EntreContos

Detox Literário.

O doloroso jogo do amor (Alan Cosme Machado)

o doloroso jogo do amor

 

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No segundo ou terceiro mês, dois milhões de pessoas se reuniam para festejar por quatro dias. Mesmo largas as ruas ficavam pequenas para abrigar tanta gente. O aperto fazia com que as pessoas ficassem tão agarradas que algumas delas se viam obrigadas a dividir o mesmo espaço, uma dentro da outra.

– Regina, cadê você? – Apesar da festa ser motivo de alegria para a maioria, George não a via com bons olhos. Ele não gostava de aglomeração e muito menos da música tocada. Porém, como qualquer namorado, ele tinha que ceder se quisesse manter sua companheira por perto. George a queria bem agarrada a ele, ao ponto de dividirem o mesmo espaço. Um dentro do outro.

– Fala mais alto. Não estou te ouvindo. – Os enamorados marcaram de se encontrar em um ponto especifico da cidade. O problema é que chegando lá, George não a encontrou.

– O quê? – O celular era o cupido que tentava unir o casal. Bastava ligar e perguntar qual era o atual paradeiro dela. A resposta, porém, foi transmitida com muito ruído de informação. Ela falou uma coisa, ele entendeu outra. Com o trio elétrico a tocar quase no pé do seu ouvido se tornava impossível discernir algo inteligível.

George desligou seu aparelho e o guardou no bolso. Agora só bastava abrir caminho em um mar de foliões para que conseguisse chegar ao local supostamente indicado pela sua namorada.

Devido ao espaço ser mínimo, George precisou abrir caminho de modo não muito delicado diversas vezes. – Leva logo meu ombro!

Indo em direção à George, caminhava Marcos. Os dois não se conheciam. A relação que terão será iniciada devido a uma diversão de Marcos que apesar de estranha não é incomum. Durante o ano passado Marcos gastou horas na acadêmia para ganhar músculos. Apesar de vaidoso, ele não ligava tanto para aparência. O único propósito de todo aquele treino era a prática daquela diversão.

– Por que esse cara tanto me olha? – Pelo olhar do outro George pôde antever o soco antes de recebê-lo.

Por estar sozinho e ser magro ao ponto de ter o rosto ossudo, Marcos deduziu que o japa seria uma vítima fácil. No entanto, a fraqueza de George era só aparente. Tendo em vista que ele pratica artes marciais desde antes de aprender a andar.

O playboy se surpreendeu quando viu seu punho acertar o nada. Sem que Marcos percebesse, George foi parar agachado quase colado ao seu corpo. Quando o nissei levantou, seu braço foi estendido para cima formando assim um uppercut.

O golpe no queixo quase o apagou, mas Marcos ainda se manteve de pé. As pessoas em volta dos lutadores abriram uma roda para escapar da confusão ou para melhor assistir ao espetáculo.

O ego de Marcos que se achava imbatível ficou indignado ao se ver superado por aquele magricela. Ele investiu de novo, mas um chute lateral fez com que beijasse o ringue.

Por instinto, George desviou do ataque vindo de trás agarrando a mão do agressor que segurava a tonfa e dobrando o próprio corpo para conseguir acertar a têmpora do adversário com o cotovelo esquerdo. George estava envaidecido por ter conseguido aplicar aquele golpe até se dar conta de que seu oponente já estava desmaiado e de que ele não usava tonfa.

Quando George viu quem foi que agredira seu sangue gelou e a pouca cor que sua pele pálida continha fugiu.

O mar de foliões se abria diante de sua passagem devido ao peso de sua farda. O objetivo do oficial Timóteo era acalmar os ânimos do agressor, que pelo seu ponto de vista era George. A cotovelada não doeu tanto quanto o desrespeito.

Após ser agarrado, seu braço foi tão torcido para trás que não tardou a ficar dormente. Mesmo naquela situação adversa, George conseguiu ter sangue frio para analisar o fato de que o policial estava sozinho e que não havia registrado seu nome, talvez mal registrara seu rosto.

