EntreContos

Literatura que desafia.

A Cidade Esquecida (Fil Félix)

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Durante a segunda metade do século XIII o Império Mongol foi liderado pelo Quinto Grande Khan, o amante da opulência e extravagância Kublai Khan, fundador da Dinastia Yuan. Um senhor cuja avareza se equiparava apenas ao seu tamanho e que, mesmo não sendo aceito pelos chineses por ter nascido nas montanhas mongóis, foi capaz de instaurar ordem, conquistar novos territórios e continuar os avanços de sua família.

Seu Império se estendia da China ao Paquistão, banhado pelas águas quentes do Pacifico às misteriosas e eclipsadas do Mar Negro, uma extensão jamais imaginada para um Khagan. Englobava cidades e países que Kublai sequer sonharia em visitar, pisar com seus próprios pés e averiguar de perto seus súditos. Seus representantes, assim como seu exército, eram muitos. Mas mesmo assim, Kublai ansiava por conhecer as terras desconhecidas que seu império tocava. Para saciar seu desejo, sempre que podia recebia a visita do explorador veneziano Marco Polo, seu embaixador há anos.

O imigrante viajava o além-Império, trazendo informações ao Grande Khan, lhe apresentando culturas e costumes dos quais nutria grande curiosidade, se tornando um exímio contator de histórias. Khan, sempre atento e íntegro, obtinha ajuda de tradutores particulares para transcreverem as cidades narradas por Polo, mas sempre depois de escutar da própria boca do viajante, por mais que não entendesse uma só sentença.

Sabendo que sua narrativa era importante, o próprio Polo seguia ao palácio junto de uma arca, contendo inúmeros objetos que utilizava para contar suas viagens. De uma certa maneira, sua mensagem chegava ao grande Kublai Khan através de seus gestos e peças que ilustravam as frases.

Num desses encontros, porém, o Imperador ouviu – ou melhor, compreendeu – uma história que jamais esqueceria e que, mesmo sem ter o apoio de seu tradutor, pôde entender os mínimos detalhes. A história de um lugar esquecido pelo mundo, cuja singularidade superava a exuberância das Índias e os segredos dos árabes. Até as paredes de seu palácio, folheadas em ouro e ornamentadas por dragões-serpente pareciam simplistas ao ouvir das criaturas que naquela terra viviam.

Em seu trono dourado, sobre as cabeças de lagartos gigantes e reluzentes, o Grande Khan fez um sinal para que Polo, sentado ao chão e à uma distancia considerável de seu superior, pudesse começar a narrar sua última viagem. O veneziano, então, abriu a arca ao seu lado, retirando um galho seco de dentro. Com o braço direito, apontou de um extremo do salão imperial ao outro, formando uma linha horizontal imaginária, seguida de um outro gesto, desta vez com as duas mãos, formando triângulos no ar.

Kublai Khan, de olhar atento e curioso, mas sem deixar sua seriedade e soberania de lado, entendia aqueles gestos. Polo, certamente, narrava sua aventura por um grande vilarejo, perdido entre as montanhas. E as palavras proclamadas por ele, apesar de incompreensíveis, soavam como melodias ao Imperador.

Com o mesmo graveto, apontou o sol fraco e tímido visto pelas enormes janelas do salão. Puxou um saquinho de sal da arca, despejando-o no chão à sua frente e, com as mãos, moldou uma meia-lua com ele. Retirou uma cumbuca e a pôs na curva de sal. Khan não teve dúvidas: este grande vilarejo entre as montanhas também era banhado pelo mar. Uma península, talvez.

E passagem por passagem, Khan consolidava em sua mente a jornada de Marco Polo. A cada objeto tirado do baú, como fitas vermelhas e folhas secas, Khan entendia o conteúdo de sua narrativa: a primeira coisa que Polo fez ao desembarcar nas praias desta terra perdida foi ordenar à seus homens que descansassem, nem tão perto do mar e nem tão perto da floresta que ocupava praticamente tudo à frente deles. Que ancorassem a embarcação, enquanto ele mesmo, sozinho, exploraria um pouco do ambiente, voltando antes do entardecer.

