EntreContos

Detox Literário.

Passagem (Maria Santino)

Passagem - Cabeça de alfinete

Arigó, de nascimento: Cícero Sant’Anna, respondeu prontamente à voz surda que só ele ouviu.

— Tô indo, meu pai!

E num movimento brusco, despertou. Não de todo. Na mente embaralhada pelo peso de seus oitenta e seis anos de idade, ideias soltas roçavam, fiapos se emaranhavam cada vez mais com o nascer e morrer do dia. Quando menino e moço, acordava com o canto do galo para tirar leite da vaca, dar milho para as galinhas e estar pronto para ir com o pai e os irmãos roçar o mato da plantação. “Quem dorme até tarde é Barão. Pobre só ajunta alguma coisa, madrugando”. Era o que o pai dizia. Mas agora Arigó já não era mais menino e nem moço, a boca seca e o chiado nos ouvidos eram constantes, mesmo com os remédios para o diabetes e hipertensão. Lembrou-se de Agustina, mulher miúda que havia lhe dado três filhos — fosse seis se todos tivessem vingado —, e tateou com avidez pela cama, na escuridão do quarto, desejando encontrá-la. Nada.

Levantou sentindo tontura e a vista turva, e logo a incontinência urinária o fez molhar toda a calça deixando o piso frio ser aquecido pelo mijo. “Isso não é vida.” Pensou num muxoxo triste, e perguntou-se o que havia acontecido com todo o seu vigor.

O céu começava a ficar luzidio quando Arigó arrastou sua velha cadeira de balanço até a porta de entrada, fazendo o atrito de ferro na cerâmica ecoar pela casa e ferir os ouvidos de Filomena, a filha caçula de trinta e oito anos, gorda e irritadiça. Sozinha em sua mesquinhez ela bufou com aquele breve susto, remexendo as carnes rosadas sobre a cama. Arigó, por sua vez, também se remexeu pousando as mãos cruzadas sobre o ventre disforme da cirurgia mal cicatrizada, e tentou organizar as ideias. Sem sucesso.

Transeuntes acenaram da rua em resposta ao seu gesto de tanger as cabras que só existiam na memória, e quando o velho homem se dava conta disso, um suspiro duro lhe rasgava a garganta. Sentia-se um estranho num mundo que mudava com frequência sem que ele pudesse familiarizar-se. A dor da viuvez amargava na boca e a morte do único filho varão também o deixava ferido, provocando sustos todas as vezes que vinha o intendo de vê-los seguido da lembrança de que aquilo já não era possível.  Sozinho em embalos queixosos, tentava consolar-se, porém a ausência de remédios acelerava as batidas no peito, numa inquietação crescente junto com a fome voraz.

Abriu a boca a fim de chamar pela filha, mas um medo gradativo efervesceu quando percebeu não lembrar-se mais do nome dela. Negando essa ideia com a cabeça, o indicador correu sobre os outros dedos enquanto contava os membros de sua genealogia, a língua ia e vinha na boca coçando o palato e provocando a tosse seca que mais uma vez permitia a urina em jatos curtos. Os olhos cor de ardósia perscrutavam o vazio fazendo-o sentir-se perdido dentro de si mesmo, como em um nevoeiro. Restava-lhe somente pedir ao pai e a mãe, já sepultados, o café com leite e o pão, pois tinha fome.

****

Naquela manhã um desejo repentino transpassou a cabecinha idosa de cabelos teimosos que insistiam em permanecer negros, mesmo que em quantidade muito pequena. E Cícero Arigó quis desbravar o mundo da mesma forma que havia feito quando rapaz. Ah! Mas como saiu empolgado naquele dia, ao lado de Benna e Raimundo (meio primos, meio irmãos) e sumiram de Sobral, a fim de enriquecer em Serra Pelada. A sanfona, zabumba e triângulo foram colocados para trabalhar e lhes renderam alguns trocados para seguirem até o destino. Mas quando descobriram o toque de Midas ao avesso, a sanfona foi a primeira a ser sacrificada num pequeno armazém, e o orgulho tolo não permitiu que ele voltasse para casa dos pais impelindo-o Brasil afora.

