EntreContos

Literatura que desafia.

Passarinhos – Conto (Paula Giannini)

Ressuscitava passarinhos!

Era o que se dizia daquela menina ruiva com olhos de peixe morto. Ressuscitava pardais, andorinhas, sabiás, pombas e periquitos. Só não sabia ressuscitar quero-queros – tinha medo, diziam, da ruidosa ave que voava em sua direção aos gritos.

Ressuscitava pássaros, a ruiva menina de olhos tristes. Olhava o pobre desencarnado por uns minutos, colocava o fino dedo em seu peito, soprava-lhe a nuca e pronto. O defunto voava pelos ares sem olhar para trás ou agradecer.

No começo pensaram ser uma farsa, o abençoado dom de tão singular criança. Mas ressuscitamento após ressuscitamento o povo da cidade foi aos poucos se acostumando e aos poucos, também, foram surgindo gaiolas de coleiros e papagaios empoleirados para serem abençoados na praça onde a pequena brincava.

Laura, porém, nada dizia. Apenas levantava de leve os olhos e seguia construindo seu castelo de areia com um baldinho. A mãe, sem graça acudia. – A menina não era padre para benzer! – Se nem padre benze bicho… Benze! Mas só no dia de São Francisco.

Quando o bichinho vinha morto… Cabecinha pendendo para o lado, o dono geralmente às lágrimas. Aí sim, a menina parava, dava duas batidinhas em seu castelo com a pazinha amarela, erguia os olhinhos lânguidos e não se furtava a realizar seu ritual particular. Dedinho no peito, o sopro na nuca do finado e nada mais precisava ser dito. O serviço estava feito! A (in)feliz ave abria os olhos e voava, se debatendo nas grades de sua gaiola.

E assim seguia a vida de Laura, entre castelos, pássaros e restaurações.

Restaurações.

Era assim que dizia o pároco da cidade. – Visto que a menina não fazia a ave renascer, mas sim, e antes disso, ela a reanima! – Só o menino Jesus é capaz de dar a vida, você entende isso, Laura?

E Laura assentia calada e já de volta à brincadeira, sem dar muita atenção ao homem de batina que, também, – em segredo -, trouxera um colibri para que a menina repousasse o dedinho restaurando-lhe a vida miraculosamente.

Milagre não!

– Só o menino Jesus faz milagres! Laura repetia a lição, a fim de se livrar logo do sermão.

E assim os dias passavam… Mesmo naquele lugar, onde o tempo parecia haver se esquecido de assim o fazer. Os anos teimavam em correr leves como as andorinhas que iam e vinham, ensinando a menina a contar. Um passarinho, mais dois passarinhos, são cem passarinhos… São mil.

Lá por volta do milésimo centésimo septuagésimo quarto pássaro… Sim, o currículo da menina, agora uma moça de cabelos já não mais tão ruivos, era vasto! … Surgiu na praça, onde agora construía seus castelos, já não de areia, mas de sonhos, lendo poesia em surrados livros que emprestava da pequena biblioteca da cidade; um finado infeliz, envenenado por algum vizinho maldoso: Um pequeno gato angorá.

Gato?!

– Ora, mas gatos comem passarinhos! – A mãe ainda acudia a moça. Nunca havia ressuscitado um gato, a ruiva menina com olhos de peixe morto. Nunca havia, pensando bem, revivido algo que não voasse, ou tivesse bico… Ou penas.

E por que não? Sim, não, porque não?! Posto que tudo que é vivo morre… A moça estava realmente influenciada pelos livros que devorava nas tarde lentas da praça que, aos poucos, já havia dado como algo trivial o tal dom da tal menina que fazia aves voltarem a trinar.

Foi aí que ela, esticando, não um só dedo, mas dois, pelo óbvio motivo de ser o coração de um gato bem maior que o de um pássaro; sem titubear, tocou o peito do bichano uma vez.

Silêncio.

Nada houve.

O pobre animal continuava inerte em sua urna mortuária. A única que, sendo gato, lhe cabia. Uma caixa de sapatos masculinos de couro legítimo.

