EntreContos

Literatura que desafia.

A neblina, o bosque e a montanha (Phillip Klem)

A neblina o bosque e a montanha

Caleb abriu seus olhinhos devagar, piscando com dificuldade para a luz cálida que banhava o lugar onde estava. Que lugar era aquele, afinal? Tudo o que o menino conseguia ver era uma neblina densa e úmida, que causava um arrepio gelado. Tentou sentar, mas não sabia nem se estava deitado. Não sentia o que era em baixo ou em cima. A luz parecia vir de todos os lados. Procurou lembrar-se de alguma coisa, qualquer coisa, mas não conseguiu. Não fazia ideia de quem era, de onde estava e nem de como foi parar ali.

É como estar no nada, pensou, e mil coisas começaram a passar em sua cabeça. Talvez eu esteja sonhando, ou aténão vivo. Preferiu não dizer a palavra.

Flutuou por uma eternidade, ou apenas por alguns momentos. Não sabia ao certo, pois o tempo parecia não existir ali. A neblina era tão calma e silenciosa que seus olhos começaram a ficar carregados novamente. Se eu me deixar dormir, só um pouquinho, talvez eu acorde desse sonho maluco. Deixou-se levar pela placidez do lugar e a luz foi desvanecendo lentamente por trás de suas pálpebras. Porém, um som gentil e suave, mas intenso como o fogo, o despertou. A princípio não soube dizer o que era, mas, após alguns minutos, compreendeu que era uma voz. Toda vez que começava a fechar os olhos a voz, vindo do nada e indo para lugar nenhum, o acordava. O menino não entendia o que ela dizia, nem tinha certeza se dizia alguma coisa, mas era tão doce e reconfortante que parecia um abraço e acendia dentro dele a vontade de permanecer acordado. E o medo de fechar os olhos e nunca mais ouvi-la.

Começou a sentir-se subitamente mais pesado. Uma sensação de estar sendo puxado levemente para baixo. Seus pés tocaram em algo macio e, de repente, Caleb notou que estava de pé sobre uma grama baixa, pontilhada de gotículas transparentes. Suas pernas tremiam sob o peso do corpo, que aumentava à medida que a neblina ia se dissipando.

A misteriosa voz foi ficando cada vez mais fraca e distante, e o menino olhava para todos os lados tentando, em vão, encontrar sua origem. Com um sussurro doloroso ela desapareceu por completo, e Caleb sentiu um vazio tão grande no peito que caiu de joelhos e gritou de dor, sem compreender o que estava acontecendo. Era como se a voz, ao partir, tivesse levado parte de quem o menino era.

Ficou ali, de joelhos sobre a grama molhada, tremendo de medo. A dor foi, lentamente, dando lugar a um vazio ainda maior, como um buraco negro no meio do seu peito. Sua respiração ardia e seus olhos lacrimejavam.

A neblina, agora, era só um borrão bem sutil no meio das árvores, e Caleb já conseguia distinguir que estava em uma clareira no meio do que parecia ser uma floresta, ou um bosque. Fez força para levantar-se, mas ainda estava muito fraco. Sentiu-se a criança mais desgraçada do mundo. Estava sozinho, perdido e vazio, então se encostou a uma pedra e fez a única coisa que podia: chorou.

Se estivesse em silencio teria ouvido tudo, mas o som dos seus soluços abafou o barulho dos passos que se aproximavam por trás dele.

― Por que chora pequena criatura?

― Ahhh! ― gritou Caleb.

― Ahhh! ― respondeu o estranho, tropeçando para trás.

O susto foi tão grande que Caleb deu um pulo e engoliu o choro. Bem na sua frente estava um homenzinho gorducho e atarracado que não chegava à altura dos seus ombros. Tinha uma barba branca que lhe descia até o peito e olhos bondosos, mas que estavam arregalados de espanto, olhando para ele.

― Galvin não queria assustar ― disse o homenzinho ― Galvin só ficou preocupado que ouviu grito e viu criaturinha chorar.

― Quem é você? ― perguntou o menino, ainda receoso.

― Meu nome Galvin, anão do bosque. ― Disse, dando dois passos na direção de Caleb ao mesmo tempo em que o menino recuava para longe. ― Oh, não ter medo. Galvin é bom pra criaturinha. ― Estendeu a mão, sorrindo ― Vem, levanta que chão é muito frio e grama tem besouro.

Caleb analisou a cara risonha do anão por alguns segundos e decidiu que confiaria nele. Não havia mais ninguém em quem confiar.

― Ok, mas eu não sou criaturinha. Meu nome é Caleb.

― Prazer em conhecer Écalebi ― disse, pegando a mão do menino.

Caleb ia corrigi-lo, mas, ao tentar levantar-se, sua vista escureceu e suas pernas falharam. Caiu de volta na grama.

― Ahhh! ― gritou Galvin, mas sua voz parecia a quilômetros de distância.

A clareira desapareceu, assim como o anão. Caleb sentiu como se flutuasse de novo, mas dessa vez não havia paz. Era como cair num abismo escuro e sem fim. Sons de metal rangendo e sirenes soando ensurdeciam seus ouvidos. Havia um murmurinho que ele não distinguia, e um som agudo e ininterrupto que o estava quase enlouquecendo. Não conseguia falar, ou sequer gritar. Então, subitamente, tudo ficou no mais absoluto silêncio. E a única coisa que se ouviu foi o som mais sublime que o menino jamais ouviria:

― Volte para casa.

  •  •

Caleb acordou e viu a cara rechonchuda de Galvin a olhar para ele com um sorriso enorme.

― Uba! Écalebi acordou finalmente. Tem estado dormindo muitas horas, criaturinha.

Caleb notou que não estava mais na clareira, mas sim em um cômodo pequeno e quente, que cheirava a lenha queimada. O anão caminhou até a lareira e pegou a chaleira que ali fervia, derramando um pouco de chá numa xícara de madeira.

― Aqui, Écalebi. Sentir melhor se beber isso. ― disse Galvin, oferecendo a xícara fumegante ao menino. ― Galvin fez chá de Flor da lua para melhorar você, mas precisa beber quente.

