EntreContos

Detox Literário.

Sob o olhar da Lua (Rogério Germani)

brincar-com-a-Lua cotidiano

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Minha vida é um bungee jump onde a lua sempre me traz à tona.  É esta certeza, talhada como uma estrela em meu peito, que ilumina meus passos perdidos nesta selva de rostos vazios de afeição.

Algumas pessoas nascem em berço esplêndido, já com um roteiro pronto de sucesso na vida posto debaixo do braço, e nunca se lembram de agradecer o quanto são felizes. Nunca tive a mesma sorte. Sei-me órfã desde os meus sete anos de idade e até hoje uma plantação de lágrimas inunda meus sonhos com a imagem dos meus pais sendo mortos, “por engano”, pelos fardados que deveriam nos proteger da violência urbana. Para continuar nas ruas, tive que fazer da tristeza o meu cajado e fortaleza. A sombra que restou em cada centímetro de minha pele me protege do mundo. Herança que, todos os dias, obriga-me a dar graças à lua, depois que fugi de mim mesma.

Minha rotina resume-se numa única palavra: sobrevivência. Vivo perambulando entre as pessoas como um fantasma que não deixa rastros. Se, involuntariamente, acabo esbarrando em alguém, sigo em frente, acelerando cada vez mais os meus passos, sem nunca olhar para trás; sem permitir que o tempo registre meu rosto nos olhos dos desconhecidos. Tática eremita que me consentiu chegar aos quinze anos, ilesa da maldade humana, quase uma ilha flutuante numa cidade sem um único farol que acene esperança às almas náufragas.

Do mesmo modo como me infiltro nas artérias citadinas, desenvolvi um furtivo hábito de conseguir a minha alimentação. Nas feiras livres, assim que amanhece o apetite voraz que molda a sociedade, obtenho o meu sustento. Frutas e legumes que jamais desfilariam nas mesas dos afortunados, após serem colhidos no lixo ao lado das barracas, caminham saborosos no meu paladar pouco exigente. Combustível suficiente para envolver meus pensamentos com as críticas engrenagens que responsáveis pela evolução das espécies, análise rápida antes da boca faminta aceitar a fria realidade do menu rotineiro. Quando não há feiras e não resta nenhuma fruta nas árvores plantadas nos canteiros da cidade, pesco migalhas nas grandes lixeiras dos condomínios, a grande represa onde os excessos da civilização pululam. Mar de entulhos onde também recolho peças de roupas usadas, livros com gravuras e até brinquedos quebrados. Banquete que aquece o corpo e os olhos cansados.

Para aumentar a minha camada de invisibilidade perante as pessoas e nunca delas depender, de tanto enxergar – sempre camuflada atrás de algum poste ou árvore próxima – crianças bem vestidas sendo levadas pelos pais até os portões luxuosos das escolas particulares, desejei incluir o reino das letras em meu arsenal. Através de uma cartilha ilustrada de alfabetização, “por coincidência”, jogada na lixeira de uma dessas instituições de ensino por um aluno mais desatento, iniciei minha jornada solitária para galgar os degraus do conhecimento. Tamanhas eram minha fome e necessidade que, estudando em praças desertas ou em casas abandonadas, alfabetizei-me em pouquíssimos meses. Tudo para escrever e ficar remoendo com a leitura constante a palavra que ainda me dói: SAUDADE.

Em escassas ocasiões onde a tristeza deixava de umedecer meus ouvidos com seus lamentos, sempre que possível, lia os cartazes dos filmes e eventos culturais que estavam sendo exibidos nos cineteatros da cidade. Como uma nuvem cinza em busca de uma nesga de sol, meu intuito era encontrar um rosto conhecido nos enormes expositores publicitários, Ana Botafogo, a bailarina mais famosa do Brasil. Claro que a graciosidade do ballet da celebridade carioca impressionava meus olhos já habituados a vê-la dançar em apresentações gratuitas nos parques, mas, numa espécie de encantamento, a enorme semelhança entre a face da bailarina famosa e a imagem de minha falecida mãe, carinhosamente armazenada em meus sonhos, funcionava como um ímã em meu coração. Dentro do palco vermelho, enquanto um ritmo suave desenhava uma coreografia de luz nas frestas do céu, o espetáculo gerado pelos sorrisos maternos nunca saíra de cena. Miragem adocicada que, ao cair da tarde, extraía e ainda extrai minhas lágrimas mais cristalinas e pesadas, verdadeiro dilúvio para as cúmplices formigas dos dias em que a saudade une-se com a arte para afagar minha vida enevoada. E, novamente refém dos sussurros tristes trazidos pelo vento, da mesma maneira que me aproximo dos cartazes, saio sempre sem ser notada pelos transeuntes.

Volto a me recolher do mundo.

 

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Gosto da lua e suas falas maternas. Gosto da proteção que sua penumbra oferece às almas solitárias, um manto leve e sagrado que afasta as dores do dia e devolve-me à vida que carrego nos labirintos dos olhos desde o momento em que me tornei órfã, mágico cenário onde ainda sou parte de uma família reunida.

Diferente dos outros mortais, não temo nem mesmo as fases mais sombrias da lua; sinto, sim, um hálito de liberdade acariciando meus pelos quando ouço os passos da noite se aproximando. Com menos pessoas caminhando na cidade, o deserto das ruas alivia minhas artimanhas para fazer-me invisível. Volto à minha infância despreocupada, escalo muros, desenho anjos, fadas, bichos de pelúcia, canto alegre em total desatino e banho-me nos chafarizes das praças até não restar mais nenhuma mágoa do cotidiano em meu corpo.

Ainda sem sono, pesquiso o interior das latas de lixo, como restos de lanches e agradeço pelo cardápio farto e colorido. Com sorte, além de alimentos, encontro verdadeiros tesouros esquecidos no lar dos descartáveis. Igual ao dia em que me deparei com um par de sapatilhas gastas jogadas na lixeira do teatro municipal, um troféu dado para quem consegue sair ileso das batalhas diárias. Mais um presente da lua, mágica ponte que me une às lembranças da mulher que me trouxe à vida e me ensinou os primeiros passos de ballet.

