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Literatura que desafia.

Partida (Rocamadour)

partida

Abriu as mãos e sentiu-se traída ao perceber que o inseto havia fugido. Então era assim? Era dessa maneira que lhe correspondia os cuidados dispensados ao longo dos últimos dias?

Foi correndo no quarto buscar a caixinha de fósforos e fez questão de incendiá-la bem ali, no meio do pátio, em sinal de protesto. “Pode ir, eu não ligo. Agora se você voltar, vai ter que ficar sozinho do lado de fora. Aqui dentro nunca mais! ” E esperou por dois dias, e depois mais dois, e mais um, e então convenceu-se mesmo de que ele jamais voltaria.

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82 comentários em “Partida (Rocamadour)

  1. Gustavo Henrique
    27 de janeiro de 2017

    Não sei porque, mas achei esse conto bem triste kk, ficou bom. Boa sorte e parabéns

  2. Remisson Aniceto (@RemissonA)
    27 de janeiro de 2017

    Tem valor, se aquele inseto for as nossas esperanças, os nossos sonhosa, nossas expectativas e na minha concepção é. Se tudo voa de repente por nosso descuido ou porque provocamos tal situação, muitas vezes não conseguimos reraver, ou demoramos para ter tudo ou parte de volta. Aqui no conto tudo foi perdido e resta o abandono.

  3. Sra Datti
    27 de janeiro de 2017

    Abriu as mãos e sentiu-se traída ao perceber que o inseto havia fugido. Então era assim? Era dessa maneira que lhe correspondia os cuidados dispensados ao longo dos últimos dias?

    Foi correndo no quarto buscar a caixinha de fósforos e fez questão de incendiá-la bem ali, no meio do pátio, em sinal de protesto. “Pode ir, eu não ligo. Agora se você voltar, vai ter que ficar sozinho do lado de fora. Aqui dentro nunca mais! ” E esperou por dois dias, e depois mais dois, e mais um, e então convenceu-se mesmo de que ele jamais voltaria.

    Vejo um recorte poético sobre algo mais profundo do que o texto aparenta. A dor que a ingratidão nos coloca no coração, tão cantada nas músicas de Cartola, em seu sambinha de raiz.
    Singelo.
    Grata pela viagem.

  4. Leandro B.
    27 de janeiro de 2017

    Oi, Rocamadour.

    Pareceu-me uma bem feita metáfora sobre separação. O subtexto ocupa um lugar sutil e interessante na história. A princípio, pensei no divórcio, mas a saída de casa de um filho também é uma explicação plausível. Enfim, um bom trabalho com metáforas.

  5. Victória
    27 de janeiro de 2017

    Achei o conto… Normal. É uma história bonitinha, inocente e bem descrita, mas não chegou a me cativar. Boa sorte no desafio.

  6. rsollberg
    26 de janeiro de 2017

    É um conto que tenta fisgar o leitor, criar empatia, mas o curto espaço não permitiu isso, pelo menos na minha opinião.
    As descrições são boas, mas fica faltando um mergulho mais profundo, ou melhor, um voo mais alto. O inseto aparenta ser a representação de outro personagem, oculto, nesse sentido, a analogia funciona, mas mais uma vez falta conexão, falta sensações.
    De qualquer modo, parabéns e boa sorte!

  7. Simoni Dário
    26 de janeiro de 2017

    Este conto é delicado e sensível, uma vez que transmite os sentimentos e sensações da personagem. Raiva em primeira instância, depois saudade e desilusão. Profundo, porém um tanto quanto vago.
    Bom desafio!

  8. Gustavo Aquino Dos Reis
    26 de janeiro de 2017

    Rocamadour,
    é uma obra sensível e que é prenhe de uma simplicidade infantil.
    A escrita é simples como o pensamento de uma criança, no bom sinal.
    Porém, infelizmente, a narrativa não me arrebatou.
    Achei um conto fofinho, que veio e foi. Como o inseto.

  9. Paula Giannini - palcodapalavrablog
    25 de janeiro de 2017

    Olá Rocamadour,

    Tudo bem?

    Seu conto e delicado e belo. O pequeno a ser cuidado até que fique forte e parta sem olhar para trás é um simbolismo forte e muito representativo. As leituras possíveis são variadas e vão desde a perda da própria infância, ou de um filho, até mesmo à metáfora do amor em si.

    No entanto, algo chamou minha atenção. Percebi que seu pseudônimo é o de uma cidade. Então, talvez você fale daquele que parte de seu lugar, não retornando jamais. Talvez seu conto trace um paralelo com o fado e conte uma história inversa ao usual neste tipo de música. Talvez a cidade cante seu amor ao homem.

