EntreContos

Literatura que desafia.

Parte de Mim (Cláudia Cristina Mauro)

Nunca uma pessoa se sentiu tão orgulhosa de si mesma como Reinaldo. Seu orgulho é desmedido e o enche de satisfação. Sabe de onde vem toda esta sensação de importância. Sua vida mudara após ter tomado aquela decisão tão difícil.

Por um tempo, não podia nem pensar em concordar com tal ato tão altruísta por alguém. Evitava a pessoa em questão, aquela que havia tido a impertinência de lhe pedir algo assim tão grandioso. Fugia de telefonemas ou de encontros com a pessoa, na esperança de que ele encontrasse outro coitado para o sacrifício. Como alguém podia pedir semelhante absurdo a outro?

― Este cara só pode estar louco. Nem o considero assim tão amigo para ter a cara de pau de pedir esta asneira.

Ele reclamou aos outros do pedido inusitado e o posicionamento dos outros trouxe mudanças ao seu pensamento.

― Olhe, eu não sei o que faria, mas é um grande ato.

― Não, você não pode deixar de fazer isto por seu amigo.

― Acho que você vai ter lugar garantido no céu.

― É o ato mais bonito que uma pessoa pode fazer por outra.

― Que ato de coragem seria!

― Não é para um ser humano comum. Tem que ser especial.

Nunca pensou que semelhante ato pudesse ter peso tão positivo, que pudesse mudar a sua vida e o modo como as pessoas o viam. Sempre foi tachado de encrenqueiro e estourado, mas a partir do grande ato, começou a se achar um ser humano muito importante e especial.

Antes andava cabisbaixo e de cenho franzido pelas ruas, estava sempre em alerta, de mau-humor. Evitava o olhar das pessoas, porque achava que elas estavam sempre o julgando mal. E ele realmente não primava pelo bom comportamento. Fazia questão de dar o pior de si.

Agora se dirigia as pessoas com segurança e simpatia, crente de sua posição privilegiada entre os outros meros seres humanos, que não haviam passado por aquela experiência.

Achava que os outros o olhavam com inveja, respeito, admiração; diferente do olhar de horror e desprezo que tinha certeza que lhe dirigiam antes.

Cumprimentava a todos cheio de sorrisos, sabendo o quanto as pessoas deveriam achar que ele era o homem da vez, o grande cidadão entre eles. Ele não podia mais se considerar uma pessoa comum.

Mas aí de alguém se não o reconhecesse ou parecesse não saber do seu grande feito. Ficava irritado com tal ignorância, fazia questão de contar quem era.

― Você percebeu que eu sumi há alguns meses atrás?

― Não, sim, claro que sim. A vida anda tão corrida.

― Estava no hospital.

― Não diga!

― Foi uma cirurgia.

A pessoa mesmo desinteressada, seja por educação ou falsidade, sentia-se impelida de perguntar exatamente o que ele queria que fosse perguntado. E ele esperava com impaciência pela pergunta.

― Que coisa horrível! Esteve doente?

Então a porta era aberta e ele se engrandecia de prazer.

― Que doente, que nada! Doei um rim a um amigo.

― Nossa!

― Não é legal? Ele precisou, ia morrer, não tive dúvidas.

― Legal mesmo.

― Você vê, não é para qualquer um.

― Não, não é.

O problema para todos não era só saber do tal ato grandioso, mas a insistência em não sair da berlinda. Querer ser sempre o assunto da vez, fez com ele passasse a ser persona non grata entre os conhecidos e desconhecidos.

Quando o avistavam, os comentários se iniciavam e não eram os melhores.

― Lá vem o maluco do rim.

― Ah! Não!

― Será que ele vai contar de novo sobre a cirurgia?

― Com certeza, você tem dúvidas?

― Será?

― E ele fala de outra coisa?

― Cara chato!

― Nem fale!

― Disfarça e vamos embora.

― Claro.

Entre todos, ficou conhecido como o chato do rim, o maluco do rim, o cara do rim. Mas ele não sabia de nada disso, descansava na devida paz da insipiência e daí tirava toda sua força.

Reinaldo, ao perceber que sua façanha ia caindo no esquecimento, como todos queriam, lutava com persistência para que os desmemoriados não levassem para o esquecimento sua força de vida. Voltar à situação anterior, de ser mais um na multidão, jamais! Seu empenho para se manter na berlinda não tinha fim, nem limites.

― Todos deveriam doar um rim, fazer isto por um amigo ou desconhecido, você não acha?

― Não sei, acho que sim.

― É lógico que não é para qualquer um, precisa ter coragem.

― É verdade.

A pessoa logo aprendia que era melhor concordar com Reinaldo, se não ele fazia um escarcéu e a conversa durava muito mais tempo. A agonia era maior.

― Ter dois rins não é necessário.

― …

― Passei bastante mal após a cirurgia, viu?

― Imagino.

― Mas me comportei bem, porque o que importava era o amigo a ser salvo.

A equipe médica do hospital é que não podia concordar com ele, ou esquecer o quanto trabalho ele deu. Quis fugir, gritou, agrediu, quebrou, chorou, reclamou e toda noite sua voz era ouvida pelos corredores:

― Por que eu fui me meter nisso? Eu nem gostava dele. Quero o meu rim de volta! Socorro! Quero ir embora!

Foi contido com medicações, com chamadas dos médicos e enfermeiras, mas a paz só se restabeleceu quando ele teve alta. O alívio foi geral.

