EntreContos

Literatura que desafia.

A Música Silenciosa (Laís Helena)

Capa e vestido se agitavam em uma dança silenciosa. A música tocava nas mentes dos dançarinos.

— Sabe, a gente podia fazer essa música tocar de verdade — a moça comentou.

— É? — O interesse brilhou nos olhos do moço.

— É, mas não no aparelho de som. Vamos fazer os livros cantarem.

O moço sorriu.

— Eles vão ficar arrepiados.

— Imagina os jornais amanhã: família alega ataque de fantasmas e dorme de cobertor na noite mais quente do ano.

Riram. Era bom estar morto. Muita diversão, nenhuma conta para pagar.

O pensamento fluiu entre eles. Riram outra vez.

— Os vivos são tão apegados!

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82 comentários em “A Música Silenciosa (Laís Helena)

  1. Gustavo Henrique
    27 de janeiro de 2017

    Muito bom! uma boa escrita. Esse foi pro top 20!!! boa sorte e parabéns! 🙂

  2. Thayná Afonso
    27 de janeiro de 2017

    Gostei da ideia, ainda mais dessa ironia, mas a execução do conto não me agradou. Provavelmente foram os diálogos que não me ganharam e a ultima frase pareceu desconexa com o restante do conto. Enfim, boa sorte!

  3. Remisson Aniceto (@RemissonA)
    27 de janeiro de 2017

    Uma forma cômica e divertida de se olhar por fora da gente, sem maiores responsabilidades além de observar a loucura desnecessária com que levamos a vida.

  4. Victoria
    27 de janeiro de 2017

    Achei o conto divertido. É um texto leve que traz um outro lado da assombração – os fantasmas se divertindo! Boa sorte

  5. Leandro B.
    27 de janeiro de 2017

    Oi, Etérea.

    O micro me lembrou um conto do Clive Barker em que um casal de fantasmas retorna a um motel para tentar salvar o casamento no além tumulo. Claro, lá a coisa acaba andando em direção ao horror.

    Gostei da releitura da assombração, mas acho que as construções não foram tão felizes. Tive a impressão de que precisava de mais palavras e não conseguiu resolver a questão da diminuição de palavras de forma eficiente.

  6. rsollberg
    27 de janeiro de 2017

    hahaha, bom conto!
    Tem algo de “os fantasmas se divertem”. Os espíritos ainda atrelados ao nosso plano, curtindo a imortalidade de um jeito tão humano. Podiam colocar um disco na vitrola, mas isso seria muito clichê, por isso querem algo mais inovador, para o infortúnio da pobre família.. O mais interessante é que eles criticam os vivos pelo apego as obrigações, mas eles mesmo também são apegados ao mundo dos vivos, caso contrário não estariam dançando ali,
    Parabéns!!

  7. Lee Rodrigues
    27 de janeiro de 2017

    Nooosssaaa! shuashuahsuahsu

    Rachei aqui!

    “Fazer os livros cantarem”, seria lança-los fora da estante? Se for, oww “marvadeza”, não com os vivos, com os livros. rs Brinks! Os vivos são tão apegados! rs

    P.S. A propaganda é a alma do negócio. rs

  8. Estela Menezes
    26 de janeiro de 2017

    Apesar de não ser original, o tema escolhido não deixa de ser divertido e curioso. No desenvolvimento, entretanto, acho que faltou mais um pouquinho de criatividade, pois as estripulias e sua justificativa me pareceram um tanto gratuitas, sendo que a afirmação no desfecho não tinha muito a ver com o que vinha sendo contado…Gostei do “Riram. Era bom estar morto.”

  9. Vitor De Lerbo
    26 de janeiro de 2017

    Uma brincadeira leve com um tema que é quase sempre abordado na temática de terror ou suspense. Gosto desse tipo de releitura pela coragem e criatividade necessárias para despir elementos de um gênero e vesti-los com uma nova roupagem.
    Boa sorte!

