EntreContos

Detox Literário.

O bibliotecário de Salé (Davenir Viganon)

sale

Salé, Marrocos.

A Salé das luzes noturnas, das palmeiras artificiais e da maresia intoxicada formava uma paisagem borbulhante na feira praiana e perene perto da foz do rio Bu Regregue. Quando a noite chegava toda a sorte de gangues, peregrinos, nômades, terroristas, agentes federais marroquinos e franceses disfarçados, simplesmente apareciam como se nunca houvessem saído dali.

A violência escondia uma estabilidade que governo nenhum admitia. Aquele consentimento de que, por mais horrível e difícil seja sobreviver na noite de Salé, a vida continua, como os bazares da feira que nunca acabava. Nelas haviam estabelecimentos lotados de artigos tradicionais como pimenta, tapetes, corantes, até implantes cirúrgicos variados de memória, simulações e treinamento em guerrilha cibernética, dispensers intracranianos de drogas sintéticas. Tudo ao gosto do cliente que submete-se a procedimentos realizados em porões sujos e sutilmente escondidos no subterrâneo da feira embaixo da feira que formava uma rede onde o dinheiro grosso circulava e sustentava a cidade, desde os sucessivos desastres tóxicos que contaminaram as águas do Bu Regregue varrendo o turismo natural das praias de Salé e da vizinha Rabat.

Para os turistas, que passeavam a noite na superfície da feira, viam apenas a vida cotidiana dos locais como exótica. As cores dos neons gastos e o cheiro vindo das fabriquetas de corantes de tecido remanescentes do trabalho diurno misturavam-se a fumaça dos bongos tragados sobre mesinhas em frente a casas de chá nas vielas de acesso à feira. Toda essa riqueza era vista como cacos quebrados de hábitos culturais primitivos. Não viam gente, nem cultura ali, apenas oportunidades de divertimento. Por isso entravam e saiam de Salé e Rabat, vindos de Casablanca e Marrakech, fingindo seguir os roteiros turísticos estéreis das agências de viagem. Porém o turismo que aquecia a noite de Salé era o das drogas e dispositivos alucinógenos, prostituição gore, reuniões com todo tipo de mafioso exilado da Europa e, é claro, desova de containers assaltados por piratas. Todos encontravam abrigo em Salé. Todos podiam entrar fazer o que não era permitido na Europa e nos Estados Unidos. Para os de passagem, regressar com remessas para a Suiça ou contar histórias de farras em terras sem lei.

Em meio à efervescência da noite Sebastian Dudek, agente do serviço de informações francês, circulava com falsa descontração, seguindo dois desses turistas e pensando no quanto eles o deixavam mal humorado. Atrapalhavam o seu trabalho. Não eram efeitos colaterais aceitáveis em suas missões no magreb. O casal era jovem e possuíam corpos bronzeados, usavam bermudas curtas, camisas com transparências e caminhavam com toda aquela frivolidade dos namorados. Eles pararam em uma barraca de tapetes e conversaram rapidamente com o atendente adentrando as pilhas abarrotadas saindo de sua vista.

Bastian entrou em alerta, porém nada fez de imediato. Andou mais alguns passos e parou numa barraca de chá próxima e pediu. Enquanto a bebida era servida ligou o para um número e esperou a ligação se efetuar. Aguardou alguns minutos pela resposta. Imaginou a chamada chegando ao terminal da agência em Paris depois de rebater em mais de dez lugares no mundo para embaralhar o sinal. Contudo o sinal verde para a operação não retornava assim tão fácil, nem com a mesma velocidade. Depois seu aparelho apitou e finalmente ouviu alguém atender.

– Alô Nicolás! Como vai amigo? – Era a voz do chefe da seção do Magreb.

– Estou fazendo compras aqui na feira de Salé, vai querer levar alguma coisa? Tem uns tapetes que eu vi aqui. São exatamente do tipo que estava procurando, lembra? – Bastian falava bem alto para alimentar seu disfarce.

– Aqueles que eu procuro faz tempo? Sim, claro. Tá com o orçamento que eu lhe dei ai não é?

– Sim. É o último bazar de tapetes que me faltava ver.

– Então Nicolás, pode comprar. Quatro carregadores, para levar o tapete até a transportadora está bom ou vai precisar de mais?

– Só quatro, Charlie.

– Ok. Faça esse favor… espera ai Nicolás. E o bibliotecário? Você achou ele? Você não pode voltar sem nada dele.

– Se não souberem dele nesta loja, ninguém nessa cidade sabe.

– Entendido, Nicolás. Faça esse favor para mim, então. Um abraço.

– Um abraço, Charlie. Qualquer coisa te ligo de volta.

Bastian não sabia exatamente o quanto daquele teatro era precaução e quanto era tradição. Todavia era o protocolo. Desligou o telefone e tomou o seu chá. Estava contando que os “turistas” iam demorar o suficiente para a equipe tática chegasse a tempo. Seu aparelho apitou suavemente viu a mensagem gráfica em sua tela dizendo: “8 minutos”. Guardou o telefone de volta no bolso.

Quando já havia se passado metade do tempo, sentou-se um sujeito magro. Sorriu ao sentar-se ao lado de Bastian que ficou nervoso com a presença do colega da agência.

– Que faz aqui, Deschamps?

– Vim te dar cobertura. Paris quer que eu te ajude a terminar este grupelho de merda de uma vez e, além disso, eu quero ver sabe, o bibliotecário morrendo na minha frente.

– Cala esta boca! Quer gritar para aqueles terroristas do Piratas do Salé que estamos aqui? – Falava com Deschamps em francês. Sorriam como se reencontrassem depois de muito tempo.

– Um punhado de hackers árabes dissidentes do Anonymus? Tem medo deles? – O sorriso arrogante de Deschamps não era dissimulado.

– Não tenho medo de baratas, nem por isso faço estardalhaço para caçar uma. Daqui a pouco vou completar esta missão e vou pegar meu transporte para Paris. Chega desta sarjeta e de você também.

– Eu vou com você depois que terminar o serviço. Até lá podemos tomar mais chá enquanto esperamos os rapazes chegarem. – Deschmaps levantou a mão para pedir mais chá ao garçom. – Sabia que aqui existiu uma república de piratas? Mais de um século antes da revolução na nossa querida republique. Chamavam de República Corsária do Salé. Os cristãos que se convertiam ao islã eram bem-vindos aqui, sabia? Na verdade, todos os rejeitados eram bem-vindos, devia ser um lugar fascinante. – Falava tranquilamente com um sorriso leve no rosto e olhava a feira como um todo da cadeirinha apertada da casa de chá. – Estava pensando esses dias que a Salé de hoje ainda é assim. Mas com o passar dos anos aquela República deixou de existir. Nós viemos, colonizamos. Eles se libertaram e depois de um tempo tentando nos imitar, Salé voltou a ser o porto dos piratas. Estamos retomando ela, mais uma vez.

