EntreContos

Detox Literário.

Santo (João Murim)

Ríamos de uma velha piada quando ele levou a cerveja à boca e esvaziou a caneca em um só gole. Com um sorriso intenso e brevíssimo, acompanhou a nossa alegria com ar indulgente. Levantou-se e, sem aviso, comunicou sua decisão:

– Amigos, eu vou embora para sempre.

Um de nós esboçou um questionamento. Alguém ainda tentou dissuadi-lo. Mas ele fez um curto gesto de mãos e se despediu:

– Adeus.

Deixou a porta aberta como se voltasse logo. Alguns pensavam se tratar de uma brincadeira. Miravam o umbral esperando vê-lo retornar risonho e bêbado. Nunca voltou.

Um ano transcorrido e não havia notícias. Sua partida nos transtornava, não conseguíamos desvendar seus motivos. Esvaziamos as canecas como ele havia feito. A porta, ainda aberta, o esperava.

No dia seguinte, construímos-lhe um altar.

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59 comentários em “Santo (João Murim)

  1. harllon
    29 de janeiro de 2016

    Apesar do final pouco entendível e deslocado do resto do texto, pelo menos, foi o que eu senti. Gostei bastante do seu conto, principalmente, da forma sucinta e repentina que o amigo vai embora.

  2. Fabio D'Oliveira
    29 de janeiro de 2016

    ௫ Santo (Baltazar)

    ஒ Estrutura: Baltazar mostra que sabe escreve. O texto está esteticamente belo, assim como a narrativa é natural. Ele consegue criar um clima poético em cima da estória, coisa que fica muito bonita.

    ஜ Essência: A estória está um pouco confusa, não o desenvolvimento dela, mas a mensagem que o autor quis passar. Será que ele quis realmente passar alguma mensagem? Não sei.

    ஆ Egocentrismo: Gostei da estória, mas não entendi muito bem o enredo e sua mensagem, se é que ela tem uma. Bem, vale a leitura!

    ண Nota: 8.

  3. Pedro Luna
    29 de janeiro de 2016

    Bom, fiquei dividido. A situação completamente maluca do sujeito se levantar e simplesmente decidir ir embora ficou muito boa e interessante. Confesso que ri até. Mas o altar no final ficou um grande vácuo para mim. Não entendi.

    Conto bem escrito, mas para mim, pecou no fim.

  4. Swylmar Ferreira
    28 de janeiro de 2016

    Texto muito bem construído e escrito, bem criativo. O que pegou foi o final do conto onde me parece faltar a explicação do altar. Mas isso é critério do autor.
    Boa sorte.

  5. Kleber
    28 de janeiro de 2016

    Olá, Baltazar.
    Eis aí um texto mais leve e ironico, que me fez pensar em várias coisas diferentes ao mesmo tempo. Achei inusitada a sugestão ao leitor no final, de que só é incensado aquele que se foi. Em vida, o sujeito pode não valer um centavo furado. Mas, depois que morre ou desaparece, todo mundo é bonzinho!
    Gostei de olhar por esta perspectiva.

    Sucesso!

  6. mkalves
    28 de janeiro de 2016

    li o conto e fiquei com a mesma sensação de “tá, e daí?” que me assaltou em alguns outros; depois li alguns comentários (o q não costumo fazer antes de escrever minhas próprias impressões) e vi que eu seria a única alienígena a não ser tocada pelo texto. Mas é isso… Talvez eu seja uma leitora chata e careta, mas se ao menos eu tivesse tido um vislumbre de quem é esse que decide sumir, ou se seu sumiço tivesse provocado algo mais que uma espera seguida da construção de um altar…

  7. Nijair
    28 de janeiro de 2016

    .:.
    Santo (Baltazar)
    1. Temática: Ausências, idolatrias, libações.
    2. Desenvolvimento: Texto envolvente.
    3. Texto: Bem escrito, gostei da fluidez do discurso.
    4. Desfecho: Altar para quem parte sem dar notícias? O que ele fez para isso, apenas sumir?
    Prefiro quem vive e deixa legado. Os santos possuem histórias de luta, superação – não surgem do nada nem por terem virado fantasmas na memória de quem fica. As ausências precisam de sentido para se justificarem. Quem entende a mente dos ébrios, não é?
    Boa sorte!

  8. Nijair
    27 de janeiro de 2016

    Altar para quem parte sem dar notícias? O que ele fez para isso, apenas sumir? Prefiro quem vive e deixa legado.Os santos possuem histórias de luta, superação – não surgem do nada nem por terem virado fantasmas na memória de quem fica. As ausências precisam de sentido para se justificarem.

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Informação

Publicado às 14 de janeiro de 2016 por em Micro Contos e marcado .