EntreContos

Detox Literário.

Sem Você – Conto (Simoni Dário)

 

sem_voce

– Como posso ser feliz?

– Sorrindo.

– E se o sorriso for falso?

– Mantenha, por exercício.

– Estou cansado de me exercitar.

– Persista.

– Para que tudo isso?

– Uma vida de felicidade.

– Mas a morte vem e leva tudo?!

– Calma, você tem muita vida pela frente.

– Como você sabe?

– Apenas sei.

– Quem é você?

– A Consciência.

– Sai daqui, vivo melhor sem você.

E assim, na amargura da vida, ele se foi, sem sorriso, sem persistência, sem dor. Ao final, só lhe restou a escolha.

Anúncios

10 comentários em “Sem Você – Conto (Simoni Dário)

  1. Simoni Dário
    4 de setembro de 2016

    a partir* (nossa, repeti isso mil vezes no coments, desculpe).

  2. Simoni Dário
    4 de setembro de 2016

    a partir*

  3. Marco Aurélio Saraiva
    2 de setembro de 2016

    Gostei. Faz a gente pensar!

    • Simoni Dário
      4 de setembro de 2016

      Que bom que gostou e te fez pensar, era essa a intenção (reflexão sempre). Obrigada pela leitura Marco Aurélio, e pelo comentário, sempre bem vindo.
      Abraço

  4. Eduardo Selga
    1 de setembro de 2016

    O gênero narrativo conto é caracterizado por atomizar a ação, se comparado ao romance e à novela, de modo que a ação fica circunscrita ao essencial, ao “momento privilegiado”, como já dito por um teórico da área. Uma interpretação açodada desse princípio considera, equivocadamente, que a presença de personagens e ações secundárias descaracteriza o conto e lhe tira a qualidade.

    Por ser um micro ou mini conto, esta narrativa evidentemente radicaliza a atomização, a ponto de eliminar elementos considerados fundamentais, como a ambientação, o que pode fazer supor de má qualidade o texto. No entanto, há uma narrativa efetivamente “visível” ao leitor em sua essência, e nela a ambientação e o espaço ficcional, elementos que não se confundem, não são indispensáveis.

    Mas uma narrativa é uma estória ficcional? Num sentido amplo, sim, trata-se de termos sinônimos; num sentido mais estrito talvez não, pela ausência de certos elementos-base. E se de fato considerarmos válida essa dissensão, em que medida isso é importante no fazer e na recepção textual?

    Tomando agora outro caminho.

    O diálogo entre a Consciência, cuja inicial maiúscula a indica como personagem, e outro identificado apenas como “ele”, é marcado por um discurso similar à autoajuda e ao senso comum que põe o otimismo num pedestal, como se apenas ele impedisse a infelicidade. Tais aspectos fazem o conto dialogar com a fábula, até mesmo pela presença de uma “verdade moral”. Não há o elemento mais característico dela, o animal que fala, mas sugere-se que a consciência esteja antropomorfizada, seja pela inicial maiúscula, seja por travar um diálogo por meio do discurso direto (os travessões marcadores de “fala”).

    • Simoni Dário
      4 de setembro de 2016

      Obrigada Selga, não preciso nem falar da honra em receber teu comentário (vou parar porque me empolgo e exagero na rasgação de seda, mas é a mais pura verdade).Quando li fiquei na dúvida de ter entendido, já que a tua linguagem é de alto nível e muito bem embasada, mas para uma leiga fica difícil de pegar, às vezes, numa primeira leitura. Li novamente porque eu tinha torcido o nariz para o que você falou sobre Fábula. Sou verde em literatura e então fui para o Google buscar entender o que é Fábula na literatura e na pesquisa dizia que o maior Fabulista do Brasil foi Monteiro Lobato. Aí tive um pitii, primeiro porque sempre amei Monteiro Lobato, tive a coleção completa dele na minha infância e me arrependo muito de ter doado a mesma para uma biblioteca. Segundo porque amei mais o teu comentário e fiquei bem entusiasmada com ele.

      Li novamente meu próprio texto com o olhar de “Fábula” e enxerguei o que você quis dizer. Fiquei surpresa com o novo entendimento, você tem razão, a cara é de Fábula e quando escrevi não tive a menor intenção.

      Fiz o texto usando a reflexão como sinônimo de qualidade de vida mesmo, já que penso que quanto mais refletimos melhores podem ser as nossas escolhas e os nossos caminhos. O personagem homem no meu conto fez uma escolha e seguiu por um caminho, foi livre para escolher. Nao sei onde foi parar, mas pelo raciocínio do início do texto presumo ter ido pelo caminho mais difícil, dolorido e solitário.

      Escolhas que fazemos na vida, às vezes boas, às vezes nem tanto (quantas vezes não segui a minha intuição e pensei: putz, e se eu tivesse feito daquele outro jeito, não teria sido melhor?)

      Enfim, fiquei eu aqui refletindo muito em cima do teu brilhante comentário e te agradeço por isso. Maravilhoso! (Desculpe, não resisti)

      Super abraço.

  5. marcelo0331
    1 de setembro de 2016

    Em poucas palavras, descreve uma vida intensa. Parabéns.

    • Simoni Dário
      4 de setembro de 2016

      Obrigada Marcelo, também acho que a vida dele foi intensa a partir das escolhas que ele fez. Consciência ele tinha, considerei um momento de lucidez, como temos ao longo da vida, e as escolhas muitas vezes nos pregam peças (não sei no caso dele, estou refletindo ainda…).
      Abraço

  6. Neusa Maria Fontolan
    31 de agosto de 2016

    Gostei, curto e conta uma história inteira.

    • Simoni Dário
      4 de setembro de 2016

      Obrigada Neusa, bom que você viu como uma história inteira, penso que a partir do momento em que nos abrimos para reflexões, a vida começa a tomar rumos a partir do livre arbítrio, consequentemente, nos levam a fazer escolhas e apartir daí traçamos os nossos caminhos (destino).
      Abraço.

E Então? O que achou?

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Informação

Publicado às 31 de agosto de 2016 por em Contos Off-Desafio e marcado .