EntreContos

Literatura que desafia.

O encontro dos sogros (Zeca Bandeira de Mello)

A ideia era apresentar os pais de João Carlos aos de Luciana, afinal os meninos iriam ficar noivos e os velhos não se conheciam. Por isso marcaram esse jantar em um restaurante de Ipanema. Muito embora os pais de Lú não fossem dos mais simpáticos, a noite estaria salva certamente pela alegria de Seu Orlando. Orlando era a comédia em forma de gente. Mesmo sem querer, monopolizava qualquer encontro com seus comentários bem humorados e suas anedotas de papagaio.

– Controle-se hoje, Orlando. O dia é especial – observou Magda, sua esposa, assim que saíram de casa.

A menina foi com eles…

– Deixa, tia… Deixa o tio Orlando falar o que bem quiser. Meus pais precisam desse bom humor…

– Vou me controlar hoje, hein Lú?- respondeu Orlando piscando os olhos para a futura nora.

E todos riram já antevendo a noite.

Quando chegaram ao restaurante, Dr. Moraes Rego e D. Cecília, os pais de Luciana, já ocupavam a mesa. Cumprimentaram-lhes e se sentaram do lado oposto.

Só que Orlando exagerou… Já tinham terminado o couvert e ele não havia dito uma só palavra desde que chegou. Quem mais falou foi Magda e Dr. Moraes, o pai de Lú. Nem mesmo quando o garçom perguntou o que ele iria beber, Orlando abriu a boca… Simplesmente apontou para um copo de vinho na mesa.

Constrangido, Moraes tentou quebrar o gelo.

– Luciana me disse que você é médico, Orlando…

E Orlando afirmou com a cabeça.

Todos se entreolharam. O que estava acontecendo com Orlando, afinal?

E Lú tentou fazer uma introdução…

– Pai, se prepara… Quando o tio Orlando começa a contar piadas não para mais.

– É mesmo? Então eu vou começar – disparou Moraes tentando ser agradável.

Mas o pai da menina era péssimo em piadas.  Por várias vezes pediu o auxilio de Cecília ao seu lado, que disse não se lembrar de nada.

Quando terminou, todos riram por educação. Somente Orlando ficou sério, mexendo na taça de vinho.

– Orlando, você está bem? – cochichou-lhe Magda.

Orlando balançou afirmativamente a cabeça e continuou bebendo.

– O senhor é advogado, Dr. Moraes? – perguntou Magda para compensar a antipatia do marido.

  – Sim, tenho um escritório no Centro. Atuamos em diversas áreas do Direito… Onde é seu consultório, Orlando?

Orlando apontou para o tampo da mesa…

E João Carlos emendou…

– Aqui, em Ipanema, Dr. Moraes.

Ficaram em silêncio por um minuto, um olhando para a cara do outro. Os olhinhos de Luciana marejaram e João pensou em chamar o pai para acompanhá-lo ao banheiro.

– Bem, vamos fazer os pedidos? – disse Cecília, mãe de Luciana, com a fala bem mansa.

– Sim, vamos… – respondeu Orlando, quebrando o gelo.

Todos gostaram de ouvir a voz do pai de João. E Orlando complementou…

– Tem muita gente aqui querendo fazer pedidos como se tivessem respeitado os compromissos passados!

Ninguém entendeu nada…

– Orlando, por favor… – replicou Cecília.

E todos olharam para Cecília.

– Engraçado estarmos aqui em Ipanema, não, Cecília? – emendou Orlando, encarando a mãe de Lú.

– Orlando, o que é isso?? – perguntou Magda espantada.

Cecília riu com desprezo.

– Sim, isso mesmo… Ria, Cecília – continuou Orlando com a voz nervosa. – É só o que você pode fazer…

– Deixe de ser ridículo, Orlando – interrompeu Cecília.

– Sim, sou ridículo… Sou ridículo por ter acreditado em você.

– Papai!!!

– Mãe!! Vocês se conhecem????- perguntou Luciana.

