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Detox Literário.

Yah-ik-tee: o jeito Apache (Rubem Cabral)

cactus

A palavra “tats-an” significa “morto” em Apache; embora eles nunca a empreguem quando falando de um amigo ou parente falecido, nestes casos eles dizem “yah-ik-tee”, o que significa que ele não está presente – que eles ainda o procuram, que foi a algum lugar. O mesmo termo pode ser usado ao se referir a alguém que efetivamente saiu e já volta. (A vida entre os Apaches – John C. Cremony – Applewood Books).

 

Theodore Jr.

Eu tinha sete anos quando vi meu pai pela última vez. A imagem jaz tatuada em fogo por detrás de meus olhos: eu, erguido alto, tão alto, sobre seus ombros, minhas mãos ao redor de seu pescoço, ou segurando suas orelhas, rindo e ignorando seus falsos protestos. Ao fundo, o sol já quase se pondo e fritando o mundo em laranja e carmim, iluminando os cactos saguaros, perfilados como uma procissão de mexicanos.

Não sei se por minha inocência de filho único criado em rancho, ele me parecia perfeito, um semideus dos livros de contos de fadas de minha futura meia-irmã, que eu ainda leria nos anos por vir.

Tinha os olhos cor de inverno sempre apertados, como se desconfiado perscrutasse o horizonte o tempo todo, íris essas que faziam forte contraste com o rosto invariavelmente queimado. A barba bem aparada, mas áspera como o agreste espinhoso. Seu queixo, quadrado e altivo, a voz, um trovão gentil, um vento que soprava morno com o vagar de seu sotaque carregado. O chapéu cowhat, que só saía da cabeça quando ele ia comer ou entrava na igreja, as sobrecalças fedorentas de lã de carneiro, as botas de couro de bisão, que ele mesmo cortara e costurara à mão com pontos grossos.

O homem era uma máquina de trabalho incansável, já de pé desde as quatro e meia, às vezes trabalhando até às oito da noite no verão. Ninguém era maior ou mais forte, mais hábil com o laço, ninguém domava um mustangue tão rapidamente e sem maltratar o animal, ninguém cuspia fumo tão distante, ou contava histórias tão engraçadas e fantasiosas nas noites frias pontilhadas de mil estrelas, ao redor da fogueira.

Lendas do Canadá de seus pais, sobre como o Grande Canyon fora criado numa luta entre o gigante Paul Bunyan e o touro azul Babe, sobre como depois Paul cavara os Grandes Lagos para que o seu novo amigo índigo pudesse ter um bebedouro adequado ao seu porte modesto, os dez mil lagos de Minnesota, resultantes de pegadas do formidável bovino, antes que ele e Paul fossem enfim viver no céu.

Theodore Calhoun, meu jovem pai só tinha vinte e seis: não houve um dia em que não sonhei sobre como ele foi atrás de uma rês perdida no fim daquela tarde e jamais voltou. Não houve noite em que não chorei lágrimas furtivas por não ter tido o gosto de crescer ao seu lado, em que não amaldiçoei os diabólicos Apaches.

Talvez os covardes pagãos tenham tirado seu escalpo e deixado seu corpo, debatendo-se ainda vivo, para ser devorado pelos cougars, ou pior; cortaram suas pálpebras e o soltaram no deserto para morrer cego, louco e com os olhos secos. As histórias das práticas dos selvagens corriam de boca em boca e insuflavam mais ódio em meu espírito, mais do que eu poderia guardar num coração ainda tenro de menino.

Mary Elizabeth, minha mãe – eu não a culpo mais, era tão moça, só tinha dezesseis quando nasci – esperou uns três anos desde o desaparecimento dele e finalmente abandonou o luto. Menos de seis meses depois, não tomando conhecimento de minhas contestações mais veementes, casou-se com o recém-chegado Pastor Joseph Cole.

No dia da cerimônia eu fugi de casa no lombo do meu corcel preferido, vaguei perdido por dois dias em pleno território Apache buscando pelo meu pai de verdade, gritando a plenos pulmões seu nome, imprudentemente. Enfim, o pessoal da cidade me encontrou e me trouxe de volta, faminto e desidratado, porém ainda berrando rouco e com os lábios rachados aquele nosso prenome em comum: “Theodore, Theodore!”.

Pai… Soa quase como um gemido de dor…

Hoje, muito mais maduro, afinal já tenho quase vinte e dois, reconheço que o pastor, um tipo conservador, ranzinza, magro e feio e fraco, não fora de todo mau. Garantira-nos um teto, comida abundante, era respeitoso, nunca nos bateu ou maltratou – nem poderia, pois logo herdei o porte de papai e com catorze já era mais alto que o papa-bíblias – e até presenteou-me com duas irmãs lindas, pois sabiamente Deus as fez saírem à minha mãe.