O menino sentou-se com a ajuda do anão e começou a bebericar o chá. Logo no primeiro gole já se sentiu significativamente melhor e mais aquecido.

― Uau! O que é isso? ― perguntou, já tirando de cima de si os cobertores que o anão havia colocado.

― Flor da Lua, já disse Galvin. Faz passar por um tempo qualquer efeito de magia negra.

― Magia negra? ― Caleb sentiu um arrepio percorrer sua espinha. ― O que aconteceu comigo?

― Galvin tentou tirar Écalebi do chão, mas criaturinha caiu de volta. Pensei que era besouro que mordeu, mas não era.

― Não, antes disso. ― Bebeu um grande gole do chá. ― Você falou sobre magia negra.

― Ah, sim! Magia ruim. Écalebi tem sorte estar vivo.

― Sim, mas, o que aconteceu? ― Caleb já estava ficando impaciente.

― Roubaram coração de Écalebi. ― Afirmou o anão com a maior naturalidade, apontando para o peito do menino.

Caleb arrancou a camisa e olhou para baixo. Em seu peito havia uma compressa com flores e algumas ervas, provavelmente colocadas por Galvin. Retirou-a lentamente e viu algo impossível. Onde era para estar seu coração havia uma grande mancha negra e pulsante. Sentiu um nó apertar sua garganta.

― Como isso é possível? ― exclamou atônito, olhando para Galvin ― Como eu ainda estou vivo?

O anão apenas deu de ombros.

― Flor da lua.

O menino levantou-se e foi olhar no espelho a mancha que consumia seu peito. Ela pulsava suavemente, como um coração negro e maligno.

― Mas por que alguém ia querer roubar meu coração?

― Troll da montanha. ― Explicou Galvin, e lançou algo no fogo da lareira  ―  Muito tempo antes de Écalebi chegar, Troll era rei e povo era feliz. ― Enquanto falava, o fogo foi tomando formas estranhas, e a história ganhou vida diante dos olhos de Caleb. ― Mas Troll achava reino muito pequeno e queria dominar reinos em volta. Coração dele ficou negro com ganância. Mas coração mau não governa reino bom. Galvin e anões amigos fizeram magia, e coroa não mais aceitou Troll como rei. Agora Troll precisa coração puro pra enganar magia e colocar coroa, pra ficar poderoso de novo e dominar mundo. Écalebi é puro e tem coração, então Troll pegou…

O fogo crepitou de volta para seu lugar, deixando Caleb aterrorizado.

― E o que vai acontecer comigo? ― perguntou o menino.

― Écalebi… ― Galvin suspirou, voltando os olhos para baixo ― Écalebi não viver pra ver primavera. Talvez nenhum de nós…

―Mas… mas… ― seus olhos embaçaram e ele começou a chorar copiosamente. ― Eu nunca fiz mal a ninguém. Nem sei como vim parar aqui! Quero meu coração de volta. Quero ir pra casa.

― Onde casa de Écalebi? ― o anão pôs as mãos em seus ombros, tentando consolá-lo.

― Eu não sei ― respondeu Caleb, secando as lágrimas com a manga da camisa. ― Não me lembro.

Sua cabeça era uma confusão de dúvidas e medo. Não queria morrer. Mesmo sem saber onde era, preferia estar em casa agora. Começou a sentir falta da placidez da neblina, de antes de roubarem seu coração e o condenarem à morte.

― O herói não sabia o que fazer, mas sabia que tinha de fazer alguma coisa, ou todo o reino pereceria…

― O que você disse? ― perguntou o menino, sentindo um fogo acender onde seu coração costumava estar.

O anão olhou para Caleb, surpreso.

― Disse o que?

― Eu ouvi alguma coisa. Não foi você?

― Hum hum ― balançou sua cabecinha rechonchuda. ― Galvin não dizer nada.

― … então limpou suas lágrimas, vestiu sua armadura…

― De novo! Você não ouviu? ― olhou em volta, mas só estavam os dois ali. Seu peito queimava, mas não de maneira dolorosa. Era um fogo que o fazia sentir-se vivo e o enchia de coragem. ― Eu já ouvi essa voz antes, é como se viesse de dentro de mim.

― Ohhh! ― gritou Galvin, e arregalou os olhos. ― Voz vem daqui? ― perguntou, pondo a mão sobre a mancha no peito do menino.

Caleb ouviu mais uma vez.

… e partiu de espada em punho, para lutar por sua vida e por todos a quem amava.

― Sim. ― Respondeu, com toda a certeza. ― Aqui de dentro.

― Ubaaa! ― o anão gritou e saiu pulando, festejando. ― Há esperança! Há esperança!

O menino não sabia exatamente por que, mas também estava sorrindo.

― Écalebi não entende? ― o menino fez que não com a cabeça. ― Voz que fala é alguém que mora no coração de Écalebi, alguém que ama muito. Troll ainda não conseguiu usar coração por que amor muito forte nele. Ainda há tempo de pegar de volta! Uba!

Caleb sentiu-se mais vivo e corajoso que nunca. Talvez fosse a Flor da lua, mas, bem lá no fundo, ele sabia que era a Voz.

Alguém que eu amo, pensou, e que me ama muito. Preciso fazer alguma coisa. Tenho que pegar de volta meu coração. Não por mim, mas por quem me ama. E olhou para o anão com um brilho no olhar.

― Galvin, o que eu tenho que fazer?

― Lutar Troll da montanha. E vencer.

― Ok ― engoliu seco ― me mostre onde ele está.

  •  •

A caminhada até a montanha do Troll foi extenuante. O efeito mágico da Flor já estava passando e a armadura que Galvin emprestou, que fora dele muito tempo atrás, pesava demais.

― Não vou conseguir lutar vestindo isso. Mal consigo dar dez passos! ― disse o menino, arfando de cansaço.

― Écalebi precisa proteção ― protestou o anão. ― Troll muito forte e tem garras afiadas. Não vai desistir coração fácil.

