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Detox Literário.

Fim de Jogo (Maria Santino)

fim

O mal triunfa sempre… Que os bons não fazem nada.

(Edmund Burke)

 

Sobre o gramado, qual bala perdida, o Artilheiro seguia ao som das vaias da torcida; com a esperança atrapalhando as ações. Os olhos embaçados mal viram a chegada da hora de cumprir a ordem vergonhosa.

Aos quarenta e seis do segundo tempo, o escanteio em solo amigo foi cobrado. O corpo ergueu-se semelhante a uma naja. Matou a bola no peito e depois quedou-se de lado, num desmaio triste, ao mesmo tempo em que chutou bem no centro da rede do próprio time.

A grama amorteceu só o peso do corpo, não a certeza silente da perda (instintos de pai). O gol contra demorou para ser anunciado, pois tudo era perplexidade, como se o mundo prendesse a respiração para um mergulho.

No cativeiro, há horas, o dedo havia pesado no gatilho, e decretado fim de jogo.

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61 comentários em “Fim de Jogo (Maria Santino)

  1. Evelyn Postali
    21 de janeiro de 2017

    Comovente isso. Sério. Porque é uma pressão avassaladora. Ser artilheiro é quase que carregar o time nas costas, mas também ser tomado por Cristo. A leitura foi um misto de pena e raiva e decepção, não sei, porque o que acontece hoje com essa comercialização do esporte, especificamente do futebol, é algo para se tomar como perigoso. Toda a corrupção, toda a busca constante pela vitória, como se isso fosse tudo o que existe, como se o lado humano não participasse do jogo. Enfim… Excelente escrita. Conto para refletir sobre essa realidade grotesca, desumana.
    A propósito… O Kleber, nos comentários, lembrou da morte do artilheiro. Eu me lembro desse fato. Andrés Escobar. Colombiano. Morto porque desclassificou a Colômbia da copa fazendo um gol contra. Me lembro bem dessa notícia no jornal, das imagens. Década de 90 por aí.

  2. Kleber
    28 de janeiro de 2016

    Olá!

    Inevitável ler o seu conto e não pensar naquele jogador colombiano que fez um gol contra numa copa passada e foi assassinado depois. Mas, seus escritos me fizeram ter sentimentos de asco. Asco da realidade que ele retrata. Da corrupção que infesta cada setor da sociedade humana. E revolta pela impotencia que temos diante de tudo o que ocorre. Gostei, amigo. Muito bom. Textos que mexem comigo assim são meus favoritos.

    Sucesso no desafio.

  3. mkalves
    28 de janeiro de 2016

    Tem aquelas situações em a vida é bem mais inverossímil que a arte. E neste caso, o pressentimento que teria provocado o desmaio não convence muito, não no texto. Porém a ideia da narrativa é muito boa e me agradaria vê-la retrabalhada.

  4. Nijair
    28 de janeiro de 2016

    .:.
    Fim de jogo (Walter White)
    1. Temática: As cartas marcadas do futebol brasileiro – refletidas na vida, também.
    2. Desenvolvimento: Ele fez gol contra e morreu, foi assassinado? Não entendi as ligações entre as ideias nesse sentido. Precisaria de mais explicações do autor.
    3. Texto: Bem escrito, sem preciosismos.
    4. Desfecho: O final deixou dúvidas, carecendo de mais pistas para os leitores… Na hora do gol ninguém olha para quem morre… Nesse mundo em que vivemos, tenho minhas dúvidas.
    Muito bom!

  5. Nijair
    27 de janeiro de 2016

    Ele fez gol contra e morreu, foi assassinado? Na hora do gol ninguém olha para quem morre… Nesse mundo em que vivemos, tenho minhas dúvidas. Muito bom!

  6. Tamara Padilha
    27 de janeiro de 2016

    Oie… Reli quatro vezes o conto mas não consegui entender muito bem a comparação com futebol que quis fazer.
    É um bom conto, bem escrito, só não me atraiu pois não capitei a mensagem do autor.