Bastian apreciava a ajuda, mas achava as conversas aleatórias de Deschamps, muito irritantes. Pensou que ele devia estar desocupado depois de meses de operações bem sucedidas no Marrocos. Ambos sabiam que Bastian tinha de mostrar mais serviço na agência por ser mais novo. Achava que por isso Deschamps não se preocupava com o quem eram os Piratas do Salé. Já Bastian tinha uma opinião bem diferente deles.

Os Piratas do Salé chegaram a fazer um estrago nos sistemas franceses de acesso à internet. Aos pirates foi atribuído a onda de revoltas nas periferias de Paris e, o mais grave, conexões com terroristas muçulmanos. O governo deslanchou uma contraofensiva. Bastian e Deschamps foram acionados no Marrocos e depois de alguns meses vários elementos dos pirates estavam mortos e alguns poucos levados para interrogatório em Paris. Os primeiros tiveram mais sorte. Contudo o único líder conhecido, mas não identificado, tem o codinome de bibliotecário e escapou da última investida de Bastian, semanas atrás, quando encontrou os fundos de uma casa de chá, cinco quadras dali, abandonada. Poucos minutos antes da batida. Sequer chegou a ver o rosto do bibliotecário.

Os 8 minutos haviam acabado. A noite friorenta do deserto e a maresia tóxica da praia interditada a poucos metros dali davam a desculpa perfeita para as máscaras e os capotes surrados dos soldados encobrirem os rifles de grosso calibre enquanto se aproximavam da entrada da loja de tapetes naquele momento. Bastian suava na palma das mãos. O primeiro soldado da formação encostou uma pistola silenciada no rim do atendente da loja. Bastian quase ouviu o shhh saindo da boca do soldado. Rapidamente o restante da equipe entrou e Bastian, já de pé, corria para atravessar o passeio estreito até a entrada da loja. Ouvia os passos de Deschamps que o seguia com a pistola em punho.

– Quantos lá dentro? Fala ou morre! – Perguntou o soldado ao atendente da loja. Bastian encostou sua pistola, também com silenciador, no outro rim do atendente para reforçar a urgência pela informação.

– Tem… d-dois, mais dois f-franceses… são quat-tro.

Bastian coloca o dedo indicador na boca, sinalizando silêncio, e depois aplica uma coronhada no atendente que cai desacordado. O soldado passa a informação pelo comunicador enquanto entra no recinto. Era um corredor envolto de mais tapetes empoleirados. Uma escada no final levava para um nível subterrâneo. Na entrada da escada, estranhou não ter ouvido ainda algum tiroteio dos soldados mais a frente e quando todos haviam descido percebeu um grande túnel subterrâneo, mas nenhum pirate.

– O que temos aqui, Bastian? – Perguntou Deschamps.

– Deve ser a base principal dos pirates, Champs.

– Já vi várias parecidas.

Os soldados da equipe formavam um quadrado esgueirando-se pelo corredor esquadrinhando as portas com os dois agentes atrás deles. Nada encontraram quando chegaram à última porta. Uma explosão invadiu o estreito corredor. O soldado mais perto da porta foi arremessado, derrubando o que estava do outro lado. Bastian e Champs encostaram-se na parede e ouviram pistolas e fuzis de assalto cantarem. Em meio a fumaça da explosão, Bastian viu um dos “turistas” caminhar em direção dele cambaleando. Acertou-o com dois tiros no peito. Deu mais alguns passos em direção ao buraco em que estava a porta que explodiu. Viu os soldados, todos mortos no chão. Também estavam estirados a mulher do casal e um tipo árabe com um soquete implantado na lateral do crânio. Faltava mais um, pensou Bastian. Olhou para Champs e fez sinal para avançarem sobre a entrada feita pela explosão.

Bastian entrou primeiro e não viu sinal do último pirate. Mas viu uma sala cheia de livros, móveis quebrados, tudo bagunçado e empoeirado pela explosão. No canto da biblioteca destruída um balcão de recepção o deixa em alerta. Bastian atira duas vezes no balcão e ouve um grunhido. O corpo do último pirate cai e parte dele fica visível.

– Acho que esse é o bibliotecário! – Deschamps solta uma risadinha.

– Não sabemos! Além do mais, meu trabalho não acabou, Champs. Mas se quiser pode ir. – Responde Bastian ríspido.

Começou a tirar fotos dos rostos dos mortos e enviar para Paris, para reconhecimento. Minutos depois recebeu a resposta da agência no seu celular: Sujeito 1: Kaleb Ozil. Identificação positiva, Sujeito 2: Sophie Mazul. Identificação positiva, Sujeito 3: Claude Merceu. Identificação positiva, Sujeito 4: Karim Abdul. Identificação positiva.

– Merda, merda! Este último não é o bibliotecário, Champs. Esse puto já estava no nosso banco de dados. – Exasperou-se.

– Sua missão foi um sucesso, Bastian. Os pirates acabaram.

– Não! O bibliotecário fugiu, eu tenho certeza.

– Olha Bastian. Talvez ele seja uma cortina de fumaça, para as operações do grupo. Eu venho caçando eles também, assim como você.

– Eu não posso voltar para a França sem o bibliotecário, Champs. Não importa se você está certo.

– Eu posso te ajudar, Bastian.

– Como assim?

– Se você pudesse fazer ele – apontou para o corpo atrás do balcão – virar o bibliotecário?

– Vá se foder, Champs! Você está me propondo falsificar um relatório?

– Não Bastian, não é isso. Você não entendeu direito.

– Eu entendi sim, seu safado. – Bastian aponta sua pistola para Champs. – Você está do lado deles?

– Calma ai colega! – Derschamps levantou as duas mãos, segurando a pistola pelo Guarda-mato com o indicador, como se não levasse a sério a ameaça de Bastian.

– Porque você veio aqui. Não foi a agência, não é? Fala! – Gritou- Fala seu…

O estrondo na sala fechada produziu um eco. Deschamps ficou parado, sem se surpreender. Bastian caiu já sem vida na sua frente. Atrás do corpo de Bastian o homem baixa a sua arma. Ele se aproxima, mas mantém um pano sobre o local onde havia levado uma coronhada.

– Você não conseguiu convencê-lo.

– Eu estava quase conseguindo. Se tivesse esperado mais eu teria conseguido.

– Ele teria te matado.

– Ele era um bom homem. Só não gostava de Salé. Seu lugar era Paris. – Champs, olha para Bastian no chão.

