha parte ao não captar em seu conto uma evidente escrita em meta-linguagem ou meta-conto, e constatando enfim, outras qualidades em seu trabalho. Não só o enredo, muito bem elaborado, quanto à forma criativa, em que não havia tomado tento. Atendendo com muita propriedade a temática do desafio, “o Experimental”. Portanto quero fazer aqui esta ressalva. De minha parte refaço o conceito, pedindo escusas, refazendo a nota

      • Hobo
        14 de março de 2018

        Paulo.

        Não quero gerar nenhum atrito, mas preciso desabafar.

        O seu primeiro comentário foi extremamente ofensivo e beirava o ataque pessoal. Depois, graças aos comentários dos colegas que oxigenaram a leitura do trabalho – e me pergunto o que seria da sua interpretação se não fosse pelos comentários abertos do certame -, a opinião mudou.

        Agradeço e te entendo.

        Mas, escorpiano como sou, não esqueço.

        “Guimarães Rosa deve está se contorcendo, dando reviravoltas em seu túmulo”

        Por mim, ele pode até dançar cumbia no túmulo.

  42. Paulo Cezar S. Ventura
    10 de março de 2018

    Confesso que consegui ler aos saltos, indo e vindo, porque ficou meio cansativo. Então tornei experimental minha leitura, indo e vindo, tentando me concentrar nos lugares que eu conheço (poucos na verdade). Sua narrativa é interessante. Achei as correções desnecessárias. Eu colocaria como uma espécie de glossário, para leitura alternativa. Seria mais “experimental”.

  43. Matheus Pacheco
    10 de março de 2018

    Cara, isso que eu vou dizer não é uma crítica, só um comentário de amigo, mas esse conto foi de longe o mais cansativo dos que eu já li no desafio, isso não quer dizer que é ruim, muito pelo contrário, é muito bom só o estilo dele tornou meio cansativo de ler.
    Abração

  44. Angelo Rodrigues
    10 de março de 2018

    Caro Hobo,

    legal o texto. Em outro contexto, tirando as correções propostas, ficaria ótimo.

    O fato é que não consigo colocar no trilho das Experiências o que você propôs.
    Talvez isso seja uma deficiência minha, uma falta de compreensão da proposta, mas tenho, talvez inutilmente, esperado que me surpreendam com algo que represente efetivamente uma experiência literária, gráfica, forma ou conteúdo. Ressaltar correções, por exemplo, que me parece uma sua proposta, não creio que chegue a tanto.

    Minhas considerações, até aqui têm a ver com o tema, não com o texto, que é agradável de ler.

    Boa sorte no desafio.

  45. José Américo de Moura
    9 de março de 2018

    Muito bom, consegui chegar ao final da leitura, agora preciso fazer meu comentário.mas comentar o quê?

E Então? O que achou?

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Publicado às 9 de março de 2018 por em Experimental e marcado .