A multidão que já começava a se acumular para ver a novidade, faziam apostas. – Certamente, gatos não eram o forte da moça… – Laura, então, tocou o gato pela segunda, terceira, quarta vez. Nada. Gatos eram complicados. Uma forma de vida muito complexa. Mamíferos! Aprendera ela, ainda pequena, no único grupo escolar da cidade. Não… – Talvez o dom de ressuscitar pássaros realmente fosse apenas uma farsa. Uma mágica boba de uma criança cheia de esquisitices.

Sem se dar por vencida, a moça tentou pela quinta, a sexta. A sétima vez!

E foi nesse instante único e aterrador, que o felino arregalou os grandes olhos. As pupilas dilatadas sondavam os assombrados rostos que o fitavam. E foi diante de uma multidão, tão vasta quanto pode ser a multidão de tão pequena cidade, que o gato soltou um lancinante miado. O pelo do dorso arrepiado. Esticou o corpo em singular convulsão e as unhas expostas grudaram na primeira coisa que o tato encontrou. O rosto da menina. E em um único salto, sumiu entre os canteiros de Marias Sem Vergonha.

O Sangue jorrou.

Ninguém se deu conta do instante em que Laura, desfalecida, caiu. Na bochecha o corte. Marca de cicatriz que a acompanharia por todo o resto da vida.

A plateia que disputava a tapas o dinheiro das apostas também não percebeu o momento em que a moça se levantou confusa. Algo mudara nela. Não tanto pela repentina mecha de brancos cachos que surgiu em sua fronte sem explicação, mas antes e, sobretudo, por um tipo de mudança misteriosa que não se conseguia sondar por trás daqueles olhos de peixe.

Mortos!

Assim como mortos eram os gatos e cachorros, que começaram a surgir na praça, trazidos pelas mãos de seus apegados donos. Laura baixava o livro, estudava a pobre criatura e, sem pensar duas vezes dava-lhes, a todos, um pouco de si.

Cachorros eram seus preferidos. Sempre a faziam sorrir. Assim como todos que ressuscitara, levavam sempre um pouco de seu precioso tempo, mas em seu lugar deixavam uma generosa lambida no rosto ou nas mãos. Não eram como os gatos, que, invariavelmente trágicos, presenteavam-na, sem exceção, com as profundas marcas de sua nova presença na terra.

Ressuscitava animais!

Era o que se dizia agora da jovem de cabelos cor de prata e uma grande cicatriz no rosto cuja fama já chegara à cidade vizinha.

E os dias passavam lentos. Tanto quanto os lânguidos gatos que ela aprendeu a admirar, observando-nos nas mornas tardes sob o branco sol de outono.

Vez ou outra surgia uma novidade. Cachorros de outros portes, gatos de novas raças… Fora isso…

O nada.

Laura suspirava, abraçada ao livro que acabara de ter fim. Algo lhe faltava. Algo parecia se esvaziar de si… Mal suspeitava ela, porém, que não eram somente os cães a  lhe vigiar, aquele estranho formigamento na nuca, que por vezes a forçava a se voltar e…

Nada.

De longe e já há algum tempo, um moço com olhos de lince e boca de predador, encostado a um poste de luz, em segredo a observava.

– Ressuscitar cachorro é fácil… Quero ver é reviver vaca leiteira!

Rosnou o afoito rapaz, do nada… Sem aviso algum. Falou meio assim como quem nada quer… Era final de tarde e a luz do sol morrendo aos poucos, tingia os cabelos da jovem, de um vermelho que se assemelhava ao rubro frescor de seus dias de juventude.

Não que fosse velha. Longe disso. Os brancos cabelos chegaram cedo demais para uma menina que ainda esperava ansiosa pela maioridade. De certo modo, porém, se sentia cansada… Os dias de ressuscitações na praça haviam roubado algo de si. Algo que não conseguia definir. Algo que só encontrava nos livros. – Algo de minha anima. – Pensava ela, influenciada pela filosofia que agora devorava em livretos que comprava pelo correio. A deserta biblioteca da pacata cidade, há tempos se tornara pequena demais para ela.

Ressuscitar uma vaca… A debochada voz de barítono desafiou a moça, agora já sem a mãe ao lado para acudir.

Quem sabe por piedade à pobre vaca, sempre pronta a servir. Talvez pelo desafiador tom na voz daquele jovem que, por algum motivo, a fez corar, quiçá para quebrar um pouco a monotonia das longas tardes de sua vida… O fato é que Laura aceitou o desafio, impelida por uma inquietante e nova sensação. Algo que nunca experimentara antes…

– Não vejo vaca alguma por aqui.