Um jogo de perna e um inclinar para a esquerda fez com que o corpo do policial se projetasse para frente e ele tombasse em um golpe que arrancaria aplausos dos maiores mestres do judô.

Ao se recompor o policial não mais viu o atrevido. Como se ele tivesse sumido em um passe de mágica.

Por sorte um grupo de asiáticos passava pelo local. Como quem não queria nada, George se intrometeu entre os turistas. Se perdendo na multidão formada por cinco nipônicos.

– Não foi para isso que seu pai te treinou. – Reclamou sua consciência.

– Ele me treinou para enfrentar monstros que só existem em sua cabeça. É doido o velho, ainda bem que percebi a tempo.

– Levando em conta que você fala sozinho e ouve vozes, desconfio que ele não seja o único da família.

George já estava no ponto de encontro, mas mesmo assim não avistou Regina. Esperou quinze minutos até perder a paciência e ligar para ela. Ao menos era essa sua intenção quando sentiu uma mão que não era sua coçar seu bolso.

– Pega ladrão! – Lá se foi o celular.

Por ser miúdo e esguio, o trombadinha tinha uma vantagem na fuga que George não poderia superar. Ao menos não se tentasse persegui-lo pelas ruas.

– Desce daí, maluco! – George subiu no teto de uma barraquinha de lanche para conseguir chegar na janela de um prédio popular de quatro andares. Ele pulou de uma janela a outra até alcançar o telhado. Por sorte as telhas não cederam ao seu peso.

Olhando de cima George conseguiu ver melhor o pivete, além de deduzir qual seria seu destino.

George precisou chegar ao telhado de uma casa que estava do outro lado para interceptar o menor infrator. Então ele usou seu magnifico treino para atravessar a rua usando os fios de alta tensão como ponte.

O pivete entrou em uma viela, afastando-se da aglomeração e se tornando um alvo fácil.

Apesar de não fazer o menor sentido, naquela viela havia uma carroça estacionada cheia de feno. Graças a carroça George conseguiu sair ileso da experiência de mergulhar de cabeça do sexto andar.

Por George estar coberto pelo feno, o pivete não o percebeu e ao passar pela carroça foi pego.

– Larga o menino! – Apesar do que disse, sua preocupação não era o bem estar da criança, mas sim da mercadoria roubada.

George recuperou seu celular, mas se viu em meio a outro problema. Estava cercado por cinco marginais. Sendo que um deles segurava um porrete e outro um canivete. Ao perceber que aquilo não iria acabar bem o menino fugiu. Não assistindo ao final da confusão que sem querer provocou.

A mão que empunhava a faca quase o acertou, mas George se posicionou embaixo do seu braço estendido e o torceu na direção contrária, fazendo com que esse competidor perdesse o ânimo para brigar.

Uma voadora com as pernas apontadas para direções opostas deu cabo de mais dois.

O bandido que portava o porrete acabou sendo atingido pela própria arma em um embolar de braços indecifrável.

Ao assistir a uma pessoa sozinha derrotar todos os seus companheiros o mais lógico a se fazer é fugir. Ainda assim, apesar de não estar armado, o bandido restante acreditou que poderia vencer. Sabe-se lá o porquê.

George nem olhou para o seu rosto, uma cotovelada para trás e pronto.

A viela era um local mais tranquilo do que a rua principal onde a festa prosseguia. Por causa disso George conseguiu ouvir sua namorada no outro lado da linha com mais clareza. Já que o incomodo som do trio ali era ameno.

– Por que demorou de atender? Estou tentando te ligar há um tempão! – Após levar um esporro da namorada, George descobriu que ele havia entendido errado o local do encontro. Pelo menos agora George conseguiu ouvir o endereço certo.

