EntreContos

Detox Literário.

Café Melodia (Rodrigues)

conto

Não é tão cedo e nem tão tarde quando entro no Café Melodia. O velho cheiro dos bancos de couro está aqui, exalando ao nariz dos boêmios de toda a cidade. Puxo uma cadeira. Já estou no segundo cigarro, nenhum atendimento. Jogado numa mesa, um homem dorme com o rosto no prato. Deve ter cansado de esperar… Começo a assobiar. Não sou notada. Levanto, bato os olhos no relógio. Estico até o balcão.

Sento ao lado de um senhor enorme. “Desculpe, Tônia Velásquez vai tocar aqui?”. Não responde. Pega mais um pedaço de torta. Seu prato está cheio de vários sabores – gordurosos, lambuzados, escorrendo açúcar – deve achar que são petiscos. Enche o copo com um líquido amarelado, bebe num gole só, arrota e peida. Vou até a outra ponta do balcão.

***

Este conto faz parte da coletânea “Devaneios Improváveis“, Terceira Antologia EntreContos, cujo download completo e gratuito pode ser feito AQUI.

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51 comentários em “Café Melodia (Rodrigues)

  1. Rodrigues
    24 de fevereiro de 2015

    Ia responder um por um mas não rola! Agradeço a todos que leram e comentaram! o conto veio da ideia de um bar que tivesse os sete pecados personificados por seus freqüentadores e funcionários, ao terminar, achei uma filinha chata de personagens e resolvi que ia tentar meter uma trama aí no meio. Como ainda não tinha o pecado da inveja, usei para fechar a estória e ao mesmo tempo os pecados. O pseudônimo é o nome do assassino do filme Seven e não, eu não copiei o final do filme, nem pensei, juro mesmo, pois ele também acaba com um tiro e inveja. Valeu! Estou refazendo o conto e logo posto nos off-desafio.

  2. wilson barros
    23 de fevereiro de 2015

    Um conto muito bom, que ultrapassa o “realismo fantástico” e invade o surrealismo onírico. Bastante original, que nos prende por ser insólito, inovador, e ter a ação muito bem desenvolvida. Diga-se, a talhe de foice, que algumas imagens escatológicas não são muito do meu gosto, mas que fazer? É o estilo moderno. Leia os contos do realismo fantástico de Mia Couto, e Guimarães Rosa, parecidos com o seu.

    • Rodrigues
      24 de fevereiro de 2015

      Obrigado pelas indicações e leitura!

  3. Pedro Luna
    23 de fevereiro de 2015

    Que bar maluco é esse? Hahaha, ri com o cara dentro do balcão… gostei da loucura. Bem escrito e surreal na medida. O bom é que não fica dando explicações, simplesmente é um conto que acontece.

    • Rodrigues
      24 de fevereiro de 2015

      Vindo do autor que, pra mim, escreveu o melhor conto do desafio, é um baita elogio!

  4. Lucas Almeida
    22 de fevereiro de 2015

    Não é um texto ruim no que se refere a forma da escrita, mas o começo até o meio não me agradaram, achei que enrolou demais a trama. O que salvou o texto foi o final, descobrir que a mulher estava lá para um propósito bem chocante dentro do pecado. Com isso Parabéns, e boa sorte. 🙂

    • Rodrigues
      24 de fevereiro de 2015

      Valeu, Lucas!

  5. Leandro B.
    22 de fevereiro de 2015

    Oi, desconhecido.

    Achei o conto bem escrito com algumas sacadas. O cenário pós-vida é meio perceptível no início e não sei se era essa a intenção. Se não for o caso, sugiro que esqueça essa “surpresa”. Tenho a impressão que a coisa funciona melhor se revelando desde o início.

    Gostei muito da entrada do jovem e das fotografias. Acho que foram um dos pontos mais altos do conto.

    Não achei que o final está a altura do restante da história e, aqui, só posso mesmo reclamar, porque não tenho nenhuma sugestão melhor rs

    Não vi erros de revisão e achei a narrativa muito boa. Me carregou sem que percebesse.