– Você me conhece, Cecília? Vai, responda a ela!

– Orlando, você estava muito mal naquela época…

– Mal? Eu? Eu estava ótimo, Cecília…

– Estava nada, Orlando…

– Pare com isso, Cecília! – disse Moraes com autoridade. – Do que estão falando afinal?

– Você não aguentava mais o seu pai, Cecília, por isso pensou em se matar…

– O que é isso, mãe????!!!

– Você é muito pobre de espírito, Orlando. Você devia ter percebido que eu precisava de apoio depois de perder a virgindade… E não de alguém que quisesse morrer comigo.

– Orlando???!!!!! – espantou-se Magda.

– Você nunca ouviu a expressão “morrer por paixão?” Eu estava entregue a você, Cecília. Por isso quis morrer com você…

– Éramos dois adolescentes, Orlando. Vivíamos num mundo de tabus…

– Mas eu acreditei em você!!

– Mas por que não morreram então? – perguntou Moraes com ar moderado, tentando ser o árbitro.

– Porque ela não foi ao meu encontro no Arpoador…

– No Arpoador? – questionou Magda.

– Sim, íamos nos jogar das pedras do Arpoador… De mãos dadas e os pulsos cortados – respondeu Cecília.

– Mas a senhora chegou a combinar, D. Cecília? – questionou João.

– Sim, filho – antecipou-se, Orlando. – Combinou tudo direitinho… Dia, hora… Seria ao cair do sol e com a faca de churrasco do pai… Lembro-me bem!

– Dr. Aquiles sempre teve facas lindas…

– E o senhor foi, tio Orlando?  – interessou-se Luciana.

– Claro que sim, Lú. Alguém aqui já me viu faltar a um compromisso?

– Isso é verdade.  – completou Magda.

– Gente, eu não quis me matar, só isso!!!

– Então não combinasse nada, Cecília – interveio o marido – Compromisso é compromisso… Se você combinou tinha que ter ido. Agora estou compreendo a revolta do Orlando…

– Mãe, isso não se faz… Não tem como aprovar o seu comportamento – observou Luciana.

Imediatamente abaixaram a cabeça…

– Bem gente, eu não sei o que dizer… – continuou Cecília constrangida.

E todos a encararam.

– Bem, Orlando, eu fiquei com medo, confesso. Sim, eu fraquejei. Tínhamos 13 anos… Nunca mais nos vimos, pensei até que você tivesse se jogado sozinho. (Magda fez um sinal da cruz) Confesso que tremi há pouco quando te vi vivo, entrando no restaurante… Sei o quanto você queria morrer comigo…

Orlando abriu um pequeno sorriso de deboche. Percebendo isso, Moraes tomou a iniciativa.

– Cecília, meu amor. Acho que você está devendo um pedido de desculpas ao Orlando.

Todos olharam para Cecília novamente. A senhora abaixou a cabeça e não teve alternativa. Levantou-se, rodou a mesa e levantou Orlando pelos braços. Este, muito amuado, virou-se para ela e aceitou o abraço. Todos bateram palmas e as mulheres ficaram com lágrimas nos olhos.

– Desculpe-me, Orlando, por não ter ido me matar com você – pediu Cecília, baixinho.

– Tudo bem, Cecília… Somos hoje dois adultos, temos outras vidas… Vamos passar uma borracha nisso.

E fizeram os pedidos. E rolou muito vinho, muitas piadas de papagaio e muitas observações bem humoradas que só Orlando sabia fazer. A noite foi longa… No final, com todos vermelhos e sem ar de tanto rir, combinaram uma praia para o dia seguinte.

– Ótima ideia – exclamou Orlando. E onde pode ser?

– Por mim, pode ser no Arpoador – emendou Cecília.

                            …

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30 comentários em “O encontro dos sogros (Zeca Bandeira de Mello)

  1. Priscila Pereira
    30 de agosto de 2017

    Oi Alberto,
    Eu gostei bastante do seu conto!! Achei bem inteligente e divertido, essa cena na vida real ia ser constrangedora, mas muito engraçada!! Gostei dos diálogos, ficaram bem reais e leves. Ótimo conto, parabéns!!!