Epicentro das alegrias lunares, vago zombando da sisudez imposta às estátuas vigilantes das praças. Corro imitando o voo das moscas nas ruas pouco iluminadas, colho algumas flores no jardim das casas antigas e, próximo ao decimo segundo badalar do relógio encrustado na mais alta torre da cidade, com um sorriso mais belo que o da Monalisa, abro os portões do cemitério. É hora do espetáculo.

Protegida pelo silêncio e pela falta de guardas noturnos na acolhedora necrópole, caminho até o sepulcro onde os meus pais estão enterrados. Religiosamente, trago à luz o par de sapatilhas de ponta e, enquanto delicadamente o calço, sorrio para a foto de minha mãe fixada na fria lápide. Em seguida, numa desenvoltura clássica, subo no túmulo de mármore- único local liso que mantém a integridade do frágil calçado- e inicio meu ballet em homenagem aos meus progenitores. Sob o olhar da lua e acompanhando as batidas em meu peito, o primeiro tendu  assemelha-me a uma garça; abaixo-me em lento plié e recolho uma das flores que deixei ao lado da lápide, seguro-a com a boca e desenho nos holofotes das estrelas uma coreografia de jetés, rond de jambés, frappés, grand battements, em dehors e adágios. Danço, danço, danço até o cansaço tatuar um sorriso infinito em meu rosto em êxtase. Mesmo usando roupas velhas e rasgadas, sinto-me revestida de nuvens neste momento. Exata hora em que a zelosa lua vem recolher sua corda invisível, trazer-me de volta ao sono que perdoa as errôneas pegadas que deixam cicatrizes no caminho de todos os seus filhos.

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Na cidade grande, os sonhos ceifados escorrem nas avenidas. Artistas de circo que teriam um futuro promissor oferecem seus dons de encanto por míseros trocados nos semáforos. Músicos com voz de anjo contam moedas lançadas dentro de seus chapéus em busca de migalhas celestes. Atores e bailarinas interpretam a beleza esquecida nas principais praças em troca de sorrisos e aplausos. Meninas impúberes carregam seus filhos sem nenhuma esperança nos olhos. Moradores de rua sonham em um dia reencontrar suas famílias, reestruturar a vida órfã de alento. Sonho que também habita os ecos em minha alma solitária.

Mesmo para quem optou em abraçar as sombras em dias ensolarados, ouvir sempre a própria voz reverberando no entorno da civilização nada dignifica a existência; às vezes sinto-me moldura de um quadro vazio prestes a desmoronar nos arenosos dedos do tempo. Só ganho cores no final da tarde, quando a lua me empresta suas invisíveis asas e me convida para dançar num palco feito de caiados sepulcros e silêncio. Único momento onde a saudade de meus pais falecidos cede lugar para uma paz que revitaliza a seiva em minha árvore genealógica. Paz necessária aos meus pés cansados de tanto se esquivar do mundo.

Indo na contramão da aridez humana, ainda bebo, por sorte, os ensinamentos deixados por meus entes queridos antes de serem assassinados. Diversos foram os tesouros filosóficos enterrados em meu carácter. Com meus progenitores, além do gosto pela arte, aprendi a ruminar esperanças: “O destino pode ser mais doce, os passos podem ser mais leves; tudo depende da coreografia que você escolher para a sua vida” é o adágio que ainda floresce em meus olhos, todos os dias, enquanto escrevo minha jornada nas frestas do destino.

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Assim como um náufrago saboreia a imagem do nascer do sol num horizonte não muito longínquo, aprendi em minha ilha de solidão a idolatrar a lua. Não por sua poesia que encanta sonhadores enamorados. Amo-a por sua face acolhedora, seus conselhos e alento nas horas em que o corpo exausto necessita se recolher do mundo para não ser devorado pelos lobos; assemelho-me a um minúsculo barco que avança sobre a fúria dos mares com a certeza de, no outro lado da margem, a calmaria de um arco-íris ser o portal que resgatará os cantos de glória guardados no peito aventureiro. Enquanto alguns são adotados por famílias distintas, detentoras de status e bens patrimoniais, sou alma sem âncora. Pirata às avessas que refuta as riquezas que não nasçam primeiro no coração. Não careço de rótulos robustos ou certificados de aceitação da sociedade para minha humilde existência; minha família é a lua, sou irmã das estrelas que vagam sem destino.

Animal que lambe a cria para sanar as feridas dos pós-tombos e encorajá-la em novas tentativas de manter-se em pé, a lua oferece-me os grãos que sustentam a pedra angular do meu cotidiano. Desde os alimentos e vestuário que obtenho em lixeiras até a injeção de sonhos que aplico nas veias sempre que me deparo com os prazeres da arte, a mão zelosa de minha guardiã noturna pousa em meus ombros.   Pluma que tece versos de esperanças para minhas inúmeras páginas em branco na ponte do futuro.

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Todo mundo tem sua rotina, seu modo de se enxergar no espelho e, com o tempo, aprender a lapidar a própria sombra projetada na face; no fundo, no fundo, não importa a forma, todos buscam novos ângulos para suavizar os tropeços diários. Eu danço sob o olhar da lua enquanto direciono meus sorrisos e beijos aos meus pais. Só lamento o desdém extático em suas fotografias eternizadas no mármore frio que agasalha suas lembranças.

A arte herdada de minha mãe é que me faz diferente na vida. O ballet me faz tocar nas estrelas sem precisar retirar os pés do chão. Um harmonioso combate que me leva e traz de volta dos palcos da infância. Dom que, também pela graça da lua, certa noite, retalhou a espessura de minha solidão nas garras do breu.

Coincidência ou não, foi numa destas datas em que dizem que o azar é senhor dos destinos que um gato preto cruzou meu caminho. Lembro-me de sua curiosidade felina perscrutar minha alma no momento do último plié em agradecimento aos meus pais, de seus ronronares e macios passos vindos em minha direção lentamente, da maneira como cativou meu coração e dele fez seu habitat. Acredito cegamente que foi a orfandade mútua que nos irmanou desde então.

Qualquer servo da sociedade, como num protocolo uterino, teria arranjado um nome para o novo cúmplice de minhas horas sombrias. Dispenso formalidades, não posso correr o risco de exilar-me de minha criação. Enigmática presença assim o quero: sabê-lo apenas breu é liberdade purificadora. Eu e o gato somos símbolos distintos do mesmo novelo que nos remete à lua: um labirinto de silêncios.

