EntreContos

Detox Literário.

Dança da Morte (Carlos Henrique Gomes)

ATENÇÃO:
LINGUAGEM DE CUNHO ERÓTICO

para Paulo Moreno,
que mesmo após da dança da morte
continua vivo e pulsante em nossa lembrança

para Silvio,
cuja amizade perdurará
para além da dança da morte

Enquanto eu dançava com os mortos
Meu espírito livre estava rindo e uivando para mim
Sob meu corpo morto-vivo apenas dançava o círculo da morte

Iron Maiden

 iron

Peguei o dinheiro sem pensar duas vezes. Um monte de notas cheirando a novinhas!

Minha noite de rock estava salva! Estranho dizer isso, mas no Dia Internacional do Rock não tem nada rolando em São Paulo!

Mas não tenho do que reclamar! Ela é linda e passaremos a noite juntos.

Quando o Silvio me disse o que o pai da menina queria e me estendeu aquele monte de dinheiro achei tudo bem normal, mas quando olhei para ela, foi amor à primeira vista!

Pena que seria só por uma noite.

Ela tem vinte e cinco anos, branquinha do jeito que eu gosto, da minha altura, quando está de pé, carinha de séria, mas não consegue esconder a doçura, olhos negros e brilhantes, nariz fino, boca pequena e carnuda, pescoço comprido, magrinha, com aqueles ossos salientes que tanto aprecio e uma tatuagem de coração partido no braço direito. E usando camiseta do Iron Maiden! Me apaixonei pela Bruna!

Ela foi encontrada morta, no seu quarto, no meio da tarde. Tomou uns comprimidos que não devia, e mais do que podia, e o pai, meu sogro por esta noite, requisitou nossos excelentes e discretos serviços. Não quer surpresas, nem reações químicas indesejadas, durante o velório que começará às sete da manhã. O Silvio virá busca-la às cinco, antes de começar o movimento na cidade. Toda a documentação foi providenciada por ele: declaração e atestado de óbito, B.O., Certidão de Óbito, liberação do corpo, transporte da funerária, tudo certinho. É claro que nem vi a cor desses documentos; no nosso ramo confiamos um no outro, afinal somos profissionais.

Só não entendi por que fazer o velório de manhã, já que era um trabalho rápido. Ainda são dez horas e daria até para começar a meia-noite, mas nem perguntei. Minha noite de rock estava só começando!

Depois que o Omega Suprema 1996 preto do Silvio, meu sócio, saiu e fechei a porta da garagem, corri para avisar a vó Luiza que eu trabalharia a noite toda, que ela não ficasse preocupada, que tomasse seu remedinho para dormir bem e que não fosse se deitar muito tarde. Voltei correndo para o meu ateliê, ansioso para começar a trabalhar.

Não me sentia assim desde que a Taís virou um suporte para a minha guitarra!

Fui contratado para deixar a Bruna limpinha por dentro e por fora, deixa-la linda para o seu velório. Serviço facinho, facinho de fazer porque ela já é linda. Dinheiro fácil! Mas não posso pensar assim; profissionais como eu não pensam assim! E os que pensam, acabam cometendo erros.

Tirei suas roupas, devagar, tentando não me desconcentrar com seu corpinho lindo. Percebi que nessa movimentação a Bruna não perdia oportunidade de tocar as mãos frias nas minhas e me olhava com curiosidade. Comecei a contar piadas para ver se ela relaxava um pouco, mas a menina estava bem tensa! Pensei até que fosse sua primeira vez. O que eu precisava fazer a seguir era desconfortável para ela: esvaziar seu estômago, intestino e bexiga e lavá-los; capricho do pai, do meu cliente, meu patrão. E meu sogro por esta noite.

Mas deu tudo certo e parece até que ela relaxou um pouco.

Às vezes a gente fica tenso e o que precisamos mesmo é ir ao banheiro.

E depois de um bom banho, com sabonete cheiroso, a Bruna ficou mais relaxada ainda.

Mas é noite de rock e ainda é meia noite! Sinto coisas diferentes à meia noite: dá um negócio no pé do estômago, o coração bate mais rápido, tenho ímpetos de sair para caçar. Só que hoje não!