– Vários homens bons vieram matar em Salé. Ele só não admitia gostar disso. – Respondeu o bibliotecário quando deu um chute de leve no corpo de Bastian.

Anúncios

56 comentários em “O bibliotecário de Salé (Davenir Viganon)

  1. rsollberg
    13 de janeiro de 2016

    O bibliotecário de Salé (Bibliohacker)

    Na minha opinião, o grande mérito deste conto é a confecção da atmosfera ao redor da história. É possível sentir o local. Parece que houve bastante pesquisa nesse sentido. Parabéns.

    Gostei da história, mas penso que ela pede mais desenvolvimento. Acho que faltou a cadência do início, que chamou muito a minha atenção. O ritmo acelera muito do meio para o final. Mas creio que isso seja uma questão bem pessoal.
    Em alguns momentos, me lembrei do Max Barry. Curti!

    A biblioteca aparece mais como cenário, mas, ao mesmo tempo, isso foi bom para ver perspectiva diversa por aqui. Percebi um pequeno paralelismo e a ausência de algumas vírgulas (que normalmente também é o meu calcanhar de Aquiles)

    Um belo entretenimento!
    Parabéns.

  2. Fabio D'Oliveira
    5 de janeiro de 2016

    ௫ O bibliotecário de Salé (Bibliohacker)

    ஒ Físico: O poder descritivo de Bibliohacker é excelente. O conto é completamente visual. Parece, inclusive, que o leitor está presente, ao lado de Sebastian. O autor mostra que domina a escrita e tudo flui de forma leve e natural. O estilo, entretanto, não impressiona. Não há nenhum elemento diferente, deixando a atratividade sobre o enredo. Mas o ideal é que a narrativa e a estória sejam atraentes. Bibliohacker precisa trabalhar mais. Definir um estilo marcante.

    ண Intelecto: O enredo foi bem desenvolvido, tendo um deslize no final, que foi brusco e fraco demais. O limite pode ter prejudicado isso. Mas se a ideia era grande demais para o limite, o autor deveria ter escolhido outra. Essa é a verdade. É um mal sem tamanho que você faz para si, leitores e ideia tomando uma atitude dessas. Na verdade, acho que essa estória realmente não tem muito potencial. É só o mais do mesmo. Vale destacar o potencial de Bibliohacker, porém. Ele sabe descrever ambientes e situações com um destreza maravilhosa. E dá vida aos seus personagens. Ele merece os parabéns por isso!

    ஜ Alma: Colocar uma biblioteca na estória ou bibliotecário não irá fazer com que a estória tenha como base a imagem do desafio. O cenário deve ter valor fundamental para o enredo e situação, no mínimo! Bibliohacker não conseguiu fazer isso. O foco era outro. Mas ele é um escritor que tem potencial. Talvez tenha verdadeiro talento nessa área.

    ஆ Egocentrismo: Não curti o conto. A estória não tem muito poder de atração para quem procura algo além do entretenimento. E o estilo do autor também não é belo o bastante para cativar. No entanto, admirei o potencial de Bibliohacker.

    • Davenir Viganon
      5 de janeiro de 2016

      Que bom que apareceste para ler meu conto. Tava sentindo falta do “egocentrismo” nos comentários. kkk
      Um abraço!

  3. Davenir Viganon
    4 de janeiro de 2016

    Obrigado pelo incentivo, independente de terem gostado ou não do conto. Vou continuar escrevendo sim! Me autoavaliando, seriamente, vi que repeti alguns erros dos desafios anteriores, em relação a mostrar mais e contar menos. EM relação ao tempo verbal e a gramática. Mas as críticas foram mais brandas, então acho que melhorei um pouquinho. Ainda que na tabela eu não tenha passado do 25 lugar, em relação aos outros desafios acho que evolui. Não muito, mas como não estou com pressa tá bom!

    Fiquei satisfeito com o primeiro 10 que recebi (sem contar aqueles que tu ganha junto com todo mundo kkk)

    Um abraço!

  4. Rubem Cabral
    2 de janeiro de 2016

    Olá, Bibliohacker.

    Gostei de ler um conto de temática cyberpunk por aqui. Achei que a sua ambientação foi muito efetiva e o conto segue muito bem até o momento do ataque aos pirates. A partir daí, acontece um plot twist que me pareceu forçado e o conto termina de forma muito seca. Penso que o conto ficaria ótimo se mais desenvolvido, pois você certamente domina bem os recursos narrativos necessários e fez pesquisa ou conhece bem o ambiente a retratar.

    Um bom conto, que tinha potencial de ser ótimo.

    Abraços.

  5. Jowilton Amaral da Costa
    2 de janeiro de 2016

    Um bom conto. Boa ambientação e uma boa ação. Os personagens e a trama ficam aquém da ambientação de Salé. O bibliotecário era o Dechamps ou o atendente que matou o Bastian? Por incrível que possa parecer, fiquei com está dúvida.

  6. Bia Machado
    1 de janeiro de 2016

    Gostei da descrição do ambiente, li e consegui visualizar bem. No entanto, não me cativou o texto, o enredo não me prendeu. Não sei, acho que tramas de ação demandam mais espaço, da forma como está pra mim ficou aquém do que poderia. Mas espero que continue a desenvolver esse texto, ou outro que seja de ação, pois é um formato pouco explorado na nossa literatura.

  7. Philip Klem
    1 de janeiro de 2016

    Boa tarde.
    Sinto muito em dizer, mas seu conto não funcionou muito bem.
    Uma introdução muito longa e descritiva, até bem escrita, mas cansativa. No segundo par´grafo eu já estava querendo parar de ler.
    Seu personagens foram pouco ou nada credíveis, muito menos coerentes. Em alguns momentos queriam uma coisa, no momento seguinte já tinham opiniões completamente diferentes.
    A ação também não funcionou, assim com os diálogos, que pareciam tirados de algum roteiro de Bollywood.
    A reviravolta final não surpreendeu em nada.
    E como, por amor a Deus, se encosta uma arma no rim de uma pessoa?
    Enfim, não funcionou.
    Não me leve a mal.
    Criatividade você tem de sobra, e de boa qualidade. Você conseguiu escrever um Thriller de espionagem completo, com começo, meio e fim, em apenas um conto minúsculo. Isso é demonstração de talento. O que você precisa é continuar escrevendo e aperfeiçoando sua técnica. Experimente ler mais e prestar a atenção em como tudo está escrito e organizado. Há muito mais que histórias para se aprender com livros.
    Boa sorte amigo, e continue escrevendo.

  8. Leandro B.
    1 de janeiro de 2016

    Oi, Bibliohacker
    Segundo conto que leio aqui em que um país africano ganha um pouco de destaque.

