EntreContos

Detox Literário.

Hotel Korzha (Angelo Rodrigues)

Após muitas e frustradas tentativas de voltar a me erguer, refugiei-me aqui neste lugar. Na porta, uma placa com pouca simetria diz “Hotel Korzha”, mas isso é uma grande bobagem. O lugar é apenas uma horrível pensão de muitos cômodos tomada por anos de abuso e desleixo. Pelo estado do edifício e dos quartos, julgo que o local foi digno desse nome há muitos anos, quando o sistema de refrigeração, as pias e os encanamentos possuíam a dignidade do funcionamento. Nesse local acabamos por regredir ao início do século: temos aquecedores a gás — quando há gás — e jarros de água para pequenas abluções. O banho é coletivo, com pisos que perderam o verniz e mostram o barro de que foram feitos; as divisórias dos reservados são de aglomerado barato e se deterioram com a água que os faz apodrecer com facilidade. O pouco que protegem, quase não permitem a presença de mulheres e homens no mesmo ambiente. Vejam que por aqui o recato não vale de coisa alguma, tornando o lugar um refúgio aos decadentes, abrigo aos que perderam o brilho das oportunidades. Tudo aqui desmaia e se apaga pelo cansaço da inútil espera. Esperanças são para poucos.

Agora mesmo estou em meu quarto deitado e olho paralisado para o teto. Se muito penso pouco ajo e isso é o fim para um sujeito discreto como sou; fui presa fácil. Na verdade, estou mesmo paralisado, pois não ouso caminhar sequer pelo entorno de minha própria cama.

As inúmeras goteiras encharcam o forro do quarto e tiram o sossego de qualquer um, arruínam o humor; o papel de parede exala um cheiro azedo que a cola de amido, podre e umedecida, deixa no ambiente. O piso, feito de velhas tábuas corridas, range onde permanece seco e faz emergir um bolor verde onde a umidade teima em se acumular. Ratos atacam os nervos e são tão abundantes quanto as baratas, as aranhas e os escorpiões, que insistem em fazer do lugar morada e descanso. Tudo isto é um teto que apenas abriga do relento.

Houve um dia em que fui tomado pelo desconforto de observar que meu espelho, não obstante refletir minha pobre imagem, o fazia com uma certa vagueza, algo como se a minha imagem chegasse sempre um pouco atrasada após eu me haver posto à sua frente. Em outro momento percebi que não só minha imagem sofria um certo retardo como também não guardava o foco natural dos espelhos. Estava difusa, como se entre meu rosto e meu reflexo houvesse uma nuvem que opacitava tudo. Imaginei que me falhassem os olhos, ao que logo vi ser impossível, pois tudo o mais se apresentava como sempre fora. Temi um pouco, em princípio, porque, pensei, o que seria de mim com olhos ruins? Um nada, um zero à esquerda, acabado. Meus olhos são a riqueza que me ficou.

Algum tempo depois quase me dei por tranquilizado, pois retornou o foco, embora permanecesse o retardo no aparecimento da minha imagem. Creio, entretanto, que ao retornar o foco, deu-se que o ambiente no qual o espelho me refletia não era o mesmo em que eu me encontrava. Foi então que passei a estudar os ambientes em que eu me via nos espelhos. Percebi que todos eles eram lugares nos quais eu me pusera a observar as pessoas. Notei que, mesmo em meu quarto, eu conseguia estar em outros ambientes. Camas, becos, salões, escritórios, quartos deste hotel, banheiros, ruas. Todos os lugares, sem qualquer exceção, estavam lá, a circundar minha pobre figura mostrada no espelho.

Não tinha qualquer controle sobre o que observava em torno da minha imagem, que mudavam com frequência irregular, saltando de um banheiro para um quarto e de um quarto para um beco, de um beco para uma praça, num sistema de mudanças sobre o qual eu não tinha domínio algum. Que terrível!

No início fui tomado por um estado de contemplação que se transformou em assombramento, que findou por me fazer experimentar a náusea profunda seguida da intensa agonia que me levou à prostração. Estava exausto e sem ânimo. Sentia, por fim, que as imagens tinham a capacidade de abandonar os espelhos e me rondavam, giravam ao meu redor, me dominavam, fazendo-me tonto, tonto, tonto.

 

Paredes finas ― que não chegavam a meio palmo ― me obrigavam a compartilhar intimidades de gente que nunca conheci. Meu quarto era invadido permanentemente por uma espessa bruma formada pela fumaça de mil cigarros, cachimbos e charutos que se acendiam e se apagavam numa sórdida mesa de carteado que rolava no quarto ao lado.

No comando do jogo estavam Nogueira e Nanete. Nogueira era um sujeito forte ― mais pesado que forte ― com uma barriga obscena e monstruosa que muito bem disfarçava o revólver que sempre trás à cintura. Nanete era uma velha prostituta conhecida na região que ainda sustentava as aparências de uma época de glória que não viveu. À noite, nos momentos que antecediam a chegada dos jogadores, vestia-se como uma dama antiga, e, a despeito do calor insuportável que sempre faz em Diamante, punha sobre os ombros uma pele puída de algum animal, calçava sapatos com pedriscos coloridos e desfilava pelo hotel com sua piteira feita do osso da tíbia de um sagui. Seu cabelo ralo era penteado em direção ao alto sustentado por um banho generoso de laquê. Nanete era definitivamente uma mulher que se podia odiar sem qualquer receio ou restrição. Depois que seu corpo e a sua alma foram consumidos pelo álcool e pelas drogas, juntou-se a Nogueira para explorarem juntos outros humanos decadentes e viciados nos intermináveis jogos de pôquer que patrocinavam.

Em torno de ambos orbitava Stric, um sujeito vil, insuportável, magérrimo. Se algo mais poderia atribuir a ele, era sua boca fina, úmida e larga que o remetia diretamente ao mundo das salamandras, ou a algum mundo estranho de homens, onde em um corpo não poderia caber uma alma.

Stric atribuiu a si mesmo esse nome, pois se dizia estricnina pura. Era pau pra toda obra nas mãos de Nogueira e Nanete. O que não tinha de porte físico tinha de disposição para toda e qualquer crueldade. Alardeava pelo hotel que que era um sujeito que não tinha sossego com as mulheres. A verdade é que nunca o vi com uma mulher que não fosse uma prostituta viciada em álcool ou drogas. Em torno desses três desqualificados orbitava uma turma de jovens licenciosos que pareciam viver de colher suas migalhas.

E isso tudo estava bem aqui, ao meu lado, todos os dias, todas as noites. As paredes finas me deixavam ouvir suas tramas entre as partidas, onde, por meio de truques e armadilhas combinadas, arranjavam a ruína dos jogadores. Não eram barões, empresários ou herdeiros endinheirados que saíam daqui esfolados, eram velhos punguistas, enganadores, ladrões, viciados, cafetões e velhas prostitutas. Todos exatinho como eles. Todos buscavam no quarto ao lado do meu o ganho fácil e acabavam perdendo o que tinham subtraído pela força ou pela malícia, de alguém. Aqui se ficava sabendo que até aqueles que se consideravam os mais espertos e cruéis, podiam se transformar em tolos monumentais.

Já ouvi disparos acalmarem acaloradas discussões. Havia mortes, talvez algumas, que fizeram cessar discussões causadas pelo vício do jogo. Imagino que jogassem os corpos no Rio das Moças, que corre manso sob as janelas dos quartos que ficam no fundo deste prédio. Ouvia com atenção os passos deles quando procuravam se livrar dos corpos. Após o tiro, o silêncio, depois as providências, quando arrastavam o coitado pelos calcanhares e, num impulso de alguns, despejavam o estorvo morto pelas janelas. Depois o silêncio retornava, que se ia acalorando até voltar à normalidade das vozes entusiasmadas com vitórias ou derrotas no carteado. A fumaça que invadia o meu quarto nunca cessava.

Às vezes alguns policiais batiam aqui no hotel. Ao lado, Nogueira e Nanete os recebiam acautelados, pois sabiam do roteiro das autoridades: ameaças, acordos de leniência e um pouco de dinheiro. Isso era tudo. Acabavam fazendo muito barulho por nada, porque Nogueira sempre comprava a cumplicidade dos policiais com algum dinheiro. Era quando se intensificam as tramas entre Nogueira e Nanete buscando compensar o prejuízo causado pelos homens da lei e da ordem.

Certa vez invadiram meu quarto e me pegaram lendo, disperso. Vasculharam meus pertences, me ameaçaram com palavras dizendo coisas que não conseguia entender. Notei que procuravam por algo de valor que pudessem me roubar me atribuindo a pecha de ladrão e nada encontraram. Nada de dinheiro, de armas ou pequenos bens que pudessem levar com eles. Deixaram-me em paz.

Detestava aquelas pessoas, todas. Mas admito que não gosto mesmo é de pessoas, quaisquer pessoas. Nunca as suportei. Neste lugar, esse meu jeito se intensificou. Se me fosse possível, evitaria as pessoas como se quer evitar os mais terríveis demônios. E como não tinha mais o luxo das escolhas ia suportando tudo sem reclamar. De que adiantaria?

