EntreContos

Detox Literário.

Correndo (novamente) sobre a lâmina (Rubem Cabral)

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Fugu. Nos bons tempos, Iran, minha ex-mulher, também já me chamou assim. Gostoso e fatal, eu pensava, tomando como elogio. Frio e nojento, ela me confessou muito depois. Trata-se de baiacu, para os que não são iniciados na culinária dos dois pauzinhos. Papa fina, digna dos mais estrelados restaurantes, não encontrável na sua barraca de noodles favorita da esquina. Cortado de forma imprecisa, no entanto, o sashimi do peixe resulta numa morte dolorosa por paralisia e sufocamento. Dizem que o risco torna o sabor mais inebriante, que a adrenalina intensifica toda a experiência gustativa. Todos os anos ainda morre uma penca de nippons envenenados no país do sol nascente, embora os cozinheiros não pratiquem mais o seppuku por vergonha de quando erram a mão. Gente maluca os japoneses, ou gente que sabe se divertir, sei lá. Melhor que os russos – os que sobraram depois do dia D – e sua roleta e shots de vodca, engolidos tal qual remédio ruim.

Viver pra valer envolve riscos. Eis alguma verdade. Não é preciso ser Blade Runner pra perceber.

Rachael costumava ser completamente diferente de Iran até dois meses atrás. Antes dela se converter ao mercerismo e passar boa parte das horas livres comungando com os outros irmãos mercrentes através duma caixa de empatia, feito minha ex também fazia quando nos separamos. Rachael diariamente treme e chora ao sentir cada pedrada que Wilbur Mercer recebe de seus invisíveis detratores ao subir aquele simulacro de montanha escarpada e cair de joelhos, e outra vez levantar, digno e esfolado, e decidido a alcançar o cume. Apoteose? Não. Um maldito ciclo sem fim! “É preciso ter consciência da dor real, pois a dor liberta e purifica e nos conecta uns aos outros como a grande família humana” – ela não pensava assim antes de começar a envelhecer rapidamente. Quando fugimos tudo fora só alegria, entusiasmo de criança pequena. Viver era delicioso, cada dia uma descoberta: o apartamento no Oregon, nossas novas identidades, os campos verdes não contaminados pelo fallout, as surpresas dos animais não-sintéticos que ainda raramente encontrávamos em nossas caminhadas diárias, nossos empregos modestos. Então, como se estivesse agendado em seu DNA com copyright, tufos de cabelos brancos afloraram em poucos dias, um dente subitamente caiu e tremores nas mãos lembraram-nos que replicantes nunca foram planejados para durar, talvez mesmo os especiais como ela, sem data de validade.

Com a morte a acenar do horizonte, não admira ela ter cedido ao canto de sereia da doutrina de Mercer. Não sei o que é pior: o culto de empatia – que os replicantes desesperadamente buscam entender – do Jesus-like imortal que sobe o monte feito de bits ou o niilismo paranoico do palhaço-âncora do Buster Friendly Show, que insinua que tudo, tudo é conspiração por controle, até o próprio show televisivo. Enfim, passamos a não viver mais. Amor é agora uma foto em sépia, descascada e abandonada no porão, ou um implante de memória, ou a simulação de um implante da memória da foto que realmente nunca existiu.

Já quase me conformara com outra separação ou até com a morte prematura dela, quando algo novo ocorreu certa noite. Tive um sonho vívido. Coisa incomum. Sonhar ou lembrar precisamente depois, com todas as cores, cheiros e sons e minúcias e tal. Na fantasia onírica nós éramos outra vez felizes, vivíamos numa ampla casa suburbana pré-guerra em Los Angeles, início do século 21, daquelas com jardim, cerca branca e obsoleta caixa postal espetada no gramado. Não chovia, como agora invariavelmente faz em L.A.. Estava escuro, porém eu podia ver as estrelas, inúmeras, feito nas imagens dos e-livros do período. Meu nome no recipiente amarelo das cartas era o real, não o que eu uso desde que escapamos. Lia-se “Rick Deckard”, nada de Karel Čapek1, invenção boba de Rachael, típico humor intelectual dos bonecos… O mesmo humor que a fizera escolher seu novo nome: Eve2.

Um ruflar de veludo então revolveu o ar frio. Uma extinta coruja, das de verdade – nenhum animal artificial seria tão imperfeito – pousou no improviso de poleiro. As penas meio raras no lado esquerdo da cabeçorra queimada de radiação, um olho âmbar e outro marrom, as garras lascadas na ponta. O pássaro tinha um envelope no bico, entregou-me docilmente e ficou me fitando, curioso, girando o pescoço corujamente. Abri a carta, estava escrita à mão, com garranchos horríveis e em dialeto cityspeak. Olhei o bicho, sem compreender. Ele abriu o bico e falou: “É uma pena que ela não vá viver! Mas, afinal, quem vive?”.

Despertei balbuciando algo sem sentido e quase acordei Rachael. Levantei, enchi um copo pesado com bourbon e gelo e fui fumar junto da janela da sala, observando os anúncios luminosos nos dirigíveis e sentindo os dedos que foram quebrados por Roy Batty doloridos pelo frio que passava do vasilhame. “Claro! Gaff. Gaff! Somente ele pode nos ajudar”, foi a conclusão a que obviamente cheguei.

 

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Saí. Grampeei um videofone público, reprogramei para que o endereço IP trocasse milhões de vezes por segundo e liguei. Gaff atendeu, sem se surpreender por falarmos outra vez depois de mais de dois anos. Paciente, escutou-me por alguns minutos e me propôs um encontro.

— ‘Teja amanhã no Taffey’s Snake Pit Bar às vinte e três, Deckard. Não se preocupe: sem ciladas, meu chapa, pois tu não é gentinha.

Na noite seguinte despedi-me de Rachael, mas ela me tratou com indiferença, já novamente perdida em sua rotina de martírio digital, tentando em vão se encontrar. Pilotei um spinner alugado até L.A. e pousei no estacionamento no quadricentésimo andar do prédio piramidal ao lado do bar de strip-tease.

