EntreContos

Detox Literário.

Desforra (Maurem Kayna)

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– Estamos tentando há quatro meses. Murilo tá ficando grilado, acha que devemos fazer uns exames, já falou em adoção até.

– Mas quatro meses não é um tempo pra pirar, Luana. Quanto tempo você tomou pílula?

– A vida toda desde que comecei a transar, ué. Mas depois dos trinta, se não vem logo, o risco de não rolar é grande.

– Não sei de onde você tirou isso. Vai trepar desencanada que logo logo eu vou ter que rejeitar teu convite pra madrinha, que isso não é minha praia.

– Credo, Marina. Você diz isso porque ainda não despertou seu relógio biológico. Com a sua idade eu também achava que nem ia querer ter filhos.

– Meu relógio já gritou faz tempo, Luana, mas o compromisso é outro.

O tom brincalhão da irmã mais nova permitiu que terminassem o café em clima descontraído. Dali iriam ao supermercado comprar o necessário para o jantar de aniversário da mãe, que já não se referia a si mesma apenas como viúva do Paulo.  Durante um longo tempo depois da morte do marido, não havia um dia em que não se penitenciasse junto às filhas por ter desejado em voz alta que ele pagasse pelas bebedeiras que tantas vezes desaguavam em hematomas escondidos pelas roupas de grife.

Naqueles primeiros meses, Luana se desdobrara para tirar aquela ideia sem sentido da cabeça da mãe, enquanto Marina apenas a olhava compassiva. Exatamente como no dia em que surpreendeu a mãe cheia de marcas roxas dos braços, chorando baixinho no banheiro. Relutante, dona Lúcia confessou o destempero do marido, desculpando-o para a filha, afinal ela não deveria ter criticado o cheiro de whisky quando ele chegou. Marina abraçou a mãe e prometeu que aquilo nunca mais se repetiria. Dona Lucia concordou e ainda insistiu que ele já havia pedido perdão e jurado não voltar a passar dos limites na bebida. Mas a menina não era boba e mesmo sem nunca ter testemunhado antes o estado da mãe, teve certeza de que aquela não fora a primeira e, sem alguma intervenção, não seria a última vez.

No domingo seguinte, ainda com a alma destroçada, dona Lucia serviu o almoço com o sorriso que as filhas conheciam desde sempre. Paulo não mostrou variações na sua rabugice, mas notava-se um ar vagamente constrangido ao passar a salada para o genro. Depois do café, quando recolhia a mesa com a ajuda de Marina, Lucia perdeu-se numa fantasia anestesiante – o carro de Paulo espatifando-se contra um poste na próxima bebedeira que ele tomasse. Foi exatamente o que Marina desenhou, com esmero, para preencher a insônia. Na semana seguinte, quando terminou os últimos detalhes do desenho, a cena encontrou seu pai, em plena Marginal Pinheiros.

O retrato da irmã grávida e feliz foi desenhado dois dias depois da conversa delas a respeito das preocupações de Murilo, mas Marina só entregou o presente após a realização da primeira ecografia.

Marina pouco passava de uma adolescente quando descobriu que não se tratavam de coincidências os acontecimentos que reproduziam seus desenhos, ao menos aqueles que incluíam as pessoas mais especiais para ela.

A certeza dos poderes do próprio traço veio quando a raiva fez com que retratasse o ex-namorado em um leito de hospital. Usou um grafite macio e carregou nas sombras, conferindo ao rosto que tantas vezes percorrera com dedos e boca carinhosa um aspecto debilitado, quase assustador. Era a vingança que conseguia, depois de ter sido trocada pela ruiva do quinto semestre. Adoentada e fraca era como ela mesma se sentia com a traição e a perda. Ainda que seu semblante não denunciasse nada além de mau humor. O amargo do peito a fez desejar que a dor e a doença se instalassem nele.

A confirmação do desejo atendido veio quando a mãe dele, que sabia do fim do namoro, mas não de suas motivações, chamou Marina para visita-lo, praticamente como uma extrema unção.  Ao vê-lo na exata posição em que o desenhara, faltou-lhe a voz. Consolou frouxamente a mãe do rapaz e correu para casa para destruir o desenho. No dia seguinte, nova ligação da ex-sogra: Marina chegou a temer que a notícia fosse fúnebre, mas soube que ele saíra do coma e seu quadro progredia visivelmente, para confusão dos médicos, que sequer haviam decifrado o diagnóstico.