  2. Amanda Gomez
    29 de agosto de 2017

    Oi, Alberto!

    Estou cá, lendo os contos dos que ficaram para trás ( assim como eu) e digo que gostei do seu conto, é divertido e inusitado. Fiquei curiosa para saber o porquê do silêncio de Orlando, estava esperando assim como os outros um jantar engraçado e constrangedor ao mesmo tempo.

    A resolução inusitada e o comportamento dos outros personagens casaram bem com o foco da história!

    Bem, é isso, parabéns!

  3. iolandinhapinheiro
    29 de agosto de 2017

    Olá, autor. Achei uma pena você não ter passado para a segunda fase. Seu conto é muito bem escrito, a história é super criativa, e o domínio que você tem em escrever diálogos convincentes é invejável. Os personagens são bem desenhados, embora eu ache que a quantidade faz com que os diálogos se misturem um pouco em minha cabeça e eu fique sem ter certeza de quem está falando. Mas isso é culpa minha, que sou distraída em excesso. Em resumo, um conto muito bom com um humor irônico e elegante. Abraços.

  4. Roselaine Hahn
    26 de agosto de 2017

    Caro autor, o início do seu conto prometia uma grande comédia, já tinha pego a pipoca para me deliciar com as piadas do seu Orlando. Só que o texto enveredou para outro caminho, daí a coisa ficou séria, rsrs. A ideia do enredo é boa, o reencontro dos jovens apaixonados. Porém o excesso de personagens, embaralhou as ideias nos diálogos. Quem era marido de quem? Demorei um pouco a entender. Também no início, quando a menina chamou a sogra de tia, eu fiquei confusa, aqui na minha terra ninguém chama sogra de tia; jararaca até pode ser, rsrs. Na frase “Bem, vamos fazer os pedidos? – disse Cecília, mãe de Luciana, com a fala bem mansa”. No desenrolar do imbróglio entendi que Cecília era a jovem que sacaneou o Orlando, então acho que ao menos ela também deveria ter tido atitudes suspeitas na mesa, ao reconhecê-lo, e não ter ficado calma. Não percebi problemas gramaticais, de toda a forma a escrita fluiu, vc. conseguiu conduzir a história até o final feliz. Fiquei com gostinho de quero mais, pois queria ter lido uma das piadas engraçadas do seu Orlando. Abçs.

  5. Fernando.
    21 de agosto de 2017

    Ufa que se safou por pouco. A tragédia que se configurava desde o meio do conto e que foi crescendo até se tornar um suspense a me trazer alta tensão, foi quebrada ao final com essa escolha do Arpoador. Mesmo assim senti que o conto ficou mais pesado do que o que se espera para um desafio de comédias. Uma bela de uma história, mas que custou demais a trazer o riso e esse foi pequeno. Acho que é isto, faltou mais comédia na quase tragédia, mas aqui se trata só de uma mera opinião de quem muito pouco entende dessas coisas de se fazer rir, então, por favor, não me leve a sério, amigo. Grande abraço.

  6. Catarina Cunha
    20 de agosto de 2017

    Nota 9,7

  7. Alex Alexandre da Rosa
    17 de agosto de 2017

    Olá autor.
    Muito bom o texto. Diálogos bem feitos. confesso que esperava mais humor, principalmente por parte de Orlando. rs

  8. Bia Machado
    17 de agosto de 2017

    Desenvolvimento da narrativa – 3/3 – É um conto divertido, um humor negro que pra mim foi bem dosado, sem exageros. Eu me peguei rindo dessa situação, haha! Só achei o final meio sem graça, em relação ao restante que veio antes. Ok, a graça veio antes, rs.
    Personagens – 3/3 – Gostei, essas personagens também me soaram saídas de um conto do Verissimo. Só achei que o filho do Orlando e da Magda ficou apagadinho diante dos outros.
    Gosto – 1/1 – Gostei, sim. É um tipo de humor que eu curto, rs.
    Adequação ao tema – 1/1 – Pra mim está muito bem adequado.
    Revisão – 1/1 – Que eu me lembre, nada de mais. Se tinha algo, realmente não percebi!
    Participação – 1/1 – Obrigada por ter enviado o conto, adorei a leitura.

