EntreContos

Detox Literário.

Lembranças Bordadas em Preto e Vermelho (Rafael Magiolino)

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Arnaldo sentou-se ao balcão no exato momento que os ponteiros do relógio marcavam dez horas. Pretendia chegar no cabaré antes das nove para encontrar um bom lugar, mas tanto a dificuldade em encontrar um táxi aquele horário, de uma sexta à noite impossibilitou tal feito.

O único sujeito que também se encontrava sozinho sentava-se do seu lado e tentou iniciar uma conversa quase de imediato, sendo despachado logo em seguida. Arnaldo continuava optando pela companhia da solidão. Ela nunca o deixava na pior. Ergueu a mão na direção do barman, o mesmo das outras vezes.Foi atendido prontamente.

— Me traga um uísque com dois cubos de gelo, por favor.

O rapaz no lado oposto, provavelmente já tendo decorado o pedido, retirou a garrafa do compartimento inferior e encheu o copo. Sempre agia trabalhava com indiferença, fingindo não reconhecer o estranho homem que aparecia nas sextas-feiras e ia embora antes da atração principal se iniciar.

Sorveu dois demorados goles do conteúdo, sentindo o líquido gelado percorrer sua garanta e, em seguida, queimando-a fervorosamente. Antes de prosseguir para o terceiro, rompeu o silêncio.

— Diga, amigo. Qual o horário previsto para o início da apresentação?

— É marcada para as dez, mas o atraso é usual em casas de show mais simples como esta.

Foi a primeira vez que conversou com algo a mais com ele além de seu usual pedido. Considerava um grande avanço.

— E o público sempre é baixo assim?

— Para falar a verdade, senhor, a chuva no início da noite deve ter afastado a maioria dos clientes.

Ele aquiesceu e murmurou algumas palavras antes de retornar ao copo. O garoto não fazia a menor ideia de como o local realmente ficava quando lotado e Arnaldo podia afirmar com veemência que o cenário estava longe de se aproximar como antigamente. Compunha parte do tempo em que a maior preocupação das pessoas na faixa dos trinta anos, como era o caso do barman, era em descobrir qual seria a próxima brincadeira antes de dormir.

Se virou e observou o ambiente. A baixa música como pano de fundo combinava com o pouco número de presentes. Todos formados em grupos de amigos, além de uma porção de casais ao longo das mesas. Apesar de acostumado, sentia o peso dos ocasionais olhares em sua direção. Não podia julgá-los, pois um homem acima a meia idade sentado ali chamaria grande parte da atenção.

As luzes se apagaram e o som cessou, exceto pelo burburinho das conversas alheias. O ímpeto de se levantar e ir embora surgiu com a mesma força das anteriores. A ansiedade o controlava totalmente. Respirou fundo, bebeu o restante do uísque e fez um sinal pedindo por mais.

Um filete de suor escorria-lhe pela face quando as cortinas se abriram. Tudo pareceu silenciar subitamente e as palpitações no interior de seu peito pareciam-se com explosões em um ritmo frenético. Somente naquele instante, no segundo em que se preparava para focar totalmente sua atenção no palco, admitiu para si que a razão por ter fugido outras noites se dava pelo medo. Medo de ver um fantasma há muito esquecido.

A onda de alívio que o possuiu ao constatar nada aconteceria o deixou tranquilizado momentaneamente.

Da caixa de som, uma nova música passou a tocar, agora em um volume bem maior do anteriormente. As luzes foram apagadas com exceção de um holofote que direcionava seu feixe no centro. Um grupo de seis mulheres subiram e se dividiram para cada lado. A atração principal surgiu logo sem seguida.

Sofia subiu e tímidos aplausos foram emitidos por diferentes pontos do cabaré. Arnaldo sentiu uma pontada de pena, tanto pela mulher quanto pelo estabelecimento. Não conseguia imaginar a forma com a qual se mantinha com uma atração como aquela. Cinco minutos de apresentação foram suficientes para tirar as conclusões que desejava. Observou atentamente seus pés para ter a prova definitiva de que o fantasma morava apenas em sua cabeça.

Terminou o restante da bebida em um só gol, deixando uma nota de vinte sob o copo. O valor restante do custo serviria como gorjeta ao garoto. Andou poucos passos até a saída, sua imagem parecendo-se com um vulto movendo-se por entre as sombras. Aparentemente mais pessoas haviam chegado, mas poderia ser apenas uma impressão.

O vento frio abraçou-lhe instantaneamente, antes mesmo de fixar os pés com firmeza na calçada. As ruas permaneciam úmidas, porém os riscos de uma nova pancada eram mínimos, se não remotos. Apesar da escuridão, analisou o céu suficientemente para chegar a tal conclusão. Dificilmente se equivocava nessas situações. Optou por uma caminhada com a intenção de refrescar e reorganizar os pensamentos.

Acendeu o isqueiro formando uma concha com a mão livre e saboreou o cigarro. No lado externo o som parecia muito mais alto. Com exceção dos carros que passavam esporadicamente em sua frente, o caminho se encontrava deserto.

Os primeiros fragmentos da memória não tardaram em surgir. Uma gargalhada que surgiu repentinamente. O riso ecoou pelo vazio, fazendo com que se parecesse um louco. Entretanto, antes que pudesse se dar conta, os olhos ficaram marejados e todos os traços de uma possível animação desapareceram tão repentinamente como surgiram.

Geralmente sentia-se pior quando decidia cavar naquela profundidade, o que felizmente não ocorreu. Era a noite para exorcizar os possíveis demônios de seu passado. Continuou caminhando apesar de sua mente ter se transportado para um lugar completamente distante. Morava perto dali e poderia refletir muito bem durante o caminho.

Estava novamente no início de sua fase adulta. A época em que finalmente conseguia trabalhar para se sustentar sem a ajuda de ninguém. Coincidentemente, o mesmo período em que o cabaré fora inaugurado, rapidamente se tornando a maior atração da cidade — o que não poderia ser um visto como um grande feito considerando-se a falta de opções para entretenimento.

Arnaldo tinha conseguido se recuperar. O seu exagerado consumo de bebidas e mulheres fez com que passasse por maus bocados várias vezes. Nada muito grave comparando-se com casos de verdadeiros alcoólatras, aqueles que não aguentavam completar um dia sóbrio e sentiam uma espécie de prazer doentio em agredir mulheres e filhos. Seu problema consistia no exagero no momento de dosar as bebidas e nas noites em que buscava companhia em alguma estranha. Cedeu após muita insistência da família.

Seguindo o consenso na cidade,  o cabaré poderia ser rotulado como o paraíso na Terra. Os rapazes costumavam dizer que todas as mulheres eram perfeitas, tanto no quesito beleza quanto na capacidade artística, e Arnaldo não relutou em conhecê-lo. Ficara mais curiosos em relação a atração principal, a qual todos se encantaram, mas que mal falavam.