    De maneira geral, e até mais do que isso, gostei do conto. Parabéns pelo trabalho.

    • Leandro B.
      22 de fevereiro de 2015

      Algumas boas sacadas*

  6. Rodrigo Sena Magalhaes
    22 de fevereiro de 2015

    Santa criatividade. Juro que queria ser tão inventivo assim (inveja!). Gostei.

  7. Swylmar Ferreira
    22 de fevereiro de 2015

    Conto complexo, tem boa estrutura, objetiva. Como todos, ou ao menos a maioria, bem escrito.
    Um personagem principal e o restante aleatórios demais, beira a falta de nexo de difícil entendimento. Linguagem sem abstrações, sem rebusques.
    Boa sorte.

  8. Edivana
    22 de fevereiro de 2015

    Com certeza daria um curta bem foda. Um café desse naipe, essas personagens curiosas e esse contrassenso todo. Gostei bastante das situações, mas talvez faltou mais de emoção à narrativa. Por isso acredito que um curta seria perfeito para as imagens que entraram na minha mente. Abraços.

  9. Bia Machado
    22 de fevereiro de 2015

    Gostei! No começo não estava achando muito legal não, apesar de bem escrito. Gostei da surpresa reservada para o final, e da firmeza na narração. Muito bom!

  10. rsollberg
    20 de fevereiro de 2015

    Curti esse estilo que mistura noir e non sense.
    O ambiente é insólito, mas estória traz a velha vingança do amor abandonado.

    Curti muito a “caracterização” do Café Melodia, praticamente um personagem solar do conto. Certamente iria frequentar com gosto esse local.

    O humor sutil e não convencional permeia todo o texto, e ajuda sobremaneira o leitor a digerir a brutalidade dos acontecimentos.

    Adorei a parte do rapaz com a polaroide. Será que era uma intervenção artística? Ou apenas um extremo de um comportamento obsessivo? Uma crítica, sem dúvidas!

    Tem alguma coisa de David Linch (não há banda!rs), ah TEM!
    A final foi bem bacana e o desfecho com “No more mon amour” a cereja da torta voadora.

    Parabéns e boa sorte.

  11. Leonardo Jardim
    20 de fevereiro de 2015

    Prezado autor, optei por dividir minha avaliação nos seguintes critérios:

    ≋ Trama: (3/5) bem legal o desenvolvimento, mas não tanto a conclusão. A motivação da protagonista não ficou muito clara.

    ✍ Técnica: (4/5) achei boa, com boas construções e narração bem fluida e gostosa de ler. Colocaria as falas dos personagens usando travessão, como é mais comum por essas bandas.

    ➵ Tema: (2/2) todos os pecados visitam o Café Melodia (✓).

    ☀ Criatividade: (3/3) as cenas foram bem criativas.

    ☯ Emoção/Impacto: (3/5) muitos acontecimentos pra mostrar os pecados, ficou corrido. O final teria ficado melhor se a motivação estivesse mais clara.

    ╌╌╌╌╌╌╌╌╌╌╌╌╌╌╌╌╌
    Classificação: ❽º (Teve nota 15 e empatou com “Avra Kedabra”, ficando atrás pelo segundo critério de desempate: “trama”, pois empataram também no primeiro: “emoção/impacto”).

  12. Carlos Henrique Fernandes Gomes
    19 de fevereiro de 2015

    É um conto no mínimo surreal! As imagens são bem produzidas na mente do leitor. Humor e tragédia. Nenhuma incoerência, exceto que a velha serviu um Caribe e no final aparece um Genebra; erro de continuação tem em todo bom filme. Se não tiver, desconfie; ele foi feito por um computador. Dentro da proposta despojada de um humor sem forçar a barra é um excelente conto com, talvez, todos os pecados: acabei não contando.