O ocorrido assustou-a e a fez evitar as pranchas, os grafites e os pastéis por um bom tempo.  O desejo, quase necessidade, de desenhar, no entanto, era incontornável, então, Marina tratou de prestar atenção a tudo que produzia, comprovando que cada vez que um rosto amado ou odiado era retratado por ela, a cena se materializava. Caso retratasse desconhecidos ou pessoas a quem não se sentia ligada, nada ocorria. Por isso, durante muito tempo, só aceitava desenhar as pessoas queridas contra um fundo totalmente neutro. Assim era seguro.

Mas a sensação de poder que experimentou ao vingar as dores da mãe fez com que revisse a decisão anterior. Assim, permitiu-se desenhar aquelas coisas que desejava muito ver realizadas, a princípio com certa cautela e depois, sentindo-se confiante com a aparente ausência de efeitos colaterais, começou a ousar.

A primeira interferência significativa depois da morte do pai nasceu de um capricho aparentemente inofensivo. Caso vencesse o concurso de ilustrações da editora francesa, além da visibilidade ao seu trabalho, ganharia uma viagem para Lyon. Quando leu o edital, ficou deslumbrada com essa possibilidade e, por impulso, antes mesmo de pensar no trabalho a ser enviado, tratou de caprichar na representação da cerimônia de entrega dos prêmios. Tão convicta estava do sucesso, que tratou de fazer em separado o desenho do vestido que usaria, já pensando na escolha da costureira.

A grande noite foi fiel ao seu traço, a mesa bem decorada, a família orgulhosa – Luana exibindo feliz a barriga de três meses –, brindes e o frenesi ao conferir o envelope com o cheque e as passagens aéreas. No toalete, Marina encontrou uma moça de olhos vermelhos, refazendo a maquiagem e, embora sentisse aquilo turvar um pouco sua alegria, sentiu-se tocada e ofereceu ajuda. A moça a encarou com olhos raivosos:

– Um dia você vai borrar a maquiagem por minha causa, exatamente como eu borrei hoje vendo você no meu lugar.

Disse isso e saiu dali num rompante. O tom, entre a ameaça e o rancor, pegou Marina de surpresa e ela não soube explicar para sua mãe a palidez que exibia ao voltar para a mesa. Marina, entretanto, passou uma borracha naquela conversa e decidiu concentrar as atenções nos preparativos para a viagem, dali a seis meses. As propostas de trabalho começaram a surgir e ela começou a acordar de bom humor.

– Mãe, vamos comigo para a França?

Dona Lúcia riu, surpreendida:

– Imagina só, Marina, e eu vou ficar fazendo o que enquanto você estiver visitando a revista e participando dos eventos sobre desenho? Você sabe que eu não digo nem bom dia em francês.

– Não dá nada, mãe. E não estou falando só da viagem que ganhei com o prêmio. Tenho certeza que terei trabalho lá.

– Você quer ir embora de vez daqui? Alarmou-se um pouco a viúva.

– Ah, não olhei a coisa por esse lado, mãe.

– E olhou como, então?

– Acho que a França é um lugar bonito e que você ia gostar.

Dona Lúcia disse que Luana ia precisar dela por perto quando o bebê nascesse e, além disso, nem passava pela sua cabeça morar fora do Brasil. Marina não contestou, mas sentiu-se incomodada com aquela negativa tão seca. Uma ponta de ressentimento com a irmã despontou. Para afastar aquele incômodo, enquanto planejava a estadia em Lyon e participava de entrevistas em redações de editoras de todo porte, desenhou-se muitas vezes, dando entrevistas em estúdios de televisão, jantando em restaurantes badalados, deleitando-se em camas king size com os sujeitos que habitavam suas fantasias desde que os hormônios começaram a interferir em sua fisiologia. Nenhum insucesso. Tudo fluía e as horas sempre acabavam por confirmar seus traçados.

A euforia aumentava à medida que se aproximava o dia do embarque e junto com a empolgação de conhecer outro país e poder praticamente escolher cada detalhe dos próprios rumos desde que tivesse material de desenho à mão, surgia um vago desconforto. Nunca saíra de casa e, embora se considerasse uma mulher independente e nada vulnerável, satisfeita com seus poderes, imaginar-se longe da família, assustava. Insistiu ainda algumas vezes com sua mãe, mas ela sequer parecia levar a sério o convite para fazer as malas.

Com o dinheiro que ganhara pelas ilustrações da campanha publicitária dos perfumes Pet Fru-Fru comprou as passagens de dona Luísa, sem lhe consultar, convencendo-a a providenciar o passaporte para visita-la caso ela realmente resolvesse se demorar por lá, depois que o netinho já tivesse superado as possíveis cólicas.