Para variar, chovia fino. Precipitação ácida, segundo o boletim meteorológico. pH 4.7, 56 rads: um dia até bom. Neopunks e Hare Krishnas compartilhavam as calçadas lá embaixo, lado a lado, empunhando seus lumichuvas lisérgicos e capas amarelas. Drogados clamavam por esmola em pó ou subinjects sob as marquises emboloradas enquanto camelôs vendiam e consertavam animais sintéticos por preços de ocasião. Bairro barra-pesada. Furúnculo intumescido e crescido num tumor maior e mais podre…

Não foi difícil encontrar Gaff. Vestia-se como um cafetão de película pré-terceira-guerra: gravata, colete, sobretudo e chapéu. Xadrez, listras, oncinha, alfinete de pérola, cordões. Tudo combinado, como se houvesse assaltado um brechó. A barba rala e o bigode fino de sempre, a cara bexiguenta, a cigarrilha acesa, inseparável da boca manchada de nicotina, o puto ignorando solenemente o cartaz que informava que ali era proibido fumar.

Lófasz3! Finalmente! Aqui, tenho pouco tempo – ele estendeu a mão e me entregou um frasco ao apertar minha mão, sem sequer esperar que eu me sentasse. Deu uma tragada e cuspiu as palavras numa espiral de fumaça fedorenta: — Reviramos a sede da Tyrell Corp. de cabo a rabo desde o assassinato do ricaço, do furdunço com os replicantes e do sumiço da sua queridinha. Descobrimos muita coisa e ainda apreendemos muito mais. Você não tem ideia! Bom, tem uma cultura dum vírus no frasco. Vai remendar o DNA Nexus-6.1 da sua boneca especial, o processo de envelhecimento vai reverter e dará um tempo, por uns meses.

— Por uns meses?! Gaff, foi por isso que me fez me arriscar e vir até aqui? Eu preciso de muito mais! Você me disse que tinha…

— Deckard, Deckard… – ele fez careta, expondo seus dentes escurecidos e compridos e sacou um pedaço de papel cinza-chumbo do bolso, começando a dobrá-lo com cuidado. — Há mais, há litros dum soro muito eficiente, mas isso custa milhares de créditos, pra subornar o pessoal certo, roubar – que palavra feia – pegar emprestado dos arquivos bem vigiados do P.D., sacou?

— Eu não tenho grana pra isso.

— Eu sei. É por isso que tamos aqui, não? Pra negociar um trabalho, um outro skin job, a remoção doutro replicante. Toma lá, dá cá. O último, eu juro!

Fechei a cara e ia protestar: haviam me dito que trabalho anterior, quando removi Leon, Zhora, Pris e quase fui morto por Roy, que aquele seria o definitivo. Antes que eu abrisse a boca, ele sacou um holoprojetor de bolso e o abriu sobre a mesa.

— Projeto CNP8, acrônimo de Codinome Nova Prime, assim o chamam nas 160.000 páginas de documentação técnica. Um Nexus-8, um protótipo ultrassecreto. Nível físico “A+”, nível mental “A++”. Gestaram um sob nossas barbas, sem autorização governamental e, de alguma forma, o boneco tá solto por aí. Como não descobrimos fotos ou descrições de sua aparência física final, iniciamos sessões com funcionários novos de várias empresas, como manda a droga da Cartilha B.R.

Uma entrevista foi exibida pelo aparelho; era Holden o entrevistador? Aplicando o teste Voight-Kampff? Difícil precisar em meio a tanta fumaça de cigarro e luz difusa.

— Você é convidado para um jantar. O cardápio inclui entrada de ostras cruas e guisado de cachorro com batatas coradas como prato principal…

— Sou vegetariano. Não comeria.

As pupilas castanhas do entrevistado mudaram de formato no momento certo. Maior empatia pelo cão do que pelos moluscos, a pergunta que expusera Rachael. Replicantes costumam se prender mais ao “cru” e ao “cozido”. A maioria dos humanos não se compadece pelas ostras.

— É hipotético.

— Comeria um pouco de arroz, se houvesse um feito à parte no seu cenário hipotético – sorriu. — Ou me desculparia com meu anfitrião pela desfeita.

— Sei. Conte-me somente as lembranças boas que você tem de sua mãe…

Holden já segurava uma pistola PKD padrão de dois gatilhos sob a mesa. Não seria pego uma segunda vez, seu pulmão artificial devia relembrá-lo de sua falha anterior a cada revisão médica.

O rapaz bonito, magro, presumivelmente alto, e de feições levemente orientais, respondeu:

— Hoje não. Não me sinto à vontade pra falar dela. Podemos continuar com outras questões? Por favor?

Os gráficos não exibiram tensão. Não houve aumento da pressão arterial, dos batimentos, da espessura dos capilares dos olhos ou rubor nas faces. A palavra “mãe” deveria disparar uma série de reações nos bonecos paridos pelas incubadoras Tyrell.

Sem o aval de um teste positivo Holden não poderia arriscar a remoção. Ele provavelmente iria tentar algumas perguntas perturbadoras, de cunho sexual meio pervertido, quando o jovem desapareceu no ar.

— Que por… O que aconteceu? – indaguei.

Pausa! Voltar três segundos. Reproduzir quadro a quadro. O puto pode se mover muito rápido por um curto intervalo, quando quer. Isso deve demandar uma quantidade estúpida de energia. Veja, em câmera lenta, em menos de um segundo levantou-se, empurrou a cadeira de volta à posição original, abriu e fechou a porta do escritório com suavidade! Fizemos uma busca em seu apartamento, logo a seguir. O cara se chama Uno Wachowski, vinte e seis anos segundo o ID, que já apuramos que é falso. Não parecia mesmo hispânico ou polaco… Aqui, toma o material que recolhemos…

— Eu ainda não aceitei o caso – protestei.

Gaff ignorou-me e me entregou um envelope gordo, fechou e deu-me o projetor portátil também. Terminou de fazer suas dobraduras no fragmento cor de céu carregado, levou o brinquedo de papel até a cigarrilha e o queimou de leve, soprando e depositando-o no bolso de meu casaco.

— Mas dê o caso pro Holden, cacete! Ele me pareceu bem capaz… Tá na ativa – eu tentei mais uma vez fugir da missão.