Só me sobrou do meu velho uma cicatriz na memória, um vulto de rosto obscuro nos sonhos, uma nódoa descolorada que só machuca se eu a pressiono, mas que cegamente não consigo evitar cutucar e novamente fazer sangrar. Restou também a incerteza inconfessa se sou bom o suficiente, se faço jus por ser filho de quem eu sou, se estou à sua altura como homem. Assim como a necessidade de um dia talvez vingá-lo, de fazer os índios sem alma pagarem muito caro por me terem roubado o que eu tinha de mais valioso na vida: meu ídolo, meu herói.

***

Setembro anunciara-se luminoso, chegara a época da procriação dos antilocapras e naquela manhã eu fazia pontaria na cabeça do maior exemplar de um bando que pastava unido junto do rio, quando um dos animais caiu ao solo balindo e o grupo dispersou-se aos saltos, tão rapidamente quanto somente aqueles bichos ariscos eram capazes de fazer.

Atônito, refiz a mira e quando ia atirar no único animal que estranhamente não fugira, um adolescente munido de uma faca ensanguentada saiu sob o disfarce de uma pele perfeitamente preservada, com cabeça e chifres, e gritou em mau espanhol:

— No tiras, no tiras!

Meu sangue ferveu quando reconheci o típico rosto redondo como a Lua, os olhos escuros rasgados e as duas penas inclinadas, espetadas em “V” no topo da cabeleira lisa. Um diabo Apache! O ladino devia ter dormido com aquela pele imunda por dias, para ter o cheiro certo e poder se aproximar da caça tão furtivamente. Se fosse um homem adulto, eu não pensaria duas vezes, todavia, o garoto miúdo de uns treze anos – talvez fosse mais velho, afinal quase todos eles são pequenos – ajoelhou-se, abaixou a faca com cuidado e a depositou sobre o solo. Olhava para baixo e tinha as mãos abertas, submissamente, mas não tremia ou demonstrava medo. Como eu odiava aqueles comedores de carne crua! Contudo, não era cristão matar de forma tão covarde um filhote ainda cheirando a leite.

No matar! Go! – Abaixei a arma e o enxotei com um gesto.

Nah-tanh – ele riu, aliviado, apontando para si mesmo, traduzindo quando notou que não entendi: — Mim, Flor del Maíz.

Era praxe entre os guerreiros se apresentarem a amigos e inimigos, pois seus nomes eram motivo de orgulho, sempre mérito de algum evento de valentia em suas histórias de vida: Forte Nadador, Olho Arguto, Sempre Disposto. Em função disso, somente as mulheres que caçavam tinham direito a nomes, todas as outras eram apenas “mulher”: ish-tia-nay.

Conheça seu inimigo, era a minha máxima, já lera muito sobre os selvagens.

— Theodore Junior – respondi, apontando para mim com o polegar.

Pindah-Lickoyee! – Ele exclamou com os olhos saltados, sem que eu entendesse.

O garoto retomou a faca e se pôs de pé, inclinou para trás a cabeça do antilocapra abatido, e com destreza cortou seu pescoço, dispondo a seguir sobre o solo a cabeça envolta num pedaço de tecido que ele retirou da cintura. Lambeu das mãos o tanto de sangue que pingou, sem esconder certa satisfação. Os olhos, miolos e língua eram considerados partes nobres, recordei-me. Aquilo era um presente, uma gentileza por eu não haver atirado.

Com força impressionante para seu porte, elevou o corpo do animal de uns trinta e poucos quilos por sobre o ombro, assoviou com os dedos na boca e um cavalo malhado branco e preto surgiu do nada, em pouco mais de um minuto.

Já montado em pelo, com o bicho abatido deitado sobre a dianteira do cavalo, o pequeno caçador com o pouco másculo nome de Flor de Milho puxou a crina e cutucou as ancas do mustangue com os calcanhares nus, saindo em disparada, sem sequer olhar para trás.

***

Três dias depois do encontro com o garoto Apache, quando voltando de outra caçada bem mais ao sul do rio, vi-me de repente cercado por um grupo de uns trinta índios. Aquele que se apresentara como Flor de Milho estava junto do bando e apontou para mim. Matraqueou exclusivamente em seu idioma nativo e não tive noção do que disse.

Não ofereci resistência. Os selvagens vendaram meus olhos, amarraram minhas mãos e por vários dias dormimos em acampamentos e continuávamos na manhã seguinte.

De inicio entreguei meu espírito e fiz as pazes com o Senhor. Depois, confiante por não terem me matado ou maltratado, mantive acesa a esperança que por alguma razão haviam decidido capturar-me. Talvez para trocar por algum guerreiro ou feiticeiro aprisionados no povoado.

Na manhã do quarto dia, embora vendado, notei o ruído de vozes femininas, o cheiro de fumaça, de algo defumando, talvez. Quando finalmente me permitiram ver, descobri-me no meio da maior aldeia Apache que já ouvira falar.

As casas em forma de funil invertido, feitas de galhos entrelaçados e adobe, cobertas por mantas. Havia quiçá uma centena delas! Cavalos aos montes, crianças correndo, cães ladrando, gente cantando alguma ladainha monótona.