Nada de telepatia para celebrar nossas novas aventuras. Cada qual respeita o limite de sua jornada e as cicatrizes escondidas em cada segredo abandonado nos braços do sol. Somos irmãos se reúnem à noite, quando a voz telúrica da lua convida-nos a bailar até as dores serem esquecidas.

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A cidade é selva em tempos festivos, as armadilhas espreitam os transeuntes assombrados em cada lâmpada acesa nos postes curvados; caleidoscópio de cores e sabores improfícuos para quem se acostumou com a migalha dos sonhos dançando nas ruas desertas.

Naquela noite, além dos alardes sobre o festival de arte contemporânea que seria apresentado gratuitamente no parque principal da cidade, transfigurado nos rostos dos desconhecidos, o medo emitia seus grunhidos variegados. Mesmo querendo observar secretamente o espetáculo, obedeci aos clamores felinos auscultados em meu peito. Regressei mais cedo para o único local onde a escuridão era um bálsamo, o túmulo de meus pais.

Diante da entrada do cemitério, pasmei. Os portões abertos com vergalhões retorcidos eram mau presságio. Estranhamente o silêncio voava viscoso na copa das árvores, espécie de morcego embebecido em sangue de alcoólatra anônimo. Aprumei os olhos em busca de feição amiga. Sorri aliviada quando a lua indicou o esconderijo de meu gato preto. Após retirar o felino de dentro de um vaso de flor vazio e aninhá-lo em meu colo, encorajei-me a seguir os atalhos entre as tumbas.

Alguns passos adiante, já próxima do local onde as almas de meus pais descansavam, o ódio acendeu suas labaredas em meus olhos. Feito pútridos ratos tendo um banquete sobre uma mesa real, dois vultos saqueavam em extrema barbárie a última morada de meus progenitores.

A raiva era um mar que inundava meus poros contemplando os sinistros abutres. Meu primeiro desejo foi pular sobre os desconhecidos e rasgá-los com meus dentes repletos de fúria acumulada desde os meus sete anos de idade. Mas não consegui; minha alma novamente salgou-se na dor. Novamente me vi menina indefesa. Novamente chorei vendo a imagem de meus pais lançada no chão.

Ouvindo o pranto desenfreado, os profanadores souberam de minha presença na escuridão e, para desgraça maior, decidiram correr atrás de mim.

Recolhi lágrimas e gato em meu peito em brasas e fugi como o pavio aceso de um rojão prestes a iluminar o céu com seu grito de liberdade.

Sem olhar para trás, avancei as ruas tomadas de gente interessada em assistir o festival de arte contemporânea. Ouvia pessoas gritando, rindo de minhas vestes de bailarina maltrapilha, mas não mais me importava com isto. Eu e o gato preto tínhamos oito vidas para defender. E, quando se trata de sobreviver, a aparência fica em segundo plano.

Descobri que, naquele momento, minhas sapatilhas tinham o poder de desafiar a gravidade. A cada salto no ar, podia jurar que a lua afagava meus cabelos encapelados. Energia propulsora que me levou até o parque principal da cidade. Esconderijo talhado em arte naquela noite.

No meio do festival, a música apresentada pela orquestra sinfônica relentava o coração dos espectadores. O mundo parecia dar trégua para as dores da humanidade. O público dobrável em doçura pelos acordes de Beethoven jamais desconfiaria que, naquela noite, uma bailarina anônima era a estrela maior em busca da coreografia perfeita. Uma vida nova para novos sorrisos.

Enquanto todos estavam entretidos com a apresentação no palco principal, meu desespero me levou para um canto mais afastado do parque. O gato preto ronronou uma prece em meu colo, sinal de que a lua nos guiava para a segurança.

Após confirmar a ausência de pessoas ao redor, corri para um gigante colorido que adormecia na penumbra. De tanto vê-los nos livros e noticiários, os balões comerciais eram um encantamento tão vivo em meu âmago quanto o meu desejo de rever meus pais. Sem titubear um segundo, saltei para dentro do cesto de vime. Como o dirigível já estava pronto para decolagem, apenas atado em cordas fixadas no gramado, a tarefa de retirar as amarras e levantar voo tornou-se um lírico instinto.

Sob o olhar da lua, enquanto a cidade permanecia em transe admirando o festival, eu e o gato preto ganhávamos altura. Profanadores, assassinos e tantos outros problemas iam diminuindo, ficando no esquecimento à medida que o balão subia tatuando suas cores nas nuvens.

Mais aliviada ao perceber uma distância onde a maldade humana não mais pudesse me ferir, abri os meus braços querendo o carinho da lua. Em meus olhos, além de lágrimas de felicidade pelo sucesso na fuga, havia o esplendor de uma certeza: estava mais próxima de meus pais. Sentia-os emoldurados no aconchego do pelo macio do gato preto.

O imenso balão colorido não transportava apenas duas almas indefesas, permitia, sim, que os sonhos chegassem até a lua e, lá de cima, admirassem a beleza da Terra mergulhada na arte.

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40 comentários em “Sob o olhar da Lua (Rogério Germani)

  1. Fabio D'Oliveira
    5 de novembro de 2015

    ☬ Sob o olhar da Lua – Final
    ☫ Cecília Meireles

    ஒ Físico: A autora escreve de forma maravilhosa. Possui o dicionário rico e sabe conduzir a estória. O maior problema é o estilo escolhido para ser nutrido. O conto é extremamente prolixo. No início, pensei que a autora queria demonstrar poesia no texto, mas ficou claro, lendo essa continuação, que não foi proposital. Cecília Meireles já adotou esse estilo. E isso é ruim, em geral, pois um conto prolixo é, sem papas na língua, chato. Eu, pessoalmente, não via a hora de terminar a leitura.

    ண Intelecto: É uma estória bonita. Isso é inegável. O foco da autora são os sentimentos da protagonista e sua relação com a sociedade. Não existe um enredo definido. É uma espécie de monólogo. A autora persistiu, porém, na superficialidade. A personagem não parece ter vida própria. O tom da narrativa fez isso com ela. O final ficou fantástico. A ideia da fuga rumo à lua, num balão, ficou romântico e transbordou beleza.