Subiam por uma estrada íngreme, toda feita de pedras grossas e irregulares. A montanha era escura e sombria. Algumas casinhas de pedra margeavam o caminho. Caleb não viu nenhum morador, mas podia ouvir as portas e janelas batendo à medida que os dois passavam.

― Por que estão com medo de nós?

― De nós não. De batalha ― e apontou para Caleb. ― Não confiantes destino deles nas mãos de criaturinha frágil.

Isso sim é animador, pensou, e apertou a mão em volta do cabo da espada para não mostrar que estava tremendo.

Chegaram, por fim, ao castelo do Troll. As portas estavam abertas, como se já fossem esperados, e não havia nada mais aterrorizante que isso. Caleb suava frio debaixo da armadura. A mancha negra pulsava ferozmente, como se fosse seu próprio coração palpitando de medo.

― Hora é agora, Écalebi ― sentenciou Galvin. ― Com medo?

― Hum hum ― murmurou, fechando a viseira do elmo. ― Apavorado.

Galvin riu.

― Não ter medo, Écalebi. Troll muito grande e forte, você pequeno. Mas força e tamanho não vencer mal, bondade sim. E isso Écalebi ter de sobra.

Abraçou o menino, que o abraçou de volta, e depois gritou:

― Ahh! Quase esquecendo! ― empertigou-se todo, procurando algo nos bolsos do casaco. ― Aqui está. Flor da lua. Mastiga um pouco pra não morrer antes da hora.

― Galvin! ― protestou, mas logo sorriu. O amigo era assim mesmo.

Os corredores do castelo pareciam sussurrar seu nome. O lugar era quase um labirinto. Caleb brandia a espada para cada sombra ou canto escuro, pensando que o Troll estava ali, escondido, pronto para fazer uma emboscada. Mas no final acabava sempre lutando com nada. Continuou caminhando até que viu duas portas de madeira, muito altas e pesadas. Tem que ser aqui, pensou, e usou toda a força que tinha para empurrá-las.

As portas deram em um salão amplo, como um templo ou coisa parecida. Uma luz vibrante cintilava no centro do grande cômodo, quase ofuscando o olhar de Caleb. Descansando sobre um pedestal majestoso estava um baú de cristal, e dentro dele algo vermelho vivo palpitava.

― Meu coração!

Caleb correu, esquecendo-se do perigo. A luz que emanava do baú projetava-se no teto, formando imagens que o menino não compreendia. Então algo o atingiu com toda a força, arrancando seu elmo e derrubando-o no chão.

― Quem é o imprudente que ousa entrar no castelo e roubar do Rei? ― esbravejou o Troll, com sua voz grave e rouca que preenchia toda a extensão do salão.

Caleb estava caído e com a cabeça doendo. Sabia que provavelmente não sairia vivo dali, mas não fraquejaria agora.

― Não é roubar se eu pegar só o que me pertence. ― Disse, usando a espada como apoio para levantar. Só então conseguiu ver seu oponente.

O Troll estava de pé, bem do lado do Baú. Era alto como uma árvore e forte como cem touros. Sua bocarra espumava de raiva, revelando dentes que faziam a espada de Caleb parecer um palitinho.

― Ora, se não é o menininho do coração. ― O Troll começou a rir. Um riso que em nada parecia uma risada, mas que fez o chão estremecer. ― O que foi? O anãozinho te fez acreditar que poderia me vencer?

Caleb não disse nada, apenas o encarou. Tremia tanto que quase não conseguia segurar a espada.

― Vamos fazer o seguinte ― deu um passo na direção do menino. Mais um tremor de terra. ― Você sai daqui agora, com essa espadinha ridícula, e eu o deixo viver. Já fiz isso quando arranquei seu coração, não me custa nada fazer de novo.

― Não! ― respondeu Caleb, e o sorriso maligno nos lábios do Troll cessou. ― Não vou sair daqui sem meu coração ― fechou os olhos e suspirou, lembrando-se da Voz. Então olhou para o gigante, cheio de coragem. ― Alguém precisa dele.

― Não mais que eu. ― Disse o Troll, partindo como uma avalanche para cima de Caleb.

O grito do monstro era ensurdecedor. Suas garras passaram zunindo a centímetros do rosto de Caleb, que se esquivou a tempo. O menino correu o mais rápido que pôde. Sentia a respiração quente e malcheirosa do Troll atrás de si, chegando mais perto a cada investida. Pegou uma tocha e a atirou no rosto do gigante, o que só serviu para deixá-lo ainda mais furioso.

― Eu vou arrancar sua cabeça! ― bradou o Troll, golpeando Caleb em cheio com sua mão enorme.

O menino foi lançado através da sala e bateu contra a parede. Uma dor imensa invadiu todo o seu corpo, fazendo-o gritar. Nunca estivera tão assustado em toda sua vida. O Troll lançou-se sobre ele e o derrubou no chão.

― É assim que se mata um verme! ― trovejou, e pôs seu pé monstruoso sobre o peito do menino.

Começou a apertar seu corpo. Caleb estava sendo lentamente esmagado. O desespero tomou conta de si. Não conseguia chorar, ou gritar. Sua garganta ardia, pedindo ar. Sentiu a armadura estalar, cedendo sob o peso colossal do Troll. Era assim que ele morreria. Não por estar sem coração, ou por ser consumido pela mancha negra, mas achatado por um mostro dez vezes maior que ele. Seu peito começou a queimar.

Olhou para cima. Por trás da figura monstruosa do Troll, viu o teto do salão, e as luzes do baú de cristal, projetando imagens que não faziam sentido algum.

Viu um quarto, completamente branco, e uma mulher sentada em uma poltrona enorme. Era a mulher mais linda que Caleb já havia visto e seu peito encheu-se de alegria, como se o vazio que sentia antes tivesse sido preenchido pela presença dela. Ela tinha um livro no colo. Seus dedos, delicados como o veludo, iam deslizando sobre as páginas, linha por linha, frase por frase. Havia algumas gravuras, também. Um bosque, um anão, uma estrada subindo a montanha. A mulher virou a página, tão delicada que Caleb quase ouviu o som do papel movendo-se. Havia outra gravura. Era um cavaleiro vestido em uma armadura, com uma espada nas mãos, lutando contra um mostro enorme e de aparência voraz.