Nem na descontração do bate-papo com os amigos, Reinaldo conseguia deixar de se referir ao fato que mudou a sua vida, tinha modos criativos e inusitados de tocar no assunto.

― Alguém viu o Tadeu?

― Quem é Tadeu?

― Que isso!

― Aquele meu amigo que tem meu rim.

― Ah! Tá!

― Ninguém viu, não.

― Queria saber como ele está, agora que teve uma segunda chance de vida.

― Deve estar bem.

Bem melhor que nós que temos que escutar esta merda de novo.

― Por que eu estou bem e feliz por ter feito isto por ele. Não é algo fácil.

Não é fácil nós termos que escutar isto mil vezes.

― É mesmo.

― Se todos pudessem fazer algo assim por alguém. Mas é preciso ter coragem…

― Seria bom mesmo.

― Saber que algo seu pode salvar alguém.

― Alguém peça mais bebida, por favor!

Um dos moços do grupo, um pouco mais alterado pela bebida, onde o álcool já rompeu os liames da censura e dos bons costumes responde a ele:

― Cara, ninguém mais aguenta você com esta história! O tal Tadeu deve fugir de você. Aposto que você joga isto na cara dele o tempo todo.

Reinaldo o olha indignado. O sangue explode por todo seu corpo. Ele se sente fora de si e enraivecido. Acha que não pode estar ouvindo aquilo.

― Olhe o que você está falando! Isto é inveja!

― Quantos anos você vai nos lembrar de que salvou o cara? O Tadeu já deve ter se arrependido de ter aceitado o maldito rim.

― Seu bando de putos invejosos! Vocês não podem ser comparados a alguém como eu!

Todos riem na mesa e ele se sente ridicularizado perante o grupo. Levanta revoltado.

― Se ele quiser devolver ele pode, Reinaldo?

Novos risos. Toda sua segurança se esvai e ele se sente pequeno e vulnerável. Uma onda de fúria toma todo seu ser, o bom moço dá lugar ao antigo encrenqueiro e estourado. Ele avança para o amigo.

A muito custo, o grupo consegue separar os dois. Desmazelado, sujo e de olhos saltados e vermelhos, ele se afasta do local. Dirige-se apressadamente à casa de Tadeu.

― Ele vai ter de ir comigo até aqueles filhos da puta e dizer o que fiz por ele. Vai sim!

Duas moças, que conversavam em frente a uma casa, veem quando ele entra na rua.

― Corre, Camila, entre para dentro, vem vindo aquele chato do Reinaldo.

― O cara do rim?

― Este mesmo.

― Vamos correr, então!

Ele passa por elas sem vê-las. O irmão de Tadeu o recebe.

― Tadeu está aí?

― Não, está lá no bar do Romão.

― O que ele faz no bar?

― Sei lá!

Que cara que ele está! Parece que escapei de ouvir sobre a cirurgia hoje.

Reinaldo caminha a passos pesados, suando de raiva, até o bar. Precisava urgentemente do amigo. O grupo ia acreditar em Tadeu se ele expressasse seu eterno agradecimento e eles voltariam a admirá-lo.

Quando entra no bar se depara com Tadeu bêbado e numa briga com outro cara, enquanto todos a sua volta nada faziam. Alguns assustados saíam correndo.

Mete-se decidido na briga e com vontade separa os dois. Protege Tadeu, mas reserva ao outro moço um soco bem dado no rosto.

Seguro em seus braços, Tadeu esbraveja:

― Fale de novo o que você falou, seu filho da puta!

Reinaldo arrasta com dificuldade o outro para fora do bar.

― Pare com isto, já chega!

― Aquele desgraçado me disse umas coisas…

― Não importa, agora acabou!

― Me larga, vou acabar com o cara!

― De jeito nenhum!

― Me larga, estou dizendo…

― Não vou deixar você beber e entrar em briga. Eu não permito isso.

Tadeu se solta dos braços de Reinaldo, empurra o outro com força e grita:

― Quem é você para me dizer o que fazer?

― Você não pode e não vai…

― Cala esta boca!

― Não deixarei…

― Eu posso fazer o que quiser da minha vida!

Reinaldo o acerta com um soco bem de leve, mas o suficiente para desequilibrar o outro e causar sua queda no chão. Ele grita com toda força:

― Você não pode fazer o que quiser, não com meu rim, NÃO COM MEU RIM, SEU DESGRAÇADO!

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54 comentários em “Parte de Mim (Cláudia Cristina Mauro)

  1. angst447
    4 de setembro de 2017

    Olá, xará, tudo bem? Resolvi ler o seu conto hoje e não é que gostei? Não cheguei a rir, mas achei a narrativa bem divertida. E tem os diálogos, coisa que eu adoro.
    Leitura ágil, sem entraves, com cores próprias. O cara chato do rim, nem desapegou do órgão, nem deixou de exaltar a própria bondade.
    Parabéns!
    PS.: Deveria ter passado para a segunda fase,viu?

    • Cláudia Cristina Mauro
      4 de setembro de 2017

      Olá, Cláudia! Estou bem. E você?
      Agradeço os comentários gentis.
      É difícil rir mesmo, tratando-se de uma questão tão delicada, por mais chato que seja o personagem. A possessão dele pelo órgão chega a dar pena. Fiquei até em dúvida se enviava esta história.

      Abraços de Cláudia para Cláudia.

  2. Cláudia Cristina Mauro
    3 de setembro de 2017

    Olisomar, bom saber que houve uma diversão na leitura, afinal o texto tem muitos aspectos dramáticos.
    Obrigada pelos comentários.
    Abraços. Cláudia.