    Aviso quanto às notas dadas aqui em cada item: até a postagem da minha avaliação de todos os contos os valores podem ser mudados. Ao final, comparo um conto a outro lido para ver se é preciso aumentar ou diminuir um pouco a nota, se dois contos merecem mesmo a mesma nota ou não.

  9. Davenir Viganon
    16 de agosto de 2017

    Não vejo como um texto de comédia, mas como um texto de drama que se encaixa no tema comédia. Digo isso pois não vi nenhuma tentativa do autor de fazer rir ou de ser cômico. Eu gostei do conto e se levarmos encontra que o desafio é sobre o tema comédia e não sobre o gênero comédia, diria que está dentro do tema e o que temos é uma tentativa de sair da caixinha. Dito isso, eu gostei do conto, acho uma boa estória e o desenrolar do jantar foi bem feito com um final bonito.

  10. Pedro Luna
    16 de agosto de 2017

    “”Percebendo isso, Moraes tomou a iniciativa.

    – Cecília, meu amor. Acho que você está devendo um pedido de desculpas ao Orlando.”

    Hahaha.

    Então, esse conto tem altos e baixos, mas acho que no fim o saldo foi positivo.

    A situação é bizarra e isso conta pontos positivos. Bela criatividade. O humor negro utilizado na conversa, explorando um tema tão pesado como suicídio foi perfeitamente usado. Gostei bastante. Além de ser totalmente inesperado. Quando a explicação pro silêncio de Orlando aparece, a surpresa é geral.

    O único ponto fraco está na estrutura. No começo, eu estava pensando em elogiar o escritor por ter destreza em trazer tantas pessoas falando ao mesmo tempo e não soar confuso. Mas do meio para o fim do conto, infelizmente isso acontece. O leitor precisa dobrar a atenção para não se perder e confundir quem está falando, e apesar de não ser o fim do mundo, acho que um conto simples e direto como esse pediria um maior esmero nesses detalhes do diálogo. Para não ficar enfadonho nem pesado.

    Mas enfim, com o término da leitura, fiquei satisfeito. Bom conto.

  11. Luis Guilherme
    15 de agosto de 2017

    Boa noiteee. tudo bao por ai?

    O conto, ao meu ver, conta com o absurdo como técnica de humor. Quer dizer, o mais legal é que as famílias ignoram o quanto aquilo é bizarro e se entretém na história, tomando, mesmo, partido.. hahaha, legal!

    O desfecho não chegou a ser uma surpresa. A princípio, achei realmente que o pai estivesse quieto devido à promessa que fez à esposa. Porém, em determinado momento, fiquei com a desconfiança de que, na vdd, tinha a ver com um dos sogros. Então, não cheguei a me surpreender.

    Apesar do tom bem humorado da situação, achei o conto um pouco sem graça. Não sei, o clima ficou meio pesado demais pra uma comédia, achei, rsrs.

    O final também não tem o tempero que eu esperava.

    A escrita é boa, assim como a construção do diiálogo.

    Enfim, um conto legal, baseado numa situação ridícula do cotidiano, mas que deixou a desejar um pouco no quesito humor, a meu ver.

    Parabéns e boa sorte!

  12. Wilson Barros Júnior
    15 de agosto de 2017

    O começo é instigante, vamos ver se a continuação fará jus. Bom, terminei. Gostei do estilo Luís Fernando Veríssimo. Aliás, poderia perfeitamente ter sido escrito pelo humorista gaúcho. Não há reparo em nada, na linguagem, nos diálogos insólitos, na história, está tudo no seu devido lugar. Na verdade, parece o caso da “fanfic” que supera o mestre, aqui não há aqueles exageros, que às vezes parecem meio tolos, de Veríssimo. Só um comentário: é uma questão de estilo, eu juro que pensei que o Orlando e a Cecília tinham combinado tudo e fosse a piada da noite, tipo uma “pegadinha”, claro que de um humor um tanto quanto peculiar. Mas valeu, gostei muito da leitura.