Visitou o lugar a primeira vez numa quinta-feira. Se enganou ao acreditar que poucos estariam presentes. A maioria das pessoas, sendo que os homens compunham a grande parcela, ficaram de pé nos fundos ou no bar. As conversas chegavam a abafar as músicas e a atmosfera era de descontração geral.

O sentimento mesclado de ansiedade e empolgação que envolveu seu corpo no instante em que as luzes se apagaram permanecia aceso o suficiente para lhe causar um leve arrepio no presente e fazer com que se visse como um jovem novamente. As dançarinas realmente eram dignas de tantos elogios e comentários.

Porém, foi Cassandra que atraiu toda sua atenção.

Praticamente todos seus amigos foram nos bastidores com a intenção de entrar nos camarins. Segundo eles, haveria mulheres para todos ou poderiam dividi-las caso necessário. Os boatos de que elas faziam sexo em troca de dinheiro também circulavam com força.

Optou por ficar acomodado no balcão — um hábito que desenvolveria ainda mais com o tempo. Seus olhos fixaram-se nos da dançarina. Ficara completamente hipnotizado por ela de imediato. Era impossível resistir ao encanto da mulher com olhos azuis e longos cabelos morenos que se exibia com um brilho acima do normal e chegava a ofuscar as outras. Também soube que era uma nova moradora da cidade.

A única coisa da qual tinha certeza era que continuou frequentando o local nas as noites em que Cassandra se exibiria e ainda conseguiu formar novas amizades. O número de homens casados que iam até ali buscando um momento para relaxar chegava a ser assustador e eles sempre eram as melhores companhias. Quando se deu conta os dois já estavam com o relacionamento em andamento.

Nunca soube explicar o desenrolar dos fatos com precisão devido a rapidez. À pedido da mulher, mantinham o segredo. Não entendia a razão para aquilo e nunca a questionou. Sua paixão falava mais alto. As diversas noites que passaram juntos foram responsáveis por lhe dar um novo ânimo e propósito na vida. Nem mesmo se incomodava com o fato de sua mulher ser a mais desejada já que ciúme não fazia parte de sua personalidade. Possuía uma única exigência.

Uma noite, minutos antes da apresentação, Arnaldo fez seu caminho até chegar ao camarim incógnito. Escolheu justamente aquele horário, pois sabia que ela se encontraria sozinha. Finalizava os detalhes no cabelo e o vestido preto com os leves detalhes dourados captou sua atenção de imediato. Vê-la tomada pelo nervosismo o divertia.

— Como vai a grande estrela?

— Preparando-se para brilhar novamente — beijaram-se brevemente antes dela retornar aos preparativos — Veio se divertir com meu sofrimento de novo?

— Para com  isso, você sabe que manda bem — colocou a caixa na mesa e tornou a se sentar — Vim lhe trazer isso.

Cassandra virou-se, completamente arrumada e perfeita como sempre. Se apressou em rasgar o embrulho e abri-la. Por uma fração de segundo ele pôde jurar ter visto os olhos de sua amada brilharem. O azul se destacava mais que o comum. Sabia que gostaria. Falava sobre aquele par desde que o viram em destaque no mês anterior.

Eram tamancas de uma tonalidade vermelha forte, que certamente a faria se destacar ainda mais no palco. Alegava, também, que facilitariam no momento das exibições, tornando-a uma dançarina completa, tornando-a realizada. Arnaldo comprou-as e dedicou boa parte de seu tempo livre para criar um bordado diferenciado preto nas pontas de cada uma. Foi a maneira encontrada para poder dizer a si mesmo que ele era o responsável pela felicidade da melhor mulher que teve a chance de conhecer.

Como resposta ao presente, jogou-se em seus braços dizendo inúmeras palavras a respeito de sua alegria, o quanto aquilo significava e o que ele não deveria ter gasto tudo aquilo em um presente. Arnaldo a refutou, afirmando que o dinheiro era o de menos enquanto sua felicidade prevalecesse.

E enquanto bebia seu já habitual copo de uísque durante a apresentação, Arnaldo sentiu-se ainda mais satisfeito. O detalhe provavelmente passava despercebido para os outros homens, mas ele conseguia identificar com precisão o motivo de ter acertado no presente. A alegria de Cassandra compensava qualquer custo.

Talvez toda a simbologia transmitida pelo presente foi a razão definitiva para decidir passar o resto da vida junto dela. Sua vontade era exatamente essa. Justamente por isso não conseguia compreender a razão pela qual tudo deu errado. Acreditava que ambos tinham os plano traçados para o futuro, o que aumentou ainda mais a dor do golpe quando ela avisou-lhe partiria quatro meses depois.

Naquela época o movimento já vinha diminuindo. Nem mesmo o efeito mágico das tamancas pareciam funcionar e Cassandra, de alguma forma que Arnaldo nunca soube, conseguiu contatos em Portugal e Espanha. A proposta era para que ela se apresentasse uma vez por semana como a estrela, assim como já trabalhava.

Fez de tudo para acreditar que se tratava somente de mais uma de suas brincadeiras, porém era a dura realidade. Ela implorou para que ele a acompanhasse, mas ambos sabiam que seria impossível. Seu emprego havia deixado rentável e não encontraria nada para fazer no outro lado do mundo. Apenas desejou toda a sorte do mundo para ela e pediu para que levasse as tamancas como uma recordação.

Odiava despedidas e se recusou a levá-la ao porto. Uma parte de sua alma já parecia ter sido arrancada, de qualquer modo. Optou por ficar em um bar qualquer — não suportaria o cabaré — e assumia que passou a maior parte da noite chorando sozinho em seu quarto. O que mais lhe doía era ter que aceitar ter ficado em segundo plano comparando-se com a carreira de dançarina.

Trocaram quatro correspondências ao longo dos meses iniciais antes de nunca mais se falaram. Conforme o tempo avançou, Arnaldo se casou, teve um filho, mesmo o divórcio sendo iminente desde o princípio. Nunca souberam dizer qual fora a razão que os levaram a insistir tanto em um beco sem saída.

Conseguiu ter conhecimento do paradeiro de Cassandra três anos atrás. Sua carreira na Europa passou longe de emplacar, precisando se sustentar através de outros meios que ele preferia ignorar. Não estava claro se tinha formado uma família ou passou o resto dos dias sozinha. Buscou todos os registros possíveis sobre as ligações de sua trajetória e em nenhum deles o fato foi divulgado.