  3. Cláudia Cristina Mauro
    3 de setembro de 2017

    Olisomar, bom saber que houve uma diversão na leitura, afinal o texto tem muitos aspectos dramáticos.
    Obrigada pelos comentários.
    Abraços. Cláudia.

  4. Amanda Gomez
    1 de setembro de 2017

    Olá, Cristina!

    Seu texto é irritantemente divertido! Creio que é um dos personagens mais pé no saco que tem nesse desafio! e isso é ótimo, acredito que foi exatamente a intenção do autor(a)

    Os diálogos são ótimos, e eu me estremecia junto aos outros personagens assim que Reinaldo dava o ar de sua graça, e imaginei rindo se era ruim assim pra eles, imagine pro cara que recebeu o rim! kk

    É um dos contos que não entendi muito bem porque não passou, será culpa da chatice do Reinaldo? Logo saberemos. O fato é que o texto é bom, ele vai nos guiando para um final esperado, eu estava curiosa pra conhecer o receptor do rim, e foi como imaginei, engraçado.

    Parabéns!

    • Cláudia Cristina Mauro
      3 de setembro de 2017

      Obrigada, Amanda. Gostei do questionamento sobre a chatice do Reinaldo. A chatice do personagem acabou me prejudicando. Abraços. Cláudia.

  5. Roselaine Hahn
    26 de agosto de 2017

    Caro autor, vou ter que dar no seu rim. Brincadeirinha, rsrs. Buenas, que mala esse Reinaldo hein? Vc conseguiu compor um personagem insuportável. Talvez por isso – o excesso de foco no texto às gabolices do doador -, saturou no sentido de ter apenas um objetivo na jornada do personagem narciso. Falando em jornada, e citando a técnica da escrita baseada na jornada do herói, observa-se que o protagonista seguiu linear em comportamento, do início ao fim, não houve uma mudança, um conflito maior para a sua transformação, mesmo que fosse às avessas, o que seria o ideal, ainda mais se tratando de comédia. Os diálogos são o ponto alto, bem construídos. Não percebi problemas gramaticais. Abçs.

    • Cláudia Cristina Mauro
      3 de setembro de 2017

      Obrigada, Roselaine. Bom saber que posso contar com seu rim. Esta sugestão de transformação em que sentido? Ele aprender com os erros? Trazer elementos mais cômicos ou outra coisa? Abraços.

  6. Ana Maria Monteiro
    22 de agosto de 2017

    Este é um conto que comento, não por obrigação, mas antes por prazer. Parabéns. Achei este conto muito imaginativo e adequado ao espírito do desafio. Talvez seja um pouquinho repetitivo lá pelo meio, mas foi com grande surpresa que verifiquei ter ficado na primeira fase. Pobre Reinaldo que não suportava a sensação dos seus cinco minutos de fama não se eternizarem. O regresso à sua tacanhez natural. Apanhei este pequeno erro: “Mas aí de alguém”, seria apenas “ai”, sem acento. Talvez a história resultasse melhor se fosse ligeiramente diminuída. Quanto ao resto, além do enredo, criatividade demonstrada e tom de comédia que já elogiei, a escrita vai muito bem e não encontro nada a apontar.

    • Cláudia Cristina Mauro
      3 de setembro de 2017

      Ana Maria, agradeço os elogios e as sugestões. Abraços.

  7. Ana Maria Monteiro
    22 de agosto de 2017

    Este é um conto que comento, não por obrigação, mas antes por prazer. Parabéns. Achei este conto muito imaginativo e adequado ao espírito do desafio. Talvez seja um pouquinho repetitivo lá pelo meio, mas foi com grande surpresa que verifiquei ter ficado na primeira fase. Pobre Reinaldo que não suportava a sensação dos seus cinco minutos de fama não se eternizarem. O regresso à sua tacanhez natural. Apanhei este pequeno erro: “Mas aí de alguém”, seria apenas “ai”, sem acento. Quanto ao resto, além da história que já elogiei, a escrita vai muito bem e não encontro nada a apontar.

  8. Fernando.
    21 de agosto de 2017

    Que gostoso seu conto, Dona Cristina Grimaldi. Ri muito do chato doador de rins. A história ficou bem legal, leve e o final é ótimo. Nada mais a dizer: narrativa fácil, leve, criativa… Parabéns. Grande abraço.

    • Cláudia Cristina Mauro
      3 de setembro de 2017

      Fernando, fico feliz que você se divertiu com o “chato do rim”. Ele causou bastante raiva também. Obrigada. Abraços.

  9. Catarina Cunha
    20 de agosto de 2017

    Nota 9,6

  10. Alex Alexandre da Rosa
    17 de agosto de 2017

    Olá autor(a)
    Bacana como começou o conto, despertou a curiosidade. legal a maneira como estereotipou a vaidade humana. poderia deixar de forma mais cômica. Parabens!

    • Cláudia Cristina Mauro
      3 de setembro de 2017

      Alex, agradeço seus comentários. Gostaria de saber a sua sugestão para ficar mais cômico. Abraços.

