EntreContos

Detox Literário.

Nossos Pecados (Alexandre Santangelo)

Tentei não suspirar, mas tinha angústia demais em mim. O motorista sentado à frente percebeu e chamou minha atenção mais uma vez.

— Senhor, estamos aqui faz quase quinze minutos. O taxímetro está correndo. Já são trinta e cinco euros. Eu espero, mas…

— Não… Tudo bem. Vou saltar agora.

O prédio a minha frente, em bege, era mais um num emaranhado de construções da mesma tonalidade. Quase não dava para perceber onde ele terminava e o outro começava. E isso era uma característica dessa cidade.

Há quase vinte anos não colocava os pés em Paris, e isso não me fazia falta, apesar de toda a sua beleza e sedução. Suas ruas, seus monumentos, suas pontes, seus bares, permaneciam iguais quando da minha época, e continuavam sendo deslumbrantes.

Sim, esta é a cidade mais inebriante do mundo, mas ela não foi generosa comigo.

Reuni coragem e toquei o interfone do prédio. Levou alguns segundos e ninguém atendeu, o que fez minha ansiedade aumentar. Toquei mais cinco vezes e então desisti. Pensei que aquele momento não era para acontecer, e quando me dirigia para o outro lado da rua, uma voz feminina impaciente atendeu.

— Alô!

Voltei correndo e respondi.

— Bom dia. Meu nome é Gilles Jourdan. Estou procurando o senhor Gerard Courbet.

A voz do outro lado demorou novamente, mas perguntou:

— O que você quer com ele?

Como não tinha pensado nisso. Agora estava lá, paralisado em frente aquele aparelho me sentindo um idiota. Mas como acredito que o universo conspira contra a mentira, contei a verdade ainda que incompleta.

— Senhora, é um assunto particular. De família.

Ela riu:

— Família? Eu sou a única família dele. Espera! Alguém morreu? Deixaram algo para ele?

Respondi tentando não transparecer a ânsia que sentia.

— Ainda não.

Aquilo pareceu a senha. De repente eu ouvi o trinco do portão de ferro soltar. Quando abri, ela retornou:

— Espere quando chegar à porta de vidro depois do pátio. Vou descer.

Esperei outros cinco minutos. Quando a porta foi empurrada, uma senhora por volta dos setenta anos apareceu. Olhando com mais cuidado, percebi que ela deveria ser mais nova do que parecia. Seu rosto estava castigado demais. As linhas em sua testa aumentaram quando ela falou comigo.

— Quem vai morrer? Não demore, porque eu estava dormindo.

Tentando parecer cordial, desviei o assunto.

— Bom dia. Com quem tenho o prazer de falar?

A mulher não escondeu o enfado.

— Meu nome é Nina e sou a mulher dele. O que você quer falar com ele, pode dizer pra mim. Vamos! Não tenho tempo!

— Como já disse, eu sou Gilles Jourdan e vim tratar de um assunto particular com o senhor Courbet.

Ela me olhou por inteiro e disse:

— O senhor está sem sorte, ele saiu. Foi trabalhar. Volte amanhã.

Tentei contornar:

— Posso retornar esta noite?

Com desprezo, ela me dispensou:

— Ele chega cansado. Amanhã é a folga dele. Se quiser encontrá-lo, passe aqui amanhã. Se não, meu filho, esqueça que existimos.

Virando as costas, fechou a porta de vidro.

***

Depois dessa manhã frustrante voltei para o hotel com a tristeza de saber que teria de passar mais uma noite na cidade.

Estava num hotel barato no Montmartre. Da minha janela podia ver erguer-se imponente no alto do monte à minha frente, a Basílica da Sacre Coeur. Talvez o único lugar da cidade que me oferecesse alguma paz naquele momento.

Engraçado me sentir assim. Minha vida, minha profissão e minhas convicções me levaram por um caminho completamente oposto, ou seja, longe de Deus e qualquer religião.

Na minha juventude contemplava a Basílica com indiferença, desviava sempre o olhar: afinal, não fora somente a cidade que tinha voltado às costas para mim.

Contraditoriamente, descendo a sua colina, depois de muitas lojas de artigos turísticos, quem quiser pode andar pelo Boulevard de Clichy onde fica o Moulin Rouge. A região deste Boulevard é repleta de clubes eróticos.

Inexplicavelmente foi para lá que decidi ir, tentando esquecer porque voltei.

Já à tarde esses clubes estão funcionando. Quando entrei em um deles, fui rapidamente para o bar sendo abordado no caminho por dois cafetões. Ignorei na medida do possível os ataques ferozes e pensei que teria de ir embora. No entanto, por algum motivo, eles me abandonaram. Não dei importância e sentei no bar. Pedi uísque puro. E então ouvi uma voz de mulher do outro lado do bar.

— Uísque? Em Paris? Por que não celebramos com champanhe?

A luz fraca não me deixou ver quem era, mas obviamente era uma mulher. Não disse nada. Até que ela se aproximou.

— Você não quer celebrar?

Dei um meio sorriso e olhei. Notei a rara beleza que se desvanecia, provavelmente resultado do tempo em que exercia sua profissão. Mas, naquele lugar, quem era eu para julgar alguém.