Não me imaginem um misantropo. Claro que odeio mulheres ― sempre que penso em Nanete,  e homens também, quando penso em Nogueira ― simplesmente pela inconveniência constante que todos me causavam quando eu circulava pelos corretores deste hotel. Creio que detestaria ursos, cachorros, vacas, bodes, formigas, se fossem eles capazes de falar, falar comigo, me dirigir alguma palavra. Odeio um assuntinho, uma conversinha, um sorriso, uma tapinha sutil nas costas, um aperto de mão. Odeio, odeio! Gosto de odiar tudo isso. E lá se ia minha paz quando alguém me procurava para dizer uma bobagem qualquer. Evitava pessoas, não tinha qualquer paciência para intimidades. Esquivava-me pelos corredores querendo não encontrar ninguém. Imagino que o destino me era eternamente cruel, pois, por mais que planejasse andar incólume, transparente, invisível, sempre terminava nas mãos de alguém. Nogueira e Nanete se faziam doces comigo, sempre dispostos a uma conversinha — odeio também estar disponível a alguém, particularmente a eles.

Stric, seco por natureza, pouco falava e ao fazê-lo comigo tinha sempre a capacidade de torcer as coisas em direção a uma observação ladina e sexual. Uma piadinha, uma insinuação, sempre algo assim. Stric sempre fazia o tipo que falava e ria ao tempo em que apalpava e apertava o próprio sexo, num odioso hábito sobre o qual já não tinha qualquer controle, como se quisesse se manter perpetuamente no auge de alguma excitação sexual. Pois saibam que eu tratava a todos com a máxima submissão e a plácida reverência que se deve ter diante de criminosos e autoridades públicas, todos iguais em suas desigualdades.

 

Os proprietários deste hotel se chamam Lucian e Anca Korzha, dois romenos, um casal de velhos feios, magros e ossudos. Nesse restrito e decadente mundo onde o dono de um hotel poderia se imaginar uma autoridade local, Lucian conseguia ser apenas um sujeito infame e desqualificado. Tinha as feições de um mordomo sujo e displicente, e os modos de um serviçal negligente. Seu rosto fino e encovado fazia parecer que os ossos lhe sugavam a pele em busca de proteção, seus olhos caídos deixavam ver o vermelho pálido sob as pálpebras remelentas e os dentes, bem os dentes me causam engulhos. Arrastando chinelos por toda parte, não movia uma palha para melhorar as condições insalubres deste lugar. Vivia zanzando pelos corredores como se procurasse a saída de um infinito labirinto ― e já se disse que o pior labirinto é uma linha reta. Anca era diferente, era apenas indolente, sem feição de coisa alguma, senão a da indiferença frente a tudo que não fosse seu jogo de paciência, sempre em andamento sob o balcão da portaria. Quando ela não estava por perto e eu passava por lá, dava uma olhada e podia ver aquelas fileiras de cartas ensebadas a espera de um movimento. Por hábito, Anca sempre ouvia as músicas folclóricas da Romênia que saíam de um velho toca-fitas encrustado na parede, músicas intermináveis e insuportáveis. Por hábito e desgosto, passei também a odiar as músicas folclóricas da Romênia.

Constantemente ouvia a voz de Lucian no quarto ao lado do meu, aquele da jogatina de Nogueira e Nanete. Descobri que ele tinha também um vício focado dos baralhos. Ficava-me claro que era a voz de Lucian quando não conseguia compreender uma só palavra do que sai de sua boca. Sua voz rouca, gutural e em solavancos, dizia frases a Nogueira e a Nanete que não conseguia compreender. Imaginava que Lucian deixasse naquela mesa os ganhos miseráveis que tinha com os alugueis do hotel.

 

Quando aqui cheguei, há muitos anos, sempre era abordado por Anca e Lucian afim de terem comigo uma conversinha boba, estranha, feita de meias palavras, gestos que me pareciam lascivos, sonoridades confusas, sussurros guturais, coisas assim, que eu não fazia caso, mas percebia que ambos tinham alguma atração licenciosa por mim. Era já uma época em que eu não tinha mais o dom das escolhas, e esse era o meu problema e maldição, então os ouvia, ouvia e ouvia. O que havia naquele lugar era o meu melhor, e este hotel decadente era o melhor que eu poderia ter. Refugiava-me em minhas leituras e pouco deixava meu quarto; minha reclusão tempestiva amenizava todos aqueles inconvenientes. Mas as coisas, aos poucos, estavam mudando, eu podia perceber.

Gostava de ficar sob as cobertas, deitado sobre a cama lendo um livro à espera da sonolência que se avolumava aos poucos até tomar conta de mim. Era quando imaginava caminhar por um longo corredor estreito onde podia vislumbrar uma luz diáfana amarelada ao final, que se apagava aos poucos enquanto as paredes me abraçavam. Nesse ponto eu dormia, ou entrava num mundo onírico, onde podia viver outras vidas. Sabia que era uma forma de escape, claro, mas como não querer escapar de tudo aquilo que acontecia comigo?

Por algum tempo pensei que a leitura que antecedia esse devaneio era determinante e por isso dava-me a mergulhar em livros que me levassem a viagens fantásticas, a mundos desconhecidos, tomados de felicidade. Tudo vinha funcionado bem. Cada vez que penetrava nesse mundo de maravilhas sentia que minha alma voltava a viver, deixava de ser um sujeito sem escolhas, me transformava novamente no homem que um dia fui. Vivia num universo sem repetições, excitante, onde as possibilidades eram infinitas. Por muitos meses dediquei-me a ler Júlio Verne em suas viagens. Quando terminei com Verne, passei a T.H. White com seus cavaleiros, depois a Selma Lagerlöf com suas lendas, a Lewis Carroll com suas aventuras maravilhosas. Depois, para minha desgraça, experimentei Hoffmann, Lovecraft, Poe, Hawthorne e Le Fanu, que me foram decepcionantes pelas fantasmagorias que me atormentavam loucamente à noite, em pensamentos e sonhos. Mas tudo isso acabou. Três dias atrás tive um sonho, ou uma viagem límbica, não sei, e tudo mudou.

 

Sonhei que caminhava à noite pelo labirinto de corredores do hotel, e me vi entrando num quarto que não era o meu. Forcei uma tramela em forma de borboleta e ela cedeu após flexionar as asas por três vezes, permitindo que eu entrasse. Ao avançar pelo quarto notei que havia pouca luz: um abajur na forma de uma lanterna chinesa emitia um laranja pálido, fraco e indolente, tornando o ambiente suficientemente iluminado para ter um Norte, mas ainda insuficiente para tornar os objetos reconhecíveis. Tudo ali parecia um céu noturno, subtraídas a lua e as estrelas, com apenas Marte cumprindo a tarefa de iluminar a Terra.

Depois de algum tempo acostumando os olhos, percebi que por sobre uma enorme e magnífica cama de dossel, circundada por uma fina gaze branca, diáfana e rota ao extremo, havia um casal deitado. Eram extremamente ossudos, com corpos carentes de carnes que os cobrissem. Copulavam intensa e loucamente e suas vozes roucas proferiam coisas, sussurros, palavras que eu não compreendia. Não sei se palavras de prazer ou uma oração diabólica que amparasse algum culto próprio àquelas duas caveiras infernais.

Fiquei a olhá-los por algum tempo com os olhos semicerrados. Não sei que motivo louco me levou a ser revelado àquelas duas figuras diabólicas. A dupla esquálida parou imediatamente o que fazia e, antes que pudessem se recompor, instantâneas luzes fortíssimas se acenderam, fazendo com que fossem ambas tomadas por uma fúria absoluta, que imediatamente fez brotar do chão um visgo pegajoso que exalava um cheiro azedo e insuportável. Das paredes daquele quarto desconhecido escorreu um líquido grosso como a lama que, igualmente fétida, tornava insuportável a respiração. Do teto pingavam gotas pútridas que me pareciam feitas de fel e ácido. Caíam do teto os corpos mortos, assassinados por Nogueira e Nanete em sua mesa de pôquer. As cartas de baralho enlameadas desciam junto com esses cadáveres que caiam e voavam pelo quarto como se ali houvesse uma ventania incessante e furiosa. Em alguns segundos, essa lama pegajosa tomou conta do ambiente e formou-se à minha volta uma pocilga monstruosa. Dei as costas àquela cena horripilante, macabra, e corri em total desespero. Saí patinhando apressado e deixei para trás um rasto nodoso que me grudava ao piso e dificultava minha locomoção. Andei muitos metros pelos corredores que se afunilavam à minha frente como se pudessem me prender ao chão. Meu desejo de acolhimento me traía: as paredes, ao invés de me abraçarem em aconchego, buscavam o meu fim com o desejo de me esmagar. Fugia sem esperança de poder escapar daquilo. Meus movimentos eram lentos e pesados, me obrigando a exercer uma enorme força para vencer as passadas que dava. Ao olhar para trás enquanto fugia, pude ver que os esqueletos me perseguiam e tinham na face a expressão do ódio que serpenteia em giros loucos o Inferno sem fim. Faziam-lhes coro na perseguição o imenso Nogueira com sua pistola fumegante e o esquálido Stric que trazia nas mãos um par de navalhas que cortavam o ar freneticamente.

