EntreContos

Literatura que desafia.

Matéria Prima – O(A) Autor(a)

Caminhavam em círculos. E quem os visse assim, lado a lado, certamente diria que companheiros no mais cúmplice dos silêncios. Não fosse pelo ruído sob seus pés, nada. Apenas folhas secas. O outono era a artimanha da natureza para ensinar aos próprios filhos que a morte é natural. Que é coisa certa. E que é também o alimento desta, e que, talvez por isso, também ela, de algum modo, igualmente, vida. Em tudo isso pensava, apesar de Javalina, e de seus olhos juntos, e do pelo grosso, e da presa única que lhe restava, a lhe emprestar aquele ar de bestial criatura. Sim, pensava. Ao contrário do que talvez você, um leitor desavisado, desacostumado quem sabe, ao convívio com essas coisas de bichos e de feras poderia imaginar, ela pensava. Meditava sobre a vida, a própria, e o frio, e a noite a se avizinhar, e aquele cheiro inebriante de trufas sob as raízes dos carvalhos, e o caminho que, adivinhava, parecia não ter um fim. O que ainda não poderia supor, porém, era o seu. Súbito como o de qualquer um de nós. Tão inesperado quanto aqueles olhos culpados, quase a lhe pedir perdão e a se lançar sobre ela na encruzilhada. Ferozes. Em estocada certeira e única. No peito. Em círculos. E no ato último de piscar os olhos, encarou a escuridão, antecipando o que, já era certo, viria. E por pura sorte (ou azar), não teve tempo para testemunhar o homem a rasgar suas carnes e, afastando as costelas, arrancar dali o seu, ainda quente, coração.    

***

Dissimulou a náusea. Aqueles Pesadelos estavam lhe tirando o juízo. Precisava esquecer. Trabalhar.

Abriu a tampa. Selado com pirão de farinha de mandioca, o utensílio de barro permitia cozer a iguaria à perfeição. Ali, os pratos eram servidos com requinte. Uma casa cara, onde tudo era nobre. Clientes, temperos, talheres, as carnes fartas, e até ela. A aspirante à vaga de aprendiz. Aspirante. Aqui repito a palavra sem medo de errar, pois, desde que Branca fora aceita como estagiária naquela cozinha, sua vida parecia ter sido transportada para o centro exato de um olho de furacão. E seus planos, todos, eram agora apenas sonhos em suspenso, boiando à deriva no caldo quente daquele barreado.    

Sentia enjoos. E suores frios, desproporcionais aos quarenta graus que teimavam em castigar os que precisavam de ônibus para chegar ao trabalho. Cinco da manhã. E já levantava correndo como se o tempo fosse um ladrão que se persegue a fim de se recuperar o que outrora seu. Assim, sem mais nem menos, ganhara dez quilos. E ela que embora amasse os prazeres da boa comida, sempre fora frugal, devorava agora o que via pela frente, com um apetite de porco-bravo. Tentava evitar o sono. Outro gatuno a assaltá-la, sempre acompanhado daqueles terríveis pesadelos. O dinheiro era pouco. O namorado evaporara​. E, para piorar, havia ele. Aquele bicho suplicante. Aquela coisa medonha bem no meio da cozinha. Aquela tarefa com a qual não contaria nem no mais pavoroso de seus sonhos.

***

Na pedra. Assim se amolava a lâmina. E em movimento quase ritualístico, a retirada do couro todo se fazia. Íntegro. A pele, então, era raspada de sua gordura e banhada em água limpa e sabão neutro, para retirar daquilo que há pouco era vida, aquele cheiro que teimava em exalar. A tudo isso assistia a alma da Javalina. E um leitor outro que não este que agora lê, inadvertido ainda, poderia pensar que não. Um animal não possui uma alma. Mas as feras as têm. Posso, com a mais pura das certezas, lhes assegurar que já não sofria o espírito da delicada Javalina ao entender que o odor da morte era um subterfugio da vida para mostrar aos seus que não mais habitava aquela pele. E flutuava, alheia ao próprio cérebro cozido com um copo d´água grande. O suficiente para que o órgão se rompesse formando a sopa homogênea que seria, em seguida, esfregada ali, onde antes haviam pelos, a fim de curtir, assim, o próprio couro esticado em um varal.

***

Javali. A palavra que temia ouvir todos os dias ao abrir o restaurante. No Floresta se servia barreado. O mais tradicional dos pratos paranaenses. Nada de novo até ali. Nada que justificasse a febre que atraía gentes como formigas às mesas só abertas com reserva e com muitos meses de antecedência, não fosse pelo fato de o criador do cardápio preparar o ensopado com inusitadas carnes exóticas. A cada dia uma surpresa estrelava o menu. Jacarés, Faisões, Capivaras.