    No que diz respeito à história, não funcionou muito bem comigo, por dois aspectos principais: a falta de uma revisão mais apurada e a falta de aprofundamento sobre os personagens.

    Veja, os primeiros parágrafos do conto mostram o potencial do autor, já que a ambientação é bem detalhada. Mas a coisa não funciona direito, porque temos um início muito descritivo do ambiente, mas que se perde um pouco na descrição das pessoas. Creio que gastou muitas palavras ali e poderia tê-las investido melhor em seus agentes.

    A trama, em si, tem um ritmo bem cinematográfico. Temos bastante ação acontecendo, mas achei difícil me importar com os personagens.

    Alguns outros aspectos que me confundiram um pouco:

    “A violência escondia uma estabilidade que governo nenhum admitia. ”
    Não seria o contrário?

    “Estava contando que os “turistas” iam demorar o suficiente para a equipe tática chegasse a tempo”
    Aqui pode ser uma questão de estilo, mas acho que “demorariam” ficaria melhor.

    “Bastian apreciava a ajuda, mas achava as conversas aleatórias de Deschamps, muito irritantes. ”

    Pelo diálogo anterior, realmente não parece que ele apreciava a ajuda.

    Achei as mudanças entre passado e presente um pouco estranhas.

    “Rapidamente o restante da equipe entrou e Bastian, já de pé, corria para atravessar o passeio estreito até a entrada da loja.”

    “Bastian coloca o dedo indicador na boca, sinalizando silêncio, e depois aplica uma coronhada no atendente que cai desacordado.”

    “Começou a tirar fotos dos rostos dos mortos e enviar para Paris, para reconhecimento.”

    É isso, acho especialmente que faltou lapidar um pouco mais os personagens.

    Boa sorte, camarada.

  9. Evie Dutra
    1 de janeiro de 2016

    Confesso que não gostei do seu conto. A escrita não me cativou.. e nem a história que você criou. Me senti como se tivesse assistindo um daqueles filmes baratos mexicanos.
    Os diálogos foram pouco naturais e as frases, com carência de virgulas, se tornaram confusas.
    Boa sorte e continue escrevendo.

  10. Piscies
    1 de janeiro de 2016

    Uau… gostei pra kct!!! Um thriller! Parabéns pela imaginação. Transformar a imagem do tema do desafio em um thiller policial não é para qualquer um!

    E que história!! Muito interessante, realmente. É claro que ela deixa aquela água na boca, fazendo o leitor querer ler mais sobre isso, mas qual bom conto acaba não deixando?

    A leitura está fluida, sem defeitos que eu tenha notado, tirando o defeito básico da variação do tempo verbal, que sempre incomoda um pouco. Mas este é daqueles defeitos que se acerta em alguns minutos, rs. O autor conseguiu criar o cenário perfeito, narrá-lo de forma envolvente e manter a atenção do leitor até o final. O mais importante: descobrir o final não é tarefa trivial.

    Muito bom mesmo. Um dos melhores por aqui. Parabéns!!!

  11. Wilson Barros Júnior
    31 de dezembro de 2015

    A descrição de Salé está muito boa, verossímil, profissional mesmo. Os diálogos estão bons, ainda que eu ache que você pode aperfeiçoá-los até atingir a maestria do seu estilo descritivo. A história é muito boa e intrigante. O conto foi muito conciso, uma grande qualidade, e um dos melhores que li neste desafio, parabéns.

  12. G. S. Willy
    30 de dezembro de 2015

    A descrição do local ficou muito boa, viva, quase me senti imerso em salé. Alguns erros pontuais aparecem por todo o texto, o que atrapalha um pouco a leitura a cada vez que se depara com um, uma revisão poderia resolvê-los facilmente.

    A ideia de mostrar a tecnologia dos próximos anos já inserida sem ficar mencionando que se está no futuro também foi boa. O final na tapeçaria ficou um pouco corrido, não deu para sentir o medo, ou a dúvida, de Bastian, poderia ter sido melhor desenvolvido. A identificação do bibliotecário foi uma boa surpresa, nem lembrava mais do dono da loja lá atrás.

    Uma dica para o(a) autor(a) é reescrever o conto, retirando a gordura, inserindo mais detalhes, em alguns momentos parece que as ideias foram sendo digitadas conforme foram aparecendo, ficando por algumas vezes deslocadas. No todo, um conto muito bom, parabéns.

  13. Pedro Luna
    30 de dezembro de 2015

    Bom, gostei da ambientação. Realmente eu li e imagens se fizeram em minha cabeça com bastante facilidade. Parabéns. Já a trama ficou a desejar pois os personagens foram pouco explorados. Porém, tentei ler sob a ótica de interpretar agentes como sujeitos de uma vida não tão aberta, então foquei mais em suas ações. No fim das contas, foi um texto bacana de ação, mas que em minha opinião não trouxe o tema e teve um final abrupto demais (e Bastian se descontrolou muito fácil ao fim). No geral, saldo positivo, mas que não vai ficar nos favoritos.

    O autor devia investir nesse tipo de trama de espionagem, ação, etc… acho que tem um futuro aí.

  14. Simoni Dário
    28 de dezembro de 2015

    Adorei Salé, a feirinha, os chás, tapetes, você ambientou muito bem a sua história. Já o enredo, apesar da ação, não me prendeu muito, tive que voltar ao texto porque perdia o fio da meada algumas vezes. O final foi bem trabalhado. O autor tem potencial, continue escrevendo.
    Bom desafio!

  15. Anorkinda Neide
    27 de dezembro de 2015

    Olá!
    Gostei e não gostei… :p
    Os primeiros parágrafos estão extensos e fiquei meio boiando até conseguir mergulhar na ambientação do conto, talvez umas descrições mais diretas seriam mais eficazes, até pq o restante do conto é desta natureza… descrevendo ações de forma direta.
    Gostei do clima de filme de ação e pensei q Deschamps era o bibliotecário, achei boa esta ideia do bibliotecário para casar com a imagem… Para que o balconista fosse o grande antagonista acho que ele precisava ser melhor trabalhado, descrito e tal, assim como Deschamps, então sim, confundiria bem o leitor para o granfinale!
    Mas acho q é só isso o q tenho a palpitar, fora as revisões gramaticais já citadas pelos colegas.
    Parabéns pelo texto e boa sorte!

  16. Thiago Lee
    27 de dezembro de 2015

    como outros já mencionaram aqui, o autor(a) soube trabalhar bem a ambientação, evocando os sentidos do leitor para inserir-nos no Marrocos.
    A trama, infelizmente, ficou um pouco para trás. Não consegui me prender pela história ou pelos personagens um pouco rasos, esperava mais profundidade e diálogos mais bem trabalhados.
    De qualquer maneira, parabéns e boa sorte!