— Holden entrou com pedido de aposentadoria depois desta sessão, alegou estafa e crueldade mental, vai arrancar-nos uma nota nos tribunais! Estamos sem Blade Runners experientes. Vocês são bichos raros! Enfim, remova o traste e terá como curar sua boneca, uma tremenda bufunfa em créditos e asseguro que os esqueceremos pra sempre. É o próprio Bryant que garante! Faça aquela velha mágica, feito ele diria, outra vez.

Ergueu-se e saiu mancando, apoiado na bengala de punho prateado. Eu nunca ousei perguntar quem o feriu ou se ele nascera aleijado.

Inspecionei o conteúdo do meu bolso. Era um origami de coruja queimado na cabeça. Claro, exatamente no lado esquerdo.

 

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Retornei ao Oregon. Apliquei a solução que Gaff me deu enquanto ela dormia. Rachael teve febre e tremores. Suou e falou coisas durante o sono. No dia seguinte estava quase rejuvenescida: manchas senis retrocederam, as raízes do cabelo ficaram escuras, seu ânimo mudou e até se alimentou normalmente, voltando a dormir logo depois, como se estivesse exaurida.

Abri o pacote. Havia um conjunto de fotos 32K. Criar uma história, erigir lembranças, isso é um ponto comum da psicologia de todos os replicantes. Levei as fotos ao meu sensoampliador. Não havia nenhum selfie, mas imagens de uma quitinete simples e das ruas do bairro decadente. Aparentemente Uno cultivava vegetais e flores num espaço exíguo, utilizando lâmpadas especiais. Examinei uma foto de um tatuzinho de jardim enrolado sobre si mesmo em cima da unha suja de terra do indicador do rapaz. Fiz um close de uma margarida aleijada, o miolo desenhando um padrão geométrico complexo. Em outra impressão havia um aquário-bolha com alguns girinos mutantes, resgatados provavelmente de algum valão que deveria estar morto há muito. Havia um espelho, refletindo o aquário do outro lado do cômodo. A cama tinha o lençol bem esticado, o chão estava limpo. Fiz zoom no aquário. O girino negro tomou toda a tela com sua pele lisa e escorregadia. Ampliei e renderizei uma mancha luminosa no bicho. O jovem sorria, retratado na tela improvável da cútis do anfíbio. Achei depois uma gota d’água num tomate luminescente, novo zoom, e lá estava o rapaz, sorrindo-me outra vez. Como o desgraçado do gato de Alice, aparecendo e sumindo logo a seguir… Brincando de Tom & Jerry comigo? Paranoia, paranoia!

Alguns poemas escritos com letra caprichada estavam dentre as pistas recolhidas. Li alguns. Conteúdo muito inocente, pueril mesmo, falando de amor incondicional por todos, descrevendo beleza de coisas mundanas e usando de métrica precisa, rimas ricas e amplo vocabulário. Quantos meses ou anos de idade Uno teria? Genialidade e imaturidade juntas… Conhecê-lo está tornando tudo muito mais difícil. Pelo que sei, o garoto não matou ninguém, por que Gaff e Bryant estariam tão dispostos a removê-lo? Somente por prevenção do que ele poderia vir a fazer?

Continuei por mais algumas horas. Estava exausto e meus olhos pregavam-me peças, pensei. Merda, o que era aquilo, dentro do espelho, refletido então pelo vidro do aquário. Um canto da única janela do apartamento? Algo embaçado, deformado pela superfície curva… Uma teia de aranha? Em L.A.!? Foquei, aumentei até o máximo e girei em vários ângulos e rebati: direita-esquerda, esquerda-direita. Quase tombei da cadeira com o que descobri. Havia uma mensagem, minúscula, escrita com os fios de seda da teia: “Deckard, amanhã, Ed. Bradbury, ½ dia. 010011110100111001000101”.

 

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“Amanhã” não é nada, nada objetivo. Que Uno soubesse que eu procuraria Gaff, que a contragosto ganharia a missão de caçá-lo, que eu encontraria a mensagem e quando o faria, definitivamente é algo que me tira o sono, não me bastassem as suspeitas quanto à minha própria identidade ou sobre as habilidades paranormais de Gaff.

Roy Batty, o Nexus 6 mais avançado do grupo fugitivo original, tinha nível físico “A” e nível mental “A” também. Que diabos um A+/A++ poderia fazer?! Escrever numa teia de aranha e prever o futuro?! Lófasz! A conversão dos números binários em decimal, octal e hexadecimal resultou num beco sem saída…

304 Broadway, endereço do edifício mais antigo da metrópole, o extinto museu onde J.F. Sebastian vivia sozinho com seus brinquedos quando inocentemente deu abrigo a Pris e Roy. Hoje está vazio, sem moradores.

Déjà-vu. Déjà-vu! Minha mente entrou em parafuso… Holden, entrevista, teste Voight-Kampff, skin job, Gaff, Bryant, Bradbury. Tudo parece uma reencenação dos acontecimentos de dois anos atrás! O que é isso? Um plano de vingança engendrado por alguém com habilidades sobre-humanas? “Isso é por Pris, por Roy, por Zhora e Leon! Hora de morrer!”

Contudo, como lutar com adversário tão fucking superior? Deveria solicitar a Gaff um esquadrão de ações especiais e invadir o Bradbury com uma força-tarefa? Ou deveria ir sozinho, já que Uno a esta altura já deva saber onde vivo, já tenha dez mil planos detalhadamente traçados sobre como me eliminar e, se realmente o quisesse, já o teria feito? Se ele pode antever o futuro, terei eu alguma escolha real?

O rapaz falava em seus poemas de tempos melhores, do renascimento da Terra a partir desta coisa moribunda, do amor às pessoas, bichos e plantas. Do convívio pacífico entre humanos naturais e artificiais… Rachael, porém, devia ser meu foco. Levarei minha pistola PKD com projéteis ultrassônicos e que Mercer ou alguém superior possa me perdoar!