  10. Sra Datti
    26 de janeiro de 2017

    Outra história em que os “mortos” são conscientes e se vangloriam por não estarem “vivos”, rs.
    – Oh, mortos, não julguem os vivos dessa forma!
    Contito divertido, sem pretensões, boa escrita, sem tropeços.
    Parabéns!

  11. Gustavo Aquino Dos Reis
    26 de janeiro de 2017

    A concepção do conto é muito boa, mas a construção ficou aquém
    Ele é bem escrito, tem uma veia cômica latente, mas que não se sustenta até o final.
    Essa última frase não se encaixa em nada na narrativa.

  12. Simoni Dário
    26 de janeiro de 2017

    Fantasmas cheios de humor. Gostei disso! Um conto divertido e irônico perante a vida materialista dos viventes.
    Bom desafio!

  13. Rubem Cabral
    26 de janeiro de 2017

    Olá, Etérea.

    Bem divertido o conto: simpático o casal e bom desfecho para o enredo. Algumas pessoas ficam querendo sempre surpresas na última frase de um microconto, mas eu penso que é Síndrome de Shyamalan, rs.

    Nota: 8.

  14. Pedro Luna
    25 de janeiro de 2017

    Haha, conseguiu deixar leve e divertido o pesado tom da morte. Gostei. Espíritos zombeteiros aprontando todas. Me atentei principalmente para a observação no conto: “nenhuma conta para pagar”. Cara, isso deve ser um verdadeiro alívio. rs. Bom conto.

  15. Paula Giannini - palcodapalavrablog
    25 de janeiro de 2017

    Olá, Etérea,

    Tudo bem?

    Você fez um recorte cotidiano na vida de dois fantasmas (se é que isso existe). Os diálogos são bem desenvolvidos e a premissa é muito boa. Creio que o conto daria pano para manga para uma narrativa mais longa. Um conto ou mesmo algo maior.

    Eu queria ver os livros cantando. Rsrsrs

    Boa sorte no desafio e parabéns por seu trabalho.

    Beijos

    Paula Giannini

  16. Anderson Henrique
    25 de janeiro de 2017

    Idea bacana. A realização, nem tanto. Não sei se foram os diálogos que tiraram a força ou se o texto foi didático d+. Não gostei da última frase também. Achei-a descolada do restante. Não consegui perceber onde o apego entra na história. Valeu pela abordagem diferenciada do tema.

  17. Srgio Ferrari
    25 de janeiro de 2017

    Bem legal, mas deveria ter acabado muito antes e aí sim ficaria ótimo. Pô, encheu linguiça quando tinha uma bela picanha na mão. Quase, quase.

    Suprimiria todo esse trecho:

    O moço sorriu.

    — Eles vão ficar arrepiados.

    — Imagina os jornais amanhã: família alega ataque de fantasmas e dorme de cobertor na noite mais quente do ano.

    E também, repensaria a conclusão de somos apegados. Não tem muito indicativo para uma conclusão tão aleatória. Pode ser N conclusão neste final que soaria mais legal.

  18. angst447
    25 de janeiro de 2017

    O autor deixou claro que o conto tratava de dois simpáticos fantasmas, um casal, suponho. Narrativa simpática, divertida, brincadeira de assustar os vivos.
    Conto bem escrito, linguagem leve, fluidez no diálogo. Leitura fácil, sem entraves,mas também sem grande surpresa ou impacto.
    Boa sorte!

  19. Daniel Reis
    25 de janeiro de 2017

    Os fantasmas se divertem. Um conto simpático, bem descrito e conduzido, com dois personagens marcantes. A trama, mesmo simples, se revela pelos diálogos. Só a frase final, que eu não entendi: são os vivos tão apegados? Mas não são os dois espíritos que dançam e buscam a música dos vivos? Sei lá. Achei meio contrassenso.

  20. vitormcleite
    24 de janeiro de 2017

    achei o início muito interessante, mas depois a meio tudo se desvaneceu o que lamento, quando comecei a ler pensei que seria este um dos melhores textos do desafio, mas tudo se perdeu com o desenvolver do enredo

  21. Cilas Medi
    24 de janeiro de 2017

    Pela primeira vez um sorriso para o tom da morte.

