EntreContos

Detox Literário.

Tarô (Wesley Nunes)

roda da fortuna

Acordei com o som estridente do celular,estava com o corpo lavado de suor e ainda estava vivo na minha mente o sonho mais esquisito da minha vida. 20 figuras me cercavam, a minha esquerda uma criança que logo percebi que era a minha imagem da infância e a minha direita eu podia jurar que via o reflexo do que seria a minha velhice. Dentre todos um se destacava , pulava e dançava , se vestia como um coringa saído de um baralho. Ele parou de dançar apontou para a minha cara e começou a rir. Sem entender olhei para os lados e vi a criança e o velho vestidos da mesma forma daquele estranho ser.Tudo era muito estranho e confuso. Quando olhei para mim mesmo estava trajado da mesma forma. Aqui estou aliviado por ter acordado desse pesadelo horrível.

Me virei e senti um incomodo nas costas, causado pelo hotel de pulgas que eu chamava de colchão , o ranger da madeira velha conseguia abafar o som do despertador:

Porque eu não coloco uma musica calma para acordar, se não for um som chato eu nunca vou levantar. Não custava nada tentar.

Não era nem 6:00 horas da manha e já estava falando sozinho , discutindo comigo mesmo, e pior fazendo rimas idiotas sem querer. O dia vai ser difícil.

Vi que o celular estava despertando a quase meia hora , sinal de que iria ouvir merda do sindico “as pessoas não precisam acordar tão cedo só por causa do seu barulho”.Fico muito incomodado em perturbar os meus ilustres vizinhos, em seus apartamentos de luxo, de 3 cômodos incluindo o banheiro , ao melhor estilo hoje tem luz amanha quem sabe.

Já está ficando até cansativo reclamar do calor. Os moradores da Arábia ou da África que me perdoem , só que é foda morar em uma cidade que tem cada molécula de ar poluída e sempre alguém grudento de suor encostando em você. Não estou brincando quando digo que até me acostumei com o cheiro de rato morto saindo dos entusiastas da camisa regata, o que me irrita são a variedade de perfumes baratos e aquele cheiro de creme que escorre pelo cabelo das candidatas a miss ZL do próximo ano. E esse maldito calor pega tudo isso e esfrega na minha cara.

Tomo um banho rápido , feliz pelo chuveiro só ter água gelada.

Nem estava com tanta fome , mas coloquei alguma comida na boca , pelo menos para parar de falar sozinho.É o mau que se tem que pagar por não ter em um raio de 100km quadrados alguém interessante para conversar.

Peguei o controle remoto e tentei ligar a TV de tubo de ultima geração. Esfrego as pilhas e nada. Com preguiça vou até o botão do Power , que já estava meio afundado.Abaixo o volume e vejo o jornal enquanto tomava um café de ontem , com uma fatia de pão puma , que seco só servia para molhar no café.

Vi que o meu time tinha perdido , outro caso sobre corrupção e meia dúzia de noticias sobre acidentes. Jogo o copo na pia , nojenta de tanta mosca , o lugar agora é delas e avançam quando eu me aproximo, nem ajudam com o aluguel . Quando me viro ouço o jornalista que falava sem esconder o entusiasmo:

– Parece que o hoje vai chover…

Antes de terminar a frase já meti o dedão no botão. A TV desligou e logo em seguida ligou novamente. Pressiono o botão por mais tempo e ela desliga. Já passava os olhos pelo apartamento procurando a carteira, não tinha dado nem um minuto e ela voltou a ligar , problemas que só acontece com TV velha.

O jornalista relatava outra noticia , agora em um tom serio:

Que merda , problema no metro de novo!

Puxei o fio da tomada com raiva , revirei todo o apartamento até achar a maldita carteira aberta jogada no chão.

Antes de fechar a porta , dou mais uma olhada para o apartamento bagunçado para ver se um guarda chuva não saltava diante dos meus olhos.

Estou perdendo tempo , todo dia tem um idiota que fala que vai chover e cada vez faz mais calor.

Elevador quebrado . Quando disse que meu dia ia ser difícil não sabia que algum santo estava de plantão e entendeu como um pedido. Agora quando eu dou aquele sorriso idiota e digo “hoje tem tudo para ser um ótimo dia ninguém ouve” .

Termino de descer três andares , percebo que reclamação só tem graça se for feita para alguém. Ando tranquilo , já sabendo que o metro vai estar lotado e sem me preocupar em chegar atrasado. Se eles me mandarem embora emprego de peão é o que não falta nessa cidade.Tomo cuidado para não encostar no corrimão e ser surpreendido com um chiclete ou até mesmo catarro.