  11. Bia Machado
    17 de agosto de 2017

    Desenvolvimento da narrativa – 3/3 – Parabéns! No começo senti um clima a la Verissimo, daqueles contos para se ler na escola, rs. Gostei bastante do desenvolvimento do conto, conseguiu criar um clímax com humor, onde já se viu isso? Ainda não vi por aqui, ao menos, rs.
    Personagens – 3/3 – Ao mesmo tempo em que morri de rir do Reinaldo, também senti dó do coitado. O pior é que, não sei por que, mas o imaginei com as feições do JG, nosso colega aqui do EntreContos. Não me pergunte mesmo o porquê, mas ajudou mais ainda a transformar a coisa em algo ainda mais nonsense rs.
    Gosto – 1/1 – Não gostei não. Amei!
    Adequação ao tema – 1/1 – Totalmente adequado. Pela primeira vez me vi rindo em vários momentos, em alguns até escorrendo lágrima dos olhos (a parte do bar, kkkkk)!
    Revisão – 1/1 – Peguei duas bobeirinhas, “há alguns meses atrás”, ou você usa “há” ou “atrás”, pois o “há” já dá essa ideia. E o “entra pra dentro” na fala da personagem. Mas fiquei em dúvida se isso não faz parte da composição delas, pois são vícios de linguagem muito comuns, rs.
    Participação – 1/1 – Parabéns! E nem precisa me dar seu rim pelo meu 10. 😉

    Aviso quanto às notas dadas aqui em cada item: até a postagem da minha avaliação de todos os contos os valores podem ser mudados. Ao final, comparo um conto a outro

    lido para ver se é preciso aumentar ou diminuir um pouco a nota, se dois contos merecem mesmo a mesma nota ou não.

    • Cláudia Cristina Mauro
      3 de setembro de 2017

      Bia, bom receber seus elogios. Bom apontar as questões de português. Lemos, lemos, pede-se para outro ler e correção com o português nunca acaba. Os erros do personagens foram mesmo intencionais.
      Abraços.

  12. Davenir Viganon
    16 de agosto de 2017

    Pobre Reinaldo, só queria ser aceito e amado, mas é um chato e só se fode. É o tipo de personagem que eu gosto, pois nunca nos enxergamos nele, mas caso acordemos para a realidade vamos descobrir que todos temos um pouco (ou muito) de Reinaldo em si, mais do que somos capazes de admitir. Aliás o humor tem disso, rir do outro pelos defeitos, para puni-lo, enfim. As situações com várias pessoas diferentes falando, para resumir o que as pessoas conhecidas pensam dele foi muito bem sacado. O início foi um pouco estranho pois não se sabia o que ele havia feito. Umas pistas mais consistentes fariam esta parte ficar melhor. Fiquei feliz pelo conto não centrar-se no mistério: “O que que o Reinaldo fez?”, mas na construção do personagem e nas situações. Obrigado por trazer este conto até nós.
    P.s.: não entendi seu pseudônimo, nem o google me deu alguma luz.

    • Cláudia Cristina Mauro
      3 de setembro de 2017

      Davenir, agradeço seus comentários. Legal você perceber que o foco ficou na construção do personagem e nas situações.
      Foi intencional este começo estranho de não trazer o conflito logo de cara, para criar um suspense, para ver se o personagem prendia a atenção.
      O que não entendeu do pseudônimo?
      Abraços.

  13. Ricardo Gnecco Falco
    15 de agosto de 2017

    Olá autor(a)! Tudo bem?
    Estou aqui agora, logo após ter me deleitado com a leitura de sua obra, exercendo a função não mais de leitor, mas sim de julgador de seu texto. Por isso, para ser justo com você (e com os/as demais), darei notas para todos os trabalhos com base nos MESMOS quesitos, que estão listados abaixo. Desejo-lhe boa sorte do Desafio e lhe agradeço pela oportunidade de conhecer sua criação! Um forte abraço,
    Paz e Bem! 🙂

    —–

    1) Está BEM ESCRITO? (0/3) –> 2

    Sim, você fez um ótimo trabalho de escrita; parabéns! Achei perfeito o fato de ter optado pela 3ª pessoa, quando tudo indicava ser melhor, mais “normal”, mais “a ver” com o texto utilizar a 1ª. Ganhou pontos por conseguir causar a imersão do leitor na história, sem apelar para a narração em 1ª pessoa. Isto deu um equilíbrio bem legal no conto e o distanciamento necessário para a isenção da voz narrativa, que não faz nenhuma opção por lados ou toma partidos. Ou seja, você escreveu uma história intimista e com projeção leitorXtrama, e com o dificílimo “plus a mais” da ISENÇÃO narrativa. Ficou show de bola! 😉 Agora, claro, vamos aos (poucos) deslizes encontrados: “Agora se dirigia as pessoas com …” ; “Mas aí de alguém se não o reconhecesse …” ; “Se todos pudessem fazer algo assim por alguém.”, foram os principais. Mas, nada que atrapalhe demais ou desabone (além do 1 pontinho tirado) sua ótima escrita. Parabéns!

    2) A história é CRIATIVA? (0/3) –> 2

    Sim. A história e a forma com que a conta. De diferente, e visando um final mais impactante (como creio eu ser o mais importante em um conto), eu apenas deixaria a revelação sobre o que de fato o protagonista/antagonista fez de tão especial; ou seja, só revelaria a doação de um rim ao final do trabalho. Ou, ainda, poderia optar por um “ato de benevolência” que, na verdade, existisse apenas na mente do protagonista/antagonista; ou seja: algo do tipo “perdi pra ele no Fifa2017”, ou “deixei ele ficar com a minha namorada quando ele estava em depressão”, ou qualquer outra coisa que soasse, ao final, diferente do já esperado pelos leitores, para causar o famoso “efeito Ohh!!!”. 🙂 Mas, isso é pessoal… Parabéns!