  7. Daniel Reis
    26 de janeiro de 2016

    Mr. White (ou deveria chamá-lo de Heisenberg…), eis a questão:

    TEMÁTICA: alguém é forçado a fazer algo que não queria, contra a sua natureza, e tem de arcar com as consequências.

    TÉCNICA: narrativa envolvente, e fácil de se identificar com a vítima de chantagem que tem que entregar o jogo – mas isso não tem mais importância, o refém já havia sido executado.

    TRANSCENDÊNCIA: o sacrifício inútil causa pena, em qualquer pessoa. Consegui me colocar no lugar dele, mas lamentei que as coisas tenham seguido por esse caminho. Nem parece ficção…

  8. Swylmar Ferreira
    26 de janeiro de 2016

    Muito bem sr.Walter White.
    Bom conto.
    Enredo rápido mostrando o sentimento do personagem e apresentando uma conclusão clara.
    Parabéns.

  9. Lee Rodrigues
    25 de janeiro de 2016

    Tive uma viajem bem louca aqui, ou melhor duas rs

    Caríssimo autor, gostei muito da forma penitencial que esculpiu o conto. A melancolia estampada não apenas no momento de impacto, mas também na aflição que antecede o estopim, diria até que poética.

    Algumas frases desenharam imagens na minha mente; “O corpo ergueu-se semelhante a uma naja. Matou a bola no peito e depois quedou-se de lado.” “A grama amorteceu só o peso do corpo…”

    Do céu ao inferno em fração de segundos. O que me permitiu outros vislumbres além do campo, onde o homem é cativo das suas próprias perspectivas.

  10. Piscies
    24 de janeiro de 2016

    Um conto fortíssimo e muito bem executado. O escritor é frio mas escreve de maneira límpida. A história é profunda e nos faz pensar muito sobre o assunto.

    Senti um pouco de dificuldade para captar a essência do conto. Tentando entendê-la, viajei tanto que tive que recorrer aos comentários para certificar que estava viajando para o destino certo. Admito que tinha pego a passagem errada, rs.

    De qualquer forma, parabéns pelo conto MUITO bem executado e pela trama profunda e envolvente.

  11. harllon
    23 de janeiro de 2016

    O texto traz à tona reflexões, certos impasses do porque dele ter feito um gol contra, do nervosismo para realizar tal ato. Tudo deu a entender que isso faria parte de um esquema de corrupção.
    Boa sorte!!!

  12. Laís Helena
    23 de janeiro de 2016

    No início desanimei com o tema, mas depois veio a frase final e, na releitura, compreendi tudo o que você quis passar. Vi o desespero do pai que coloca tudo a perder pela esperança de salvar o filho. Esperanças que, pelo que depreendi, foram vãs. Muito conciso (no bom sentido) e bem escrito.

  13. Fabio D'Oliveira
    23 de janeiro de 2016

    ௫ Fim de Jogo (Walter White)

    ஒ Estrutura: O texto foi bem elaborado. Mas esse Walter White não tem o mesmo talento inato daquele do seriado. Ele precisa melhorar sua habilidade de escrita, lapidando o texto. Não identifiquei falhas, mas algumas frases mostram que o autor precisa clarear sua técnica.

    ஜ Essência: O texto aborda, em geral, a corrupção, seja das pessoas, seja das instituições. Um mundo que gira ao redor do dinheiro. Bem atual, na realidade… O autor foi muito competente ao abordar esse assunto, dando um clima de drama, sendo possível para o leitor mais atento sentir a dor do jogador corrupto.

    ஆ Egocentrismo: Não gostei muito da leitura, mas o enredo me impressionou. Passou uma mensagem real, de acordo com nossa realidade, com competência. Walter White merece os parabéns nessa área!

    ண Nota: 6.

  14. Marcelo Porto
    22 de janeiro de 2016

    Que drama!