    ஜ Alma: Verificando o conteúdo inteiro do texto, fica muito claro que a autora esqueceu que o tema do desafio é o cotidiano. Parece que a rotina da personagem é descrita apenas para preencher os requisitos mínimos exigidos pelo desafio. O foco é a personagem e sua relação com a sociedade. Sua realidade fica no plano de fundo, quase oculto. E apenas aquele que possui olhos atentos irá entender a relação do cotidiano com a estória. Sobre a autora, podemos verificar que ela é extremamente talentosa quando se trata da escrita e criação de estória. No entanto, ela está adotando um estilo desequilibrado, que irá prejudicá-la muito no futuro.

    ௰ Egocentrismo: Não gostei da segunda parte. A leitura foi cansativa demais e a estória não é sólida. Como disse antes, é basicamente um monólogo. Isso não é ruim, mas é uma narrativa arriscada.

    Ω Final: A autora escreve muito bem e parece ter talento, mas o estilo de sua escrita é extremamente prolixa. A estória é bela, mas não é concisa, parecendo um monólogo. Está com um pé dentro do tema e outro fora.

    ௫ Nota: 7.

  2. Pedro Luna
    5 de novembro de 2015

    Putz, bonitão. Como disse antes, não é meu estilo preferido, mas a pessoa que escreveu esse texto escreve demais, DEMAIS mesmo. É poético sem ser chato. Sei lá, nem sei se minha sensibilidade consegue julgar um lance assim. O que mais me marcou foram as cenas criadas, assim como a dança na primeira parte. Dessa vez, a fuga no balão ficou algo onírico. Uma imagem linda, de sonho, uma fuga daquela realidade. Ah, e parabéns a personagem que conseguiu correr com um gato no colo. Gostei.

  3. G. S. Willy
    5 de novembro de 2015

    Tive grande dificuldade em ler a segunda parte desse conto. O uso excessivo de metáforas e metalinguagem deixou o conto pesado e monótono. Os paralelos com a arte não ajudaram a desenvolver a história ou sequer a personagem, que não ganhou profundidade com o decorrer da trama.

  4. Bia Machado
    5 de novembro de 2015

    Gostei bastante do texto, até suspeito da autoria, rs. Achei bem poético e a narração me fez imaginar bem os acontecimentos. Nos momentos finais percebi
    várias vezes o uso da palavra “lua” bem próximos, mas nada que uma revisão não
    dê jeito. De qualquer forma, parabéns!

  5. rsollberg
    5 de novembro de 2015

    Cont: Cecilia Meireles

    A sequência do conto mantém o padrão da primeira parte. A texto permanece fornecendo construções belíssimas como essa: “Mesmo para quem optou em abraçar as sombras em dias ensolarados, ouvir sempre a própria voz reverberando no entorno da civilização nada dignifica a existência; às vezes sinto-me moldura de um quadro vazio prestes a desmoronar nos arenosos dedos do tempo.”

    Nesta segunda parte a lua se torna ainda mais presente, praticamente como um personagem que é lembrado a cada duas linhas. O conto tem poesia por toda parte, beleza nas imagens e vários símbolos (túmulo para os pais, lua como guia, gato preto como companheiro).

    Apesar do pouquinho mais de ação no final, penso que o texto exagera em algumas horas na linguagem, porém, é claro que isso é uma questão de gosto.

    De qualquer modo mantenho a nota que atribui na primeira parte
    Parabéns mais uma vez.

  6. Thata Pereira
    3 de novembro de 2015

    Esse conto é uma viagem de balão muito bonita. Apensar da fuga, não há um momento de sobressalto. Acho que não há um “ápice” pelo qual esperar, mas a forma como foi conduzido nos faz querer mais. Ler mais… ainda não havia lido, o que me faz vê-lo como um todo. E eu adorei.

    Boa sorte!!

  7. Felipe Moreira
    2 de novembro de 2015

    Outro texto muito bem escrito. Esse desafio realmente veio caprichado. Curioso como esse tema cotidiano atraiu tantos contos que envolvam essa densidade. Há um trecho que simplesmente achei espetacular e figura o conto como um pedaço de arte:

    “Qualquer servo da sociedade, como num protocolo uterino, teria arranjado um nome para o novo cúmplice de minhas horas sombrias. Dispenso formalidades, não posso correr o risco de exilar-me de minha criação. Enigmática presença assim o quero: sabê-lo apenas breu é liberdade purificadora. Eu e o gato somos símbolos distintos do mesmo novelo que nos remete à lua: um labirinto de silêncios”.

    Parabéns pelo seu trabalho.

  8. Gustavo Castro Araujo
    2 de novembro de 2015

    Muito inspirada a narrativa. Cheguei a pensar que se tratasse de um cão, mas a impressão se desfez ainda na primeira metade. Tendo em mente que o conto se refere a uma menina, penso que ganha força a ideia embutida. A prosa inspirada flerta com a poesia, principalmente por conta das alusões à lua. Não há como não se apegar à narradora protagonista, identificar-se com ela, torcer por ela, testemunhas que somos de suas agruras, desejos e decepções.
    Não gostei muito do caráter panfletário presente no início do conto. Achei desnecessária e gratuita a alusão à polícia como responsável pelo assassinato dos pais da personagem principal. Suprimindo esse trecho, o conto ficaria mais redondo, já que tal informação não se revela importante ou indispensável para o que se segue. Do jeito que ficou, parece apenas a manifestação da opinião do autor pura e simplesmente, todavia despropositada.
    De todo modo, um bom texto. Bonito, bem construído e melancólico. Gostei especialmente do trecho em que a garota dança balé junto ao túmulo dos pais e depois, quando flagra ladrões de sepulturas no local. Bacana também o encontro com o gato, tornando a narrativa mais dinâmica.
    Em suma um texto bem escrito e que certamente conquistará muita gente por aqui.
    Nota: 8,0

  9. Gustavo Aquino dos Reis
    1 de novembro de 2015

    Linguagem poética riquíssima. O conto não brilha pelo enredo, mas sim pela aura enlevada que emana da escrita elegante do autor(a). Gostei muito.

    Porém, o enredo, embora nos conduza sob os olhares prateados da lua, não me inspirou como eu gostaria que houvesse inspirado. Acho que não sou poético o bastante, infelizmente…

    Um trabalho de primeira classe.

    Parabéns.

  10. Jefferson Lemos
    31 de outubro de 2015

    Olá de novo!