O Sol já ia alto e as pessoas seguiam apressadas na rua indiferentes ao sanfoneiro habilidoso que dedilhava os teclados invisíveis de sua sanfona cheia de sarcomas trazidos pelo Sol e pelo tempo. Logo a cadeira de balanço foi abandonada e cessou seus movimentou de imediato enquanto as perninhas fracas e inchadas chegavam até o portão num suplício lamurioso.  As grossas mãos puxaram o trinco e as pessoas observaram-no assustadas, como se ele fosse um ser de outro planeta.

Deitada em sua estreita cama, Filomena seguia adormecida. Os remédios e o magro desjejum do pai só seriam dados lá pelas nove horas, pois ela não conseguia despertar antes disso. Talvez toda aquela moleza fosse culpa do próprio Cícero, quando permitia que sua caçulinha ficasse deitada até mais tarde. Era a filha de sua velhice e ele se lembrava do quão desagradável era perder o sono quando menino, e do tanto que gostaria que o pai houvesse permitido o mesmo.

****

O pão e o café apareceram sobre a mesinha, seguido das duas pílulas de cor clara, uma dose apressada prescrita pela preguiça. “Tá com manha hoje.” Pensou Filomena quando encontrou a cadeira de balanço vazia. Com seus modos rudes ela saiu batendo as portas e chamando pelo pai, decrescendo a raiva e aumentando a cisma.

— O danado fugiu de novo!

E enojada limpava o piso do quarto de Arigó, na certeza de que alguém brevemente o traria de volta assim que ele chegasse ao final do quarteirão, lugar até onde conseguia ir antes das ideias se confundirem e desejar os embalos de sua cadeira em frente à porta. “Ei, tu sabe onde eu moro?” Era o que Filomena imaginava que iria acontecer novamente. Mas o velho Cícero não deu as caras, e assim que o almoço foi colocado no fogo, a mulher grande dependurou-se no telefone.

— Fica assim não, mana, ele aparece. Tu deu os remédios dele?

E as duas pílulas acusadoras queimaram as vistas de Filomena que respondeu apressada:

— A-ham.

— Então.

Filomena levantou as portas do pequeno ateliê para consertos de roupas, e a TV retirou sua atenção. Somente quando a barriga roncou é que ela se lembrou mais uma vez do pai e se agitou. A irmã mais velha correu do centro da cidade e as duas ficaram se enganando pela casa enquanto trocavam acusações.

— É tu que dorme até tarde.

— Então leva ele pra tua casa, ora!

— Eu não, tenho filha menina, e não quero ela vendo as bronhas nojentas do papai pra mulher do jornal.

— Runf!

— Rum, o quê?

E o tempo passava. Só prestes a anoitecer é que o pai surgiu no portão amparado por uma vizinha. Vinha enlameado e mal cheiroso com nódoas amarelecidas que se somavam a outras.

— Mas papai… Isso é brincadeira?

E sobre uma cadeira de plástico as duas davam-lhe banho, esguichando água com uma mangueira enquanto despejavam reprimendas.

Por um ou dois dias os remédios vieram certos, houve companhia café e almoço. Mas se ele lembrava e tentava falar onde havia estado e o que tinha feito, Filomena espanava o intento com um gesto de mãos, mandando-o prestar atenção na novela. E assim Arigó se calava e as memórias se perdiam em meio às outras.

Em seu ateliê Filomena vigiava o pai, mesmo que só colocasse a cabeça para fora quando alguém acenava da rua para ele. Arigó, resignado, sentia a dor da ausência de visitas e a falta de interesse para consigo. Gostava era da casa cheia, dos meninos correndo no quintal como antes, ou sentados diante dele para ouvir os causos de assombração. E se agora olhava para os seios das filhas, era pela ausência de tino e pelo susto do tempo decorrido.

****

A segunda fuga veio de madrugada assim como o retorno, com as passadas arrastadas. Ah! Mas Filomena gritou alto num gesto que nem a mãe de Arigó fizera, e ameaçou amarrá-lo na cadeira. Carrancudo, o pai só desejou articular corretamente para poder mandar tudo à merda.

Em pouco tempo as noites perderam a paz, as chaves foram escondidas obrigando Cícero a permanecer recluso. No escuro ele percorria de lá para cá, pisoteando o chão com os calcanhares e provocando sons que despertavam Filomena. Então ela o levava de volta para cama e ele arregalava os olhos como se não mais reconhecesse a filha.

A consulta urgente só aconteceria depois de quinze dias, pois o médico da casinha próxima estava em férias.

— É demência de velho. Não sei pra quê perder tempo. — Reclamava Filomena para a irmã mais velha, responsável por agendar a visita médica.