Os dedos da mulher continuaram correndo sobre as linhas. Caleb quase podia ler o que estava escrito. Ou melhor, ele podia ouvir. Sutilmente, as palavras saltaram das páginas e começaram a ecoar pelo salão do Troll, entoadas por uma voz sublime.

O herói lutava para respirar, sob o enorme peso do monstro maligno.

― O que vem a ser isso? ― esbravejou o Troll, com sua voz ribombante, e cedeu um pouco o peso do pé sobre Caleb.

O menino recuperou o fôlego e sorriu, reconhecendo a Voz que o enchia de vida, e que agora vinha de dento do baú. De seu coração.

O monstruoso Troll estava assustado. A Voz tinha sobre ele o efeito contrário ao que tinha sobre Caleb.

― Que tipo de magia é essa? ― gritou, dando um passo em falso para trás e libertando o corpo do menino.

Agora livre, o nobre cavaleiro tomou sua espada nas mãos e lançou-se sobre seu oponente

Caleb pôs-se de pé, deixando cair a armadura, e encarou o gigante, que guinchava pelo salão, procurando a origem da voz.

― Revele-se, feiticeira maldita!

Inspirou profundamente, sentindo a Voz encher seu peito de coragem. Ergueu a espada e correu na direção do Troll, rugindo como um leão.

Caleb pulou, como se voasse, e com um golpe certeiro enterrou a espada no espaço vazio no peito do Troll, onde há muito já não havia coração nenhum.

―… cravando a espada em seu coração e derrotando a besta fera de uma vez por todas.

O monstro uivou. Um grito tão poderoso que todo o castelo estremeceu. Caiu de joelhos, incrédulo, olhando para o minúsculo cavaleiro que o derrotara.

― Não pode ser. ― lamentou, e um fio de sangue escorreu de sua boca.

Seu rosto contorceu-se numa expressão horrível e seus olhos flamejaram contra o menino. Num último ato de covardia, o gigante arrancou a espada do próprio peito e lançou-a contra o baú de cristal, quebrando-o em milhares de pedaços e trespassando o coração de Caleb.

― Ahhhhh!

Caleb sentiu como se a espada perfurasse seu peito. Uma dor aguda tomou conta de si. Caiu no chão segundos depois de ver Galvin correndo de espada na mão e decepando a cabeça do Troll.

Sentia dificuldade em respirar. O pouquinho que lhe restava de vida esvaía-se lentamente enquanto seu coração sangrava em sua própria espada.

O rosto gorducho de Galvin apareceu sobre ele.

― Oh não! Écalebi não! ― clamou o anão, com grandes lágrimas nos olhos.

― Tudo bem, Galvin. ― disse Caleb, a voz quase sumindo. ― O reino está livre.

― Sim, reino livre bom ― respondeu Galvin. ― Mas reino livre sem amigo tão triste quanto prisão.

Caleb sorriu.

― Não! Écalebi não morrer! ― sentenciou o homenzinho. ― Se precisa é coração, Galvin tem coração bonzinho aqui ― e bateu no próprio peito. ― Écalebi usa coração de Galvin!

― Não, Galvin! Você não pode fazer isso. ― objetou Caleb, quase sem conseguir falar.

― Pode sim. Homem nunca feliz se coração pertence a si mesmo. Tem que dar, todo dia, o coração pra aqueles que ama. Só assim é feliz. ― Sorriu seu enorme sorriso para Caleb. ― E Galvin feliz em dar coração para Écalebi, a quem ama como irmão.

― Mas… Mas você vai morrer. ― Uma lágrima escorreu pelo canto do olho do menino.

― Hum hum ― e beijou sua testa. ― Galvin viver para sempre em Écalebi.

O menino ia dizer mais alguma coisa, mas o anão pôs o indicador sobre seus lábios.

― Shhh. ― disse, colocando a mão gentilmente no peito de Caleb, sobre a mancha negra. ― Viva bem Écalebi. Volta pra quem ama.

Galvin transfigurou-se na luz de mil estrelas, brilhando tão forte que tudo deixou de existir.

  •  •

Caleb abriu seus olhinhos devagar, piscando com dificuldade para a luz cálida que banhava o lugar onde estava. Que lugar era aquele, afinal?

Levou a mão ao peito. Onde outrora, já não sabia há quanto tempo, houvera uma mancha negra, havia agora o relevo de uma cicatriz.

Olhou em volta. Estava em um quarto completamente branco. Ao seu lado, sentada em uma poltrona enorme, estava a mulher mais linda que ele alguma vez já vira e, só de vê-la, o peito do menino encheu-se de alegria. Ela estava lendo, correndo os dedos sobre as linhas, como sempre fazia. Sua voz era doce como o mel e intensa como o fogo. Caleb reconheceu as frases inconfundíveis de seu livro favorito.

Abriu os lábios e, fragilmente, falou sua primeira palavra após o transplante.

― Mãe.

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31 comentários em “A neblina, o bosque e a montanha (Phillip Klem)

  1. ram9000
    2 de abril de 2016

    O conto falha no quesito “surpresa”: durante a trama o leitor é capaz de prever o que o desfecho apresenta. Um bocado longo, com alguns elementos desnecessários. A escrita está apropriada ao tema. Acho que uma revisão para tentar deixar uma pouco mais nebulosa a realidade que o desfecho apresenta, além de retirar um excedente sem grande função na história por dar mais velocidade ao conto.

  2. Evandro Furtado
    2 de abril de 2016

    Taí, curti. Aquela velha estratégia de balancear realidade e fantasia em dois planos paralelos. Funcionou bem aqui, mas em alguns momentos senti que ficou meio piegas. Acho que esse sentimento se dá, sobretudo, porque tenho visto uma certa insistência no desafio em contos de fadas/histórias infantis. Acho que é um gênero super-válido, mas sou da turma que defende um texto reflexivo para todas as idades.