  17. Claudia Roberta Angst
    25 de dezembro de 2015

    Muito boa a ambientação. Também me senti vendo um filme de ação, com bom roteiro. Algumas passagens,no entanto, fizeram o conto perder o ritmo e minha atenção diminuiu.
    Cuidado com a troca de tempos verbais, isso pode confundir um pouco a leitura. Não precisa ser super metódico quanto a isso, mas manter uma coerência.
    Uma nova revisão terá de ser feita para limpar as falhas. Estranhei a expressão “A noite friorenta” – a noite é que sentia frio?
    Os personagens não me empolgaram como pensei que fariam, embora eu note que o autor tenha tido cuidado na criação deles. Faltou empatia, pelo menos para mim.
    Fiquei desejando que o conto fosse um pouquinho menor, mas isso é preferência pessoal. Acredito que alguns parágrafos poderiam ser condensados, cortando algumas frases. Mas sei que isso é algo difícil de se fazer quando se tem a ideia ali já expressa.
    Boa sorte!

    • Bibliohacker
      25 de dezembro de 2015

      Grato pelas considerações. As levarei comigo no momento de reformular o conto. Um abraço!

  18. JULIANA CALAFANGE
    24 de dezembro de 2015

    gosto muito do gênero e a sua ambientação é muito boa. Nota-se q vc lê bastante esse tipo de literatura (acho q alguém mencionou o Chacal). Eu também! Acho q vc deve rever o texto procurando dar a mesma dedicação q usou para nos levar para dentro da atmosfera de Salém, também para nos levar mais para perto dos personagens. Acho que o tema biblioteca ficou meio no ar, ela podia estar lá, como não estar. No lugar do bibliotecário, poderia ser o porteiro ou o pipoqueiro, então isso também ficou faltando. Uma revisão geral no texto tb é recomendável. Parabéns!

    • Bibliohacker
      25 de dezembro de 2015

      Grato pelas considerações. De fato li muito este tipo de literatura e pretendo seguir essas recomendações em relação aos personagens, que precisam ser melhorados. Um abraço!

  19. Antonio Stegues Batista
    23 de dezembro de 2015

    O escritor, seja ficcionista ou não, é um cidadão do mundo, ele pode e deve ambientar suas estórias (ficção) e suas Histórias ( realidade), em qualquer parte do mundo, assim como foi Prosper Merrimée e como é Umberto Eco. Sua estoria ambientada em Salém, Marrocos, está perfeita quanto as descrições, mas a estória, como já foi falado, não chegou a ser original. Além disso, também notei problemas em variações de tempo verbal e frases mal construídas. Esses problemas com certeza o autor irá resolvendo com a prática. Boa sorte!

    • Bibliohacker
      25 de dezembro de 2015

      Grato pelas considerações. Além da prática, o aprendizado com o retorno me fará melhorar cada vez mais. Um abraço!

  20. Fil Felix
    23 de dezembro de 2015

    Boa tarde! Um conto que prima pela ambientação, a gente consegue mergulhar nessa Marrocos, seus becos, tapetes e pessoas. A ambientação está muito boa, o que combina com o gênero escolhido. A imagem também ajudou, claro. O clima clássico de investigação, como um 007 da vida, junto dos pontos mais contemporâneos, como o Anonymous, também dão um outro tom à trama. Confesso que quase me entreguei à uma faceta a lá As Panteras ali no meio, com o “Hello, Charlie”!

    O uso da imagem do desafio também é interessante. Acho que foi melhor expressa no papel do Bibliotecário, do que na descrição do local, que é igual à fotografia. A reviravolta, todos os trejeitos de ficção policial mostram que o autor tem dedo bom pra coisa, mas acho que faltou algo mais orgânico. Os fatos são bastante mecânicos, os personagens não tem vida própria, tanto o Bastian quanto o outro parceiro não tem distinções, eu mesmo me confundi no final, não sabia se teria morrido o cara do início ou o que chegou depois, justamente por não terem nada que os separassem, de fato, além do nome.

    • Bibliohacker
      23 de dezembro de 2015

      Grato pelas considerações. Vou levá-las comigo no momento de reformular o conto. Um abraço!

  21. Gustavo Castro Araujo
    21 de dezembro de 2015

    A impressão que tive foi de ler o roteiro de um filme de ação clássico, no estilo “Jason Bourne”. A ambientação é muito boa, carregada do exotismo que se evoca à mera menção do Marrocos. Em certos momentos, pude sentir os odores, o calor e a atmosfera em certa medida opressora das ruelas da feira. Parabéns ao autor por isso.

    No entanto, esse esmero na contextualização geográfica não foi empregado na caracterização dos personagens, que seguem o velho clichê de tantos romances policialescos. Na verdade, não há nada que nos faça gostar mais de Deschamps ou de Bastian. Ambos não apresentam qualidades ou defeitos relevantes. Não têm dúvidas, anseios ou remorsos. Assim, quando Bastian é atraiçoado, nada sentimos. Tivéssemos sabido que ele tem uma filha em Paris, ou que a mulher está grávida, mas ele pensa em se divorciar dela, poderíamos sentir por ele alguma empatia ou desprezo. Do jeito que ficou, porém, o resultado é uma linha horizontal no quesito sentimento.

    Outro ponto que merece menção é a falta de revisão do texto. Apesar da boa premissa, a execução termina como regular apenas, dada a falta de acentos, crases e erros de concordância. Em alguns parágrafos, o paralelismo verbal também deixou a desejar. De todo modo, isso é algo que se aprende, ou melhor, que se consolida por intermédio da prática. Estou certo de que o autor está no caminho do auto aperfeiçoamento e que em breve poderá nos contemplar não só com um roteiro que nos deixe apreensivos (no bom sentido), mas também com personagens humanos – gente de verdade – e com uma escrita impecável.

    Por fim, no que tange à adequação ao tema, vejo que a biblioteca só figurou como o local em que tudo termina. Foi lá, mas poderia ter sido num bar, ou numa loja de artesanato tuaregue. Ou seja, não foi muito relevante para a história.

    Em todo caso, o conto tem um balanço positivo, pois a narração é ágil, fluida e desperta a curiosidade, ao menos para sabermos quem escapa com vida no final.

    Parabéns e boa sorte no desafio.

  22. Lucas Rezende de Paula
    21 de dezembro de 2015

    Me empolguei bastante com a história (estou ledo O Dia do Chacal e estou encantado pelo gênero), a trama policial foi bem desenvolvida, não vou citar novamente o que foi dito sobre o texto se perder um pouco em descrições.
    Eu gosto muito de finais assim “Aha! Era eu!” mesmo o conto tendo acabado de forma abrupta e o personagem principal não tinha carisma.
    Boa sorte.