Vejo Dona Lucia entrando pela porta, foi comprar o pão para o filho que lhe enche de orgulho . Faço minha cara de poucos amigos que não adiantou de nada:

– Oi meu filho.

– Bom dia dona Lucia. Estou atrasado para o trabalho tenho que ir.

– Então corre meu filho o metro está a maior bagunça.

– Pois é – nem me preocupo em disfarçar o tédio , ela não percebe ou finge não perceber – Tenho que ir Dona Lucia.

Ela parece assustada eu não consigo entender o porque.

– Está saindo sem guarda chuva? Saiu em um monte de jornal que vai dar um temporal daqueles menino. Eu tenho um velhinho aqui sobrando que eu posso te emprestar.

– Não precisa não Dona Lucia.

Apertei o passo para ficar livre daquela conversa. Não sou nem louco de dever favor para essa gente , pra depois ficarem te olhando feio, falando mau pelas costas e pedindo favor a cada segundo. Pegar guarda chuva para que? Povo burro, só vai chover mesmo no final do mês e olhe lá.

Não moro muito longe do metro, é uma das mordomias que tenho na vida. O celular toca. Vejo que é, derrubo a ligação e mando uma mensagem.Se fosse qualquer outro nem me importaria em responder , mas como é um dos poucos que ainda me suportam não custa nada dar um pouco de atenção, até chegar a estação é claro.

– Fala ai rapaz.

– Não atende telefone não?

– Não.

– Viu que o metro deu problema?

-E que dia ele não dá problema? Estou indo para o trabalho.

– Cara está todo mundo dizendo que vai cair o maior pé de água. Aproveita para ficar em casa , manda uns currículos para algumas empresas você merece coisa melhor. Já te falei isso um monte de vezes. Te mandei ontem por e-mail algumas vagas que podem te interessar.

-Estou chegando na estação tenho que ir.

Mesmo não sendo touch consigo acessar meus e-mails.Para resolver esse assunto das vagas é rapidinho. Seleciono essa , está e mais essa e depois é só excluir.

Cheguei na estação depois de fugir de uns 5 vendedores de guarda chuva. Se você não sabe como a linha vermelha fica quando metro da merda, não é algo que você vai querer saber, e se por um acaso você sabe, não suporta nem falar nisso.

Sou arrastado para fora junto com a multidão e quando consigo ter algum espaço que não lembre uma jaula me deparo com um anuncio, daquelas de empresas em que você cadastra o seu currículo.Fico irritado , um pouco mais de raiva e se ninguém tivesse olhando iria rasgar essa merda. Odeio esses dias que parece que o mundo quer te passar uma mensagem que você já está cansado de dizer não.

Não precisava nem olhar para o relógio para ver que estava atrasado. Espero a escada rolante sem pressa , dou até passagem para uns moleques. Ensaio a desculpa perfeita para o meu chefe. Ele vai chegar com aquela camisa polo listrada que o deixa ainda mais gordo , suando mais que um porco , com aquela voz horrível de quem está com uma batata quente na boca ” outra vez atrasado” . Não consegue passar nenhuma autoridade , faço aquela cara fechada e irritada de quem ficou no metro por mais de uma hora e digo ” problema no metro eu não tenho culpa “.

O caminho para o trabalho não era difícil , mas era longo. Ficava no final de uma rua cheia de vielas. Tive que andar pela rua para não esbarrar em alguém ou derrubar a barraca de um camelo. Já na metade do caminho o fluxo de pessoas era menos intenso e voltei para calçada.Coloquei as mãos nos bolsos para não ter que pegar o panfleto de um daqueles moleques chato. Logo que as tirei senti um pingo no meu braço, olhei para cima imaginando que seria um daqueles ar condicionados, que ficavam no amontoado de mofo que tinham coragem de chamar de prédio, vi que não tinha nenhum. Uma ideia se passou pela minha cabeça , mas não , ninguém era louco de cuspir em mim.

Um pingo , depois o outro e a tempestade logo veio:

– Que merda , nenhuma nuvem no céu , nem um vento mais forte , veio do nada!

Pensei em correr só que iria me molhar de qualquer jeito. Era uma chuva de verão? Ou chuva acida ? Sei lá ! Só sei que logo passa.

Andei rente a parede dos prédios para a chuva não me atingir , mas nenhum tinha cobertura , os poucos locais que estavam abertos estavão lotados. Bosta, a minha calça já estava toda molhada. Novamente pensei em correr. Não , não vou correr e ter que carregar tapete o dia inteiro ensopado e ouvindo zoeira daquele bando de retardados. Nem morto! Em uma dessas vielas deve ter algum lugar para me proteger dessa maldita chuva.