Encantado pelo clima acolhedor desta nova terra, cujos raios de sol mal atravessavam as copas das árvores, Polo ansiava por conhecer a fauna nativa, imaginava se a mata fechada escondia feras tão fantásticas quanto os enormes encouraçados da África, com serpentes em suas faces, ou até mesmo as curiosas éguas pescoçudas que encontrou em antigas viagens.

Desbravando a mata, passou a ouvir um barulho familiar, cada vez mais forte. O som de água. Mas não da maré, que o acompanhou ate aqui, mas sim o de água doce. O barulho de uma enorme cachoeira que descia pesada a alguns metros à sua frente, enchendo um enorme lago cristalino.

Se apoiando no tronco de uma árvore, olhou para este lago, imaginou como poderia descer até ele. Imaginou experimentando aquela água translúcida e vibrante, imaginou contando à seus homens, voltando mais tarde com eles para se banharem, tirando todo o cansaço da viagem e se divertirem à luz da lua. Imaginou, sim, uma grande lua cheia sobre eles, iluminando e observado-os. Por mais que, naquele dia, ela estivesse com sua face escondida.

 

Polo ficou inebriado pela visão da paisagem, sentindo desejos que jamais imaginaria sentir. O clima tropical lhe fazia suar, ele poderia sentir até as árvores transpirarem ao seu redor, a água à sua frente nunca lhe pareceu tão saborosa. Percebia a chegada de um completo devaneio à sua mente, como se houvesse algo exalando da terra marrom aos seus pés.

 

Sua atenção foi desviada por um outro som, o barulho de passos pesados e sincronizados, acompanhados por uma melodia. Assustado, se escondeu através de uma árvore, espiando o lago pelo canto do olho. Aos poucos o som foi ficando mais alto, até que pôde ver um grupo de habitantes nativos, do outro lado, próximos à quebra da cachoeira, se aproximando e formando uma linha na lateral do lago. Eram por volta de 15 homens, todos nus e com símbolos pintados pelo corpo como aborígenes, ornamentando pulseiras e pedaços de madeira que atravessavam suas bocas e orelhas. Apesar de uma certa semelhança com o povo do Império Mongol, como os cabelos negros e os olhos rasgados, a pele era de uma coloração escarlate nunca vista por Polo.

 

Que terra curiosa, pensou ele, onde a civilização ainda não havia chegado. Que tesouros esconderia? O quão valiosa poderia ser para o Império do Grande Khan? Permaneceu escondido para ver o que os homens fariam. Todos, numa perfeita sintonia, entoavam alguma palavra, ou o que parecia ser uma palavra, mas que aos poucos foi se tornando mais alto. Com uma certa dificuldade, ele conseguiu entendê-la: gritavam algo como mboi tu’i, repetidas vezes.

 

Neste momento da história Kublai fez um gesto com a mão, solicitando que Marco Polo desse uma pausa em sua narrativa. Com um outro gesto, solicitou à sua esposa, Chabi, que lhe trouxesse uma taça de água. Enquanto ela saía do salão para buscar, o Imperador brandou: “não posso imaginar a existência de tal povo, cuja pele seja tão singular! Desde as mais negras como a noite ou as mais claras como a neve, jamais pensaria que pudesse existir povos vermelhos!”.

 

Marco Polo claramente não entendeu uma só palavra dita por ele, mas as mesmas foram prontamente traduzidas ao veneziano através de um tradutor presente no salão, pertencente à um grupo de serviçais de extrema confiança do Grande Khan. Com a chegada de Chabi portando uma taça de água, Khan fez outro gesto com a mão para que Polo continuasse. O mesmo afastou os inúmeros objetos à sua frente, abrindo espaço para os próximos que tiraria da arca.

 

Retirou uma pequena estátua representando uma criatura sagrada do folclore chinês, Polo deu continuidade à sua aventura. Khan já deduzia o que se tratava a reunião dos homens-vermelhos na beira do lago: uma reverência à alguma entidade.