Durante o percurso até o local correto do encontro, George fez uma parada rápida. Precisou adquirir um item que recarregaria sua energia gasta em tanta luta. No caso, uma coxinha que comprou na mão de um vendedor ambulante.

Certas pessoas tem o dom de se acharem na razão mesmo quando agem da maneira mais errada possível. George demorou a reconhecê-lo por causa do olho roxo com a qual o presenteou. Marcos estava de volta, mas não sozinho. Ao seu lado vários malhados de academia que partilhavam o gosto pela mesma diversão. Cada um deles sendo uma explosão de músculos que desafiava a biologia.

– Rápido, se esconda. Não quero que eles te vejam. – Aconselhou sua consciência.

– Está preocupado comigo?

– Não seja ridículo! Estou preocupado com o que você pode fazer com eles.

Para a sorte de George os aliados de Marcos não eram inteligentes. Se não for esse o caso, eles deviam ter algum grave problema oftalmológico. George não precisou ser um agente secreto muito habilidoso, bastou que se escondesse atrás de latas de lixo ou de barraquinhas para que permanecesse despercebido.

No meio do trajeto, George teve que passar por uma rua guardada por dois marombeiros. O problema era que por ser uma transversal estreita não possuía lugares a se esconder. Convenientemente, George encontrou uma caixa de papelão grande o suficiente para que coubesse dentro. Agachado, ele andava com a caixa a cobri-lo. Quando os fortões olhavam para sua direção ele abaixava a caixa e sumia lá dentro.

– Por que demorou tanto? – Minutos depois, George encontrou Regina com os braços cruzados e de cara emburrada. Mal sinal.

Apesar das trocas de reclamações iniciais, não demorou para que se entendessem. O casal conseguiu enfim curtir a festa e, claro, namorar um pouquinho. Não com o grau de intimidade pretendido por George, mas isso não fez com que seu dia deixasse de ter valido a pena.

O dia já tinha se tornado noite há um bom tempo quando o casal resolveu se afastar da festa. George levava sua garota até o carro do seu pai cheio de expectativa quando o impensável aconteceu.

Ele só havia se afastado por um minuto para comprar um refrigerante que Regina havia pedido quando uma van saída dos infernos a levou embora. Os homens que a raptaram não eram exatamente homens. Estariam mascarados? George queria acreditar que sim, mas a sua consciência dizia que não.

– Pelo menos agora sabemos que seu pai não é o maluco da família. Está fazendo o quê parado? Atrás deles!

O gurgel que seu pai emprestou foi estacionado há meio quilômetro dali. Só o tempo perdido em chegar até o carro colocaria o resgate a perder. George precisou improvisar.

Sem pensar nas consequências, George escolheu o carro mais próximo e abriu uma porta mesmo ele estando em movimento. O motorista descuidado dirigia com as portas destrancadas.

– Você?! – Marcos foi tirado do próprio carro a força e jogado no asfalto.

– Desculpa, amigo. Mesmo não parecendo, não é nada pessoal. – Com aquele carro George tinha melhor chance de obter exito em sua missão. Já que aquele Ford Mustang era mais possante do que o carro do seu pai.

George dirigiu o Mustang feito um alucinado em direção à van infernal. Estava tão concentrado nos raptores que não notou o carro que o perseguia, isso até ele acertar sua traseira. O algoz de George era uma viatura policial com um tuning impraticável.

A viatura conseguiu ficar ao lado do Mustang pilotado por George fazendo com que ele pudesse ver quem era seu perseguidor. – Lembra de mim? – O oficial Timóteo ainda não havia esquecido a ofensa sofrida.

O policial jogou sua viatura em cima do Mustang o empurrando até a pista ao lado, que era contramão. Os dois carros correram emparelhados só se desgrudando quando se fazia necessário desviar de algum automóvel que vinha no sentido contrário.