 

Após sonhar três vezes esse mesmo sonho, noites seguidas, uma vida de agonia me tomou: ainda à noite, acordo exausto e suado sobre uma cama de dossel que não é a minha e tenho sobre meu peito duas caveiras ossudas a me acariciar o rosto e a me dizer coisas que não entendo. Lembram-me Anca e Nanete, como se múmias fossem, enroladas em trapos imundos e envoltas em fúrias intermináveis em seus loucos desejos por algum sexo bestial. Sou a passiva presa de ambas. Ouço a voz de Nogueira e os grunhidos estranhos de Lucian, também a me dizerem coisas que não compreendo. Stric, que lhes faz companhia, grita para mim com sua voz estridente e fina, a me dizer que o problema do homem bom de cama é não ter sossego com as mulheres; e todos rondam minha cama como em um carrossel de agonias embalado por um coro de vozes puxado pelos jovens licenciosos que sempre os acompanham em busca de migalhas. E as vozes sempre repetem prazer, prazer, prazer, interminavelmente. É o que ouço.

Desespera-me saber que nesse quarto úmido e lúgubre, sobre uma cama de dossel, meu sonho se lança para dentro de si mesmo em circularidades eternas, pois já não desperto, nunca desperto. Rondo dias e noites pelos corredores esbarrando em fracassados, miseráveis jogadores infames e prostitutas, fantasmas que querem esfriar meu corpo para sempre. Anca e Nanete sempre se recolhem ao meu peito, me dizem coisas que nunca entendo o que seja.

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44 comentários em “Hotel Korzha (Angelo Rodrigues)

  1. Renata Rothstein
    11 de novembro de 2017

    Vc escreve bem, mas ao meu humilde entendimento faltou uma certa coerência nas cenas, vejo que a falta de aprofundamento em personagem/motivação com certeza te prejudicou um pouco.
    E na verdade, meã culpa, talvez eu não tenha entendido muito bem suas reais intenções.
    Uma releitura ou revisão, uma reedição de seu Hotel Khorza certamente trarão mto mais emoção ao enredo, o que, na minha visão, terminou faltando.
    Muito boa sorte!

  2. mariasantino1
    11 de novembro de 2017

    Olá, tudo bem?

    Pois, sim. Gostei das digressões, dos personagens (sobre tudo aquele onde você diz que vive a conversar apalpando o próprio sexo como se quisesse estar sempre excitado. Isso é meio nojento de ser imaginado, ao mesmo tempo que bem humano). A solidão e apatia no viver e pela vida do personagem foi mostrada de forma concreta. Fiquei com misto de dó, asco e raiva ao ler o seu texto, e acho que isso é importante quando estamos lendo algo, porque se o leitor fica na mesma antes e após ler um texto literário, então que importância tem a leitura? Concorda?
    Achei o início meio moroso e a partir do momento em que o carteado começou, com os personagens, eu pensei “por que o autor desse conto não começou logo por aqui?” Acredito mesmo que o texto ficasse mais objetivo se você houvesse começado por ali. O lance dos espelhos é interessante de se imaginar se você pensa que a mente do homem está perturbada, sobretudo pela ausência de socialização. Senti falta de um pouco mais de terror, talvez um pouco mais sobre os assassinatos ou alguma coisa a mais referente ao Lovecraft poderia satisfazer melhor às exigências do tema proposto, mas, em todo caso, apreciei bastante a leitura.

    Parabéns e Boa sorte no desafio.

  3. Fil Felix
    11 de novembro de 2017

    Adorei este conto, por vários motivos. Talvez o primeiro tenha sido por envolver uma atmosfera mais onírica, com o Hotel sendo dominado por brumas misteriosas. Depois, por todo o texto se apoiar sobre os prazeres da carne, de maneira quase infernal, colocando o Hotel como uma das passagens do Inferno. Também me identifiquei muito com o estilo de escrever, gosto dessas descrições mais exageradas e sensoriais, criando uma estética surreal. A sequência do “sonho”, com as caveiras transando e as paredes derretendo, tudo virando um grande lamaçal, foi sensacional. Quando soube do concurso Kindle, comecei a escrever um romance que se passa num Hotel decadente, com o foco em todas as lascividades que acontecem nos quartos, com personagens decadentes. Talvez seja um ponto comum em textos dessa natureza (apesar deu ir pro caricato e aqui, pro sombrio).

    Apesar de haver um começo, meio e fim, não há necessariamente uma história sendo contada. Talvez isso tenha incomodado alguns leitores, a falta de uma “trama” mais tradicional. Mas não vejo como ponto negativo. Temos um desfile, quase que o inferno pessoal do protagonista (se não, o literal), que mergulha em suas próprias fantasias a partir dos livros, que se torna objeto de prazer daqueles que detesta (as pessoas), que mesmo não gostando de ninguém, admite ser submisso a todos. Reforçando essa ideia do conto de se criar sobre o que é sexual, sempre com segundas e terceiras intenções. Gostei muito.

    • Fil Felix
      11 de novembro de 2017

      Ah, e todos os personagens também vão num crescente dentro dessa coisa do sexo. O Stric, que se toca a todo momento, a velha prostituta que ainda tenta relembrar seus velhos tempos, o casal dono do Hotel. Tudo envolto num clima de fetiche, sádico e masoquista, de exploração e decadência. Das trocas de favores entre os policiais. Ainda to pensando a presença do espelho, seria o ponto em que mal nos reconhecemos?

  4. Daniel Reis
    11 de novembro de 2017

    Prezado amigo: hotéis são campo fértil para gerar medo. No caso, um hotel transformado em cortiço permite ainda mais mazelas e medos. Tecnicamente, na descrição de Nogueira e Nanete, senti um pouco de exagero, quase caricatura descritiva. O clima em geral me pareceu levemente folclórico, como Bukowski construída um passado de miséria exagerada em suas autoficções. Os personagens desfilam pela história, sem que possamos nos aprofundar além da face exposta pelo autor. Desculpe, acho que seu conto não é para mim. Abraço!

  5. Marco Aurélio Saraiva
    9 de novembro de 2017

    =====TRAMA=====

    Este é outro conto cujo personagem é um local, ao invés de uma pessoa. É claro que o conto possui um narrador, mas o hotel é a chave. Você trata dele e das coisas que nele acontecem, sem se importar muito com explicações.

    As imagens descritas foram vívidas e bem bizarras, causando certo arrepio. Neste aspecto, destaco a cena de sexo entre os dois humanos cadavéricos. Infelizmente, a falta de motivação dos atos e cenas não ajudam o leitor a criar alguma empatia com o personagem. O conto mais parece uma coleção de cenas macabras e sem explicação que, apesar de muito bem descritas, não contam história alguma.

    É claro que, pela falta de coesão, o conto está aberto a interpretações. Mas diferente de alguns contos neste certame, como “Deus Conosco” e “Columbários”, o seu texto não tem primeira camada óbvia. O leitor se vê obrigado a tentar descobrir significados ocultos em cada frase… se é que você quis mesmo esconder algo lá.

    Superficialmente, entendi o hotel Korzha como a própria vida. O quarto do narrador é a sua vida pessoal, e ele se vê cercado de gente ruim, viciada, maliciosa… enfim, a população do mundo. Ele se vê “sem o poder da escolha”, preso em um espiral de rotina do qual já não consegue sair. Achei uma interpretação interessante, mas o conto tem tanta coisa que não faz sentido, que ela é só uma em um mar de interpretações.

    Isso cansa um bocado.

    =====TÉCNICA=====

    Você é muito bom(a) em ambientação sinistra. Tudo no conto parece estar em preto e branco, em um verdadeiro filme de horror. As imagens que as suas palavras inspiram são bizarras e assustadoras.

    Sua escrita é excelente. Destaco a frase abaixo, como uma das melhores:

    “Pois saibam que eu tratava a todos com a máxima submissão e a plácida reverência que se deve ter diante de criminosos e autoridades públicas, todos iguais em suas desigualdades.”

    Enfim, o problema do conto não é, em momento algum, a sua escrita, mas sim a sua coesão. Se suas palavras se fizessem entender, seriam perfeitas. Infelizmente, do jeito que estão, mais parecem uma coleção aleatória de cenas muito bem descritas.

  6. Pedro Luna
    8 de novembro de 2017

    Infelizmente não gostei nada do conto. Não consegui fazer as conexões necessárias para entender o que o autor quis passar. A ambientação é maravilhosa, os personagens são bem apresentados, mas o conto se arrasta sem chegar a lugar algum. No início, é mencionado o espelho e achei que agora vai, mas depois o conto volta a narrar o cotidiano do sujeito, sua convivência com os outros hóspedes, e nada. Ao final, o sobrenatural retorna com o lance dos sonhos, e aí achei que ia desandar, mas então o conto acaba. Sinceramente? Não entendi. É bem escrito, mas pelo menos a mim o conto não disse nada.

  7. Miquéias Dell'Orti
    8 de novembro de 2017

    Olá,

    Ao ler seu conto, lembrei de Dostoiévski, particularmente Notas de Subsolo, com o protagonista dúbio em suas opiniões, com altos e baixos e com uma pendente mania de falar mal de tudo e todos, aquele tipo de gente que adora expor as falhas alheias para tentar suprimir as suas próprias. Gostei bastante da forma como, não só ele, mas os outros personagens foram descritos.

    No início somos apresentados às características do hotel, mas esse roteiro descritivo muda drasticamente e começamos a adentrar na “rotina” do personagem dentro desse hotel.

    O final me deixou confuso, pareceu-me que tudo não passava de sonhos dentro de sonhos e todas as percepções do personagem não passavam de devaneios.