    Precisei reler algumas vezes para entender o que aconteceu. Mas tá tudo ai, todo o drama e complexidade de uma esperança que talvez não se realize. O peso de acabar com a carreira em troca da vida de um filho.

    Muito bom!

  15. Mariana G
    22 de janeiro de 2016

    É um micro-conto ótimo, mesmo eu não gostando muito de temáticas esportivas o tom triste dado na história foi o diferencial para me fazer gostar desse conto. Foi uma boa sacada junto com uma bela aplicação.
    Parabéns e boa sorte!

  16. Miguel Bernardi
    21 de janeiro de 2016

    Caraca, Walter White.

    Um conto que mostra a maldade presente em várias coisas hoje em dia, inclusive coisas pequenas, não muito significantes (pelo menos ao meu ver e, com certeza, nada significantes frente à vida/morte). A corrupção está em todos os lugares, inclusivo no futebol. É atual, e bem escrito.
    Gostei.

    Um grande abraço!

  17. Jef Lemos
    20 de janeiro de 2016

    Olá, Walter.

    Mais um a anunciar o que há de errado nos dias de hoje. E fez com competência. O conto nos faz imergir na história, e a construção do personagem é bem definida quando se para para pensar. O gol que não deveria ter feito é para salvar quem não mais consegue ser salvo. Quando tudo está perdido nada mais importa, nem vaias e a má fama que o maldito gol irá trazer.

    Parabéns pelo conto!
    Boa sorte!

  18. Renato Silva
    20 de janeiro de 2016

    O conto é bem escrito e você usou muito bem as palavras. As cenas também ficaram bem legais e eu quase me senti no estádio vendo um jogo de futebol (algo que nem curto mais…).

    Só ficou estranho a questão do (suposto) sequestro de seu filho. Quer dizer, sequestraram o filho deste jogador e o “resgate” seria dar a vitória para o time adversário? Não passando na Colômbia dos tempos de Pablo Escobar, isso me soou um tanto forçado.

    Apesar de tudo, ainda gostei do seu texto e do modo como redigiu.

    Boa sorte.

  19. Vitorino
    19 de janeiro de 2016

    Gostei muito das imagens grandiloquentes, como deveria ser o futebol.

  20. Eduardo Selga
    19 de janeiro de 2016

    A ação narrada no último parágrafo talvez seja a chave do conto. Apesar de instalada no fim, não necessariamente a morte sugerida aconteceu após o jogo. por causa de dois motivos. Primeiro, “há horas” indica uma ação acontecida no passado; segundo, no parágrafo anterior temos o trecho “a grama amorteceu só o peso do corpo, não a certeza silente da perda (instintos de pai)”, em que o narrador diz que o jogador carregava consigo uma certeza silenciosa na forma de instinto paterno. Certeza instintiva e emocional de que a morte do filho já acontecera, e que fazer a sua parte era inútil. Mesmo assim, cumpriu. É bem verdade que o narrador diz que o personagem tem alguma esperança, mas não no mesmo parágrafo da “certeza silente”.

    Outra possibilidade é a ação ter acontecido após findo o jogo. Assim, o narrador está posto no presente e se referindo a esse passado, mais recente que o passado da partida de futebol.

    Considerando tudo isso, o título tem menos relação com a partida em si do que com a agonia do jogador pela perda do filho. São duas vidas que se perdem, na verdade, E o jogador, inclusive, morre por dentro e certamente como profissional nesse conto em o futebol é apenas pretexto para um drama interessante.

  21. mariasantino1
    19 de janeiro de 2016

    Hey, Breaking Bad? Gosto pacas.

