EntreContos

Detox Literário.

Bi-Han e Kuai Liang (Alan Cosme Machado)

Bi-Han e Kuai Liang

– Ele é puro? – Perguntou o cego.

– Não. O encontrei nos braços de sua mãe humana morta. Ela morreu congelada, não aguentou a temperatura do próprio filho. – Respondeu um pupilo, que oferecia a criança ao seu mestre com o joelho esquerdo colado ao chão em sinal mais de submissão do que de respeito. O recém nascido mesmo diante de tantas faces alienígenas não demonstrava medo ou vontade de chorar.

O mestre pegou o bebê sem demonstrar afeto, ele o via não como uma criança necessitada de cuidado, mas como uma arma a ser moldada para suas guerras particulares. O mestre não tinha olhos para ver, eram vendados. Até mesmo para os seus homens, que eram acostumados ao sobrenatural, ele transmitia uma aura sinistra. Seu manto negro que lembrava algo sacerdotal era adornado por um lenço azul (a cor do seu clã) que cobria os ombros e descia quase até o pé.

– Eu pedi por um puro, não foi?

– Os cryomancers estão à beira da extinção desde que Shao Kahn dominou seu reino. Encontrar esse mestiço custou dois anos da minha vida.

De costas para o ninja que trouxe o rebento, o mestre fez um alerta em tom de ameaça. – Cyrax, é bom que esse menino valha a pena ou você pagará pelo fracasso dele com sua vida.

Cyrax era um associado aos Lin Kuei atípico. Enquanto a maioria era de origem asiática, principalmente chinesa, ele era jamaicano. Como qualquer um com características físicas e culturais diferentes, o ninja sofreu preconceito. Seus treinos eram mais puxados do que o dos demais, pois muitos queriam vê-lo fora do clã. Porém, a ação dos puristas só o tornaram mais forte. Para demarcar que era melhor do que seus colegas, Cyrax se rebelou ao trajar o amarelo ao invés do azul.

Por sofrer com uma repulsa similar, no seu caso por ser malaio, Sektor se aproximou de Cyrax e ambos se tornaram amigos, praticamente irmãos. Seguindo o exemplo de Cyrax, Sektor decidiu optar pelo vermelho.

Doze anos se passaram.

O templo Lin Kuei era considerado avançado na época em que foi edificado (mais de cinco mil anos atrás), mas para olhares modernos ele era extremamente rústico. Com paredes de pedra das montanhas e suportes de madeira, o local foi projetado para ser prático. Não possuía nenhum entalhe de embelezamento tão comuns em templos religiosos orientais. O único símbolo enaltecido era a marca do clã. Um triângulo intercortado por um shuriken estilizado.

Em uma arena de luta, um garoto de cabelo raspado e que já apresentava definição nos braços, lutava contra três ninjas que tinham o dobro de sua idade. Era para ser um treino, mas parecia um espancamento. O garoto tentava acertar um adversário, mas outro vinha por trás, o pegava pelos ombros e o arremessava com brutalidade no chão. Uma soco vindo de outro adversário fez com que o menino cuspisse sangue. Seu olho esquerdo já não abria de tão inchado.

Irritado, o menino apelou para sua única vantagem. Ele criou uma bola azulada com suas mãos e a arremessou no oponente mais próximo. A estátua de gelo humana se espatifou e cobriu a arena deixando-a molhada. Imediatamente os outros dois ninjas se afastaram.

Cyrax olhou para o aprendiz com orgulho, ele e o mestre supremo assistiam à batalha em um ponto elevado que não permitia aos competidores vê-los. O semblante do mestre era de preocupação, Cyrax não entendeu o porquê. – Se Bi-Han só depender de seus poderes ele será inútil. Olha só a bagunça que fez. Um ninja poderoso não basta, ele precisa ser furtivo também. – Após alguns minutos de silêncio, o mestre mudou de assunto. – O garoto já escolheu o seu novo nome?