A ansiedade a estava atrapalhando, pois não conseguia vislumbrar o desenho necessário para concretizar sua vontade de levar a mãe consigo. Luana fecharia trinta e oito semanas de gestação às vésperas da partida e desenhar dona Luísa acomodada na poltrona a seu lado não parecia suficiente, pois seria uma decisão completamente descasada das circunstâncias. Talvez essa preocupação fosse inédita, pois até então Marina não havia se preocupado com a sequência de fatos ou ações necessárias para a realização prática de seus desejos desenhados. Mas dessa vez isso lhe parecia imperioso.

Uma semana antes da partida, Luana foi para a maternidade com contrações e uma alegria de dar inveja. Murilo ligou para a cunhada anunciando que o seu sobrinho já estava quase chegando, poderia conhecê-lo antes de embarcar. Marina disfarçou sua verdadeira disposição:

– Que beleza Murilo, mal posso esperar pra ver a carinha dele. Me avisa assim que nascer.

– Claro, mas sua mãe já está aqui, se quiser pode vir esperar conosco. Beijo!

– Vou tentar, Murilo, tô meio enrolada agora. Manda um beijo pra Luana.

Despediu-se e jogou o telefone longe, praguejando contra o momento em que decidira desenhar a irmã grávida. Se soubesse que atender à vontade de Luana iria atrapalhar seus próprios planos, teria deixado que as coisas se resolvessem como mandasse a biologia.

Depois de perambular pelo apartamento, de abandonar a xícara de chá pela metade e consultar o relógio e a janela inúmeras vezes, sentou-se à mesa de trabalho e escolheu o nanquim. Um vinco se formou em sua testa enquanto a pena marcava os contornos da tragédia.

Era quase noite quando o telefone tocou e ela atendeu dona Luísa em pranto, pedindo que fosse socorrê-los, Murilo tivera de ser sedado. A criança não resistira e Luana ainda corria perigo. A mudez de Marina no telefone foi interpretada pela mãe como dor, mas era um misto de culpa e satisfação.

O desespero deu lugar a uma tristeza aguda, da qual Marina demonstrava participar. Luana se recuperou, mas preferia não ter sobrevivido. Depois daquilo, murchou e não queria a proximidade de qualquer pessoa além de Murilo. Dona Lúcia sentiu-se perdida com a rejeição da filha. Oportunidade perfeita para a oferta de uma fuga terapêutica.

– Mãe, vem comigo. A Luana precisa de um tempo para se refazer.

– Ai, Marina. Acho que já estou até querendo sumir daqui mesmo, mas você embarca no final de semana, não tem como.

– Claro que tem, dona Lúcia. Arruma algumas coisas que eu dou um jeito na passagem.

Abraçaram-se, cada uma com a esperança de que a viagem apagasse, ou ao menos desbotasse, dores e culpa.

O avião decolou logo depois do meio dia, apenas as colegas mais chegadas de Marina foram ao aeroporto, pois Luana estava passando a maior parte do tempo sob efeito de tranquilizantes e Murilo não se afastava dela, conseguira até uma licença do trabalho.

Por volta de oito da noite, Luana cochilava no colo de Murilo quando o noticiário anunciou o acidente com a aeronave. Não eram esperados sobreviventes, disse o repórter.

Na gaveta da moça que chorou no dia da entrega do prêmio, havia uma ilustração hiper-realista de um avião destroçado sobre o azul noite do oceano atlântico. Ao contrário de Marina, ela não quisera utilizar o poder, que descobrira muito cedo, para vencer o certame, mas naquela noite decidira enterrar os escrúpulos e todo o aprimoramento que buscava nas técnicas de desenho era empregada para alcançar maior precisão nas alegorias de suas vontades. A série que desenhou para o acidente incluía o interior do avião, os passageiros em pânico, o rosto de Marina em destaque, com a maquiagem desfeita pela certeza do que viria.

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Este texto foi baseado no tema “Superpoderes”, sujeito ao limite máximo de 3000 palavras.

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39 comentários em “Desforra (Maurem Kayna)

  1. Tamara padilha
    28 de abril de 2015

    Uou, uou, uou! Eu tinha algumas críticas ao texto. Em primeiro lugar teve umas gírias que achei bem desnecessárias. Isso porque eu gosto de uma escrita mais correta. Em segundo lugar você trocou em algumas horas o nome de lúcia por luiza, isso ficou estranho, mas o desfeche foi super bacana. Eu gostaria de ter um super poder deste. E que irmã mais má.

  2. André Lima
    28 de abril de 2015

    Achei legal a solução que você deu ao tema “superpoderes”. Achei bem original.
    A história é boa, a gramática está boa. Gostei da construção dos personagens.
    Um conto muito bom. Parabéns!

  3. Thales Soares
    28 de abril de 2015

    Gostei.