  13. Cilas Medi
    15 de agosto de 2017

    Olá Alberto,
    Bem humorados = bem-humorados.
    Cumprimentaram-lhes = Cumprimentaram lhes.
    Auxilio = auxílio.
    Pois é, não é? Um conto de comédia é falar sobre possível desgraça e finalizar dizendo que a noite foi agradável, cheia de piadas que ninguém leu ou escutou. E caímos todos na gargalhada, constrangidos, porque não é um conto de comédia, da vida pública ou privada. Não atendeu e entendeu nada sobre e do desafio.

  14. Gustavokeno (@Gustavinyl)
    15 de agosto de 2017

    Alberto,

    conto muito bem orquestrado. Lembrou-me, pelo menos no início, Nelson Rodrigues. E isso é um grande elogio.

    Acho, e isso é meramente a minha opinião, que você poderia ter caprichado um pouco mais nos diálogos. Eles estão bons, claro; mas poderiam ter sido mais elaborados.

    De resto, gostei bastante.

    Parabéns

  15. Catarina Cunha
    15 de agosto de 2017

    Comédia muito gostosa. Coisas do Rio. Orlando realmente é um ótimo personagem. Os diálogos são rápidos e o (a) autor (a) não fez uso da piada pronta.

    Auge: “– Então não combinasse nada, Cecília – interveio o marido – Compromisso é compromisso… Se você combinou tinha que ter ido. Agora estou compreendo a revolta do Orlando…” – Aqui eu ri muito. O humor ferino de um advogado.

    Sugestão:

    Poderia explorar mais o absurdo da situação.

  16. Ricardo Gnecco Falco
    15 de agosto de 2017

    Olá autor(a)! Tudo bem?
    Estou aqui agora, logo após ter me deleitado com a leitura de sua obra, exercendo a função não mais de leitor, mas sim de julgador de seu texto. Por isso, para ser justo com você (e com os/as demais), darei notas para todos os trabalhos com base nos MESMOS quesitos, que estão listados abaixo. Desejo-lhe boa sorte do Desafio e lhe agradeço pela oportunidade de conhecer sua criação! Um forte abraço,
    Paz e Bem! 🙂

    —–

    1) Está BEM ESCRITO? (0/3) –> 2,5

    Sim, o texto está muito bem escrito. Com timing perfeito e causando uma tensão crescente no leitor, que avança com pressa e interesse para buscar encontrar a chave do enigma para compreender o que se passa na cena. Parabéns!

    2) A história é CRIATIVA? (0/3) –> 2,5

    Sim, achei bastante criativa. Só não leva a nota máxima por ter se baseado exclusivamente no esdrúxulo de uma situação insólita que, mesmo assim, foi muito bem aproveitada como mote da história.

    3) O humor é INTELIGENTE? (0/3) –> 1,5

    Mediano, pois faltou a “explicação” (se é que ela poderia mesmo existir…) para o incomum ser considerado comum/natural dentro da ‘realidade’ da história e personagens.

    4) Eu dei RISADA? (0/1) –> 0

    Infelizmente, não… Mas, fiquei bastante curioso para descobrir o que seria explicado ao final.

    ——-
    6,5
    ——-
    OBS: Se as notas por mim expressas aqui somarem um valor DIFERENTE (para mais ou para menos) da que será, ao final de todas as leituras, postada no respectivo campo de avaliação geral do site (onde estarão listados todos os contos concorrentes deste grupo e suas respectivas notas finais, e que terão valor oficial), o fato se deverá, provavelmente, por eu ter mexido na nota previamente colocada aqui na avaliação inicial, com base na amplitude de conhecimento obtida após término de todas as leituras, podendo portanto ocorrer uma mudança de paradigma em meu padrão avaliativo inicial.