Javalis.

O grunhido do bicho tirou Branca de sua concentração. Por sorte, a carne do dia seria outra. Virou-se em um reflexo deixando cair o copo. Vidro quebrado. Agora dera para sustos e vertigens. Talvez devesse procurar um médico. Um psiquiatra.

Abaixou-se para catar os cacos. Sempre tão ágil, a posição agora lhe parecia um martírio. Estava gorda. Era fato. A barriga protuberante dificultava movimentos antes naturais. Ficou de quatro, paninho na mão, com cuidado para não se cortar. E ergueu a cabeça. Lá estava ele. O focinho grudado a seu nariz. Farejando tudo quanto sentisse. Seguindo-a com os olhos, os pés, a fome e, a curiosidade inata das crianças​. Mas o que estava dizendo? À sua frente não havia criança alguma. Apenas um bicho, enorme, quase em ponto de, mais dia menos dia, ser cozido junto ao cominho e as folhas de louro. E era ela, a estagiária, a responsável pelo abate. Simples assim. Triste assim. Pavoroso. Ao menos para ela.

***

Três camadas. Retirou a terceira. Impermeabilizante proteção contra as intempéries, o frio, que, mesmo extremo, era incapaz de conter o suor escorrendo pelo esforço quase animal. Três camadas. Precisava arrancar a segunda. A que oferecia calor. Logo tudo estaria terminado. Três camadas. Só então extraiu a primeira. Uma espécie de segunda-pele, transferindo o suor para fora, a fim de conservar o corpo seco. Três camadas. Como cebola. Assim se vestia aquele homem que agora ali se descascava deixando a vulnerabilidade da pele eriçada à mostra. Três camadas. Exatamente como a sua crina de Javalina, já matéria prima para a confecção de pincéis, escovas de cabelo. Suspirou. Talvez voltasse reencarnada, como a terceira-camada de uma mulher tentando parecer mais bela. Preferia assim. Já se imaginava grande. Assim como lhe havia parecido o caçador, antes de se descascar. E diante do inimigo, sonhou-se bela. Em uma outra vida. Em um casaco de mulher.

***

Acordou suando. Os sonhos eram quase reais. Um pouco mais e poderia sentir o cheiro do sangue respingando no travesseiro. O engraçado era o rosto do caçador. Sabia que já o vira. Mas onde? Talvez o namorado, o ex. Quem sabe o chefe, especulava.

Era melhor levantar. Preparar-se para o longo dia, torcendo para não ler na lousa, em giz, e agora acordada, o nome do pior de seus pesadelos. Javali.

Abriu a geladeira. Mais um dia impune a seu suplício. O cardápio seria coroado por carne de queixada. Cortes previamente embalados em bandejas de alumínio, esperavam por sua habilidade. Sim, era uma especialista e por isso fora contratada. Marinava carnes com a maestria da chef que um dia sonhava ser. Sim, comia carne sem remorsos ou pudores. Então, por quê? Por que havia sido sequestrada por aquela pena danada consumindo seus dias através dos olhos daquele imenso suíno?  

Colocou a bandeja na bancada. Embalado à vácuo, o corte suculento e impessoal, nem de longe lembrava à cozinheira, que um dia já fora vida. A seu lado, dispôs duas bolotas. A época de trufas lotava o restaurante com bolsos cheios e paladares ávidos por descobertas. Aquela, no entanto, não serviria à mesa alguma. Aquela seria dividida com ele. Seu companheiro de toda manhã. Aquele que, com gracinhas e amor (Sim, amor), conquistara o que nela havia de melhor.  

Enfiou uma bolota na boca. E com a outra, alimentou o amigo na palma da mão. Estava vencida. Sabia que jamais poderia voltar atrás. Que arriscaria seu emprego, o status de boa profissional. Mas era tarde. Já dera nome ao bicho. Seu coração pertencia irremediavelmente aquele olhar que lhe agradecia. Sem palavras. E sem sequer imaginar o dilema no qual ela se lançava, o javali arruava inocente pedindo por mais.

***

Com canivete, viu o homem esculpir a figura em sua presa. Por que ainda permanecia naquela encruzilhada? Por que não partia? O que jazia sobre as folhas secas já não era nada senão a carcaça da morte mergulhada em água quente para que os dentes se soltassem. “É um homem tolo”. Pensou a Javalina antes de dizer adeus à matéria daquilo que um dia fora. Em água quente a dentição perderia minerais. Já não importava. Se fosse macho, seus colmilhos valeriam mais. Troféus transformados em joias adornadas em ouro. Mas não. Deteve-se ainda para observar seus caninos se metamorfoseando aos poucos em mãos esculpidas por outras mãos. “Uma obra prima”. Sorriu. Sua presa permaneceria no mundo na forma da delicada figa. Talvez um amuleto protegendo uma jovem vida. E sentindo-se evaporar lentamente, partiu sem ter tempo de olhar para trás ou para o rosto do caçador.  