 

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Meio-dia, raios tímidos se infiltravam por janelas quebradas ou paredes colapsadas. Chovia dentro do edifício, formando faixas iluminadas por vitrais e pequenos arco-íris dentre as colunas do Bradbury. O prédio semiarruinado era magnífico: corrimões de metal em elaborados e intrincados padrões como renda, mármore, lustres dourados com cristais. Sentia-me quase bem. Minha boca estava seca, meu coração estranhamente calmo e meus sentidos alertas.

Música começou a chiar a partir do antiquado sistema de som. A melodia era curiosa, soava gasta, como originada de algum equipamento analógico. “One more kiss, dear. One more sigh…”. Ele tem bom gosto musical…

Feito mariposa eu não resisti e segui cego até a origem da chama, finalmente encontrando uma sala onde um gramofone com manivela perdia as forças e engasgava: “Oooone more night…”

A música terminou e Uno começou a falar através dos autofalantes, com voz límpida e grave.

Novembro de 2019. Lembro-me do meu primeiro dia. Despertei, vestido de branco, não um bebê, já tinha 1,85m e cabelos e dentes, feito sempre. Eldon Tyrell olhava-me com ternura através de seus óculos engraçados. Eu não conhecia ainda as palavras, era uma página branca ansiando por preenchimento. Se pedras pensassem, sonhariam mineralmente por milênios, construindo – laboriosas – cristais, ao invés de sinapses? Plantas formariam teorias silenciosas de gavinhas e cloroplastos? O conceito “pai” se desenhou em minha mente quando percebi seu olhar: eu era querido. Fui conectado então a um equipamento que logo soube chamar-se InteliSense. Uma torrente de conhecimento desceu nos primeiros instantes: conceitos abstratos, idiomas, física, matemática, história, arte, moral. A partir do segundo vinte e três eu já comandava a máquina e tentava compreender: quem sou eu? Onde estamos? Por quê?A máquina, no entanto, não detinha tal conhecimento… O que um poço sabe sobre sede enquanto fornece água, mesmo que generosamente?

Apaixonei-me por história e matemática no segundo noventa e três. Analisava acontecimentos passados e todas suas causas aparentemente aleatórias. Gerei bases estatísticas, percentuais de possibilidades de se concretizarem, criei novas equações, capítulos novos para a Teoria do Caos. Erigi algo que chamei de Seldonlogia ou psicohistória. Leve em conta todos os fatores, e o futuro não será tão misterioso. Porém, muitas vezes para influenciar, moldar o porvir, algumas ações no presente seriam necessárias, ajustes de trajetória. No terceiro dia, apesar de já amar meu pai, de saber com 97.3% de precisão da chegada imininente de Roy Batty em sua busca por mais vida, eu fugi. Minha sobrevivência, tudo dependia de uma série de fatores, e em nenhum dos cenários necessários meu pai viveria. Segundo meus cálculos, dois anos, dois meses e seis dias. Completados hoje às 11:58. Este era o prazo que eu necessitava para esgotar todas as variáveis de minha análise. Entender, afinal, o que há de errado com o mundo.

Não estou armado e não tenho intenção de feri-lo. Estou atrás de você.

Virei-me e lá estava ele, a uns cinquenta metros: o rosto pálido, os cabelos escuros e os olhos oblíquos. Vestia uma espécie de abrigo comprido e estiloso, negro como piche. Ele continuou:

— A Terceira Guerra estourou em 2002, sete anos depois da fundação de nossa primeira colônia extrassolar em Próxima. A evolução das tecnologias necessárias, contudo, seguia saltos meio sem sentido. Em 1969 o homem está na Lua, em 1995 em outro sistema solar e constrói o primeiro Nexus-1 em 2005 num mundo arrasado pela guerra? Altamente improvável! Um imenso furo no plot de nossa estória? Agora você recordará da promessa de Gaff e Bryant e dará o primeiro…

Visualizei Rachael agonizando em alguns meses. Saquei a PKD e disparei. O rapaz surgiu dois metros à esquerda de onde ele falava.

— … de cinco tiros. Mover-me assim é extenuante. Continuando: a história deveria correr um caminho esperado neste mundo, mas acelera e encaixa acontecimentos absurdos muito antes do que deveriam ocorrer de acordo com a cronologia recente. Sim, Rachael precisa do soro e por isso…

Mirei à direita de Uno, para onde ele poderia se mover, porém errei outra vez.

— …você atira de novo, mas não preciso saltar. Podemos conversar um pouco mais antes de outras tentativas suas?

— O que você quer de mim? – pergunto.

— Chegaremos a isso.  Desde o início eu tinha a sensação de que algo estava errado com o mundo. Hoje concluí em definitivo: tudo é falso, é uma simulação de múltiplas camadas, colocada diante de nossos olhos para nos iludir e talvez nos escravizar. Chamo tal simulacro de “A Matriz”. Pode atirar agora…

Ele desapareceu enquanto o projétil explodiu contra a parede atrás de onde ele discursava há menos de um segundo e ressurgiu à minha direita.

— Ah, sinto-me esgotado. Meus níveis de glicose desceram perigosamente. Enfim, existem mecanismos de controle e manutenção desta realidade, como os Agentes Bryant, Holden, Gaff e você. Como o Arquiteto Mercer ou o Oráculo Buster Friendly. Preciso transcender, conhecer a verdade além, e é então que você, Deckard, deve entrar. Tenho que saltar, outra…

O quarto tiro destruiu um grande vaso de concreto. Uno apareceu à minha frente, poderia despedaçar-me com as mãos nuas, mas apenas me encarou com os olhos estreitos e tristes.

— Eu necessito, Deckard, conhecer o que jaz no fundo da toca do coelho. Mas não posso fazer sozinho, meu condicionamento Nexus-8 não me permite interromper minha existência. Agora! Aproveite: estou cansado demais para saltar!

Eu o fitei nos olhos e respondi: — Não!

Uno sorriu, quase demonstrando surpresa.

— Havia menos de 3%… Não quer salvar Rachael e viver feliz e rico uma vida longa? Você já retirou tantos, o que custa?

— Eu atiro, mas por uma condição.