Ela retornou ao Brasil no mínimo uma década mais tarde, contratada pelo mesmo cabaré. Entretanto, nunca mais fez sucesso algum. Era óbvio que a idade contribuiu para sua decadência, mas, além disso, o interesse do público mudou. Arnaldo chegou a ver uma foto do amor de sua vida na segunda passagem por ali e, apesar de preto e branco, reconheceu o par de tamancas. O bordado poderia se passar como um defeito da imagem para os outros, menos a ele. Acabou levando-o junto de si até o final, assim como lhe pedira.

Aparentemente a desilusão com a falta de sorte na carreira, misturando-se com problemas pessoais, foi demais para ela. Suicidou-se na casa dos quarenta anos, sem nenhum parente conhecido para sentir sua falta ou deixar seus pertences.

Arnaldo tornou a si na frente de seu prédio. Enquanto subia o lance de escadas até o apartamento 32, deu-se por satisfeito. Imaginou que as lembranças o machucariam muito mais e riu às escuras mais uma vez. Não saberia dizer da onde tirou esperanças de que veria as tamancas encantando no palco mais uma vez. Sofia não poderia ser comparado com Cassandra em nenhum aspecto.

Antes de dormir, acendeu o abajur e retirou a foto de sua amada do porta retratos. Era a melhor foto que tinha e a guardou desde o dia em que ela partiu. Estava com o vestido, mas o que realmente chamava a atenção eram seus pés.

O bordado mentia a quem elas realmente pertenciam.

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Este texto foi baseado no tema “Tamancas”, sujeito ao limite máximo de 2500 palavras.

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43 comentários em “Lembranças Bordadas em Preto e Vermelho (Rafael Magiolino)

  1. Tamara padilha
    28 de abril de 2015

    Uou, que criatividade. Na minha opinião o tema proposto era bem difícil. Tamancas. Mas você teve uma criatividade imensa e sobre construir todo um enredo ao redor de um objeto. Muito bom mesmo, parabéns. Está bem escrito e o título é bom, mas juro que quando vi preto e vermelho pensei no Flamengo. Kkkkk.

  2. André Lima
    28 de abril de 2015

    Muito interessante a história, o conto está bem escrito também. Acho que poderia fluir um pouco melhor se utilizasse um pouco mais de diálogos. Mas a história foi legal.

    Parabéns, para mim seu conto foi bem razoável.

  3. Thales Soares
    28 de abril de 2015

    Gostei.

    O conto esta muito bem escrito, apesar de algumas falhas de revisão. Me identifiquei bastante com a história, pois já me ocorreu situação bastante semelhante a de Arnaldo… tbm envolvendo uma mulher fantástica, carreira na dança, lembranças boas que se tornam desagradáveis e mudança de país. Por isso a historia foi bem imersiva para mim.

    PS: antes de começar a ler o conto eu dei uma espiada no tema. Eu não fazia ideia do que era Tamanca! Pensei que seria um conto sobre algo bem estranho kkkk

  4. Jefferson Reis
    28 de abril de 2015

    O pessoal está mesmo apaixonado!
    Estou aqui me perguntando quem sugeriu esse tema, tamancas!!!
    “Lembranças Bordadas em Preto e Vermelho” tem aquela atmosfera de cabaré que nunca conheci na vida real e nem sei se ainda existe no Brasil. Como não faz meu estilo, a narrativa pouco prendeu minha atenção. Notei, no entanto, alguns desvios gramaticais, falta de vírgulas e erros de digitação. Tenho quase certeza que alguém apontará todos eles. Devo parabenizar o(a) autor(a) pela demonstração de criatividade ao se deparar com um tema assim.

  5. Wender Lemes
    28 de abril de 2015

    Olá, Alan! Seu conto é interessante, mas carece de revisão. São pequenos erros, claramente deixados por falta de percepção, não de habilidade, mas que acabam comprometendo a leitura, como em “Sofia não poderia ser comparado com Cassandra em nenhum aspecto.”. Parabéns e boa sorte!

  6. Wilson Barros Júnior
    28 de abril de 2015

    As coincidências que a vida traz… No entanto, o meu cabaré é bem diferente do seu, o meu é de pobre, para pedreiros e serventes de pedreiros, e o seu é de ricos… De qualquer forma, credenciamo-nos a uma antologia sobre o tema, se um dia existir. O tema proposto, “tamancas” foi evoluído de uma forma muito original. Mas apesar da originalidade da abordagem tudo isso acontece com mais freqüência do que poderíamos desejar, e leva a uma reflexão: por que as pessoas não percebem que a vida é breve, e entregarmo-nos ao amor é a única coisa que pode nos fazer felizes? Parabéns, gostei muito do seu conto romântico.

  7. Rodrigues
    28 de abril de 2015

    Não gostei. Até que achei a história interessante, mas não gostei da maneira como foi escrita, acho que poderia ter aproveitado mais esse ambiente do bar, um personagem a mais que conversasse com o cara no balcão, tirando um pouco o foco dessa obsessão do protagonista pela tal Cassandra e pelas tamancas. Aliás, a própria Cassandra foi mal aproveitada, não sabe-se muito sobre ela, exceto que dança sobre um par de tamancas e foi para a Europa. A parte do início do relacionamento está muito corrida, também. Fora isso, precisa de revisão.

  8. Pedro Luna
    28 de abril de 2015

    Olha, espero que o autor não me odeie, mas achei o conto comum demais. Ele é bem escrito, mas a trama não surpreende e nem tem um ponto forte. Pelo menos eu achei isso. Basicamente acompanhamos essa história de amor e isso nem sempre dá certo porque o espaço do conto é reduzido e assim não conseguimos sentir a força desse amor.

  9. mkalves
    27 de abril de 2015

    O texto está cheio de tropeços de linguagem que indicam falta de revisão e/ou uma escrita apressada demais e isso afeta a clareza. Certo excesso de adjetivos também incomoda. As alusões a algum drama do passado carecem de materialidade. Uma cena que pudesse desenhar para o leitor a natureza dos medos da personagem (o velho dilema contar x mostrar). Depois a descrição do drama propriamente faz com que toda a parte inicial pareça um tanto dispensável em toda sua extensão. Não me comoveu.

  10. Ricardo Gnecco Falco
    27 de abril de 2015

    Olá autor!
    Boa imaginação e boa ambientação! Mas… (e sempre tem um mas…)
    Repetição de sufixos com o mesmo som. É quase um vício, mesmo. Veja:

    “AparenteMENTE mais pessoas haviam chegado, mas poderia ser apenas uma impressão.

    O vento frio abraçou-lhe instantaneaMENTE, antes mesmo de fixar os pés com firmeza na calçada. As ruas permaneciam úmidas, porém os riscos de uma nova pancada eram mínimos, se não remotos. Apesar da escuridão, analisou o céu suficienteMENTE para chegar a tal conclusão. DificilMENTE se equivocava nessas situações. Optou por uma caminhada com a intenção de refrescar e reorganizar os pensaMENTos.