    De qualquer forma, talvez o segredo e a beleza do texto esteja justamente nessa quantidade de interpretações que permite que o leitor faça, partindo de sua experiência própria.

    Parabéns por seu trabalho.

    Boa sorte no desafio.

    Beijos

    Paula Giannini

  10. Andreza Araujo
    25 de janeiro de 2017

    O texto pode ser interpretado como uma separação/traição/abandono. Mas prefiro a história singela da menina que perdeu amigo, a quem tanto tempo dedicou. A dor da menina é muito bem retratada no trecho em que se exalta para logo depois aguardar com esperança pela volta dele. Não entendi a cena da caixinha. A caixa de fósforos era a caminha do inseto? Ela coloca fogo na caixa de fósforos… que tinha fósforos… que era onde o inseto ficava… ou ela pegou duas caixas de fósforos? Parece bobeira mas fiquei agarrada nessa cena hahaahah grande conto, abraços.

  11. vitormcleite
    25 de janeiro de 2017

    gostei muito deste pequeno texto poético, muitos parabéns pelo resultado e por nos deixares a meditar

  12. Estela Menezes
    25 de janeiro de 2017

    Tô aqui me perguntando por que será tão difícil comentar certos contos… Todo mundo falando tanto e eu sem saber o que dizer… Se tivesse me tocado, eu certamente saberia o que dizer. E, se não tivesse me tocado, também… Acho que simplesmente me passou ao longe, numa partida meio imprecisa…

  13. Srgio Ferrari
    25 de janeiro de 2017

    De duas, uma: Ou é uma criança que armazena fucking caixas de fósforo no quarto!!!!!! ou uma aborrecente daquelas que fumam escondidas e é super hiper mega mimada, nojentinha da vida. De toda forma tem péssimos pais, provável. Dito tudo isto, ótimo micro que dá várias direções. Boa

  14. angst447
    25 de janeiro de 2017

    Como adoro simbologia, vou encarar a borboleta como um símbolo da liberdade.O amor escapa das mãos da menina quando ela resolve lhe dar a possibilidade de voo. No entanto,ela não esperava que ele (o inseto/o amado) se fosse. Esperava que continuasse ali na sua mão, de livre vontade.
    Fiquei em dúvida se ela foi buscar a caixa de fósforos para queimar o inseto ou apenas para ritualizar a perda do amor. Ou ainda se a caixa de fósforo havia sido a cama da borboleta pelos dias em que se restabelecia.
    Não encontrei falhas que incomodassem. Leitura agradável, mas sem deixar nada muito claro.
    Boa sorte!

  15. Daniel Reis
    25 de janeiro de 2017

    Infância é um dos meus pontos fracos: eu acredito, sinceramente, que o menino é o pai do homem. Quem somos, como crianças, vai responder a muitas coisas sobre onde estamos e até onde somos capazes de chegar. Aqui, a metáfora entre o inseto de estimação e o amor (seja ele um companheiro, um hobby, ou o que quiser que ele seja) é perfeita, e a espera do final faz parte da natureza humana. Por isso agradou tanto! Parabéns.

  16. Lohan Lage
    24 de janeiro de 2017

    Rocamadour, o seu texto infelizmente não me impactou. Fiquei ali, à espera daquele super final que nos derruba da cadeira, mas… não rolou 😦

  17. Laís Helena Serra Ramalho
    24 de janeiro de 2017

    O conto tem uma história completa, embora o enredo não tenha me agradado. Terminei a leitura com a sensação de que algo está faltando. Uma reviravolta, talvez, ou, quem sabe, um final diferente.

    A narrativa não foi muito imersiva. Ela conta muito e mostra pouco, e eu não consegui me conectar com a personagem.

  18. Pedro Luna
    24 de janeiro de 2017

    Rapaz, achei até simpático o conto. Ficou algo bonito entre a inocência e o egoísmo. O uso do inseto para evidenciar esses detalhes na personalidade de uma pessoa foi uma boa escolha. Gostei.

  19. Renato Silva
    24 de janeiro de 2017

    Não vi nada além do que narra o microconto. É apenas uma criança triste pela partida do seu bichinho, sem entender que essas criaturas não pensam como nós, não tem seno de moralidade ou valores, agindo apenas pelo instinto de sobrevivência. Não vi egoísmo e nem maldade na atitude dela, pois imagino que seja uma menina em idade pré-escolar, naquela fase em que fantasia e realidade se misturam e tudo é muito confuso ainda.