— Não tenho motivos para celebrar, apenas esquecer. Por isso o uísque.

Sem se dar por vencida, ela me desafiou com um sorriso que nunca pensei que poderia nascer naquele rosto.

— Todos querem esquecer algo. Por que não tentar esquecer sendo alegre, hã? Aposto que comigo você nunca mais iria querer beber esta porcaria.

Não me contive, ri e soltei:

— Desculpe, mas todas vocês falam a mesma coisa. Isso é um repertório e você está desempenhando um papel.

Ao contrário do que esperava, ela reagiu me olhando com condescendência:

— E qual é o papel que você está desempenhando aqui?

Aquela pergunta me cortou por dentro. Sofri. Pensei que ia desabar, pois um mar de lembranças inundou minha cabeça. Acho que fiquei vários minutos olhando na direção do bar. Quando dei por mim, pensei que ela tivesse desistido e ido embora. Peguei a carteira e, quando ia pagar a bebida, do nada ela voltou:

— Ei! Você não respondeu.

Encarei-a firmemente:

— O meu papel é o de ingrato.

Ela calou. Olhou-me ainda mais carinhosamente e isso me constrangeu:

— Por que me olha assim? Não vê que não quero nada? Eu te dou algum dinheiro só para você ir embora, que tal? Mas pare de me olhar assim.

Talvez a profissão gerasse nela uma empatia acima do comum, pois foi como se ela desnudasse meu corpo e enxergasse minha alma.

— Eu te lembro alguém…

Olhei impassível e ela continuou.

— Esposa? Namorada? Não está mais viva?

Acuado, respondi:

— Desculpe, não tenho que dar satisfação a…

Ela me cortou, mas foi com suavidade.

— A quem? Uma puta? É isso que você iria dizer?

Naquele ponto não conseguia mais ser agressivo.

— Meu nome é Gilles.

— Eu sou Fanny.

Tentando soar respeitoso não balancei a cabeça, mas não pude deixar de argumentar:

— Fanny, se você quer que eu continue conversando contigo, ou qualquer coisa que você esteja esperando de mim, me diga o “seu” nome.

Ela fez uma careta.

— Tem certeza? Vai acabar com a magia do momento.

Indiscutivelmente, ela sabia como conduzir as pessoas. Mas não me conformei:

— Tenho certeza. Algo me diz que seu nome vai me deixar mais confortável.

— Tudo bem, não diga que não avisei. Preparado?

Ri.

— Meu nome é Benoite (Abençoada).

Trocamos um olhar de cumplicidade e demos uma risada. Tentei ser complacente.

— Seu nome não é feio.

Ela respondeu sem uma pitada de descontentamento.

— Mas eu não gosto. E não soa artístico. Antes de cair aqui, tentei ser atriz. Usei esse nome por teimosia quando me aconselharam trocar. Tudo deu errado, e agora culpo o meu nome para me sentir melhor. Quem é a abençoada agora?

— Uau! Quanta informação em tão pouco tempo!

— Viu? Não é difícil.

Olhei para ela e não entendi nada. Ela perdia um tempo precioso comigo, mesmo com o clube quase vazio. Será que dei a impressão de que poderia ser um cliente ou um tolo? Mas isso sumiu logo da minha cabeça, o sorriso era verdadeiro. Tomei outra decisão:

— Vamos celebrar?

Dessa vez, ela pareceu surpresa, mas não lhe dei tempo:

— Vamos sair daqui e fazer o que você mais gosta. Dinheiro não é problema. Eu pago pelo tempo que você passar comigo.

Talvez eu tivesse chegado ao ponto que ela queria. E ela poderia me ter inteiramente naquele momento, pois abri a guarda e o coração.

Continuei atacando:

— Hein? Que tal? Tem algum lugar de Paris que você gostaria muito de conhecer e que pudéssemos passar um dia inteiro juntos? Compras? Que tal comprar o que você quiser na Champs Elysées? Hã?

Ela respondeu maliciosamente:

— Eu posso escolher o que quiser fazer?

***

Gerard Courbet chegou exausto às nove horas da noite em casa. Apesar do cansaço e da idade, sentia orgulho de si próprio e do que conseguira da vida. Ainda estava inteiro e sabia que não ia partir deste mundo tão cedo.

O jantar já estava na mesa. Sua única preocupação foi escolher o vinho.

— Ah! Esse Bordeaux vai servir para hoje.

Nina olhou para ele sem entender.

— É sempre o mesmo vinho, meu velho. Por que não pega sem olhar? Você tem umas doze garrafas iguais.

— Ah, sua tonta, porque num dia especial nós vamos querer celebrar com aquele Chateau Neuf que eu estou guardando há tempos.

— Bobo! Você sempre diz isso. Aliás, o rapaz que veio aqui hoje de manhã te procurar tinha a cara de bobo.

— Quem está me procurando, mulher?

— Um tal ‘Gilles’. Esqueci o sobrenome. Acho que algum conhecido seu vai morrer.

— Conhecido meu? Vai me deixar algo?

Soltou uma sonora gargalhada.