    Acendeu o isqueiro formando uma concha com a mão livre e saboreou o cigarro. No lado externo o som parecia muito mais alto. Com exceção dos carros que passavam esporadicaMENTE em sua frENTE, o caminho se encontrava deserto.

    Os primeiros fragmentos da memória não tardaram em surgir. Uma gargalhada que surgiu repentinaMENTE. O riso ecoou pelo vazio, fazendo com que se parecesse um louco. Entretanto, antes que pudesse se dar conta, os olhos ficaram marejados e todos os traços de uma possível animação desapareceram tão repentinaMENTE como surgiram.

    GeralMENTE sentia-se pior quando decidia cavar naquela profundidade, o que felizMENTE não ocorreu. Era a noite para exorcizar os possíveis demônios de seu passado. Continuou caminhando apesar de sua MENTE ter se transportado para um lugar completaMENTE distante. Morava perto dali e poderia refletir muito bem durante o caminho.

    Estava novaMENTE no início de sua fase adulta. A época em que finalMENTE conseguia trabalhar para se sustentar sem a ajuda de ninguém. CoincidenteMENTE, o mesmo período em que,,,”

    Neste trecho, 16 repetições em 6 parágrafos. Chegando por vezes a 4 num mesmo parágrafo. Faça o teste no conto inteiro e conte o resultado.

    #ficadica! 😉

    Paz e Bem!

  11. Bia Machado
    27 de abril de 2015

    Gente, que tema! Tamancas! Haha, bem, eu gostei de grande parte da história, apesar de achar que não se adequou ao tema, as tamancas foram algo secundário, em vista de outras questões do enredo. Há necessidade de uma boa revisão, os erros me incomodaram um pouco. No mais, saiu-se bem!

    Emoção: 1/2
    Enredo: 1/2
    Criatividade: 2/2
    Adequação ao tema proposto: 1/2
    Gramática: 0/1
    Utilização do limite:1/1
    Total: 6

  12. Cácia Leal
    26 de abril de 2015

    Nossa, esse tema é difícil, inda nem entendi muito bem o que queriam dizer com “tamancas”, quando propuseram como tema! De qualquer forma, o autor foi criativo sobre a trama, embora não tenha me agradado muito e nem senti muita simpatia pelos personagens.
    Sobre o conto, encontrei muitos erros de português, acho que faltou uma leitura atenta antes de enviar o conto.

    Suas notas:

    Gramática: 5
    Criatividade: 5
    adequação ao tema: 10
    utilização do limite: 10
    emoção: 5
    enredo: 5

  13. Fil Felix
    26 de abril de 2015

    O famoso conto sobre tamancas kkkk Ele não está bem revisado, tem bastante errinhos que sairiam numa boa, mas mesmo assim o conto me agradou. Acho legal essa ideia do cabaré, das lembranças, de como o tempo passou e mudou as personagens, além de como encaixou o tema, que é bem diferente.

  14. Swylmar Ferreira
    26 de abril de 2015

    Texto atende ao tema e está dentro do limite máximo proposto.
    A escrita me confundiu em alguns trechos, a trama é até interessante, mas confesso que tive dificuldade ao ler (ponto de vista de leitor).
    Boa sorte.

  15. vitor leite
    25 de abril de 2015

    não gostei do modo como o tema foi agarrado, ou seja, não gostei da história, mas estava bem desenvolvida e a trama estava bem descrita, bem contada.

  16. Pétrya Bischoff
    25 de abril de 2015

    Pois bem, minha primeira impressão, infelizmente, ficou nos erros gramaticais e de concordância, presente ao logo do texto mas, em especial na primeira parte. A leitura travou muito em função da escrita assim. A narrativa não foi prejudicada por isso, e as descrições são suficientes. É uma ideia clichê do cara que se apaixona pela prostituta, ela parte, perde o brilho, e comete suicídio, mesmo assim, gostei do final, mesmo sabendo de sua morte, ele ainda cultiva algo em relação a ela, e isso está presente na figura-tema das tamancas… De maneira geral, há algumas coisas para aparar, mas a ideia foi bem desenvolvida. Boa sorte.

  17. Leonardo Jardim
    24 de abril de 2015

    ♒ Trama: (3/5) gostei. A conexão entre o presente e o passado funcionou bem e a história toda foi contada no espaço do conto. Senti falta, porém, de saber mais de como eles se conheceram e de alguma coisa que marcasse mais. Acabou ficando um pouco água com açúcar :/

    ✍ Técnica: (2/5) conta com facilidade e faz bem a conexão de tempos da narrativa, mas os erros incomodaram um pouco.

    ➵ Tema: (1/2) tema estranho e você conseguiu tirar alguma coisa dele, mas não era um conto sobre “tamancas”, elas apenas faziam parte da trama.

    ☀ Criatividade: (1/3) histórias de cabaré são comuns. Faltou alguma coisa que a fizesse se destacar.

    ☯ Emoção/Impacto: (3/5) gostei, mas como já disse, faltou algo que chocasse mais, que o fizesse se destacar.

    ● Bônus: +1 pelo tema estranho.

    Encontrei os seguintes problemas:
    ● encontrar um táxi aquele horário, de *retirar esse “de”* uma sexta à noite *vírgula* impossibilitou tal feito
    ● Sempre agia trabalhava com indiferença (um verbo sobrou na revisão)
    ● mas o atraso é usual em casas de show mais simples como esta (achei pouco natural esse diálogo)
    ● agora em um volume bem maior *que* anteriormente
    ● Terminou o restante da bebida em um só *gole*
    ● No lado externo *vírgula* o som parecia muito mais alto
    ● Ficara mais *curioso*
    ● Visitou o lugar *pela* primeira vez
    ● Quando se deu conta *virgula* os dois já estavam com o relacionamento em andamento (achei estranho esse salto, num na frase anterior ele estava fazendo amizade com homens casados, na outra já tinha iniciado o relacionamento com a dançarina, acho que faltou contar como se conheceram)
    ● beijaram-se brevemente antes dela retornar aos preparativos *ponto* — Veio se divertir
    ● Para com isso, você sabe que manda bem — colocou a caixa na mesa e tornou a se sentar *ponto* — Vim lhe trazer isso
    ● *Apressou-se* em rasgar o embrulho e abri-la (não pode iniciar frases com pronomes átonos, exceção permitida, porém, em linguagem falada)
    ● rasgar o embrulho e *abri-lo* (abrir o embrulho)
    ● Naquela época *vírgula* o movimento já vinha diminuindo
    ● Seu emprego havia deixado *de ser* rentável (?)
    ● Aparentemente *vírgula* a desilusão com a falta de sorte na carreira
    ● Sofia não poderia ser *comparada* com Cassandra em nenhum aspecto

  18. Carlos Henrique Fernandes Gomes
    20 de abril de 2015

    As tamancas ficaram quase que de fora desse conto! E que tema esse! Devia ter falado de alguma portuguesa cantora de fados, seria mais “eficiente” nesse tema “ineficiente”. Não posso dizer que você foi mal, nem que foi bem, afinal fez o que pode. Por isso tem meus parabéns pelo esforço e também desejo que no próximo o tema seja mais divertido para você. Algumas letras estão a mais e você poderia ter usado menos Arnaldo e mais ele ou outra fórmula, já que só tinha ele de personagem principal masculino.