 

Os gritos continuaram: mboi tu’i, mboi tu’i, mboi tu’i… O sol, ao fundo das montanhas, se preparava para adormecer. O tempo passou tão rápido que Marco Polo esquecera que avisou seus homens que voltaria antes do entardecer. A responsabilidade o chamava de volta, mas a curiosidade falava mais alto, permanecendo atrás da árvore.

 

Conforme o céu escurecia, a água do lago deixava sua beleza cristalina de lado e passava a ter uma cor fúnebre, negra e sombria. Polo não sabia se por conta da noite que se aproximava ou pelo efeito da cantoria dos homens. Só tinha certeza que, nesse estado, jamais entraria nele.

 

Mais uma vez sua atenção foi roubada e desviada para o outro extremo do lago, para o movimento do que parecia ser uma serpente cortando a água. Primeiramente, ele imaginou ser uma verdadeira cobra d’água, mas pelo tamanho, pensou também num desses lagartos gigantes. Numa velocidade acima da média, a criatura nadou em direção aos homens. Parando e se movimentando em círculos.

 

Eles, os avermelhados, pararam de gritar e entraram em polvorosa, numa mescla de alegria e medo. Levantando as mãos e pulando, como se a terra à seus pés estivesse em chamas. Falavam palavras, mas uma diferente da outra, as quais Polo não conseguiu definir uma sequer.

 

A criatura no lago começou a emergir, mostrando sua aparência tanto para os nativos quanto para o estranho escondido. O corpo se parecia com uma serpente, sim, repleta de escamas reluzentes e negras, carregadas por uma textura suja e áspera. Mas era muito maior que uma serpente, seu corpo era da grossura de uma árvore, assim como seu comprimento. A parte que emergiu deveria ser nem a metade do que escondia na água.

 

Mas a cabeça era algo incompreensível, contra todas as leis da natureza. No lugar de boca, mantinha um enorme bico, do qual saía uma língua bifurcada como das cobras. Acima dos olhos, serrados e misteriosos como das peçonhentas, um elmo de penas. Era, praticamente, a junção de dois animais distintos

 

A cabeça da criatura, se movendo de um lado ao outro em movimento bruscos, observava os homens à sua frente. Abrindo o bico e emitindo um som semelhante ao dos gansos, roco e abafado. Os aborígenes, assutados, continuavam a pular com as mãos para cima, porém com o corpo mais retraído, como se com medo de serem devorados a qualquer momento.

 

Marco Polo, atrás da árvore e fascinado com a figura no lago, ousou dar um passo a frente para vê-la com maior nitidez. O animal, porém, percebeu o movimento do estrangeiro, virando a cabeça e observando-o de olhos arregalados. Abriu o bico como as serpentes abrem a boca para dar o bote, deslocando o que seria um maxilar e, brandando a língua bifurcada, emitiu um grito roco e estrondoso, como o de um louco. Assustando os escarlates, que fugiram.

A criatura, porém, se movimentou em direção à Marco Polo, fazendo seu coração bater cada vez mais rápido e se surpreendendo ao perceber que, ao chegar na margem do lago, a criatura mostrou ter duas patas traseiras que lhe permitiria andar pela mata. Sem pensar muito, o viajante correu em direção à praia. Pensou que, devido o tamanho, a grande ave-serpente de patas teria dificuldade em atacá-lo.

Sem poder enxergar com nitidez devido a ausência da lua no céu, correu dando pequenos pulos na intenção de desviar de possíveis obstáculos, chegando na praia e se jogando na areia, gritando por seus companheiros, que vieram lhe socorrer de prontidão. A fogueira improvisada afugentou a criatura, pensou ele, ou que não pudesse sair da mata, pois não viu nenhum sinal dela.

Não disse a verdade à sua equipe, apenas que a mata era fechada demais para a expedição, além de conter animais tão perigosos quanto os vistos na África. Teriam que continuar a rota marítima. Os ajudantes, como de costume, não duvidaram de sua palavra e começaram o processo de desancorar a embarcação.