    3) O humor é INTELIGENTE? (0/3) –> 2,5

    Sim, sem dúvida. Porém, o formato ainda ficou um pouco “quadrado”, sem arriscar muito (talvez com medo de forçar uma graça onde não fosse encontrada por outrem). Contudo, o maior mérito do texto foi criar um protagonista que, também, é o antagonista. Ou seja, um personagem híbrido. E, se isso não é sinal de inteligência, então não sei de mais nada… 😉

    4) Eu dei RISADA? (0/1) –> 0

    Noops… Ao final, podemos questionar se o texto representa realmente uma comédia, porém isso é tão pessoal e depende de tantos outros fatores que decidi deixar apenas um pontinho para este quesito. Mas, fiquei admirado com a forma com que esta história foi (bem!) contada. Parabéns!

    ——-
    6,5
    ——-
    OBS: Se as notas por mim expressas aqui somarem um valor DIFERENTE (para mais ou para menos) da que será, ao final de todas as leituras, postada no respectivo campo de avaliação geral do site (onde estarão listados todos os contos concorrentes deste grupo e suas respectivas notas finais, e que terão valor oficial), o fato se deverá, provavelmente, por eu ter mexido na nota previamente colocada aqui na avaliação inicial, com base na amplitude de conhecimento obtida após término de todas as leituras, podendo portanto ocorrer uma mudança de paradigma em meu padrão avaliativo inicial.

    • Cláudia Cristina Mauro
      3 de setembro de 2017

      Ricardo, gostei do modo que escolheu para fazer a sua crítica. Tive o texto desnudado de forma construtiva por você.
      Sei que o texto flerta fortemente com o drama.
      Obrigada.

  14. Luis Guilherme
    15 de agosto de 2017

    Noitee, tudo bão?

    Seu conto é divertido! Dei várias risadas. Puta cara mala!! hahaha

    Quem não conhece um Reinaldo na vida real, né? Enquanto lia, algumas pessoas passaram pela cabeça. Isso é legal, sinal que você conseguiu me ligar, como leitor, à historia. Parabéns!

    O conto é leve e rápido. O mais engraçado é a situação ridícula que o cara se mete. É divertido pq retrata bem algumas situações do dia a dia que todos passam.

    A escrita é segura e me pareceu sem erros aparentes gramaticais.

    Achei que careceu de um final à altura do restante. Achei o fim meio sem graça.
    Mas como o conto todo é legal, acaba compensando. Ainda assim, acho que você podia retrabalhar o final, pra dar um gostinho a mais. Fica com aquela impressão de “ah, acabou? e o final?”, sabe?

    Mas no todo, o salvo é bom! Gostei.

    Parabéns e boa sorte!

    • Cláudia Cristina Mauro
      3 de setembro de 2017

      Luís Guilherme, fico feliz que o mala tenha causado risadas.
      Conte-me, o que você esperava para o final? Tive que cortar umas passagens devido ao tamanho, talvez isto também tenha atrapalhado o final.
      Quando você se refere ao final, é a última passagem no bar, ou as últimas palavras?
      Obrigada.

  15. Wilson Barros Júnior
    15 de agosto de 2017

    O título foi muito feliz, um verdadeiro resumo para quem doa um órgão. Uma ideia boa para uma história, alguém que doa um rim e se arrepende amargamente, e tenta disfarçar através de outros sentimentos, que vão do orgulho à possessão. A linguagem simples, econômica, enxuta, a profusão de diálogos, bem como o inusitado da situação tornam o conto bem “lível”. O bar, os diálogos, tudo parece bem ao estilo Nelson Rodrigues, a vida como ela é. Sem dúvida, um estilo pouco praticado hoje, mas que já se tornou m clássico.

    • Cláudia Cristina Mauro
      3 de setembro de 2017

      Wilson, estou me sentindo lisonjeada pelo Nelson Rodrigues. Adoro suas peças! Legal ter gostado do título, deu trabalho não entregar a história no mesmo.
      Bom você ter percebido as características marcantes do personagem.
      Obrigada.

  16. Givago Domingues Thimoti
    15 de agosto de 2017

    Adequação ao tema proposto: Alto.
    Criatividade: Média.
    Emoção: O impacto foi mediano. Acho que poderia ter sido mais engraçado. Ainda assim o desfecho foi bom.
    Enredo: Bem desenvolvido, porém, achei meio fraco. Parece que o conto foi adaptado de uma piada (não estou duvidando da autoria do texto, que fique claro).
    Gramática: Não notei nenhum erro.

  17. Cilas Medi
    15 de agosto de 2017

    Olá Cristina,
    Um conto de terror. Sei que vou ser até censurado com o administrador do desafio, mas, por favor, não me leve a mal. Esse conto é uma das piores piadas que já li, isso porque o desafio era comédia. Se fosse terror, até poderia rir um pouco. Veja como são as coisas nesse mundo e o critério de cada um. O meu, é assim. Enfim…

  18. Catarina
    15 de agosto de 2017

    Humor negro de fácil deleite. Texto ágil e enxuto. Com personagem principal odiável, logo muito bem desenvolvido. O fim era previsto, poderia rolar uma surpresa. Achei um buraco não saber o porquê de Tadeu estar brigando, o que o ofendeu?

    Auge: “― Lá vem o maluco do rim.” – O cara já era mala sem alça, só que agora sem um rim.

    Sugestão:

    A briga de Tadeu poderia ser por causa do rim também e mostrar a personalidade do receptor do órgão.