    Confesso que no começo eu estava meio com certo receio de que o conto seria ruim. Fiquei extremamente empolgado com o tema, mas no inicio lento da historia eu dei uma desanimada, pois no meu interior eu estava aguardando algo no estilo Vingadores 2. Porem, depois que a historia deslanchou, ela conseguiu me prender ate o fim. Gostei mto do final. Eu nao ia mto com a cara da Marina, e fiquei contente por ela ter tido uma morte horrivel no avião

  4. Jefferson Reis
    28 de abril de 2015

    Não gostei da introdução, mas o desenvolvimento é interessante e o desfecho, mesmo previsível, ficou legal. Senti falta de maior profundidade na protagonista, sinais de sua real personalidade quando eu, como leitor, ainda não sabia do que ela era capaz. No entanto, tive prazer em ler esta narrativa.

  5. Wender Lemes
    28 de abril de 2015

    Olá, Marcel! O enredo é interessante, mas senti a protagonista um pouco vazia. Talvez seja só a superficialidade do estereótipo da patricinha egoísta mesmo. De qualquer maneira, parabéns e boa sorte.

  6. Wilson Barros Júnior
    28 de abril de 2015

    O tema “superpoderes”, por contraste, combinou muito bem com seu estilo dia-a-dia, como em Nélson Rodrigues, e seu humor erótico, que às vezes parece com o das piadas. O fato da heroína ter sido duplamente castigada, por trapacear na gravidez da irmã e no concurso, é uma idéia interessante. Certa vez li na revista “Spectro” um conto de terror parecido, sobre um pintor. Seu conto, entretanto, é muito mais elaborado. Perfeito, tudo encaixa no devido lugar.

  7. Pedro Luna
    28 de abril de 2015

    Bem bacana. Me lembrou Death Note e Duma Key. O enredo tem várias situações familiares que me confundiram porque estou com sono, mas resisti e vi uma história que começa prometendo um dramalhão daqueles e acaba virando uma parada sobrenatural e misteriosa. Gostei do poder ligado ao desenho e das coisas que a personagem fez, selando o seu destino.

  8. Bia Machado
    27 de abril de 2015

    Uma narrativa que não foi difícil de acompanhar, flui bem a escrita do autor/da autora. Gostei da forma como o enredo foi trabalhado, fugiu do “mais do mesmo”, do “lugar comum”. A explicação no final achei que ficou meio destoante do resto do texto, nessa parte a coisa ficou meio forçada, não soou natural. Poucos erros para revisar.
    Emoção: 1/2
    Enredo: 2/2
    Criatividade: 2/2
    Adequação ao tema proposto: 2/2
    Gramática: 1/1
    Utilização do limite: 1/1
    Total: 9

  9. Ricardo Gnecco Falco
    27 de abril de 2015

    Belo trabalho! O mote não é assim de todo inédito, mas foi muito bem apresentado. Fica a reflexão a respeito da vaidade e egoísmo tão latentes em todos nós, seres humanos. E impotentes perante a morte.
    Parabéns pelo trabalho! Boa sorte!
    Paz e Bem!
    😉

  10. Cácia Leal
    26 de abril de 2015

    Muito bom o conto. Muito bem escrito e criativo. Encontrei alguns poucos erros de Português, nada grave. Parabéns ao autor. Só tirei alguns pontos do quesito “emoção”, porque achei que tudo foi se passando rápido demais. Talvez algumas descrições mais ajudariam a aprofundar os sentimentos que se passavam nas personagens.

    Suas notas:

    Gramática: 8
    Criatividade: 10
    adequação ao tema: 10
    utilização do limite: 10
    emoção: 8
    enredo: 9

  11. Fil Felix
    26 de abril de 2015

    Muito legal que fugiu dos clichês de super-herói, focando em outros tipos de super-poderes. Inesperado esse de desenhos. O conto também está bem estruturado, desenvolvido legal. Só achei o final um pouco fraco, com a vingança da menina. Talvez se tivesse mostrado o que aconteceu no interior do avião, teria dado um clímax maior.

    *Por isso não participo desses editais de desenho, só quem tem poderes participa! kkkkk

  12. Swylmar Ferreira
    26 de abril de 2015

    Fiquei pensando se correspondia ao tema e no fim da segunda leitura conclui que sim. Está dentro do limite máximo estipulado.
    O conto é bem escrito e a linguagem usada é fácil de absorver. A trama é muito boa. Gostei do fato de ter duas pessoas com o mesmo dom e na vingança. O conto demonstra que o poder corrompe.
    Parabéns!

    • Swylmar Ferreira
      26 de abril de 2015

      Desculpe.
      ” mesmo dom e na vingança da personagem secundária.”