    Fiquei com a impressão de que o hotel Korzha seria uma enorme alegoria, talvez para a depressão, talvez para a solidão, talvez para as duas coisas, mas não sei se tive sensibilidade (e capacidade) para definir qual foi a real intenção do texto.

    De qualquer forma, um ótimo trabalho.

    Parabéns.

  8. José paulo
    6 de novembro de 2017

    Que conto maravilhoso! Um terror sutil, diferente e muito verdadeiro. O autor soube captar e transmitir o verdadeiro horror da mediocridade…e do fracasso. As cenas que coloca, os personagens que descreve, o mundo que gira em volta, são de farta emoção. Tal qual o pior dos medos, leio esse conto torcendo para nada disso possa me encontrar, um dia. Não eh necessário monstros, fantasmas e zubis para se fazer tremer um homem com certa experiência, como eu. Basta um pouco de realismo, duro e bem escrito, para que o meu coração bata forte. E acredito que o de muitos… Autor (a) parabens por seu lindo trabalho e pela forma magnifica que escreves. Conto original, elegante, e sobretudo…inteligente. E se algo eu puder acrescentar de horror…digo-lhe que morri de inveja dele. Clap, clap,clap … (de pé)

  9. Rafael Penha
    5 de novembro de 2017

    Olá, Autor.

    O conto é bem escrito e a qualidade da descrição dos locais e personalidades é impecável. Consegui enxergar pelos olhos do protagonista a pocilga em que vive e as pessoas com quem compartilha o teto.

    A escrita me lembra muito a do Mestre Lovecraft, o que é um ponto a mais nesse desafio de terror.

    No entanto, apesar do Thriller psicológico, não senti traços de terror, que deveria ser o objetivo do conto. Apenas as narrações de uma personalidade chata e anti-social cercada de pessoas odiosas. Me pareceu mais alguém simplesmente narrando sua vida odiosa sem qualquer aspecto de terror.

    As primeiras partes de descrição me cativaram bastante, mas, ao meio do conto eu já me sentia cansado de descrições e descrições e pouca história progredindo.

    A tentativa de trazer o objetivo do certame vem tardia e no final do conto e não conseguiu me assustar ou conquistar. Mesmo com um belo solo semeado, a meu ver, o terror não conseguiu sequer nascer.

    As qualidades descritivas do autor são de fato o brilho da narrativa, mas elas se prolongam demais, tomando o espaço do desenvolver da história.

    Quanto à gramática, algumas pontuações, ou falta de, me incomodaram, mas nada que atrapalhe o conto.

    Grande abraço.

  10. Pedro Paulo
    4 de novembro de 2017

    Olá, entrecontista. Para este desafio me importa que o autor consiga escrever uma boa história enquanto em bom uso dos elementos de suspense e terror. Significa dizer que, para além de estar dentro do tema, o conto tem que ser escrito em amplo domínio da língua portuguesa e em uma boa condução da narrativa. Espero que o meu comentário sirva como uma crítica construtiva. Boa sorte!

    A trama se desenrola em um espaço asqueroso e insalubre, algo muito bem descrito nos primeiros parágrafos. É impossível não ler sem lembrar da boêmia e das personagens costumeiramente noturnas, prostituas e viciados em drogas, mesas de jogos… as descrições são muito bem convincentes em evocar essa atmosfera, situando o leitor em um ambiente claustrofóbico e pútrido. No desenrolar dos parágrafos também aprendemos sobre a personagem. Na verdade, muito do que compreendemos do local é pela sua perspectiva, a de uma pessoa cansada e, principalmente, resignada em seus aposentos, no meio de tanta imundice.

    Embora as personagens e a ambientação da trama contribuam para desenhar uma história obscura e com vários caminhos possíveis para trabalhar o terror, o autor só o traz um tanto tarde no conto, por via dos pesadelos confusos do protagonista, nos quais ele é tomado de assalto e perseguido pelas figuras medonhas que vivem no hotel, em estados ainda mais avançados de degradação.

    Devo parabenizar o autor pela qualidade de sua escrita, muito útil em tornar as imagens desses sonhos aterradoras. No entanto, faltou um suspense, algum ponto na trama que estivesse desde o início interligada com a personagem. Aprendemos muito sobre os moradores do hotel e a perspectiva da personagem, mas é muito tarde quando tomamos conhecimento do que o aterroriza, com o conto terminando pouco depois, sem uma conclusão satisfatória. Penso que se soubéssemos dos sonhos desde o início e pudéssemos acompanhar a condição do personagem ao longo das noites insones, teríamos um terror mais trabalhado.

    Avalio como uma história muito bem ambientada, tendo um lugar sinistro com um personagem vulnerável. O Hotel Korzha é o tipo de lugar que as pessoas sempre alertam para que não se visite e como isto é bem trabalhado aqui, acabando que o leitor fica aguardando qualquer sinal de algo que vá acontecer à protagonista. Quando vem o pesadelo ficamos pensando se não é aí que vai começar, mas então o conto acaba, encerrando a leitura abruptamente.

  11. Anorkinda Neide
    4 de novembro de 2017

    Oi!!
    Então.. eu gostei e não gostei deste conto.. ele precisa de um re-arranjo, sabe.. eu acho…
    A primeira parte não tá legal, exceto pela descrição do hotel, que tá boa, mas as divagações ali do narrador estão tão estranhas q vc mesmo, autor(a) as abandonou e partiu pra outra.. haha
    A partir da descrição dos personagens, a coisa ficou boa.Sabem eu não senti o tamanho do conto.. quando terminei, pensei.. ué, mas podia um conto de 1000 palavas? pq foi o que senti, que passou rápido. Mas não correndo, quero dizer que a linguagem, que o ritmo, que a história não me cansou, ao contrário, me deixou ligada e curiosa.
    Gostei do sonho, acho que o terror chegou ali e foi muito bacana. A minha versão (veja que já tem muitas hahaha) é a de que, dormindo, o narrador via aquelas pessoas como elas são em astral, suas almas… e elas o obsediavam, mantendo-o preso e sugando o que bem queriam dele, sua energia vital e sexual.
    Quer terror maior que este? E ele é bem real, acontece mesmo.
    Mas dae que vc naõ conseguiu finalizar em ‘grande estilo’ como se diz.. faltou a cereja do bolo! (hahaha) Senti que o ultimo parágrafo foi uma das muitas repetições (alias este foi um pecado do texto) que povoaram o conto, ao invés de trazer uma informação a mais, um susto a mais, uma reviravolta, qualquer coisa emocionante!!! rsrs
    Mas é isso, parabens pela obra e boa sorte!

  12. Ricardo Gnecco Falco
    2 de novembro de 2017

    Olá! Segue abaixo o resultado da Leitura Crítica feita por mim em seu texto, com o genuíno intuito de contribuir com sua caminhada neste árduo, porém prazeroso, mundo da escrita:

    GRAMÁTICA (1,5 pts) –> Sim, escrever é a arte de cortar palavras… E sem se esquecer de cuidar das que foram poupadas! Ou seja, uma boa e atenciosa revisão é FUNDAMENTAL em um texto — e não apenas para este quesito —, ainda mais em um trabalho que estará concorrendo com os de outros escritores… Neste trabalho, esculpido com boa gramática e uma (várias, eu sei…) revisão muito bem feita, a pontuação máxima foi alcançada. Parabéns! 🙂

    CRIATIVIDADE / ENREDO (2 pts) –> Este é, sem a menor sombra de dúvida, o quesito MAIS IMPORTANTE de todos (e consequentemente possuidor do maior peso em sua nota final)… Achei uma história que, embora bem construída, quando chegamos ao final resta uma impressão de que ela ainda não esteja madura, finita. Parece realmente que o autor tinha (tem?) muito mais para contar. Na verdade, fica uma impressão que diverge da impressão normalmente experimentada ao terminarmos de ler um Conto. Talvez, não sei, o autor tenha criado um texto para ser mais trabalhado e, quem sabe(?), que venha a se tornar algo um pouco (ou muito) maior. 😐

    ADEQUAÇÃO ao tema “Terror” (0,5 pt) –> Como estamos em um Desafio TEMÁTICO, não tem como avaliar sua obra sem levar em consideração este “pequeno” detalhe, rs! Assim sendo, mesmo eu o tendo valorizado apenas com meio ponto, ao final do somatório isso poderá representar a presença (ou não) de seu trabalho lá no pódio. Não vi Terror aqui. Na verdade, nem sequer lembrei de estar lendo um texto que fazia/faz parte de um Desafio de Terror. Pareceu que havia dado uma pausa nas leituras obrigatórias para, deixando-me levar pela boa escrita, flutuar por outras estalagens… 😐

    EMOÇÃO (1 pt) –> Beleza! Gramática (e revisão!), criatividade (enredo), adequação ao tema… Tudo isso é importante para um bom texto. Mas, mesmo se todos os demais quesitos estiverem brilhantemente executados, e o conto não mexer de alguma forma com o leitor, ou seja, não o emocionar, o trabalho não estará perfeito… Realmente, foi uma leitura monocórdia. As descrições estão muito bem feitas, mas a sucessão de referências e camadas interpretativas sugeridas nas entrelinhas deixaram uma sensação de se estar lendo um texto de algum historiador, contando alguma imaginativa ficção. O texto carece de um Começo – Meio – Fim, mesmo que em desordem temporal. Enfim… Faltou emoção. 😦

    Parabéns e boa sorte no Desafio!
    Paz e Bem!