 

****

— Eu já vô!

E a voz alegre fez a filha perder um ou dois lances novelescos.

— Vai pra onde, pai?

O sorriso banguela vinha seguido do assentimento breve, e não demorava para que ele repetisse mais uma vez:

— Eu já vô!

A chave foi passada na fechadura em duas voltas, janelas foram vedadas e Filomena, num ato de bondade, escancarou a porta do seu quarto para observar quando o pai sairia pela casa fazendo o alarde noturno, mas nada foi ouvido. Num sono reconfortante, a mulher desquitada quando ainda era jovem, dormiu até as dez, e quando levou o café e remédios até o pai, constatou num susto rápido que ele havia mesmo ido embora.

****

Até que a casa se encheu de visita em roda do caixão do velho Arigó. E as filhas o olharam com ternura de mãos dadas lembrando dos bons tempos de risos quando meninas. Na parede, Agustina, a mãe, e o irmão pareciam que também velavam o corpo vazio rodeado de flores de plástico. A neta e o neto olhavam apáticos, pois o contato era pouco, mas respeitavam o momento não cedendo ao desejo de correr pela casa e brincar de pega pega com as outras crianças filhas dos visitantes.

Num outro plano, Cícero Sant’Anna, observava aquele mundo estranho do qual saíra, com pessoas de fala apressada e voz pontiaguda como facas. Olhava para si mesmo banhado de luz e se comparava àquelas estranhas criaturas com olhos maiores que a barriga, cabeças enormes e cérebro de alfinete. Não havia susto ou medo, só um conforto quente como um gole de vinho. Rodeado de outros rostos amigos, Cícero se afastou dos seres tolos, de pouco brilho que tentavam permanecer unidos em roda do singelo esquife de madeira.

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Este texto foi baseado no tema “Alienígenas”, sujeito ao limite máximo de 2000 palavras.

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41 comentários em “Passagem (Maria Santino)

  1. mariasantino1
    29 de abril de 2015

    Fala, pessoas!

    Muito obrigada mesmo a todos que se dispuseram a ler meu conto, comentar apontando suas impressões. Nenhum comentário aqui é dispensável, nenhum tem menor peso ou representa menos, pois, para mim, o importante mesmo é saber se consegui tocar alguém com minhas palavras, se consegui arquitetar algo que deixe algum sabor na boca depois de deglutido (e quem engole sem mastigar não degusta — Em todos os sentidos). Quis repassar uma SITUAÇÃO referente ao tema, e não alienígenas de outros planetas, mas sim o universo retirado de alguém sem aviso prévio. Percebo que alguns viram por esse prisma e outros não. Agradeço também a revisão, pois eu jurei que não viria aqui chorar pelo leite derramado depois de notar alguns absurdos, mas juro que INTENDO, no lugar de INTENTO foi algo novo, não havia visto mesmo e fico revoltada comigo, pois essa palavra eu uso a todo instante.
    Para finalizar, obrigada aos amigos que mesmo percebendo que o texto era meu, ainda mantiveram a imparcialidade no comentário. Nunca irei me chatear com a sinceridade e sim com o contrário. Mais uma vez agradeço ao tempo cedido e atenção dispensada na leitura.
    Abraço!

  2. Tamara padilha
    28 de abril de 2015

    Que conto… bonito. Pelo título eu comecei não dando credibilidade. Pelo tema também não. Mas me surpreendeu. A impaciência das filhas com o velhinho, jogando ele de lado a lado… E ele só querendo ser entendido e cuidado. Realista. Fiquei reflexiva.

  3. Thales Soares
    28 de abril de 2015

    Gostei.

    Alienígenas sempre é algo que me empolga. A escrita aqui ficou muito boa, proporcionando uma leitura prazerosa. O tamanho do texto ficou ideal, não o tornando muito cansativo. A história me empolgou, principalmente no final… acho que estraguei um pouco da surpresa por ter lido o tema antes de começar a ler… mas mesmo assim me senti surpreendido com o final.

  4. Swylmar Ferreira
    28 de abril de 2015

    Ainda estou pensando se atendeu ao tema.
    E um conto muito bom, bem escrito, a linguagem usada é fácil e o conto facilita a leitura. Entendi que o personagem principal tornou-se no final de sua vida um alienígena para sua família.