— Foi o que eu perguntei para ele, mas não quis dizer. O rapaz é bem apessoado, parece ter dinheiro. Disse para voltar amanhã. É capaz de estar aqui pela manhã.

— O que será que ele quer comigo? — pensou alto, coçando a cabeça.

— Você está devendo alguma coisa? — ela perguntou com ansiedade.

— Não tem ninguém querendo nada de mim, ou querendo me fazer mal. Acho que não devemos nos preocupar. Qualquer coisa, estarei preparado.

— Com o que, Gerard? Você não está pensando em brigar aqui dentro…

— Não se preocupe, mulher. Não cheguei até aqui sendo pego de surpresa. Vamos esperar amanhã.

***

Lá estava eu sentado em um daqueles muitos Bateaux que deslizam tediosamente pelo Sena.

Benoite me surpreendeu, pois o que mais queria era um passeio de barco com um jantar a luz de velas. No final, queria ver o show de luzes da Torre Eiffell.

A comida estava excelente e Benoite parecia excitada como uma criança. Depois do jantar, enquanto caminhávamos até Trocadero para ver as luzes, ela perguntou:

— E então? Como você está se sentindo?

Começaria a duvidar da profissão dela se não soubesse quanto teria de pagar ao final do encontro. Mesmo assim, senti que ela tinha boas intenções. Era um tipo raro de pessoa. Por alguma razão, ela se importava com os outros. Tinha um certo tipo de compaixão. Um sentimento que às vezes é a vocação das prostitutas.

— Bem. Você me fez me sentir bem… Tinha razão quanto ao champanhe.

— Ótimo! Por que você voltou a Paris?

A pergunta em seco me pegou de surpresa.

— Como assim? Como sabe que não moro aqui?

— Você disse que foi ao clube para esquecer, mas claramente queria pensar em alguém. E você não se sente confortável aqui na cidade, mesmo a conhecendo muito bem.

— Sim, você está certa. Incrível.

— Isso é parte do meu trabalho.

— Voltei aqui por alguém… e para encontrar outra pessoa.

— Não faz muito sentido pra mim.

— É. Não faz. Mas é assim. Não tive sorte e acho que vou sair da cidade e voltar pra casa amanhã.

— Ah! Que pena. Você está sem coragem de encontrar esta pessoa? Que tal se você fingir que sou ela e me contar o que te atormenta? Fingir que sou outra pessoa também é o que eu faço. Assim você poderia saber como se sairia.

Apesar de parecer uma péssima idéia, e também absurda, eu não pude deixar de me render àquele sorriso fascinante e à minha própria desolação. Desconfiei que ela tinha idealizado o nosso encontro para atingir este objetivo. Contei-lhe tudo.

No final da minha história ela estava pálida e chocada.

— Entendo se você quiser ir embora agora — disse.

Ela balbuciou:

— Mas… Mas… Tudo? Quanto tempo?

— Talvez dois dias.

E o show de luzes começou.

***

Lá estava eu novamente em frente ao interfone. Só que dessa vez Benoite estava comigo, apesar de tudo o que revelei na noite anterior. Uma mulher impressionante. Ela poderia ter uma família, amigos, mas preferiu ficar do meu lado naquele momento. Paris, finalmente, estava sorrindo para mim.

Gerard atendeu.

— Foi você quem apareceu aqui ontem de manhã?

— Sim senhor. Vim tratar de um assunto de seu interesse.

— Alguém morreu ou está para morrer, certo?

Ele perguntou aquilo com desprezo e, antes de responder, ouvi o trinco. A porta de vidro além do pátio também já estava aberta e subimos direto para o seu apartamento.

O lugar era simples. Nina nos recebeu, e pelo que pude observar ela não tinha muita preocupação com o que vestir e com a arrumação da casa. Parecia que sua vaidade não importava mais.

A casa estava empoeirada e cheirando a mofo. Os móveis eram velhos e tinha uma prateleira com vários vinhos deitados. Em cima, apenas uma foto antiga do casal em um restaurante.

Gerard estava sentado em uma poltrona e não se levantou para nos receber, apenas indicou o sofá meio esburacado, indo direto ao assunto:

— Quem vai morrer?

Desprevenido, dei a pior resposta possível, balbuciando:

— Bem… Se pergunta desta forma… O senhor vai morrer…

Antes que completasse a frase, Gerard puxou uma arma escondida do lado da poltrona e gritou:

— Quem vai morrer seu pedaço de merda?

— Espere! O senhor não me deixou terminar. Eu quis dizer “todos nós”.

Benoite entrou em pânico.

— Por favor, senhor, escute o que ele tem a dizer. É importante.

O revólver se voltou para ela:

— E você? Quem é? Parece uma puta.

Benoite ficou imóvel e aterrorizada. Ela nem estava vestida como tal. Acredito que ele falou aquilo para assustar e tomar o controle da situação. Foi quando entendi que era o que eu deveria fazer.

— Senhor! Meu nome é Gilles Jourdan!

Consegui chamar sua atenção.

— Como? Jourdan? Você é parente de Marie?

— Marie Jourdan era minha mãe.