  13. Gustavo de Andrade
    19 de fevereiro de 2015

    Gostei um tanto!
    Cria-se um clima gostoso e cinza, dá uma sensação de noir. Os elementos de fantasia são até interessantes (como o pedido de tirar o presunto da mesa que tem três meses) e os retratos caricatos (arrota e peida) também. Trazem um tom de leveza ao clima tão denso quanto apático.
    Não sei se consigo apontar falhas pontuais, já que gostei bastante da forma como foi construído o clima (perguntando do show da moça assassinada). Consigo: certas coisas ficaram soltas demais. O assassinato pôde-se subentender como ciúme, mas pareceu uma desculpa muito fácil. Além disso, a permanência do cadáver no estabelecimento foi bem curiosa, algo talvez (bem) desnecessário à trama. Além disso, a inserção da garçonete raivosa não pareceu ter qualquer saldo de fato na narrativa, fora talvez um certo alívio cômico travestido de introdução ao universo apresentado no Café.
    Boa escrita! 😉

  14. Pétrya Bischoff
    19 de fevereiro de 2015

    Heeeey, belo texto. Achei a narrativa bastante confusa, mas aqui isso me agradou. Logo nas primeiras linhas, quando percebi que era uma guria, gostei inda mais. É um lugar vulgar e imundo, são restos humanos indignos, é um cenário perfeito para homens beberrões… e a protagonista é uma mulher, isso foi muito bom. E, durante toda leitura, com uma escrita um tanto sedutora e nojeiras por toda parte, pensei muito em I am the walrus, dos Beatles. De maneira geral, gostei bastante. Parabéns e boa sorte.

  15. Thata Pereira
    19 de fevereiro de 2015

    Não sou fã dos diálogos no meio do conto, separados por aspas, acho que fica confuso. Sobretudo aqui, porque foram falas muito seguidas, de personagens diferentes.

    Engraçado que outra coisa me incomodou aqui: as frases muito curtas. Elas dão uma agilidade impressionante ao ler e isso me atrapalhou. Como aqui: “Não responde. Sorri. A velha o atende e logo taca uma garrafa de cerveja à sua frente. O moço demora a beber, fica apreciando o rótulo da garrafa. Abre uma mochila.”.

    Adorei o nome do conto e a imagem escolhida, o começo e o final, mas o meio, apesar de ter lido duas vezes para entender, não me agradou por esses fatores.

    É claro que o(a) autor(a) não precisa fazer essas mudanças. É um problema na estrutura para mim, mas espero que outras pessoas tenham gostado do conto.

    Boa sorte!!

  16. Jowilton Amaral da Costa
    18 de fevereiro de 2015

    Que conto louco. Parece fleches de um sonho. Tem um cara morto há meses no bar, um balconista que urina dentro de garrafas, entre outros absurdos. Bem surreal. Mas, na verdade eu não gostei, já que não entendi o que o autor(a) pretendia com o conto. Também não gostei do da rima ali no final. Boa sorte.

  17. Luan do Nascimento Corrêa
    18 de fevereiro de 2015

    Surreal, quase que um sonho. Ações e reações, ações sem as esperadas reações, tudo muito louco. Estava certo de que o encerramento indicaria o sonho, mas não. Talvez não fosse essa a impressão desejada, mas é a que me atingiu.

  18. Andre Luiz
    18 de fevereiro de 2015

    Olá, caro John Doe!
    Seu texto possui um clima “noir” bem executado, e a imagem inicial reforça a ideia de Cinza(não 50 tons, mas…), deixando tudo com atmosfera de vintage, algo antigo e parcialmente melancólico – um clima parecido com o de psicose, do saudoso Hitckcock. E, ao mesmo tempo uma crítica e elogio, é totalmente confuso do início ao fim, resolvendo-se, no entanto, a baderna literária somente no desfecho da trama. Assim, sua confusão trouxe apreensão em saber no que aquilo daria, e o final arrasador conferiu uma boa solução para aquela indecisão do início do conto. Parabéns!