  19. Felipe Moreira
    20 de abril de 2015

    O texto me cansou um pouco, a não ser pelo final, dali em que Arnaldo e Cassandra se afastaram, por anos – flashback – em diante. O suicídio me causou um choque porque Cassandra foi quem realmente me envolveu na história, não apenas pelo ponto de vista de Arnaldo, mas eu imaginei realmente ela de uma forma independente na narrativa, desprendida de qualquer conceito elaborado por Arnaldo. Uma história boa, mas não me conquistou pela maneira que foi contada. A escrita não é ruim, definitivamente não. A quebra do presente para as lembranças de Arnaldo assim que ele sai do cabaré por ter visto Sofia preencher o vazio de Cassandra de maneira pueril(a julgar por Arnaldo) não foi harmoniosa. Eu particularmente levei linhas para perceber e não esquecer que se tratava de um flashback no texto. E só tomei real consciência quando Arnaldo retoma o presente o visitar o apartamento e etc.

    É um bom conto, sem dúvida. Uma surpresa dentro do tema sugerido. Não sei se essa história já existia em sua mente e você adaptou ou as tamancas realmente determinaram a essência do texto.

    De todo modo, parabéns pelo trabalho e boa sorte no desafio.

  20. rsollberg
    19 de abril de 2015

    Ah, esqueci. Curti bastante o Título e a foto que ilustrou o conto!

  21. rsollberg
    19 de abril de 2015

    Certamente, um dos temas mais complicados do desafio.
    Parabéns, autor, você conseguiu criar uma história que casou super bem com o objeto.

    Penso que também obteve sucesso ao criar o Universo do conto. Consegui sentir a atmosfera, o ambiente foi explorado corretamente.

    Um conto de amor original, com um tom melancólico do inicio ao fim, que me pareceu bastante acertado.

    No entanto, creio que faltou uma boa revisão.
    Vários trechos ficaram confusos, algumas frases foram construídas de modo estranho:

    “Foi a primeira vez que conversou com algo a mais com ele além de seu usual pedido.” (com algo a mais com ele)

    “A onda de alívio que o possuiu ao constatar (que?) nada aconteceria o deixou tranquilizado momentaneamente.”

    “uma nova música passou a tocar, agora em um volume bem maior do anteriormente”

    “A atração principal surgiu logo sem seguida.” (em)

    “Sofia subiu e tímidos aplausos foram emitidos por (em) diferentes pontos do cabaré”

    “A única coisa da qual tinha certeza era que continuou frequentando o local nas as noites em que Cassandra se exibiria e ainda conseguiu formar novas amizades” (continuaria? – nas as)

    Bem é isso. Gostei, mas acho que faltou um pouquinho mais de atenção
    Parabéns e boa sorte no desafio.

  22. Jowilton Amaral da Costa
    19 de abril de 2015

    O tema é um dos mais insólitos do desafio, sem dúvida.. Em relação ao conto, tenho que dizer que não gostei. A narrativa está confusa, os parágrafos não estão bem construídos, o que atrapalhou bastante no entendimento do conto. A passagem narrativa do presente para acontecimentos do passado, para as lembranças do Arnaldo, não foi bem executada, na minha opinião, o que me deixou um tempo perdido na leitura. O conto precisa de uma boa revisão. Boa sorte.

  23. Virginia Ossovski
    17 de abril de 2015

    Um conto acertado, cheio de nostalgia e drama. O tema foi encaixado de forma criativa e emocionante, o romance trágico me ganhou kkkk. Acho que os eventos se passaram de forma muito rápida, como a ida da Cassandra para o outro lado do mundo, acho que essa passagem poderia ser mais explorada. Parabéns e boa sorte !

  24. Sidney Muniz
    16 de abril de 2015

    mas tanto a dificuldade em encontrar um táxi aquele horário, de uma sexta à noite impossibilitou tal feito. – o uso desse “tanto” deu a impressão de que iria colocar outra adversidade que o atrasasse, como não houve mais que uma, não há a necessidade do mesmo.

    Sempre agia trabalhava – “agia” “trabalhava” acho que um só basta, e de preferência que seja entre os dois o “agia”

    Sorveu dois demorados goles do conteúdo, – Sorver e gole tem a mesma função, não que seja errado o uso dos dois, mas se fez desnecessário. Acho que o sorver aqui ficou fora do vocabulário da narrativa.

    bebida em um só gol – gole né?

    Cuidado com a repetição de palavras como: instantaneamente, e principalmente com o uso de muitas palavras terminadas em “mente” isso deixa o texto cansativo.

    Ex: Os primeiros fragmentos da memória não tardaram em surgir. Uma gargalhada que surgiu repentinamente – “surgiu repentina”, abrupta, etc. Não vejo necessidade do “mente” que é quase um vício, eu mesmo fazia isso muito, ainda talvez faça… risos. Observe em uma releitura quantas palavras terminam assim nesse seu conto, são muitas mesmo. Ah, e cuidado com o surgir/surgiu. De preferência substitua um para não cansar, pois o intervalo entre um e outro é muito curto.

    Veja outro exemplo no mesmo parágrafo: “…os traços de uma possível animação desapareceram tão repentinamente como surgiram.” surgiram, de novo, e repentinamente, outra vez. Que tal abrupta? há outros sinônimos, atente-se a isso.

    outras: geralmente / felizmente / completamente /

    As ruas permaneciam úmidas, porém os riscos de uma nova pancada eram mínimos, se não remotos. – mínimos e remotos tem a mesma conotação aqui. Sendo assim ficou um tanto redundante. Sugiro que corte uma delas.

    …seu exagerado consumo de bebidas e mulheres – não acho que ficou legal isso: consumo de bebidas, tudo bem, mas consumo de mulheres me pareceu estranho… risos.

    Bom, a tentativa foi boa, a trama tende a ser interessante, não há algo tão atrativo
    mas existe um fisgão em certo ponto que puxa o leitor para o lado dramático e tende a deixar o mesmo curioso pelo que o homem está fazendo lá.

    A narrativa precisa evoluir, e o uso da língua também, acho que faltou um pouco de atenção e ate mesmo mais dedicação nas revisões.

    Não curti o conto dessa vez, espero que na próxima o autor(a) me cative mais.