    • Cláudia Cristina Mauro
      3 de setembro de 2017

      Catarina, obrigada pelos comentários.
      Havia mais história sobre o Tadeu, mas tive que cortar devido ao tamanho do texto. Bom saber saber que sentiu falta de mais participação do Tadeu. Ele acabou sendo uma participação especial, não?
      Vou rever a participação do Tadeu.
      Abraços.

  19. Elisa Ribeiro
    13 de agosto de 2017

    Olá Autor,

    Você construiu seu humor em torno de um personagem chato. O sujeito chato me soou bem consistente. Antes da metade do conto eu também não aguentava mais ele se vangloriando de sua boa ação.

    O suspense no começo da narrativa valorizou a narrativa e as falas soltas deram leveza ao texto. Notei uma alternância entre tempos passados e presente ao longo da narrativa que me incomodou um pouco. Minha sugestão é que reavalie essas escolhas em uma futura revisão.

    Impacto: Achei que a história tem um jeitão de piada e que poderia ser mais curta. De qualquer forma, como o sujeito era um chato, uma certa “enrolação” até que combinou.

    Parabéns pela participação!

    • Cláudia Cristina Mauro
      3 de setembro de 2017

      Elisa, vou levar em consideração as críticas.
      Obrigada.

  20. Jorge Santos
    13 de agosto de 2017

    Mais um conto onde a adequação ao tema “Comédia” é feito de uma forma subtil. Esta é a história de um homem que doa um rim e que fica furioso ao perceber que o homem a quem doou o estava a desperdiçar. No processo, ele torna-se um gabarolas o que o torna uma pessoa pouco popular. O conto segue uma estrutura linear, com principio meio e fim. No entanto, encontrar motivo para rir é mais complicado.

  21. Gustavokeno (@Gustavinyl)
    11 de agosto de 2017

    O conto é ligeiro. A história em si é bem cômica e me agradou. Porém, acho que alguns diálogos causaram confusão – pelo menos na minha leitura. E o final não fez jus à desenvoltura que a narrativa pedia.

    No entanto, autor(a), esses meus apontamentos não desabrilhantam o teu trabalho.

    Ele é muito bom.

    • Cláudia Cristina Mauro
      3 de setembro de 2017

      Obrigada Gustavo.
      Fica a dica para o final.

      Abraços.

  22. Pedro Luna
    11 de agosto de 2017

    Haha, achei divertido. A ideia é boa. Esse tipo de personalidade, que faz as coisas e fica se gabando, é profundamente real. Eu mesmo tive um amigo assim, que uma vez devolveu uma bolsa que encontrou com dois laptops e ficou um looooongo tempo falando disso direto. Dava no saco. Por isso gostei do personagem, ficou bem crível, tanto que me remeteu a alguém real.

    Outro ponto bem divertido são as reações dos amigos e conhecidos ao tal louco do rim, assim como os insights (cena real do hospital em contradição com a história que ele contava) inseridos no texto. Enfim, achei bem montado o conto. A divisão de cenas ficou boa.

    De problemas mesmo, só uma confusão com tempos verbais, que se alternam aqui e acolá, o que poderia ser sanado numa revisão.

    Enfim, texto ágil, simples e divertido. Bom conto.

    • Cláudia Cristina Mauro
      3 de setembro de 2017

      Pedro, vou rever o português.
      Legal compartilhar a história do seu amigo. Bom saber que o personagem parece alguém real. Este era um dos objetivos do texto e foi positivo saber, através do seu feedback, que isto foi atingido.
      Obrigada. Abraços.

  23. Pedro Paulo
    10 de agosto de 2017

    Nos dois primeiros parágrafos somos apresentados ao orgulhoso e contraditório Reinaldo. A contradição é colocada de forma muito boa, primeiro ao afirmar o orgulho pelo feito e depois mostrando como ele tentou fugir da situação. A seguir, é mantido um suspense a respeito do suposto heroísmo e vamos conhecendo mais o Reinaldo, vendo que ele é uma pessoa decididamente azeda e que se importa muito com o jeito que o veem, única motivação para sua boa ação.

    O mais engraçado do conto é ver a ascensão de Reinaldo como o “maluco do rim” – agora que sabemos do que se trata – e como sua ignorância do fato apenas contribui para seu apelido infame. É até triste ver que o homenzinho vaidoso não consegue enxergar para além de sua desilusão e, nesse aspecto, lembra o Michael Scott, de The Office (US). Outro personagem que se importa muito com a própria imagem e cujas aventuras e desventuras, embora cômicas, revelem certa tragédia sobre si mesmo. É esse o ponto forte desse conto, reforçado no sofrimento geral à mera vista de Reinaldo.

    No entanto, é no esperado confronto com a verdade que o conto perde um tanto. No embate com um amigo bêbado, Reinaldo perde o controle e o seu mundo despenca, o que era de se esperar de um indivíduo tão ancorado em uma imagem mentirosa de si mesmo. A progressão do seu desespero é notável e fiquei na expectativa de para onde aquela ira o levaria. Ela o leva até Tadeu, o encontro dos dois é no meio de uma briga e no início ele até parece um bom amigo, algo que facilmente se desmancha quando ele ataca o amigo e o avisa que ele não faria nada com o seu rim. Embora seja engraçado o absurdo dos direitos privilegiados que Reinaldo acha ter, acho que encerra o conto abruptamente. A comédia é construída em surpresas e a resposta de Reinaldo realmente choca, mas não serve para finalizar a história. A trama começa com Reinaldo de um modo e o que me peguei ansiando para ver foi como ele acabaria, o que não acontece.