    Gostei bastante do clima que você deu ao conto, ficou mesmo parecido ao da série, uma vez que o Sr. White sempre prezou pelo bem estar da família (ao menos no começo, né?), e começou a fazer as coisas ilícitas pensando naqueles a quem ele amava, mas também por medo (do cartel colombiano, então…) . Enfim, é o medo aqui que guia as atitudes do Jogador, uma vez que ele está com o filho no cativeiro. Entendi que as vaias indicavam que o jogo não ia bem, ou seja, ele não ia bem no jogo e que havia uma hora marcada para executar a ordem vergonhosa -– provavelmente dada pelos sequestradores. Acho que a cobra aqui é símbolo da traição ao time. Ele interceptou a viagem da bola e depois finalizou.
    Um bom conto, com construções bacanas. Agradeço muito por você não ter entrado em detalhes técnicos de futebol, porque eu não entendo nada de futebol e nem gosto (na verdade, detesto).

    Quando homens bons cruzam os braços ante o mal ele (o mal) prevalece, certo? O Artilheiro fez o jogo deles e deu no que deu.

    Tá na lista.

    Abração!

  22. Pedro Luna
    18 de janeiro de 2016

    Entendi que mantinham o filho do cara preso e mandaram ele entregar o jogo. Também que provavelmente mataram o guri. Tenso, e perfeitamente possível. Olha, achei um bom conto. Temática futebolística me agrada. No início achei que ia ser um conto de comédia, mas logo veio o pesado final. Acho que foi uma boa ideia para um mini conto, e a construção foi boa, pois apesar de ser uma ideia simples, não foi entregue de cara pelo texto. Abraços.

  23. Brian Oliveira Lancaster
    18 de janeiro de 2016

    BODE (Base, Ortografia, Desenvolvimento, Essência)

    B: Dois universos distintos, lado a lado. Cotidiano bem apresentado. – 9
    O: Com uma frase que dá o tom do restante, consegue cativar a expectativa e criar o suspense necessário para que se revele somente ao final o real objetivo. – 9
    D: Focado apenas no momento, achei interessante a forma de conduzir o enredo. Muito fica suprimido, mas tudo faz sentido ao chegarmos na conclusão. – 8
    E: Dia a dia aparentemente simples, até entender o que se passa na mente do jogador. Há muito dito e não dito, deixado à imaginação. Mas neste caso é fácil preencher as lacunas. – 9

  24. Lucas Rezende de Paula
    18 de janeiro de 2016

    Veio em uma época que o futebol sofre acusações de corrupção, mas o nosso caro jogador não tinha muito escolha. Ainda assim parece que seu ente querido não foi poupado.
    Gostei bastante.

  25. Tom Lima
    18 de janeiro de 2016

    Mais um que gostei muito. Com um limite tão baixo cada palavra tem que pesar, tem que fazer correr a história, e assim foi aqui. As construções são muito boas, gerando imagens bem interessantes. Como “O corpo ergueu-se semelhante a uma naja.”

    No primeiro parágrafo achei que a ordem vergonhosa vinha do técnico, algo pouco ético pedido para o jogador, como lesionar um nome forte do outro time ou algo do tipo.

    No segundo achei que ele havia sido comprado, entregando a vitória por uma quantia qualquer.

    Só no terceiro que entendi o que acontecia, e não houve dúvida sobre isso. Um sequestro, uma exigência, um lado cumpre o trato, o outro não. Bem direto.

    Por isso tudo é um excelente conto!

    Parabéns!

  26. Jowilton Amaral da Costa
    18 de janeiro de 2016

    Bom conto. Eu acho que entendi tudo, sem nenhum problema. O jogador estava sendo chantageado para entregar o jogo, e como garantia, os chantageadores, que viraram assassinos, mantinham o filho do atleta como refém, e aí, o cara entrega o jogo, mas, o filho dele já havia sido morto. Boa sorte.