Na primeira viela vi uma lojinha esquisita com uma tenda vermelha . Engraçado nunca tinha reparado naquele lugar, era aquele típico local que você nunca repara , mas parece que sempre esteve ali , não que eu desse muita atenção e ficasse perdendo tempo olhando para este lugar.Até chegar lá vou ficar molhado dos pés a cabeça. Fazer o que vou ter que arriscar.

Dei o primeiro passo para uma área totalmente descoberta , para a minha surpresa a chuva deu uma boa aliviada. Sem acreditar olhei para o céu formado somente de nuvens negras e fui seguindo para a tenda em passos rápidos soltando uns cinco ou seis palavrões . Pisei em uma poça , a água alcançou a minha canela , a meia encharcada incomodava os meus pés, e o tênis velho fazia um chiado horrível a cada passo.

Chegando na tenda, do joelho para baixo nada tinha se salvado , os braços tinham sofrido alguns respingos. Quando pensou que a chuva tinha acabado um relâmpago clareia o céu seguido de um trovão que faz doer os ouvidos. Um vento gelado e forte dançava com a chuva a jogando para a esquerda e para direita. O vento fez sua camisa molhada e gelada encostar na sua pele foi impossível não soltar um xingo. Enterrou suas costas na parede.

A porta da loja estava aberta, abria e batia conforme a vontade do vento. Isso o irritava , mas não ao ponto de ir lá e fecha-la. Em meio a estrondosa sinfonia dos pingos da chuva e o intervalo dos trovoes ele escuta ao longe uma voz cansada e rouca de mulher. Não consegue entender, chega mais próximo e então ouve:

– Fecha a porta.

A voz soa como um murmúrio quase como uma suplica.

– O frio está entrando; fecha a porta por favor.

A voz está cada vez mais fraca , quase um ultimo suspiro. Vinicius toca a maçaneta a fim de atender o pedido e antes de fecha-la ouve da mesma voz, que ganhou vida tornando-se perfeitamente audível.

– Entre , você é muito bem vindo.

No exato momento pensa em largar a maçaneta e ir embora:

– Entre e prometo que quando a nossa conversa acabar não terá mais chuva e poderá seguir o seu destino.

Mais por fugir da chuva do que pela curiosidade Vinicius decide entrar.A loja não tinha balcão e dificilmente algum dia tenha vendido alguma coisa. Estava cheia de bonecos com faces assustadas , tocos de velas acessas espalhadas por todo o lugar , uma cortina vermelha em cada parede e para dar um toque especial, mobílias antigas, abandonadas de um circo.No centro uma mesa redondo, branca de alumínio , daquele tipo que é fácil achar em bar de periferia. Junto sentada em uma cadeira de madeira rústica uma cigana da mais tradicional. Pele morena e enrugada , nariz longo e curvado para baixo acompanhado de uma enorme verruga , maquiagem forte nos olhos , batom barato de um vermelho vivo nos lábios,lenço na cabeça ,cabelos negros e oleosos caiam pelos ombros, vestido florido , corpo largo e avantajado que se esparrama para os lados , dedos longos e cheio de anéis com pedras grandes e coloridas , pintas no pescoço e marcas nas testas o perfume doce ocupa todo o espaço e embrulha o estomago de Vinicius.

– Você é cigana?

– Me chame do que você quiser.

– Vai me dizer que pode prever o futuro?

– Todos seguem o mesmo caminho criança. Posso ver o caminho que já trilhou , o caminho que está trilhando e o que ainda falta trilhar.

– Vou entender como um sim – Vinicius se divertia com o deboche – Qual o meu nome?

– Para que vou saber o seu nome? Se posso enxergar dentro da sua alma.

– To sabendo.

-E melhor se sentar.

Antes de perguntar aonde Vinicius viu uma cadeira atrás de si, não acreditava que não tinha reparado nela antes. Sentado já viu a cigana com um baralho azul em mãos, as cartas tinham quase o dobro do tamanho de um baralho tradicional e eram ricamente detalhadas , tanto a frente quanto o verso , davam a impressão que cada uma foi feita a mão.

– O destino o trouxe e o destino fala.

Puxou 7 cartas, as deixou virada na mesa uma do lado da outra , Vinicius via um brilho emanar delas que era refletido nos olhos da cigana , ela a tocou com o seu dedo indicador , reparou em sua unha amarelada. A carta foi virada. Vinicius viu o que parecia ser um bobo da corte segurando uma trouxa . Na hora lembrou do seu sonho , livrou a sua cabeça de pensamentos idiotas. A cigana sorriu , mostrando os seus dentes manchados e suas gengivas escuras.