  13. Leo Jardim
    1 de novembro de 2017

    # Hotel Korzha (Cão de Palha)

    Autor(a), desculpe-me por não ter tempo para formatar o comentário melhor. Em caso de dúvida, é só perguntar.

    📜 Trama (⭐⭐▫▫▫):

    – o texto apresenta ótimos personagens e faz uma excelente ambientação, mas carece de um fio condutor da trama
    – senti como se tivesse lendo uma introdução de uma história maior
    – por exemplo, algumas partes muito interessantes acabaram sendo esquecidas, como o espelho que parecia um elemento mágico e tinha bastante potencial (ou terá, qdo o autor resolver continuar nesse cenário)
    – não hã, também, um clímax, já que a parte do sonho se trata apenas de mais uma passagem e não tem encerra nem amarra as passagens anteriores

    📝 Técnica (⭐⭐⭐⭐▫):

    – muito boa ótimas descrições e criação do clima, com frases elegantes e que dão gosto de ler
    – Se muito penso *vírgula* pouco ajo
    – subtraído pela força ou pela malícia *sem vírgula* de alguém
    – não conseguia compreender uma só palavra do que *sai* (saía) de sua boca

    💡 Criatividade (⭐⭐▫):

    – a criatividade está mais na imersão da ambientação, já que os tipos não chegam a ser novidade

    🎯 Tema (▫▫):

    – desculpe, mas não vi nem um pouquinho de terror nesse texto

    🎭 Impacto (⭐⭐⭐▫▫):

    – o texto é bom e agrada pela ótima técnica e ambientação (gosto muito de histórias com esses locais decadentes e seus tipos…)
    – a falta de uma trama e uma conclusão acabam, porém, rebaixado o impacto

  14. Gustavo Araujo
    31 de outubro de 2017

    Este conto me atraiu pela maneira como foi contado. O modo de narrar me atraiu bastante, fundado num protagonista extremamente dúbio, com defeitos profundos, cheio de dilemas. Nada como a solidão para trazer à tona os sentimentos mais profundos do ser humano. Aqui isso foi explorado de forma muito competente. De cara lembrei da canção do Eagles, Hotel California, com os hóspedes peculiares, chafurdando em suas loucuras, em seus carteados e em seus cigarros. Também os donos do hotel são personagens interessantes, ajudando a compor esse mosaico levemente insano que tem no protagonista sua âncora de sanidade – pelo menos até que os sonhos dele próprio começam a consumi-lo. Por outro lado, apesar desse brilhantismo no tocante à narração, senti falta do elemento de terror exigido pelo desafio. Sim, o conto é até certo ponto angustiante, mas o terror em si não se desenvolve. Cheguei a pensar, no início, que o gancho para tanto seria o espelho – aliás, que ideia bacana essa da imagem refletir outros lugares, outras épocas, outras pessoas – mas isso não teve sequência, de modo que me vi um pouco frustrado, especialmente porque, se o autor decidisse investir nesse aspecto, o resultado teria sido ainda melhor. De todo modo, o texto é muito bom. Espero que outros possam apreciá-lo também. Parabéns ao autor!

  15. Iolandinha Pinheiro
    27 de outubro de 2017

    Olá, Cão de Palha.

    Primeiro, os meus parabéns pela escolha do apelido. Ele, sozinho, já causa um estranhamento, como se alguma coisa estivesse, propositadamente, fora do lugar.

    O conto não é fácil de ler, pautado em descrições cheias de simbolismo, é um convite ao leitor mais detalhista, como se a própria esfinge nos dissesse: “Decifra-me ou te devoro”. Se por um lado uma excelente ambientação me conquista, por outro uma ambientação excessiva me afasta. Principalmente quando há descrições minuciosas de cada um dos personagens, quando escrevo, fazer o perfil psicológico dos personagens é muito mais interessante, e eu costumo diluir estas características de caráter ao longo do texto, muito mais através de atitudes do que de informações propriamente ditas. No caso do seu conto, todavia, as descrições eram, se não o cerne do conto, o veículo que levava a ele. Através das descrições entramos na maneira como o protagonista enxerga o mundo, e como associa aparência à falhas de caráter, estruturas ao ambiente opressivo em que mora, e leitura à libertação e prazer. A mente do homem é rica e criativa, e, constantemente rompe as amarras da consciência para criar novos mundos de percepções alteradas, como no caso do espelho (ótimo exemplo). Aliás, a cena do espelho é um espetáculo à parte, o melhor momento do conto. Ficou demais! Parabéns, parabéns, parabéns.

    Particularmente nunca aprecio a descrição de coisas gosmentas, fétidas, acho que isso é um recurso para criar terror onde não há terror. Não me causa medo, apenas nojo, e odeio sentir nojo, mas entendi que a cena onde o quarto sofre aquela manifestação que inclui uma transa entre pessoas cadavéricas e o líquido grosso e mal cheiroso descendo pelo teto e paredes, é um simbolismo sobre o asco que o narrador sente pelo ato sexual e por tudo que o lembre disso.

    Acho que o único problema deste conto (além de miudezas gramaticais apontadas pelos colegas) é a falta de sua fluidez. Fiquei dias tentando ler e o conto levava a melhor, mas a gente insiste e vai em frente.

    Um abraço e sorte no desafio.

    Iolanda.

  16. Vanessa Honorato
    26 de outubro de 2017

    Gostei muito da parte do espelho. Achei a ideia interessante e diferente, e claro, assustadora. Não é uma leitura que me prende muito, tanto que tive que voltar alguns parágrafos para me situar melhor. A descrição do sonho foi muito boa, bem clara, a gosma causou náuseas. Fiquei com a impressão de que ele se tornou um fantasma do hotel, não sei se foi isso mesmo.

  17. Jorge Santos
    24 de outubro de 2017

    Este conto tem uma atmosfera negra, uma intensidade dramática elevada que é mantida durante todo o texto. Tem duas linhas narrativas, a realidade é o sonho. Não sei distinguir qual delas a mais horrível, o que funciona bastante bem. O terror está na expectativa da evolução da narrativa. Outro aspecto de louvar é a caracterização das personagens e dos locais. A linguagem usada pareceu-me correcta, salvo alguns termos em que fiquei na dúvida – serão os nossos colegas do grupo que melhor do que eu assinalarão essas eventuais falhas. O ponto fraco são as repetições frequentes que cortam o ritmo de um texto que poderia ser excelentes. Nada que uma revisão mais cuidada não evitasse.

  18. Luiz Henrique
    24 de outubro de 2017

    Algumas exposições dadas aos personagens me pareceram desnecessárias, prejudicando o conto em seu desenvolvimento. Tornando pouco cansativo. E algumas sentenças me soaram um pouco deslumbrantes. Mas o enredo é muito bom, o qual junto com a escrita tem um ritmo bem fluído. Uma história consistente, bem elaborada. A ambientação do hotel ficou muito bem colocada. Essa mistura de sonho e realidade casaram perfeitamente com as intenções da trama.

  19. Rose Hahn
    22 de outubro de 2017

    Olá Dog, gostei da ambientação do hotel, muito convincente, assim como a dos personagens Nogueira e Nanete. Considerei as descrições o ponto alto do conto. Não consegui entender a parte dos espelhos, se era real ou fruto da psicose do personagem. Falando em psicose, fiquei na expectativa dele encarnar um Norman Bates, porém tal não aconteceu, e o terror, propriamente dito, ficou nas entrelinhas dos sonhos previamente anunciados. Só para constar, acho que está fora do contexto o “acordo de leniência”, pois tal se refere à acordos firmados entre a pessoa jurídica que cometeu ato ilícito contra a administração pública. No mais, escrita muito precisa, tenho o bom pressentimento de que causará furor no gênero drama. Parabéns, abçs.

  20. Pedro Teixeira
    21 de outubro de 2017

    Olá, Cão!
    A narrativa é muito boa, só acho que se excedeu um pouco nos adjetivos. Senti falta de um enredo que se impusesse com mais força, mas pode ser falha minha. Achei os dois primeiros parágrafos desconectados do resto, com os devaneios sobre o espelho. As descrições do sonho são excelentes, criando imagens fortes. Dentro do que se propõe é um conto muito bem executado, mas confesso que queria ter gostado mais dele. Senti falta de uma trama mais bem definida, de diálogos e aprofundamento dos personagens, mas acredito que a opção por não trazer esses elementos tem o objetivo de criar uma atmosfera onírica.

  21. angst447
    19 de outubro de 2017

    T (tema) – O conto está dentro do tema proposto pelo desafio.

    E (estilo) – Há preferência pela narrativa descritiva. Ótima ambientação da trama, revelando uma densidade bem próxima à areia movediça. Não é um estilo raso, mas que requer do leitor mais do que uma simples leitura.

    R (revisão) – Alguns erros passaram, já apontados pelos colegas. O “trás” seria do verbo “trazer”? Se for, teria de ser grafado como TRAZ. E para concordar com o tempo verbal empregado, teria de ser TRAZIA.

    R (ritmo) – O ritmo é o complicador do conto. Por se basear em descrições muito bem trabalhadas, a narrativa arrasta-se um pouco. A ausência de diálogos também contribui para o ralentar da leitura.