    • Bibliohacker
      22 de dezembro de 2015

      “O Dia do Chacal” foi um dos primeiros livros que li na minha adolescência. Acho que depois de tanto tempo algo dele acabou caindo neste conto para você ter feito esta relação. Grato pelo comentário.

  23. Daniel Reis
    21 de dezembro de 2015

    Um conto pulp muito saboroso, que poderia ser parte de um romance de espionagem mais amplo. A narrativa deslancha depois de alguns parágrafos mais descritivos (particularmente eu prefiro começar com ação e ir colocando as descrições, quando necessárias, ao longo do desenvolvimento – mas é questão de estilo). Gostei bastante, apesar do final do texto não ser realmente conclusivo, deixa em aberto o próximo capítulo. Que venha, então!

    • Bibliohacker
      23 de dezembro de 2015

      Felicita-me que o conto tenha te agradado. Um abraço!

  24. Neusa Maria Fontolan
    21 de dezembro de 2015

    Gostei do conto, me senti vendo um filme de espionagem apesar de ficar frustada por não entender o que realmente eles procuravam.
    Parabéns e boa sorte.

  25. Rogério Germani
    20 de dezembro de 2015

    Olá, Bibliohacker!

    Vamos viajar um pouco…

    Imagine que um professor de artes peça a um aluno para desenhar um par de sapatos. Este mesmo aluno, talentosíssimo por sinal, demora um bocado para iniciar o trabalho e de repente, em movimentos frenéticos conclui o pedido, entregando um autentico retrato da Mona Lisa, recém criado por ele. Pergunta: Mesmo sendo um gênio da pintura, o aluno desenhou o par de sapatos solicitado pelo professor?

    É isto que percebo em seu conto… O talento e a técnica são apuradas, mas a trama esquece que o foco deveria ser a biblioteca.

    Boa sorte!

    • Bibliohacker
      23 de dezembro de 2015

      Entendi teu raciocínio e admito que a biblioteca poderia aparecer mais. Que bom que apreciou o conto mesmo assim. Um abraço!

  26. Evandro Furtado
    19 de dezembro de 2015

    Olá, seguem as considerações:

    Fluídez – 8/10 – confesso que a mudança de tempo verbal dentro de um mesmo parágrafo me incomodou várias vezes. Você começava narrando a história no passado e quando chegava a parte da ação, mudava para o presente. Isso deixa a narrativa estranha, descontínua;
    Estilo – 8/10 – acho que seria interessante se você tentasse encontrar uma narrativa mais específica, decidindo entre adotar os verbos no passado ou no presente dependendo do que você quer imprimir. Acho que vai deixar seu texto ainda mais redondo;
    Verossimilhança – 8/10 – em alguns momentos faltou explicar uma coisinha aqui outra ali, mas você usou alguns dados factíveis que deram substância à trama;
    Efeito Catártico – 4/10 – faltou aquela densidade. Confesso que achei que Deschamps era o bibliotecário (aliás, não pude deixar de pensar nele como Jean Reno), talvez fosse um plot twist mais efetivo. No fim das contas apareceu um cara das sombras que meio que whateaver. Talvez se houvesse mais tempo, desse pra desenvolver melhor. Quem sabe você não expande isso uma hora dessas.

    • Bibliohacker
      20 de dezembro de 2015

      Evandro. Concordo com teus apontamentos em relação ao tempo verbal e os demais, prometo melhorar no próximo. Talvez tenha ficado sutil em demasia o indicativo que provi em de que o bibliotecário era o atendente que foi torturado na entrada do recinto quando da invasão dos soldados.
      Em relação a expandir eu de fato pretendo reformular o conto com base nos comentários.
      Um abraço!

  27. Leonardo Jardim
    19 de dezembro de 2015

    Caro autor, seguem minhas impressões de cada aspecto do conto antes de ler os demais comentários:

    📜 Trama (⭐⭐⭐▫▫): a trama se desenrola bem e me prendeu direitinho. A reviravolta do final, porém, não me animou muito. Ela foi meio corrida e um pouco sem sal, não deu pra dar aquele sorrisinho quando somos pegos de supresa. Seria mais legal se o próprio Deschamps fosse o bibliotecário, acho que teria mais impacto.

    📝 Técnica (⭐⭐▫▫▫): narra bem e consegue envolver nas cenas de ação. Mas cometeu alguns erros de revisão, uso da vírgula e alterações de tempo verbal da narrativa. Corrigindo isso e trabalhando um pouco mais nas figuras de linguagem como metáforas elaboradas, a técnica estará bem apurada.

    🎯 Tema (⭐▫): a biblioteca está apenas no título e no codinome do vilão. Não nos é apresentada em nenhum momento.

    💡 Criatividade (⭐⭐▫): o ambiente apresentado foi bastante criativo, usando o momento delicado que vivemos. Mas lançou mão de alguns elementos batidos de filmes de ação.

    🎭 Emoção/Impacto (⭐⭐⭐▫▫): me empolguei com o texto até a reviravolta, fiquei nervoso na cena de embate entre Bastian e Deschamps, mas não gostei do desfecho. O protagonista morre muito fácil, sem qualquer carga dramática e o vilão se mostra uma pessoa praticamente desconhecida. Nesses casos, a reviravolta funciona melhor quando o vilão é alguém já apresentado em quem o leitor confia.

    💬 Trecho de destaque: “As cores dos neons gastos e o cheiro vindo das fabriquetas de corantes de tecido remanescentes do trabalho diurno misturavam-se a fumaça dos bongos tragados sobre mesinhas em frente a casas de chá nas vielas de acesso à feira.” (boa sinestesia)

    🔎 Problemas que encontrei:
    ◾ Todos podiam entrar (e) fazer o que não era permitido 
    ◾ Em meio à efervescência da noite (vírgula) Sebastian Dudek
    ◾ Como vai (vírgula) amigo?
    ◾ Tá com o orçamento que eu lhe dei ai (vírgula) não é?
    ◾ Seu aparelho apitou suavemente (faltou conectivo) viu a mensagem gráfica em sua tela
    ◾ Bastian *coloca* o dedo indicador na boca, sinalizando silêncio, e depois *aplica* uma coronhada no atendente que *cai* desacordado. O soldado *passa* a informação pelo comunicador enquanto *entra* no recinto. (aqui o tempo verbal muda para o presente)
    ◾ um balcão de recepção o *deixa* em alerta… (presente de novo à partir daqui)
    ◾ Atrás do corpo de Bastian o homem *baixa* a sua arma (mais uma vez)

    • Bibliohacker
      20 de dezembro de 2015

      Leonardo, grato pelos teus apontamentos. Cabe apenas salientar que em relação ao quesito “Tema”, a biblioteca é onde se desenrola a cena final do conto.
      um abraço.