Com um gesto final de agradecimento, Marco Polo encerrou sua história, guardando os objetos dentro da arca e aguardando a permissão do Grande Khan para, junto do tradutor real, transcrever a viagem no registro das cidades invisíveis, os lugares cujos olhos do imperador não conseguiam chegar.

Kublai Khan, entretanto, levantou de seu trono e dispensou o embaixador, assim como todos os demais do salão, que saíram desajeitados. Sentando novamente, refletiu sobre a história, frisando o rosto redondo. Em nenhum momento desacreditou de Marco Polo, pois possuía uma grande confiança nele, assim como também não duvidou de sua interpretação da história. Pensou, então, que ninguém poderia tomar conhecimento do lugar, além dos únicos presentes no momento da narrativa. Sequer mencionada dentro ou fora do Império Mongol. Uma terra com tamanha singularidade e mistério deveria permanecer  escondida por quanto tempo fosse possível. Seu povo não estaria preparado para esta verdade.

Decisão tomada, chamou a todos para dentro do salão novamente e brandou as novas ordens. A tentativa foi válida, porém temporária, pouco mais de dois séculos após a morte do Quinto Grande Khan, a terra esquecida foi descoberta por outro império..

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30 comentários em “A Cidade Esquecida (Fil Félix)

  1. Pétrya Bischoff
    11 de janeiro de 2015

    Bueno, a primeira terça parte do texto foi legal para mim e remeteu-me a narrativa de um filme sobre o assunto. Sempre gosto quando inserem elementos ou personagens reais nos textos. No entanto, o resto pareceu-me cansativo e, mesmo não havendo erros gritantes, não é algo que me convença.

  2. Jowilton Amaral da Costa
    11 de janeiro de 2015

    Embora a parte gramatical esteja muito boa, a trama do conto não me cativou, achei a leitura cansativa. Boa sorte.

  3. Miguel Bernardi
    11 de janeiro de 2015

    Queria ter gostado mais… algumas frases não caíram bem. Mas, é claro, isso não tira o mérito do resto do texto. A narrativa me surpreendeu, mesmo com o que disse antes, sobre algumas frases: é uma boa narrativa, para uma boa história. Ele é original, foge do clichê. Aproveitar um personagem histórico é sempre legal, e neste conto não saiu dessa regra.

    Gostei, poderia ter gostado mais sim, mas é um texto que parte de uma ótima ideia e que funciona bem, é bem contado. Uma pequena revisão ajudaria a aumentar a qualidade da obra.

    Grande abraço e sorte no desafio, Italo!

  4. Eduardo Matias dos Santos
    11 de janeiro de 2015

    Um conto advindo de um grande trabalho de pesquisa, mas que não teve “nada de mais”. Esta história merecia uma tratamento mais épico. Boa sorte.

  5. williansmarc
    11 de janeiro de 2015

    Olá, autor(a). Primeiro, segue abaixo os meus critérios:

    Trama: Qualidade da narrativa em si.
    Ortografia/Revisão: Erros de português, falhas de digitação, etc.
    Técnica: Habilidade de escrita do autor(a), ou seja, capacidade de fazer bons diálogos, descrições, cenários, etc.
    Impacto: Efeito surpresa ao fim do texto.
    Inovação: Capacidade de sair do clichê e fazer algo novo.

    A Nota Geral será atribuída através da média dessas cinco notas.

    Segue abaixo as notas para o conto exposto:
    Trama: 7
    Ortografia/Revisão: 8
    Técnica: 8
    Impacto: 7
    Inovação: 7

    Minha opinião: Gostei da escolha dos personagens e do desenvolvimento da história. A trama é simples, mas atende ao que o autor(a) propôs. Também acho que a criatura fantástica desse conto deveria ter sido um pouco mais aproveitada, talvez encontrando alguns dos tripulantes de Marco Polo ou se mostrando um pouco mais para as pessoas que estava fazendo o ritual.

    Boa sorte no desafio.

  6. Sidney Muniz
    11 de janeiro de 2015

    conhecer as terras desconhecidas – tiraria esse desconhecidas – Ficou muito ruim isso.

    mas sempre depois de escutar da própria boca do viajante – Própria boca do viajante – Esse própria está sobrando, não?