Logo me desceram do cavalo, empurraram-me sem muito cuidado através da aldeia, ainda com as mãos atadas. Rasgaram minha camisa e a retiraram. As mulheres e crianças riam e me estapeavam, alguns me tocavam e esfregavam os dedos contra minha pele, como se a conferir se esta não estaria pintada com alguma tinta clara.

De dentro de uma cabana, um índio excepcionalmente alto, a pele muito vermelha, os cabelos compridos trançados e de um tom cinza-dourado, veio em minha direção, acompanhado de duas mulheres e algumas crianças, dentre as quais o tal garoto Flor de Milho.

— Seja bem-vindo, Theodore! – Ele disse em inglês com um sotaque engraçado e gutural, oferecendo a mão para eu apertar. — Creio que fui seu pai na vida anterior. Agora sou Tata Pindah-Lickoyee, o Olho Branco.

Meu queixo caiu, senti frio e uma moleza nas pernas que me envergonhariam em outra situação qualquer. Minha vista escureceu, algo zunia dentro de meus ouvidos, e não me recordo se eu disse alguma coisa.

***

Theodore Sr.

— Não fale nada, garoto. Você está cansado. Continue deitado.

— Eu não sou um maldito garoto, como ousa?

— Cale-se ou farei com que o calem! Escute-me primeiro… Fale depois se quiser…

Como tudo aconteceu? Lembro-me como se fora ontem. Um garrote fujão escapou do curral e te deixei com a Beth. Um servicinho de merda, eu pensei. Depois de uma hora seguindo o maldito animal, finalmente o encontrei embrenhado numa enorme moita espinhosa. Apeei do meu cavalo, saquei um facão que eu levava sempre atrelado à sela, e comecei a abrir caminho para soltá-lo.

— Como se meteu aí, seu bicho burro duma figa?! – Eu falei, como se o estúpido pudesse compreender.

O filhotão mugia, assustado com alguma coisa, seus olhos grandes giravam e exibiam o pouco branco dos cantos. Quando o bicho inspirou para voltar a se lamentar, reconheci talvez o ruído mais desagradável de todo o deserto: o chocalhar do guizo de uma cascavel, próximo, próximo demais. Caminhei lentamente de costas, sobre meus próprios passos, quando senti algo como uma facada de lâmina de fogo na coxa. Mal tive tempo de agarrar a cobra desgraçada pela cauda, girá-la e atirá-la ao chão. Pisoteei-a com vontade, até escutar um ruído de osso quebrado e seu sibilar de chaleira finalmente se calar.

“Pro inferno com o boi!”, refleti. Não era possível fazer um corte e chupar o veneno, não tão alto na perna. Retirei o cinto e improvisei um torniquete. Rasguei o tecido da calça, fiz um talho no lugar da picada e tentei espremer o sangue envenenado.

A noite caía, minha cabeça girava e uma sensação de dormência e frio subia da perna até a barriga e o peito. De súbito vomitei sobre minhas botas, já sem muito controle do meu próprio corpo. Não sei como ainda consegui montar o cavalo, guiei-me pela direção do sol poente e tentei retornar ao rancho.

Daí, tudo ficou confuso. Veio uma febre intensa, vieram os calafrios e tive visões. Uma serpente emplumada cruzava os céus cor de brasa, bailando de leste a oeste. Um leão-da-montanha, seu pelo de um dourado que não era desse mundo, seus olhos dum negrume intenso, a cavalgava. Uma águia-careca, as penas pareciam de ferro e o bico seria de ouro, posou nas costas do leão. Um lobo cinzento sobre as asas da águia, uma coruja com olhos de Lua cheia sobre o lobo. E um urso pardo, e um corvo, e um bisão.

Um totem, eu concluí, um totem vivo!

Houve escuridão e então através de alguns lampejos vi o rosto redondo, enrugado e moreno de um índio. Dava-me alguma coisa que cheirava a urina para beber, minha cabeça doía como se fora mergulhada em água fervente e eu trinquei os dentes. O ancião soprou fumaça em minha cara e me fez comer algo amaríssimo que ele mascava na boca meio banguela, a coisa mais amarga que jamais provei.

As visões voltaram, mais intensas então. O mesmo leão-da-montanha, grande como as Montanhas Rochosas, me devorava, começou pelos meus pés e me engoliu inteiro. Seu ventre era escuro e amplo como o Texas. Percebi a presença de muitos espíritos naquela escuridão, que me confidenciaram que tiveram o meu mesmo destino milênios antes. Éramos os escolhidos.

De repente eu não estava mais lá, voava e observava então tudo de fora. Os olhos do cougar, de negros se tornaram azuis. Ele rugiu e se levantou sobre as patas traseiras. Seu peito se abriu e eu saí de suas entranhas, vestindo sua pele como um poncho mexicano com um capuz ornado por seus dentes. Não eu, outro, melhor, mais forte, livre das responsabilidades da vida anterior. Os espíritos ancestrais combinaram-se ao meu e me senti renascido.