Quem assistia à perseguição testemunhava o desrespeito à várias leis. Não de trânsito, da física. Em dado momento George bateu de frente com um ônibus. O Mustang só machucou o capô e reduziu um pouco a velocidade. Já o ônibus quicou na lataria do carro como se fosse uma bola de futebol e capotou diversas vezes.

Se quisesse alcançar a van dos sequestradores George precisava primeiro se livrar do policial que o perseguia.

George reduziu a velocidade do carro, deixando que Timóteo se posicionasse um pouco a frente. Em seguida jogou o Mustang na lateral da parte traseira da viatura. Como estava em altíssima velocidade, o carro policial perdeu o controle e foi parar em um posto de gasolina da pior maneira imaginável. Analisando o cogumelo de fogo que viu pelo retrovisor, George deduziu que o policial não causaria mais problemas.

A van infernal entrou em um prédio abandonado. Em uma distância segura, George estacionou o que sobrou do Mustang.

O local era fortemente guarnecido, mas isso não impediria George. Porém, antes de invadir ele precisava arranjar uma arma, o que se mostrou uma tarefa de extrema facilidade.

Os seguranças eram inacreditavelmente inaptos para a função, bastou George escolher um e se esgueirar silenciosamente por trás dele. Com uma gravata ele colocou o segurança distraído para dormir. Uma metralhadora e dois cartuchos de munição já estavam garantidos.

Todo cuidado que George teve para não ser visto foi jogado fora assim que entrou no edifício. Com a metralhadora em punho ele disparou adoidado eliminando os criminosos às pencas. Os bandidos armados não eram de muita serventia, já que parecia que eles nunca tinham portado uma arma de fogo antes.

Em um corredor apertado, com uma automática nas mãos, você poderá precisar de qualquer coisa, menos de uma boa pontaria. Ainda assim, os bandidos não acertavam um tiro em George.

Por algum motivo que a razão desconhece, criminosos adoram espalhar botijões de gás nos seus esconderijos. George acertou um desses para eliminar logo trinta bandidos de uma vez.

Enfim o último andar, George estava prestes a se encontrar com o chefe. Mas antes tinha que enfrentar os subchefes.

Ao entrar na sala que antecedia a final, George foi atingido por um golpe inesperado que jogou sua arma longe. Do contrário os subchefes seriam tão desafiadores quanto os demais bandidos sem cérebro.

Peles cinza, orelhudos e de dentes compridos. Esses foram os dois que sequestraram sua amada e, de quebra, provaram a sanidade do seu pai. A dupla de monstros atacava, George golpeava depois e a luta seguia assim. Um golpe de cada vez. Após o fim da luta em turnos, a derrota dos monstros. Seus corpos desaparecem como se nunca tivessem existido e George ganhou experiência com isso.

– Quando chegar em casa você vai ter que se desculpar com o seu pai. – Lhe disse sua consciência.

– Me dê um desconto. Como eu poderia ter certeza de que ele não estava louco? Convenhamos, suas histórias não são fáceis de engolir.

– Falando nas histórias do velho, se você ainda se lembra delas já deve ter intuído o que veremos à frente, certo?

George engoliu em seco ao lembrar do que seu pai lhe contava sobre o seu arqui-inimigo. Tanto que exitou em abrir a porta que o separava de sua amada. O garoto quase desistia, mas sua consciência não o deixou sair dali sem a menina.

Olhando para seu visual, George se perguntava como ele conseguia conquistar o respeito dos seus subordinados. O chefe se autointitulava imperador. Sentado em seu trono, sua roupa seria fetichista se seu capacete não a deixasse ridícula. Um homem alto e musculoso vestindo apenas uma sunga preta. Na cabeça usava um capacete samurai estilizado que vinha acoplado à uma máscara de caveira. Regina estava presa ao seu lado. Pendurada e acorrentada pelos braços e pernas.

George se sentiu aliviado. O alivio que só quem vê alguém em pior situação que a própria consegue ter. George apenas ouvia vozes, já esse aí nem de atestado de maluco precisava.