Ainda temos a noite toda e ela gostou da ideia!

Corri lá em cima para ver se a vó Luiza já estava dormindo. Tudo certo, levei a Bruna lá para cima e fiquei à vontade também, como ela. Mostrei os cds do Iron Maiden e ela parecia indecisa, mas acabou escolhendo um dos meus favoritos: Dance of Death, de 2003. Nem acreditei quando ela disse que também foi no show em 2004, no Estádio do Pacaembú! Que pena que não nos conhecemos antes!

Coloquei o cd no aparelho, regulei o volume para não incomodar a vizinha e apertei o play.

Começou a tocar Wildest Dreams, com seus riffs de guitarra com cara de Iron Maiden! Quando ouvi essa música pela primeira vez, tive certeza de que o Iron Maiden de verdade estava de volta e a Bruna disse que também teve a mesma sensação. Falamos juntos: The Beast is Back! Essas coincidências são essenciais num primeiro encontro. Quanta coisa em comum surgindo! E eu a entendo mesmo que ela não fale nada. A química perfeita acontecendo!

Rainmaker irrompeu pelas caixas de som com sua incrível pegada. A Bruna começou a entrar na vibe do disco e, com a cabeça recostada no meu ombro, sentados no sofá, ela curtiu o som batendo a mão fria, junto com a minha, no meu joelho. Que música! Melhor ainda ao lado de uma pessoa que se torna cada vez mais especial!

Da terceira música não gosto tanto, por tratar de um assunto que me incomoda: No more lies. Mas quando passa a primeira parte, que é acústica, e entra a banda toda, com todo seu peso… Pulamos do sofá e começamos a agitar. Que garota maravilhosa! Tive a impressão que ela ia cair, mas não caiu! Mesmo assim, só por precaução, segurei ela.

Montsegur é no estilo Iron Maiden anos 80! Muito foda! A Bruna ficou louquinha! Eu fiquei louco! Ela balançava a cabeça para frente e para trás ao ritmo das guitarras e seus cabelos castanho escuros, com fios bem fininhos, se espalhavam pelo rosto. Uma headbanger linda!

A próxima música tornou-se a nossa música: Dance of Death. É uma música de quase nove minutos e começa acústica, gostosa de dançar. Puxei-a para mim e seu corpinho esbelto e frio grudou-se ao meu, toda mole, e dançamos a nossa dança da morte. Depois de três minutos entram as três guitarras pesadas e não consegui resistir: beijei a Bruna!

Tenho fetiche por meninas que se entregam, passivas, e a Bruna… Que boquinha deliciosa! Fria, carnuda, macia… e seca! Durante o solo de guitarra era como se estivéssemos… sei lá! Foi aí que ela se apaixonou de vez por mim! E antes de terminar a música já estávamos namorando! Sua resposta ao meu pedido foi me olhar nos olhos de boca aberta. O sim mais meigo que já recebi!

A guitarra de Gates of Tomorrow nos desconcertou um pouco. Aquela timidez gostosa que rola depois do primeiro beijo, eu acho. Mas quando começou o segundo verso, nos beijamos de um jeito mais assanhado. Seus seios, obras primas, despertaram em mim o desejo de fazer amor com minha namorada.

E ao ritmo cadenciado de New Frontier, fizemos amor no sofá. Que menina incrível! Sou mesmo um homem de sorte, mesmo que seja só por uma noite! E no meio do alucinado solo de guitarra, tivemos nosso primeiro orgasmo, abafando os gemidos num beijo mais mordido que beijado.

Curtimos a ótima Paschandele deitados de conchinha no sofá, sem falar nada, sorridentes e satisfeitos. Satisfeitos por enquanto! Adoro a pele fria das magrinhas! Se a Bruna não fosse fissurada por essas substâncias químicas que a levaram ao óbito, com certeza seria só mais uma gostosa, de rosto bonitinho, toda quente. Não gosto nem de pensar! É a Bruna magrinha e fria que eu amo!

Paschandale é comprida e excelente para renovar as energias.

Aí veio Face in the Sand que começa como se alguma coisa fosse se encaixando, quase que forçando e quando encaixa… Iron Maiden é foda! A Bruna é deliciosa!