Foi Nina que assistia a tudo imóvel e silenciosa, quem perguntou:

— Quem é Marie?

Olhei para Gerard e perguntei.

— Posso responder?

Ele baixou a arma e a cabeça como se puxasse pela memória.

Hoje Gerard tinha um pequeno restaurante, fruto de suas atividades ilícitas no passado. E devia estar pensando que este passado voltava para cobrar uma dívida.

— Minha mãe, Marie, teve um romance com seu marido. Eu sou filho dele.

Nina parecia não acreditar.

— Como assim? Filho? Ele nunca me disse nada…

— Para ele isso era assunto encerrado. Minha mãe me levou para conhecê-lo quando eu tinha cinco anos e acredito que vocês já estavam juntos. Naquele dia ele olhou para nós dois e disse que se batêssemos na porta novamente, nos queimaria vivos.

Nina se levantou e me encarou.

— Meu velho nunca ameaçaria uma criança.

— No entanto, ele nos queimou vivos. Não literalmente, mas queimou. Seus associados fizeram de tudo para destruir minha mãe e quase conseguiram. Ela perdeu o emprego, fomos despejados e passamos fome. Tivemos de viver da boa vontade dos outros. Sabe como ela saiu daquela situação? Ela se prostituiu.

Gerard agora pareceu interessado.

— Onde ela está?

— Ela morreu há sete anos — respondi.

— E você veio aqui para me dizer isso?

Nina nos interrompeu, incrédula, interrogando o marido.

— Você fez tudo isso?

Ele a fixou com o mesmo olhar maligno que dera à minha mãe muitos anos atrás e respondeu:

— Não me questione! Tivemos uma ótima vida… Você teve uma ótima vida… E agora só estamos cansados… Velhos demais… — e se voltou para mim. — Vamos! Responda: o que quer de mim? Por que não veio antes?

Fingindo não dar importância, continuei.

— Como você deve se lembrar, minha mãe era uma mulher muito bonita, e apesar do início difícil, sua beleza conquistou a atenção de certos círculos. Resolveu adotar outro nome para não chamar sua atenção, pois sua fama atravessou a cidade. Foi assim que conseguiu arrumar dinheiro para me sustentar e pagar por meus estudos.

Em tom de escárnio Gerard disse.

— Que bom para você. O que conseguiu? Estudou para gigolô?

Sei que foi graças a Benoite agarrada em meu braço que não pulei no pescoço dele.

— Não. Sou físico teórico. Moro em Genebra e trabalho no CERN – Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear.

— Grande merda. Deveria ficar impressionado? — Gerard não continha o sorriso zombeteiro.

— Não deveria. Apenas quer dizer que apesar de todas as coisas que você fez contra nós, graças à minha mãe e ao meu talento, conquistei certa reputação na minha área. Universidades renomadas demonstraram interesse em minha capacidade, inclusive o MIT dos Estados Unidos, aonde completei meus estudos.

Então revelei o mais difícil.

— Mas isso teve um preço. Passei muito tempo longe de casa. Estudei e trabalhei fora do país por muitos anos, sem tempo de ver minha mãe. Nos falávamos ao telefone e ela sempre dizia que estava bem, que estava ótima. Fui ingênuo. Confundi os sinais da doença com os sinais da velhice. Após sua morte, uma amiga me enviou uma carta dela, pedindo que procurasse você. A carta estava escrita há muito, muito tempo. Quando a li pela primeira vez, não entendi a razão daquele pedido.

Naquele instante precisei controlar a tristeza e raiva. Aproveitando-se do momento, Gerard me estocou.

— Então você veio aqui para dizer que é um filho da puta de sucesso? Veio me dar dinheiro? Pois deveria. Não percebe que fui eu quem lhe proporcionou tudo isso? Veja quem você se tornou. Tudo por causa de mim.

— Eu vim aqui porque acho que só agora entendi o pedido de minha mãe e resolvi lhe oferecer outra coisa.

Parei alguns segundos tentando achar algo nos seus olhos além de ódio e egoísmo. Não vi nada. Mesmo assim diria tudo.

— Vim oferecer o meu perdão.

Ele tentou rir para mostrar que não se importava. Olhou-me de cima a baixo.

— Acha mesmo que eu quero isso?

— Não me interessa. Vim aqui para dizer isso. E disse.

— Por quê? — perguntou incrédulo.

— Eu trabalho no CERN. Sabe o que fazemos lá?

— Gilles, eu estou velho e cansado. Por favor, não tente me ensinar nada agora.

Fiquei surpreso por ele dizer meu nome pela primeira vez. Decidi contar de uma forma que ele entendesse.

— O acelerador de partículas do CERN foi construído para obter dados sobre colisões de feixes de partículas. Nesse processo, são criados miniburacos negros, que em tese seriam totalmente controláveis e inofensivos. Acontece que, apesar do que já disseram as maiores autoridades do meu campo sobre sua segurança, nós perdemos o controle. Geramos um miniburaco negro que, sempre que o fechamos, retorna. A maior parte do pessoal do CERN foi dispensada ignorando o assunto, inclusive eu. Só que um dos profissionais que está trabalhando diretamente na tentativa de contenção é um grande amigo meu.