    Como comentei anteriormente, apesar de algumas construções belíssimas, o conto não me agradou como um todo. Em certos momentos a narração fica pesada, um pouco “forçada”, atrapalhando a leitura. Gostaria de ter entendido completamente o que a história tentou passar, mas temo não ter conseguido.
    O desfecho não foi muito esclarecedor, ao meu ver, e a trama não foi tão forte quanto deveria.

    De qualquer forma, tenho certeza que muitos outros gostaram.
    Parabéns e boa sorte!

  11. Tiago Volpato
    29 de outubro de 2015

    O seu texto tem um ritmo lento, pede que o leitor tenha uma leitura mais atenciosa, um tipo de degustação. Não sei qual o meu problema, que não consigo reduzir meu ritmo, então foi meio difícil ler o seu texto 😦
    Várias vezes perdi o foco e tive que recomeçar.
    Eu gostei do estilo gótico do texto. Lua, cemitério e esse personagem quase espectral, é bom ver um estilo que não muito explorado por aqui. Bom texto!
    Abraços.

  12. catarinacunha2015
    28 de outubro de 2015

    TÍTULO bastante apropriado, já que a Lua parece ser a única espectadora da vida da menina e do gato (2/2). TEMA adequado, cotidiano de bailarina de túmulo? Ok (2/2). O FLUXO na primeira parte é muito lento e repetitivo, na segunda se recupera um pouco (0,5/2). A TRAMA é menos dramática do que o autor conseguiu retratar. As palavras tinham mais força do que a trama em si. (0,5/2) FINAL libertador, mas de construção explicativa e prosa pouco trabalhada (1/2) . Total 6

  13. Anorkinda Neide
    24 de outubro de 2015

    Uma prosa poética muito bonita, com muitas frases lindas para degustação. Parabéns pela inspiração. Apenas acredito que como conto, faltou um pouco de enredo. Acontece algo apenas quando a moça(?) é perseguida. O final é interessante quanto a ser poesia arrebatadora… hehehe
    Fico com uma dúvida, era ela criança ou jovem? A linguagem poética e inteligentíssima não caberia a uma moradora de rua que aprendeu a ler sozinha, eu acho que caberia aqui o narrador ser universal e não em primeira pessoa.
    Eu como amante da poesia gostei demais de todos parágrafos, mas acredito que para leitores de contos há de ter ficado cansativo.
    Mas é isso, lhe parabenizo e desejo boa sorte!
    Abraço

  14. Fabio Baptista
    23 de outubro de 2015

    O texto todo é escrito numa prosa poética brilhante, isso é inegável.

    Porém quase nada, ou muito pouco, realmente acontece durante a narrativa. Só para ilustrar: eu li esse texto ontem, mas infelizmente não consegui comentá-lo na mesma hora, como costumo fazer. Hoje eu me lembrava do que ia falar (essa questão da falta de trama), lembrava que o texto estava numa poesia muito bem escrita, mas não me lembrava nada da história (tipo aquele resumo básico: “a aquela história da menina que visita o túmulo dos pais, acha o gato e depois voa num balão”)… NADA! Tive que ler novamente para fazer o comentário.

    Na verdade, ocorrem eventos, mas eles praticamente não possuem relação entre si, não há uma expectativa de desfecho, não há enredo (ou eu pelo menos não fui capaz de identificar).

    Infelizmente o casamento entre técnica e trama não foi muito feliz aqui.

    NOTA: 7

  15. Claudia Roberta Angst
    22 de outubro de 2015

    E a poesia continua. O conto mantém o mesmo ritmo e clima da primeira parte. Engraçado que agora pensei em um autor para este conto. Não sei, fiquei confusa com tantas imagens poéticas.

    O cotidiano difícil da menina torna-se mais suave com a visão poética do ambiente à sua volta. Com a lua como testemunha, cúmplice e guardiã, a menina sonha com o passado e vive como se em sonho estivesse.

    As duas partes do conto parecem ser independentes, poemas completos em si.

    Não encontrei falhas de revisão. A linguagem está bem trabalhada, com a escolha de palavras que revelam imagens e sensações. Gostei muito disso, mas nem todos apreciarão esta abordagem do cotidiano.

    Senti falta de diálogos, mas sei que aqui eles não caberiam.

    Continuo achando um ótimo trabalho, embora a segunda parte não tenha me embriagado tanto quanto a primeira. Talvez porque a magia do desconhecido já não existisse.

    Boa sorte!
    🙂

  16. Brian Oliveira Lancaster
    21 de outubro de 2015

    EGUAS (Essência, Gosto, Unidade, Adequação, Solução)

    E: Sem palavras para expressar os sentimentos que esse conjunto causa. Profundo. – 9,0.
    G: Apesar de a história ficar um tanto em segundo plano, é possível assimilarmos a angústia da personagem principal, através das linhas poéticas e deslizantes. O final me lembrou de um jogo antigo (Chrono Trigger) que terminava assim, com um balão colorido ao redor do mundo. Várias metáforas acertadas e no momento certo. – 9,0.
    U: Muito floreio às vezes atrapalha o contexto. Nesse caso o complementa, apesar de achar uma parte perto do final um tanto nebulosa. – 9,0.
    A: É quase um monólogo, passando próximo à crônica, mas mantém-se como uma bela história de várias camadas. – 9,0.
    S: Confesso que me perdi um pouco na volta à segunda parte, mas a aparição do gato no local clareia o cenário já esquecido, terminando de modo triunfante. – 9,0.

    Nota Final: 9,0

  17. Rubem Cabral
    21 de outubro de 2015

    Olá, Cecília Meireles.

    Um conto bem sensível e poético. Resolvi lê-lo como uma fantasia ou conto de fadas, pois ler tal texto com pés no chão não funcionaria muito. Apesar disso, algumas coisas me incomodaram: a menina de sete anos era ainda analfabeta quando da morte dos pais, que supostamente não eram muito pobres, já que ela conhecera o balé e eles tinham lápides num cemitério… O assalto às lápides também me pareceu estranho, pois estas já estavam por lá há muito. O que se teria para roubar?

    Achei o todo agradável, embora esperasse por mais enredo. O conto é quase tão somente as reflexões da narradora, pouca coisa realmente acontece.

    Nota 7!