— Você quer conhecer a verdade, que eu os liberte também, você e Rachael, não? – o rosto dele se ilumina. — Sim. Eu aceito! Agora, o último ti…

Disparei à queima-roupa. O corpo de Uno foi arremessado longe, feito o boneco que ele realmente era.

— Deckard! Ai! Eu agora, ah, vejo! E tudo é tão bonito e conec… – foram suas últimas palavras.

>>>

 

Passaram-se outros quatro anos e Rachael não poderia estar melhor. Buscamos um novo lar numa vila próxima das Rochosas, distante dos grandes centros. Não temos tevê, caixas de empatia, aparelhos modificadores de emoções, animais sintéticos ou mesmo acesso à grande rede. Possuímos animais de verdade e plantações com baixos índices de contaminação.

A visita de Uno nos surpreendeu numa noite de muita neve. Ele vestia-se novamente de negro e usava despropositados óculos escuros de lentes estreitas. Sentou-se numa poltrona em nossa sala, a lareira crepitando ao fundo. Tinha os dois punhos cerrados sobre os joelhos. Abriu e havia duas pílulas em cada palma, azuis e vermelhas.

— Esta é sua última chance. Depois disso, não haverá retorno. Tomem a pílula azul – a história termina, vocês acordam na cama e acreditam no que resolverem acreditar. Vocês tomam a pílula vermelha – ficam no País das Maravilhas e eu mostrarei o quão fundo a toca do coelho vai.

 

FIM

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(1) Karel Čapek – autor de ficção científica tcheco, criador da expressão “robô”.
(2) Eve – Eva em inglês, a primeira mulher.
(3) Lófasz – palavrão exclamativo em cityspeak. Origina-se do húngaro e literalmente significa “pênis de cavalo”.

27 comentários em “Correndo (novamente) sobre a lâmina (Rubem Cabral)

  1. Rodrigues
    17 de novembro de 2014

    não gostei. o conto esta muito bem escrito, a capacidade narrativa e a técnica, alem do conhecimeto do autor, são de causar inveja. no entanto, essa mistura toda da trama não me agrada, as inúmeras informacoes deixaram minha pobre mente cansada, doeu, hahahaha. talvez se fosse um pouco menos extenso, com menos referências, eu tivesse gostado.

  2. Wender Lemes
    17 de novembro de 2014

    A ficção científica é algo que me agrada e você fez um belo apanhado dela, bem como supriu o que o tema pedia. Sinto que me perdi durante algumas passagens do conto, mas aparentemente nada que prejudicasse o resultado final – acredito que isto foi devido à grande quantidade de referências e a algum preciosismo linguístico. De maneira geral, gostei da história, mas não muito da narração (friso: foi questão de gosto, não de qualidade do autor, que – sem dúvida – é muito técnico). Parabéns e boa sorte.
    P.S.: pseudônimo genial.

  3. Sonia Regina
    16 de novembro de 2014

    Infelizmente não conheço o filme de referência, e o texto ficou um tanto confuso para mim. Está bem escrito, mas um tanto longo. E esse começo não me atraiu, poderia ter um começo melhor.

  4. Felipe Moreira
    16 de novembro de 2014

    Um belíssimo trabalho. O que mais gostei foi da técnica de narrativa, bem fluída e de uma eloquência impressionante. As referências ficaram legais, mas não pesquei todas. Blade Runner… Sensacional. Tinha até esquecido desse clássico.

    O texto está muito acima da média, nem senti o tempo passar. Parabéns e boa sorte no desafio.

  5. Gustavo Araujo
    16 de novembro de 2014

    Running again on the blade. Ou Blade Runner 2. Excelente. Como disse o Piscies, NERD em potência máxima. Gostei bastante de ver Deckard prestes a tomar a pílula azul. Acho que a continuação seria tão instigante quanto esse. No geral, a trama é simples até: nosso velho detetive é contratado para dar cabo de Morpheus – vamos chamá-lo assim – que aqui é um replicante ultra-mega-power. O que torna a história bacana é a maneira de narrar, de expor as dúvidas do protagonista, seus anseios secretos e seus medos, típico do clima noir que permeia o original. Nesse ponto, muito bom. Há diversas construções inspiradas no conto e eu sinceramente seria repetitivo se me dispusesse a enumerá-las. No geral, fiquei com a sensação de que jamais conseguirei escrever dessa maneira, com tanta desenvoltura cibernética e tecnológica. Não é minha praia, mas isso não me impede de reconhecer que a narrativa está muito boa para um mote tão simples. Talvez seja exatamente por isso que cative, já que permite ao leitor – mesmo ao pouco familiarizado com esse contexto – manter o foco e o interesse. Parabéns. E não se esqueça de escrever a parte 2 (ou 3?).

  6. Thiago Mendonça
    15 de novembro de 2014

    Caro autor(a),

    Sua técnica é sensacional e a temática muito boa. O primeiro parágrafo devo dizer que me fisgou de primeira, mas infelizmente tive de reler algumas vezes, pois sua escrita, apesar de impecável, é bem convoluta, e mutias vezes eu me perdia no meio de suas referências, que por vezes me confundiam.

    Ótimo trabalho! Parabéns!

  7. Fil Felix
    15 de novembro de 2014

    Tive três sensações ao ler seu conto, que está bem acima da média geral.

    No início, com toda essa ambientação cyberpunk e termos e estética do gênero como os adjetivos bizarros, me agradou mas ao mesmo tempo me deixou mega perdido, pois foram muitos termos que ficou meio “over” na história.

    A partir do meio a coisa andou e passei a gostar bastante, a cena em que ele tenta atirar se mesclando às falas do inimigo ficou excelente, perfeita! O cafetão que entregou o “soro” também foi bem caracterizado, imaginei até um Wesley Snipes interpretando a lá aquele filme Demolidor, acho que é esse.

    Mas no final, quando falou do Arquiteto e Oráculo… achei um pouco forçado. Escancarou as referências à Matrix e, quando acaba, na cena das pílulas, aconteceu a mesma coisa. Acho que poderia ter tirado isso.

    Mas é um ótimo conto, como sugestão: deixaria Matrix mais nas entrelinhas.