      • Leonardo Jardim
        23 de dezembro de 2015

        Ah, sim, só depois percebi. Ainda assim, porém, mantenho minha avaliação, pois a biblioteca não é essencial à trama, Ok?

      • Bibliohacker
        23 de dezembro de 2015

        ok!

  28. Davenir Viganon
    18 de dezembro de 2015

    A dica do “Show, don’t tell” é bem válida aqui. Eu cortaria o segundo e o terceiro parágrafo, para agilizar a história que se propõe uma trama policial com ação. Apesar de um pouco arrastado, o balanço é positivo.

  29. Andre Luiz
    17 de dezembro de 2015

    Gostei do conto como um todo e achei muito boa a ambientação que você veio trazer, principalmente pela adequação com o momento atual que o mundo vive e com a crítica plausível à corrupção até mesmo entre os agentes da lei. Apesar disto, um pouco distante do que foi salientado abaixo, eu acabei achando o início do conto um pouco devagar demais, e acredito que se fossem agilizadas as passagens, tornando tudo um pouco mais veloz na narração, daria ainda mais o clima da ação pretendida. Boa sorte!

  30. André Lima dos Santos
    15 de dezembro de 2015

    Olá autor! Tudo bem?

    Uma história bem interessante que você criou, hein? Fiquei me perguntando o que te fez escolher ambientar seu conto em Salé. Haha foi bem legal a ambientação mesmo.

    O final é bem mediano. Um pouco clichê, embora não tenha sido previsível.

    O conto é cheio de vírgulas fora do lugar e de frases mal construídas. Se não fosse pelos erros gramaticais, o conto alcançaria um patamar maior. Mas o que mais me interessa em literatura é a idéia. A execução é muito importante (Na forma de escrita e desenvolvimento do texto, não de gramática) e para mim, o desenvolvimento do conto foi bem razoável.

    Enfim, foi uma leitura bem tranquila, leve, solta, e uma idéia bem interessante.

    Boa sorte no desafio!

    • Bibliohacker
      15 de dezembro de 2015

      Tudo bom! Que bom que a leitura ” tranquila, leve, solta”. Era um dos meus intentos, apesar dos erros que apontaste. Um abraço!

  31. Cleber Duarte de Lara
    15 de dezembro de 2015

    CRITICA
    A pressa foi sua inimiga, e faltaram muitos conectivos: “e”, “que”, virgulas, etc. Em outros momentos você poderia ter substituídos “e” por vírgulas dando um tom mais dinâmico à narrativa.
    Esses detalhes foram comentados em certa medida e há outros (até por que você provavelmente contará com a ajuda de algum revisor profissional em algum momento) que podem fazê-lo com mais propriedade que eu.
    Esse problema também me atormenta: comer pequenas palavras que soavam no pensamento tão claras mas não conseguem chegar ao papel pra cumprir seu papel de ligar as ideias maiores rsrs
    Achei o final um tanto previsível, apesar de, paradoxalmente, achar que você poderia desenvolver melhor os motivos para a suspeita em cima do agente Deschamps.
    Pareceu-me também que o conto inteiro soou como prólogo, pois com a morte do “protagonista” tem-se uma noção de que não sobrou nada além do cenário, e que a estória continua pra falar de como um novo herói surgirá ou como um dos “vilões” se tornará o protagonista.

    PONTOS POSITIVOS
    É um texto muito vivo, chega atordoar com a efervescência bem emulada. A leitura segue apesar de certa confusão, em ritmo acelerado. Não tenho tanto conhecimento para diferenciar, a não ser de modo muito limitado, os limites entre roteiro e literatura. Valorizo a formação tanto de imagens em que se possa imergir quanto de sentidos gerados por estas. Ás vezes mesmo que nenhum sentimento seja mostrado de forma direta, a exuberância das imagens e cria sensações pela própria riqueza. Como acontece em muitos filmes, por exemplo.
    Gostei da habilidade de composição e da reunião dos elementos, o trabalho de pesquisa, etc.
    Abraço.
    Boa sorte!

    • Cleber Duarte de Lara
      15 de dezembro de 2015

      *a exuberância das imagens cria sensações *

      Exemplo de possibilidades de reescrita de alguns trechos:
      “palmeiras artificiais, da maresia intoxicada ”
      “neons gastos, o cheiro vindo das fabriquetas”
      “seguindo dois desses turistas, pensando no quanto eles o deixavam mal humorado.”
      “porões sujos, sutilmente escondidos no subterrâneo, embaixo da feira. Formavam uma rede, onde o dinheiro grosso circulava e sustentava a cidade” Não é lição, só um exemplo de como reduzir períodos e intercalar mais pausas no ato da leitura. O leitor assim, economiza fôlego e lê mais tranquilo.

    • Bibliohacker
      15 de dezembro de 2015

      Tranquiliza-te, que não levei teus apontamentos como ofensa. Pelo contrário, serão muito úteis numa futura reformulação do conto. Um abraço!

  32. Brian Oliveira Lancaster
    15 de dezembro de 2015

    MULA (Motivação, Unidade, Leitura, Adequação)

    M:Uma atmosfera bem diferente das encontradas por aqui. Pegando carona em alguns eventos recentes, consegue trazer a realidade para dentro da história.
    U: A escrita flui e nos deixa interessados à cada frase. Notei apenas o nome Deschamps escrito errado uma vez. Eu tenho um pouco de implicância com trocas temporais, você fez aqui algumas vezes, mas não interferiu no bom andamento do enredo.
    L: Um texto bem cotidiano e pé no chão, bom para quebrar o ritmo “mágico” escolhido por muitos. Gostei de toda a ambientação e da sensação de urgência repassada pelo protagonista. O outro personagem aparecer somente no final me lembrou algumas cenas de filmes, de onde menos se espera, aparece o verdadeiro vilão.
    A: A explicação para a bagunça toda foi ótima, no entanto, foi utilizada mais como alegoria. Entretanto, a essência está bem presente.

  33. Catarina Cunha
    14 de dezembro de 2015

    O TÍTULO manteve a curiosidade até o fim.
    O FLUXO é de um roteiro de filme de ação. Não há preocupação com estilo e sim agilizar as palavras para gerar movimento e localizar geograficamente a ação; típico de roteiro. E roteiro não é peça literária e sim um instrumento para gerar imagem. Apenas exemplo para diferenciar, longe de ser uma sugestão: LITERATURA: “O eco da traição entrou pelas costas de Bastian refletida no olhar frio de Champs”; Seu ROTEIRO: “O estrondo na sala fechada produziu um eco. Deschamps ficou parado, sem se surpreender. Bastian caiu já sem vida na sua frente. Atrás do corpo de Bastian o homem baixa a sua arma.”
    A TRAMA pega carona nos atuais acontecimentos de Paris e pode gerar um bom filme de entretenimento. Os PERSONAGENS são de pouquíssima complexidade, de compreensão instantânea, como deve ser os desse gênero. O FINAL foi surpreendente. Uma ótima sinopse para um roteiro, mas um conto apenas razoável.