    O (óbvio ou não) – Não considerei o terror óbvio, pois se revela aos poucos, atravessando as camadas da trama. É mais um pesadelo do que uma lembrança. Gostei bastante da parte do espelho e do sonho com as caveiras.

    R (restou) – Uma vontade de ouvir de novo a música Hotel Califórnia e me perder nesse labirinto em linha reta.

    Boa sorte!

  22. Evandro Furtado
    19 de outubro de 2017

    A maior qualidade do texto, por incrível que pareça, é ser simples. É nos pequenos detalhes que estão as suas grandes qualidades. As construções frasáticas são invejáveis. As combinações de palavras, não só são perfeitamente dispostas semanticamente, mas possuem, em si, uma sonoridade que embala a leitura e combina-se com o conto em si. A trama é nebulosa, perpassa pelos incômodos do personagem-narrador. O conto é sujo, nebuloso, escuro, e isso é passado, não só pelas descrições absolutamente impecáveis, mas, também, pela já mencionada sonoridade que concede ao texto um caráter etéreo. Faltou uma coisa pra ser perfeito: um fechamento de trama que trouxesse algo mais ao leitor. O conto embala, feito uma mão a balançar o berço, mas faltou acordar essa criança, levá-la ao seio e alimentá-la. Ou seja, faltou matar a fome por uma conclusão que, de certa forma, trouxesse uma reflexão a quem lê.

  23. Evelyn Postali
    18 de outubro de 2017

    Caro(a) Autor(a),
    Gostei muito do conto, mesmo sendo ele todo narrado. Tenho dificuldades com contos assim. Eles me cansam um pouco e a leitura fica lenta. Gosto de diálogos. A escrita é muito boa e não notei erros muito gritantes, nem os menos gritantes kkk Então, gostei da ambientação e está dentro do tema. Ele é um conto denso. Tem uma pegada de muita tensão. Boa sorte no desafio.

  24. werneck2017
    17 de outubro de 2017

    Olá,

    Trata-se certamente de um conto intimista, contado de forma a suscitar diversas reflexões. O texto traz também uma imagética potente que reconstitui com primor a ambientação decadente do protagonista e do hotel, não há diferença entre eles.
    O protagonista está preso ao hotel tanto quanto a ele mesmo, não há escapatória, só condenação. Os erros gramaticais que apareceram vez por outra não tiraram o brilho da narrativa e, portanto, não vou comentá-los, uma vez que já foram bem relatados pelos colegas. A falta de ação e a morosidade das cenas só agregam o tom intimista e confessional.
    Parabéns e bos sorte.

  25. Lolita
    15 de outubro de 2017

    A história – Um homem preso, por vontade própria, em um hotel decadente sofre alucinações. Lembrou Memórias do Subsolo, o que é um elogio.

    A escrita – Forte, apesar de ser um texto para ser entendido em duas leituras. As descrições são fortes, eu cheguei a sentir o fedor das paredes do hotel. A escolha da Romênia é interessante, terra do Drácula.

    A impressão – O texto trabalha com o psicológico, é uma espiral bastante assustadora a do personagem. Mas confesso que eu me identifiquei com o mesmo, também não curto muito gente não haha. Fiquei curiosa sobre o Korzha (encontrei alguns significados no deus Google, mas não sei qual se encaixaria aqui). Parabéns, excelente conto e boa sorte no desafio.

  26. Lucas Maziero
    15 de outubro de 2017

    Conto perturbador! A narrativa está muito boa, não perdi o interesse uma vez sequer, muito embora eu não tenha entendido partes da história. Por exemplo, depois de terminada a leitura, busquei compreender certas passagens, como essa:

    “Após muitas e frustradas tentativas de voltar a me erguer, refugiei-me aqui neste lugar.”

    Deu-me a entender que ele acabava de chegar àquele lugar de perdição, porém muito mais para a frente, há essa frase:

    “Quando aqui cheguei, há muitos anos, sempre era abordado por Anca e Lucian…”

    Que me fez pensar então que ele já morava ali há muito tempo, e não que acabava de chegar.

    O começo, mais exatamente a cena em que ele se mira no espelho, não tem muito a ver com restante do conto, é uma informação vazia.

    A ação demora a acontecer.

    Não peguei o sentido quando ele diz: “Era já uma época em que eu não tinha mais o dom das escolhas, e esse era o meu problema e maldição, então os ouvia, ouvia e ouvia…”

    Por que essa repetição em dizer que não tinha escolhas?

    Seria ele um espírito, preso naquele lugar onde foi morto e, após a morte, ele pensa ter chegado ali há pouco tempo, como indica a frase inicial do conto? E como penitência talvez pela sua vida devassa, estava ali preso e sem escolhas? Seria isso? E também, como mostra o trecho:

    “Era quando imaginava caminhar por um longo corredor estreito onde podia vislumbrar uma luz diáfana amarelada ao final, que se apagava aos poucos enquanto as paredes me abraçavam. Nesse ponto eu dormia, ou entrava num mundo onírico, onde podia viver outras vidas. Sabia que era uma forma de escape, claro, mas como não querer escapar de tudo aquilo que acontecia comigo?”

    Essa luz diáfana seria o lugar que lhe aguardava pós morte? O corredor estreito simbolizando seu caminho? São muitas interpretações.

    Então, caso eu esteja redondamente enganado, assim interpretei este conto singular: que o personagem, após morrer, era retido naquele lugar degradante pelos espíritos de Lucian e Ancan, os quais tentavam corromper a alma do personagem sem nome, para que ele não atravessasse o caminho da luz e servisse como um escravo da luxúria para os moradores fantasmas do hotel Korzha.

    Gostei da parte do sonho.

    Ademais, o conto revela que o autor(a) tem um bom conhecimento na arte de descrever, de adornar as sentenças.

    Gostei da história, apesar de não ter compreendido, ou penso não ter compreendido, se eu estiver correto em minha análise.

    Parabéns!

  27. Luis Guilherme
    15 de outubro de 2017

    Bom diaaa amigo, td bem?

    Esse desafio, como tenho dito, me agrada particularmente, pois amo o genero. Por isso, estoy lendo os contos com bastante expectativa. Dito isto, vamod ao seu:

    O ponto forte do seu conto eh a excelente ambientação. As cenas descritivas sao muito boas, e a escolha das palavras foi bastante cuidadosa, por isso consegui mergulhar com bastante repulsa nessa pocilga hahaha.

    Nao entendi bem, porem, pq vc começou a falar das alucinações no espelho e depois abandonou bruscamente. Aquela cena tava me agradando bastante, e achei que fosse ser importante depois. No fim, fiquei com a impressao de que era apenas uma preparaçao pra construção do desfecho q nos traz um homem louco em plena alucinaçao. Eh isso? Se sim, ficou legal!

    Algumas ressalvas: achei que o texto demorou muito pra ter alguma emoçao, que so começa no finzinho com os sonhos. Ali, pra mim, eh o ponto alto do conto e o unico momento de terror, gostei bastante. Mas acho que valeria a pena trabalhar mais esse trecho, pois o restante acabou me parecendo apenas uma preparaçao pra ele, mas que achei meio extensa demais.

    Entende? Acho q focar mais nad alucinaçoes dos sonhos e reduzir as descriçoes do hotel poderiam abrilhantar ainda mais.

    Enfim, gostei. Entretem e chega a causar repulsa eterror, especialmente no desfecho.

    Quanto a gramática, eh boa, assim como a escolha de palavras. Tem alguns erros de revisao, mas acredito q ja foram citados.

    parabens e boa sorte!

  28. Fheluany Nogueira
    13 de outubro de 2017

    Enredo e criatividade – Monólogo, fluxo de consciência, desabafo ou pesadelos de uma mente deprimida, solitária. Se eu morasse ali também me sentiria assim. O ambiente e outros moradores do local seriam tão horríveis ou era a visão do protagonista?

    Terror e emoção – o protagonista vive sob uma tortura psicológica — o texto é mais deprimente que amedrontador. Faltou ação, suspense.

    Escrita e revisão – Texto bem construído, linguagem poética, descrições perfeitas.
    Necessita uma revisão linguística.

    “Cão de palha” seria um espantalho ou uma múmia?

    Parabéns. Abraços.

  29. Antonio Stegues Batista
    10 de outubro de 2017

    ENREDO: Homem fica preso a sonhos horríveis, num hotel decadente. Fraco.

    PERSONAGENS: Excelente criação, boas descrições físicas de todos os personagens.

    ESCRITA: Muito boa, mas achei que tem adjetivos demais. As ações no hotel são poucas, o texto tem pouca ação, o que torna o enredo fraco. É praticamente a narrativa de sonhos, pesadelos de um homem, que fica o tempo todo no quarto, ou no hotel. As reflexões do personagem tomam todo o texto.

    TERROR: O terror é o do personagem, que pouco desperta no leitor. Acho que ficaria melhor se houvesse mais ação, o homem saindo para trabalhar, experimentando outras emoções, interagindo com os outros jogadores e suas atividades, que não couberam no conto. Talvez até, se houvesse suprimido tanta divagações, poderia ter acrescentado ao conto, abrangendo mais o terror. Boa sorte.