  5. Wilson Barros Júnior
    28 de abril de 2015

    Puxa, o começo é um retrato perfeito e aterrorizante da velhice – aliás o conto inteiro. Gostei da sua definição, “toque de midas ao avesso”, é muito familiar. Aliás, suas descrições são muito boas, tipo “a casa se encheu de visita em roda do caixão”, as discussões das duas irmãs, todos os diálogos são muito espontâneos, naturais, reais. Todo o conto é aconchegante como um gole de vinho, leve, divertido, curioso, surpreendente. Muito legal.

  6. Bia Machado
    28 de abril de 2015

    Não tive nenhuma dificuldade em ler, pelo contrário. Se essa história fosse beeem mais longa, leria da mesma forma, e aqui há algo diferente do último conto que li: pode parecer não estar dentro do tema, mas para mim está, embora eu ache que poderia ter abordado mais a questão alienígena na história, porém reforço que gostei bastante da dinâmica do texto. Alguns problemas na gramática, procure fazer uma boa revisão.
    Emoção: 2/2
    Enredo: 1/2
    Criatividade: 2/2
    Adequação ao tema proposto: 1/2
    Gramática: 1/1
    Utilização do limite:1/1
    Total: 8

  7. Jefferson Reis
    28 de abril de 2015

    Esse conto me lembrou outro, de uma escritora matogrossense chamada Tereza Albues. No conto de Albues, uma moça, desde criança, mantém esporádicos contatos com seres estranhos do espaço. “Passagem” deixa subentendidas as visitas de seres alienígenas, deixando para o leitor decifrar, decidir ou sentir para onde Arigó ia quando fugia ou quem eram os amigos que o receberam em outro plano. O que o conto me fez pensar realmente foi que devemos cuidar melhor das pessoas que nos são queridas.

  8. Wender Lemes
    28 de abril de 2015

    Olá! Seu conto é interessante e bem escrito, mas o tema parece ter ficado um pouco de lado. Imaginei a comparação dos planos que fogem ao terreno, mas ela ficaria implícita ao final, e mesmo assim muito implícita. O cenário e as descrições são interessantes. De todo modo, parabéns e boa sorte.

  9. Fil Felix
    28 de abril de 2015

    Conto bem escrito e narrado, com um regionalismo característico. Gostei dele pela pegada dramática, sobre como desenvolveu o personagem, desde a juventude até a velhice. Mas, sinceramente, achei o final muito Deus Ex Machina, destoou muito e acabei não curtindo tanto =/

  10. mkalves
    27 de abril de 2015

    Uma narrativa tocante, que me fez sentir a solidão e as perdas do velho, mas também me fez ficar esperando algum desenlace não óbvio, que não veio. Quando chequei o tema, não consegui encontrar relação entre a trama e alienígenas. O final mencionando olhos maiores que barrigas e cérebros de cabeça de alfinete pareceram um remendo em uma história de outra temática.

  11. Rodrigues
    27 de abril de 2015

    Achei a história bem terna, o personagem mais interessante é o próprio Arigó, por vezes engraçado. A situação toda parece bem real, obra de quem provavelmente viveu de perto esse drama, pois está tudo aí, a doença afetando todos em volta, a incapacidade de fazer as coisas sozinho, a falta de paciência de quem cuida e tal. No entanto, não gostei muito da forma como o autor abordou a doença do velho. Achei um conto regular.

  12. Pedro Luna
    27 de abril de 2015

    Achei que o tema passou de raspão. No mais, não gostei porque não foi além daquela história do velho homem, suas memórias e a vida ingrata do presente envelhecido. A trama não desafiou. A escrita é boa, só não gostei da história.

  13. Anorkinda Neide
    26 de abril de 2015

    óin…
    — Eu já vô!
    Como não amar esse véinho? eu tenho um em casa…será um ET? ohhh ceus!!

    Apesar da identificação como enredo, sinto que faltou justamente colocar uma emoção na narrativa, parece-me mais uma exposição de fatos, acontecimentos, faltou uma pegadinha de emoção, pra rolar uma lagriminha…rsrsrs

    Achei forçado o final extraterreno, pareceu q foi só pra se adequar ao tema, pois ao menos eu não percebi nenhum indício de q o véinho fosse extraterrestre no decurso do texto.