  19. Willians Marc
    17 de fevereiro de 2015

    Olá, autor(a). Primeiro, segue abaixo os meus critérios:

    Trama: Qualidade da narrativa em si.
    Ortografia/Revisão: Erros de português, falhas de digitação, etc.
    Técnica: Habilidade de escrita do autor(a), ou seja, capacidade de fazer bons diálogos, descrições, cenários, etc.
    Impacto: Efeito surpresa ao fim do texto.
    Inovação: Capacidade de sair do clichê e fazer algo novo.

    A Nota Geral será atribuída através da média dessas cinco notas.

    Segue abaixo as notas para o conto exposto:
    Trama: 6
    Ortografia/Revisão: 10
    Técnica: 7
    Impacto: 6
    Inovação: 6

    Minha opinião: Gostei da forma minimalista usada pelo autor(a) para descrever as cenas e objetos, mas a trama não me agradou muito, ficou parecendo um mosaico de pessoas pecando. Talvez o texto esteja tentando dizer algo mais, porém não consegui extrair isso.

    Boa sorte no desafio.

  20. alexandre Cthulhu
    17 de fevereiro de 2015

    mulher traida é fogo!
    Parabéns pelo conto. De uma originalidade relevante! Tem pormenores fantásticos, pois toda a descrição do café e dos cadáveres está excelente.
    Contudo podia ter mantido esse “estilo” na parte final quando há o assassinio. Aí parece que o conto perdeu um pouco o “noir” com que nos brindou durante todo o texto.
    Esta no meu top 10
    parabens! – Fiquei fã

  21. Maurem Kayna (@mauremk)
    16 de fevereiro de 2015

    Que decepção não haver nenhuma conexão entre a enxurrada de nonsense da história toda com a vingança de uma mulher traída. Tanto detalhe sem nenhuma função na história… ou eu é que não captei nada.

  22. Alexandre Leite
    16 de fevereiro de 2015

    Boa construção do personagem, narrativa determinada e instigante.

  23. Ricardo Gnecco Falco
    16 de fevereiro de 2015

    A hipérbole reina em plenitude aqui. O estilo não é dos meus, mas está bem escrito. Fiz a viagem toda no trenzinho, mas devo ter sentado no lado errado da composição, pois não curti a vista.
    Mas, como disse, está bem escrito. Parabéns!
    Boa sorte,
    Paz e Bem!

  24. Virginia Ossovski
    15 de fevereiro de 2015

    Nesse desafio as mulheres estão de matar ! Esse conto se destacou para mim, o começo pareceu bem surreal, talvez pela atitude incomum dos personagens, me senti em uma atmosfera de sonho até chegar o clímax. O final não foi previsível, apesar da vingança amorosa já ter aparecido por aqui. Sucesso no desafio !

  25. Gustavo Araujo
    14 de fevereiro de 2015

    Se houvesse uma antologia sobre bares sujos (no melhor sentido da expressão), este conto, juntamente como o “Locupletação”, figuraria nas cabeças. Parecem ter sido escritos pela mesma pessoa, até. Claro, há sutilizas aqui e ali que permitem perceber a individualidade da autoria. Neste, que é o que interessa no momento, o bar surge quase como um personagem — diria mesmo que é o protagonista — eis que é nele, ou por causa dele, que as pessoas se encontram consigo mesmas, encaram os seus inevitáveis destinos. Parece, por vezes, um purgatório. O trecho em que o sujeito morto está com a cara afundada no prato é especialmente inspirado. Muito bom, dá a tônica do lugar. O cenário proposto pelo autor é fantástico em todos os sentidos da palavra, eis que dá à trama os seus melhores matizes, ora colorindo os infortúnios, ora dando-lhes tons monocromáticos típicos de Sin City. Nessa senda, dá para dizer que a abordagem dos pecados é o que menos importa. Em suma, um texto brilhante. Parabéns!

  26. Sidney Muniz
    13 de fevereiro de 2015

    Gostei!

    o conto é bom, o final é o que mais valoriza o texto, que tem alguns rodeios que começam a cansar o leitor, mas ainda assim vale muito a pena a leitura.