Reparei que ele ouvia tudo com atenção e prossegui:

— Semana passada eu soube que estava se tornando impossível deter o processo, e que na verdade já deveria ter acontecido. Mas por algum milagre estamos aqui conversando.

Como se recusasse a acreditar, esbravejou:

— Mas ninguém fala nada! Isso deve ser mentira sua! Por que deveria acreditar em um filho da puta qualquer como você?

Percebi que as ofensas eram fruto do medo que estava sentindo. Não me deixei levar por elas.

— Não se deve falar sobre esse assunto. Isso não ajudaria ninguém.

— Então…

— Sim, como quis dizer no início, estamos todos mortos. O meu amigo prevê que até a manhã deste domingo tudo deverá ser consumido pelo buraco negro. Sabendo disso, eu vim atender ao pedido de minha mãe de te encontrar. Depois de pensar durante anos no que dizer, percebi que a única coisa que poderia fazer era perdoar. No fim, cometemos o mesmo pecado, que foi abandoná-la. Sinto-me tão culpado quanto você deveria sentir. Talvez me sinta culpado por nós dois, pois ela se doou muito mais a mim do que a você. Agora entendo que o perdão faz mais sentido que o fim de tudo. Talvez perdoar você seja uma forma de me perdoar. Deve ser isso o que minha mãe quis dizer quando me pediu para te procurar. Nada mais importa.

— Você é religioso por acaso?

— Não. Sou ateu.

Por algum motivo apontei para Benoite e disse:

— Mas Benoite é cristã. Inclusive me convenceu de irmos amanhã até a Sacre Coeur para passarmos por isso juntos.

Foi quando decidi me despedir do casal que reparei em Nina chorando copiosamente. Na saída ela me deu um forte abraço. Gerard continuou afundado em sua poltrona.

***

Benoite e eu resolvemos voltar a pé até meu hotel. Caminhamos abraçados e em silêncio durante um bom tempo. Apesar de tudo, parecia que um peso tinha saído das minhas costas. Me sentia renovado, renascido. Seria isso o que chamam de redenção? E para aumentar esta sensação, tive uma noite maravilhosa ao lado de Benoite.

No final perguntei:

— Tem certeza que não quer rever ninguém? Família? Amigos?

— Estou onde deveria estar.

E com isso mergulhamos juntos nos lençóis.

***

Chegamos cedo a Basílica. Benoite fez questão de assistir a Missa e no final sentamos nas escadarias para vislumbrarmos a cidade, que ardia magnífica em um mundo prestes a morrer. Depois de alguns minutos, Gerard e Nina chegaram inesperadamente. Ele perguntou.

— Pode ser a qualquer momento?

— Sim.

Ele abriu um saco com uma garrafa de vinho, Nina distribuiu quatro copos de papelão e nos serviu.

Olhei para o rótulo e disse.

— Chateau Neuf? Ouvi dizer que é um bom vinho.

— Nah! É uma porcaria qualquer.

Depois virei para Benoite e notei que aquele momento agonizante me levou até ela. Em outras circunstâncias talvez nunca a conhecesse, caso contrário, provavelmente, a teria menosprezado. No entanto, ela era uma boa pessoa. Melhor do que eu. Certamente merecia ter sido feliz. Foi quando entendi que devia lhe dar algo que esta vida negou. Acariciei seu braço para chamar sua atenção, cravei meus olhos, mas antes que pudesse falar qualquer coisa, Benoite me antecipou:

— Eu sei. — disse com os olhos marejados.

Então ela abriu aquele sorriso que seria só meu e houve um silêncio absoluto.

29 comentários em “Nossos Pecados (Alexandre Santangelo)

  1. Weslley Reis
    5 de abril de 2014

    A construção dos personagens me soou interessante, o que é um grande ponto para o texto. A história também prende, não é o estilo que eu mais gosto, mas o autor(a) está de parabéns.

  2. fernandoabreude88
    2 de abril de 2014

    Que conto! Concordo com o comentarista que citou a fraca ambientação na França, mas esses personagens são bons demais! A puta, o protagonista e o velho formam um trio invejável nesse concurso, construções que realmente me deixaram atônito de tão cativantes e realistas. A ideia que envolve toda história também é demais, alguém que volta para dar o perdão, humilhando e, de certa forma, dando redenção ao velho que encarna o mal enquanto o mundo esfacela-se. Parabéns, talvez top 5.

  3. Wilson Coelho
    2 de abril de 2014

    Conto muito competente, com boa trama, boa escrita e desenvolvimento satisfatório dos personagens. Muito bom!

  4. Gustavo Araujo
    31 de março de 2014

    Gostei do clima “noir” que permeia o conto: o “detetive” amargurado, a mulher fatal, o segredo de família revelado no momento crucial… Algumas construções ficaram ótimas, como a relação entre Gilles e Benoite, além do velho Courbet. No entanto, achei outras passagens um tanto exageradas, como o fato de, no início, Gilles ficar 35 minutos no táxi esperando para apertar a campainha. Outros momentos me lembraram enredos novelescos, carregados exageradamente em dramaticidade, de modo que não desceram redondinho… Mas, no geral, a história é boa e prende. O motivo do fim do mundo é plausível, ainda que um pouco exagerado, mas não chega a comprometer a “verossimilhança do absurdo” necessária para dar credibilidade e coerência ao texto. É isso. Parabéns e boa sorte no desafio.