  27. Anorkinda Neide
    17 de janeiro de 2016

    Bem, tô aqui tentando assimilar que nao entendi nada na MINHA leitura, achei q o cara havia se suicidado, trancado no vestiario depois de ter feito o gol contra, provavelmente, entregando assim um campeonato importante.
    mas claro, com esta interpretação ficaram algumas coisas soltas..
    entao, nos comentarios, percebi o tal sequestro do filho. dae tudo fez sentido, mas se alguem nao dissesse isso, jamais eu VERIA o fato.
    .
    As frases estão lindas, sério mesmo!
    Acredito que o enredo ficou mais na mente do autor do que inscrito no texto,
    Boa sorte ae
    Abraço

  28. Thales
    17 de janeiro de 2016

    Não gosto muito de contos de futebol, mas beleza…

    Aqui o texto está fluido e bem escrito. Mas teminei a leitura confuso e com a sensação de que perdi alguma coisa que estava nas entre linhas. Assim, para evitar de fazer um comentário pobre e ignorante, decidi ler os comentários dos meus amigos antes de escrever algo aqui. Descobri que o texto realmente tinha metáforas ocultas e que ele tratava sobre… Suicídio? Não espere… Sequestraram o filho do jogador pra fazer chantagem? Se for isso, acho que a situação está meio exagerada. Não estou dizendo que é uma situação ompossível. Mas sim, é incomum e pouco convincente. Se o cara fosse um promotor, ou um juiz de tribunal, acho que eu até daria para engolir.

    Ou seja, a situação foi tão estranha, destoando do resto do conto que tentou criar um universo sério e parecido com a vida real, que ao invés de me deixar comovido ou intrigado, só me deixou pensando “Poxa mano… Pra que sequestrar o filho do jogador? Compra o juiz, bem mais fácil e eficaz!”

  29. Bruno Eleres
    17 de janeiro de 2016

    No começo, achei estranho. Depois, fui lendo os comentários e voltei para reler e fui preenchendo as lacunas que tinham ficado; por fim, gostei. É um conto com uma trama complexa, mas que coube no espaço à sua própria maneira.

  30. Fabio Baptista
    16 de janeiro de 2016

    Olha, autor… eu sei que você não tem nada a ver com isso, mas já deve ser o trigésimo conto de suicídio que leio por aqui. O texto não deixa isso tão claro, mas interpretei dessa maneira… fez o gol contra, fodeu o time e se matou. Só a palavra “cativeiro” me deixou na dúvida, mas enfim… interpretei como uma prisão particular da mente, mais ou menos como o goleiro Barbosa (que tomou gol do Uruguai em 50) disse ter ficado depois da final.

    Aqui achei que o final não casou em nada com o restante. Estava legal o clima de futebol, de repente, vem a solução “fácil”.

    Abraço!

  31. Andre Luiz
    15 de janeiro de 2016

    Confesso que eu apenas consegui entender o real sentido do conto depois de ler alguns comentários, e achei bastante interessante o enredo que você criou, pelo que entendi, a questão do sequestro e tal. O ruim foi que isto pareceu não caber nas 150 palavras do limite, e acho que um número maior de palavras seria uma quantidade maior de possibilidades de desenvolver sua trama. Boa sorte!

  32. Murim
    15 de janeiro de 2016

    O mote – sequestro (e morte) do filho de um jogador de futebol para que ele faça um gol contra – é bastante exagerado. Fica difícil se envolver tanto em enredo assim. Mas o desenvolvimento é muito bom. A referência aos instintos de pai parece um pouco fora de lugar, já que a morte do filho teria ocorrido horas antes. A epígrafe é fora de propósito, ela traz a ideia maniqueísta de mal e bem quando o texto põe o jogador em situação cinzenta, onde não estão claros o certo e o errado.

  33. Leonardo Jardim
    15 de janeiro de 2016

    Minhas impressões de cada aspecto do conto antes de ler os demais comentários:

    📜 Conteúdo (⭐⭐⭐): gostei bastante. Fiquei com a impressão inicial de que ele teria vendido a derrota do time, mas saber que seu filho estava sendo ameaçado tornou a história ainda mais triste.

    📝 Técnica (⭐⭐▫): boa, sem problemas.

    💡 Criatividade (⭐⭐▫): achei uma ideia, embora não totalmente nova, bem criativa.