Acordei e não temi por minha segurança. Estava dentro de uma tenda e uma mulher muito bonita cuidava de mim. Tentei falar em inglês e disse alguma coisa que eu sabia de espanhol, mas ela apenas sorriu e saiu para chamar alguém.

O Tata da tribo entrou, fora ele que cuidara de mim, reconheci o seu rosto de couro encarquilhado e o sorriso de poucos dentes. Tinha um ar sábio e devia ser velho como a própria América. Ele me perguntou em espanhol:

Qué has visto, hijo?

Eu não sabia nada de Apache e pouco da língua dos chicanos, mas arrisquei:

Un león, un cougar – e gesticulei com os braços, para dar ideia do tamanho, pois não sabia dizer gigante ou colossal em espanhol.

O velho riu e balançou a cabeça. Salivou o polegar gorducho, o esfregou em cinzas de uma fogueira apagada no centro da tenda e esfregou a mistura em minha testa, fazendo um desenho.

Ahora eres un Shis-Inday. Hace mucho que por ti esperávamos.

***

Ele tratou-me como um filho. Explicou-me que Shis-Inday significava Povo da Floresta, que era como eles preferiam se referir a si mesmos. Comentou também que havia profetizado nosso encontro, que ele viria a ser o responsável pelo meu parto para este mundo, e que ninguém da tribo se importaria se meu espírito de luz vestia o corpo errado, já que fora essa a vontade dos deuses.

O leão dourado tinha escolhido alguém que empunhasse suas cores devidas. O que poderia ser mais adequado?

Por mais uma semana fiquei prostrado aos cuidados da filha do Tata. Uma moça que descobri depois que se chamava Sons-ee-ah-ray, a Estrela da Manhã. Numa noite especialmente fria, ela veio deitar-se ao meu lado, sob a mesma coberta, para me aquecer, pois eu estava tremendo. Acabamos por fazer mais do que simplesmente dormir.

Ficamos íntimos, ela me ensinava o Apache com a gentileza de quem instrui uma criança pequena. Quando melhorei, o Tata apresentou-me à tribo e cada homem, mulher e criança me abraçou. Batizaram-me Pindah-Lickoyee, Olho Branco.

Se eu senti falta da minha vida anterior? Se não me preocupei com minha família branca? É claro que sim! Mas uma coisa leva à outra, Sons-ee-ah-ray é a pessoa mais doce e amorosa que jamais conheci. Logo ela ficou grávida, nasceu Nah-tanh, o meu primogênito dessa nova vida, o menino valente que ganhou o nome ao matar um pistoleiro mexicano aos nove anos, camuflado com palha de milho e flores numa plantação. Depois chegaram Ish-kay-nay e Klo-sem, as minhas meninas gêmeas, exímias caçadoras de coelhos. Há seis meses nasceu o meu caçula, Para-ah-dee-ah-tran, de minha outra esposa.

Aprendi o ofício de Tata, o uso das ervas, os ritos, as danças, as viagens astrais com o peiote. Eu sou amado e respeitado aqui. Falo o Apache tão fluentemente que às vezes me esqueço da palavra ou expressão correspondente em inglês. Sou tão eficiente com o arco e flecha quanto fui com um dia com o rifle, atiro a machadinha e não erro um alvo a mais de trezentos pés.

Sabe quantos guerreiros eu curei de feridas aparentemente mortais? Quantos eventos eu adivinhei com precisão ao consultar os deuses? Quantas vezes invoquei a chuva e irriguei nossas plantações? O antigo Tata morreu há seis anos e eu tenho minhas responsabilidades aqui. Nós, os Shis-Inday, nós nunca olhamos para trás. Você, Junior, você é filho de um homem que morreu no deserto, picado por uma cascavel. Mandei trazê-lo aqui porque penso que lhe devia uma explicação. Eu sou Apache, e tenho orgulho disso. Você pensava que seu pai fosse yah-ik-tee, mas ele é tats-an. Ele não existe mais.

***

Theodore Jr.

Eu não consegui dizer uma palavra sequer. Envergonhado, não logrei nem reter as lágrimas, que desceram abundantes, desenhando linhas em meu rosto empoeirado. Meu pai então se despediu secamente e comandou que me levassem de volta. O homem, o desalmado Tata Apache, virou-me as costas e nunca olhou para trás enquanto os outros me arrastavam dali.

Não contei a ninguém o ocorrido, era por demais vergonhoso. Todos no povoado tinham conhecimento de meu ódio irracional quanto àqueles selvagens diabólicos.

Gostaria de esquecê-lo, no entanto, ainda hoje às vezes sonho com o jovem caubói me levando sobre os ombros. Eu, saltando, estapeando meu cavalo imaginário, segurando-o pelas orelhas, fazendo o lenço de seu pescoço de rédeas. E alguma parte de minha consciência então sussurra a verdade, e sempre azeda àquela fantasia, àquela lembrança terna de um tempo que não voltará jamais.

Talvez ele tenha realmente razão. Theodore Calhoun morreu. Só existe hoje Pindah-Lickoyee e, sinceramente, eu odeio amá-lo tanto.