    • Richard Muheab
      31 de março de 2014

      Oi Gustavo, apenas um alerta. Ele ficou 15 minutos no taxi. Um abraço!

  5. Felipe Rodriguez
    31 de março de 2014

    Conto muito bom, não tenho nenhuma crítica a fazer. Gostei do tom meio debochado e ranzinza do personagem velho, algo bem francês mesmo – pelo menos pelo que já vi em filmes. O relacionamento do protagonista com a puta também foi bem construído, me fez até lembrar do filme Os amantes da ponte Neuf, que recomendo. Só uma coisa, ta limpinho demais, rs, senti falta de uma sujeira aí no meio, mas isso é coisa de estilo. Parabéns pelo trabalho.

  6. Marcelo Porto
    28 de março de 2014

    Uma excelente construção narrativa. Me prendeu desde o primeiro parágrafo e me segurou até o final.

    Até o fim do segundo ato, quando descobrimos que o protagonista é na verdade um cientista do CERN, o conto se mantém em altíssimo nível, com diálogos muitos bons e uma trama instigante, daí em diante parece que faltou folego.

    Achei uma conclusão fraca para uma trama tão bem construída, tudo bem que o personagem buscava a redenção, mas não dava para rolar um clímax mais mirabolante? Sei lá, de repente uma anomalia dimensional causada pelo buraco negro, o outro ser uma versão dele em outra dimensão que ele buscava salvar, enfim…

    Gostei muito, só fiquei um pouco decepcionado com o final “simplesinho”.

  7. Hugo Cântara
    26 de março de 2014

    Gostei do fim, foi comovente. A parte do mini buraco negro semi-controlado deixar de o ser nessa manhã, achei um pouco rebuscado. O conto perdeu-se um pouco em descrições desnecessárias.
    Mas foi gradável e interessante de ler.
    Parabéns e boa sorte!

    Hugo Cântara

  8. Vívian Ferreira
    25 de março de 2014

    Interessante usar o buraco negro para o fim do mundo, mas o conto em si não me agradou. A parte que conhece Benoite foi muito extensa e me desligou da história. Passeios, descrições turísticas, contribuíram para adiar a ação do fim de mundo que já poderia estar sendo sentida, de alguma forma, desde o início. Enfim, é só gosto pessoal. Boa sorte!

  9. Eduardo B,
    25 de março de 2014

    Singelo e comovente. Meu preferido até agora.

    A parte final simplesmente me ganhou. Parabéns.

  10. Pétrya Bischoff
    22 de março de 2014

    Essa história do LHC já me incomoda há algum tempo. Temo-a, na verdade. Por isso gostei desse fim de mundo. A ambientação e o resto do conto, apesar de bem escrito, não me chamou muita atenção. No entanto, o buraco negro foi a grande sacada. Parabéns e boa sorte 😉

  11. Abelardo
    21 de março de 2014

    Normalmente não gosto desses textos melodramáticos, mas este me cativou. Gostei dos personagens, achei os diálogos interessantes, bem construídos e estão na medida certa, sem excesso, sem falta. Quanto ao fato do fim do mundo ser causado por um buraco negro criado no LHC também achei imaginativo. Enfim, gostei do texto. O único senão é quanto ao final que na minha opinião deveria se mais trabalhado, talvez já demonstrando os efeitos do buraco negro enquanto consome Paris e os personagens, estoicamente apenas aguardando o fim. Enfim, é minha opinião. Parabéns.

  12. bellatrizfernandes
    20 de março de 2014

    IN-CRÍ-VEL.
    Adorei! De verdade!
    É preciso rever no começo, faltaram algumas vírgulas, mas fora isso: Impecável!
    As descrições de Paris me fizeram sentir como se eu estivesse lá de novo! Isso, sem contar uma história de amor enredada numa história de ódio, criou um fim do mundo com sabor agridoce sem igual!
    Uma observação é sobre Gerard. Achei que ele é muito volúvel. Entendo que pessoas como ele são muito dissimuladas, mas enganar alguém que parece ser bom como a Nina por todo aquele tempo – e, na parte do jantar que eles compartilharam, ele pareceu ser bem decente – e além disso, se arrepender no final me pareceu meio conflitante. Inclusive no seu discurso atacando o filho ele mostra momentos de fragilidade não condizentes com a raiva que ele parece sentir.
    Além disso, achei que algumas partes foram desnecessárias e o diálogo não ficou tão fluido como poderia ser, especialmente no diálogo de revelação entre pai e filho. É preciso sempre lembrar que uma conversa não precisa de termos rebuscados. É mais fácil quando se lê em voz alta saber se alguém diria ou não aquilo.

    Bem, é isso!
    A-M-E-I!
    Parabéns e muita boa sorte!