  13. vitor leite
    25 de abril de 2015

    história muito bem contada que me agarrou até ao final quase dava para adivinhar o que ia acontecer mas era preciso confirmar, e, muitos parabéns

  14. Pétrya Bischoff
    25 de abril de 2015

    A temática que sugeri! \o/
    Pois bem, eu sempre pensei em algo do tipo, desenhar e tornar realidade, mas não ações. Pensava em desenhar um sorvete e ele se tornar real, por exemplo ahhaha. Gostei muitíssimo da abordagem do tema. Os diálogos iniciais me parecem muito artificiais, mas o desenrolar foi legal. Senti a guria psicopata demais, chegar a fazer um sobrinho natimorto por uma futilidade, mas enfim…
    A narrativa é simples, eu diria que muito simples… A escrita está de fácil leitura e as descrições são boas. Definitivamente, não gostei do final, mas é uma questão pessoal.
    Parabéns e boa sorte!

  15. Leonardo Jardim
    24 de abril de 2015

    ♒ Trama: (3/5) boa, se desenha interessante e se encerra com uma reviravolta. O único porém é que a inserção da mulher que perdeu o concurso ficou meio destoante do resto do conto. Ficaria melhor se ela tivesse alguma participação maior ou a explicação do último parágrafo fosse mais natural (por exemplo, encontrarem o desenho do acidente com a assinatura dela).

    ✍ Técnica: (3/5) é boa também, a narrativa é muito fluida e quase sem erros.

    ➵ Tema: (2/2) gostei desse superpoder (✔). Só achei meio forçado duas desenhistas terem o mesmo poder.

    ☀ Criatividade: (3/3) um poder criativo, diferente dos habituais.

    ☯ Emoção/Impacto: (3/5) gostei do conto, mas acho que a revelação do acidente poderia ser mais impactante.

    Problemas que encontrei:
    ● Você quer ir embora de vez daqui? *travessão* Alarmou-se um pouco a viúva.
    ● avião destroçado sobre o *azul-noite* do oceano atlântico

  16. Rodrigues
    23 de abril de 2015

    É, eu achei essa saída muito fácil para o final. Do nada, coloca-se essa menina que tem o mesmo poder encontrado com ela no banheiro e, no fim, é isso, é essa garota-nemesis da protagonista que a leva à morte. Não gostei disso. Outra coisa, o texto não tem muitas surpresas – exceto essa aí. Por exemplo, quando a garota desenha o primeiro acidente de carro, logo de cara ocorre o acidente, sendo que antes disso poderia ter um suspense maior, algo como o bêbado saindo com o carro, tranquilo, e então ocorre o acidente, revelando-se o desenho somente depois, acho que isso me prenderia mais ao conto. A ideia foi bem bacana, mas acho que precisaria de algumas alterações para deixar mais atrativo.

  17. Jowilton Amaral da Costa
    22 de abril de 2015

    Bom conto. Interessante este superpoder. A condução foi boa, no meio me pareceu que o autor se perdeu um pouquinho, do parágrafo em que ela convida a mãe para viajar e mãe recusa até a tragédia da irmã que perde o neném, a escrita não ficou convincente. como se o escritor não tivesse certeza do rumo da estória, mas, logo achou a direção e caminhou até o fim sem contratempos. Boa sorte.

  18. Tiago Volpato
    21 de abril de 2015

    Bem interessante o conto. Mas, na minha opinião, você se alongou um pouco demais. Alguns parágrafos ficaram grandes demais e o texto podia ter ficado um pouco menor. Mas foi um bom texto.

  19. rsollberg
    20 de abril de 2015

    Uma roupagem bastante original para o tema!!!
    Gostei do Título e da ilustração.

    O texto é agradável de se ler, o vocabulário próprio ligado ao desenho também foi muito bem aproveitado, como: passar um borracha, incontornável, borrar… Ótima junção entre estilo e estrutura.

    Tem algo de “além da imaginação”, ou “Heroes”, ou “4400”, rs. Sei lá, tem aquele ar insólito que é bacana.

    A jornada da protagonista foi bem desenhada, do positivo ao negativo, com mudanças gradativas. O final sombrio deu “belo” desfecho para o causo sobrenatural, até certo ponto sobrou inclusive uma espécie de lição.

    Parabéns e boa sorte no desafio.

  20. Carlos Henrique Fernandes Gomes
    20 de abril de 2015

    Que contão! Que conto! Perfeito! Parabéns é pouco! O único até agora que me fez chorar, que me arrepiou! Sensacional! Desde a trama, técnica, fluência, até a mensagem! Perfeito! Toda a motivação explicada sem exageros e pelos comportamentos. Demais! Demais! O primeiro diálogo já pega o leitor de um jeito que não dá para escapar, isso sem falar do final! Sensacional!