  17. Pedro Paulo
    14 de agosto de 2017

    A escrita é hábil em nos informar o cenário e as personagens que centralizarão a trama, colocando o suficiente sobre cada uma para criarmos uma expectativa a respeito da dinâmica que o encontro entre sogros terá. Portanto, quando os sogros enfim se encontram e a situação vai seguindo diferente do que o(a) autor(a) fez parecer, a expectativa cresce, pois agora tentamos entender o que há de errado.

    Quando enfim se descobre o motivo do silêncio do Seu Orlando, logo fiquei pensando que, sendo o oitavo conto que avalio, o humor negro demorou a aparecer e que é bom enfim encontra-lo. Assim que todos ficam sabendo da relação passada entre Orlando e Cecília, e de como ela quase foi fatal, o que diverte não é a conversa cheia de ressentimentos, mas a reação dos outros que assistem ao diálogo, primeiro estupefatos e, depois, tentando intermediar entre o ressentimento do antigo casal. O melhor dessa abordagem humorística é quando todos observam que o Orlando nunca perderia um compromisso enquanto repreendem Cecília por ter o deixado lá, sem nem ao menos ponderar que honrar o compromisso significaria Orlando e Cecília mortos e aquele encontro nunca acontecendo.

    Seguindo a premissa propositalmente absurda, depois das “devidas” desculpas, o encontro segue muito bem e as famílias marcam uma praia, a Cecília até sugerindo o mesmo lugar em que marcara o suicídio duplo com Orlando, sem nem se importar com o mórbido da escolha. Assim, o conto finaliza no mesmo tom proposto.

  18. Elisa Ribeiro
    13 de agosto de 2017

    Olá Autor,

    Entendi sua intenção de humor com a situação narrada, mas acho que ela não se realizou de forma muito eficaz no conto.

    O constrangimento de Cecília, a mágoa de Orlando, a revelação do plano do suicídio conjunto dos adolescentes, agora adultos, durante um jantar comemorativo, configuraram um cenário bem patético e ridículo, cômico, portanto. Essa comicidade, entretanto, não transparece no texto.

    Sobre os personagens, o Orlando me pareceu mais trabalhado, já à Cecília, acho que pela importância dela no enredo, faltou um pouco mais de densidade.
    Enfim, uma ideia muito boa, mas de difícil execução, que merece ser aprimorada.

    Parabéns pelo trabalho.

  19. Jorge Santos
    13 de agosto de 2017

    Comédia dramática sobre um jantar de apresentação dos dois casais de sogros que, contrariamente ao que se pensava inicialmente, já se conheciam. Está bem escrito, mas notei alguns problemas com tempos verbais, alguma graça nos diálogos, mas é um texto mais dramático do que de comédia.

  20. Givago Domingues Thimoti
    11 de agosto de 2017

    Adequação ao tema proposto: Médio
    Criatividade: Baixa. Por um momento, parecia que eu estava lendo uma piada, e não um conto.
    Emoção: Achei o conto fraco, além de um pouco absurdo. Acho que me decepcionei um pouco esperando uma complicação maior do que a apresentada.
    Enredo: Fraco. O autor pegou uma situação “clichê” que poderia ser engraçada e não conseguiu inovar da forma pretendida. Acho que uma outra complicação poderia ter sido usada, como por exemplo, a Cecília teria visto Orlando num caso com outro homem.

    Gramática: Eu enxerguei alguns erros, que seriam corrigidos numa revisão.

    “Levantou-se, rodou a mesa e levantou Orlando pelos braços.” Repetição de palavras.

    “Agora estou compreendo a revolta do Orlando…” Errado. O correto seria agora estou compreendendo ou agora compreendo a revolta.