  13. Thata Pereira
    18 de março de 2014

    Não me senti envolvida com a história. Nesse caso, acho que a culpa foi dos diálogos, fiquei perdida na maior parte deles. É mais um conto que preciso ler quando o desafio for encerrado (ou até antes).

    Como disse em outro conto, tem uma coisa que me desagrada muito quando leio, mas considero ser pessoal, pois nunca ouvi ninguém dizer que é um erro: a utilização de mais + advérbio terminado em “mente”. O advérbio, para mim, já dá intensidade suficiente ao modo como a pessoa está agindo. acrescentar o “mais” antes soa muito feio na hora de ler. Tirando isso, só reparei na utilização de pronome oblíquo no início de uma das frases.

    Boa Sorte!!

  14. Felipe França
    18 de março de 2014

    Um dos melhores contos que li até agora. Vou ser breve e citar apenas qualidades: bem escrito, personagens cativantes, excelente trama e empatia por parte do leitor. Com certeza este conto estará entre os meus favoritos.

    Parabéns!

  15. Ricardo Gnecco Falco
    17 de março de 2014

    “O autor de um conto só tem duas chances para fisgar o leitor: no primeiro parágrafo, e na última frase da história.” (Ricardo Falco)

    Esta obra é o perfeito encaixe da citação acima.
    😉

    Parabéns e boa sorte!

  16. Marcellus
    16 de março de 2014

    Sem nada a acrescentar aos comentários dos colegas. A prostituta realmente é cativante e ela foi, de longe, o melhor do conto.

    Parabéns ao autor e boa sorte!

  17. Rodrigo Arcadia
    15 de março de 2014

    Ah, sei lá. o texto é bom, mas o conto não me pegou. E esse buraco Negro ficou um tanto estranho na história.

    Abraço!

  18. Fabio Baptista
    14 de março de 2014

    A escrita é boa e envolvente.

    Gostei dos personagens, apesar de achar o velho muito “caricaturizado” (o Google não reconheceu essa palavra, então ela não deve existir… :D).

    Também senti um clima meio “novela mexicana” e “melodramático”, conforme comentado pelos colegas, mas nada que tenha atrapalhado a apreciação do conto.

    Bom trabalho, parabéns.

    Abraço.

  19. Brian Oliveira Lancaster
    14 de março de 2014

    Bastante intimista e envolvente. Gostei.

  20. Pedro Luna
    12 de março de 2014

    Um protagonista amargurado, bonzão. Só não gostei do personagem Gerard. O acelerador de Partículas foi uma boa alternativa…eu nem lembrava mais dele. rs.. gostei do conto. Parabéns.

  21. Ricardo Gondim
    11 de março de 2014

    ‘McGuffin’ é o elemento motivador de uma narrativa. Causa ou razão das ações da trama. Não está claro se Hitchcock é o criador do termo, mas foi ele quem o popularizou no livro ‘Hitchcock/Truffaut – Entrevistas’. O que é unânime sobre o McGuffin é que ele não tem importância nenhuma. É só um pretexto.

    Para Hitchcock, seu McGuffin mais puro foi o de ‘Intriga Internacional‘, onde duas horas e vinte minutos de filme são justificadas porque alguém roubou ‘segredos do Governo’. O McGuffin de ‘Ronin’ de John Frankenheimer é perfeito: uma mala prateada que ninguém abriu.

    Tive o prazer de publicar no Entrecontos um texto que, no geral, foi muito bem recebido, “Paradoxo do Adeus em QUBITS”. Contudo, dois tipos de crítica me desconcertaram. As que recusaram a metalinguagem da narrativa, que transformou o Entrecontos em elemento da história. E aquelas que discutiram a viabilidade dos fenômenos Físicos descritos (o McGuffin) como se o tema da viagem no tempo não fosse suficientemente absurdo.

    Neste conto tão sedutor quanto Benoite – com quem eu gostaria de jantar no próximo sábado se ele não estivesse morta – os efeitos colaterais do Colisor de Hádrons do CERN não têm a mínima importância. São o McGuffin. Algo tão improvável quanto as escatologias do Fim do Mundo, que está para acabar desde que um primata metido a besta inventou a escrita.

    “Nossos Pecados” é um conto. Obra de ficção. E se nos debruçamos sobre o McGuffin indagando sua possibilidade real é porque, justamente, estamos na esfera da ficção. A realidade, tão frequentemente absurda, costuma ser aceita estoica ou pragmaticamente. Como escreveu Mark Twain, “a diferença entre a ficção e a realidade é que a ficção tem que fazer sentido”.

    Discutindo se o CERN pode causar ou não o fim do mundo, nos distraímos da razão de sua inclusão no texto: o CERN foi criado para pesquisar a gênese do Universo. Lá, o protagonista Gilles Jourdan buscava nossas origens. Em Paris, foi ao encontro da sua. Pena que no fim só havia um Grande Silêncio.

    Felizmente, sobreviveu este conto inteligente e sutil, escrito por um narrador que teve o mesmo destino da deliciosa Benoite.