  30. Ana Maria Pires Monteiro
    10 de outubro de 2017

    Olá, Cão. Vou ser franca: o seu protagonista porque percebe do que dizem os seus personagens, não é? pois, o efeito propaga-se também em círculos divergentes, ou seja: eu não entendi. Gostava de, mais tarde, saber que história você decidiu traduzir sob esta forma.
    Dito isto, penso que você possui excelentes qualidades descritivas e fiquei até surpresa pelos elogios dos outros comentaristas até ao momento, uma vez que normalmente reclamam da falta de diálogos.
    Bem, eu não reclamo disso, nem da sua existência. Penso que há contos que pedem diálogo o outros que não. E o seu não pedia. O diálogo não era pedido nem pelo texto nem pelo narrador, aliás, que fez questão de se mostrar avesso a qualquer espécie de intimidade.
    Notei alguns erros de concordância, digitação e acentuação, e penso que nem todos estes tenham sido apontados. Ei-los: “O pouco que protegem, quase não permitem”, seria permite; “sobre o que observava em torno da minha imagem, que mudavam”, penso que seria mudava; aqui: “Alardeava pelo hotel que que era um sujeito” tem um “que” a mais; aqui: ” Era quando se intensificam “, creio que seria “intensificavam”; aqui: “cartas ensebadas a espera de um movimento”,o correto seria à espera; e aqui: “Tudo vinha funcionado bem.”, seria funcionando; esta, penso que já foi apontada: “não conseguia compreender uma só palavra do que sai de sua boca”,o correto seria “saía”; enfim, nada que atrapalhasse a leitura caso estivesse a compreendê-la, mas que vale a pena alterar.
    HoUve uma frase que me soou estranha: “Já ouvi disparos acalmarem acaloradas discussões. Havia mortes, talvez algumas, que fizeram cessar discussões”, o “ouvi”, havia” e “fizeram”, resulta estranho. Talvez um simples “houve” em lugar do havia resolvesse esta dissonância.
    No entanto, alguém lhe fez uma ressalva com que discordo, nesta frase:” disfarçava o revólver que sempre trás à cintura”,penso que é para ficar mesmo assim porque a ação que relata é no passado e daí o “disfarçava” e o revólver que sempre “trás” orienta-nos claramente para o facto de que continua vivo e a usá-lo no presente. Aí não vi discordância, antes informação.
    Outra frase informativa: “Meus olhos são a riqueza que me ficou.”, embora pense que o sentido exato não seja olhos, mas sim olhar.
    Ainda assim,não consegui compreender.
    Tem uma boa técnica de escrita e está dentro do tema do desafio, devido à ambientação. Mas conta de forma, em meu entender, desconexa, o que para o protagonista não faz sentido, mas talvez fizesse se olhado pelos olhos de alguém que ainda saiba quem é, o que faz e onde está. Isso sim, coisas que o protagonistas parece desconhecer.
    Até eu estou confusa. Parabéns e boa sorte no desafio.

  31. Nelson Freiria
    9 de outubro de 2017

    Achei o começo um pouquinho exagerado para o meu gosto. Talvez, se as frases fossem um pouco mais curtas, eu teria outra impressão. Não estou dizendo que está ruim, por favor, não me entenda mal.

    Essa passagem “era sua boca fina, úmida e larga” ficou contraditória, não? Tbm vi uns deslizes na digitação, mas nada grave.

    De início, achei um pouco sem sentido o protagonista não gostar de pessoas, mas viver em um hotel… (Se fosse por questões monetárias, valeria mais alugar uma casa minúscula, conheço algumas bem baratas para indicar, só chamar in box.) Mas com o desenrolar da história, comecei captar o que significava tudo aquilo. Se, digo com ênfase, SE eu entendi, nosso protagonista vive uma espécie de condenação. Dá para extrair mais de uma interpretação do conto. Aí eu me pergunto, quem são esses personagens em volta dele? Talvez sejam fantasma de seu passado: Stric poderia ter sido um abusador, pois nota-se que sua personalidade está ligado a questões sexuais. O casal de criminosos, poderiam mto bem ser seus assassinos e/ou cúmplices. Já os velhos, pelo ódio que nutre por eles, podiam ser suas vítimas. Mas essa foi só um pensamento de tantas coisas que ficam subentendidas com a leitura.

    A questão é que a partir disso, desse contraste entre o real e o surreal, do ambiente de seres desagradáveis e da repulsa do protagonista à convivência, surge o terror na história, um tormento psicológico que leva a terríveis pesadelos que são bastante grotescos. Achei uma escolha bastante arriscada, mas que deu certo, principalmente por inserir algo de poético em meio a tudo isso. Posso não ter achado perfeito, mas o texto está num nível mto agradável.

  32. Paula Giannini
    9 de outubro de 2017

    Olá, Autor(a),

    Tudo bem?

    Seu conto me parece um autêntico trabalho de imersão e o ponto alto do texto é, justamente, a fluência das palavras e o prazer que elas causam no leitor, ou ao menos comigo foi assim.

    Literatura, para mim, é música e a sua soa com muita intensidade. Gosto do modo como uma palavra se une a outra e esta, por sua vez, a outra mais, formando um conjunto harmônico e muito belo.

    Li seu conto como quem lê uma espécie de fotografia. Aqui, você nos trouxe um universo ricamente imagético, criado em pormenores capazes de fazer com que o leitor sinta-se não só inserido no local descrito, como viva experiências sensoriais, com odores e sentimentos desagradáveis de claustrofobia, e, por aí vai.

    Se procurarmos em sua criação uma estrutura com um conflito claramente definido, funcionando como mola propulsora para o desenrolar da história em si, de fato não encontraremos. No entanto, ao me deparar com a obra apresentada, vejo que a leitura, assim como o teatro, as artes plásticas e até a música, pode, sim, apresentar ao leitor (ouvinte, expectador, enfim), uma espécie de deleite através de um recorte em um momento único, inserido ou não dentro de uma trama propriamente dita.

    Por outro lado, lendo os comentários por aqui, confesso que senti o mesmo que o Eduardo Selga ao ler o último parágrafo. Nele, para mim, tudo se revela. É ali que se encontra a chave, a solução para o fluxo narrado. Se imaginarmos que tudo se trata de um sonho ou delírio de alguém embotado pelos entediantes dias naquele local fétido e sem cor, talvez todo o resto faça sentido. A narrativa nos leva, talvez, à mente de um deprimido, um prisioneiro de si mesmo, dentro dessa estrutura de aprisionamento nesse hotel hediondo.

    Também já estive hospedada (por conta do teatro) em locais assim. E, creia, você me transportou para a exata sensação que tais locais me causaram. Uma vez, lembro de fechar os olhos em Pinhalão (interior do Paraná) e pensar: Não estou aqui… Não estou aqui… (rsrsrs) (Alguns produtores são cruéis, ainda bem que hoje, sou minha própria produtora).

    Parabéns.

    Desejo-lhe sorte no desafio.

    Beijos
    Paula Giannini

  33. Rafael Soler
    9 de outubro de 2017

    Que escrita primorosa. Adorei o estilo narrativo e como os personagens e ambientes são descritos de forma poética. A trama em camadas é muito bem desenvolvida, me deixando a pensar sobre o texto após terminar de lê-lo. E a sensação onírica do conto é muito bem feita, me deixando na dúvida sobre que era real e o que era sonho.

    A única coisa que senti falta foi de um final mais impactante, aquela última frase que dá uma porrada no leitor. Não que isso seja necessário, mas, na minha opinião, tornaria o texto mais forte.

    😀

  34. Paulo Luís
    8 de outubro de 2017

    Muitas descrições aos personagens que permeiam o enredo, por pequenos que sejam. Cansa um pouco. Em contrapartida, a escrita é de muita qualidade, e desenvolvimento muito bem ritmado, afora alguns exageros frasais como: “Tudo ali parecia um céu noturno, subtraídas a lua e as estrelas, com apenas Marte cumprindo a tarefa de iluminar a Terra”. “Eram extremamente ossudos, com corpos carentes de carnes que os cobrissem”. “Pude ver que os esqueletos me perseguiam e tinham na face a expressão do ódio que serpenteia em giros loucos o Inferno sem fim”. E o tema limitou-se quase que só a sonhos. Mais de qualquer forma muito consistente para esse tipo de narração. Muito bom mesmo:

  35. Fernando.
    8 de outubro de 2017

    Curti muito o seu conto. Caramba, você escreve muito bem. Sabe descrever um ambiente de forma primorosa. Um domínio da linguagem, um uso excelente das palavras. As coisas se tornam bem reais ao serem mostradas pela sua ótica literária. Parabéns. Não se trata de uma narrativa simples. Tem um enredo forte e, por que não, claustrofóbico. Eu me vi, tal o nosso protagonista, preso naquele quarto fétido. Antes preocupado com a jogatina violenta do quarto ao lado. Depois, ansioso com o que pudesse surgir dos pesadelos absurdos. Sim, uma bela história. Parabéns.

  36. Eduardo Selga
    8 de outubro de 2017

    Pego do desfecho um recorte que pode dar ao texto uma grande dimensão: “meu sonho se lança para dentro de si mesmo em circularidades eternas, pois já não desperto, nunca desperto”. Isso pode sugerir que o onirismo é todo o conto, não que ele ocorra apenas a partir do sonho.