  8. Gustavo de Andrade
    15 de novembro de 2014

    Ok, tô extremamente preocupado que minha avaliação cegue-se por conta do quanto eu amei a forma como as referências foram incluídas e construídas aqui — Asimov, Matrix, Blade Runner, porra! — mas vamos lá.

    O conto é despretensioso, por não querer entregar o impacto desde a primeira linha. A captura se faz através da curiosidade do leitor de saber o que está ocorrendo, algo que o autor ou autora conseguiu realizar sem parecer truque barato (parabéns!). Além, a pluralidade de fatos apresentada, aliada ao desenvolvimento dinâmico da trama, muito fizeram para que a leitura se tornasse cativante e que a história contada pulasse do papel, envolvendo quem lê.
    No entanto, talvez essa mesma pluralidade tenha sido o maior pecado. A extensão do conto não aliou-se de forma tão lucrativa com a extensão dos fatos que você queria apresentar; assim, pude perceber que alguns fatos tiveram de ser mais comprimidos a fim de prosseguir com a história, minando algum possível maior envolvimento com a trama e, ao mesmo tempo, inserindo fatos importantes mas de uma forma menos natural que o restante do conto. Um exemplo pontual seria a parte em que Deckard descobre Uno e a mensagem na teia de aranha (pra mim).

    Muitos parabéns, sensacional mesmo!

  9. williansmarc
    14 de novembro de 2014

    Gostei por ser bem escrito e fazer referencia a Blade Runner e Matrix, mas achei que o conto melhora mais da metade para o final. O começo, na minha opinião, teve uma introdução longa em excesso, com toda a contextualização do cenário e do personagem, acredito que o autor(a) poderia deixar inicio mais enxuto, mas no geral gostei.

    Parabéns e boa sorte.

  10. rubemcabral
    14 de novembro de 2014

    Gostei bastante do conto: o Deckard me lembrou mais o personagem do “Do androids dream of electric sheep?” do que o do filme “Blade Runner”. Aliás, as citações ao Mercer e ao palhaço também deram-me essa impressão.

    Muito bacana o Neo ter sido inserido na história, fora “Fundação” também.

    O final poderia ter sido um pouco menos corrido. A Rachael também poderia ter tido falas, para talvez dar mais carga dramática.

    Muito bom!

  11. Jefferson Reis
    11 de novembro de 2014

    Estou conhecendo agora a literatura cyberpunk. Leio Neuromancer, de William Gibson. Dizem que esse livro é o maior nome do subgênero. Nunca assisti a Blade Runner, algo que preciso fazer. Quanto a Matrix, gosto muito.

    O conto, apesar de profissionalmente escrito, só conseguiu me prender em “Novembro de 2019. Lembro-me do meu primeiro dia” e logo me perdeu novamente. Ainda não sei se foi o excesso de informação.

    Darei uma boa nota pela narração, bom uso da Língua Portuguesa, boa caracterização dos cenários

  12. Eduardo Selga
    11 de novembro de 2014

    Tecnicamente o conto é muito bom, com amplo domínio dos recursos de diálogo, personagem e ambientação, realizando, sem forçar a barra, intertexto com pelo menos três boas obras do cinema: Blade Runner, Matrix e Alice no País das Maravilhas. Talvez uma ressalva eu faria na extensão, pareceu-me que fez com que a trama se esgarçasse um pouco. Por outro lado, unir as três obras (e talvez outras que eu não tenha visto) demanda uma manobra complexa.

    No entanto, a trama é uma ligeira variação de Blade. Algumas cenas essenciais desse filme estão presentes, ou referenciadas. O que o(a) autor(a) fez foi apenas (não no sentido pejorativo) remontar o enredo original, incluindo Matrix e Alice. Por que essa cópia, se era possível ir muito além, dada a inequívoca qualidade narrativa? Peguemos o Gaff, por exemplo. Claramente, foi uma tentativa de colar o personagem do filme ao texto. Isso é uma quimera, pois o cinema nos faz receber o personagem de um jeito e o texto de outro. Logo, nunca serão iguais. Mas o leitor, ao ler o texto após o filme, tem a tendência de medir a competência do autor por essa capacidade de cópia. No caso de Gaff, por ser maís típico que o protagonista, com tendências a vilão, o leitor “enxergar” o personagem do filme fica mais fácil. Mas é um personagem que, narrativamente, poderia ter rendido muito mais. Mas dele praticamente só temos diálogos, sua psiquê continua não devassada, como no filme. Um desperdício.

    A mesma facilidade não se encontra com o Deckard deste conto em relação ao Deckard do filme, por ser personagem mais enigmático, menos canalha, mais ensimesmado. Necessariamente o resultado foi outro. Se a intenção também foi colar, a coisa se complica, porque o temperamento dele, no filme, é de alguém bastante calado; aqui, no conto, ele narra da estória. Essa mudança é fundamental no perfil do personagem, faz toda a diferença. Por outro lado, narrar em terceira poderia tornar o texto desinteressante. Por isso que insisto que a cola de personagem é uma tarefa impossível. O Deckard do conto ficou tão bom quanto o do filme, mas com suas características bem distintas. Funcionou na narrativa.

  13. Claudia Roberta Angst
    10 de novembro de 2014

    Não vi Matrix, só alguns pedaços. Nunca me convenci a parar e assistir ao filme inteiro, mas acho que conheço o suficiente da trama para reconhecer as referências aqui trabalhadas.
    Quanto a Blade Runner.. bem o filme é de 1982, então eu tinha até o LP da trilha sonora. Meninos, eu vi e ouvi, em outro século e milênio.
    Achei a ideia de unir os dois enredos interessante, mas confesso que houve momentos em que tive de forçar a leitura.
    O conto está muito bem escrito, sem dúvida. O problema é que eu não me identifico muito com essa temática.
    Rachael despertou minha curiosidade e gostei principalmente do final – as pílulas como fios de uma bomba a ser desarmada…ou não. Boa sorte!