Sua voz soou surpreendentemente resoluta. E talvez por isso mesmo, mordeu o próprio lábio, com desconcertante força.

Os amigos do rapaz surgiram como urubus diante da carniça. Do nada! E já arriscavam palpites sobre o resultado da peleja.

– Vaca não! Já um jumento…

Os amigos riam. Matheus rodeou a moça, e, cuspindo no chão meio de lado, colocou um ponto final na questão. Não fosse por isso. Agora mesmo, no cair da noite, os bestas dos amigos trariam a leiteira até sua majestade.

Sua majestade! Foi assim que ele a chamou. E como se não bastasse, limpou o filete de sangue nos lábios da jovem com o dedo e o levou à boca.

Já era tarde quando o animal chegou à praça, na sacolejante caminhonete do patrão de um dos rapazes.

O baque seco do animal no chão pegou Laura de surpresa. Nunca havia ressuscitado uma vaca. E para falar a verdade, nunca havia visto uma assim, tão de perto. De certo modo, porém, estava certa de que nada poderia sair errado. Pois se a pobre tinha um coração, este não poderia ser muito diferente daqueles que já conhecia tão bem em cães e gatos.

Talvez pela visão daquele enorme animal estirado ali, no chão da praça, diante de si. Quem sabe devido à multidão que agora se acotovelava ansiosa por mais um bizarro espetáculo de bicho retornando do além túmulo. Quiçá devido à irritante sensação, que a proximidade do ousado rapaz com olhos de lince lhe provocava… O fato é que por um segundo, ou mais, Laura sentiu que o mundo girava e o chão se abria em um imenso abismo sob seus pés.

E caiu…

Caiu de joelhos ao lado da vaca.

De olhos fechados e suando frio, a jovem sentiu que o abismo era incontáveis vezes maior que seu universo. Ouviu os fogos de artifício que, para surpresa sua, não estouravam dentro da própria cabeça, mas sim no céu de sua pacata cidade. Foi nesse instante único que seus olhos sustentaram os de Matheus. E foi nesse momento, igualmente único, que Matheus, por um segundo ou mais, também morreu um pouco dentro daquele olhar de peixe morto, daquela estranha moça que há tanto observava de longe.

Mais tarde ela soube que foi ele, moço com mãos de predador, quem trouxera os fogos de artifício. Queria dar mais dramaticidade à cena que se seguiu…

Laura, segurando o olhar do rapaz, mergulhada na profundeza obscura daquelas negras pupilas, estendeu a mão aberta sobre o peito da vaca e… Sem desviar os olhos por um instante sequer fez o dócil animal espirar o ar há horas extinto de seus pulmões.

A vaca se levantou confusa, incrédula, quem sabe, por estar de volta ao mundo de rudes homens, insaciáveis em sua ganância e já recolhendo o dinheiro das apostas com gritinhos finos.

Os fogos de artifício cessaram. E na praça não se viram aplausos ou agradecimentos. Ninguém pareceu se lembrar da moça trêmula que, beijada pelo rapaz, permanecera encarando o abismo, mesmo após o mesmo ser arrastado pelos ruidosos amigos para dentro da caminhonete.

– Parece abestado…

Os amigos riam cantando o pneu do veículo.

– Na próxima, vai ser cavalo!

Mas Laura não escutara. Pela primeira vez em toda sua vida se sentia incendiar. Parada ali, em meio à praça, não pareceu se dar conta da chuva fina que aos poucos se tornou tempestade. Tampouco percebeu que a mãe, alta madrugada, levou-a para casa enrolada em cobertor.

38 graus, a temperatura média do corpo de um cavalo. 39 graus, a temperatura das águas termais no estado de Goiás. 40 graus, a sensação térmica na cidade do Rio de Janeiro. 41 graus, o ponto de fusão de um fenol. 42 graus, a temperatura crítica de febre em um ser humano. 43 graus, a temperatura que leva um corpo a convulsões. 44 graus, a temperatura das febres extraordinárias de São Pietrelcino. 45 graus, a medida etílica dos destilados. 46 graus, a temperatura da jovem no momento em que seu coração parou.