38 comentários em “Yah-ik-tee: o jeito Apache (Rubem Cabral)

  1. Pedro Luna
    26 de maio de 2014

    Eu gostei. O início, com a memória do pai, me deu a certeza de que o resto do conto seria uma busca insana pela vingança..rs. Bom… não foi isso. O texto é bem escrito. Ah, e como bom fã de Stephen King, a citação do Paul Bunyan foi, pra mim, bem bacana.

  2. vitorts
    20 de maio de 2014

    Gostei. O texto carrega muitas descrições, algo que pode desagradar alguns, mas nunca me dei mal com esse tipo de coisa. Há um bom manejo com as palavras, também. Achei meio simplista o caminho tomado pelo pai, dando uma virada de mesa para uma vida que parecia gostar apenas por ser acolhido pelos Apache.

    Boa sorte no desafio!

  3. Bia Machado
    18 de maio de 2014

    Parabéns pelo trabalho, está muito bem escrito. Não posso dizer que tenha funcionado totalmente comigo. Em algumas partes, achei cansativo, talvez o problema seja o meu próprio cansaço. A pesquisa valeu a pena, deu um toque especial ao texto. Só acho que, ao final, aquela confissão de que o ódio é irracional fica meio estranha. Parabéns!

  4. Marcellus
    17 de maio de 2014

    Um bom conto, ambientando no lugar certo, finalmente!

    Não me entendam mal… não sou ranzinza, só mantendo a linha de votação.

    No entanto, há pequenos deslizes: a fala do caubói é muito culta, muito certinha, para alguém que vivia da lida com o gado desde novo.

    Outra coisa que incomodou um pouco, foi a necessidade de segurar o leitor pela mão e explicar que a visão do sujeito era a de um totem. Não precisava subestimar tanto assim… a questão dos nomes é até desculpável, mas o totem foi demais.

    Achei o final pouco crível. O choque de um sujeito, naquela época, naquele estilo de vida, ao saber que o pai abandonou mulher e filho por outro povo… não sei se continuaria amando tanto assim.

    Mas volta a dizer que gostei do conto. Parabéns ao autor!

  5. Leandro B.
    11 de maio de 2014

    Bacana, estava torcendo um pouco o nariz no início, por culpa da visão estereotipada dos apaches. Felizmente, assim que o jovem indígena Nah-Tanh surgiu imaginei que haveria uma guinada no tratamento, embora não soubesse como se daria.
    Achei o protagonista um pouco pálido… É um tiro muito incerto construir um personagem que sabidamente não será adorado pelos leitores (ele aponta o próprio irracionalismo de seu preconceito contra os apaches) e entregar para ele o papel principal de uma história. Certamente é ousado mas, igualmente, é incerto.
    Não acho que essa estratégia funcione tão bem sem ter mais espaço para desenvolver e problematizar um pouco mais o personagem, gerando uma empatia maior com o mesmo. Se pudesse te dar uma humilde sugestão, seria essa. Considere ampliar mais o conto para humanizar mais o junior.
    No mais, bom conto

  6. Davi Mayer
    8 de maio de 2014

    Muito bom o conto. Muito gostoso de ler, boa formação de frases, formação de personagem, etc.

    O que quebrou um pouco foi a mudança de personagens. Demorei um pouco para me habituar, nada que atrapalhasse o conto como um todo.

    Ficou da hora. Curioso em conhecer outros contos seus.

    Parabens.

  7. Felipe Moreira
    6 de maio de 2014

    Um contaço! Caramba. Não sei se o autor já compreendia o tema, mas dos que eu li, esse pareceu o mais aprofundado no universo faroeste. A narrativa é deliciosa, o final teve uma conclusão agradável pra mim, como leitor. Confesso que a mudança de ponto de vista entre os Theodore me quebrou o ritmo, mas nada que diminua a proeza do seu trabalho.

    Parabéns e boa sorte!

  8. Swylmar Ferreira
    6 de maio de 2014

    Cactus Kid
    Gostei do conto, muito bem escrito, narrativa exemplar. O final é exatamente o que eu esperava. Diferente.
    Parabéns! Boa Sorte!

  9. Brian Oliveira Lancaster
    5 de maio de 2014

    Esta aí um clima perfeito de faroeste clássico. Intimista e meio nostálgico se complementam muito bem. Curti. Não vou comentar pontos polêmicos… Devo dizer que não senti falta de conexão, acho que vai muito do sentimentalismo interior de cada um.

  10. Isabella Andrade
    3 de maio de 2014

    Eu adorei mesmo seu conto, e sua escrita é formidável. Senti falta de algo, sim, mas seu conto tem uma magia que nos chama para dentro dele. Realmente os personagens não tem o carisma necessário do Velho Oeste, esperava um pouco mais disso. Meus parabéns pelo trabalho e boa sorte!

  11. Rodrigo Arcadia
    3 de maio de 2014

    Boa escrita. pelo ódio do rapaz achei que haveria um massacre indígena, o que aconteceu ao contrário. Foi um banho de água fria no rapaz. E assim nos leva a crer no que nós pensamos e alimentamos por dentro, é um grande equivoco.