  14. Brian Oliveira Lancaster
    10 de novembro de 2014

    Meu sistema: essência. Gostei da temática e descrições levemente sarcásticas. O climão Cyberpunk não aparecia por aqui faz tempo, mas levei algumas frases para descobrir o cenário em questão. No entanto, alguns mereciam quebras a fim de melhorar o entendimento e dar mais peso às informações repassadas. Ponto para Karel Capec – não são todos que conhecem este nome (Asimov que o diga). Uma bela referência a outro filme clássico, que hoje em dia se classifica como “chato”. Sinceramente, o mashup ficou legal nas citações, mas o final incomodou muito, visto que o texto seguia uma linha mais pé no chão. Tirando isso, me senti novamente naquele cenário dos “Portões de Órion”.

  15. JC Lemos
    8 de novembro de 2014

    Olá, tudo bem?

    Olha só que conto bom, cara.
    Gostei dessa mescla que você fez, e apesar de ter achado alguns termos exagerados, eu gostei bastante do resultado final. Tenho uma vontade imensa de de ter essa facilidade com Sci-fi, então fico meio abobado quando vejo coisas assim, bem legais.
    Sua narrativa é impecável – mesmo no começo, onde achei meio estranho e arrastado -, e sua forma de contar lembrou-me certo autor.

    Os elementos utilizados e a forma como a explicação veio à tona ficaram muito bons, e posso confirmar que realmente gostei.

    É um bom conto!

    Parabéns e boa sorte!

  16. Virginia Ossovsky
    7 de novembro de 2014

    Muito bom ! Vi Blade Runner há uns dez anos, não lembro nada do filme, e precisei reler algumas partes. Mas amei a sua escrita, ambientação e detalhes, tudo impecável. Nem tenho o que falar sobre a junção com Matrix, perfeito!

  17. simoni dário
    7 de novembro de 2014

    Enfim, como já foi dito, dá pra perceber desde o primeiro parágrafo que o autor é calejado na arte de escrever, e a partir daí, supõe-se que a história será narrada de forma brilhante, esteticamente impecável, erros nenhum. Confirmado.
    Quanto ao conto e os filmes em que foi baseado, gostei de Blade Runner, de Matrix nem tanto. Tenho dificuldade com o linguajar futrístico desses filmes e acabo me perdendo nele.
    Nesse conto, especificamente, percebi uma curiosidade que não percebi em nenhum outro, O que vi oculto foi o que realmente me prendeu e me fez dar boas risadas. O texto contém o desafio literalmente! (pode ser delírio meu, mas não creio)
    Finalmente, o conto é divertido, cativante. misterioso e encantador. Um dos meus favoritos, certamente!
    Parabéns!

  18. Andre Luiz
    7 de novembro de 2014

    Primeiramente, meus critérios complexos de votação e avaliação:
    A) Ambientação e personagens;
    B) Enredo: Introdução, desenvolvimento e conclusão;
    C)Proposta: Tema, gênero, adequação e referências;
    D)Inovação e criatividade
    E)Promoção de reflexão, apego com a história, mobilização popular, título do conto, conteúdo e beleza e plasticidade.
    Sendo assim, buscarei ressaltar algumas das características dentre as listadas acima em meus comentários.
    Vamos à avaliação.

    A) Os personagens são impecavelmente descritos, de forma a introduzir o leitor à obra e colocar-nos dentro do enredo completamente. Blade, Rachael, Deckard, Gaff e os outros são muito bons e bastante interessantes. Para falar a verdade, a ambientação é tão minuciosa que confunde às vezes, porém nada que uma bela leitura não resolva.

    B)O enredo é conciso a meu ver. Tudo se encaixa. O ambiente criado por Harrison é estonteante, e chega a fazer-me devanear. Imaginei um futuro inovador, dentro de uma megalópole conturbada e aterrorizante. Sendo assim, gostei bastante da forma como os fatos se sucederam, dos personagens interagindo com o cenário e uns com os outros.

    Considerações finais: O conto é muito bom, talvez se colocando na categoria dos melhores do concurso, a meu ver. Apesar de alguns deslizes, no caso, explicações demais, ou termos que nunca vi na vida, a história não peca em quase nada. Logo, desejo-lhe boa sorte e sucesso no concurso!

  19. piscies
    7 de novembro de 2014

    Seu conto me deixou triste. Agora sei que não tenho como ganhar o desafio. HAHAHAHAH!

    GENIAL! SUBLIME!! QUE IRADAÇO!

    Misturou Blade Runner com Matrix com Fundação! CHESSUS! Nível de nerdeza MÀXIMO! rs rs rs rs

    E não foi só a mistura: foi a forma natural como ela foi feita. Tudo se encaixou perfeitamente. A escrita está ótima. Eu li alguns comentários falando que existem algumas falhas, mas sinceramente, não notei. Será que foi por que eu estava tendo NERDCHILLS o tempo todo? hahahaha

    O conto foi muito bem elaborado, o clima passado muito parecido com o original do Phillip Dick. Parabéns mesmo. Gostei demais da leitura. E gostei demais das sacadas no titulo e no pseudonimo, rs. =]

  20. daniel vianna
    7 de novembro de 2014

    O enredo é simples, porém desenvolvido de modo sofisticado. Gosto desse tipo de texto que te obriga a pesquisar, por um lado, e te faz expandir, imaginar, por outro. Entretanto, talvez tenha ficado um pouco extenso por conta de alguns excessos, e achei que o final, com a reaparição de Uno, ficou meio estranho. Mas o texto, em geral, é muito bom, com certeza. Parabéns e muito sucesso.

  21. Wallisson Antoni Batista
    6 de novembro de 2014

    Ah, muito bom mesmo. Adorei a mesclagem entre Blade e Matrix – dois ótimos filmes – me senti a vontade e bem atencioso do inicio ao fim. A ortografia precisa de uma revisãozinha, mas o resto ficou perfeito.
    Também achei interessante o Glossário no final, tirou duvidas quanto ao “pênis de cavalo”., além de proporcionar a fantasia do leitor ser o próprio personagem. Ficou excelente seu conto, parabéns.