Ela quis vir por cima dessa vez, mais confiante, mais assanhadinha. Esses olhos negros e brilhantes, a boquinha aberta, a cabeça linda caída para o lado, seu jeitinho quase estabanado me deixam cada vez mais louco por ela!

Enquanto a segurava pelas nádegas pequenas e frias, abocanhei seu seio esquerdo, sentindo o direito beijar minha orelha. Pequenos e redondinhos! Aí começou a Age of Innocence e logo engrenou num ritmo gostoso para o amor, para fazer amor. E a Bruna e eu estávamos com fome um do outro e veio outro orgasmo, fazendo o sofá gemer por nós.

Ela ficou toda bagunçada: os cabelos espalhados pelo rosto, a boca um pouco torta, a cabeça caída, as mãos sem apoiar em lugar nenhum. Quase uma morta! Se coubéssemos nós dois no seu caixão! Não seria hoje que eu realizaria essa fantasia.

Durante os sete minutos de Journeyman, a última música do cd, ela foi se recompondo, ficando menos mole, um pouquinho só, mas menos mole. Já era uma e quinze quando o cd acabou. Ela quis saber qual o meu preferido e gostou quando falei que é o The Number of the Beast. E eu gostei que ela disse, com o olhar, que já sabia e que esse disco é a minha cara.

Quando começou a esquisita Invaders, pulamos do sofá e começamos a agitar. É uma mulher assim que todo roqueiro merece! Pena que não poderíamos nos casar. Aliás, só poderíamos namorar até cinco da manhã, quando o Silvio viria busca-la no seu rabecão.

Mas isso ainda demora!

E na melancólica e emocionante Children of the Damned nos beijamos com carinho no começo da música, depois com mais assanhamento na parte mais pesada e rápida. Pensei que o fôlego dela também, mas essa menina é cheia de surpresas!

Se fez de morta até começar a The Prisoner, com sua batida diferente. As guitarras entraram fortes na música e a Bruna se soltou dos meu braços de um jeito que achei que ela ia cair, mas a danada ficou de quatro no sofá, com a cabeça torta, me olhando sem piscar, com um tipo de sorriso de canto de boca. Que loucura!

Coloquei umas almofadas debaixo dela, para ficar mais confortável, e fizemos mais amor e ao ritmo daquela música rápida não demorou muito para temos outro orgasmo juntos, numa sincronia maravilhosa!

E na diferente e incrível 22 Acacia Avenue, com suas paradinhas, não deu nem tempo de descansar. Pulamos do sofá e agitamos muito! Que energia tem essa menina! É do tipo que se faz de morta para dar trabalho para o coveiro!

Só o som do Iron Maiden pra fazer isso com a gente! Essa música é muito boa! Cheia de partes diferentes que se harmonizam! É a melhor banda do mundo! E a Bruna concorda, com um sorriso de canto de boca, por trás dos cabelos espalhados pelo rosto. A headbanger dos meus sonhos!

E enquanto rolava a primeira parte da The Number of the Beast fizemos como que uma jura de amor olhando-nos nos olhos. Aí fomos balançando o corpo como se estivéssemos sendo levados pelas ondas sonoras das guitarras mais poderosas do mundo e a Bruna quase caia e eu a segurava e nossas mãos estavam bobas, pegando onde não se pega em público.

E a Run to the Hills é foda! Com sua levada tipo cavalaria, a Bruna ficou assanhada, me jogou no sofá, montou em mim e fez como uma amazona cavalgando seu corcel branco rumo às colinas da música! E aí foi mais foda ainda porque não conseguimos nos controlar e gememos mais alto do que devíamos tendo um orgasmo como nunca tive antes! E o Neguinho, filho da puta, começou a latir no quintal da vizinha e, ainda por cima, a vó Luiza acordou!

Peguei a Bruna no colo e corri lá para baixo, enquanto começava a rápida Gangland. Sussurrei no ouvido dela que ficasse quietinha, vesti a roupa correndo, subi correndo, e encontrei a vó Luiza no meio da sala.

— Carlinhos, eu ouvi um barulho aqui.

