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Literatura que desafia.

Revolução de Outono – Conto (Thiago Fernandes)

Outono corria no Palácio do Sol, que ficava no Alto da Nova Capital. Era o momento crucial para a Revolução de Outono, ele percorria os corredores que já não era mais familiar. Na sua infância se lembrava desses corredores serem claros da cor de um cobre e havia enormes janelas do teto até o chão. O sol entrava pelas janelas e iluminava todo o palácio, mesmo no dia mais frio. Hoje as paredes estavam sujas ou destruídas, vários cabos passavam por esses corredores indo em direção ao Salão do Trono. O Sol não aparecia mais, pois os céus estavam cheio de Zepelins e Aeroplanos motorizados, tanto do governo quando da Resistência. Eles travavam uma lutar por cima da cidade, soltando vários feixes de luz, eram energias produzidas por geradores, muito mais forte que balas e que poderem derrubar facilmente cada maquina. Apesar de muitas pessoas correrem pela cidade, ele só precisava seguir o seu objetivo. O Imperador Primo, o grande soberano do Império Ariano e infelizmente, seu irmão mais velho.

Primo é cinco anos mais velho do que ele, ele foi o terceiro filho que nasceu do Imperador Solano e da Imperatriz Ametista. Os dois eram considerados os melhores governadores do século. O governo vivia prospero, a educação, saúde e segurança eram prioridade. Eles haviam conquistados mais terrenos e os Campos de Iris, onde se podia pegar energia com facilidade, produzi-la e transmiti-la por todo o império. Pessoas não passavam fome, e nem ficavam sem empregos.

A notícia do nascimento de Primo foi comemorada durante uma semana na Nova Capital, uma ilha que ficava entre os Rios Doce e Azul. Primo, não era o único príncipe, mas foi o que sobreviveu depois do parto, era o herdeiro do trono do Império, e desde cedo era educado pra governar. Até o nascimento de Outono.

Outono nasceu na estação de Outono, sua mãe queria que o filho tivesse o mesmo nome. Apesar de o império inteiro comemorar o nascimento do segundo filho do Imperador que sobreviveu, Solano não comemorou, pois a gravidez de Outono não tinha sido segura e Ametista adquiriu uma doença incurável.

Foram quinze anos procurando médicos, cientistas, curandeiros, feiticeiros e religiosos para salvar a Imperatriz, mas nada adiantou, Ametista faleceu. Solano ficou recluso, começou a trabalhar mais no império, deixou os filhos de lado. Era apego á seu filho Primo, mas depois do falecimento de sua esposa, afastou dele também.

Primo e Outono eram completamente diferentes. Prima era lindo, bem educado, comunicativa, as pessoas gostavam de ficar perto dele, não era muito inteligente e muitas vezes se mostrava mimado, não gostava de ser contrariado. Já Outono, era alto, porém não podia ser considerado belo, era tímido e morria de medo das pessoas, gostava de ficar no quarto lendo, adquiriu uma inteligência diferenciada o que chamava atenção de muitas pessoas e políticos da região.

Primo começou a sentir um estranho ódio por Outono, ela acreditava que por culpa dele, sua mãe pegou a doença depois de seu nascimento, que o pai afastou pela morte que o irmão causou e que agora ele poderia perde o seu trono, pois ele mostrava mais aptidão de governa do que elo.

Em Ariano havia uma lei: O trono pode ser substituído por outro parente, se esse mostrar interesse e aptidão pelo governo do que o sucessor. Para que isso ocorra, o substituto deve fazer uma Pedição ao Parlamento, durante sete dias após o falecimento do antigo imperador. No período de um mês o Parlamento avalia as condutas do substituto e do sucessor, se aprovado a coroação e adiada e é feito um plebiscito onde a população escolheria o seu novo Imperador. Com o resultado das urnas, o substituto poderia ou não pegar o trono e se torna o novo imperador.