    • Cláudia Cristina Mauro
      3 de setembro de 2017

      Pedro, seus elogios e críticas são muito consistentes.
      Gostei do modo como analisou o personagem e sua situação. Você percebeu muito do que eu tive a intenção de mostrar. Ter atingido isto é algo positivo para mim.
      Quanto ao final, preciso de sua ajuda, que você aprofunde mais isto. Você esperava um final mais existencial, punitivo, ou…? O que você gostaria que tivesse acontecido com Reinaldo? O que você esperava do embate com o amigo bêbado?
      Conto com a sua visão, mas não vá esperando que eu lhe doe um rim.

      Obrigada.

      Abraços.

  24. Gustavo Araujo
    8 de agosto de 2017

    Achei o conto bem criativo. Essa ideia de usar um doador de rim, um cara mega-chato que precisa ficar se reafirmando o tempo todo, e transformar isso numa história é sem dúvida um ato de boa imaginação. A narrativa tem boas passagens, sobretudo nos diálogos, mas em certas partes se mostra um pouco arrastada, dadas as repetições de argumento. A cena final dá uma levantada no humor, mas o arremate é um tanto previsível. Não é um conto que encha os olhos ou que provoque risos incontidos. É verdade que a história, além de criativa, é simpática, mas a execução, a meu ver, ganharia bastante se fosse eliminada a gordura desnecessária. Enfim, um conto com altos e baixos, mas que no geral deixa uma boa impressão.

    • Cláudia Cristina Mauro
      3 de setembro de 2017

      Gustavo, a função da repetição de argumento era explorar a chatice do personagem, mostrar sua insistência em se manter na berlinda. Eu sabia dos riscos da repetição. Fica a dica para construir esta chatice de outro modo.
      Como você fala de gordura desnecessária e não passa uma dieta? Rsss…
      Vamos a ela! O que você acha que precisa ser enxugado? Muita descrição, diálogos, pensamentos, explicações desnecessárias, passagens longas?
      Esta eliminação pode ser feita apenas com dieta, ou é mais grave, cirúrgico?
      O arremate previsível está na passagem final (briga no bar), nas últimas palavras ou no decorrer de todo texto? Favor aprofundar ou não entrará na lista pelo meu rim!
      Agradeço quanto a boa impressão geral do texto, a criatividade e a simpatia da história.

      Abraços.

  25. Brian Oliveira Lancaster
    8 de agosto de 2017

    JACU (Jeito, Adequação, Carisma, Unidade)
    J: Um texto que tem uma reviravolta interessantíssima, mas que, infelizmente, demora muito para chegar até lá, tomando novos rumos na conclusão. O suspense se mantém, e os diálogos em pensamentos foram a melhor parte – poderia haver mais deles. – 7,5
    A: Acho que o texto se alongou demais. Se ao encontrar o receptor do rim acontecesse outra coisa fora do comum e não uma simples briga, o impacto seria melhor, pois toda a construção leva até esse ato, mas decepciona um pouco pelo final “normal”. De repente ele poderia descobrir que doou “outra coisa”. Seria uma surpresa e tanto. – 7,0
    C: A introdução é excelente, pois deixa o leitor curioso. A descoberta no desenvolvimento também, junto com as reações. Apenas o final merecia uma atenção melhor. – 8,0
    U: A escrita flui bem, sem entraves. Não tem grandes floreios, mas é eficiente em transmitir as emoções, principalmente nos itálicos (invista neles!). – 9,0
    [7,8]

    • Cláudia Cristina Mauro
      3 de setembro de 2017

      Brian, legal toda a sua percepção. Bom saber que eu atingi o que eu queria com a introdução.
      Gosto mesmo de usar o itálico, se você percebeu como uma força positiva no texto, manterei isto.
      Se você achou que demorou a chegar lá, tenho que repensar, pois fiz cortes, então havia ainda mais história.
      Olharei este final.

      Obrigada.

      Abraços. Cláudia.

  26. Fheluany Nogueira
    6 de agosto de 2017

    Uma comédia de personagem, quase um stand up: Reinaldo representa a característica humana da “carência afetiva” ou do “querer aparecer”, que, pelo excesso se torna ridículo. Ao invés de conseguir amigos, afasta-os.

    A ideia foi muito boa, o texto está bem escrito, sem entraves na leitura, organizado e linear. Os diálogos são verossímeis. Incomodou um pouco a variação injustificada do uso dos tempos verbais, ora pretérito, ora presente, nada que prejudique a fluidez. Para fazer rir é necessário um ritmo especial que não é dominado por todos, mas uma característica reconhecida da comédia é que é uma diversão pessoal.

    Parabéns pela participação. Abraços.

    • Cláudia Cristina Mauro
      3 de setembro de 2017

      Fheluany, agradeço os elogios e o toque quanto ao português.

      Abraços. Cláudia.

  27. Bruna Francielle
    6 de agosto de 2017

    tema: adequado, apesar de estar um tanto abaixo de uma comédia mediana

    Pontos fortes: Gostei do mote do conto, a pessoa que doou um rim e acha que todos tem que idolatrar ele, doou mais pelos outros, considerando mais o que os outros pensariam, do que por qualquer outro motivo. Fez por terceiros, nem foi por ele nem pelo Tadeu. E daí, realmente não é legal. Se ele tivesse feito por ele ou pelo Tadeu, não teria terminado frustrado. Um bom conto para se pensar nisso.