    Mas é um bom conto, parabens! 😉

  14. Pétrya Bischoff
    25 de abril de 2015

    Pois bem, a narrativa é gostosa e convidativa, as descrições são simpáticas e ricas e a escrita é clara. Ainda bem que a abordagem da velhice foi menos densa, mesmo pormenorizando as mazelas da idade avançada, pois os velhinhos sempre me dão dó. Mas esse foi fofo. Acredito que a temática esteja sim presente, só com uma visão diferente da usual. Parabéns e boa sorte.

  15. vitor leite
    25 de abril de 2015

    história muito bem contada, e só lamento que não tenha mais linguagem poética que apresenta pontualmente, mas muitos parabéns

  16. Leonardo Jardim
    24 de abril de 2015

    ♒ Trama: (4/5) é gostosa de ler e, mesmo narrando a angústia de um velho preso ao seu corpo doente, acaba sendo divertida. Encerra-se bem, com o desencarne do velho, desatando as amarras do corpo — um conto espírita. Confesso, porém, que esperei ser surpreendido em algum momento por algo fantástico, como a presença do alienígena do tema ou, talvez, estes fossem espíritos e coisas do tipo…

    ✍ Técnica: (3/5) é boa e narra com clareza, transmitindo bem as dificuldades do velho. Pecou apenas em alguns problemas de pontuação apontados abaixo.

    ➵ Tema: (1/2) não tem alienígena como o autor que sugeriu o tema imaginou e por isso pensei um dar zero nesse quesito. Mas olhando para a definição de dicionário da palavra, o conto está parcialmente aderente.

    ☀ Criatividade: (2/3) achei criativo, mas o desencarne acabou caindo no lugar comum.

    ☯ Emoção/Impacto: (3/5) gostei do conto e me diverti como disse acima, mas senti falta de uma surpresa maior no final. O conto começou e encerrou no mesmo ritmo.

    Problemas de pontuação encontrados:
    ● Sozinha em sua mesquinhez *vírgula* ela bufou
    ● Naquela manhã *vírgula* um desejo repentino
    ● E *vírgula* enojada *vírgula* limpava o piso do quarto de Arigó
    ● Em seu ateliê *vírgula* Filomena vigiava o pai
    ● Em pouco tempo *vírgula* as noites perderam a paz

  17. Felipe Moreira
    24 de abril de 2015

    Não poderia imaginar que o conto estava se encaixando no tema alienígenas. Gostei do conto pela ambientação, a cabeça das personagens e como Arigó movimentava suas vidas. O texto me cativou até o penúltimo parágrafo. Essa revelação com ele noutro plano. O jeito de Filomena me fez rir algumas vezes, por ser tão caricato em sua maneira. Por mais dramática que essa situação possa ser, a julgar pela condição do Arigó, o trecho que gerou a raiva de Filomena após a segunda fuga foi hilário.

    Parabéns pelo trabalho e boa sorte no desafio.

  18. rsollberg
    23 de abril de 2015

    Gostei do texto.
    O estilo da narrativa me conquistou, o regionalismo bem empregado dá sempre um charme.

    Fiquei um pouquinho perdido no meio do conto, mas logo em seguida me achei.
    Bem, o final foi meio abrupto e não fez muito a minha cabeça, confesso que gostei muito mais do início e esperava algo mais surpreendente no final.

    Essa mudança de plano não me convenceu com uma história de “Alienígenas” propriamente dita. A coisa toda me soou como algo mais espiritual, sei lá. Posso estar equivocado, ou com uma ideia preconcebida, mas realmente tive dificuldade de ver o tema. Tento criar uma linha objetiva para dar minhas notas, mas também não posso ignorar por completo a subjetividade das preferências. Portanto, tentarei ser o mais justo possível dentro destes parâmetros.

    Bem escrito, amarrado e conduzido/problema com o tema, final morno.

    Parabéns e boa sorte no desafio,

  19. Andre Luiz
    22 de abril de 2015

    Olha, cara, apesar de ter achado seu texto lento de ler, sem muita emoção na leitura, gostei da forma como você descreveu a apatia do velho e sua relação conturbada com as filhas, que o fez aquietar-se cada vez mais. Ao fim, percebemos (talvez) que Cícero é na verdade um alienígena, sabe-se lá porque visitando a Terra. Encontrei esta e outras pontas soltas que talvez poderiam ter sido melhor explicadas. Entretanto, foi uma leitura boa e muito bem ilustrada.