  3. Wilson Barros Júnior
    1 de abril de 2016

    Um conto de Fadas, estilo Grimm moderno, com direito a Trolls. Como em Neil Gaiman, o conto parece sempre ocultar algo psicológico, mais profundo, atrás dos monstruosos trolls. A mulher na poltrona é tipicamente “freudipiana”. Mais um conto que confunde a realidade e a fantasia. Bem feito, parabéns.

  4. André Lima dos Santos
    1 de abril de 2016

    Olá autor, tudo bom?
    Primeiro gostaria de salientar que encontrei apenas dois erros de revisão. Primeiro na repetição de que um vazio estava preenchendo o peito do menino, nos primeiros parágrafos; e segundo para a palavra monstro escrita sem o N, lá pro meio do conto.
    Fora esses dois errinhos, o conto está muito bem escrito. As contrações frasais foram muito bem escolhidas.
    O autor optou por lançar o incidente Incitante logo nos primeiros parágrafos, o que particularmente me agradou muito. Adoro contos que começam obscuros, com clima de suspense. Um clímax razoável (Achei que o combate poderia ser mais detalhado) e uma trama boa, mas com uma resolução bem previsível. No início do conto já joguei essa possibilidade no ar, coisa que no meio do conto já deu pra confirmar.

    Não fosse pela resolução ter sido jogada ao leitor antes da hora (Sempre digo que o plot twist é algo perigoso) este conto seria excelente. Mas o classifico como bom.

    Boa sorte no desafio!

  5. Leonardo Jardim
    1 de abril de 2016

    Minhas impressões de cada aspecto do conto:

    📜 História (⭐⭐⭐⭐⭐): muito boa! Achei que a trama funcionou perfeitamente, as informações foram dadas aos poucos e as peças montadas gradualmente. A revelação do fim não chegou a ser uma reviravolta, pois já havia presumido en algum ponto do texto, mas encantou mesmo assim. Uma bela história infanto-juvenil.

    📝 Técnica (⭐⭐⭐▫▫): o autor sabe contar uma história e descrever ambientes e cenas. Porém, podia trabalhar um pouco mais na revisão. Seguem alguns trechos que anotei para comentar e ficam mais como dicas que críticas:

    ▶”Sua respiração ardia e seus olhos lacrimejavam”. Reparei um excesso no uso de “seu/sua”. Umas das coisas que aprendi aqui no EC é evitar, pois além da sonoridade feia, pode gerar sentido dúbio (mas sempre escorrego nisso também).
    ▶”parecia ser uma floresta, ou um bosque”. Sempre entendi que floresta e bosque eram sinônimos.
    ▶”Por que chora (vírgula) pequena criatura?”. Antes do vocativo, vírgula.
    ▶”Galvin não queria assustar ― disse o homenzinho (ponto) ― Galvin só ficou preocupado”. Esse problema de pontuação no diálogo ocorreu em outros trechos. Dê uma lida nisso aqui pra entender melhor como funciona: http://www.recantodasletras.com.br/artigos/5330279
    ▶”não estava mais na *clareira*, mas sim em um cômodo pequeno e quente, que cheirava a lenha queimada. O anão caminhou até a *lareira* e pegou a *chaleira* que ali fervia, derramando um pouco de chá numa xícara de *madeira*”. Leia essa frase em voz alta e perceba que a repetição da terminação “eira” (4x) incomoda bastaste. Nesse caso, opte por sinônimos.

    Corrigindo essas bobeiras, teremos um texto muito bom.

    💡 Criatividade (⭐⭐▫): o mote principal (imersão num mundo fantástico como metáfora para problemas reais) é criativo, mas alguns elementos (anões, troll, etc.) são comuns.

    🎯 Tema (⭐⭐): fantasia clássica, mas contada de forma que pode parecer real.

    🎭 Impacto (⭐⭐⭐⭐▫): gostei muito do texto, mas o impacto final não foi completo, pois já havia intuído o que estava acontecendo no meio do texto. Como já disse, ainda assim, o final emocionou.

    Parabéns pelo ótimo texto! 👏👏👏

  6. Thomás Bertozzi
    31 de março de 2016

    Um conto muito bonito. Os mistérios são revelados aos poucos e isso prende a atenção do leitor.
    As pitadas do “mundo real” colocadas aqui e ali fornecem algum chão para a história e estimulam a imaginação.

  7. Gustavo Aquino Dos Reis
    31 de março de 2016

    Excelente conto e de uma qualidade ímpar. A história transita no onírico, no maravilhoso, flana pela Alta Fantasia e deságua no Realismo Mágico. Gostei muito.

    Parabéns pelo excelente trabalho.

    Boa sorte no desafio.

  8. Gustavo Castro Araujo
    30 de março de 2016

    Gostei muito do conto. A atmosfera onírica que o permeia é fantástica na melhor acepção do termo. Sim, é um texto infanto-juvenil mas que tem a qualidade de atrair mesmo os leitores adultos e já calejados (eu ia dizer “aqueles que já passaram dos 40”, mas achei que isso poderia ferir suscetibilidades, rs). Há um encantamento natural e que em instante nenhum soa forçado, com foco na amizade bem construída entre Caleb e seu pequeno amigo Galvin.

    Poderia dizer, entretanto, que faltou um tantinho de ousadia no desenvolvimento da história – metáforas de efeito, alusões poéticas – mas isso não tira o mérito do autor que, por opção, preferiu jogar luzes nos sentimentos conflitantes vividos pelo protagonista.

    Nesse aspecto, a narrativa, que já vinha num ritmo interessante, ganhou cores ainda mais fortes no fim, quando Galvin se sacrifica pelo amigo. Não esperava essa reviravolta e creio que isso tornou o texto ainda melhor. O fato de o menino “ver a si mesmo ouvindo histórias da mãe” já era esperado, mas a notícia de que tudo decorrera de um transplante de coração, não. Por isso não há como negar que o arremate é perfeito.