    🎭 Impacto (⭐⭐⭐): a frase final funcionou muito bem comigo. Elevou o patamar do conto. Triste.

  34. Evandro Furtado
    15 de janeiro de 2016

    Olá, seguem as considerações

    Fluídez – 10/10 – texto rápido, apesar de denso;
    Estilo – 10/10 – repleto de metáforas você trabalhou em dois planos muito bem;
    Verossimilhança – 10/10 – use a palavra futebol no meio, crie indentificação com leitor brasileiro;
    Efeito Catártico – 10/10 – não vi o que outras pessoas viram aqui em relação à corrupção. E o que me deu essa dica foi o “instinto de pai” lá no meio. Vejo um filho morto no cativeiro depois de sequestrado e o pai levado ao campo pela hipocrisia do profissionalismo moderno. O fim de jogo não foi combinado, mas provocado por uma tragédia e por um homem que teve de entrar em campo apesar de tudo. Essa é a imagem que fiquei na cabeça e esse é o meu texto, kkkk. Não sei se foi a ideia inicial que teve, mas gostaria muito de saber.

  35. catarinacunha2015
    15 de janeiro de 2016

    INÍCIO, com ação imediata, e o FILTRO foram trabalhados com cuidado. O ESTILO é intenso e a TRAMA dramática tem seu valor. A personalidade do artilheiro se confunde com a do zagueiro ou eu não entendi se é um PERSONAGEM ou dois. O FIM, com uma frase belíssima, ficou um pouco desgarrado.

  36. Sidney Rocha
    15 de janeiro de 2016

    Eu me envolvi com a narrativa e me senti dentro de sua história. Soube dosar bem a história e pude ver um início, meio e fim. Aliás, com um fechamento marcante. Boa sorte!

  37. Elicio Santos
    15 de janeiro de 2016

    Gostei. O jogador foi obrigado a fazer o gol contra porque senão o filho, no cativeiro, morreria. Mas mesmo cumprindo o acordo seu rebento foi assassinado.O texto possui um roteiro interessante, fluidez, metáforas bem empregadas, todavia faltou concisão. Um microconto deve ter início, meio e fim condensados. Um resumo de narrativa maior não é microconto. Boa sorte!

  38. vitormcleite
    14 de janeiro de 2016

    olá, história bem contada, com as palavras bem articuladas e a trama bem delineada. Gostei e desejo-te a maior sorte para este desafio

  39. Gustavo Castro Araujo
    14 de janeiro de 2016

    Gostei do conto porque me fez viajar. Pude montar as cenas na minha cabeça, imaginar a plasticidade do jogador ao estufar as próprias redes. Bem criativo, transformando o artilheiro num anti-herói. Fico aqui pensando como seria algo desse tipo na vida real… A ideia do sujeito cativo, sem poder sair do vestiário, escondendo-se da torcida e incapaz de encará-la, recorrendo à morte, parece bem real. Enfim, um bom conto.

  40. Antonio Stegues Batista
    14 de janeiro de 2016

    Não gostei muito do enredo, faltou alguma coisa. Parece que o autor retirou uma parte de um texto maior. A ideia foi boa, mas as sugestões não casaram, mesmo a tristeza no final.

  41. Wilson Barros Júnior
    14 de janeiro de 2016

    Boa ideia escrever sobre o futebol em um microconto, como se o escritor fosse um locutor. O paralelo entre um gol e a morte foi bem montado. A história foi muito bem resumida em poucas palavras, o que é o maior mérito do conto. Na minha opinião, a epígrafe é muito adequada. Na verdade, as ideias anti-democráticas de Burke ressucitaram e parecem muito atuais em face de estarmos vivendo um enorme crise.

  42. Marina
    14 de janeiro de 2016

    Outra do time que não se animou de início por causa da temática de futebol. Mas a corrupção, o drama, a morte, me ganharam. Lendo uma décima vez, fiquei com a dúvida se a coisa toda do futebol não era uma metáfora. Acho que só estou viajando demais.