— Num foi nada, vó. Eu só vim comer alguma coisa e estava assistindo TV enquanto comia.

— Você já terminou o serviço? Vai dormir senão você fica cansado.

— Ainda demora pra terminar, mas amanhã eu durmo o dia todo e fico novo em folha.

— Credo! Você trabalha muito!

— Faço o que gosto, vó! E a senhora? Num vai voltar pra cama?

— Tô indo. Num demora pra deitar senão você fica cansado.

— Sua benção, vó.

— Deus te abençoe, meu netinho.

E enquanto a vó Luiza arrastava os chinelos de volta para o quarto e se deitava para mais um bom soninho, rolava a clássica Hallowed be Thy Name com seus sete minutos de heavy metal que deixa aquele gosto de quero ouvir o dia todo.

E o relógio marcando uma e cinquenta. A noite deixando de ser criança e virando uma mocinha.

Não podia levar a Bruna para o meu quarto e fechar a porta! O que ela iria pensar de mim ao ver a Taís segurando minha guitarra?

Quando tudo se acalmou, a vó Luiza voltou a roncar e o Neguinho parou de latir para os fantasmas da noite, o relógio já marcava duas e quarenta! Trouxe a Bruna para cima, mas preferimos não ligar o som e não correr mais riscos.

Conversamos baixinho no sofá e acabei me abrindo para ela. Contei tudo… tudo o que ela podia saber e ela não falou nada de si mesma. Não insisti.

O Silvio costuma dizer que saber como é a cozinha do nosso restaurante preferido e o passado da nossa companheira é um mau negócio.

Acredito cem por cento nisso.

Ficamos em silêncio. Silêncio reflexivo, que não durou muito tempo.

Deitei-me sobre a Bruna e fizemos amor no sofá que insistia em ranger debaixo de nós.

Adoro mulheres que fazem amor de olhos abertos, mas a Bruna é especial; ela nem pisca!

Sem falar que adoro o seu jeitinho molenga, largada, espalhada! Como isso me excita!

E nosso orgasmo foi com cara de despedida; como se não nos veríamos nunca mais!

Uma pena que nosso tempo estava acabando rápido!

Uma pena que nosso amor acabaria tão rápido!

Quase três e dez!

Tomei coragem e convidei-a para tomar banho comigo. Não esperava um sim em forma de sorriso de canto de boca, mas achei uma gracinha seu modo de dizer sim para as coisas gostosas de um relacionamento amoroso.

A água morna escorrendo pela sua pele fria, contornando seus ossinhos lindos, empoçando nas saboneteiras, os cabelos escorridos, grudados no rosto. Ela grudada em mim para ficar debaixo da poiuca água que caía do chuveiro.

Ensaboei-a com a delicadeza que ela merece, cuidei da minha namorada como se fosse uma… uma… como se fosse… como se fosse… como… como cuidaria da minha namorada! Não tem segredo! Sempre cuidei bem delas, dando a importância e atenção que elas mereciam. A última que tive, a Taís, está segurando minha guitarra nesse exato momento! Sempre as tratei bem e com a Bruna não seria diferente.

Mas nosso banho precisava ser breve. Debaixo do chuveiro o tempo voa!

Banho terminado, enxuguei-a com carinho, sentindo seu cheirinho gostoso e carreguei-a no colo até lá embaixo.

Era hora, infelizmente, de terminar o trabalho e entregar a Bruna, meu amor, perfeita para receber as últimas homenagens.

Quase chorei quando ela me olhou, suplicante, com os olhos negros, brilhantes e parados, pedindo que não a deixasse ir.

Conversei com ela, com toda calma, para convencê-la de que deveria ir, que havia pessoas queridas esperando por ela.

Mas a Bruna só ficou mais calma quando jurei que nunca a esqueceria.

E não falei mentira nenhuma!

Nos beijamos sentindo alguma coisa preciosa e insubstituível escorrer por entre os dedos da mão, como areia.

Uma despedida poética.

Respirei fundo, fechei os olhos por um momento e me concentrei.

Antes de vesti-la, dei mais uma lavada na Bruna por dentro e sequei seus cabelos.

Ela parecia mais conformada com a despedida. Eu já me conformei logo.