    Não creio que este conto, apesar de todas essas qualidades, seja o campeão deste desafio. No entanto, acredito que se o autor o inscrever num certame infanto-juvenil, teria muitas chances de êxito. Talvez fosse o caso de estendê-lo e transformá-lo numa novela.

    Nota: 9

  9. Wender Lemes
    28 de março de 2016

    Olá, Jean. Esta é minha sexta leitura na fase final do certame.

    Observações: usar o onírico como respaldo para a fantasia é uma saída comum, mas o modo como é executada faz a diferença. Neste conto, você usa como plot twist final o esclarecimento de que a história ocorreu nos sonhos da criança em coma induzido durante a cirurgia de transplante de coração, o que é uma estratégia visível para sensibilizar o leitor – ainda assim, funcional.

    Destaque: embora não seja meu estilo preferido de contos, o que mais me sensibilizou não foi saber a situação real de Caleb, foram suas atitudes enquanto sonhava. O maior destaque, em minha opinião, é a bondade do protagonista e de seu amigo Galvin. As descrições também são muito bem feitas – outro ponto positivo.

    Sugestões de melhoria: não reparei e questões ortográficas que pudessem ser corrigidas, a revisão foi apurada. Como ocorre com outros contos que chegaram à fase final, o objetivo não é propor grandes reflexões, ou elaborar uma trama com mais reviravoltas que a segunda temporada de “Demolidor”. O que se intenta é ganhar o leitor através da sensibilidade, e não consigo pensar em um modo de mudar/melhorar isto no seu conto.

    Parabéns e boa sorte no desafio.

  10. Claudia Roberta Angst
    28 de março de 2016

    Conto longo, mas os diálogos agilizaram a leitura. Não encontrei lapsos de revisão ou entraves na linguagem empregada. A narrativa flui com facilidade, como um conto de fadas.
    O menino, convalescendo de uma importante cirurgia, sonha ou delira com uma história fantasiosa. Suponho que tenha sofrido uma cirurgia cardíaca ou até mesmo um transplante.
    Achei o final bem poético, com um tom delicado que combina com os sonhos infantis. Eu já tinha adivinhado que a mulher mais linda do mundo era a mãe. mas isso não estragou a surpresa final.
    Boa sorte!

  11. catarinacunha2015
    28 de março de 2016

    O COMEÇO já nos situa na VIAGEM infantil. O FLUXO, que poderia ser mais enxuto para o pequeno leitor, é envolvente e faz das tripas coração para falar da luta do bem contra o mal de forma “fofa”; e consegue. FINAL com surpresa apaixonante. Digno de um Chub. 9,7

  12. Rodrigues
    27 de março de 2016

    Meu personagem favorito do conto foi o homenzinho, bem engraçado, e a técnica utilizada em seus diálogos – comendo os artigos – foi bem criativa. Fora isso, achei a narrativa muito óbvia, o autor demora muito para chegar ao ponto em que quer, como no exemplo da caminhada de Caleb e do homenzinho ao encontro do Troll, achei cansativo. O excesso de dramaticidade ao final me fez gostar menos do conto.

  13. vitormcleite
    25 de março de 2016

    história bem escrita mas, desculpa-me, sem chama, pareceu-me que falta algo que abane o leitor. É só uma opinião. Lamento que a luta com o “gigante” não tenha importância na história, podia ser o elemento para dar suspense ao texto. Parece que te limitas a contar a história e falta sublinhar aqueles momentos de maior entusiasmo para agarrar o leitor.

  14. Renan Bernardo
    25 de março de 2016

    Muito bonita a história! Gostei do final, apesar de já ter percebido que era a mãe dele bem antes (mas não que ele estava fazendo um transplante). O significado dela é muito bonito. O autor tem bom vocabulário, soube fazer uma estrutura bem legal e dar vida aos personagens.

    Parabéns!

    Nota: 9,5

  15. Davenir Viganon
    24 de março de 2016

    Aqueles contos com final “ohhhhh”, além de surpreendente, foi muito tocante. Explicou tudo em poucas palavras. O menino sem coração adaptando o tradicional jornada do herói em sua cabeça e a própria escolha em uma aventura genérica para esconder uma camada mais profunda.
    Pela história ser toda uma Fantasia do menino, não colocaria estritamente como Fantasia, porque a parte mais importante da história se passa no mundo real, enfim, é 99% fantasia, mas aquele 1% de realidade.
    A história em si satisfaz muito ao fim da leitura. Os personagens são muito carismáticos e a escrita tem aquela dose de inocência e, mesmo não tendo lido os outros contos deste grupo deu pra ver porque passou de fase. O conto é muito bom! Emfim, me pegou.

  16. Carlucci Sampayo
    24 de março de 2016

    Um belo conto, cheio de fantasia e muita imaginação, com personagens que se integram num mesmo cenário fantástico. Representação interessante do amor materno, do amor humano e da capacidade de renovação sempre presente na natureza, transportando o tema para um evento significativo para o personagem. O transplante sendo a realidade pode ser maquiado com uma bela história de conto de fadas e assim, a beleza subsiste em uma história onde a magia é a tônica e faz com que tudo seja crível, possível. Descrições e narrativa bem construída, embora extensa. Talvez a leveza que se desejou dar ao texto tenha estendido a divagação, tornando-o mais extenso que o necessário; mas ainda assim, a composição tem peso e valor, sendo inovadora e bonita. Nota 9,5

  17. Pedro Teixeira
    24 de março de 2016

    Olá, autor(a)! Um belo conto, muito bem escrito e com uma trama excelente. Essa abordagem sentimental não é a minha preferida, o que não impede que esse seja um dos melhores contos do desafio que li até agora, na minha opinião, pela grande qualidade, técnica e segurança na narrativa, ótimas descrições e personagens bem desenvolvidos. Os clichês do estilo – personagens fofos,ou inteiramente bons ou maus, o mocinho fisicamente frágil contra o vilão poderoso, a vitória surpreendente – estão presentes, mas é algo que faz sentido no contexto em que é apresentado. O final não traz uma grande surpresa, tudo se encaminhava para um conclusão como esta, mas não deixa de ser uma trama bem amarrada, muito bem escrita e com ótima ambientação. Parabéns pela participação!