    Ainda assim desejo sorte e sucesso sempre, obviamente,

  25. simoni dário
    15 de abril de 2015

    O texto está bom, mas carece de revisão. A história consegue prender a atenção e transmite bem os sentimentos e o envolvimento entre Arnaldo e Cassandra, e acredito que você deu conta de um tema tão esquisito como “Tamancas”. Gostei muito do final. Teria sido melhor se não tivesse tantos erros. Boa sorte!

  26. Gilson Raimundo
    15 de abril de 2015

    Não entendi bem a relação do texto com o titulo, mas o tema “tamancas” me fez acreditar que fosse um autor de além-mar, certamente este tema não deve ter sido escolhido por alguém do Brasil, aqui se diria sandálias. No começo, o trecho “Sempre agia trabalhava com indiferença”, me pareceu ter sobrado uma palavra. A comparação entre Cassandra e Sófia pra mim também foi desnecessária. Felicidades.

  27. rubemcabral
    14 de abril de 2015

    Olá, sendo bem sincero: achei mediano. A escrita não está muito boa, com muitos problemas com pontuação e erros de digitação.
    Achei tanto o Arnaldo quanto Cassandra muito esquemáticos, sem muita vida. Creio que algumas descrições mais caprichadas teriam ajudado. Por fim, alguns diálogos, feito as falas do barman, por exemplo, não ficaram muito naturais.

  28. mariasantino1
    13 de abril de 2015

    Por favor me perdoe se esse comentário aparecer duas vezes, minha net dá pane (sempre)

  29. mariasantino1
    13 de abril de 2015

    Olá! Autor(a) Desejo um bom desafio para você.

    Houve muitos desacertos o decurso da narrativa e acredito que algumas reformulações de frases fariam o texto soar melhor, segue >>>>> no exato momento (em) que os ponteiros… pretendia chegar (ao) cabaré … sempre agia (assim, desse modo) trabalhava com indiferença… foi a primeira vez que conversou com (sobrou esse “com”) algo a mais com ele … Se virou (Virou-se) … o restante da bebida em um só gol (gole)… ao constatar (que) nada acontecia … foram (aos) bastidores … continuou frequentando o local nas as (sobrou o “as”) noites… Se apressou (Apressou-se) em rasgar o embrulho e abri-la (abri-lo) … antes de nunca mais se falaram (falarem) >>>>> Há mais fases e também desacertos quanto à crase, concordância e repetições de termo em um curto intervalo de tempo, mas vamos à trama.

    Foi bom o modo como trabalhou com o tema para criar sua história de amor trágico. O Arnaldo segue sempre retornando mesma estrada na esperança de rever (ao menos as tamancas) de sua amada. Por questão de gosto, aprecio muito essas nuances, essa expectativa dele ao abrir as cortinas, mesmo que já saiba que o passado não volta. Essa idealização do que poderia ser (qual amor platônico — não encontrei um outro exemplo, mas o sentido é algo idealizado mesmo) é belo e tocante. As tamancas representam o elo entre eles e o cabaré é cenário, é estrada para onde ele sempre volta devido a sua incompletude. Mas… sinto que caberia mais, um maior destaque para as tamancas quando eles estão longe reforçariam o sentimento e o valor que elas tem para a trama. Um brilho especial devido a dona estar sempre polindo-as, um ciúme por parte dela (Cassandra), desconforto de quem as usasse, mas para a verdadeira dona a sensação seria como andar em nuvens. Eu desejai até que ele surtasse e avançasse nos pés de Sofia para que ela retirasse as tamancas, e ainda acredito que se houvesse essa passagem de início o leitor ficaria muito mais fisgado, mas isso são apenas detalhes pessoais que acho que ajudariam a representar a importância dos bons tempos idos, do elo, enfim.

    Média — A nota para esse conto será: 7 (sete)

    • mariasantino1
      13 de abril de 2015

      Revisão do meu comentário: no* decurso da narrativa… Há mais frases* … sempre retornando a mesma estrada…

  30. José Leonardo
    10 de abril de 2015

    Olá, autor(a). Realmente, o tema “tamancas” é muito ingrato e desanimador em seu sentido literal, de modo que não restou outra alternativa ao escritor além de centrar a narrativa no calçado, bordá-la ao redor dele. Mas temas difíceis ou “vazios” só servem para aprimorar nossa capacidade de narrar e creio que foi esse o objetivo do participante que propôs “tamancas”.

    Penso que o ritmo da história, a evolução, ficou aquém. Havia todo um desenvolvimento do protagonista naquele ambiente, a apresentação frustrada de Sofia, a atração entre ele e Cassandra e, adiante, o presente que deixou esta última exultante. Em seguida, como num declive, a narrativa corre: num mesmo parágrafo a felicidade e a desilusão pelo anúncio da partida à Europa e a impossibilidade do protagonista acompanhar a dançarina. Em poucas linhas, grande passagem de tempo: o retorno de Cassandra, seu ostracismo, o suicídio, o protagonista com uma fotografia e comparação com Sofia. Sim, Sofia — uma personagem inexpressiva, quase um fantasma. Acho que, dentro do limite de duas mil palavras, o(a) autor(a) poderia equilibrar/distribuir melhor a disposição do enredo, inclusive, acrescentando parágrafos quando necessário.

    A seguir, observações (caso haja revisão posterior — dicas de minha parte, na verdade):
    — Suprima as palavras soltas: “mas TANTO a dificuldade”; “sempre AGIA trabalhava com indiferença”.
    — Concordância: “um grupo de seis mulheres SUBIRAM (…) e se DIVIDIRAM” (correto: SUBIU/DIVIDIU); “Sofia não poderia ser COMPARADO com Cassandra” (COMPARADA).
    — Tempo verbal: no trecho “A única coisa da qual tinha certeza era de que CONTINUOU frequentando (…) e ainda CONSEGUIU formar novas amizades” há conflito. Creio que os verbos deveriam estar no futuro do pretérito: CONTINUARIA/CONSEGUIRIA. Ou, então, elimine o trecho imediatamente anterior a CONTINUOU que o restante fará sentido.
    — Em “À pedido” não se usa crase.
    — O pronome QUE foi suprimido em duas passagens.

    Revisando depois do desafio, acredito que seu texto ficará bem melhor e à altura do talento que o(a) autor(a) demonstra aqui. E as dicas partem de um comentarista tão falho quanto você, pois eu costumo errar bastante enquanto escrevo. Abraços e boa sorte neste desafio.