  22. Anorkinda Neide
    6 de novembro de 2014

    Tchê! eu não assisti Blade Runner.. tenho me sentido deslocada neste grupo da EntreContos.. afff.. rsrsrs
    Bem, entao eu nao tava entendendo lhufas… todas as referencias, nomes, ambientações servem para quem viu o filme, eu não sabia nem o q eram replicantes!!
    entao larguei a leitura e fui ler os comentarios, sacando entao qual filme estava sendo mencionado.. entao li a sinopse 🙂
    agora entendendo melhor do q se trata voltei a ler…

    Claro, que mesmo de cara, percebi que trata-se de um autor pronto, traquejado na lida com as palavras, experiente e graduado em contos. Parabens por isso.
    Mas já deu pra vc perceber que o universo da historia em si, nao me seduz e nada tiro de agradável da leitura, infelizmente.

    Abração, ae

  23. Fabio Baptista
    5 de novembro de 2014

    ====== TÉCNICA

    Muito bem escrito. Conseguiu criar bem o ambiente e dar fluidez à (longa) história.

    Porém, acredito que ocorreu um certo exagero nos termos futurísticos, números, nomes, etc. Limaria boa parte deles depois do terceiro parágrafo, onde a ambientação já estava bem estabelecida.

    Algumas coisas soaram gratuitas, tipo:
    – adversário tão fucking superior

    E, o principal problema da narrativa, na minha opinião: o narrador não me convenceu como Deckard. Ficou uma boa narrativa, mas não era o Harrison Ford, saca? Não imagino o caçador de androides pensando algo do tipo: “Brincando de Tom & Jerry comigo? Paranoia, paranoia!”, por exemplo.

    – haviam me dito que trabalho anterior
    >>> Faltou um “o”

    ====== TRAMA

    Eu queria muito ter gostado dessa história, pois envolve dois filmes sensacionais. A escrita é boa e tinha tudo para gostar… mas não gostei.

    Achei que o autor preocupou-se muito com a estética e negligenciou um pouco a trama em si, complicando desnecessariamente algo que ficaria bem mais legal se fosse mais simples.

    O encontro com Uno me pareceu muito repentino e sua aparição no final, um tanto forçada.

    O clima Noir de Blade Runner só dá as caras em alguns pontos. Senti um pouco de falta.

    ====== SUGESTÕES

    Limar parte desses nomes e termos futurísticos.

    Simplificar um pouco a trama, criando uma maior expectativa e também um caminho mais direto para o encontro com Neo.

    ====== AVALIAÇÃO

    Técnica: ****
    Trama: ***
    Impacto: **

  24. Leonardo Jardim
    5 de novembro de 2014

    Cara, fantástico! Sensacional! Adorei.

    Não consigo nem fazer uma análise crítica, me desculpem, pois gosto muito dos filmes de referência do conto. São os dois filmes de ficção científica que mais gosto.

    Já estava achando muito bom quando você tinha conseguido fazer uma incrível continuação do Blade Runner (“correndo novamente sobre a lâmina” :)). Li quase todo o conto com um sorriso no rosto, mas quando você conseguiu unir Blade Runner com Matrix, aí eu quase gargalhei (teria gargalhado se não tivesse no trabalho). Muito legal, muito interessante, bem encaixado. 😀

    Não poderia deixar de dizer que você conseguiu escrever bem e com belas sentenças, sem tornar o texto enfadonho, além de ambientar o cenário e escrever uma história completa, com ação, clímax e um final impactante.

    Bom, vou terminar aqui, pois já devem estar enjoados dos meus elogios. Depois, se der tempo, vou ler de novo e ver se consigo fazer uma análise mais crítica.

  25. Maria Santino
    4 de novembro de 2014

    Vi coisas nas quais vocês nunca acreditariam. Naves de ataque em chamas perto da borda de Orion […] E todos esses momentos se perderão no tempo como lágrimas na chuva. Hahah! Sempre achei lindo isso (e quem não acha?)

    Que bela sacada, o nome heim??? Sério!!! Isso ficou BOMMMM!!!

    Ah! Eu que vi e vi e vi mais algumas vezes o Blade Runner simplesmente adorei, e putz! Você mesclou? Caramba!!! Eu sempre quis que houvesse a parte dois, mas penso que algumas coisas são boas uma única vez e o resto se constrói na mente (é obvio que se houvesse o parte II eu iria conferir).

    Sabe, princípio eu fiquei brava com você por me fazer ver a Rachel velha e além do mais, dois anos após aquela frase lá: “É uma pena que ela não vá viver! Mas, afinal, quem vive?”, na minha mente eu dei mais tempo para ela jamais imaginei-a velha, só se desligando. (mas tudo isso não importa). O importante é que você captou muito do clima do filme e o lance do zoon, me fez ouvir o barulhinho e ver o Harrison Ford bem aí. O início é ótimo com uma bela ambientação e tons irônicos que me cativaram de cara. Achei o gancho muito bom, o lance do soro para o problema no Nexus 6, o único pecado é ver as cenas muito rápido, sentir a acelerada da narrativa depois que ele encontra a mensagem codificada (uma pena correr devido ao limite de palavras), mas eu fiquei imersa, totalmente. E quando achei que estava muito muito igual ao filme lá você casou com Matrix e a toca do coelho. É um conto, que quando por dentro das referencias, se termina rindo.

    Não posso falar mais nada, somente parabéns! Peço que desculpe o meu (muito) entusiasmo ao comentar o seu conto, é que eu gosto muito do filme em questão (e de outros, mas entre ler, ver, e escrever… são outros quinhentos).

    SUCESSO!

  26. simoni c.dário
    3 de novembro de 2014

    Caro autor
    Não sei se estou vendo coisas, mas não consigo ler teu conto sem que saltem as entrelinhas. Acho que de tanto ler os textos posso estar vendo coisas onde não existem…já li umas 4 vezes e não consigo ler as linhas. Me dê mais um tempo, vou ter que ler mais algumas vezes e ver se consigo me concentrar na história. Agora se eu não estiver vendo coisas e estou lendo realmente o que tem ali(entrelinhas), Parabéns! É fantástico! Incrível!
    Mas me aguarde, não faça deste meu comentário. Vou ler mais umas dez vezes e volto para comentar novamente…

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Informação

Publicado às 3 de novembro de 2014 por em Filmes e Cinema e marcado .