George só queria resgatar sua namorada, não dava a mínima para as motivações do vilão. Mesmo assim ele começou a relatá-las como se fossem a coisa mais relevante do universo.

– Nunca consegui derrotar seu pai, por isso agora tento atingi-lo no seu ponto mais vulnerável. Você! O rapto da garota foi só um meio para atraí-lo aqui e…

Encurtando a conversa, George pulou a introdução da luta emendando uma voadora. O imperador a bloqueou usando o antebraço como escudo. O golpe ineficaz deixou a guarda de George baixa o que deu abertura para o imperador aplicar-lhe um gancho.

O golpe foi tão poderoso que George atravessou o teto e foi parar no terraço.

O garoto mal havia se recuperado e o imperador já estava em cima dele tentando dar uma pisada em seu peito poderosa o suficiente para quebrar sua caixa torácica. George rolou para o lado desviando no último instante.

Ao se por de pé, George tentou um chute alto. Porém o imperador nem fez questão de se defender, recebendo o golpe no peito. Um soco jogou George longe até quase cair do terraço. Uma altura daquelas era demais até mesmo para alguém como ele.

Antes de se levantar, George ouviu sua consciência. – Eu sempre peço para você se conter nas lutas. Esqueça esse pedido por ora.

– Tem certeza?

O imperador já estava gargalhando com uma vitória que ainda não possuía quando George se levantou e preparou o golpe especial que seu pai lhe ensinara e que pediu para ter cuidado ao usá-lo. O garoto uniu as mãos no ventre, uma embaixo da outra. Uma com a palma para cima e outra com a palma para baixo. Uma bola de energia azul se formou no pequeno espaço entre as duas. A bola foi crescendo e se tornando cada vez mais luminosa. Quando não pôde mais ser contida, George a liberou apontando as palmas de suas mãos na direção do adversário. A liberação de energia iluminou a noite e deixou o imperador em frangalhos.

Quando a luz dissipou o imperador estava praticamente morto em pé, balançando o corpo ao sabor do vento.

– Acabe com ele! – Gritou sua consciência.

O chute mais lembrava o passe bicicleta do futebol, sendo que a bola era o queixo do imperador. Com a porrada ele voou longe e foi cair lá em baixo. Quando seu corpo tocou o chão o impacto fez com que cada membro voasse em uma direção diferente. Uma perna foi para o sul, um braço foi para o nordeste, a cabeça para o norte e assim por diante.

Após a ordem, a consciência de George sentiu um pouco de remorso por ter feito aquele pedido. Resumindo o ocorrido em uma única palavra.

– Fatalidade.

Final feliz, ou assim George pensava. Mas a vida sempre se mostra mais complicada do que a ficção. Enquanto saiam do edifício, George tentou passar seu braço por cima do ombro dela, mas não conseguiu. Regina desviou no último momento, rejeitando o agrado.

– O que foi?

– Ainda pergunta?

Os dois começaram a discutir a relação ali mesmo. No início o tom da conversa era moderado, mas a medida que os ânimos se acaloravam as vozes iam subindo um degrau. Antes que percebessem passaram a gritar um com o outro.

– Acho melhor a gente dar um tempo. Sua vida é muito complicada para mim. Melhor dizendo, acho bom acabar tudo logo. Você é estranho.

Na cara! Esse foi o golpe mais doloroso que George recebeu naquele dia. O orgulho ferido ordenou que ele não saísse da situação por baixo. Sendo assim, George vestiu a melhor máscara de superioridade que possuía.

– E quem disse que eu faço questão de você? Patricinha nojenta!

Cada um seguiu seu rumo em caminhos opostos. Ambos os corações magoados.

– É assim que se fala com uma mulher, George? – O garoto não quis ouvir sua consciência e por tê-la ignorado pagará um preço alto que poderia ser evitado.

George chegou em casa anunciando sua presença batendo a porta com tanta força que acordou seu pai que o esperava no sofá até cair no sono. – Que malcriação é essa?!