Laura abriu os olhos.

Seu corpo flutuava estranhamente colado ao teto do hospital. Ou seria o contrário? Do alto ela se viu nua, sobre a maca de UTI. Pouco mais à frente centenas de animas a saudavam como em uma recorrente imagem de contos de fada.

Explosão!

Os fogos de artifício estouraram dentro de seu peito.

– Desfibrilador a 200 jaules…

E Laura voltou a si.

Voltou proibida terminantemente de realizar novos ressuscitamentos. A mãe não queria perder a filha por conta de um animal qualquer. – Cada um com a sua cruz… Todos têm a sua hora e Deus deve muito bem saber do momento de levar um bicho para o paraíso. – Dessa forma, a mãe selou a proibição. Estava acabado e ninguém a demoveria da decisão. Nem que para isso precisasse amarrar a filha em casa.

Silêncio.

O banco da praça já repleta de monotonia, vazio, completava o quadro da total desolação que se abateu sobre a agora também ressuscitada moça.

Amarrada aos pés de sua antiga escrivaninha, a jovem, cercada de livros que já não lhe interessavam mais, olhava através da vidraça cerrada, na esperança de encontrar ali o alento de algum coração restaurado.

Ressuscitava até vacas!

Era o que se dizia agora da jovem mulher de cabelos brancos, que com seus olhos de peixe morto, encarava o banco vazio através da vidraça trancada, com a sede de quem procura algo.

Pombas, gatos, pardais… Todos haviam desaparecido. Andorinhas, cães, periquitos… Os ruidosos apostadores da praça. Todos pareciam haver deixado aquela história para trás.

Exceto um.

Mateus surgiu frente à janela de Laura, fazendo-a voltar à vida.

Não que estivesse morta, longe disso. Mas o ressuscitamento da vaca e o retorno do mundo dos mortos haviam enclausurado algo dentro de si.

Algo que ela não sabia explicar o que era. Algo há tempos represado e que parecia agora se revelar na forma daquele singular rapaz com voz de barítono e olhos de lince.

E desta vez foram ambos a penetrar no abismo. Convenientemente separados por uma vidraça, os dois ficaram assim, mergulhados um nos olhos do outro por horas, dias, meses, anos… Quem saberia precisar o tempo em uma cidade da qual até mesmo o tempo se esquecera de lembrar. Se olhavam mútua e profundamente, com a curiosidade de quem busca conhecer a si mesmo. Um mundo de preconceitos e estranhezas os separava. Um mundo de preconceitos e estranhezas de igual modo os unia. Nada parecia ter força suficiente para quebrar aquele instante atemporal…

Nada!

Exceto um cavalo.

A pedra atingiu o vidro que rachou o momento ao meio. Os ruidosos amigos de Matheus chegavam à praça como moscas em torno da carne podre. Apostavam alto!  Traziam consigo um cavalo que ameaçavam abater caso Laura não fosse liberta de sua redoma.

Blefavam!

A moça só viu a arma no momento exato em que sua mãe relutante e histérica abriu o cadeado. Instante mesmo em que a bala, endereçada a Matheus, atravessou seu corpo e atingiu em cheio o cavalo.

Os três tombaram.

Laura, Matheus e cavalo. – Cada um com a sua cruz. – A mãe repetira por toda uma vida. Cada qual com seu destino foi o que Laura pensou, ajoelhada ao lado do pobre animal. Não estava em seu destino ressuscitar um cavalo. Beijou o bicho que pareceu cerrar os grandes olhos, aliviado e agradecido.

Ressuscitava seres humanos!

Era o que estava escrito na lápide do deserto cemitério daquela pequena cidade onde o tempo continuava teimando em não passar. Sobre ela, um senhor de brancos cabelos que só agora despontavam, depositara uma pedra. A quadragésima terceira… Agradecido, talvez, àquela jovem que um dia, há tantos anos, por algum misterioso motivo escolhera ressuscitar a ele e não a um cavalo.

– Cada um com a sua cruz…

O velho Matheus deixava para trás a datada inscrição. Ainda tinha os olhos de lince, as mãos, porém, já não eram de predador.