– Ele escolheu Sub-Zero.

– Sinto falta dos antigos aprendizes, ao menos eles tinham noção de ridículo.

Alguns dias se passaram até que Cyrax chamou seu pupilo para uma conversa. – Você tem potencial, mas quando usa seus poderes mais parece um oni.

– O que quer dizer, mestre? – Perguntou Bi-Han que já estava quase que totalmente recuperado da surra que levara. Seu metabolismo cryomancer herdado do pai era muito bom.

– Você precisa usar os seus poderes com mais criatividade e isso é uma coisa que não tenho como ensinar.

Cyrax apresentou à Bi-Han uma situação, um templo similar ao dos Lin Kuei só que pertencente à um clã rival, os Tengu. O símbolo deles lembrava a garra de uma águia, sua cor era o laranja.

– Um ninja desse clã desrespeitou o nosso mestre, sua missão é matá-lo. – Bi-Han sinalizou positivamente com a cabeça enquanto via a foto do seu alvo que Cyrax lhe mostrava. – Se você aparecer congelando tudo o que encontrar pela frente não irá passar nem pela entrada. Você pode ter sangue cryomancer, mas ainda é mortal. – Naquela mesma noite, Bi-Han viajou rumo à sua missão. Sem falar isso com ninguém, para não demonstrar fraqueza, Cyrax ficou preocupado com a vida do seu discípulo.

A necessidade fez com que Bi-Han descobrisse habilidades que não sabia possuir. Para enganar os guardas da entrada, ele se cobriu com gelo se tornando um boneco de neve. Como a região era gelada, a neve do ambiente se confundia com o seu corpo tornando-o invisível. Assim que os guardas se distraíram, Bi-Han largou sua proteção e correu para a entrada. Tal truque agora não mais funcionaria. O interior do templo, assim como o dos Lin Kuei, era pedra e madeira.

Enquanto tentava localizar a sua vítima, Bi-Han se impressionava com o fato de como a organização daquele lugar lhe era familiar. Os mais jovens também eram submetidos à lutas desiguais, os treinos beiravam o impossível, havia uma hierarquia rigorosa cujo desrespeito podia resultar em morte…

– Se somos tão iguais por que brigamos?

– Por poder, garoto. – Bi-Han acreditou ter sido descoberto. Porém, o homem que apareceu para ele não se assemelhava em nada com um Tengu. Sua roupa era carregada de preto e sua pele pálida chegava a ser sinistra. Careca, seus olhos possuíam sombras negras e nas ombreiras e nos antebraços do seu uniforme haviam espetos grandes como facas.

– Você não tem medo de se machucar nessa roupa?

O homem pálido riu da pergunta do garoto. – Você é um dos lutadores mais poderosos do planeta, mas ainda é só um menino. E não, eu não me machucaria com minha própria roupa. Eu seria um feiticeiro estúpido se fizesse isso.

– O que quer de mim?

– Complete sua tarefa, depois conversaremos. – O feiticeiro sumiu em uma fumaça verde. Ignorando sua passagem estranha, Bi-Han voltou sua mente em terminar a missão.

Com seus pés pequenos, Bi-Han conseguia se equilibrar nas estruturas mais altas e passear pelo templo por cima, longe da vista de todos. Como Cyrax o advertira certa vez, um ninja deve dar preferência a lugares escuros e evitar pontos de luminosidade. A noite e a iluminação antiquada de tochas ao invés de luz elétrica no lugar ajudavam.

Depois de uma hora procurando, Bi-Han avistou o seu alvo, que dormia em seus aposentos. O homem era enorme. Um pré-adolescente não podia com ele desperto nem se estivesse armado. Bi-Han ficou ao seu lado na cama e tentou algo inédito. O ninja congelou as vias respiratórias do seu alvo, impedindo os pulmões de funcionarem. Uma morte silenciosa e dolorosa.