    Alguns comentários citaram uma analogia com o fim de um relacionamento. Bom, levando por este lado, achei interessante a primeira frase que diz “Abriu as mãos e sentiu-se traída ao perceber que o inseto havia fugido.”, onde esse “Abriu as mãos” seja no sentido de “abrir mão” de algo e não ser correspondida, se sentindo traída posteriormente. O texto pode muito bem falar do fim de um relacionamento e o do sofrimento de uma mulher que não conseguiu lidar bem com isso, mas eu ainda acho que o texto só tá falando de uma menina triste porque o seu insetinho foi embora.

    Boa sorte.

  20. Miquéias Dell'Orti
    23 de janeiro de 2017

    Olá,

    São várias as facetas de uma pessoa magoada pelo abandono. Algumas choram, outras se revoltam com a situação, quebram tudo, xingam a todos. Mas a esperança no retorno está sempre ali, não é?

    Um bom conto no que se propõe, com a estratégia de contar uma situação inusitada e aparentemente simples como metáfora para esse tipo de relação humana.

    Muito legal.

  21. Felipe Teodoro
    23 de janeiro de 2017

    Boa noite.

    O primeiro parágrafo é muito bem escrito. Já na sequência, após o “incendiá-la ali” as coisas ficam meio bagunçadas. Ela mata o inseto?

    Depois me parece a fala de uma criança, e se tudo acontece em um pátio, o local seria uma escola ou até mesmo um orfanato? Nesse caso, a questão da solidão é a chave para o entendimento do conto. Ou a banalização da morte e da saudade? Enfim, um conto que deixa coisas em aberto e parece fragmentado demais.

  22. Mariana
    23 de janeiro de 2017

    Necessita algumas leituras… É bem escrito, mas não me conquistou. Boa sorte!

  23. Vitor De Lerbo
    23 de janeiro de 2017

    Se ela tivesse cuidado do jardim ao invés de queimar a caixa de fósforo…
    Creio que há algumas metáforas nesse conto, que o enriquecem. O apego seguido por abandono é algo corriqueiro e doloroso.
    Boa sorte!

  24. Cilas Medi
    23 de janeiro de 2017

    Não entendi nada no sentido do objetivo e quem são os personagens realmente, portanto, não consigo dizer se é um bom, médio ou péssimo micro conto.

  25. Jowilton Amaral da Costa
    23 de janeiro de 2017

    Um conto médio. Eu entendi literalmente. Imaginei uma criança que havia cuidado de um inseto e ficou indignada quando ele se recuperou e partiu, inclusive por conta de como foi escrito, dando a nítida impressão, ao menos para mim, que era a fala de uma criança. E singelo e não me impactou o suficiente. Boa sorte.

  26. catarinacunha2015
    23 de janeiro de 2017

    Não entendi nada nas 3 leituras que fiz, logo um MERGULHO de costas. Se foi sentido figurado desfigurado está. O que me incomoda é constatar que está muito bem escrito, mas não me causou IMPACTO necessário para gerar empatia. Só fiquei um pouco preocupada com o inseto.

  27. Lee Rodrigues
    23 de janeiro de 2017

    Oww coisa gostosa de ler…

    A autora usou a inocência para tratar das reações humanas, há quem diga que a persona é egoísta e descontrolada, mas cada um que sabe a dor que carrega.

    A espera ressentida, a desilusão e constatação do esquecimento. Tem a coisa de deixar livre, e é muito bonito dizer que somos desprendidos, maduros e talls, mas quando “Mozão” some bate uma bad… e é cada surto, textão… isso não deixa de ser uma forma de valorizar a caixinha, até porque não há o botão off/on emocional.

  28. Thayná Afonso
    22 de janeiro de 2017

    A reação da menina poderia ser vista como egoísta, mas é algo inevitável, todos nós acabamos ressentidos com certos abandonos. A metáfora foi bastante bonita, assim como o conto. Gostei muito, parabéns!

  29. Davenir Viganon
    22 de janeiro de 2017

    O conto tem uma atmosfera de um conto que apareceu aqui nos clássicos, chamado “Jeito de matar lagartas” de Antônio Carlos Viana. Fala sobre a vida usando o universo infantil com muita naturalidade. Ficou muito bom!

  30. Wender Lemes
    22 de janeiro de 2017

    Olá! Acho que o remorso do abandono é universal, assim como a identificação com esse conto. Podemos transpor esse mesmo sentimento sobre uma desilusão amorosa, a perda de um ente querido – ou de qualquer ser a quem nos dedicamos e que, sem justificativa válida (nenhuma é válida), nos deixa. É nessa universalidade que vejo o maior valor do conto, na clareza com que descreve algo tão inocente e significativo.
    Parabéns e boa sorte.

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Informação

Publicado às 13 de janeiro de 2017 por em Microcontos 2017 e marcado .