    Entretanto, a narrativa foi construída de modo a causar suspensão (ou suspeição): a primeira parte pode não ser onirismo, a depender da interpretação. Se entendida como não sendo, tanto melhor, pois abre espaço para outra hipótese: temos um espírito (primeira parte) que sonha (segunda parte). Digo isso porque, embora não se possa descartar que o protagonista seja a representação de uma pessoa, a ambientação me sugere tal abandono que entendo poder tratar-se na primeira parte de um espírito. Isso, é claro, se eu não estiver vendo fantasmas.

    Não apenas a ambientação: a narrativa em si me faz crer em sonho ou espírito na primeira parte. Há um trecho que põe essa questão : “Meu quarto era invadido permanentemente por uma espessa bruma formada pela fumaça de mil cigarros, cachimbos e charutos que se acendiam e se apagavam numa sórdida mesa de carteado que rolava no quarto ao lado”. A imagem sugerida pelas palavras (e a sugestão pode variar de um leitor a outro) é de uma nuvem, no interior da qual outros personagens são visualizados pelo protagonista.

    Nessa situação tais personagens são descritos com riqueza de detalhes, sugerindo que essa nuvem passa pelo quarto, mas não se fixa. Por inexistir afirmação categórica nesse sentido, pode ser que o protagonista enxergue os outros no nevoeiro de fumaça. Em ambos os casos, não me parece uma representação de caráter realístico, de modo que temos ou um sonho ou uma “cena espiritual”.

    No caso da fumaça ser passageira, temos um efeito similar a um recurso de vídeo chamado “fusão”, em que uma cena se sobrepõe à outra gradualmente.

    De tudo isso infere-se que um dos trunfos do conto é a ambientação. Outro são os personagens. Embora alguns se aproximem do personagem-tipo, normalmente plano, como Nanete e Stric, eles funcionam muito bem na estrutura do conto, indo além da marionete de autor. Eles estão bem integrados ao enredo.

    A cena do sonho, uma saborosa overdose de imagens.

    Em “Se muito penso pouco ajo e isso é o fim para um sujeito discreto como sou […]” acredito ter faltado uma vírgula entre PENSO e POUCO e após AJO.

    Em “Não tinha qualquer controle sobre o que observava em torno da minha imagem, que mudavam com frequência irregular […]” há um erro de concordância. Deveria ser MUDAVA.

  37. Angelo Rodrigues
    7 de outubro de 2017

    Caro Cão,

    Gostei do seu conto. Flui naturalmente, um relato tranquilo reportando a decadência de um homem que parece merecer o ambiente em que vive, embora não saiba disso.
    Tenho algumas recomendações. Todas com o objetivo de ajudar a melhorar a redação. Nada mais que isso.
    – “bem disfarçava o revólver que sempre TRAZIA à cintura.”
    – “…sempre que FAZIA em Diamante.”
    – “…a verdade é que nunca o VIRA com uma mulher…”
    – “Todos EXATINHOS como eles.”, embora ficasse melhor com “Todos como eles.”
    – No parágrafo em que você trata do termo misantropo, parece haver criado uma confusão com misógino. Lendo melhor, percebi que não, trata-se mesmo de misantropia, mas mesmo assim o parágrafo merece ser melhorado.
    – Embora o autor pareça ter predileção por termos no diminutivo, achei que o diminutivo empregado era parte da “voz” do protagonista e não do autor.
    – ajustar encrustado para incrustado.
    – “Um vício focado NOS baralhos.”
    – “Uma só palavra do que SAÍA de sua boca…”
    – afim / a fim de terem comigo…
    De resto acredito que o texto flui muito bem, boas colocações textuais. Gostei bastante do final, onde a paralisia do protagonista acontece quando seus sonhos se remetem aos próprios sonhos e ele não consegue despertar.

    Valeu, Cão, e obrigado por nos deixar conhecer seu conto.

  38. Andre Brizola
    6 de outubro de 2017

    Salve, Cão!

    Esse, pra mim, é de longe o conto com o maior nível de detalhamento até o momento. É incrível como todo o ambiente me causa repulsa. Chega em determinado momento e eu também já não gosto de pessoas. Principalmente dessas pessoas. Ponto positivo! A princípio eu localizava o hotel em algum recanto underground do leste europeu, mas aí somos apresentados a Nanete e Nogueira, o que faz o cenário mudar bruscamente para algum muquifo paulistano (e a minha experiência pessoal acha que isso fica em Diadema…).
    O texto é denso, sinuoso, dá voltas por caminhos mais bonitos, ao invés de pegar a via mais direta. O legal disso é que os dois caminhos nos levam ao destino, mas no primeiro modelo podemos admirar a paisagem. Esse trecho, pra mim, representa muito bem o que quero dizer aqui: “Houve um dia em que fui tomado pelo desconforto de observar que meu espelho, não obstante refletir minha pobre imagem, o fazia com uma certa vagueza, algo como se a minha imagem chegasse sempre um pouco atrasada após eu me haver posto à sua frente”. poderia ser dito de forma mais simples, mas não mais agradável.
    Entretanto, o conto não é perfeito. E, pra mim, o grande defeito é a opção de caracterização dos personagens secundários (assumindo que o narrador é o protagonista). Nanete, Nogueira e Stric são caricatos demais, cartunescos, até. Sei que a intenção era essa, mas pra mim é difícil não imaginar o Guilherme Karan dando as cartas no quarto ao lado. Peço perdão por isso, mas foi a imagem que me ocorreu durante a leitura. E isso me tirou toda e qualquer chance de alcançar o terror contido no texto. Exceção feita ao casal de romenos, bem interessantes dentro do cenário do hotel.

    É isso! Boa sorte no desafio!

  39. Regina Ruth Rincon Caires
    6 de outubro de 2017

    Lindo texto! Bem construído, estrutura perfeita, narrativa fluente, lógica. O autor possui total domínio da linguagem. Perfeito! A escrita mostra um diálogo interno profundo, cheio de reflexão, de ponderação tardia. Denota uma velhice rançosa vivida num ambiente rançoso, com vizinhos rançosos. Triste, muito triste. A leitura é interessante, a narrativa detalhada coloca o leitor no ambiente, caminhando pelos corredores do velho hotel.
    Gostei muito!
    Parabéns, Cão de Palha!

  40. Olisomar Pires
    5 de outubro de 2017

    Impacto sobre o eu-leitor: alto.

    Narrativa/enredo: sujeito vive em hotel e sofre com seus vizinhos vigaristas até que se perde em si mesmo.

    Escrita: muito boa, sem erros que travassem a leitura ou brilhassem mais que a idéia.

    Construção: criatividade enorme e excelente capacidade de transmissão são os pontos altos do texto. Imagens muito bem desenvolvidas que trazem um outro nível de prazer na leitura.

    Não é um texto fácil e possui camadas e camadas das mais diversas para todos os gostos.

  41. Edinaldo Garcia
    5 de outubro de 2017

    Escrita: Mais um texto neste desafio com técnica primorosa. O autor soube ambientar a narrativa, construir bons períodos, personagens bem trabalhados. O ponto negativo aqui foi o enredo, que para mim, ficou bastante confuso. Não consegui conectar muito bem os fatos (certamente o problema esteja em mim), não houve uma crescente que aumentasse a tensão. O conto começou e terminou na mesma pegada, mesmo nas cenas finais, não senti uma crescente significativa. O último parágrafo foi extremamente bem desenvolvido, talvez o texto estivesse o tempo todo nos preparando para isso, como se o protagonista estivesse numa espécie de purgatório ou inferno onde todos aqueles personagens, inclusive ele já estivessem mortos.

    Terror: Gosto de terror em hotéis. Acho um bom cenário para este tipo de estória. A ambientação foi boa, mas daria para ser melhor explorado os elementos do texto.

    Nível de interesse durante a leitura: Embora eu fiquei confuso a maior parte do tempo (talvez o tempo todo), eu não consegui parar de ler até o final. Ou seja, o texto também supriu isso muito bem.

    Língua Portuguesa: Primorosa. Ótimas descrições. O autor possui incrível habilidade com adjetivação.

    Veredito: Muito bom. Só faltou explorar melhor o enredo.

  42. Fabio Baptista
    5 de outubro de 2017

    Técnica muito boa, conseguiu criar uma excelente ambientação numa narrativa límpida, sem entraves. Apenas alguns apontamentos:

    – disfarçava o revólver que sempre trás à cintura
    >>> aqui ocorreu uma mistura de tempos verbais

    – todos exatinho como eles
    >>> até notei que o narrador gostava de diminutivos, mas aqui não ficou legal

    – encrustado
    >>> incrustado

    – afim de
    >>> a fim

    – o pior labirinto é uma linha reta
    >>> gostei disso! (esse é apontamento positivo rsrs)

    Na parte da trama, porém, o conto deixou a desejar. Quando a ambientação ficou bem estabelecida e todo o clima decadente impregnado, fiquei esperando por uma “ação” que não veio. Não sei se há simbologias escondidas (sou péssimo para encontrá-las), mas acabou me soando apenas comoum apanhado de situações e personagens bizarros. Minha maior curiosidade enquanto lia foi de saber quem, afinal, era o narrador. Pensei que o pulo do gato viria daí. Mas não veio.

    Ganha pontos pela parte técnica, mas infelizmente a combinação técnica/trama ficou descasada.

    Abraço!

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Informação

Publicado às 3 de outubro de 2017 por em Terror e marcado .