  31. Neusa Maria Fontolan
    8 de abril de 2015

    Mais um tema do amigo da onça.
    Você foi bem, conseguiu escrever um conto com este tema, ao invés de dar uma tamancada em quem mandou. Ou duas… Três…

  32. Andre Luiz
    7 de abril de 2015

    Olha, caro Alan Corrêa, tenho que te dizer que você conseguiu fazer um bom texto dentro de um tema muito complicado, visto que, caso você tivesse dado pouca ênfase nas tamancas, deixando-as como um detalhe no texto(mesmo que isso tivesse uma repercussão na trama como um todo), talvez poderia ser classificado como fuga ao tema. No entanto, você soube usar tudo a seu favor, desde o clima de cabaré criado no conto até a época em que tudo se passa, encaixando o par de tamancas muito bem na história. Está de parabéns!

  33. Anorkinda Neide
    7 de abril de 2015

    É uma historia bonita e vc virou-se bem com este tema, hein! parabens! rsrsrs

    Achei apenas que vc demorou demais para começar a contar a historia propriamente dita…que pra mim, desenrola-se ali quando ‘Os primeiros fragmentos da memória’ surgiram…

    Mas isso é coisa minha, que vou direto ao ponto rápido demais! :p

    Boa sorte!
    Abração

  34. Fabio Baptista
    7 de abril de 2015

    Olá,

    Bom, esse texto pecou um pouco além da média na parte técnica, então vou me ater nessa parte, ok?

    Não diria que está mal escrito, porque ele até que fluiu bem fácil. Mas não está muito bem revisado.

    >>> Algumas frases, apesar de compreensíveis, ficaram confusas:
    – mas tanto a dificuldade em encontrar um táxi aquele horário, de uma sexta à noite impossibilitou tal feito.
    – o quanto aquilo significava e o que ele não deveria ter gasto tudo aquilo em um presente
    – Sorveu dois demorados goles do conteúdo, sentindo o líquido gelado percorrer sua garanta e, em seguida, queimando-a fervorosamente (aqui a confusão se deu pela mistura de sujeitos no meio da frase. Começou com o Arnaldo, e terminou com o líquido. Ficaria melhor: “queimá-la” no lugar de “queimando-a”. Fervorosamente não foi um bom adjetivo aqui).

    >>> Em muitos momentos, faltou ou sobrou uma palavra:
    – sempre **agia trabalhava** com indiferença
    – conversou **com** algo a mais com ele
    – onda de alívio que o possuiu ao constatar **[que]** nada aconteceria
    – não poderia ser **um** visto como um grande feito
    – quando ela avisou-lhe **[que]** partiria quatro meses depois

    >>> Além disso, algumas coisas que sumiriam numa revisão mais apurada:
    – Sofia não poderia ser comparado (comparada)
    – À pedido da mulher (sem crase)
    – restante da bebida em um só gol, (gole)

    >>> Excesso de palavras
    EXEMPLO: Andou poucos passos até a saída, sua imagem parecendo-se com um vulto movendo-se por entre as sombras. Aparentemente mais pessoas haviam chegado, mas poderia ser apenas uma impressão.

    Normalmente vale a regra: “menos é mais”. Veja como poderia ficar a frase, cortando algumas palavras. Parece bobeira, mas no final do texto dá diferença:

    Andou poucos passos até a saída, sua imagem parecendo um vulto movendo-se entre as sombras. Aparentemente mais pessoas haviam chegado, mas poderia ser apenas impressão.

    *******

    Sobre a trama, eu não gostei muito, infelizmente.
    O tema não foi dos mais fáceis, é verdade, mas achei a solução um pouco forçada.

    Acho que seria melhor se puxasse realmente para o lado do terror.

    Não entendi muito bem o final… :/

    NOTA: 5

  35. Jefferson Lemos
    6 de abril de 2015

    Olá, autor(a)! Tudo bem? Mas que tema sem vergonha…

    Sobre a técnica.
    Consegui ler de boa, mas encontrei alguns erros durante a leitura. Pareceu-me pressa do autor. Talvez uma revisão mais apurada tivesse solucionado esse problema.

    Sobre o enredo.
    Não foi ruim, mas também não me encheu os olhos. O desenvolvimento se desenrola bem, dividindo os atos e contando o presente e o passado, mas comigo não funcionou muito bem. O que pegou foi o fato de eu não ter conseguido me ligar na narrativa.

    Sobre o tema.
    Parece mais um daqueles que agiram de sacanagem. Tudo bem que isso aqui é um desafio, mas esse tema? Não parece fair play.

    Nota:
    Técnica: 7,0
    Enredo: 5,0
    Tema: 6,0

    De qualquer forma, está de parabéns!
    Boa sorte!

  36. Brian Oliveira Lancaster
    6 de abril de 2015

    E: Com um tema desses, o autor foi bem criativo. Nota 9.

    G: Gosto de textos melancólicos e nostálgicos e esse tem tudo isso, mais a tristeza do personagem, que transborda facilmente através da leitura. Apesar de afogar as mágoas em um bar ter se tornado meio comum e clichê nestes desafios, aqui tem um toque bem mais sutil e envolvente. Nota 9.

    U: Apesar da escrita leve e fluente, senti que faltou um pouquinho mais de revisão: há palavras comidas e construções estranhas. Não tiram o brilho do texto, mas incomodam. Nota 7.

    A: Bem, o objeto está presente e carrega toda a carga emocional do conto, apesar de surgir do meio para o fim. Nota 8.

    Média: 8.

  37. Eduardo Selga
    4 de abril de 2015

    Que pena! Uma narrativa tão sensível e tão prejudicada por falhas ao revisar.

    Os que acompanham o site “religiosamente” é possível tenham percebido alguns pontos que lembram “Café Melodia”, conto do desafio anterior: a ambientação mostrando um bar fechado, o elemento feminino como gatilho da ação sem no entanto haver protagonismo, a memória exercendo um papel importante no desenvolvimento da trama. Por outro lado, distancia-se do conto do tema “Pecados” em função da abordagem estética: enquanto o conto deste desafio é realístico, penetrando na interioridade do personagem, aquele fazia uso do discurso do insólito.

    A memória é a grande protagonista do conto, ou melhor, é o grande fio condutor dele. O personagem parece mesmo refém dela, na medida em que o ambiente lhe causa um retorno ao passado. E assim como as madeleines (um tipo de doce) de Proust, as tamancas representadas na fotografia evocam a delícia de ter vivido um amor para além da carne, um dos amores que vale a pena sentir para sempre.

    A lembrança, por si mesma, parece ser pouco ao Homem quando a saudade do outro é muita. Daí porque é comum “materializar” a presença da pessoa na forma de objetos que a evocam. É um ato que demonstra o quanto somos animais guiados pelo simbólico. Assim, as tamancas não são Cassandra, mas a substituem, é claro que de modo insuficiente. Esse aspecto simbólico do Homem o texto trabalhou bem.