    Pontos fracos: Sinceramente, o final não teve muito a ver com o resto do texto. A questão dos amigos no bar não foi resolvida, deixando essa ponta solta. O Tadeu era um coadjuvante, apesar de ser a pessoa que recebeu o rim, o conto não girou sobre ele, e apareceu só no final numa cena nada a ver com o resto. Não combinou. Se durante o conto o protagonista tivesse tentado mandar mais no Tadeu, mas não, foi muito de supetão, encerrou com uma situação completamente nova no conto, e deixou as anteriores sem encerramento.

  28. Antonio Stegues Batista
    5 de agosto de 2017

    A história de Reinaldo que doou um rim e se vangloriava por isso, tanto que ficou chato e até a metade do texto foi isso, sem nenhuma piada ou situação engraçada e o final ficou sem nenhuma surpresa, nada diferente que me fizesse rir. Infelizmente faltou situações cômicas neste texto. Achei uma comédia muito fraca.

  29. Eduardo Selga
    5 de agosto de 2017

    O ridículo humano é prato cheio para a comédia. Aliás, o gênero se formou contrapondo-se aos gêneros que idealizavam o homem sendo maior do que de fato é, como o faziam as grandes narrativas epopeicas, em que havia um herói abençoado pelos deuses.

    A comédia, não. Ela é o homem ao rés do chão, sem deuses que o embalem.

    Pois no presente conto, o ridículo foi bem utilizado, por meio da hipocrisia, elemento que, a depender do modo como for usado, se filia ao primeiro. O ridículo está no personagem narcisista ao extremo, que exerce, inclusive, uma função didática: por meio dele percebemos mais facilmente o quão despropositadas se mostram as atitudes egoísticas disfarçadas de altruísmo que testemunhamos no cotidiano (portanto, hipócritas), mas que, curiosamente, nem sempre conseguimos percebê-las deletérias. Nesse sentido, a ficção nos ajuda a enxergar a realidade.

    O efeito humorístico se instala precisamente quando desnudamos o ridículo da hipocrisia, na medida em que estamos distanciados da situação. Inseridas nela, nem sempre nos damos conta.

    Outro recurso da comédia que foi bem utilizado é a repetição, de tal modo que funciona como um bordão o fato de o personagem forçar que outros o elogiem, usando mais ou menos as mesmas frases. É interessante observar isso, porque noutros gêneros, a repetição de cena, quase ipsis litteris, é um defeito, mas não na comédia, a depender do uso.

    Há alguns escorregões de construção e de gramática. Em “[…] com tal ato tão altruísta […]” há uma aliteração sem efeito estético, com a repetição da consoante “T”; em “agora se dirigia as pessoas com segurança e simpatia […]” deveria estar sinalizada a CRASE; em “mas aí de alguém […] deveria ser AI ao invés de AÍ.

    O principal problema nesse aspecto, porém, foi o uso de algumas orações em itálico, cuja função, para mim, ficou totalmente obscura e que contribuiu muito para prejudicar a coerência textual.

    • Ana Maria Monteiro
      2 de setembro de 2017

      Pelo que percebi, Eduardo, o itálico representa os pensamentos das pessoas, incluindo, talvez, até o nosso. Para mim, fez todo o sentido.

      • Cláudia Cristina Mauro
        3 de setembro de 2017

        Obrigada Ana por você ter percebido a função do itálico. Beijos.

    • Cláudia Cristina Mauro
      3 de setembro de 2017

      Eduardo, gostei da sua visão do que é uma comédia.
      Sua reflexão sobre “atitudes egoístas” disfarçadas em atos heroicos, foi positiva.
      Fiquei feliz por você ter percebido a função da repetição de cena.
      O uso de itálico é o pensamento dos outros personagens.
      Vou rever o português.
      Obrigada.

      Abraços.

  30. werneck2017
    5 de agosto de 2017

    Olá,

    Quanto à gramática e erros afins, há alguns como:
    dirigia as pessoas (falta de crase)
    Mas aí (ai)
    Quanto ao enredo, eu acho que a premissa foi boa, mas o autor poderia ter explorado mais o humor em mais situações, perdendo um pouco da emoção e do impacto que poderia ter causado no leitor. O conflito foi sendo mostrado aos poucos, num crescendo até atingir o desfecho final.
    Quanto à adequação ao gênero, eu acredito que o texto traz elementos do humor , adequado à comédia.
    Quanto à criatividade, achei o tema muito bem pensado, inusitado, mantendo a forma em prosa tradicional.
    Minha nota é 7,7.

    • Cláudia Cristina Mauro
      3 de setembro de 2017

      Olá, Werneck!
      Obrigada pelos comentários.
      Abraços.

  31. Olisomar Pires
    5 de agosto de 2017

    Bem, o início é meio truncado. O leitor-eu fica meio perdido, no decorrer do texto a coisa se explica e começa a diversão.

    Uma idéia divertida sobre alguém que se julga melhor que os outros por um ato de suposta benevolência.

    Fiquei com pena do “Reinaldo”, não ter nada na vida, exceto o rim que doou a outro, o rim que não era dele era seu bem mais precioso (essa frase cabia no conto, hein?)

    A dialogação é boa, pois se dá com anônimos, não causa confusão.

    O estilo da escrita é decisão do autor, logo não me intrometo nessas questões. O texto opta por uma linha popular e sai-se bem.

    A parte final do conto é muita boa, com Reinaldo se julgando proprietário da vida do Tadeu.

    Texto divertido.

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Publicado às 5 de agosto de 2017 por em Comédia - Grupo 1 e marcado .