No dia seguinte George teve que fazer uma força descomunal para levantar da cama. O café da manhã, o almoço e o jantar foram comidos à pulso, já que as refeições não desciam, travando no meio da garganta.

George só tomou uma atitude para contornar a situação quando o peso no seu coração aliviou, uma semana depois. Mas aí o estrago feito já não tinha mais remendo.

O garoto juntou metade do dinheiro do mês conseguido em seu emprego de meio expediente para comprar o melhor buquê que conseguia pagar.

O final é um clichê, mesmo assim todo garoto que passa pela situação acha que sua experiência é inédita no mundo.

Sorriso no rosto, flores na mão e, por fim, alegria no pé. Ele viu Regina saindo de casa com um outro homem. Estavam abraçados. “São só amigos”, se iludiu de início. O beijo acabou com a dúvida.

Ainda bem que os dois não o viram, se não o golpe seria ainda mais forte. George jogou as flores no lixo e fez a si mesmo uma promessa. – Não quero saber mais de me apegar, na próxima festa irei solteiro e vou lascar todas.

Apesar de acreditar nas próprias palavras, ele estava mentindo.

George é muito jovem, tem muitas fichas para gastar. Ele não irá demorar a encontrar um outro rostinho bonito. Assim que o coração se recuperar ele ficará tentado a recomeçar o jogo.

Game Over.

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– George, dá para sair da cama?

Ao ouvir seu pai, o garoto apenas se virou de bruços e pôs o travesseiro em cima da própria cabeça. – Quero me matar!

– Tudo bem, mas vá comprar pão primeiro.

Uma semana havia passado desde a decepção. George andava desiludido, se achando o pior dos homens e acreditando que nunca mais iria conhecer alguém legal que se interessasse por ele.

No percurso da casa à padaria dá para encontrar muitos conhecidos, inclusive o cupido.

– Que catástrofe, não? – Aquela pergunta seguia o mesmo raciocínio de quando indagamos se vai chover. O assunto do questionamento era o que menos importava. Sua única utilidade era iniciar uma conversa. A linda garota não se preocupava com o incidente no posto de gasolina.

George olhou para os escombros, analisando a pergunta ao pé da letra. Só quando percebeu quem era a interlocutora foi que entendeu. – Soraia! Menina, como você mudou! – No ginásio, Soraia era um patinho feio. Mas só porque não sabia se arrumar, a genética não tinha nada a ver com a história. Passado três anos a realidade mudou.

– Oi.

Tentando alimentar a conversa, tal qual Soraia no início, George fez outra afirmação sobre o clima. – Povo Irresponsável. Só sinto pena da família.

– Felizmente ninguém saiu ferido.

Here Comes A New Challenger!!

Uma viatura policial estacionou na calçada, o coração de George parou de bater enquanto a porta do carro abria em câmera lenta. Com uma feição de descaso, o oficial Timóteo saiu à rua. Com o peito estufado tal qual um pombo, ele pacientemente pegou a tonfa do seu cinto tático. Naquele momento George temeu a força do cajado da lei.

Para demonstrar sua fúria, o oficial partiu a tonfa em duas com as mãos nuas. Uma aura maléfica circundou seu corpo enquanto seus olhos enrubesciam em uma expressão máxima de puro ódio.

Chega de sutileza, Evil Timóteo agora vai resolver é na porrada.

Antes de fazer qualquer coisa, George ouviu sua consciência. – Quebra ele! – Ao escutar tal conselho, George colocou as duas mãos próximas ao ventre. Uma com a palma para cima, outra com a palma para baixo. – George, só tente não destruir o quarteirão inteiro.

Ready?

Fight!