    Bom, não gostei não.

    Achei elucidativo demais e o excesso de adjetivos tornou a leitura cansativa, bem como a repetição dos nomes.

    A narrativa me soou carregada demais.

    Talvez seja gosto pessoal, mas infelizmente não me cativou.

    Desejo sorte e te parabenizo!

  7. Tiago Volpato
    10 de janeiro de 2015

    O texto é interessante, mas pessoalmente não me agradou muito. É um texto bem descritivo o que pra mim não é muito interessante, mas isso não tira o fato de ser um bom texto. Abraço.

  8. JC Lemos
    9 de janeiro de 2015

    Sobre a técnica.
    É suave, cumpre seu papel e consegue nos transmitir a ideia de forma clara, mesmo que em alguns momentos seja rápida demais. O contexto histórico também ficou bem empregado. Consegui pensar exatamente como deveria ser o local em que se encontravam e os locais descritos.

    Sobre o enredo.
    É bem interessante. Instiga conforme a leitura progride, mas infelizmente quebra o encanto quando chega ao final. Esperava mais do desenrolar. Pareceu muito corrido e mesmo com as emocos bem descritas, esperava uma carga maior. A serpente me lembrou o deus Asteca Quetzalcóatl, e me deu algumas boas idéias.
    Enfim, queria ter visto mais a criatura, ao final.
    De qualquer forma, é um bom conto é tem suas qualidades.
    Parabéns e boa sorte!

  9. Brian Oliveira Lancaster
    9 de janeiro de 2015

    Kublai Khan conseguiu me lembrar de duas coisas: Kirk gritando e Cidadão Kane. O conteúdo histórico é muito bom, apesar de atrasar o início propriamente dito. A troca narrativa foi bem suave. Acho que entendi o final, apesar das descrições, ficou um tanto nebuloso para mim. Senti uma leve pressa na parte final, mas não chegou a afetar o desenrolar. Gostei do estilo conto dentro do conto. A criatura mal aparece, mas está ali, de qualquer forma.

  10. Anorkinda Neide
    9 de janeiro de 2015

    ahha, foi muito bom encontrar a China aqui, depois de tanto Japão..hehehe
    Me atrai muito mais a China 😉
    Gostei muito dessa narrativa secreta de Marco Polo, bem, na transcrição da narrativa em si, há umas falhas já apontadas pelos amigos, mas o encontro com o imperador está ótimo e gosto de contos leves, sem grandes arroubos de emoção, só pelo prazer de ler, curtindo a viagem, aliás, adoro textos assim…
    Obrigada pela leitura e parabens!

  11. bellatrizfernandes
    9 de janeiro de 2015

    Embora o conto não tenha nenhum defeito estético, também não tem nenhuma qualidade em termos de trama. Saí da mesma forma que entrei. Sem me relacionar com ninguém, sem ter nada adicionado.
    Boa sorte 😐

  12. piscies
    8 de janeiro de 2015

    TRAMA 2/5

    Não vi nada de muito especial na história. A cidade não tem nome, então não nos remete a nada da realidade. Nada aconteceu de fato com a criatura. O povo nativo também não tem impacto no enredo. Acho que faltou algo na trama que envolvesse o leitor.

    A comunicação entre Marco Polo e Kublai Khan foi muito bem fita. Não li Cidades Invisíveis de Calvino (apesar dele estar descansando na minha estante já há algum tempo, rs), mas se for tão parecido mesmo como Fil Félix sugeriu, isso pode ser um ponto negativo.

    TÉCNICA 3/5

    O vocabulário do autor é bom. As imagens foram passadas de forma excelente. O texto está bem escrito em termos gerais, mas vi diversos pontos dignos de atenção. Segue alguns deles:

    – “…se escondeu através de uma árvore…” – não seria atrás?

    – “…ornamentando pulseiras e pedaços de madeira que atravessavam suas bocas e orelhas.” – Não seria vestindo? O que ornamenta são as pulseiras, e não as pessoas que as vestem.