  18. Pedro Luna
    30 de setembro de 2015

    Bem poético e bonito. Não é o meu tipo preferido de conto, mas esse aqui teve algo que eu não sei explicar, mas me cativou. Achei a cena da dança no final, bem bonita, e até achei que poderia ter sido maior. Caso o autor/ autora vá trabalhar no texto depois, poderia enxugar alguns parágrafos do meio e dar mais vida a esse clímax bonito.

  19. Maurem Kayna (@mauremk)
    30 de setembro de 2015

    acompanhei atenta a narrativa até chegar na solução um pouco forçada de auto-alfabetização. Sou ingorante em temas pedagógicos, mas me pareceu muito inverossímel, embora necessário para justiticar a estrutura de linguagem da narradora. A parte final também me pareceu artificial… seria mais fácil visualizar a personagem em um abrigo ou estabelecimento de saúde do que vagando invisível pela cidade e pelo cemitério.

  20. vitormcleite
    29 de setembro de 2015

    dos textos que li este pareceu ser o que mais precisa da continuação para ser entendido. Gostei do texto, da temática e do modo como ela fala. Vi os seus pés a dançar e arrepiei-me ao entrar no cemitério, mas depois fiquei… perdido. Falta o final, como se virasse uma página e estivesse em branco. parabéns e espero que tenhas oportunidade para acabar este magnifico texto

  21. Wilson Barros Júnior
    29 de setembro de 2015

    Muito legal a metáfora do bungee jump e a lua. O conto parece ser inspirado no “Homem da Multidão”, conto do escritor americano mais famoso e genial de todos os tempos, adaptado para o cinema por Marcelo Gomes e “Cão” Guimarães. O conto desenvolve muito bem, graças à série de detalhes intrigantes (“sigo em frente, acelerando cada vez mais os meus passos, sem nunca olhar para trás”, “camuflada atrás de algum poste ou árvore próxima”, etc.), e as metáforas inovadoras (“plantação de lágrimas”, “Combustível suficiente para envolver meus pensamentos”, etc.), com as quais o autor soube dar vida ao personagem. A linguagem é poética, sombria, tendendo às vezes para o lúgubre e o sinistro, mas sobretudo muito bonita. Fico imaginando como o autor pretende continuar este belo conto, no mais puro estilo Cláudia Angst.

  22. rsollberg
    29 de setembro de 2015

    Caro (a), Cecilia Meireles.

    Sua escrita é impecável, ela tem fluxo natural, com belíssimas passagens e analogias.

    Muito interessante esse paralelo que você cria entre a lua e a órfã, como se a primeira fosse uma espécie de guia, sempre presente apesar da escuridão. Você também sabe mesclar bem as sensações físicas com o fluxo de consciência.

    Difícil escolher apenas um trecho, uma vez que a narrativa toda é escrita com muito zelo. No entanto, ainda assim, destaco esse: “Epicentro das alegrias lunares, vago zombando da sisudez imposta às estátuas vigilantes das praças. Corro imitando o voo das moscas nas ruas pouco iluminadas, colho algumas flores no jardim das casas antigas e, próximo ao decimo segundo badalar do relógio encrustado na mais alta torre da cidade, com um sorriso mais belo que o da Monalisa, abro os portões do cemitério”.

    Quanto a história, acho que ainda está um pouco morna. No momento é apenas um diário de uma sobrevivente. Penso que a segunda parte do conto irá reverter essa impressão, trazendo algo menos ordinário. Resta esperar.

    De qualquer modo, uma ótima primeira parte.
    Parabéns e boa sorte no desafio.

  23. Davenir Viganon
    27 de setembro de 2015

    História interessante, me agradou. Fluiu bem minha leitura. Achei bonita mesmo. Achei estranho a narração muito prolixa para uma criança na primeira pessoa. Acho que não captei a ideia da menina ser invisível na cidade e ser “ilesa da maldade humana” quando toda sua história mostra que ela é uma vitima da maldade humana.

  24. Piscies
    23 de setembro de 2015

    Um texto belíssimo, que acaricia a alma e faz o tempo passar sem que o leitor perceba. As palavras conjuram imagens tristes e belas, tão reais que, por um momento, eu estava lá na rua com a personagem, observando-a dançar sobre a lápide da mãe. Eu gostaria de conseguir escrever como você. Talvez um dia… talvez.

    Uma obra de arte, e ponto final.

    PS: Só notei um deslize na revisão: “Combustível suficiente para envolver meus pensamentos com as críticas engrenagens que responsáveis pela evolução das espécies…” – não deveria ser “que são responsáveis…” ou apenas “responsáveis…”?

    • Piscies
      29 de outubro de 2015

      Gostei muito da continuação do conto e de como o autor manteve a pegada poética da narrativa. Este conto é pura arte. Divino, divino!

      Só achei estranho o final no balão. Senti que não vi um fim a altura do resto da história. Mas esta pequena nota pessoal se perde na maestria do autor.

      Parabéns mesmo!

  25. Leonardo Jardim
    23 de setembro de 2015

    Sob o olhar da Lua (Cecília Meireles)

    ♒ Trama: (2/5) não vi uma trama que me prendesse. Apenas um relato na vida dessa menor abandonada. Destaque, porém, para a relação dela com o balé, por intermédio da Ana Botafogo e sua mãe.

    ✍ Técnica: (5/5) muito bonita, não vi nenhum motivo para retirar pontos. Uma prosa poética com ótima escolha de palavras e metáforas, mas sem deixar a leitura cansativa.

    ➵ Tema: (2/2) está adequado o tema (✔).

    ☀ Criatividade: (2/3) a personagem sem teto que vive de restos é um tema comum, mas sua profundidade trouxe doses de novidade.

    ☯ Emoção/Impacto: (3/5) o texto é leve de ler e prende, mas não me emocionou como deveria num texto que fala de órfãs. Não sei direito o motivo, talvez a forma muito poética como tudo foi apresentado, sem entrar na mente da menina.

    ➩ Nota: 8,0

    Trecho de destaque: “Gosto da lua e suas falas maternas. Gosto da proteção que sua penumbra oferece às almas solitárias, um manto leve e sagrado que afasta as dores do dia e devolve-me à vida que carrego nos labirintos dos olhos desde o momento em que me tornei órfã, mágico cenário onde ainda sou parte de uma família reunida.”