  20. Tiago Volpato
    21 de abril de 2015

    Provavelmente tem alguma explicação metafórica pro tema, mas eu não achei que você o explorou. O texto tá bem escrito, mas não é o tipo de história pelo qual eu me interesso.

  21. Carlos Henrique Fernandes Gomes
    21 de abril de 2015

    Não entendi a relação entre velhice e alienígenas nem nas partes que pudesse sugerir isso, como na cena do velório! Seu conto me fez lembrar das dificuldade passadas com a doce e inesquecível vó Luíza, mas em momento algum consegui relacionar o causo com alienígenas. Seria até nota dez pela magnífica narrativa do dia-a-dia do velhinho e da cuidadora, se não fosse o tema alienígenas. Você narrou com excelência, de forma que todos entendam, como é o dia-a-dia de um velhinho rumo à demência pela senilidade e isso foi maravilhoso, já que está em falta na literatura como um todo uma narrativa dessa forma que não dá aquela sensação de repugnância pela velhice, de si mesmo ou de outrem. E mesmo que se pense mal da Filomena, a certeza é que ela fez o que conseguiu fazer e, nesse caso, ter essa certeza e não sentir culpa é o que faz a gente lembrar das coisas boas vividas com o velhinho, o melhor tributo à ele. E se isso é ser cabeça de alfinete… não sei o que pode ser cabeça grandemente elevada. Sua arte e habilidade em narrar uma coisa tão linda (mesmo com as dores, esquecimentos, monte de remédio, incontinência urinária e outras coisinhas do kit velhice) e com tantos detalhes de um dia-a-dia de verdade, sem contos de fadas idosas, é de aplaudir de pé!

  22. Ricardo Gnecco Falco
    21 de abril de 2015

    Muito bem escrito. Gostei da prosa e fui lendo sem nenhum entrave até o final. A despedida do protagonista conseguiu até me emocionar, dada a singeleza com que é narrada.
    Adequação ao tema proposto, realmente, poderia até dizer que ficou forçado. Mas o texto é bem subjetivo e, assim, vale ampliar a abordagem.
    Parabéns pelo belo trabalho!
    Boa sorte!
    Paz e Bem!
    🙂

  23. Virginia Ossovski
    19 de abril de 2015

    Adorei a história… bom, não entendi a relação com o tema, talvez tenha sido o final, mas gostei mesmo assim. Emocionante o fim da vida do Cícero, pena que a família que ele tanto amou não lhe deu a atenção que merecia. Parabéns, uma linda história !

  24. Marquidones Filho
    18 de abril de 2015

    Achei interessante a forma de se abordar o tema, muito embora eu ache ele ficasse melhor encaixado sob outros títulos que tem mais a ver com o corpo do conto como um todo.

  25. Gilson Raimundo
    18 de abril de 2015

    Gostei muito do texto , li sem me preocupar com o tema que viria a descobrir apenas no fim. Me decepcionei um pouco, este conto poderia ser sobre tantas outras coisas mas os alienígenas apareceram de uma forma anti-natural que desmereceu todas a expectativas. o texto é irreparável, mas não acetou com o tema, opinião pessoal.

  26. Cácia Leal
    16 de abril de 2015

    Fiquei confusa com relação ao tema em si, me pareceu muito pouco tocado. No último parágrafo apenas faz uma breve referência a alienígenas, mas confunde com um momento pós morte. O conto está bem escrito e retrata uma cena cotidiana de um idoso, em idade avançada. Parece legal, mas sinto que faltou algo para prender melhor o leitor.

    Suas notas:

    Gramática: 9
    Criatividade: 5
    adequação ao tema: 5
    utilização do limite: 10
    emoção: 5
    enredo: 4

  27. rubemcabral
    16 de abril de 2015

    Um conto bonito, bem escrito e com um personagem principal bem desenhado. Só achei que não atendeu ao tema proposto.

  28. Sidney Muniz
    15 de abril de 2015

    O ponto alto desse seu conto autor(a) é o jeitinho gostoso da narrativa. A principio me veio a mente uma autora que tem me agradado muito, e me ensinado a gostar desse tom, e realmente gostei disso, um conto bem contado, de fato.

    Como equívoco em relação a língua pátria só encontrei isso:

    cessou seus movimentou – movimentos

    Quanto ao enredo, é bom, mas não me atraiu o bastante. Algumas idas e vindas me soaram meio novela, e as informações sobre isso não foram suficiente, talvez pelo limite de palavras aliada a uma grande ideia que carecesse de mais imagens. O próprio desfecho em si é muito repentino e resumido. Não me desagradou, mas não me agradou como a maioria dos contos tem me agradado.