  21. Felipe Moreira
    20 de abril de 2015

    Interessante. Mais um conto com final arrebatador. A tragédia envolvendo Marina e a mãe, enfim, toda a família foi bem articulada pelo autor. Eu gostei da maneira como o texto foi conduzido pela ótica da Marina. Aliás, a frieza dela em alguns aspectos é bem forte, sobretudo quando ela tenta arrastar a mãe consigo a qualquer custo pra Lyon. Um drama familiar que se encaixou bem no tema. Essa pegada sobrenatural me causa mais efeito positivo na leitura do que poderes para combate e etc. Gostei do texto.

    Parabéns e boa sorte no desafio.

  22. Virginia Ossovski
    17 de abril de 2015

    Uau, esse poder eu queria ter ! Só que não… kkk muito bom o conto, história criativa e perfeita. Interessante ver como uma personagem de início “boazinha” como a Marina foi se degradando por causa da ambição e do egoísmo. E essa outra que derruba um avião inteiro só para se vingar? Credo… Excelente conto, gostei mesmo, parabéns !

  23. Gilson Raimundo
    16 de abril de 2015

    Muito bom e angustiante. A mesquinhez humana sendo representada nas realizações dos caprichos das personagens. O autor conseguiu transmitir a tristeza dos fatos que estariam por vir.

  24. Anorkinda Neide
    15 de abril de 2015

    Achei este um conto juvenil muito bom.
    Longo mas não cansativo com a sucessão dos fatos acontecendo de forma fluida, fui me ligando à narrativa comprazer, ao ir descobrindo aos poucos a personalidade da protagonista.
    Os superpoderes explorados de forma criativa. Parabens ao autor(a)!

    abração

  25. mariasantino1
    14 de abril de 2015

    Bom Desafio para você, autor/a.

    O tema é muito bom assim como é igualmente boa a sua ideia. Lembrei agora de uma frase (ou pensamento, que não sei de quem é, desculpa) que fala mais ou menos assim: Quer conhecer alguém verdadeiramente? Dê poder a ele., e de fato o poder, o controle, todo o clima do livro 1984, mostra o quão influente é esse elemento na vida das pessoas. A birra da criança por um doce, só para testar o poder de persuasão… Tudo isso é assunto que dá pano para manga e seu conto evocou-me algumas reflexões. Mas… vamos falar do que você nos apresentou aqui, e já adianto que a nota será sete (07) por dois motivos que explico já já.

    Bom, a narrativa é bem simples, não tem belas construções frasais (algo que gosto bastante), metáforas, comparações intricadas, mas, por outro lado não destoa misturando palavras simples com outras mais “cultas”. Há certa confusãozinha com o nome da mamãe, ora Lúcia (ou Lucia, sem acento), ora Luísa, observe >>>>> […]relutante, dona LÚCIA confessou o destempero do marido. >>>>>[…] perfumes Pet Fru Fru, comprou as passagens de dona LUÍSA.

    Agora os dois fatores incômodos na trama >>>>> 1º A falta de um melhor desenrolar ao se descobrir os poderes. Ela mata o pai e não há susto, medo ou remorso (no sentido de descrição de sentimentos). Depois que deseja a irmã grávida, segue fria da mesma forma. É uma descoberta muito rápida que se houvesse maior descrições de alegria, medo… enfim, se oferecesse mais da mente da personagem o texto ficaria mais denso. 2º A incursão, incremento de outra personagem com os mesmos poderes banaliza algo raro, fora que a outra personagem aparece de forma brusca no fim (mesmo com o primeiro encontro de ambas).

    Sugestões >>>>>>> Repassar mais sentimentos por parte de Mariana, ou justificar a frieza ressaltando a pouca idade dela. Não perder de vista a segunda personagem (poderosa), não deixar que o leitor se esqueça dela para não soar brusco (como foi para mim). Após o encontro no banheiro seria interessante maior participação dela, aparições nos demais prêmios, ou até a Marina assustando-se em não ter mais que desenhar para que as coisas “boas” acontecessem na sua vida, então, no final, isso tudo seria justificado com “os méritos” dado a outra “desenhista poderosa”.

    Média — Pela condução da trama, e por todos os motivos acima mencionados, a nota para esse conto será: 7 (sete)

    Abraço!

  26. rubemcabral
    14 de abril de 2015

    Um bom conto, com escrita correta, embora sem altos voos pela metaforasfera… Gostaria de ter conhecido mais sobre as personagens e mais nuances destes.