O outro invasor do templo se felicitou com o sucesso do garoto. O feiticeiro tinha planos para Bi-Han. – Daqui há alguns anos voltaremos a nos encontrar. – Disse o bruxo mais para si do que para o garoto, que nem sabia de sua presença.

O tempo se passou, aos vinte e cinco anos Bi-Han se tornou um homem tão temido em seu próprio clã que seus colegas abaixavam a vista ao passar por ele. Os únicos que não o temiam eram o mestre supremo e Cyrax. O garoto magro se tornou um homem com músculos definidos e ombros largos. Qualquer um interessado no sexo masculino o acharia atraente, porém, sexo não era um dos seus interesses. Bi-Han, ou Sub-Zero como desejou ser chamado, só se preocupava com os assuntos dos Lin Kuei. Naquela manhã o mestre supremo o convocou para uma reunião.

Sub-Zero se assustou, sentimento a qual não estava acostumado, ao ver quem acompanhava o mestre em sua sala. O mestre estava em seu trono enquanto e seu convidado ao seu lado, de pé. Bi-Han reconheceu o feiticeiro pálido daquela noite. Não envelhecera um dia mesmo depois da passagem de mais de uma década. – Sub-Zero, esse é o nosso novo contratante. Quan-Chi.

– Aponte o alvo e eu mato. – Sub-Zero aderiu ao azul do seu clã, porém seu uniforme era estilizado, tinha um tom mais vivido. Para um ninja isso era contraproducente já que chamava mais atenção do que uma cor mais sóbria. Porém, Bi-Han se achava muito capaz para ser influenciado por esse tipo de detalhe.

– Shirai Ryu. – Disse Quan-Chi.

– Mas esse clã não foi massacrado?

– O Shirai Ryu é simbolizado por um escorpião, como o animal que os representa eles são uma praga. Há um sobrevivente. – Disse o mestre supremo. – Se deixarmos o clã irá crescer novamente. É do interesse do nosso cliente e do nosso que você elimine Hanzo Hasashi e toda a sua família. – O feiticeiro disse ao assassino onde ele poderia encontrar o seu alvo e este o saldou e a seu mestre com um gesto conhecido por praticantes de artes marciais. Coluna um pouco inclinada para frente e punho fechado sendo agarrado pela outra mão junto ao peito.

Bi-Han se tornou tão confiante que passou a negligenciar a furtividade. Durante sua maioridade ele nunca encontrou ninguém a sua altura, o que o tornou negligente. A casa onde Hanzo se escondia mais parecia uma cabana perdida na floresta.

O ninja entrou na casa estranhando o fato dela estar destrancada. Foi então que o sentimento que costumava não o afligir o atingiu pela segunda vez no mesmo dia. Hanzo e toda a sua família já estavam mortos. Isso por si só não o incomodaria, porém todos eles estavam congelados. Bi-Han sabia reconhecer gelo sobrenatural.

Bi-Han negligenciou a furtividade, seu inimigo não. O raio congelante o atingiu pelas costas. Pela primeira vez Bi-Han sentiu como era a dor de ser congelado. O jato de água fria se solidificando a medida que invadia sua pele pelos poros como lâminas. Ele só não morreu devido ao seu sangue cryomancer. Bi-Han destruiu a camada de gelo que o aprisionava com sua força de vontade e se voltou ao seu inimigo. Ele usava um uniforme Lin Kuei muito semelhante ao de Bi-Han, só mudando alguns detalhes.

– Quem é você?! – Perguntou Bi-Han, incomodado por se deparar com o que parecia ser uma cópia sua.

– Vou me apresentar, pois quero que vá ao mundo dos mortos sabendo quem o matou. Sou Kuai Liang.

– Me matar?! Você é só um moleque! – Enquanto Bi-Han tinha vinte e cinco anos, Kuai Liang tinha dezessete incompletos. Eles achavam que dividiam o mesmo poder só por coincidência. O que não sabiam é que eram filhos do mesmo pai. Fato que o mestre Lin Kuei estava ciente. Seus olhos que não viam podiam enxergar a distância. De longe, no conforto de seu trono, ele podia assistir à luta dos irmãos.