    Faltou o “algo a mais” mas essa é apenas minha opinião e outros certamente gostaram bastante!

    parabéns e boa sorte, sempre!

  29. Jowilton Amaral da Costa
    14 de abril de 2015

    É um ótimo conto, mas, não sei se encaixa no tema sugerido. Talvez seja uma outra visão de alienígenas, que para mim, não convenceu. Mas, enfim, é uma boa narrativa com uma mescla muito bem dosada de drama e humor. Boa sorte.

  30. JC Lemos
    11 de abril de 2015

    Olá, autor (a)! Beleza? O final foi surpreendente.

    Sobre a técnica.
    Muito boa. Gostei bastante da narração e de como algumas belas passagens foram encontradas no decorrer. Você narrou e deu vida ao que fez. Gostei.

    Sobre o enredo.
    Gostei bastante, porque o final não condiz com o restante da narração. Foi uma surpresa muito agradável, pois eu não vi qual era o tema antes de começar. Gostei da realidade do texto, da melancolia impregnando cada linha.

    Sobre o tema.
    Muito bom. Gosto de escrever sobre Aliens e sci-fi em geral. Você fez um bom trabalho, fugindo do comum.

    Nota.
    Técnica: 8,0
    Enredo: 8,0
    Tema: 8,0

    Parabéns pelo bom trabalho! Boa sorte!

  31. José Leonardo
    11 de abril de 2015

    Olá, autor(a). Creio que o presente texto está centrado na senilidade, nesse estado mental quase irrecuperável. Cícero Arigó mal consegue discernir alguns elementos; parece viver imerso nos flashes/desejos do passado que teimam em ocupar-lhe a mente e injetar-lhe esperanças vazias.

    De maneira geral, é um conto bem escrito, fiel nos diálogos, ainda que haja incorreções que necessitam ser dirimidas (uso correto da vírgula, por exemplo); também sugiro reformular o parágrafo inicial (ou somente suprimir o sinal de dois-pontos, pois penso que ali é desnecessário).

    Quanto à adequação ao tema: de fato, só o percebemos no último parágrafo, no “apagar das luzes”. Mais: os seres não interagem, são somente citados — e não duvido que possam ser confundidos com fantasmas, de forma que o tema proposto ficou apagado, inexpressivo (essa utilização exígua deixou a desejar).

    Abraços e boa sorte neste desafio.

  32. simoni dário
    10 de abril de 2015

    É um ótimo conto, só não sei se entendi bem a inserção do tema Alienígenas no texto. Está bem escrito e bem narrado, a leitura flui bem, e se entendi o final, meio abstrato, meio explicado, até que gostei. O enredo é profundo e leve. Enfim, gostoso de ler. Parabéns e boa sorte!

  33. Claudia Roberta Angst
    10 de abril de 2015

    Oi? Agora só que fui ver qual era o tema proposto e fiquei surpresa. Alienígenas eram os membros da família de Arigó ou ele é que se tornara um ET?
    Gostei da narrativa, fluída e simples, embora utilizando imagens bem elaboradas. O autor sabe lidar bem com as palavras.
    Só a adequação ao tema é que me deixou confusa. Discutiremos filosofia ou interpretação de texto?
    Mas gostei do seu trabalho. Boa sorte!

  34. Eduardo Selga
    10 de abril de 2015

    Para valer a pena ser escrita, a prosa em ficção precisa falar das profundezas do Homem, esse desconhecido. Precisa sair do código estético baseado no espetáculo, que sobrevaloriza a ação incessante, a cor intensa, a gargalhada imensa e outros sons agudos demais. O contista precisa parar de correr, olhar em volta e sentir mais do que as fachadas das pessoas e dos outdoors: entrar na assustadora e linda alma humana; precisa não se preocupar em sentir intensidades coloridas e observar os matizes pastéis; precisa entristecer as palavras e fazê-las chorar, sem, contudo, cair na pieguice. Ou seja, é preciso refinar a palavra para ser um bom contista. Só assim elas dirão a que vieram. Dirão suas múltiplas possibilidades.

    Esse conto é emocionante.