  18. Rubem Cabral
    24 de março de 2016

    Olá, Jean.

    Gostei do conto: tem um jeito de fábula infantil e os personagens são bem simpáticos. A trama é bem bolada e o final surpreende.

    A escrita é simples e bem correta, com apenas pequenos acertos de pontuação a fazer. A narração poderia ser um pouco mais densa ou rica, contudo, trazendo mais cor (ou a ausência dela) de forma mais clara ao leitor.

    Do conto só não gostei muito do início, com a famosa cena clichê de alguém desmemoriado acordando em um lugar desconhecido.

    Nota: 7,5.

  19. Laís Helena
    21 de março de 2016

    Narrativa (2/2)
    Sua narrativa é boa e, na minha visão, adequada para um conto infantil: nem detalhada demais nem de menos. Além disso, não notei nenhum deslize na revisão.

    Enredo (1,5/2)
    Acho que não consigo mais não me conectar com histórias infantis. Um YA (young adult) ainda consegue me prender e me divertir, mas uma história infantil não mais. Além disso, não gosto de histórias com a dicotomia entre bem e mal tão marcada, e muito menos quando chego ao final e descubro que foi um sonho. Mas não sei se seria justo tirar pontos aqui apenas devido ao meu gosto pessoal, pois seu enredo é bom, com mistério, ação e uma surpresa no final (ainda que eu não tenha gostado dela).

    Personagens (1,5/2)
    Não me conectei aos personagens pelo mesmo problema pelo qual não me conectei ao enredo: não sou o público dessa história. São personagens que se resumem ao papel que têm na trama, sem uma personalidade elaborada ou com desenvolvimento aprofundado, mas que dentro da proposta do conto, são adequados. Talvez Caleb tenha agido de maneira um tanto madura demais em alguns momentos.

    Caracterização (2/2)
    O seu conto tem uma caracterização mais genérica, com reinos, trolls e bem versus mal, mas, assim como no caso dos personagens, se encaixou na proposta, além de nada ter se destacado por soar inverossímil ou fora de lugar.

    Criatividade (1/2)
    Talvez eu não ligasse para os elementos clichês da história se o restante dela tivesse me cativado, mas, como já mencionado, não sou o público para ela, além de você ter escolhido justo os elementos de que menos gosto (como a história que se revela ser um sonho).

    Total: 8

  20. Brian Oliveira Lancaster
    21 de março de 2016

    OGRO (Objetivo, Gosto, Realização, Ortografia)
    O: Bem emocionante, com toques infantis aqui e ali. Apesar de ser apenas uma “projeção”, conseguiu captar bem o tema pretendido. – 9,0
    G: O tom de conto de fadas afasta alguns leitores, mas tentei ler como se fosse aqueles livros infanto-juvenis com uma pitada de moral da história no final. Gostei bastante do resultado, da melancolia, e do tom “aventuresco”. É um texto mais infantil, mas cativa. Há vários elementos típicos de jogos de tabuleiro e rpg. Apenas na troca de cenário (do vale para o castelo) achei a passagem um tanto corrida. O restante ficou ótimo. – 8,5
    R: Bem estruturado, com final de “sonho” que tantos odeiam, mas aqui faz bastante sentido e não “enganou” o leitor. Pelo menos, a mim, satisfez. – 8,5
    O: Notei algumas vírgulas fora do padrão, mas nada que atrapalhasse a leitura geral. – 9,0.
    [8,8]

  21. Pedro Luna
    18 de março de 2016

    Bom, o conto foi um misto de sensações. Acho que foi o primeiro desse grupo que bateu o pé e foi realmente fantasia. A escrita é muito boa e os primeiros parágrafos, apesar de muito subjetivos, conseguem criar a tensão pela situação estranha que vive o personagem. O anão também é carismático na medida certa, e a forma como ele fala e diz Uba! não incomoda. Porém, deu pra matar logo que a voz pertencia a alguém contando uma história. Ao final, foi tudo um sonho? Mas o texto diz que houve um transplante. Ou o menino estava apenas lembrando? Também não gostei da parte que Gavin cede o coração ao personagem, alegando que eram amigos e tal, achei meio forçado. Na medida, um bom conto, ainda que eu não tenha pego 100 por cento da ideia ao final.

  22. andreluiz1997
    16 de março de 2016

    Bravo! Bravo! Maravilhoso! Seu conto foi o meu preferido até agora, e certamente merece muito uma nota dez. Foi belo e emocionante na medida do possível, e você conseguiu usar de um tema até então comum e simples e o trouxe para o verossímil de tal forma que Caleb parece mesmo ter existido. Você deu alma – literalmente – ao personagem. Galvin é outra fofura! Boa sorte!

  23. piscies
    15 de março de 2016

    O conto está muito bem escrito. O autor tem domínio da escrita e um estilo bem consolidado, fazendo uso, inclusive, de alguns trechos mais simplicados apenas por entender que seriam melhor encaixados em um conto quase “infantil” como esse – e realmente encaixaram.

    O conto não é infantil, é claro, mas a linguagem toda precisava assim o ser para narrar o que acontece na cabeça de uma criança.

    As imagens projetadas por essa leitura foram muito belas. Foi muito impactante pensar que algo assim pode estar se passando na cabeça de alguém que está em coma, ou simplesmente dormindo diante da possibilidade de jamais acordar. Especialmente uma criança, que ainda tem tanto pela frente e não tem a mínima noção do que está acontecendo.

    Um problema: ficou claro o desfecho do conto ainda no seu início. Não sei se era o objetivo do autor, mas isso tirou todo o impacto do final. Assim que Galvin falou que haviam roubado o coração de Caleb, eu também sabia que era um transplante de coração.