  21. Brian Oliveira Lancaster
    10 de agosto de 2017

    JACU (Jeito, Adequação, Carisma, Unidade)
    J: Divertido de um jeito um tanto mórbido. Pareceu um esquete de novela em poucas linhas, não que isso seja ruim, o texto mantém um suspense agradável pelo inusitado. Só encontrei certa dificuldade em separar os diálogos. – 8,0
    A: Um humor mais irônico, que combinaria bem com alguma catarse fora do comum ao final, pois toda a construção é insólita e leva a isso. Pena que essa catarse não veio. Eles poderiam se entender, sim, mas de um jeito mais “maluco” ou estranho. Do jeito que está, ficou uma conclusão normal demais. – 7,0
    C: Há muitos personagens, mas o que se destaca é o senhor proibido de contar piadas (jurava que ele ia contar uma ao fim). Esse tem carisma de sobra. No entanto, achei estranha a reação do marido ao saber das peripécias de sua esposa na adolescência – foi uma reação passiva demais. O restante condiz bem com suas personalidades. – 8,0
    U: Um texto bem escrito e suave, mas que precisava de uma marcação maior nos diálogos (ou menos pessoas falando ao mesmo tempo). – 8,5
    [7,8]

  22. Antonio Stegues Batista
    7 de agosto de 2017

    Achei que o texto seria comédia o tempo todo, mas foi um drama sobre as coincidências da vida. Infelizmente não achei nada engraçado, nem piada o personagem contou, aliás, contou mas não disse. O enredo foi fraco, embora os personagens sejam legais.

  23. Fheluany Nogueira
    7 de agosto de 2017

    Muito criativo. A situação é muito estimulante, um texto bem organizado, com tiradas e raciocínios de duplo sentido, surpresas e desdobramento satisfatório, com o final feliz. É uma fusão de comédia de situação, que extrai humor de problemas do dia a dia e da comédia observacional. Leitura agradável.

    Dicas gramaticais:
    • Cumprimentaram-lhes – o verbo é transitivo direto: Cumprimentaram-nos
    • tremi há pouco quando TE vi vivo, entrando no restaurante… Sei o quanto VOCÊ queria morrer comigo… – mistura de pessoas gramaticais (TE – segunda, VOCÊ – TERCEIRA).

    Parabéns pela participação. Abraços.

  24. werneck2017
    7 de agosto de 2017

    Olá,
    Quanto à gramática o texto está bem escrito, ressaltando apenas: Cumprimentaram-lhes. Acho que cumprimentaram-se, sentando um casal em frente ao outro, ou algo do tipo.
    Quanto à criatividade, achei a estória interessante, com ganchos que funcionaram bem e ajudaram a desenvolver bem o enredo, incitando a curiosidade do leitor até se chegar ao clímax e em seguida o desfecho final.
    Quanto à emoção, achei que a estória é plausível, criando logo empatia pela situação comum a todos os que se acham em vias de se casar, plenamente identificável.
    Quanto à adequação ao tema entretanto, na minha humilde opinião, está mais para uma tragédia que comédia, apesar do humor negro no final.
    Minha nota é 8,0.

  25. Gustavo Araujo
    6 de agosto de 2017

    O conto é muito bem escrito e possui ótima fluidez. Os diálogos funcionaram bem, demonstrando que o autor sabe como manejá-los. Digo isso porque não provocam confusão, apesar de o texto se sustentar neles. Em momento nenhum me senti perdido enquanto os casais faziam esse exercício de rememoração, trocando acusações nem tão veladas, cobrando dívidas de tantos anos atrás. A graça está não apenas no absurdo das coincidências – Veríssimo é mestre nisso – mas na aceitação dos cônjuges atuais dessa história cruzada anterior. Embora divertido, o conto não me arrancou risadas. Todavia, sua leveza não deixa dúvidas sobre o êxito do autor em escrever sobre comédia. Um bom trabalho.

  26. Bruna Francielle
    6 de agosto de 2017

    tema: hum, meia na dúvida, a situação muito estranha não pereceu comédia a primeira vista, porque realmente não teve nada de engraçado/cômico, mas sim bizarro.