    – “Se apoiando no tronco de uma árvore, olhou para este lago, imaginou como poderia descer até ele.” – A frase deveria começar com “Apoiando-se”. “Este lago” também fica estranho, visto que ele não está perto nem do leitor, nem do narrador. O certo seria “aquele lago”. Acho que uma boa reformulação da frase seria: “Apoiando-se no tronco de uma árvore, olhou para o lago, tentando imaginar como desceria até ele”.

    – “O clima tropical lhe fazia suar, ele poderia sentir até as árvores transpirarem ao seu redor, a água à sua frente nunca lhe pareceu tão saborosa” – Muitas das frases do texto são assim: várias ideias expressas em uma única frase. É importante separar as ideias em frases distintas, assim como conjuntos de frases que apresentam o mesmo tema ficam no mesmo parágrafo. Neste caso, vejo três frases curtas aí. Também vejo oportunidades para enriquecer a construção: “O clima tropical tornava sua pele pegajosa de suor. Até mesmo as árvores pareciam transpirar ao seu redor. A água logo à frente parecia a mais saborosa que vira em toda a sua vida”.

    Desculpa, eu geralmente não boto a mão assim, sugerindo correções. Mas como vi que o autor tem grande potencial, achei que expressar minha opinião de forma mais completa ajudaria.

    Abraço e boa sorte no concurso!

    • Italo
      8 de janeiro de 2015

      Obrigado pelas pontuações, me ajudam muito! Realmente tenho o costume de colocar o “se” antes.

      Obs: em relação ao nome da Cidade, ele estava no Brasil – que não havia sido descoberto ainda – por isso os índios de pele vermelha. Acho que algumas pessoas não pegaram =/

  13. Gustavo de Andrade
    7 de janeiro de 2015

    Imagens interessantes foram evocadas, e a cena à margem do lago foi de uma sutileza primorosa. No entanto, pelo fato do Khan não ter conseguido chegar à terra, pareceu uma história sem razão de ser; só um “causo” irrelevante. Acabou tirando muito da imersão e do comprometimento à narrativa, uma vez que quebrou com a solidez daquilo lido e narrado (já que é uma história que no final não tem relevância para o próprio universo, por que o autor me obrigou a lê-la até o último ponto?). Além disso, a criatividade das paisagens pareceu meio truncada, sem naturalidade.
    Boa escrita!

  14. Ana Paula Lemes de Souza
    7 de janeiro de 2015

    Embora a narrativa tenha qualidade, o que é inegável, o conto não me cativou e não prendeu minha atenção. De qualquer forma, desejo-lhe sorte.

    Observei um erro:

    – “como o de um louco. Assustando os escarlates, que fugiram” –> Nesse trecho, não deve ter ponto. Correto: “como o de um louco, assustando os escarlates, que fugiram”.

    Abraço!

  15. Laís Helena
    6 de janeiro de 2015

    A história é interessante e bem contada, mas senti que você se alongou demais na introdução e depois não deu muito destaque à criatura fantástica. Também não entendi a necessidade de manter segredo sobre a história contada por Marco Polo; creio que isto poderia ter sido melhor trabalhado.

  16. Lucas Rezende
    6 de janeiro de 2015

    O autor cumpriu muito bem o papel de manter o leitor preso à história. Texto sem erros e muito atrativo.
    (Se ainda não leu, creio que irá gostar da série “O Conquistador”)
    O conto é muito bom, uma história dentro de outra. O clímax na fuga de Marco Polo seria coroado caso o Grande Kublai Khan tivesse decidido executar os demais que ouviram a história rs 🙂
    Parabéns.
    Boa sorte!!!

  17. rubemcabral
    6 de janeiro de 2015

    Gostei do conto, a criatura lembrou-se o deus Quetzalcoatl, a serpente emplumada dos Astecas.

    Achei que a trama poderia ter sido melhor desenvolvida, isto é, ir além de um relato simples do Marco Polo.