  43. José Leonardo
    14 de janeiro de 2016

    Olá, Walter White.

    Achei a epígrafe inadequada, pois o contexto em que é criada por Burke era outro, seria misturar situações e dimensões completamente diferentes mas é uma simples opinião minha e pode ser descartada. Atraiu-me seu estilo, embora aquela comparação usando “naja”, não sei, ficou meio estranha e não casou com o restante.

    Sucesso neste desafio.

    • José Leonardo
      14 de janeiro de 2016

      *contexto em que FOI CRIADO por Burke etc.

  44. Daniel Vianna
    14 de janeiro de 2016

    Caramba! Será que as coisas chegam mesmo a esse ponto? Pensei que apenas uma malinha resolvia tudo. O gol contra bem que podia ser à la Oséias, não? (foi mal Oséias). Seria mais fácil fingir (não que eu ache que foi esse o caso, longe de mim). Mas, enfim, o conto mostra um retrato do que ocorre no futebol e do que há por trás dos resultados, o que estamos, todos, cansados de saber. É isso aí. Gostei. Boa sorte e parabéns.

  45. Fil Felix
    14 de janeiro de 2016

    Sou do time que não se animou muito de início, por não ser fã de futebol e entender patas do assunto. Porém gostei muito da citação, me lembra de uma outra, do Dante, que diz que o inferno será mais quente para aqueles que, em momentos de crises, escolheram ficar em cima do muro.

    A narrativa é muito boa e entrega uma história bastante rica, no ponto certo entre o mostrar e o nosso imaginar. Eu fiquei pensando “mas como ele fez um gol contra?”, porque pra mim o micro conto estava num plano mais espiritual. O pai acabou caindo ao pressentir que o filho fora assassinado, algo assim. Mas com corrupção ou não, ficou muito bom!

  46. Ricardo de Lohem
    14 de janeiro de 2016

    Conto narrado de forma deliberadamente complicada. Alguns acharam a corrupção mostrada na história realista, mas eu não: nunca soube que no futebol brasileiro fosse comum sequestrarem familiares pra pressionar jogadores, se isso acontecesse, seria logo denunciado e viraria um escândalo. Aquele ponto e vírgula no início, não deveria ser só uma vírgula? Apesar desses problemas, um conto muito bom.

  47. Claudia Roberta Angst
    14 de janeiro de 2016

    Demorei um pouquinho para entender o final, mas ainda bem que o conto é curtinho e pude reler mais de uma vez.
    Futebol não é um tema que me agrade,mas aqui funcionou mais como pano de fundo para um conflito – corromper-se ou não para salvar o filho?
    Bem escrito, o conto desenvolveu-se causando impacto e dúvidas. O que é sempre muito bom, na minha opinião.
    Boa sorte!

  48. Leda Spenassatto
    14 de janeiro de 2016

    As rimas do início me remeteram a uma poesia, li como se fosse. Reli e ficou a mesma sensação.
    Passou sua mensagem, mas volto a frisar, não gostei das rimas iniciais.
    Bom desfecho.
    Boa Sorte!

  49. Simoni Dário
    14 de janeiro de 2016

    A carga emocional forte fez com que eu não quisesse entender o que estava entendendo, por isso reli umas três vezes. Na segunda leitura eu já estava assim: “NÃO, não é isso, vai dar tudo certo!” É sério, virei torcedora assistindo a partida, querendo uma virada aos 46 do segundo tempo. Mérito do autor. Baita conto!
    Parabéns!

  50. Daniel
    14 de janeiro de 2016

    De início, o tema do conto não me empolgou. Mas o desfecho pediu uma segunda leitura e no final das contas, gostei muito.

  51. Sidney Muniz
    14 de janeiro de 2016

    Lembrei do meu Cruzeiro e das últimas declarações do Sr. Benecy Queiroz.

    Aff… Fora essa lamentável lembrança, tenho que dizer que é um conto bastante original, o primeiro que comento e gostei bastante, pela competência na escrita, ousadia e originalidade.