    A narrativa é muito boa, e a trama como já comentei, se tona muito interessante.

    Ah, sem falar no ambiente. eu gostei dele, ficou muito bem criado.

    Trama (1-10)=8,5
    Narrativa (1-10)=10
    Técnica (1-10)=10
    Personagens (1-10)=9
    inovação e ou forma de abordar o tema (1-5)=5
    Título (1-5)=5… só de ler café, já me da vontade tomar um gole…

    Parabéns e boa sorte!

  27. Gilson Raimundo
    12 de fevereiro de 2015

    Triste história de amor. Bem montado o texto, com verdadeiras imagens desses clubinhos noturno ao estilo até da velha Luisiana.

  28. Anorkinda Neide
    12 de fevereiro de 2015

    Gostei do conto, o surreal me encanta, parece que é um sonho,mas pode ser que não..hehehe
    Apenas, como em tantos outros contos, acho que pecou no pecado…kd ele? hehehe
    mas parabens pelo texto gostei demais!
    abraço

  29. rubemcabral
    12 de fevereiro de 2015

    Caramba! Ótimo conto: gostei do ambiente degradado e caótico do bar meio Kafkaniano (pelo absurdo da aceitação natural), meio Bukowskiano (?), pela boemia e jeito maldito/perdido dos personagens. Achei bem sacado o desfile de pecados não muito óbvios. O final fecha o texto muito bem, a letra em francês deu um charme especial.

    P.S.: Parece conto do Rodrigues.

    • Rodrigues
      24 de fevereiro de 2015

      Na mosca! Errei o seu este mês! Valeu o comentário!

  30. Claudia Roberta Angst
    11 de fevereiro de 2015

    Sucursal do inferno? Ainda estou impressionada com o cadáver mergulhado no prato de comida. Mas há três meses lá:? Ou terá sido só uma hipérbole usada para censurar a preguiça da faxineira?
    A gula ficou bem clara no conto, com o montante de guloseimas e algum nojinho aqui e ali. No final, a ira misturada a uma inveja embutida no ciúme da moça.
    Sem dúvida, o conto está bem escrito. Foi fácil de ler e prende a atenção. Só achei que o final destoa do resto em questão de estilo. O tom mudou de repente, ou foi impressão minha?
    Boa sorte!

  31. mariasantino1
    11 de fevereiro de 2015

    Oi, Fulano. KKKK

    Puxa! Eu estou tendo muito problemas por aqui, viu? É cada texto mais de tirar o fôlego que outro (e isso não tem nada a ver com meus fracos pulmões. 😦 )

    Em primeiro lugar, senti que você centrou o cenário do seu conto em alguma referencia que eu não captei. O John Doe que você usou como pseudônimo, quer dizer João Ninguém, fulado, Beltrano… Não é mesmo? Mas vi na net outras referencias que infelizmente não deu pra pegar. Mas, enfim, adorei a referencia da canção aí.Quando li, pensei, vou atrás que parece ser bom. E, não me arrependi não. “Imenso- A Naifa” É uma PUTA letra! Não conhecia, a música é um poema só—>>> Nascer larva, morrer borboleta/Lagarta crisálida de cor violeta/Ser águia luar com mãos de veludo/Desta saudade de nunca ser tudo.
    Esse bar, Meu Pai do Céu! Que nojo! Quanta gente preguiçosa dos infernos, hein? Na verdade, pode se dizer que isso aí que você pintou é o inferno puro! Não como tortura física, mas me incomodou demais essa morosidade dessas pessoas —>>> “O balconista apoia o cotovelo no queixo babado enquanto olha desinteressado as cortinas do pequeno palco no outro salão. … Ele enche um copo de urina e me entrega.” Isso é muito nojento e muito louco. Haha! A faxineira com seu ato insólito, o guloso, o cara avarento… Eu gostei disso, mesmo, porque o bar toma vida, rouba a cena. O final foi muito bom. Uma traição que se pagou com boa vingança. Não sei como algumas pessoas conseguiram isso de dar dimensão a um conto curto como esse.
    É possível que esse texto esteja na minha lista de favoritos pela construção palpável de desesperança, melancolia e muita, muita apatia impregnada. Sinceramente houve momentos que eu disse aqui sozinha. “PoW, bicho! Que sangue de barata, reage aí!
    Parabéns pelo zelo quanto a revisão. Um abraço e boa sorte.