  18. rsollberg
    6 de janeiro de 2015

    Gosto muito desse tipo de narrativa, esse romance histórico do tipo Conn Iggulden, Cristian Jacq, Valério Massimo, Wilbur Smith…

    Os personagens são muito interessantes, e instigam logo de cara o leitor.
    O inicio da trama também foi muito competente e original, trazendo essa nova forma de tradução, onde Marco Polo tentava criar uma espécie de sinestesia para o Imperador.

    Porém, do meio para final nada de muito importante acontece. Existe o relato e a descrição da criatura. Não tem uma reviravolta, nem um final surpreendente, tampouco um clímax.

    A escrita não peca em nenhum momento, mas penso que faltou algo, um pouco mais de ação, ou, até mesmo, uma carga mais dramática.

    Mesmo assim, parabéns e boa sorte no desafio.

  19. Swylmar Ferreira
    4 de janeiro de 2015

    Oi Itália
    O enredo do conto e bom, particularmente gosto de contos dentro de contos. Personagens bem idealizados. Bastante interessante. A única ressalva, ao meu ver, ficou na conclusão, muito simples para o porte do conto.
    Parabéns e boa sorte.

  20. Andre Luiz
    1 de janeiro de 2015

    Gostei bastante da técnica do conto, de uma forma especial e que cativa. Contudo, a passagem entre o tempo presente(a narrativa entre Marco Polo e o Khan) e o tempo passado(a história de Polo com o povo escarlate) ficou um pouco confusa, de forma que poderia ser melhor marcada, talvez com aspas ou então itálico. Além do mais, senti que faltaram diálogos, que poderiam marcar ainda mais o tempo presente e o passado. Todavia, isto não atrapalha em nada a beleza da história e a leveza das estórias de Marco Polo. A história também se fez presente – e muito bem detalhada. O final é interessante também… Parabéns e sucesso no concurso!

  21. Marcellus
    29 de dezembro de 2014

    O início foi muito interessante, me cativou. Mas a partir do encontro com a criatura, o ritmo mudou e os pequenos deslizes se fizeram mais salientes.

    O final foi um completo anti-clímax… se um pouco mais trabalhado, o autor teria um ótimo conto.

    Boa sorte no desafio!

  22. Claudia Roberta Angst
    27 de dezembro de 2014

    Acredito que houve um trabalho de pesquisa para ambientar a narrativa. Como os demais colegas, gostei da parte do Marco Polo, da narrativa através de gestos, mas acho que a criatura fantástica ficou em segundo plano. O conto está bem escrito, só não prendeu muito a minha atenção. Boa sorte.

  23. Fabio Baptista
    27 de dezembro de 2014

    ======== TÉCNICA

    Gostei.

    Acho que o maior mérito aqui foi a ambientação. Provavelmente o seriado na Netflix, uma referência bem recente, ajudou minha mente a compor o cenário, mas enfim… consegui me sentir lá.

    O recurso de contar a história usando apetrechos foi bastante visual e muito bem executado.

    Só não gostei muito da transição que ocorria quando o Marco Polo começava a contar a história. Ficou meio confuso em algumas partes.

    – distancia
    >>> distância

    – à seus homens
    >>> sem crase

    ======== TRAMA

    Foi uma boa história, gostosa de ler, principalmente pelos personagens envolvidos.

    Mas não trouxe em si um grande enredo e infelizmente também trouxe pouco da criatura fantástica. Não chega, na minha opinião, a ser um desenquadramento do tema, mas um pouco mais de desenvolvimento nessa parte caberia bem.

    ======== SUGESTÕES

    – Tentar delinear melhor a transição da história contada, usando aspas ou algum outro recurso similar.

    – Dar mais destaque para a criatura.

    ======== AVALIAÇÃO

    Técnica: ****
    Trama: **
    Impacto: ***

  24. Leonardo Jardim
    26 de dezembro de 2014

    A história contada por Marco Polo é bem interessante, a forma como ele conta (usando gestos) é ainda melhor. Como já disseram, fiquei com a impressão que o imperador pode ter imaginado mais que o real. Gostei também das referências aos nossos índios e do uso de figuras históricas. Só senti, também, falta de mais participação da criatura fantástica, queria mais.