    Lembrou-me um tanto o clássico A Pata do Macaco. Achei as duas desenhistas um bocado crueis. Causar o aborto da irmã somente pelo capricho de levar a mãe à França, matar todos os passageiros e tripulantes somente para castigar uma pessoa, são atos realmente horríveis.

  27. José Leonardo
    11 de abril de 2015

    Olá, autor(a). A trama que você elaborou prometia bastante, gerou expectativa; talvez o apogeu explodisse tal como carga de muitos megatons (um mote extraordinário, mesmo). Mas permita-me ser sincero: o grande impacto esperado (ou imaginado) do desfecho acabou se fragmentando feito um meteorito inexpressivo. Qual o motivo por trás disso?

    O desenvolvimento, caro(a) autor(a). Frente ao que se tinha em mãos (um bom tema, gerador de ótima ideia), o proponente de “Superpoderes” até concedeu um limite, digamos, generoso. Analisando friamente a ação da trama, a distribuição: num parágrafo, o drama de Lucia e seu marido alcoólatra; no seguinte, um almoço, um desejo macabro que vira desenho e realidade. Depois, outro desenho e a gravidez confirmada até que Marina percebe o seu “superpoder”. A maneira como esses acontecimentos foram dispostos (a morte, a gravidez e a constatação do superpoder) pareceu trivial, corriqueira, sem o devido impacto daquilo que supera a barreira do cotidiano e do normal estado de coisas. A “moça de olhos vermelhos”, aos prantos no banheiro (o leitor já imaginando que ela detém alguma força paranormal), que poderia estar mais presente na trama, é vista como um tipo de gancho emergencial devido ao seu pouco “encorpamento” dentro da narrativa.

    Finalizando, autor(a): “Desforra” me prendeu muito mais pela ideia central. O “como contar” (a parte mais difícil da criação literária) deixou um pouco a desejar.

    Mas você demonstrou muito potencial. Abraços, boa sorte neste desafio e continue perseverando neste “ofício ou arte taciturna”.

  28. Andre Luiz
    8 de abril de 2015

    Cara, que emoção ao final deste conto! kkk Sinto que ao longo do texto fui me acostumando com Marina desenhando e decidindo sobre o destino, depois ela tentando se livrar de suas pretensões vingativas(Sim, vingativas) e por fim você me manda a menina morta? MORTA! Cara, um ótimo anticlímax! A solução foi a morte e o desenho mórbido da coitada na gaveta…

  29. simoni dário
    8 de abril de 2015

    Uau, isso é o que eu chamo de desforra. O texto está muito bom e flui bem até que chega no final, que pelo menos pra mim, foi meio decepcionante. As duas tinham o mesmo dom ou superpoderes? Não está de todo ruim (o final), mas eu esperava mais. Ficou tudo meio igual, eu queria ver um fim diferente pra Marina. Mas é um bom conto, sem dúvida. Parabéns!

  30. Neusa Maria Fontolan
    8 de abril de 2015

    Achei interessante a maneira que você colocou o superpoder aqui. Quanto ao todo, ficou bom.

  31. Fabio Baptista
    7 de abril de 2015

    Está muito bem escrito.

    A ideia é muito criativa.

    Mas eu não gostei tanto. Gostei, pelos motivos acima, mas acho que tinha potencial para gostar mais.

    O mote lembrou um pouco “death note” e “a pata do macaco”. Na metade já fica meio na cara o que vai acontecer… mas achei que seria algo mais na linha de “pata do macaco”, ou seja… um desenho feito sem querer que geraria toda a tragédia. A solução aplicada retratou a desenhista quase como uma psicopata. O motivo pra ferrar a vida da irmã foi muito fútil e acabou forçado na minha opinião.
    Bem como o final… seria mais interessante um acidente causado pela própria menina, não esse aparecimento repentino de outra desenhista superpoderosa.

    NOTA: 7

  32. Eduardo Selga
    6 de abril de 2015

    O argumento é interessante, mas a execução é sumária, sem trabalho linguístico. Parece-me que o(a) autor(a) pertence à vertente de prosadores que acredita que a prosa não pode ser “contaminada” pela palavra figurada, como se a ação, a trama, por si, garantissem qualidade superior ao texto literário, quando na verdade é preciso criar com as palavras, além de personalidades, ambientações que escapem, por exemplo, do sintaticamente previsível sujeito + verbo + complemento. É preciso inverter um pouco, acredite nos adjetivos, e, principalmente, esqueça um pouco a denotação.

    Não estou dizendo que se deve escrever 3000 palavras de prosa poética, tampouco defendo um hermetismo exibicionista, não é isso. Mesmo autores bastante terra-a-terra, como Érico Veríssimo e Graciliano Ramos não são tão secos quanto se pode supor: existe uma elaboração linguística.