– Muito bom, Sektor. Cheguei a pensar que só Cyrax sabia cumprir ordens.

– Esse cryomancer que visitou nosso mundo, seja lá quem for, parece gostar de nossas mulheres.

– Você está sugerindo que ele gerou mais filhos?

– Soube de uma menina de quatro anos que quase foi espancada até a morte por pensarem ser um espírito ruim. Pelo que ouvi falar ela tem cabelos prateados e tem poder sobre o gelo.

– O que está esperando?! Atrás dela! – Sektor fez uma saudação e partiu rumo à garota de cabelos prateados.

Enquanto isso, na casa do finado Hanzo, os dois ninjas azuis trocavam socos. Apesar da diferença de idade, a habilidade marcial de ambos era equiparada. Cada golpe era respondido com um bloqueio ou com um desvio. No meio da batalha, Kuai Liang invocou seu poder para criar uma espada de gelo. Bi-Han sentiu raiva e inveja. Ele nunca havia pensado em usar seu poder daquela maneira. Kuai Liang tentou acertar o seu oponente várias vezes, mas ele era muito rápido. Após pouco tempo a magia que mantinha a espada sólida cedeu e a arma liquefez. – Magia gasta energia, moleque. Esse seu truque é uma perda de tempo. Uma bobagem.

– Fica quieto, tio. – Bi-Han preparou sua magia, mas por saber que ela seria ineficaz se usada diretamente contra um cryomancer, ele mirou o chão. O piso escorregadio fez com que Kuai Liang despencasse de costas ao ponto de ficar alguns segundos no ar com as pernas para cima. Com o adversário vulnerável, foi fácil para Bi-Han pisar em seu peito. O ninja adolescente perdeu toda a vontade de lutar. Bi-Han já estava se preparando para finalizá-lo, mas antes removeu sua máscara. O rosto de Kuai Liang era parecido demais com o seu para ignorar.

– Já que você se apresentou acho justo que eu faça o mesmo. – Após remover a própria máscara ele continuou. – Eu sou Bi-Han, irmão.

– “Irmão”?!

– É muita coincidência sermos tão parecidos e compartilharmos o mesmo poder, não acha? Sempre soube que os Lin Kueis eram manipuladores, mas não imaginava o quanto.

– Minha mãe não me falou de nenhum irmão. – Disse Kuai Liang ainda desconfiado.

– Você conheceu o seu pai por acaso?! – Sinalizando com uma expressão facial, Kuai Liang passou a dar crédito ao recém descoberto irmão.

– E quem seria nosso pai, então?

– Está disposto a investigar?

Ninjas não são treinados para serem detetives, mas seguir uma trilha de gelo cuja origem é considerada misteriosa pelos nativos não é algo que demandava muito raciocínio. Quanto mais próximos do seu alvo, mais Bi-Han se preocupava. Ele conseguia sentir a qualidade do gelo sobrenatural que seu suposto pai produzia. A magia dele era muito superior a dos dois ninjas. Seu tempo de arrogância terminou.

– Foi um demônio da neve! Juro que é verdade, mas ninguém acredita. Ele tomou minhas filhas à força.

Kuai Liang perguntou ao idoso. – Como era esse demônio da neve?

– Seu toque era tão gelado que quase matou minhas meninas! Por que os deuses o enviaram à minha casa? Eu os desrespeitei?

Após se afastarem da casa do velho, mas ainda no vilarejo, os dois irmãos conversaram. – Não entendo. – Disse Bi-Han. – Por que um cryomancer sairia por aí estuprando?

– Por ser tarado?