    O universo externo perdendo o sentido, se desfazendo, é apenas uma percepção distorcida do personagem senil ou esse universo sempre foi assim e é a velhice que consegue fazer com que se enxergue como ele de fato é? de repente viver faz tão pouco sentido que é com muita naturalidade que se diz nas fuças dele “— Eu já vô!”.

    Já olharam para os lados e repararam que monstros não existem? Ou melhor: existem nas diversas ficções humanas, dado que monstro é uma criação nossa, revelando o quanto de escuridão pode haver na alma.

    Por isso pergunto: Filomena, que “era a filha de sua velhice”, é um monstro?

    Não. O desprezo, a total desconsideração que sente pelo pai (e não está sozinha nessa monstruosidade, a outra irmã ajuda) é absolutamente humana. É a impaciência da geração mais nova para com a mais velha, sua origem. O menosprezo de Filomena é nossa tendência em cuspir no prato no qual comemos, como que a provar o quanto podemos, o quanto nos bastamos. Monstruosamente.

    Como já disse no início, a palavra agradece quando bem afagada. Há trechos no conto em que a dimensão poética da palavra é empregada, sem necessariamente fazer uso de recursos explícitos do poético, como a regularidade rítmica. Aliás, é só aos poucos que a poesia se mostra no conto, como em “Os olhos cor de ardósia perscrutavam o vazio fazendo-o sentir-se perdido dentro de si mesmo, como em um nevoeiro”.

    Os nossos nevoeiros… Foi isso que Filomena não entendeu, a humana existência de nevoeiros, muito mais espessos que sua enorme preguiça.

    GRAMATICALIDADES

    Em “[…] que havia lhe dado três filhos — fosse seis se todos tivessem vingado — […]”, acredito que o correto é SERIAM SEIS ou ainda TERIAM SIDO.

    Em “[…] vinha o intendo de vê-los seguido […]” o correto me parece ser INTENTO.

  35. André Lima dos Santos
    10 de abril de 2015

    Seu conto foi ótimo, mas me decepcionei quando li o tema (Alienígenas) e a justificativa que você deu no texto…

    Estava muito legal, envolvente, me prendeu bastante… Mas alienígena????

  36. Fabio Baptista
    9 de abril de 2015

    Está bem escrito, com um regionalismo que me trava um pouco a leitura às vezes.

    Gostei do personagem principal, mas infelizmente o carisma dele não foi suficiente para segurar a trama.

    Não entendi muito bem o final… provavelmente por isso não tenha visto muitos alienígenas por aí.

    NOTA : 5

    • Fabio Baptista
      9 de abril de 2015

      Em tempo: no final tive mais a sensação de passagem para o mundo espiritual do que de abdução ou algo similar.

  37. Neusa Maria Fontolan
    8 de abril de 2015

    Tadinho do véio… Realidade triste e acontece muito. Achei meio fora do tema, mas o conto ficou bom.

  38. Brian Oliveira Lancaster
    7 de abril de 2015

    E: Um clima de casa de vó bem aconchegante. Nota 9.

    G: Curti o estilo leve e fluente, bem como o tom melancólico do cotidiano do personagem principal. É um conto bem singelo e consegui entender o segredo que ele guardava ao ler o final. O clima geral é instigante. Nota 9.

    U: Não encontrei nada fora de ordem ou erros gramaticais. Bem suave. Nota 9.

    A: Fiquei curioso com o tema, após ler o texto. O que será que o autor quis transmitir? Ou o que ele imaginou ao construir essa história? O final dá a entender que ocorreu uma morte natural, mas também pode se aplicar à abdução. Confesso que o texto me cativou bastante, mas não vi tanta ligação com o tema. Nota 7.

    Média: 8.

  39. Rafael Magiolino
    7 de abril de 2015

    Precisei reler o texto para conseguir compreender toda sua essência e concluí que foi um ótimo trabalho. O autor se saiu muito bem ao trabalhar com um limite curto para uma ideia complexa.Porém, conseguiu utilizar todas as palavras sabiamente.

    Abraço e boa sorte!

  40. Alan Machado de Almeida
    6 de abril de 2015

    Eu gostei da leitura. Achei a leitura dinâmica e, portanto, não gera cansaço ao leitor ao longo do tempo. Apenas achei que o texto estaria vinculado a alguma questão sobrenatural. No último parágrafo é que é revelado a temática alienígena. Mas não achei que isso foi um defeito. Foi sim, uma interessante surpresa.

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Publicado às 4 de abril de 2015 por em Multi Temas e marcado .