    • Bibliohacker
      14 de dezembro de 2015

      Caríssima Catarina, acredito ter captado teu raciocínio em relação ao “roteiro x literatura” e concordo com teus apontamentos. Serão levados em consideração no momento de reformular o conto. Um abraço!

  34. Eduardo Selga
    13 de dezembro de 2015

    Quando um autor faz uso de elementos do real empírico, de fatos que acontecem ou que aconteceram, fica mais fácil para esse mesmo autor produzir a ilusão de realidade, o que é chamado de verossimilhança externa. Esse elemento, é importante lembrar, não passa de uma máscara textual,ou seja, o texto literário NÃO É a reprodução da realidade empírica: apenas parece ser. A competência da narrativa de cunho realístico está no quanto essa imitação parece real aos olhos do leitor.

    Entretanto, o uso da referência concreta de modo eficaz não pode significar a supressão da arte literária, como se apenas o efeito de real fosse o bastante para imprimir qualidade literária ao texto. É preciso ir além do mero relato e fazer com que o texto tenha arte, tenha literariedade.

    O conto menciona várias referências reais, como a república corsária instaurada em território marroquino, mas o trabalho estético e linguístico é mínimo, e arte literária é a manufatura da palavra, é a produção de sentido para além do sentido normal dos termos. Fazer literatura não é saber dominar um instrumento, apenas: é uma orquestração, na qual se envolvem diversos instrumentos.

    Mesmo o uso da ação no conto não consegue tirar dele o ritmo modorrento, pois o desenvolvimento até a chegada do desenlace é imenso, é arrastado. A montagem de uma ambientação bem elaborada, se por um lado faz o leitor “entrar no enredo”, por outro retarda a ação em um conto como este que dá valor ao citado aspecto.

    • Bibliohacker
      14 de dezembro de 2015

      Espero desenvolver minhas habilidades para colocar a arte no meu texto, conforme apontaste. Já o ritmo “modorrento” será mais fácil, com as dicas que os outros comentários já me deram. Um abraço e grato pela dedicação colocada na análise.

  35. Daniel I. Dutra
    13 de dezembro de 2015

    Gostei do conto. Tem um clima de “Pulp” bem divertido.

    Minha única sugestão seria condensar os três primeiros parágrafos num único. Não há uma necessidade de uma descrição tão longa da cidade, turista, gente na rua, etc. Isso atrapalha o ritmo, ou seja, demora para chegar na história propriamente dita, e muitas das informações dos três primeiros parágrafos são irrelevantes para a compreensão da narrativa. Dar um “senso of place” é importante para trazer o leitor para dentro da história, mas não é necessário ser tão longo.

    • Bibliohacker
      14 de dezembro de 2015

      Obrigado pelas considerações. Esse passo é o primeiro que pretendo dar para reformular o conto. Um abraço e fico feliz que tenha apreciado.

    • Bibliohacker
      14 de dezembro de 2015

      Grato pelos apontamentos. Acredito que será de grande valia a sugestão. Fico contente que apreciaste a leitura. Um abraço.

  36. Fabio Baptista
    11 de dezembro de 2015

    O primeiro parágrafo desse conto é realmente muito bom. Até me ajeitei na cadeira, pensando estar diante do primeiro “blockbuster” do certame.

    Infelizmente o que veio a seguir não atendeu às expectativas.

    O conto se perdeu em muitas descrições frias (mais uma vez vou bater na tecla do “contar e mostrar”, que tem sido bastante acionada nesse desafio), com muitos nomes de pessoas e lugares sem fazer o leitor de fato mergulhar na história. Pelo contrário, às vezes o excesso de detalhamento (nomes de cidades, por exemplo) acaba dispersando a atenção, sem nada acrescentar à trama.

    Outra coisa que me incomodou foi a variação de tempo verbal: no mesmo parágrafo há frases no presente e no passado. Escrever no presente é tarefa meio complicada (e arriscada)… seria melhor deixar tudo no passado, até dominar melhor a técnica (desculpe se pareço arrogante ao dizer isso… não é o caso, porque eu mesmo não domino essa técnica. No desafio passado, inclusive, comentaram sobre isso no meu conto. E o leitor, no caso, estava certo. Mas nos textos dos colegas é mais fácil visualizar do que nos nossos).

    A trama policial seguiu um roteiro meio cliché, apesar de ter achado bacana essa referência a um evento bem recente, emprestou um ar vivo e realístico à narrativa. A reviravolta no final foi esperada, mas bem executada. Mas não senti pela vida do agente francês, porque o conto investiu mais na ambientação que na empatia com o personagem (um caminho que, pessoalmente, não acho legal).

    Alguns apontamentos:

    – por mais horrível e difícil seja sobreviver
    >>> que seja

    – haviam estabelecimentos
    >>> aqui ACHO que é “havia”… essa regra sempre me confunde. Esperemos para ver se alguém mais gabaritado que eu também comenta sobre isso.

    – Em meio à efervescência da noite Sebastian Dudek, agente do serviço
    >>> Em meio à efervescência da noite, Sebastian Dudek, agente do serviço

    – O casal era jovem e possuíam
    >>> possuía (pois está em concordância com “casal”).

    – Enquanto a bebida era servida ligou o para um número
    >>> Enquanto a bebida era servida, ligou o para um número

    – Alô Nicolás! Como vai amigo?
    >>> – Alô, Nicolás! Como vai, amigo?

    – o suficiente para a equipe tática chegasse
    >>> o suficiente para que a equipe tática chegasse

    – Bastian coloca o dedo indicador na boca, sinalizando silêncio
    >>> Certas explicações “ofendem” a percepção do leitor. Pelo dedo na boca já pudemos imaginar do que se tratava.

    – Bastian caiu já sem vida na sua frente. Atrás do corpo de Bastian o homem baixa a sua arma.
    >>> exemplo da mistura de tempos de verbo. Além disso, veja como ficaria essa frase sem a palavra “sua”.

    Só para deixar bem claro: tudo isso é só a minha opinião de leitor.

    Espero ter ajudado em alguma coisa.

    Abraço!

    • Bibliohacker
      12 de dezembro de 2015

      Obrigado pelas considerações. Acho que vão ser bem úteis para reformular o conto. Um abraço!

E Então? O que achou?

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Informação

Publicado às 9 de dezembro de 2015 por em Imagem e marcado .