– Isso não combina com um cryomancer. Ao menos não pelo que eu li nos registros do clã. Os membros dessa raça são frios e calculistas. Não fazem nada que não seja premeditado. Os psicopatas humanos são considerados emotivos perto deles. – Kuai Liang olhou para o irmão e riu embaixo da máscara. Dos dois ele considerava que essa característica quem herdara do pai fora Bi-Han. – Não há racionalidade no estupro.

A resposta que veio à mente de Kuai Liang surpreendeu até mesmo à ele. – Os cryomancers estão em extinção! Ele quer salvar a espécie!

– Mas que maneira estúpida de se fazer isso!

– Você mesmo disse, eles são pura razão. Não estão nem aí para delicadeza ou sofrimento alheio.

Ainda em seu trono, o mestre acompanhava os jovens mentalmente. Ele ficou frustrado com o desfecho da luta dos irmãos por não ver morte. Porém, o rumo que a dupla decidiu seguir o deixou animado. Quan Chi estava ao seu lado e através do que o mestre supremo lhe dizia ele ficava a par de tudo. – Eles vão atrás do pai.

– Vão morrer. Um cryomancer puro é demais para eles.

– Poder não é tudo, feiticeiro. Se eles se mostrarem valiosos terminarei o dia com dois Sub-Zeros ao invés de um. É, até que esse nome não é tão ruim.

Após a conversa com o idoso na vila, não foi difícil encontrar o tal “demônio da neve”. Facilitava o fato de sua roupa não ser discreta. Prateada com detalhes azuis brilhantes como neon e um sobretudo preto. Apesar de ter vindo de outro mundo, sua fisionomia se assemelhava à asiática. Distraído, ele não percebeu o jato de gelo até atingi-lo pelas costas. De qualquer forma o golpe não serviu nem para molhá-lo.

– Tarado, encare quem tem condição de revidar. – Disse Kuai Liang.

– Sou Huan Yue, vocês são meus filhos! Reconheço meu sangue em qualquer lugar. Eu os presenteei com a vida. Estão irritados com o quê?

Enquanto Kuai Liang apostou na magia, Bi-Han atacou com chutes e socos na esperança de que seu pai fosse poderoso com magia, mas ruim em um combate físico. Estava enganado. O homem bloqueava todas as suas investidas e aquelas que não conseguia bloquear não faziam nele efeito significativo.

– Essa luta é sem sentido. Somos iguais.

– Não, não somos. – Disse Kuai Liang que tentou um chute circular alto na intenção de acertar a cabeça do pai. Huan Yue desviou inclinando o corpo para trás e contra-atacou criando uma lâmina de gelo ao redor de uma de suas mãos. Kuai Liang foi atingido no olho direito e por pouco não perdeu a visão dele. Apesar de não provocar tal estrago, o golpe o marcou com uma cicatriz.

Bi-Han abraçou o seu pai e tentou congelá-lo usando o seu corpo para canalizar energia. O frio que Bi-Han gerava, no entanto, era insuficiente. Huan Yue se desvencilhou do agarrão e em seguida chutou o ninja no estômago tão forte que o fez voar longe até acertar uma árvore.

– Nós fomos reduzidos à poucas dezenas. – Disse Huan Yue. – Não podemos nos dar ao luxo de nos matar. Mas se preferem assim. – O pai dos Sub-Zeros começou a invocar uma bola de energia similar a usada por eles, porém essa era muito mais agressiva. Se lançada não iria atingir apenas um alvo ou dois, mas sim quilômetros de distância. Bi-Han tinha que pensar rápido se não quisesse morrer. Aquele tipo de congelamento seria demais até mesmo para ele e seu irmão suportarem.