***

Chegou cedo. Em um gesto automático, deixou a mochila no armário e lavou as mãos. Só então apanhou a maçã e dirigiu-se ao quadro de avisos.

Javali.

Cinco letras brancas desenhadas pareciam selar caprichosamente o destino de Javardo.

Ou o de Branca.

Decisões. Todos os dias nos deparamos com elas. A cada minuto. Escolhas são o processo cognitivo de seleção de uma única opção entre as várias outras alternativas possíveis que a vida nos apresenta. O que comer? Por qual caminho seguir? sim ou não?

Matar o Javali e poupar Branca do vexame?

Ou poupar o bicho, lançando a personagem a um destino de mãos e carteira limpos?

Ser ou não ser? É aqui que autor(a) e personagem se unem em encruzilhada única. Um terrível dilema nos ata. Uma apavorante resolução nos separa. Quisera eu, houvesse um modo de abandonar-me e, assim, deixar a você leitor, a inglória tarefa de sujar as mãos com o sangue de nossa matéria prima. Ou com flores. Mas flores não sujam. Flores perfumam embora sejam elas, colhidas, também um irônico tipo de morte.

E foi nesse estado que Branca abriu a gaveta e apanhou o cutelo. Seu estômago fazia voltas junto ao liquidificador onde já preparava a marinada.  

Abriu a portinhola que dava acesso à cela onde o animal era mantido inerte para que não se endurecessem suas carnes. Animal, melhor tratá-lo assim. Nada de Javardo, ou bolotas e cafunés, nada de olhares cúmplices nos quais, tinha  certeza, ele a entendia como nenhum ser jamais.

Deteve seus pensamentos. Sabia que deveria ser feito. Sabia o quê deveria. Dominava o método. Seria rápida. O bicho não sofreria. Em suas mãos, teria não só uma morte digna, como seria conssumido com honras de um prato gourmet.

Na cozinha, o porquinho parecia conhecer seu destino, guiado, talvez, pela memória de seu DNA ancestral. Porquinho não. Javali. Fera que, no dicionário, é sinônimo para bruto, selvagem, imundo. A nomenclatura deveria ter a função de facilitar o assassinato ao(a) autor(a).

Branca, porém, já tinha vida própria. E, naquela manhã, permitia-se escolher seu caminho. Procurava não encarar o animal. Não sabia mais o que fazer. O que queria.

Só então percebeu o chefe a seu lado. O rosto destripando a Javalina nunca lhe pareceu tão real. E disfarçando seu transtorno, estendeu a maçã de todas as manhãs a Javardo. Precisava ganhar tempo. Coragem.   

E, de relance, sem querer, cruzou com os olhos do javali. Só então compreendeu. Era ela o caçador na encruzilhada dos pesadelos. Era o algoz. Não a vítima, como queria supor.

Tomar decisões significava se responsabilizar pelas escolhas. E escolher implicava em perder coisas.

Jogou o uniforme na bancada. Era cozinheira, não açougueira. Não assassina. Exagerava talvez. Quem sabe um restaurante vegano lhe desse chace. Não queria pensar nisso. Nesse instante, seu problema era outro. Precisaria convencer seu porteiro que Javardo era igual a um cachorro. Ou quase.

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7 comentários em “Matéria Prima – O(A) Autor(a)

  1. Olá, Autor (a),
    Tudo bem?
    Dialogar com o leitor diretamente é uma experiência que mostra o quanto a literatura pode ser interativa. Não apenas em textos que quebram a quarta parede, lembrando ao público quem ele é e onde se situa na narrativa, mas, também em textos onde essa interatividade se dá pela identificação deste com o conteúdo da história, o personagem, os conflitos, enfim. Gosto muito dessa técnica.
    “Deixar” que a personagem tome a própria decisão mostra o quanto nossas criações tomam vida e agem independente daquilo que planejamos no começo. Comigo ao menos, sempre é assim. Escrever é quase um ato de esquizofrenia consciente. rsrsrs
    Percebi dois errinhos que parecem ser de digitação. Mas não creio que isso não deva prejudicar a qualidade do conteúdo de forma alguma. Não à toa, as editoras revisam textos à exaustão antes de publicá-los e, ainda assim, erros passam. Me deparei com esse tipo de deslize na grande maioria dos contos.
    Falar de um animal, no caso aqui o Javali, abordando-o como matéria prima. A pele, a carne, o pelo, os dentes, é uma premissa interessante e que nos lembra que, quase tudo que consumimos um dia já foi vivo. Uma ótima premissa para um escritor, não?
    As letras ocultas em vermelho funcionam como uma camada a mais.
    Interessante perceber como a imagem do desafio mexeu com todos nós. Contos muito interessantes apareceram por aqui, nos mais diversos estilos, todo vindos de algum lugar recôndito de nosso eu criador.
    Parabéns e boa sorte no desafio.
    Beijos
    Paula Giannini

  2. Vitor De Lerbo
    26 de maio de 2017

    Gosto do narrador que participa da história e sabe que o leitor também está participando.