    Abraço!

  12. Tom Lima
    30 de abril de 2014

    Conto gostoso de ler, principalmente a parte do Theodore Sr.

    Não tenho críticas.

    Uma trama que deixa com vontade de ler mais. Saber o que acontece com esses dois daqui pra frente.

    Parabéns!

  13. Ricardo Gondim
    30 de abril de 2014

    Sólido, Bem escrito. Bem construído. Gostei demais.

  14. Thata Pereira
    29 de abril de 2014

    Gostei muito do conto. O impacto causado no final da primeira parte foi um impulso para continuar lendo. Outra coisa que me agradou e colaborou com a leitura foram as informações dadas no começo do conto, mas por uma questão de estrutura: observei que alguns autores esclareceram termos utilizados no final dos contos, enumerando-os conforme apareciam. Foi desconfortável parar a leitura para ir buscar as informações. Com o conhecimento prévio fica mais fácil.

    Boa Sorte!!

  15. mariasantino1
    29 de abril de 2014

    Olá! Gostei do conto sim, me envolvi no universo do personagem e absorvi a trama (o que é muito bom). A parte das descrições foram as melhores para mim. Parabéns e boa sorte.

  16. Fabio Baptista
    28 de abril de 2014

    Caramba, que texto bem escrito!
    Desconfio quem seja o autor, mas como no desafio passado dei um baita tiro n’água vou ficar quieto dessa vez 😀

    Não há muito o que falar sobre a técnica, apenas duas frases soaram estranhas (estranhas, não erradas!) aos meus “ouvidos”:
    – leria nos anos por vir
    – minha cabeça doía como se fora mergulhada em água fervente

    Mas o conto todo é recheado por construções extremamente bem feitas e frases marcantes, como as destacadas pelo amigo Eduardo Selga.
    Outros exemplos:
    – fritando o mundo em laranja e carmim,
    – cortaram suas pálpebras e o soltaram no deserto para morrer cego, louco e com os olhos secos
    – Seu ventre era escuro e amplo como o Texas

    Achei a trama muito interessante e, por Deus, se formos começar uma caça às bruxas vendo preconceito nos textos como se fosse uma opinião do autor… ninguém vai escrever mais nada.
    Está muito claro e explicado na história a origem do preconceito do garoto com os indígenas, as motivações de cada um, etc.

    Acredito que no intuito de demonstrar seu conhecimento do tema (obtido através da pesquisa explicado em um comentário), o autor tenha pesado a mão em certos momentos, principalmente na descrição dos nomes indígenas. Ali ficou um clima meio de enciclopédia que não me agradou.

    O único ponto negativo relevante (na minha opinião totalmente subjetiva!!!) é a falta de carisma dos personagens.
    A qualidade da escrita e a já mencionada clareza da descrição das motivações de cada um supre, de certa forma, esse aspecto e deixam a obra num patamar muito acima da média.

    Porém, se os personagens conseguissem despertar um pouco mais de empatia (algum trejeito na fala, talvez) teríamos algo ainda melhor.

    O encerramento do conto foi perfeito.

    Parabéns!

  17. Sérgio Ferrari
    28 de abril de 2014

    Uau, belas paisagens. Boas escolhas nas “viagens” descritas. Acho que ódio irracional, que a personagem falou no fim, poderia tirar o irracional, será que não fica interessante ele não reconhecer a irracionalidade do ódio? Mas é um detalhe, apenas. Está perfeito o inicio, o meio, o fim, bem redondos, só não curti o panorama dramático de tudo. Curto coisas mais diferentes, pessoalmente. Sua história está tão certa na forma que eu a coloco como um “conto gourmet”. Vc “gourmetizou” o conto! rs. E hj em dia é o que tá pegando por aí, creio. Pq? Pq está tudo lindo. Menos o que eu, eu apenas (mais alguém?), acho que um ótimo conto sempre deve ter: uma ideia incrível, um detalhe impactante em qualquer sentido. Isso é o que busco ao escrever e isso reflete na minha busca de leitura. O enredo é normal, lindo, normal, rede global. Não é um problema enorme, mas pode se tornar, se for constante. Mas isso sou eu lendo. Difícil comentar. Com certeza vai ser bem votado. Surpresas? not. 🙂 Boa sorte no desafio.

  18. rubemcabral
    28 de abril de 2014

    Um drama forte, com boa pegada realista, certamente fruto de alguma pesquisa, gostei bastante!

    Parabéns!

    P.S.: Lembrei-me de algum desenho da Disney quando falou-se de Paul Bunyan e do touro azul Babe.

  19. R. Sollberg
    27 de abril de 2014

    O Autor criou uma atmosfera impressionante. O conto é cheio de referências e inúmeros traços de precisão histórica. Uma estória bem conduzida, com o charme de uma linearidade distinta. Gostaria de ter sentido um pouco mais de empatia com o Theodore, para então me conectar mais a trama. Não sei se faltou emoção, mas o fato é que eu não me emocionei com a reviravolta. A escrita é impecável e algumas frases são sublimes.
    Parabéns e boa sorte no desafio!