Laura 1958 – 1976

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8 comentários em “Passarinhos – Conto (Paula Giannini)

  1. Evelyn Postali
    29 de abril de 2017

    Gostei muito desse conto, Paula. Em determinadas partes, poesia pura. Eu confesso que ele perdeu um pouco o encanto quando os animais cresceram, talvez porque tenha quebrado aquele ar romântico.
    Colocando de lado o estudo da balística (sim, eu li os comentários) o final não precisaria ter cavalo. Acredito que Laura teria, contrariando a mãe, ressuscitado Mateus. E confesso, também, esse final tem meu total apoio, mesmo tendo pensado em ‘felizes para sempre de cabelos brancos e sem dentes’.
    Parabéns pelo conto.

    • Paula Giannini
      11 de julho de 2017

      Oi, Evelyn,
      Demorei, mas aqui estou para responder.
      Obrigada pela leitura carinhosa.
      Construí esse texto pensando em uma personagem ao estilo “Dog Ville”. Você assistiu? A ideia era retratar uma personagem que se doa ao extremo, em contraponto aos que confundem o ato de amar com o de ser servido.
      Beijos
      Paula Giannini

  2. marcilenecardoso2000
    27 de abril de 2017

    Viajei nesse conto… Estória linda, coesa, apesar de surreal. Mas surreal não é ruim, muito pelo contrário, faz a gente pisar em terras virgens! Adorei a ressuscitação da vaca, soou cômico. Lindo também a Laura ressuscitar o Matheus. Porém, não gostei do tiro. Se eram amigos não podiam ter atirado assim. Se a condição para não atirar era libertar a moça e isso estava sendo feito. Ou foi a mãe que atirou?

    • Paula Giannini
      11 de julho de 2017

      Oi, Marcilene,
      Obrigada pela leitura carinhosa.
      Construí esse texto pensando em uma personagem ao estilo “Dog Ville”. Você assistiu? A ideia era retratar uma personagem que se doa ao extremo, em contraponto aos que confundem o ato de amar com o de ser servido.
      Beijos
      Paula Giannini

  3. Cilas Medi
    23 de abril de 2017

    Eu gostaria de saber em que posição estavam os três para que somente uma bala os atingisse. E qual o motivo para o tiro, afinal, eram amigos e, no conto, a bala era endereçada a ele, Matheus? Um conto excelente, mas essa parte ficou sem uma explicação lógica, ou descrição melhor da ação.

  4. Eduardo Selga
    22 de abril de 2017

    A autora demonstra ter ótimo domínio de um elemento que muitos equivocadamente supõem basilar apenas no poema: o ritmo. Os frequentes parágrafos curtos, não raro compostos de apenas uma palavra, inseridos em instantes bem calculados, funcionam como rupturas de trechos longos que vêm anteriormente. Com essas sucessivas quebras de ritmo textual, a autora mantém o ritmo da leitura. Uma preocupação, talvez, em não deixar o texto demasiadamente denso e, assim, cansar o leitor.

    Se a motivação principal foi essa, eu acho que é preocupar-se demais em não incomodar o leitor. De todo o modo, do ponto de vista estético (e é isso o que importa num texto ficcional), ficou muito bom.

    O enredo é bastante criativo, conduzido por uma linguagem de poucas figuras e bastante efetiva. Dá para perceber que a preocupação da autora ao menos neste conto, reside muito mais na fabulação, ou seja, contar a estória, do que nos instrumentos que levam essa fabulação a efeito. Noutras palavras, a estória é mais importante que a linguagem, para a autora.

    Não obstante o construto textual resultar muito bom, entendo haver espaço para lapidar a linguagem da voz narradora, do modo, por exemplo, que a singularidade do dom da protagonista fique ainda mais evidenciado, mesmo sendo o fenômeno algo natural para ela.

    • Oi, querido. Que rápido. Mal vi que estava aqui e já há esse seu comentário maravilhoso. Esse é um dos meus primeiros contos. Um pouco antigo, mas que vai compor meu livro “Pequenas Mortes Cotidianas”, a ser lançado pela Editora Oito e Meio em agosto no Rio de Janeiro.
      Muito obrigada pela dica. Vou lapidar, sim, sim.
      Beijos
      Paula Giannini

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Publicado às 22 de abril de 2017 por em Contos Off-Desafio e marcado .