    • Rodrigues
      24 de fevereiro de 2015

      Maria! Muito gratificante saber que você correu atrás da música e gostou. Essa música chegou em mim pela trilha sonora do filme “Morrer como um homem”, que também recomendo. Obrigado pelo comentário!

  32. Rodrigo Forte
    11 de fevereiro de 2015

    Que conto maravilhoso! Me remeteu a tantas coisas que é difícil citar todas. O que mais me pegou foi o surrealismo Lynchiano, que fez com que eu desse risada com cada descrição que passava. Parabéns e desde já torço para que esse seja o conto vencedor do Desafio.

  33. Brian Oliveira Lancaster
    11 de fevereiro de 2015

    Meu sistema: EGUA.
    Essência: um jeito inusitado e diferente de se contar uma história em primeira pessoa. Nota 10,00.
    Gosto: toda a ambientação ficou interessantíssima, ainda mais por estarmos “nos olhos” da protagonista. O climão de lugar errado e hora errada foi além do esperado. O final fechou com chave de ouro. Nota 10,00.
    Unidade: Não encontrei problemas relevantes. Nota 10,00.
    Adequação: uma alegoria de personagens dentro do contexto deu todo o tom. Nota 10,00.
    Média: 10,00.

  34. Eduardo Selga
    10 de fevereiro de 2015

    Nas primeiras linhas a narrativa parece ter um caráter realístico, mas logo vamos nos dando conta de que é apenas aparência: temos uma narrativa inserida no discurso do insólito muito bem executada.

    A primeira estranheza pode até não ser, para alguns: ao contrário da clientela habitual de um ambiente como o narrado, temos uma mulher, ou melhor, uma personagem feminina narrando a estória que se pauta por cenas absurdas do ponto de vista do real empírico, todas dentro do Café Melodia. Vejamos: o balconista urina no copo e o oferece á cliente quando esta lhe pede uma bebida; há um cliente morto numa das mesas há vários meses, o que é encarado de modo natural pela atendente; uma faxineira se masturba com o vassourão, batizado de Adalberto (Adalba, para os íntimos) e pelo qual parece apaixonada; um cliente se fotografa junto a uma garrafa de cerveja com a antiga Polaroid, cola as fotos no corpo e só aí usa o celular para outra vez se fotografar (uma referência sarcástica ao hábito um tanto paranóico de “fazer selfies” infinitas, agora com um pedaço de pau próprio).

    Embora possa parecer, não há gratuidade nos absurdos das cenas, tampouco inverossimilhança interna, pois o universo em questão, o bar do conto, funciona a partir de outra lógica, nem tão distante assim do real empírico: certamente já fomos atendidos por balconistas que, se pudessem, fariam o mesmo que o personagem fez; pessoas mortas há muito tempo são encontradas caídas por ai, além de em vida mesmo haver muita gente morta, “encarando o abismo” de uma existência em queda livre; a masturbação feminina sem culpa ganha espaço, ao lado da dificuldade crescente em manter relacionamentos afetivos interpessoais honestos e saudáveis; a obsessão narcisística pela imagem de si próprio, nós podemos enxergá-la em todos os cantos do cotidiano. Ou seja, a verossimilhança externa não foi subvertida, apenas muito bem estetizada por meio do discurso do insólito.

    Ao final, descobrimos que também a busca da personagem pela cantora do Café Melodia, e portanto sua presença num ambiente predominantemente masculino, não tem nada de estranho: é vontade de acertar algumas contas, como de fato o faz.