    Acredito que o batismo de um personagem não deva ser aleatório. De algum modo o nome precisa espelhar a importância na trama, a personalidade, enfim ter ligação com a personagem quando esta possui carga simbólica, psicológica, política, filosófica, como é o caso de Cassandra. O nome, belíssimo pela sonoridade, remete à personagem da mitologia grega de mesmo nome, cuja caraterística marcante foi ter sido considerada louca por prever a Guerra de Troia e avisar a população sobre a tragédia iminente. Não vejo semelhantes traços na personagem deste conto (a premonição de uma tragédia e o intuito de evitar suas consequências), por isso o nome escolhido deveria ter sido outro, mais apropriado ao caráter da personagem ou à sua função na trama.

    Veja, prezado(a) autor(a): a criatura é sua -pelo menos até o instante em que ela não se torna pública-, portanto o batismo é por sua conta. Porém, o nome do personagem é parte integrante da narrativa, não apenas é um nome: compõe a narrativa, faz parte dela. O batismo do personagem masculino, ao contrário, não apresenta problemas, pois ele é um homem comum vivenciado uma situação comum, não obstante inconfessada e inconfessável para muito homens. Assim, “Arnaldo” é um nome que não compromete o personagem.

    GRAMATICALIDADES

    Em “Pretendia chegar no cabaré antes das nove […]” deveria ser AO CABARÉ

    Em “À pedido da mulher […]” NÃO EXISTE O SINAL INDICATIVO DE CRASE.

    Em “Sempre agia trabalhava com indiferença […]” parece FALTAR PALAVRA PARA FAZER SENTIDO.

    Em “Não podia julgá-los, pois um homem acima a meia idade sentado ali chamaria grande parte da atenção” parece FALTAR PALAVRA OU LETRA PARA FAZER SENTIDO.

    Em “Seu emprego havia deixado rentável e não encontraria nada para fazer no outro lado do mundo” parece FALTAR PALAVRA para fazer sentido.

    Em “Terminou o restante da bebida em um só gol […]” a palavra deveria ser GOLE E NÃO GOL.

    Em “[…] rapidamente se tornando a maior atração da cidade — o que não poderia ser um visto como um grande feito considerando-se a falta de opções para entretenimento”, a expressão UM VISTO não faz sentido. Provavelmente falta ou sobra palavra.

    Em “Acreditava que ambos tinham os plano traçados para o futuro […]” há um evidente erro de concordância, pois o correto seria OS PLANOS.

    Em “Sofia não poderia ser comparado com Cassandra em nenhum aspecto” o correto seria COMPARADA.

  38. Fábio Almeida
    3 de abril de 2015

    Oi =)

    O tema, apesar de imprevisível, acredito que era interessante. O limite está lá e é bastante largo. No entanto, acho que o conto pecou por demasiado discurso indirecto.

    Isto é: a todo o momento eu estava em pulgas por “conhecer” a cassandra. Acho que em vez de ser dito como foi a discussão, escrevê-la teria sido melhor. Por as personagens em acção, dar-lhes vida =)

    O mesmo para as cartas, ou para a despedida. A cassandra ficou assim meio distante do leitor por isso. Pelo menos para mim =)

    Algumas vírgulas mal postas (mas isso também é a minha sina 😛 ) , umas frases que podiam ser melhor construídas, mas isso é com tempo e leitura =P

    Gostei do tom melancólico! E gostei também do grafismo do conto; é fácil construir o ambiente do cabaret e da rua na nossa cabeça. =)

    Melhores cumprimentos =P e continuação de boas escritas =P

  39. Claudia Roberta Angst
    3 de abril de 2015

    Tema bem inusitado, não? Logo pensei na expressão “subir nas tamancas”. Também me lembrei de um certo colega que afirmou que qualquer palavra pode virar tema/desafio e citou, se não me engano, a palavra “groselha”. É, eu sei, algumas coisas simplesmente grudam no meu cérebro.
    Voltando ao seu conto com tema peculiar, confesso que comecei a ler com um misto de curiosidade e receio. Lá mais para o final da narrativa, as tais tamancas aparecem, mas não sei se ganharam o destaque merecido. O começo poderia ser menos introdução e mais focado nos pés da dançarina, por exemplo, evidenciando a ausência dos calçados adorados. A “cena” da entrega das tamancas como presente poderia ser melhor destacada do texto, revelando os motivos do desejo de calçar o par. Não ficou ruim, mas poderia melhorar com alguma lapidação.
    O diálogo com o barman ficou muito artificial. O narrador afirma que é só um rapaz, um garoto, de um salão sem grandes pretensões. Portanto, a linguagem do moço não combinou com a sua caracterização. Linguajar muito esnobe para alguém que deveria ser mais simples.
    O autor, em vários parágrafos, utilizou de forma exagerada de advérbios terminados em MENTE: prontamente, provavelmente, fervorosamente, totalmente, subitamente, totalmente, momentaneamente, anteriormente, aparentemente, e por aí vai. São muitos mesmo, talvez você nem tenha percebido isso.
    A revisão passou meio apressada por aqui, não? Há detalhes que poderiam ter sido descartados ou arrumados com facilidade.
    – chegar no cabaré > chegar AO cabaré
    – O único sujeito que também se encontrava sozinho > se o sujeito era o único, logo ele estava sozinho, não? Redundância.
    – A baixa música > eu tenho a tendência de mudar a ordem dos substantivos e adjetivos, mas neste caso, acho que não funcionou bem. “A música baixa” soaria melhor.
    Há outros enganos no decorrer da narrativa, mas que podem ser solucionados com uma boa revisão. A pontuação também merece ser revista, sobretudo quanto às vírgulas.
    Parabéns por não esmorecer diante de um tema tão diferente. Continue treinando e aperfeiçoando sua escrita. Valerá a pena. Boa sorte!

  40. Marquidones Filho
    2 de abril de 2015

    Uma bela história. Muito boa, parabéns. Somente em dois pontos do texto houve má colocação de palavras, de modo que ficou difícil entender o sentido da oração, mas isso não ofusca o conto.

  41. Tiago Volpato
    2 de abril de 2015

    O conto é bem conduzido. Achei bastante erros no texto, falta uma revisão melhor. Alguns deles:
    Sempre agia trabalhava com indiferença
    que conversou com algo a mais com ele além
    ao constatar nada aconteceria
    agora em um volume bem maior do anteriormente

    Ou talvez você seja a pessoa de portugal, então está desculpado 😛

    Em relação ao texto, achei que faltou uma coisa pra se destacar dos demais. Mas ele está bem feito. Abraço.

  42. Alan Machado de Almeida
    2 de abril de 2015

    Gostei do que você construiu a partir de um tema tão aberto. Só reclamo de falta de revisão. Tem algumas passagens onde se come uma vírgula ou uma letra.

E Então? O que achou?

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Publicado às 1 de abril de 2015 por em Multi Temas e marcado .