    A protagonista tem uma riqueza interior inexplorada porque falta conotação, a entrelinha. Além disso, o conto ganharia muito se a quantidade de personagens fosse reduzida, para possibilitar, tendo apenas um núcleo dramático, maior intensidade nas situações criadas. Se fosse cortada a existência do sujeito que espanca a mulher e até da parte em que esta aparece machucada o fio central da estória se manteria. A conversa entre as irmãs é essencial? Ora, se o eixo é o superpoder da menina com os desenhos, pegue-se um outro personagem pára ser sua vítima, não tantos.

  33. Jefferson Lemos
    6 de abril de 2015

    Olá, autor(a)! Tudo bem?

    Sobre a técnica.
    Gostei. Os fatos foram desenvolvendo com espaço entre um e outro, sem correria. Gostei do degradê do caráter da personagem, que no início pareceu tão boa e depois foi caindo e se tornando má. O poder nos sobe à cabeça.

    Sobre o enredo.
    Muito bom, como já falei, gostei de como você trabalhou a dualidade que existe no ser humano, e como uma vantagem pode ativar essa coisa ruim que todos nós temos. Alguns guardam para si seus vantagens, outros tiram proveito. Ficou bem delineado e claro, como a mensagem que você quis passar.

    Sobre o tema.
    Um tema que dá para trabalhar muito bem. E você fez um bom trabalho. Gostei, ainda mais, porque também desenho. Se eu tivesse esses poderes… hahaha

    Nota:
    Técnica:8,0
    Enredo: 8,0
    Tema: 8,0

    Parabéns pelo ótimo texto!
    Boa sorte!

  34. Brian Oliveira Lancaster
    6 de abril de 2015

    E: Gostei da abordagem diferenciada do tema, apesar de me lembrar certo anime. Nota 8.

    G: A história consegue ser envolvente. O início nos deixa crente de que será um conto comum, mas depois aparecem os elementos sobre-humanos. No entanto, apesar de gostar do tom e escrita leve, achei os eventos um tanto corridos. Não deu muito tempo para se apegar à irmã deixada para trás. Mas os diálogos naturais caíram muito bem. Nota 7.

    U: Não notei erros ortográficos. Mas certas frases mereciam um pouquinho mais de revisão, nem todas se encaixam bem nos degraus da leitura. Nota 7.

    A: Criativo e inusitado, focando mais no sentimento do que no efeito em si. Nota 8.

    Média: 7.

  35. Rafael Magiolino
    4 de abril de 2015

    O autor conseguiu surpreender com o tema que teve em mãos. Muitos optariam por algo mais relacionado ao universo de super-heróis que já estamos cansado de acompanhar, enquanto outros tenderiam a seguir uma linha um tanto sobrenatural voltado a poderes específicos.

    A sacada de colocar um poder diferente em um texto dramático foi perfeita. O texto contou com vários erros que me incomodaram, porém a ideia em si foi executada muito bem.

    Boa sorte e abraço!

  36. Alan Machado de Almeida
    4 de abril de 2015

    Realismo fantástico interessante. Coisas fantástica sem explicação nenhuma no sobrenatural ou na ficção cientifica, só aconteceram e pronto. Esse é o caso do poder da personagem principal. Assim que a vi usando os dons para ganhar muita benesse previ que o final só podia dar em merda para ela. Ficou legal o conto, bem escrito e fácil de ler.

  37. Marquidones Filho
    4 de abril de 2015

    Realmente, é um poder aterrador. Adorei o conto, me prendeu em todos os parágrafos. Uma história onde a descoberta dos poderes pela protagonista apenas lhe aumentaram o egoísmo e isso acabou sendo sua ruína. Só abro um parêntese para um momento em que escreveu “dona Luísa” e, creio, que a intenção fosse escrever “dona Lúcia”. Ótimo conto, parabéns!

  38. Claudia Roberta Angst
    3 de abril de 2015

    Nossa, que meninas superpoderosas e egoístas. Gostei da ideia do superpoder ser baseado na criatividade, na arte de desenhar. Bem bolado.
    Narrativa bem elaborada sem erros perceptíveis. Pensei em algo diferente para o final – a irmã é que tinha um superpoder parecido com o de Marina e estragava tudo.
    O tema foi bem abordado, embora eu sinta um gostinho de lição de moral no acidente de avião. A leitura prendeu a minha atenção, mas o ritmo poderia ter sido um pouco mais ágil com a eliminação de algumas passagens. Tá, pode ter sido preguiça de ler mesmo.
    Boa sorte!

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Publicado às 3 de abril de 2015 por em Multi Temas e marcado .