    A orquestração da melodia do texto, afinal o que importa num conto é isso e não a estória, está perfeita.

  35. Sonia Rodrigues
    10 de fevereiro de 2015

    Bom uso do português.
    Trama razoável.
    Começo neutro, desenvolvimento da trama exagerado em detalhes irrelevantes para a história – o gordo com suas tortas, a faxineira com sua vassoura.

    O final está bom, surpreende.

  36. JC Lemos
    9 de fevereiro de 2015

    Sobre a técnica.
    Gostei. Lembrou-me o estilo sujo de Sin City.

    Sobre o enredo.
    Combinou com a técnica narrativa. Gosto de coisas assim, meio sujas. Gostaria de saber escrever assim, mas querer não é poder. E enquanto não consigo, aprecio quem consegue. Hehe
    Bom trabalho!

    Parabéns e boa sorte!

  37. Gustavo Aquino dos Reis
    9 de fevereiro de 2015

    Gostei muito do conto. Noir puro. Porém, com uma roupagem clichê do crime passional.

  38. Tiago Volpato
    9 de fevereiro de 2015

    Eu gosto desse tom caótico no texto. Esse estilo sujo a la Bokowski. Só achei que aconteceu muita coisa ao mesmo tempo e ficou um pouco confuso em algumas partes. Mas gostei do texto!

  39. Mariana Gomes
    9 de fevereiro de 2015

    Caramba, vou procurar minha lucidez depois desse conto, haha. O que o bar se transformou no fim foi uma sacada muito boa, você tem uma criatividade incrível. Parabéns e boa sorte!

  40. Thales Soares
    8 de fevereiro de 2015

    Seu conto é estranho e fede. Não que isso seja ruim. Na verdade, é isso que deixa-o interessante. Eu me deixei levar pela linha bizarra de narração e me senti como se eu estivesse num sonho, onde as barreiras da realidade estão ausentes, e coisas inexplicáveis acontecem. Achei toda a ideia bastante interessante e bem aplicada. O final pareceu-me um pouco estranho, mas tudo bem, combinou com a estranheza de todo o resto da obra.

  41. Pedro Coelho
    8 de fevereiro de 2015

    Bom conto. Personagens bem construídos,cenas bem elaboradas e um bom final melancólico.O autor parece fã de Bukowski. Explorou bem a crueza do ambiente e a aparição dos pecados no decorre da narrativa. Narrativa fácil que flui bem e prende o leitor. Algumas partes ficaram um pouco caricatas e exageradas, mas acho que foi essa a intenção. Pena só ter 1000 palavras, gostaria de ler mais.

  42. Luis F. T.
    8 de fevereiro de 2015

    Conto intenso com um final gratificante. Muito bem redigido e com uma história intrigante. Parabéns!

  43. Cácia Leal
    7 de fevereiro de 2015

    Achei o texto bastante confuso de ler. Muitas informações juntas, algumas das descrições meio fantásticas que me deixaram ainda mais confusa. Não consegui visualizar a maioria das cenas, nem compreendê-las. Acho que merecia melhor explicação das cenas, fazer o leitor se ambientar melhor.

  44. Alan Machado de Almeida
    7 de fevereiro de 2015

    Gostei da ambientação e do personagem decadentes. No início do conto seu personagem descrevia não só o visual, mas também o cheiro das coisas. Podia ter mantido essa característica no conto todo.

  45. Fabio Baptista
    7 de fevereiro de 2015

    Olá,

    Gostei do climão sujo do bar e da maneira clara como a narrativa se desenvolveu.
    Porém acho que foi um pouco surreal demais para mim.

    Além disso, como acabei de comentar no conto anterior a esse, o lance de “assassinato no final” já meio que saturou.

    Veredito: uma boa escrita dentro da proposta, mas infelizmente não me agradou muito.

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Publicado às 6 de fevereiro de 2015 por em Pecados e marcado .