  22. Davenir Viganon
    24 de janeiro de 2017

    Conto divertido. Nem muita criação de mistério, a revelação vem despreocupada como os fantasmas aprecem ser. O ponto forte são os diálogos. Soaram naturais e leves. Impossível não lembrar do filme “Os fantasmas se divertem”. Me lembra a época que eu ficava comendo bolacha e vendo esse e outros filmes na Sessão da Tarde.

  23. Lohan Lage
    24 de janeiro de 2017

    Leve, bem escrito.
    Curti, Etérea!

  24. Miquéias Dell'Orti
    24 de janeiro de 2017

    Oi,

    Ao ler seu conto lembrei do Beetlejuice, aquele filme do Tim Burton em que o casal morre e permanece assombrando a casa.

    Bem bacana a ambientação da história e a comicidade diálogo do casal, principalmente quando você descobre que eles são fantasmas.

    Leve e divertido. Parabéns,

  25. Felipe Teodoro
    23 de janeiro de 2017

    Olá!

    Conto muito bem escrito, com excelentes diálogos. Gostei da forma que a história se desenvolve, os personagens em poucas linhas soam tão vivos. Kkkkkkkk É verdade, mesmo. Bom, confesso que a forma como a morte é tratada aqui, não me cativa muito, mas no caso desse conto, que é regado de bom humor, foi uma leitura divertida. Queria apenas um impacto melhor no final e outra dica que dou, na escrita de micro contos, o título é de extrema importância, ele é o grande complemento da narrativa.

    Boa sorte!

  26. Mariana
    23 de janeiro de 2017

    Já dizia a velha fita que “os fantasmas se divertem”… Curioso

  27. Thata Pereira
    23 de janeiro de 2017

    Eu não li os comentários, por isso não sei se houve uma crítica por conta do autor ter entregado de uma forma muito direta o fato dos personagens estarem mortos. Não me importei, achei a forma como o conto foi conduzida bastante divertida e leve.

    A única coisa que me incomodou um pouco foi a ideia passada que os fantasmas/espíritos do conto têm algum tipo de poder, pois cogitaram fazer os livros cantarem.

    ”família alega ataque de fantasmas e dorme de cobertor na noite mais quente do ano.” –> quem nunca dormiu de coberta para fugir de fantasmas não sabe o que é desespero! rs’

    Gostei muito do conto.

    Boa sorte!

  28. Leo Jardim
    23 de janeiro de 2017

    Minhas impressões de cada aspecto do microconto:

    📜 História (⭐⭐▫): fantasminhas resolvem assombrar os vivos numa música silenciosa. Simples, mas simpático.

    📝 Técnica (⭐⭐▫): bom diálogo.

    💡 Criatividade (⭐▫): não é muito uma novidade.

    ✂ Concisão (⭐⭐): está bem fechado.

    🎭 Impacto (⭐▫▫): o texto leve, sem grande impacto. Levemente divertido, mas não muito mais que isso.

  29. Renato Silva
    23 de janeiro de 2017

    Conto em forma de diálogo; muito bom. Eu tentei criar algo parecido para este desafio, mas não deu certo. A narrativa, muito leve, até me lembrou um pouco aqueles obras infanto juvenis como “O fantasma de Canterville”, “Gasparzinho” ou “Os fantasmas se divertem”, quando o Tim Burton fazia grandes filmes. Gostei muito, parabéns pelo tom bem humorado desse casal simpático de espectros.

    Boa sorte.

  30. waldo gomes
    22 de janeiro de 2017

    Conto “gasparzinho” sobre um casal simpático de fantasmas.

    só isso.

  31. Tiago Menezes
    22 de janeiro de 2017

    Muito legal. Nos mostrou um casal de mortos bem divertidos. Texto leve e bem escrito. Parabéns.

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Informação

Publicado às 13 de janeiro de 2017 por em Microcontos 2017 e marcado .