    De resto, o conto é excelente. As imagens passageiras da mãe de Caleb vieram tão levemente que o leitor quase não nota. Tudo é muito belo e bem descrito. Parabéns!

  24. Swylmar Ferreira
    15 de março de 2016

    Um lindo conto infantil. Possui enredo belíssimo e é de uma felicidade impressionante. Parabenizo o autor pela criatividade e pela excelente escrita. O conto é pertinente ao tema e os diálogos estão em perfeita harmonia com o enredo. Conforme fui lendo o texto comecei a perceber que entregava o final, então apesar de objetiva, a conclusão, ao menos para mim, não surpreendeu. De qualquer modo fiquei encantado.
    A nota é 8,8.

  25. Simoni Dário
    14 de março de 2016

    Olá Jean.
    Hum Hum, sei não, estava gostando de todo o texto até chegar ao final,que é surpreendente por ser mais real e possível do que toda a história, por isso o meu estranhamento, é como se não combinasse com o restante do conto. Foi assim, entrei completamente no tom mágico que você deu à narrativa o tempo todo e aí vem um final daqueles, que nos tira da fantasia meio que de repente, o que me decepcionou um pouco.
    O texto porém, está narrado de maneira excelente, esteticamente está impecável e tem uma história bem envolvente, com ação que prende até o final, apesar de ter dado uma esfriada em dado momento.
    Ficou muito bom de todo o modo. Parabéns!

  26. Anderson Henrique
    14 de março de 2016

    Conto divertido como um filme de sessão da tarde. Alguns trechos são muito piegas e forçados (tenho que pegar de volta meu coração. Não por mim, mas por quem me ama.). A conclusão é interessante.
    Nota 6.5

  27. Fheluany Nogueira
    12 de março de 2016

    Narrativa bem estruturada: na introdução cria-se um suspense, o desenvolvimento traz cenas de um conto infantil, que lembra, em parte os diálogos de Harry Potter com um elmo; mas, sem nenhum clichê, o desfecho faz o leitor retornar gradativamente para a realidade – todo o clima construído no texto é simbólico, para facilitar o confronto de uma criança com um transplante de coração. Se o conteúdo foi bem trabalhado, a linguagem está no mesmo nível. Parabéns ao autor! Amei o conto.

  28. Anorkinda Neide
    12 de março de 2016

    Não acho justo um conto botar a gente pra chorar, assim tão delicadamente! 🙂
    Eu já tava feliz com o tom chub do conto, com o Uba! de Galvin…
    já tava feliz com a narração da mãe, tão sutil, tão linda… já comecei a chorar lembrando minha falecida maezinha lendo historias pra mim…
    E ae vem o final… judiaria
    isso nao se faz, vais levar zero!!
    .
    Parabens, pelo conto, impecável!
    e tb agradeço por esta leitura.
    abraços de um coração bonzinho aqui!

  29. Evie Dutra
    9 de março de 2016

    Que conto fofo! Me fez chorar e sorrir, tudo ao mesmo tempo.
    Caleb é um personagem tão cativante, mas Galvin.. me encantei pelo Galvin! Me fez pensar numa versão pequena do papai noel.
    Esse é um daqueles contos que a gente lê pensando “puxa, isso daria um livro!”. E depois lemos o livro pensando “uau, isso daria um filme!” hehe.
    Adorei a escolha da imagem! Foi a primeira coisa que me chamou a atenção e já me fez interessar pelo conto.
    Adorei também a mensagem que você transmitiu, principalmente quando Galvin diz: “Homem nunca feliz se coração pertence a si mesmo. Tem que dar, todo dia, o coração pra aqueles que ama. Só assim é feliz.”
    Enfim.. Amei o conto. Parabéns e boa sorte.

  30. Emerson Braga
    8 de março de 2016

    Olá, Jean. Logo de início, gostaria de dizer que achei seu conto muito bonito. Provavelmente, lerei para minha sobrinha e perguntarei sua opinião.
    Apesar de agradável, sinto que faltou ousadia, e você preferiu não arriscar, investindo em alguns clichês para garantir a simpatia do leitor. Por exemplo, o “homenzinho de fala engraçada”. é um arquétipo batido e que não acrescenta muito à história. Pelo contrário, sua maneira de falar nos desvia dela e nos faz lembrar de tantas outras que se utilizaram do mesmo recurso.
    Apesar de ter personagens pouco expressivos, sua história é bem contada, tem um desfecho bem legal. Mas carece de um enredo mais consistente.
    Boa sorte.

    Nota: 6,5

  31. Fabio Baptista
    6 de março de 2016

    Pô, acho que caiu um cisco no olho aqui, peraí… rsrs

    Conto muito bonito. Já na metade ficou previsível que fosse rolar um “Deus Ex”, mas a solução, a questão do transplante, ficou muito boa.

    A escrita é simples e conduz a trama com agilidade e ternura. O anãozinho é um baita personagem (talvez descrevê-lo como “gnomo” coubesse melhor). Também teria mudado a raça do vilão… achei muito inteligente para um troll. Mas são só detalhes.

    Muito bom, parabéns!

    – como um buraco negro no meio do seu peito
    >>> alguns seu / sua podem ser omitidos ou substituídos por artigos, dando mais agilidade ao texto. Aqui, um exemplo.

    – Se estivesse em silencio
    >>> silêncio

    – Por que chora pequena criatura?
    >>> Por que chora, pequena criatura?

    ― Meu nome Galvin, anão do bosque. ― Disse, dando dois passos
    – Aqui, Écalebi. Sentir melhor se beber isso. ― disse Galvin
    >>> A pontuação usada nos diálogos não ficou padronizada

    – Não conseguia chorar, ou gritar. Sua garganta ardia, pedindo ar. Sentiu a armadura estalar
    >>> esse sequ~encia gerou rimas involuntárias

    – achatado por um mostro
    >>> monstro

    – Ela tinha um livro
    >>> cacofonia (é latinha)

    NOTA: 8,5

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Informação

Publicado às 5 de março de 2016 por em Fantasia - Finalistas, Fantasia - Grupo 3 e marcado .