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20 comentários em “O doloroso jogo do amor (Alan Cosme Machado)

  1. luciana
    12 de dezembro de 2014

    achei uma passagem de dragon ball z ali mas ta valendo a ideia e a luta contra si mesmo

  2. Eduardo Selga
    12 de julho de 2014

    Literatura, para ser escrita com L maiúsculo, não pode ser construída usando a superficialidade da ação pela ação como viga mestra.

  3. Bia Machado
    12 de julho de 2014

    Gostei do enredo, mas achei extenso demais, muito repetido, não me envolvi… Tá, verdade que não é o tipo de conto do qual gosto de ler, mas… Acho que poderia ser mais enxuto. Boa sorte!

  4. Thata Pereira
    11 de julho de 2014

    Vou ser sincera dizendo que o meu comentário não pode ser levado em consideração, pois não me simpatizo com nada que o conto trata e isso influenciou, com certeza, minha opinião. Concordo com o Fábio quando diz que contos longos não incomodam, desde que não fique “sobrando” ações no meio da trama. Mas, como eu disse, o tema tratado aqui é um preconceito que eu preciso quebrar.

    Boa Sorte!!

  5. Pétrya Bischoff
    10 de julho de 2014

    Cara, esse personagem, para mim, é o Jackie Chan lutando no Street Fighter haaha’. Curti a ideia pq senti como seria estar dentro do jogo, o que move esses personagens, o que pensam entre uma luta e outra; mesmo tantas situações inusitadas justificam-se pelo game. No entanto, foi longo em demasia e, a menos que os leitores sejam gamers também, não penso que agrade tanto. Boa sorte.

  6. tamarapadilha
    9 de julho de 2014

    Leitura arrastada, cansativa… Não entendo nada de videogame por isso talvez não consegui perceber muita coisa interessante no conto… Não gostei… Boa sorte.

  7. Marcelo Porto
    3 de julho de 2014

    Longo demais!

    Achei uma boa premissa e torci sinceramente para que fosse melhor, mas a leitura ficou arrastada e depois da metade foi difícil continuar.

    Cortando pela metade ficaria mais interessante.

  8. Anorkinda Neide
    24 de junho de 2014

    Olha…vc, autor, vai ficar bravo comigo, mas, eu li imaginando o tempo todo um filme do Jackie Chan 🙂
    apesar de alguns termos de video game, eu nao associei com games, pq eu desconheço este tipo… entao, fui no filme mesmo… rsrsrs
    confesso q achei engraçado, a cada ação mirabolante do super-herói… até q começou a ficar chato… a luta com o chefão, até pulei e li depois… nao entendi a DR com a mocinha, ficou sem nexo…
    mas depois, sabendo q se tratava de um game..entendi a abordagem superficial dos personagens… mas, enfim, estás narrando um game? o que tem de conto nisso? não captei. rsrsrs
    Boa sorte ae!

  9. Tiago Quintana
    23 de junho de 2014

    A premissa é interessante, mas a prosa não me agradou. Lamento.

  10. Jefferson Reis
    21 de junho de 2014

    Minha ignorância em relação a esse tipo de jogo (videogame) me impossibilitou de perceber as sutilezas do texto e de entender as piadas. Então a leitura seguiu travada e cansativa.

    Algo que me chamou a atenção positivamente foi o cenário de uma das fases do jogo (estou certo em afirmar isso?): a festa de carnaval. O autor inseriu uma faceta da cultura brasileira em um conto que reproduz um jogo de videogame e isso é muito DA HORA!

  11. Edivana
    20 de junho de 2014

    Gostei muito da história, criativa, engraçada, uma nova forma de ver os games. O que não gostei muito foi o tom de finalização em alguns momento, por exemplo, o final da luta com o imperador, as flores no lixo etc, tudo bem que dizem respeito a troca de fases, imagino, mas me cansou. Abraço.

  12. David Mayer
    20 de junho de 2014

    Gostei do conto. Algumas passagens realmente quebraram o clima, como o dos monstros no prédio, mas no mais está muito legal… É tipo um conto insolito, paralelo… Muito maneiro. Eu particularmente gostei muito.