– Kuai Liang, faça aquela bobagem. – Kuai Liang entendeu o que seu irmão quis dizer mesmo ele não tendo sido claro. Ele invocou sua espada de gelo enquanto Bi-Han congelou o chão e fez dele pista de patinação para impulsionar uma rasteira exagerada. Apesar de poderoso, sem o apoio dos pés, Huan Yue tombou de frente indo em direção à espada de Kuai Liang. A arma de gelo acertou a cabeça do adversário em cheio, separando-a do corpo e arremessando-a para longe como uma bola rebatida por um taco de basebol. Enquanto ainda estava no ar, Bi-Han lançou um raio na cabeça congelando-a. O som de vidro quebrado anunciou a morte definitiva do cryomancer.

Fatalidade!

O adestramento psicológico desde a mais tenra idade fazia com que até mesmo os mais poderosos se curvassem aos desejos dos menos capazes. Ajoelhados e sem ousar olhá-lo de frente, Bi-Han e Kuai Liang saudavam o mestre supremo. Mesmo eles sendo capazes de tomar o clã para si facilmente.

– Bi-Han, você participará de um torneio de artes marciais para defender nossa honra.

– Mas, mestre, essas disputas são frívolas. – Disse Bi-Han.

– Não essa. O mundo está uma bagunça, chegou a hora dos humanos saírem do comando e darem a vez para mãos mais capazes.

– E eu? Participarei desse torneio também? – Indagou Kuai Liang.

– Só é permitido um lutador por clã. Para você tenho outro plano. – O mestre supremo deixou Bi-Han de lado enquanto levou Kuai Liang até um outro aposento do templo. O quarto foi adornado para receber uma criança, um cuidado estranho ali. Cheio de brinquedos e bichinhos de pelúcia fofos. A maioria deles, porém, estavam estragados devido ao gelo. Sentada no chão, uma menina rechonchuda de quatro anos brincava criando cristais de gelo e os fazendo voar.

– Ela é uma….?

– É.

– Minha irmã?

– Não, ela é pura. Vê os seus cabelos prateados? Seu pai tarado não foi o único de sua espécie a se refugiar nesse mundo. Onde foram parar os pais da criança, no entanto, é um mistério. Podem inclusive estarem por aí procurando por ela.

– Duvido. – Disse Kuai Liang motivado pelo que aprendeu a respeito da empatia cryomancer. Sobre a garota, o que mais o surpreendia era que brincando ela conseguia produzir mais frio do que ele, seu irmão e seu pai juntos. – Ela tem nome?

– Não.

– Não a ofenda com um nome humano. Ela merece o nome de uma deusa do gelo. Frost.

– Apesar de poderosa, como qualquer guerreiro, ela precisará de um mestre.

– Ficarei honrado.

A alma de Hanzo Hasashi ascendia rumo à sua família até que seu momento de glória foi interrompido. – O responsável pela sua morte e de sua esposa e filho ainda está vivo. Não vai fazer nada a respeito? – O oriental de barba espessa olhou para aquela figura conhecida sem acreditar em sua presença ali.

– Você não está morto, Quan Chi. Como…?

– Sou um feiticeiro. Vou para onde quero.

– Só quero paz. Os deuses punirão o assassino da minha família.

– Lá no fundo você sabe que está se enganando. O Lin Kuei obedecia ordens, foi honrado em sua missão e pelas regras dos deuses anciões não pode ser punido. Se quiser vingança terá que agir por conta própria. – A inquietação do espírito de Hanzo Hasashi foi percebida pelo feiticeiro.

– Um lugar de alegria e paz eterna é para os fracos. O Paraíso não é para guerreiros como você.

Hanzo seguiu o feiticeiro até outros mundos e chegou em Netherrealm, um plano de fogo e enxofre. A alma do Shirai Ryu queimou até que sua falsa carne deixasse de cobri-lo transformando-o em esqueleto. A dor ali era sem igual em qualquer outro plano. Quan Chi lançou um feitiço em Hanzo fazendo com que um uniforme ninja amarelo cobrisse seu espírito torturado. Hanzo deixou de ser etéreo e voltou a ganhar substância. Finalizando, seu aspecto morto-vivo foi parcialmente escondido.

– Há dois Sub-Zeros, quem matou sua família foi o caçula.