  20. Thiago Lopes
    26 de abril de 2014

    Eu concordo com o comentário de Thiago Tenório. No começo me incomodou a questão dos índios, mas o conto me surpreendeu durante o rolar da narração. Muito bom.

  21. Jefferson Lemos
    26 de abril de 2014

    Um conto muito bem escrito, e muito bem trabalhado. É visível que o autor se esforçou para trazer mais verossimilhança ao texto.

    Por questão de gosto, eu acabei não me ligando muito a história, mas não por incapacidade do autor, e sim por não ter sentido o drama. Achei ambos os narradores, pessoas chatas, principalmente o filho.
    Entretanto, uma cena que ficou marcada para mim foi a do totem de animais. Sério, eu imaginei um coisa muito maneira enquanto lia aquilo.

    Enfim, temos aqui um texto de qualidade e que será bem apreciado, tenho certeza!
    Parabéns e boa sorte!

    • Weslley Reis
      27 de abril de 2014

      Mesmo que o ódio aos índios permanecesse pelo conto, faria sentido dentro da cultura da época. Mas não foi o que aconteceu, foi uma característica muito bem embasada da construção do personagem. Um ótimo conto, meus parabéns.

      • Eduardo Selga
        27 de abril de 2014

        Concordo contigo, Weslley. O autor precisa tomar cuidado com o “politicamente correto”, esse freio censor contemporâneo que deixa falar umas coisas e proíbe outras. O ódio aos índios era dominante por causa do discurso oficial. Será que o autor, ao construir um personagem ou narrador que demonstre esse ódio, na ambientação adequada, estará errando, demonstrando preconceito dele, autor? Ou colaborando para a propagação do preconceito?

  22. Thiago Tenório Albuquerque
    26 de abril de 2014

    Gostei bastante do conto. Fiquei um pouco incomodado no inicio com a questão do ódio aos índios, mas no decorrer da narrativa isso acabou sendo explicado, fazendo o texto ter mais peso.
    Parabéns pelo conto e boa sorte no desafio.

  23. Eduardo Selga
    26 de abril de 2014

    O(a) autor(a) executou bem uma manobra que eu considero arriscada: o conto possui dois narradores. Contribuiu para o êxito o fato de ambos estarem em primeira pessoa, mas se observarmos bem, é como se fosse único, pois a similaridade do ritmo das narrativas de cada um é evidente.

    A força do conto está na antítese, ou numa falsa antítese: ao fim e ao cabo do texto, o protagonista, embora não admita, deixa de nutrir tanto ódio pelos Apaches, em função de seu pai ter se tornado um. É uma transferência indireta de sentimento (em nenhum momento o protagonista confessa isso), mas é dedutível. Afinal, ele reconhece que “Theodore Calhoun morreu”, ou seja, seu “pai branco” não mais existe.

    Por causa desse aspecto, o conto felizmente escapa ao clichê da demonização dos indígenas, embora o protagonista, principalmente no início, demonstre cabalmente esse sentimento.

    Hábil com as palavras, o(a) autor(a) construiu algumas imagens bem elaboradas, como essas:

    a) “A imagem jaz tatuada em fogo por detrás de meus olhos”

    b) “Tinha os olhos cor de inverno sempre apertados”

    c) “Só me sobrou do meu velho uma cicatriz na memória”

  24. Anorkinda Neide
    25 de abril de 2014

    Na realidade, quem gostaria de esquecê-lo sou eu…
    desculpe, mas morri de medo deste tema faroeste, por temer massacres de indios por parte dos cowboys do Tio Sam.. mas vc, autor(a) deste conto fez pior. 😦

    jogou no google sobre os Apaches, e infelizmente caiu numa pagina antiquada e infeliz:
    http://translate.google.com.br/translate?hl=pt-BR&sl=en&u=http%3A%2F%2Fwww.discoverseaz.com%2FHistory%2FApache_Language.html&prev=%2Fsearch%3Fq%3Dyah-ik-tee%26biw%3D1280%26bih%3D677
    se eu bem entendi os dados em que vc se baseou, aí neste link, sao de 1868?

    bem, entendo que no afã de escrever para este desafio, vc procurou desenvolver rapidamente uma historia, foste infeliz, digo novamente, na fonte onde buscou inspiração e ainda acrescentou caracteristicas de indigenas da america do sul, aos apaches que vc criou…
    e como nada sabe sobre a nação indígena em geral, nao pode criar uma história que cativasse o leitor, pois ela está sem pé nem cabeça..
    novamente peço desculpas e peço também que tenha mais cuidado com suas fontes.

    • Cactus Kid
      26 de abril de 2014

      Olá, Anorkinda. Não, não me inspirei no link do Google. Em verdade, baixei o .pdf do livro em epígrafe, “Life among the Apaches”, para ter uma ideia sobre hábitos, língua e etc.