Primo não se preocupava com isso, durante a sua adolescência, que vivia em festas, mas ao percebe em uma pesquisa que Outono tinha o voto favorável para ser sucessor, uma vez que ele conseguia resolver questões econômicas e politicas do governo, ele começou a preocupar com a presença do irmão caçula.

Os seus problemas só terminaram quando no dia que Phil, o guarda-costas e conselheiro de Outono, morreu, pelas mãos do príncipe, no dia de sua festa de Maioridade.

Pra não ser preso, Outono precisou fugir, na fuga, lutando contra o guarda-costas de Primo, Matheus, ficou muito ferido e perdeu a perna esquerda. Essa perna foi substituída por uma mecânica, essa mesmo que fazia ele corre mais rápido e dar pulos. Ele agradecia essa perna sempre, principalmente agora, que uma parte do corredor do Palácio do Sol estava destruída, havia um buraco enorme no chão e no fundo dele, podia se ver um Zepelim destruído e pegando fogo.  Outono precisou afastar um pouco e da um impulso para pular, quase caiu no buraco, mas não completamente, pois tinha agarrado em alguns fios. Através desses fios ele conseguiu subir e continuar a correr. Virando a esquerda ele conseguiu chegar ao que seria a porta principal do salão do trono. Ela tinha mais de quatro metros de alturas, toda feita de cobre e havia algumas engrenagens que faria dela uma porta resistente em caso de ataque. Outono lembra que havia alguns detalhes de prata, na ultima vez que a viu, na sua festa de Maioridade, agora estava quase toda enferrujada, um dos lados da porta foi derrubada, parece que teve que destruir mais uma parte da parede, para passar algo grande. Ele não podia parar pra ficar olhando, tinha que terminar com a revolução.

Ao entrar no Salão do Trono, Outono estava segurando uma arma, que era do seu pai, recebeu-a no dia de sua Maioridade, e uma espada, que era feita de energia limpa. Para compor essa espada, havia um mecanismo que ficava preso no seu braço direito, uma espécie de luva com um tanque de energia preso, quando ele fechava a mão no vazio, a espada se formava a espada de luz limpa e negra.

Enquanto caminhava, ele reparou que no meio do salão havia um imenso sistema de cabos, ligado uma maquina no centro, ela parecia um toldo onde encima no final tinha uma imensa esfera metálica.

– Olha quem chegou o filho perdido – Uma voz apareceu como eco, por todos os lados, Outono ficava olhando para todos os lados – oh tadinho, o príncipe condenado, voltou para o palácio de onde nasceu.

Outono olhava para o salão, via que ele não era nada daquilo da ultima vez que estava aqui, de sua festa de Maioridade.

– Ah eu fiz umas mudanças, querido irmão, afinal esse palácio é meu. – Responde Primo, atrás dele passou um faixe de luz branca, que desviou dando uma cambalhota, ao olhar viu que seu irmão estava com cabelos enormes, gordo, usava uma espécie de colete cheio de fios em que atrás se produzia seis tentáculos de luzes brancas, mas o engraçado e que ele não via o tanque de energia por perto dele – gostou da minha nova roupa, irmão, eu chamo de A MORTE DO PRINCIPE CONDENADO.

Primo ataca com um dos tentáculos encima de Outono, ele desvia e corta-o com a sua espada de luz negra, um pedaço do tentáculo de luz caiu no chão, e desaparece, mas o problema e que o tentáculo que estava no ar simplesmente se multiplicou em dois do mesmo tamanho do que do anterior.

– Gosto queridinho, eu acho que está na hora de correr. – Diz Primo que ficava rindo e atacando com os tentáculos de luz, que podia se espichar, e contorce, Outono para se defender ele precisava se desviar e esconder atrás de uma pilastra.