    • Leonardo Jardim
      3 de novembro de 2015

      Sob o olhar da Lua (Cecília Meireles) – Segunda Fase

      📜 Trama: achei a segunda parte mais cansativa que a primeira, menos objetiva. No fundo aconteceu apenas uma coisa: o ataque à sepultura dos pais e a fuga no balão. Um pouco inverossímil ela conseguir “roubar” um balão daquele jeito. (-0.5)

      📝 Técnica: manteve o nível excelente da primeira parte. O ponto alto do conto. (0)

      🔧 Gancho/Conexão: é a continuação da mesma história, mas achei um pouco forçada. (0)

      🎭 Emoção/Impacto: tive a mesma avaliação da primeira parte: leve de ler e prende, mas não chegou a me emocionar. (0)

      ⭐ Nota: 7.5

      Problema que encontrei:
      ● Somos irmãos *que* se reúnem à noite

  26. G. S. Willy
    23 de setembro de 2015

    Conto muito bem escrito, porém fiquei com algumas dúvidas sobre o que aconteceu com os pais da garota. Se eles foram mortos pela ditadura, o que entendi, então como há um túmulo para eles, e aliás, muito bem cuidado por sinal; e se alguém cuidou de todos esses detalhes após a morte deles, por qual motivo não cuidou também da garota? Mas como é apenas uma parte da história, talvez eu esteja sendo precipitado e essa resposta venha com o conto completo.

    Outra coisa que senti falta foi de outros moradores de rua na história, ela parece ser a única moradora, e todas as outras pessoas são ricas e vivem bem.

    No mais, o conto me segurou pelo tempo que deveria e estou aguardando a segunda parte.

  27. Fabio D'Oliveira
    16 de setembro de 2015

    ☬ Sob o olhar da Lua
    ☫ Cecília Meireles

    ஒ Físico: A escrita é muito bonita e exala poesia pura. A autora realmente se destaca e escreve muito bem. No entanto, a narrativa é tão longa, tão devagar, que acaba se tornando prolixo. Há muita divagação sem sentido, pois repetem ideias já passadas em outras partes do texto. Tome cuidado com isso, pois qualquer leitor se cansa com uma leitura tão pesada assim.

    ண Intelecto: É uma estória triste de verdade e a protagonista conta tudo de forma poética, embelezando essa tragédia. Parece que a personagem realmente existe, mas isso é apenas impressão causada pela escrita de qualidade. No fundo, bem no fundo, ela não tem vida própria.

    ஜ Alma: De fato, o texto se encaixa no tema proposto. O problema que encontramos é no foco da autora. O cotidiano da personagem fica oculto nas sombras, enquanto seus sentimentos estão em voga. Temos informações rápidas de sua rotina que são rapidamente sobrepujadas pelas intermináveis descrições das emoções dela. Além disso, não foi possível identificar nenhum gancho. E o texto não tem um poder atrativo tão poderoso para fazer o leitor ansiar por uma continuação.

    ௰ Egocentrismo: Não gostei do texto, em linhas gerais. O estilo não me conquistou e a leitura foi muito cansativa. O tom poético é bom, mas é necessário encontrar o ponto de equilíbrio. No final das contas, um conto não é uma poesia.

    Ω Final: Texto bem escrito e bonito, revelador da grande habilidade da autora. O estilo prolixo irá restringir o fluxo de leitores. A estória não tem muito atrativo para deixar o leitor ansioso por uma continuação.

    ௫ Nota: 7.

  28. Lilian Lima
    16 de setembro de 2015

    Conto emocionante.
    A primeira parte, um lamúrio com toda crueza fazendo de fato uma metáfora com a própria situação do dia-a-dia da órfã nas ruas da cidade em busca de comida e sua estratégia de ser invisível para fugir da maldade do mundo. A parte sobre a evolução achei muito inteligente e significativa. A comida que ela precisa, é seu combustível para ter condições de saúde, inclusive mental que por fim, esta consciência serve apenas para constatar sua própria realidade miserável. Bárbaro.
    A segunda parte, traz singeleza para a crueza da realidade da órfã. Como um bálsamo sobre a tragédia representado na figura da lua. A cena do cemitério fecha o conto de forma surpreendente e muito poética. Conto muito bem feito. Parabéns.

  29. Ricardo Gnecco Falco
    16 de setembro de 2015
  30. Brian Oliveira Lancaster
    14 de setembro de 2015

    EGUA (Essência, Gosto, Unidade, Adequação)
    E: O autor resolveu seguir uma linha mais melancólica e isso me atrai. O dia a dia está bem expresso por meio dos olhos da jovem criança. – 9,0.
    G: Aplicar profundidade poética em situações rotineiras não é nada fácil. Você faz isso com maestria, incluindo várias metáforas interessantíssimas, que criam imagens vívidas do sofrimento inerente. É um texto triste, ainda mais por se aproximar da realidade – mas agradou justamente por isso. – 9,0.
    U: Nada me incomodou quanto à escrita. Flui muito bem, mesmo com palavras rebuscadas. – 9,0.
    A: Esta é parte mais complicada de se avaliar. Menina órfã – confere. Vida difícil nas ruas – confere. Clichê? Um pouquinho, mas o final cativa o leitor pelo fator inusitado dela dançar sobre o túmulo de seus pais. Final bem poético, mas não vi nenhum gancho. – 7,0.
    .
    [8,5]

  31. Brian Oliveira Lancaster
    14 de setembro de 2015

    EGUA (Essência, Gosto, Unidade, Adequação)
    E: O autor resolveu seguir uma linha mais melancólica e isso me atrai. O dia a dia está bem expresso por meio dos olhos da jovem criança. – 9,0.
    G: Aplicar profundidade poética em situações rotineiras não é nada fácil. Você faz isso com maestria, incluindo várias metáforas interessantíssimas, que criam imagens vívidas do sofrimento inerente. É um texto triste, ainda mais por se aproximar da realidade – mas agradou justamente por isso. – 9,0.
    U: Nada me incomodou quanto à escrita. Flui muito bem, mesmo com palavras rebuscadas. – 9,0.
    A: Esta é parte mais complicada de se avaliar. Menina órfã – confere. Vida difícil nas ruas – confere. Clichê? Um pouquinho, mas o final cativa o leitor pelo fator inusitado dela dançar sobre o túmulo de seus pais. Final bem poético, mas não vi nenhum gancho. – 7,0.
    [8,5]