      Não notei elementos de culturas sul-americanas no texto. Penso que talvez você houvesse esperado alguma visão romântica do “bom selvagem” ou algo assim.e, como a maior parte do conto é relatada através do personagem Theodore Jr, que efetivamente tem uma visão “ruim” dos índios, pode parecer em uma primeira leitura que o conto seja “anti-índio” ou algo assim.

      Em verdade não é. É até anti-branco, talvez. Jr. odiava os Apaches por achar que o pai teria sido morto por eles, sem ter qualquer prova do ocorrido, por ouvir histórias exageradas e irreais. Theodore Sr. foi salvo por um xamã e acreditou em sua profecia e em suas visões, abandonando a sua vida anterior, talvez por não ser um homem ou pai tão bom quanto Jr. acreditava, talvez por querer adotar um estilo de vida mais livre, pelo amor à nova esposa, ou por ganhar mais importância como o Tata da tribo do que como um rancheiro.

      Enfim, não espero que os temas ódio e ressentimento “vendam” bem o conto, mas gostaria de destacar que a visão estreita e preconceituosa dos “selvagens” é do personagem, não do autor.

      Abração!

      • Anorkinda Neide
        26 de abril de 2014

        Olha, eu tentei baixar o e-book, tem neste link.. mas nao deu certo.. queria passar os olhos nele.. mas se eu entendi.. este Life among the Apaches é antigão , confirma? rsrs

        Não achei o conto tão anti-índio.. o que me pegou foi que achei os indios mal descritos, toda a ambientação indigena, muito estranha, se o e-book é o q estou pensando… ele tem informações errôneas sobre os indígenas, entende?
        eu achei sul-americanizado, vc descrevê-los como baixos, de cara redonda como a lua e de olhos rasgados…estes sao indigenas da america do sul.

        eu entendi q o ódio é do personagem e não seu, tranquilize-se! 🙂

        Abraço

    • Cactus Kid
      26 de abril de 2014

      Ah, ok! 😀

      Há uma foto de alguns Apaches aqui:

      Quanto à altura, lembremos que tanto Jr. quanto seu pai eram homens caucasianos altos, daí enxergarem os Apaches como baixos, em geral.

      Obrigado outra vez. Abraços!

      • Anorkinda Neide
        26 de abril de 2014

        uia! realmente diferente dos sul-americanos, mas a cara larga e os olhos rasgados. mas bah!
        🙂

  25. Claudia Roberta Angst
    25 de abril de 2014

    O conto revela habilidade de redigir, cuidado de pesquisa para empregar termos corretos, narrativa bem trabalhada. Achei um tanto longo, alguns fatos poderiam ter sido relatados de forma mais sucinta ou mesmo permanecidos como um mistério à parte. Os personagens não me cativaram, o filho é muito tonto, sem sangue nas veias e o pai um exterminador de passado. No entanto, não se pode negar que o conto foi bem desenvolvido. Boa sorte.

    • Cactus Kid
      26 de abril de 2014

      Olá, Claudia.

      Sim, eu também não achei os personagens muito simpáticos. Em especial o Theodore Sr.

      Eu até compreendo o Jr, porém: ele é alguém que idealizou a figura do pai, que cresceu à sua sombra e não se desenvolveu bem como pessoa.

      Obrigado, abração!

  26. Forasteiro
    25 de abril de 2014

    Escrita e narrativa maravilhosas, estória bem desenvolvida. Ponto. Tenho um ódio mortal de homens que abandonam as familias, bem como de vadias que os “desvirtuam”. Inda mais dessas culturas onde a bigamia é aceita. Mentalmente, estraçalhei essa indígena desgraçada, bem como torturei e desmembrei cada índiozinho sujo, fruto dessas abominações. Por fim, penso que o ex-pai deveria ter sido realmente morto pelo ex-filho. Infelizmente, puramente por birra com o conto, não o elencarei.

    • Thales Soares
      25 de abril de 2014

      Forasteiro, você por aqui? Mas que surpresa.

      • Forasteiro
        25 de abril de 2014

        Hahah, nem vi que estava logada assim, agora foi :/

    • Cactus Kid
      26 de abril de 2014

      Olá, Forasteiro. Que pena que seus critérios sejam esses…

      Obrigado, abração!

  27. Thales Soares
    25 de abril de 2014

    O conto está bem escrito, dá para notar que o autor tem habilidade com as palavras. Porém, a narração não me agradou. É mais por gosto pessoal meu… não gosto dessas histórias lentas que divagam demais. Achei o protagonista meio chato, e para mim foi desconfortável mergulhar em sua mente… mas não estou desmerecendo o autor. Tudo foi feito com muito esmero.

    Trata-se apenas de uma questão de gosto. Eu, particularmente, não consegue me conectar com a obra. Mas tenho certeza que outros conseguirão e apreciarão mais do que eu. Boa sorte.

    • Cactus Kid
      26 de abril de 2014

      Obrigado pela leitura, Thales.

      Grande abraço!

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Informação

Publicado às 25 de abril de 2014 por em Faroeste e marcado .