    Gostei muito de como tudo está aqui!

  52. Thata Pereira
    14 de janeiro de 2016

    Poxa, a última frase me deixou bem (??), não por não ter entendido, mas porque eu realmente não esperava uma reação como essa. Talvez porque estamos tão acostumados com essas corrupções no futebol. Muito bacana o conto!

    Boa sorte!!

  53. Rubem Cabral
    14 de janeiro de 2016

    Olá.

    Muito bom! Li a primeira vez e não havia entendido o final, depois reli e “pimba”, a luz acendeu. Bem escrito, com boa carga dramática, com palavras bem escolhidas.

    Abraços e boa sorte.

  54. Cilas Medi
    14 de janeiro de 2016

    Um conto pomposo, posso analisar dessa maneira. As palavras carregam uma situação subjetiva que precisa ser lida várias vezes para se tentar entender o que o escritor queria, realmente, explicar. Não consigo entender na primeira vez a intenção, leio novamente e a energia é a mesma. Infelizmente não gostei e, para ser claro, não entendi a intenção.

  55. Pedro Henrique Cezar
    14 de janeiro de 2016

    O conto em primeira mão não havia me dado expectativas, já que falava de esportes, o qual não é o meu forte. Mas quando o cenário todo foi montado, e foi possível entender o que se passava ali, me surpreendeu bastante. Uso de palavras muito belas no conto também foram um diferencial. Parabéns e boa sorte!

  56. rsollberg
    14 de janeiro de 2016

    O conto é bom porque faz o leitor buscar as respostas e montar o quebra-cabeça.
    Aqui a ação antidesportiva não é fruto de uma promessa em dinheiro, o que é muito habitual nos esquemas de corrupção mundo a fora. O medo é que conduz os atos do personagem. Muito menos inglês, muito mais colombiano. rs

    Gostei desta parte ” A grama amorteceu só o peso do corpo, não a certeza silente da perda (instintos de pai)”. Sentimos a dupla dor do pai, que praticou algo contra a sua vontade e ainda perdeu o filho no cativeiro, pois o bandido não aguentou esperar até os 46 do segundo tempo.

    Funcionou bem essa dualidade da violência e do futebol – bala, artilheiro, fim do jogo.

    Agora, enquanto leitor chato – Por que precisava esperar até os 46, pai???
    É brincadeira. Na verdade, se perdeu credibilidade, deu bastante dramaticidade para a história.

    Muito bom, parabéns e boa sorte!

  57. Davenir Viganon
    14 de janeiro de 2016

    Gostei da abordagem da corrupção e futebol, só senti falta de uma reviravolta. Bom conto!

  58. Bia Machado
    14 de janeiro de 2016

    Bem forte, toda a ação bem pensada. Na segunda linha, aquele ponto-e-vírgula não cai bem, seria melhor uma vírgula ou, para que não fique um período longo, com muitas vírgulas, poderia separar a frase “A esperança atrapalhando as ações”, algo assim. Particularmente, não sou muito fã de adjetivos. Nada contra, quando eles não “engessam” a coisa pra mim, fazendo com que eu não consiga ver nada além do que está ali. Por isso, a metáfora “o corpo ergueu-se semelhante a uma naja” me soou desnecessária, talvez “Ergueu o copo, matou a bola no peito e…” já me passasse a ideia e eu não precisaria imaginar o cara tal qual uma naja, esse tipo de adjetivo atrapalha leitores “visuais”, que imaginam bem o que foi descrito, rs, mas claro, são detalhes e você tem o seu estilo. No mais, parabéns.

  59. Rogério Germani
    14 de janeiro de 2016

    Casou bem com as constantes notícias de corrupção no futebol…
    Parabéns!

  60. Renata Rothstein
    14 de janeiro de 2016

    Retrato da corrupção, bem interessante.

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Publicado às 14 de janeiro de 2016 por em Micro Contos e marcado .