  32. Ricardo Gnecco Falco
    14 de setembro de 2015

    Um texto muito bem escrito (com única exceção numa longa frase do 4º parágrafo: “Combustível suficiente para envolver meus pensamentos com as críticas engrenagens que responsáveis pela evolução das espécies, análise rápida antes da boca faminta aceitar a fria realidade do menu rotineiro.”) e com uma pegada sentimental bem marcante. É triste, mas não chega a conseguir a projeção necessária do leitor (pelo menos deste leitor aqui) devido, talvez, a tentativa da autora de escrever sobre uma realidade nunca experimentada realmente. Ou seja, faltou um pouco de verossimilhança; principalmente no que tange a desenvoltura psicológica, emocional, intelectual e filosófica da personagem-narradora. O que, se escrito na terceira pessoa estivesse, não seria notado nesta bela obra.
    Mas é bem perceptível o domínio da pena desta autora, assim como o imenso universo emotivo — poético! — da mesma.
    Parabéns pelo trabalho e vejamos se com a segunda parte da história este sentimento oblíquo relatado acima se amenize ou, até mesmo, reverta (lembro que estou analisando cada trabalho como um conto completo, independente do que virá na próxima fase).
    Grande abraço,
    Paz e Bem!
    🙂

  33. Antonio Stegues Batista
    13 de setembro de 2015

    Narrativa bem construída, boa gramática. A autora criou com perfeição as emoções e o ambiente em que a personagem circula. Enredo criado por uma densa atmosfera poética. Só ficou meio que estranho, a garota
    dançar sobre o túmulo da mãe.

  34. Evandro Furtado
    12 de setembro de 2015

    Tema – 10/10 – adequou-se à proposta;
    Recursos Linguísticos – 10/10 – texto muito bem trabalhado, sem problemas;
    História – 7/10 – ganha força no final;
    Personagens – 10/10 – a protagonista é muito bem construída psicologicamente;
    Entretenimento – 6/10 – justamente pelo estilo da narrativa, o texto se torna um pouco travado em alguns momentos;
    Estética – 8/10 – a cena final, com a bailarina dançando em frente à lápide dos pais é maravilhosa.

    • Evandro Furtado
      24 de outubro de 2015

      Notas Parte 2

      Tema – 10/10 – adequou-se à proposta;
      Recursos Linguísticos – 10/10 – texto muito bem escrito, sem problemas;
      História – 2/10 – confesso que não entendi o que você queria contar, por aqui, senti falta de densidade na trama;
      Personagens – 10/10 – muito bem construídos, apesar da história não aproveirar isso tão bem;
      Entretenimento – 5/10 – às vezes o texto fica um pouco travado e é preciso ler a mesma parte duas, três vezes. O leitor perde o senso de imersão;
      Estética – 7/10 – senti uma coisa meio Meliès; lampejos com imagens belíssimas, mas que logo desaparecem em uma complexidade um pouco exagerada.

  35. Fil Felix
    12 de setembro de 2015

    Muito interessante mostrar o cotidiano de uma moradora de rua com tamanha delicadeza. Não lembro se em algum momento ficou explícito, mas deduzi ser uma menina o.O

    Além de narrar toda sua história nesse pequeno espaço, ainda esclarece muitos pontos (como a questão da alfabetização e alimentação), algo que merece destaque. O modo como ela se auto-traduz como uma invisível dentre a sociedade é atual (e também real), moradores de rua são cidadãos invisíveis aos olhos da sociedade, como se lhes fossem tirados a própria humanidade. Não é raro vermos pessoas se comovendo com problemas sociais, abandono, fome e morte mas, ao mesmo tempo, passando batido por um mendigo na rua, reforçando essa ideia do invisível. Gostei de como tratou isto e deu humanidade à personagem.

    Também fechou muito bem com a cena da dança, criando um cenário quase que surreal. O que poderia ser profano acabou por ser sagrado, uma homenagem. Além de diferente do restante do conto, ajudou a criar um momento de destaque.

    Só a linguagem utilizada que me incomodou um pouco, algumas sentenças são longas e rebuscadas demais, deixando a leitura cansada no início, pegando ritmo somente perto do final. Coisas como “sei-me” soaram estranho, além da quantidade enorme de metáforas, altamente romantizado.

  36. Claudia Roberta Angst
    12 de setembro de 2015

    Um ótimo conto para começar a leitura de hoje. Narrativa calcada na prosa poética, o que me trouxe logo um toque de identificação. O título já anuncia que um universo feminino será abordado, seja ele qual for. A lua sempre será o satélite materno, abençoando namorados e artistas.
    Não encontrei falhas na revisão e li todo o texto dentro de um ritmo de versos. Cada palavra muito bem escolhida, formando um delicado cotidiano, embora miserável.
    Foi bom lembrar dos nomes dos passos de balé, e novamente me dar conta que sempre fui ou meio surda ou desatenta, porque alguns citados sempre entendi errado. A imagem da frágil bailarina sobre a lápide dos pais foi poesia pura.
    A autora (se for um autor, disfarçou muito bem) não deixou um gancho para uma segunda parte do conto, mas considero isso bem desnecessário. O leitor termina com o gostinho de “quero mais” sobre a menina bailarina e isso já é mais do que o suficiente para uma continuação. Ótimo trabalho! Boa sorte!

  37. Jefferson Lemos
    12 de setembro de 2015

    Olá, autor (a)!

    Sua obra exalta muito bem o cotidiano. Trazer essa vida reclusa aos olhos do leitor é uma boa jogada, mas não somente de cotidiano são feitos os textos do desafio.
    Aqui, senti falta de uma linguagem menos rebuscada. A parte gramatical está muito boa, mas em certos momentos ela parece forçada, como se você quisesse fazer bonito. Sei que há pessoas que escrevem no estilo, mas para mim é cansativo.
    Algumas palavras se repetem demais no decorrer do texto, e algumas construções frasais se assemelham a outras já escritas no conto, dando mais ênfase à repetição.

    A história da personagem é boa e serve para nos mostrar o que essas pessoas passam durante a vida, no entanto, as repetições e palavras rebuscadas prejudicaram um pouco a inserção, creio eu.

    De qualquer forma, parabéns pelo texto. O título está muito bom, e fez me lembrar da tia Claudia.

    Parabéns e boa sorte!

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Publicado às 12 de setembro de 2015 por em Cotidiano Trevisan e marcado .