    Na parte técnica, peguei alguns erros:

    ● Se apoiando (Apoiando-se. Pronomes átonos não iniciam frases)
    ● imaginou / Imaginou (repetição)
    ● Retirou uma pequena estátua (retirando)
    ● Só tinha certeza que, nesse estado, jamais entraria nele. (não entendi a que o “nele” refere-se)
    ● A cabeça da criatura, se movendo de um lado ao outro (nesse e em outros casos, a ênclise ficaria melhor: movendo-se)

    Parabéns e boa sorte!

    PS.: a imagem do conto é muito boa!

  25. daniel vianna
    25 de dezembro de 2014

    É legal o momento em que a narrativa de Marco Polo contando a história para o Imperador dá lugar a outra narrativa, a do próprio Marco Polo em ação, aproximando-se da criatura. Achei apenas que o tema foi pouco explorado. É uma história dentro de outra, e, talvez, o fato de ter se utilizado de uma figura histórica conhecida, Marco Polo, tenha engessado as possibilidades. Enfim, é um texto bem escrito, mas que podia render mais, e o tema podia ser melhor explorado.

  26. mariasantino1
    24 de dezembro de 2014

    Olá, autor (a)!

    Assim como os demais textos, li e reli. Da primeira vez não gostei nada da narrativa por achá-la muito distante, fria, sensabor. Da segunda vez, por está mais habituada, gostei um pouco mais, sobretudo da narrativa de Marco Polo. Há uma criatura (UM POUCO) parecida com a sua no certame “grande ave-serpente”, mas seu conto ficou com certo ar daqueles de Lovecraft onde há ritos concedidos às divindades, criaturas e afins. É claro que gostaria que o ser fosse mais explorado, e que houvesse mais trato, mais atenção ao repasse de sentimentos e uma introdução mais palpável, não tão fria e distante, mas apreciei a leitura — “numa mescla de alegria e medo. Levantando as mãos e pulando, como se a terra à seus pés estivesse em chamas” Eu vi isso 🙂

    Acho que houve algumas confusões — “se escondeu através de uma árvore” (atrás) — brandou (bradou)… brandando (brandindo).

    Boa sorte e Boas Festas 😀

  27. Sonia Rodrigues
    23 de dezembro de 2014

    A técnica de contar a história pelos gestos foi bem elaborada e bem inteligente.
    Gostei da temática. Aproveitar a figura de Marco Polo é um bom gancho e já prepara o leitor para o tema.

  28. Fil Felix
    22 de dezembro de 2014

    Esquema do comentário + nota: 50% Estética/ Tema e 50% Questões Pessoais

    = ESTÉTICA/ TEMA = 4/5

    Tem alguma coisa estranha no espaçamento desses parágrafos, mas tudo bem kkkk. Contos com personagens de nomes estranhos quase sempre são escritos de formas diferentes no meio do caminho, mas acho que não percebi nenhuma mudança ^^. Percebi um ou outro problema de concordância, mas de maneira geral a escrita está direta, sem muitos floreios e ágil. Gostei de quando interrompe a história pra guardar os objetos e pegar outros. Quanto à criatura, ela está bem clara, uma anaconda do nosso folclore :), mas talvez pudesse ser melhor explorada.

    = PESSOAL = 4/5

    Percebi a referência ao livro Cidades Invisíveis do Italo Calvino, que ocorre do mesmo jeitinho (Marco Polo vs Kublai Khan) e aqui parece mais um spin-off, uma viagem que não foi “registrada” no livro, uma expedição esquecida. Interessante que tudo ocorre pelo ponto de vista do imperador, então nem tudo pode ser o que parece. Talvez os mesmos objetos mostrados pelo Marco Polo podem ser compreendidos de maneiras diferentes por pessoas diferentes.

  29. Virginia Ossovsky
    21 de dezembro de 2014

    Achei a ideia muito boa e criativa, me identifiquei bastante quando vi o Marco Polo na história. Gostei da originalidade do conto, com o encontro “secreto” do Polo com os indígenas e tudo… Parabéns e boa sorte !

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Publicado às 20 de dezembro de 2014 por em Criaturas Fantásticas e marcado .