Abri a mala e peguei sua lingerie branca. Não resisti e aspirei o perfume cheiroso das peças.

Enquanto vestia o sutiã, a Bruna sorria para mim.

Enquanto vestia sua calcinha, não resisti e aspirei o perfume do amor. Acho que ela percebeu por causa do seu sorrisinho de canto de boca.

Para vestir nela o vestido azul claro, precisei levantar seu troco e ela aproveitou-se da situação para me abraçar. Demorei na operação de propósito.

Quando fui calçar seus sapatinhos, deixei de ser profissional e cobri de beijos seus pezinhos gelados, cheios de veias roxas e ossos salientes. Mas logo me recompus e pedi desculpas, simulando estar envergonhado e a Bruna achou graça.

Peguei-a no colo e deite-a no caixão todo forrado de cetim rosado, madeira trabalhada, com alças e fechos dourados. Maravilhoso como ela merece!

Era hora de fazer a maquiagem, deixa-la mais corada, com cor de vida e um leve sorriso nos lábios. E não consegui ser profissional dessa vez também e a Bruna adorou.

Mas como tudo que é bom, dura pouco… Não acredito nisso de jeito nenhum!

Dei um beijo de despedida na minha namorada, enquanto ela fechava os olhos com a minha ajuda.

Linda! Como merece ser lembrada!

Fechei a tampa do caixão, passei uma flanela na madeira e nas peças de metal, guardei a roupa com a qual ela chegou na mesma mala, vesti a minha, lavei, esterilizei e guardei o equipamento, borrifei bom-ar com perfume de lavanda no meu ateliê, apaguei a luz e subi.

Peguei um salgadinho na cozinha, meu celular e fone de ouvido, coloquei para tocar Iron Maiden, Dance of Death e fui esperar lá na rua. Estava um friozinho delicioso.

Enquanto tocava a nossa música, pensei, satisfeito, que se dessa noite de amor o útero da Bruna gerasse uma vida, mesmo que morta, não passaria de um musguinho coberto de vermes.

Uns dez minutos depois chega o Silvio com o rabecão da família.

Ele abaixa os bancos traseiros do seu Omega e o porta-malas fica gigantesco. Aí ele pode trazer esses serviços para mim sem que ninguém desconfie. Ele também usa o mesmo carro para ir buscar as sobrinhas na escola, no balé, no bailinho, levar a mãe ao mercado, namorar, ajudar os amigos a fazer mudança. Acho que o segredo são os vidros pretos.

E tem sempre um bom rock’n’roll para se ouvir naquele carro e cheiro de estofado novo.

O Silvio é o cara, por isso é meu sócio.

Serviço entregue, fui dormir com a certeza de ter passado a melhor noite de rock da minha vida!

rato

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6 comentários em “Dança da Morte (Carlos Henrique Gomes)

  1. Fabio D'Oliveira
    19 de agosto de 2015

    ☬ Dança da Morte
    ☫ Carlos Henrique Gomes

    ஒ Físico: Quando olhamos para a narrativa, e apenas para ela, parece que o autor tem alguma carga nessa área. Há certa harmonia. No entanto, quando se trata da habilidade geral, que inclui o fluxo temporal e a formação de frases, identificamos a realidade. O autor precisa melhorar muito. O texto não chega nem ao medíocre, no final das contas. O maior problema da leitura foi a mudança do tempo. A narrativa está no presente e, do nada, muda para o passado. É necessário escolher um fluxo temporal e segui-lo à risca. Algumas frases também estão estranhas e mal formadas. Preste mais atenção nisso também. Dẽ foco nesses dois aspectos no próximo conto e você verá que o resultado será bem melhor!

    ண Intelecto: A ideia parece original, mas não é. Quem conhece “Nekromantik”, “Aftermatch” e “Necrophilia: A Love Story” sabe que isso é verdade. O último tem a mesma pegada do conto, cheio de romantismo e simbolismo. Foi impossível associar a estas estórias. No entanto, existe uma diferença gritante entre essas obras e essa… O texto é bem inferior. Um enredo dessa magnitude deveria chocar. E isso não acontece em nenhuma parte do conto. Na realidade, você fica se perguntando quando vai acabar, principalmente por causa da sequência das músicas. Foi uma ideia boa, não me leve a mal, mas a forma como foi empregada realmente prejudicou o texto. Ficou cansativo demais. Avaliando tudo isso, acredito que o autor precisa exercitar melhor seu poder criativo e procurar plantar bons frutos dessa vez.