  22. Felipe Moreira
    10 de março de 2014

    Gostei muito, particularmente da sua narrativa, com uma prosa apaixonante. Lembrei muito de Hemingway com esses diálogos. Confesso que as causas desse fim do mundo não me atraíram muito. De todo modo, você narrou perfeitamente. Um final tão superlativo, sem deixar de ser íntimo.

    Parabéns.

  23. Eduardo Selga
    10 de março de 2014

    O texto é excelente porque, dentre outras coisas, há alguns personagens com densidade psicológica, de tal modo que não funcionam simplesmente como marionetes sob controle do autor, a determinar quando e o que devem falar. Refiro-me ao casal protagonista. A qualidade do diálogo entre os dois chama a atenção, pois não apenas conduz o enredo: também cria uma atmosfera afetuosa entre ambos, que vai se concretizar no fim do conto.

    Afeto que não é gratuito. O(a) autor(a) produziu a cena como uma metáfora da relação carinhosa que Gilles Jourdan tinha com sua mãe, também prostituta, assim como Benoite. As atitudes desta personagem, lindamente batizada com um nome que lembra “bela noite” ou “boa noite” e que significa algo próximo a “bendita” (como a imagem que se faz das mães), as atitudes dela se coadunam com seu nome: é carinhosa como uma noite boa. Noite que, por seu turno, se liga à escuridão que se fez.

    Por outro lado, na cena da conversa entre os dois homens, pareceu-me haver gestos e falas excessivamente próximos a certos filmes comerciais, como o personagem ter baixado “a arma e a cabeça como se puxasse pela memória”, ou ter sacado a arma ao menor sinal de contrariedade. É verdade que o comportamento dele pode encontrar justificativa no passado do personagem, mas a associação com esses clichês é imediata. Mas mesmo nessa cena há outro ponto positivo: o degradê. Aos poucos a ferocidade de Gerard vai se aplainando, no decorrer do diálogo.

    Um aspecto curioso do narrador, posto em primeira pessoa: a estória é contada no pretérito. Como ao término do conto tem-se a sensação de que o mundo foi engolido -“(…)e houve um silêncio absoluto.”-, é de se supor que o narrador põe-se a narrar após esse fim. Erro? Incoerência? De jeito nenhum. Uma belo uso de uma das ferramentas da literariedade.

    Não sei realmente se o miniburaco, nas condições postas, é uma ideia factível. Como o conto segue uma estrutura realística, a impossibilidade da hipótese seria uma grande inverossimilhança, prejudicando o texto. Entretanto, a narrativa está excelente.

    Parabéns.

  24. rubemcabral
    10 de março de 2014

    Um bom conto, meio a la Dan Brown, mas mais interessante, sem a correria do norteamericano. A ambientação parisiense pareceu-me um tanto pasteurizada – como feita a partir de um guia turístico -, eficiente, mas um tanto sem vida.

    Não me conectei muito ao personagem principal, embora tenha achado a Benoite, essa sim, bem desenvolvida, simpática e inocente. O Gerard soou um tanto caricatural de tão desagradável e desconsiderado, por outro lado.

    Não comprei muito a história do miniburaco negro contido, mas entendo que foi um elemento importante para a história poder ter o desdobramento desejado.

  25. Bia Machado
    10 de março de 2014

    Eu gostei, embora o tenha achado melodramático demais, rs. Não sei se consegui acreditar muito nessa história de buraco negro, talvez se fosse algo mais “a la Impacto Profundo” seria mais crível pra mim. Achei que as personagens podiam ter sido aprofundadas um pouco mais, para mim a coisa ficou um pouco corrida, ou talvez a quantidade enorme de diálogos tenha me passado essa impressão. Um bom conto, boa sorte. 😉

  26. Anorkinda Neide
    9 de março de 2014

    Gostei.Comprei os diálogos, todos. Muito bons, eu acho.
    Gostei dos personagens tb, com personalidades bem definidas.
    Talvez a história seja mesmo muiito ‘mexicana’, piegas, algo assim.. hehehe
    Mas deu prazer em ler inteira, brindemos ao fim do mundo!
    🙂

  27. Claudia Roberta Angst
    9 de março de 2014

    Gostei da narrativa ser agilizada pelos diálogos, mas a história tomou um rumo um pouco novela mexicana demais para o meu gosto. O filho bastardo de uma prostituta reencontra o pai sem escrúpulos e almeja a redenção. Até que simpatizei com Benoite, mas com o protagonista não muito. Pareceu-me anestesiado, pronto para o fim do mundo mesmo. Boa sorte!

  28. Jefferson Lemos
    9 de março de 2014

    Então, achei a história muito interessante. Usar o LHC como causador do fim do mundo é uma boa sacada, já que essa teoria está em alta hoje em dia.

    O problema, foi que não consegui me conectar com a história. Não gostei das personagens. Achei-as muito superficiais. E a ideia de que o buraco negro conseguiu ser contido, me pareceu meio estranha. Creio eu que quando ele estivesse feito, não haveria como voltar, e o poder de sucção seria enorme.

    Enfim, só minha opinião, espero que outros possam gostar.
    Parabéns e boa sorte!

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Publicado às 9 de março de 2014 por em Fim do Mundo e marcado .
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