Ele entendia muito bem de mecânica, sabia que toda arma feita de luz precisava de um tanque de energia para fornecer, esse tanque deveria ser ligado a fios. Mas descobriu recentemente de que Primo tinha aprisionados alguns cientistas do palácio para que pudesse produzir uma arma que não precisasse de fios para enviar as energias que produziria as armas. Um deles, Arthur, inventou um aparelho que enviava essa energia, era simples, havia um aparelho que transformava a energia em ondas que não podia ser vista, essa energia era passada pelo ar que com outro aparelho ela voltava a ser energia. Era desse jeito que a roupa de tentáculos do seu irmão funcionava, ele somente descobriu dessa maquina quando o próprio Arthur fugiu do palácio e conseguiu encontrar uma base da resistência. Demorou muito para acreditar que ele não era um espião do governo, mas após o cientista entregar os planos e desenhos de todas as maquinas, o príncipe começou a confiar nele.

Arthur era esperto, sabia para o que estava inventando, ele sabia que os transmissores que enviava as ondas magnéticas seriam protegidos por um campo de força, mas os receptores dessas ondas não, podendo ser destruído, se caso isso aconteça, o transmissor para de funciona, e aciona um código que destrói o aparelho numa explosão. Através desse ponto fraco a resistência estava ganhando vantagem da Nova Capital, e era assim que Outono teria que ganhar, mas para isso precisava chegar perto do irmão, o que seria uma tarefa difícil.

– Continua escondido irmãozinho, como escondeu esses dias todos. – Falava Primo procurando-o, Outono já estava atrás de uma das maquinas e percorria agachado, era como ele vivia, antes ficava na casa de um amigo da Ordem Iluminaria, que o ajuda e escondia, porem havia um traidor na Ordem e o príncipe precisou fugir ocorrendo no mesmo dia da morte do seu pai. Com sorte ele encontrou com um grupo de bufões, ele viveu cincos anos com eles até o grupo inteiro serem mortos por ordem do novo Imperador.

Primo tomava decisões arbitraria, fechou o parlamento e decretou estado de sitio, o que antes era um governo democrático, se tornou um governo autoritário, investia todo o seu dinheiro no exercito, e na tecnologia. Fazia festas e cerimônias, gastando o dinheiro que iria para educação e quando sobrava comida, fazia questão que fosse jogado no lixo.

O príncipe, não queria mais aquilo ficava revoltado com o abuso, mas ficava escondido, não queria ser descoberto, só que vendo uma atitude de um soldado do exercito do governo matar uma garota de cinco anos que estava roubando pão, em frente a uma multidão, ele atacou e matou o soldado e mais dois que estava acompanhado.

A notícia do ataque do príncipe condenado logo se espalhou por todo império, e começou a criar uma onda revolucionaria. Outono com alguns aliados criou a resistência, com o símbolo de uma lâmpada com asas, acreditava que toda ideia deve ser livre, junto com o povo.

Em um curto período a resistência aumentou e conseguiu ganhar vários territórios até chegar ao ataque da Nova Capital, e ele estava ali, diante do seu irmão para acabar com tudo aquilo.

– Irmãozinho, vem cá, pra eu te matar, como eu fiz com o Phil, com todos da Ordem Iluminada, aquele bando de mendigo que você andava e seu pai – disse Primo, fazendo Outono parar de andar escondido – sim, eu tive que matar ele, afinal, ele era a única barreira para o trono, meu trono, achei que você fosse aparecer, mas como um covarde, você sumiu, como sempre sumiu, VEM PRA CÁ SEU COVARDE, ME ENFRENTA ANDA…

Primo começa a gritar cada vez mais forte e seus tentáculos atacavam por todos os lados destruindo cabos, maquinas e parte do salão, Outono teve que desviar de um, ele sabia que estava na hora de atacar. O príncipe se levantou atrás dele e deu um tiro, só que antes disso um dos tentáculos o atacou, o Imperador virou para o seu lado, ele tentou atacar com a espada de luz, mas um dos tentáculos o segurou, e quebrou o tanque de energia da espada, fazendo parar de funcionar. Outro tentáculo pegou na sua perna e puxou até perto de seu irmão, quando estava lá, os tentáculos prenderam seus braços e pernas no chão ele ficou bem de frente a ele.