    ஜ Alma: O texto é feio, mas deveria ser horrível e repugnante. Em geral, quando decidimos tratar a violência como tema, precisamos estar cientes que será uma tarefa extremamente difícil. Não basta escrever bonito. É necessário criar um clima no texto. Fazer com que o leitor seja envolto por essa aura. Claro, violência gratuita nunca é bom, então deve ter uma razão para existir. Outra coisa que não vi nesse texto. Sem sentido para existir, é facilmente descartável.

    ௰ Egocentrismo: Não consegui gostar do texto por dois motivos: não inovou quando se trata de necrofilia e a leitura ficou muito cansativa. Além disso, quando leio um conto com um tema pesado, espero ficar, ao menos, tenso.

    Ω Final: Um texto que poderia ser melhor se a abordagem fosse diferente. Necrofilia não é um assunto comum, então seria fácil criar uma roupagem nova para esse tema. O autor precisa exercitar mais sua criatividade. E precisa investir na habilidade. O lado positivo é que ele tem potencial. O texto não está completamente ruim. A narrativa é concisa e a organização de ideias ficou excelente. Parabéns por isso! Mas não perca o foco! Procure a melhoria das questões levantadas.

    ௫ Nota: 5.

  2. Alan Machado de Almeida
    19 de agosto de 2015

    Adorei a ironia na parte do No More Lies, é claro que alguém que vive na fantasia não ia gostar dessa música. Conseguiu entrar no espírito das músicas sem parecer dissertativo, o que é muito difícil. Quanto a questão de politicamente correto, eu sempre achei que cabendo no contexto da história vale tudo. O que não pode, não por razões puristas, mas por ficar chato, é colocar cena forte que não adiciona nada. O que não é o caso. Já que obviamente gosta de Rock, recomendo essa música cujo tema tem tudo a ver com o seu conto. https://www.youtube.com/watch?v=TBxZITc0E5E

  3. Fabio Baptista
    19 de agosto de 2015

    E aí, Carlão!

    Cara, achei bem divertido esse conto. Divertido e politicamente incorreto (o que é ótimo!).

    Só pra não abandonar a velha rabugice: não curti muito o excesso de exclamações, principalmente no começo. E achei um “poiuco” e um “troco” (tronco) perdidos por aí.

    Bem legal, parabéns!

  4. Anorkinda Neide
    17 de agosto de 2015

    Gostei…
    no tanto que se possa gostar de necrofilia… 😛
    A loucura do personagem está bem explicitada, gostei do lance da mina lá segurando a guitarra, bizarro!
    O texto está bom…. parabéns!
    .
    a imagem da ratinha foi cruel! rsrsrs

    Abração ae e bj pra Vó Luiza!

  5. Claudia Roberta Angst
    17 de agosto de 2015

    Minha reação ao conto foi bem bipolar. Não sei se digo – ah, que fofo, que tratamento mais romântico à amada; ou se faço careta e solto um palavrão – ai, que nojo. Na verdade, acho que o lado romântico ganhou por causa das descrições cuidadosas, valorizando o olhar da mocinha, suas qualidades fúnebre e a delicadeza com que o narrador descreve sua relação com a “noiva cadáver” (minha filha adora essa animação e assistimos dezenas de vezes ao DVD).
    Achei a leitura instigante, ao mesmo tempo fácil e com um ótimo ritmo.
    Na revisão, só escaparam alguns acentos – deixa-la = deixá-la.
    Em suma, apreciei bastante o conto e tirando a imagem final – eca, odeio ratos – eu fiquei muito bem impressionada com a sua criação. Parabéns!

  6. juliano marques
    17 de agosto de 2015

    Um ótimo e necrófilo conto, parabéns.

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Publicado às 16 de agosto de 2015 por em Contos Off-Desafio e marcado .