– Não importa! Matarei qualquer um que ousar honrar o nome do assassino da minha família. – Quan Chi sorriu discretamente, seu plano saiu melhor do que o esperado.

– Hanzo, você estará livre para matar quem quiser, desde que participe de um torneio.

– Hanzo não! Scorpion!

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Quer ver mais histórias dessa versão de Mortal Kombat?

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3 comentários em “Bi-Han e Kuai Liang (Alan Cosme Machado)

  1. Fabio D'Oliveira
    23 de agosto de 2015

    ☬ Bi-Han e Kuai Liang
    ☫ Alan Cosme Machado

    ஒ Físico: Identifiquei uma pequena melhora nesse último texto, Ala. Não sei se chegou a ler e analisar meu comentário em relação ao seu outro texto, mas está de parabéns pela melhora. Mas ainda precisa melhorar bastante! Vamos lá! A narrativa está mais concisa dessa vez. Oriento apenas que procure organizar o texto da próxima vez, sinalizando a passagem do tempo com detalhes e indicar com clareza a mudança de foco. No caso da narrativa, peço que pesquise novamente sobre Mostrar X Contar, foque-se nisso por enquanto. É importante que todo escritor saiba a diferença entre as duas coisas.

    ண Intelecto: Mais uma vez, Alan, você mostrou que é criativo. A releitura ficou bem interessante, principalmente para mim, que já conhecia bem a história de Mortal Kombat. Os personagens denotam certa complexidade na construção, falhando apenas noa profundamento disso. Estão um pouco superficiais, também. Esse é o problema da caricatura. O ser humano não é preto nem branco, ele é cinza. Ou seja, tem o lado mau e o lado bom. Não dá para definir apenas um dos lado e se apegar a ele. Peço também que tente criar estórias de mundos próprios. Não se apegue demais aos mundos alheios.

    ஜ Alma: Uma alma que está em crescimento e que já mostra certa luz própria. Tu esbanjas criatividade, caro Alan. Procure sempre ser criativo assim, ao mesmo tempo que tenta desenvolver suas habilidades na arte da escrita. Tu seras grande se continuar assim!

    ௰ Egocentrismo: Como todo ser humano, tenho minhas afinidades com tipos de estórias. Gosto de fanfiction quando se trata de qualquer universo de terror. Mas quando se trata de outros universos, não consigo apreciar da mesma forma.

    Ω Final: Um texto que revela um grande escritor em potencial. É criativo e tem noção de como estruturar uma estória. Agora, ele precisa ter foco na melhoria de suas habilidades. Não desista, Alan!

    ௫ Nota: 6.

    • Alan Machado de Almeida
      23 de agosto de 2015

      Obrigado pelas dicas. Assim que terminar de escrever essa saga de Mortal Kombat vou trabalhar em um enredo original. Como sou fã de artes marciais, filmes de ação e de fantasia o enredo vai seguir essa pegada. Provavelmente terá muitos personagens inspirados em obras de terceiros. Porém, até mesmo personagens profissionais são inspirados em outras obras, Liu Kang – Bruce Lee, Raiden e Shang Tsung – Aventureiros do Bairro Proíbido, Kano – Exterminador do Futuro…

      Quanto a mostrar e contar, estou estudando esse vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=nxL51Q5YdB4

      • Fabio D'Oliveira
        23 de agosto de 2015

        Olá, Alan!

        Estude mesmo! Esse tipo de narrativa transforma qualquer estória. Na realidade, um conto com enredo clichê e medíocre pode se tornar um bom texto por causa disso!

        Estou ansioso pelas estórias de sua criação. Só insisto numa coisa: não se prenda a outros universos. Não por ser desgastante para o leitor, mas para você melhorar como escritor e exercitar sua criatividade. Vai fundo!

        Um forte abraço!

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Publicado às 21 de agosto de 2015 por em Contos Off-Desafio e marcado .