    Pontos fortes: a diferenciação na ideia principal, nunca havia visto antes uma história com encontro de sogros, que me lembre. Pensei que seria mais chato, mas conseguiu levar bem a história. Conseguiu criar curiosidade no comportamento do personagem Orlando, usando de um bom artifício. Primeiro fala como ele deveria se comportar, depois ele se comporta de maneira completamente estranha, o que incentiva o leitor a seguir em frente na história pra descobrir o porquê. Claro que no desafio temos que ler tudo, mas se fosse em outro lugar em que a leitura não fosse obrigatória, esse artifício poderia ter feito leitores não abandonarem a história.

    Pontos fracos: Uma coisa realmente muito estranha, a mulher teve que pedir desculpas por não ter se matado? Eu acho que non sense não necessariamente é comédia. Existem comédias com non sense, assim como existem outros gêneros que se utilizam de elementos non sense, em sentido. E aqui, não encontrei a comédia. Poderia se encaixar em um tema “bizarrices” talvez.
    Frase final era para ter efeito, percebe-se, mas não teve grande efeito.

    • Bruna Francielle
      6 de agosto de 2017

      *meiO na dúvida

    • Bruna Francielle
      6 de agosto de 2017

      *sem sentido

  27. Eduardo Selga
    5 de agosto de 2017

    O conto, ao que me parece, tentou produzir humor a partir do nonsense, mas a situação colocada, qual seja, o personagem mostrar-se indignado com a outra personagem porque ela no passado não cumpriu a palavra empenhada de suicidar-se conjuntamente, a situação não tem força bastante para gerar comicidade. Ou, melhor dizendo, até o faz, porém no limite do não cômico.

    O(a) autor(a) estabelece uma quebra de expectativa, logo no início, e estabelece outra, mas cujo resultado não corresponde ao tamanho da “tensão” gerada. Melhor explicando: ao leitor é dito que o personagem Orlando é bem humorado, às vezes até inconveniente, mas a postura dele frustra isso. Nenhum problema, mas a partir daí o leitor fica na expectativa de que a qualquer momento ele explodirá em gracinhas de todo o tipo, o que também não ocorre. Ao contrário, o desenvolvimento mostra um drama que culmina com um desfecho levemente cômico.

    O resultado não chega a ser uma tragicomédia, mas se fosse teria sido um belo resultado. Não o é porque a tragédia (ou quase) está no passado, e a comédia no tempo presente. O tragicômico é a comicidade no trágico, ou a tragédia dentro do cômico.

    Desde que bem utilizados, nada tenho nada contra grande quantidade de personagens num conto, sejam protagonistas, antagonistas, secundários ou “personagens-cenário”. No entanto, em “O Encontro dos Sogros” há personagens cujas ausências não fariam diferença na trama. Falo do casal de namorados, que parecem estar presentes por dois motivos: para justificar o título e para tentar causar efeito humorístico pela profusão de falas mais ou menos simultâneas, uma espécie de “efeito mesa de botequim”, em que todos falam sem que ninguém seja de fato ouvido. Se o enredo fosse um encontro de dois casais o efeito teria sido o mesmo.

    Entendo haver um erro de concordância no trecho “quem mais falou foi Magda e Dr. Moraes […]”. Como são duas personagens, o verbo deveria estar no plural, alterando toda a frase (“os que mais falaram foram Magda e Dr. Moraes”).

  28. Olisomar Pires
    5 de agosto de 2017

    Bem escrito. O autor fez um bela introdução, criou o suspense necessário.

    Porém, acho que pesou a mão na questão do “emburrecimento” do Orlando. O clima ficou muito pesado. A saída encontrada com as desculpas amenizaram a coisa, mas o mal já havia sido feito.

    Talvez se Orlando tivesse jogado indiretas para Cecília e esta as revidasse, de modo que todos rissem sem entender o real significado, somente o leitor, o efeito fosse melhor.

    Em todo caso, é um bom texto.

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Publicado às 5 de agosto de 2017 por em Comédia - Grupo 1 e marcado .