    Em diversos momentos achei a narrativa confusa, o que talvez tenha sido o objetivo do(a) autor(a).

    É uma pena que diversos erros ortográficos tenham passado; nesse tipo de enredo, em que o leitor deve ficar totalmente submerso no texto e no subtexto, essas falhas de escrita acabam nos trazendo de volta ao mundo real.

    As referências a Branca, caçador e maçã são elementos que enriquecem a história.

    Boa sorte!

  3. Milton Meier Junior
    25 de maio de 2017

    Muito bem escrito, embora cause certa confusão em alguns momentos. mesmo assim a história prende o leitor até o final. Não conectei muito o conto à foto do certame, mas isso não muda o fato de que é uma boa história. A sacada das palavras em vermelho é muito criativa. Parabéns!

  4. Ana Monteiro
    24 de maio de 2017

    Olá Autor/a. Diferente e por cima. Não quero perder-me em pormenores que neste conto parecem até mesquinhos, mas tem um erro, provavelmente de digitação, que, imagino, você queira retirar depois – “conssumido” (consumido). O conto em si é fantástico, apesar de que por vezes, um pouco confuso. Adorei as mensagens entremeadas a vermelho, nota máxima em criatividade. A adequação ao tema também é relativa. Tem enredo e emoção mais que suficientes. Ternura e crueza. Proximidade e distância. Excepção feita a um pouco mais de clareza, tem todos os ingredientes de um bom conto. Está muito bom.

  5. Lee Rodrigues
    23 de maio de 2017

    Caro autor, fui forçada a segunda leitura, não pela falta de entendimento, é que na primeira li esfomeada, como quem chega da faculdade e encontra na cozinha uma bela massa; na segunda, já com aquela cara de preguiça e satisfação, li como uma dama se comporta à mesa, degustando em pequenas porções o sabor da iguaria.

    O fio condutor da história foi o foque na memória sensorial salpicada por analogias – Branca, caçador, Floresta, maça, coração – o valor desse tipo de narrativa é justamente a aproximação oral, porque ela tem o poder de despertar o imaginário, permitindo ao leitor a liberdade de fazer o seu retrato, e eu fiz o meu.

    Também gostei de ver a Prolepse trabalhada nos sonhos, justificando a Protagonista na rejeição das experiências antagônicas, onde ela – numa mensagem subliminar do autor – procura construir sua visão de mundo a partir da sua própria ótica.

    A narrativa está bem estruturada, segue uma sequência lógica, permiti-nos a localização, e claro, a empatia por ambas, tanto a caça, quanto “o caçador”.

    *** conssumido/Consumido

    Permita-me ser bem melosa: Caí de amores!

  6. Fabio Baptista
    22 de maio de 2017

    Já comecei a comentar esse conto umas três vezes… hauhaua.

    Ele me deixou meio sem saber o que dizer e isso é bom. Já adianto que não foi dos meus preferidos (sempre acabamos no gosto pessoal), mas ele tem várias qualidades que garantirão boa nota.

    O jeito de contar é bastante peculiar… ao mesmo tempo que torna algumas passagens meio confusas, sem uma referência exata entre as transições, também transforma a leitura num desafio (de um jeito bom)… tudo é meio sonho, meio delírio, realidade, se misturando nos pontos de vista da javalina morta.

    Gostei da quebra da quarta parede quando o narrador apresenta a bifurcação à frente de Branca no desfecho.

    Algumas frases ficaram estranhas, mas não sei se foi intencional ou não:

    – certamente diria que companheiros
    – recuperar o que outrora seu
    – E ela que embora amasse os prazeres da boa comida
    – que um dia já fora vida

    – vegano lhe desse chace
    >>> chance

    Abraço!

  7. Anorkinda Neide
    21 de maio de 2017

    hahaha show!
    outra frase supimpa com javali q está no final do conto e por isso nao vou levá-la ao topico das melhores frases, por enquanto, por ser o ápice do conto.
    Achei tudo simpático, os sonhos, a javalina, o drama em sua consciencia se manifestando em sonhos, a doçura do javali comendo na mao dela, e a decisao final.
    o texto é bem escrito e cativa.
    parabens!
    abraços

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Publicado em 20 de maio de 2017 por em Imagem - 2017.