– Sabe, Outono, eu pensei que você fosse mais esperto, inteligente, mas você não passa de um idiota, todo mundo de trai, todo mundo passa a perna em você, VOCÊ UM IDIOTA, COVARDE, UMA MULHERZINHA – Primo dizia aos berros na frente dele, mostrando-se toda histérica, logo depois se acalmou – deseja dizer suas ultimas palavras.

– Sim, te vejo no inferno, irmãozinho. – Respondeu Outono, na sua mão esquerda havia uma luva que criava uma onda de energia negra, essa onda dissipou a luz do tentáculo que segurava e ao mesmo tentou transportou a arma do seu pai para ela, e com um movimento rápido ele deu um tiro em direção a Primo.

A bala do revolve, era do único metal resistente à energia, somente os imperadores tinham e foi com essa bala que atravessou o corpo de Primo e atingiu o receptor, destruindo-o, fazendo o transmissor explodir e destruir todo o palácio.

Com um sinal de luz, vindo do palácio, soube que a Revolução de Outono acabou, e que a Resistência venceu. O povo podia comemorar, estavam livres.

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Um comentário em “Revolução de Outono – Conto (Thiago Fernandes)

  1. Fil Felix
    15 de julho de 2017

    O conto precisa de muitos ajustes, pra facilitar o entendimento pro leitor. Há um pouco de Jogos Vorazes, nem tanto pela Capital, no sistema de reinos e pela luta/ ação. Há ideias interessantes, como a utilização de energia negra/ luz, os equipamentos que a utilizam (a manopla, os tentáculos), criando um visual bem legal. Histórias com reis ditadores, heróis que criam uma resistência e cia. não são novidade, já fizeram e vão continuar fazendo aos montes, o diferencial esteve no vilão Mojo/ Hidra, com os tentáculos que se multiplicam. Foco nisso.

    Como comentei, o que prejudicou mais o desenvolvimento do conto foi a (falta de) revisão. Há muitos erros de digitação ou de concordância bobos, que numa primeira revisão boa já seriam eliminados. O parágrafo abaixo, por exemplo:

    “Primo começou a sentir um estranho ódio por Outono, ela acreditava que por culpa dele, sua mãe pegou a doença depois de seu nascimento, que o pai afastou pela morte que o irmão causou e que agora ele poderia perde o seu trono, pois ele mostrava mais aptidão de governa do que elo.”

    Há os erros simples de digitação (perder, governar) e tem um de gênero, pois dá a impressão que o Primo é, na verdade, A Prima. E esse o/a Primo ocorre em outros momentos. Uma outra sugestão é organizar a história de maneira mais clara. As situações vão surgindo conforme a necessidade, como o cientista, a mãe, a máquina com tentáculos. Não há indícios disso durante a leitura. Agora que o conto já está finalizado, seria interessante reescrevê-lo, como exercício de escrita, mesmo (se estiver começando agora). Começando contextualizando o leitor sobre essa nova realidade, já indicando os dois irmãos, o sistema de troca de reinado etc, pra não aparecer do nada no meio do caminho. Separar mais as duas personalidades, linkando o Primo à tecnologia megalomaníaca (justificando o uso da máquina), deixaria o texto muito mais fluido.

    Ah, talvez você vá gostar, se ainda não conhece, de algumas HQs de Magic The Gathering. Há uma que mostra a guerra entre os irmãos Mishra e Urza, cheia de artefatos e maquinários mágicos, se chama “Guerra das Antiguidades”. Se te interessar, fiz um review dela, só pesquisar.

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Publicado às 10 de julho de 2017 por em Contos Off-Desafio e marcado .