    Parabéns.

  13. Anna
    18 de junho de 2014

    Bem legal e criativo. Só achei a leitura meio arrastada. Boa sorte!

  14. fantasticontoserreira
    17 de junho de 2014

    Sony
    Gostei do conto apesar de achá-lo confuso e maçante em certas partes, parecendo um jogo de computador, daqueles de mudar de fase. Em outros pontos o(a) autor(a) imprime um ritmo alucinante descrevendo cenas de luta que teve certo grau de humor.
    Boa Sorte!

  15. Thiago Tenório Albuquerque
    15 de junho de 2014

    Apesar de o conto ter me trazido certa nostalgia ao me remeter a uma época onde os “smash and go” reinavam nos fliperamas, o conto não me cativou.
    A proposta é interessante, mas ao meu ver a execução deixou a desejar.
    O texto ficou muito longo por conter passagens desnecessárias.
    Penso que uma redução o tornaria muito interessante.
    Boa sorte no desafio.

  16. Claudia Roberta Angst
    14 de junho de 2014

    Sabe uma pessoa que não gosta de games?Esta pessoa sou eu. No entanto, achei interessante a ideia, o desafio de criatividade. Achei muito longo, com algumas passagens desnecessárias, que ralentaram o ritmo da leitura. Boa sorte!

  17. mariasantino1
    14 de junho de 2014

    Olá!
    .
    Li o texto vendo cenas daqueles games de “lutas de rua” antigo 😛 Gostei de algumas passagens como o fato de ter sempre um desafio, tipo video-game e tals, mas, achei moroso em várias passagens além de haver sinalizações que retiram o brilho (para mim, claro). Entretanto, é uma ideia ousada.
    .
    Boa Sorte aew!

  18. Luci lopes
    14 de junho de 2014

    Gosto de literatura fantástica, mas esse conto cruzou linhas que nem o Neil Gaiman ousaria.

  19. wilians95
    14 de junho de 2014

    george é a mistura do MacGyver com o Bruce Lee kkkk, gostei do conto.

  20. Fabio Baptista
    14 de junho de 2014

    Não vejo problemas com textos longos, desde que eles prendam a atenção, sejam bem escritos e justifiquem o número dilatado de caracteres com uma boa trama.

    Não é o caso aqui.

    Mais da metade do texto é pura encheção de linguiça, apresentando sátiras ao estilo “Todo mundo em pânico 8” (onde a cada 10 piadas você ri de uma ou duas) de Assassin´s Creed, Mortal Kombat e outros jogos.

    Assim como raríssimas piadas, algumas construções de frase (poucas, dado o tamanho do conto) destacam-se positivamente:
    – “uma explosão de músculos que desafiava a biologia”
    – “testemunhava o desrespeito à várias leis. Não de trânsito, da física”
    – “gargalhando com uma vitória que ainda não possuía”

    Alguns apontamentos gramaticais/estéticos:
    – Repetição de “pessoas”
    – Repetição de “ele”
    – Ele tinha >>> cacofonia
    – especifico / magnifico / alivio >>> acento

    – A relação que terão será iniciada / a fraqueza de George era / Tendo em vista que ele pratica / Se não for esse o caso
    >>> em que ponto do tempo está o narrador????

    – beijasse o ringue >>> lona?

    – sou seu magnifico treino
    >>> “Magnífico” aqui, além do acento que faltou, é dispensável. Pela descrição da cena o leitor já percebeu que o treino dispensava adjetivos.

    ————————–

    Na minha opinião, o texto poderia se tornar agradável se fosse reduzido pela metade, cortando diversas cenas de “ação”, indo mais direto ao ponto e escrachando mais no humor. Aqui tudo virou a repetição exaustiva de uma piada que já não teve muita graça na primeira vez que foi contada.

    Abraço.

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Publicado às 13 de junho de 2014 por em Tema Livre e marcado .