– Como todo mortal a primeira carta é o louco:

– Está dizendo que eu sou louco? Se está me zoando é melhor você parar…

– Calma criança – interrompeu calmamente a cigana – Todos nos somos loucos, essa carta é o desligamento da matéria , nascimento, uma historia para ser vivida. Somos loucos por sair do conforto do equilíbrio no outro mundo , para nascer em um mundo instável em uma vida cheia de dúvidas.

Vinicius relaxou na cadeira:

– Você era professora de filosofia antes de ser cigana?

Não deu atenção ao comentário e puxou a segunda carta. Vinicius viu algo que parecia ser um rei em um carroça , puxado por dois cavalos, um indo em direção a esquerda e outro a direita:

– O carro – disse a cigana.

– Vou ganhar um carro? – Vinicius nem tentava disfarçar a ironia.

A cigana alinhou a carta e então falou , em um tom profundo , parecia que nem notava a presença de Vinicius:

– Talento, capacidade e tato para governar. Tão inteligente , não do tipo rato treinado que decora tudo, e sim como um malandro que sempre tem uma resposta esperta na ponta da língua, que sabe levar todo mundo na conversa. Um vendedor nato , que pode ficar rico tanto vendendo uma empresa como vendendo picolé na praia. Confiante ao ponto de exala-la a todos a sua volta , bastava dizer que as coisas iriam dar certo que tudo dava certo. Alguém que os outros tinham orgulho de seguir, um exemplo a ser imitado.Sabia reconhecer o trabalho dos outros , desde que reconhecessem primeiramente o seu. O sucesso não tinha sido seu objetivo , mas foi um premio merecido pela sua inovação e sua coragem.

Escutou cada palavra com atenção, Vinicius mergulhou em suas lembranças , ficou irritado e pensava consigo mesmo “Que truque é esse , como ela sabe tudo isso, ela só está jogando palavras ao vento , palavras que podem servir para cada um”.

A cigana pegou a terceira carta e a virou rapidamente. Viu o que parecia ser um demônio , com chifres assas e seios a mostra , acompanhado de duas pessoas presas ao pescoço.

O Diabo – disse a Cigana , deu um sorriso abafado , esperou sem sucesso por alguma reação de Vinicius – Luxúria , egocentrismo. Hoje em dia os caminhos são tão parecidos que nem é preciso consultor os arcanos para saber da vida de alguém. Antes os homens tentavam fugir das tentações e sabiam que vinham testar a sua força de vontade, tomar de forma rápida aquilo que foi conquistado com tanto esmero.Agora deixam ser seduzidos , não sossegam até ficarem cego ao luxo ,se preocupam em satisfazer vontades banais , hoje não é mais uma tentação , virou um objetivo, um premio que eles exigem , que afirmam que tem o direito.Pensam que são inatingíveis que nunca vão cair do topo.

Ela virou a quarta carta , Vinicius nem se deu o trabalho de olha-la , ficou com o olhar fixo nos lábios da cigana , esperando as suas palavras , o deboche e a ironia haviam desaparecida como se nunca estivessem existido.

– A justiça. Cada um colhe aquilo que plantou. Uma trajetória que tinha tudo para ser diferente , mas que acabou sendo igual a muitos outros.Tão rápido subiu ao topo e mais veloz foi a sua queda, desceu para o nível mais baixo da sua vida , uma sombra patética do que já foi.Não vou dizer que é triste, porque, não vejo arrependimento , vejo o orgulho acima de tudo quase um dogma. Mudar é assumir que errou, que foi enganado, que perdeu tudo.

Vinicius agarrou a mesa com as duas mãos , respirou fundo , sua irritação se transformou em ódio e com o olhar fixo na cigana disse:

– Continua.

Virou a quinta carta lentamente, parecia que a cigana sentia prazer.

O Eremita. Simboliza o isolamento para se conhecer , reflexão , paciência, planejar um novo começo. Não vejo isso , percebo que o isolamento não foi para ver aonde errou , para aprender e melhorar , foi para ficar com pena de si mesmo.

Vinicius não conseguia mais se controlar, iria gritar com a cigana desgraçada , apertar o seu pescoço até que ela conte como sabe tudo aquilo, até o ponto em que confesse qual era o truque.Antes que tivesse qualquer reação ela virou a sexta carta rapidamente:

Ansioso ele tentou controlar a sua ansiedade, afim de não tortura-lo a cigana falou:

Roda da fortuna. Mudança , destino a ser cumprido. O destino nos dá sempre caminhos a serem seguidos.A roda gira , nem o ser supremo do universo sabe em lugar ela vai parar , mas para que a roda gire é necessário agir é preciso querer. A vida lhe da escolhas , chances de mudar , efetuar escolhas é viver. Se você se nega a escolher. Não deseja mudar? Então o porque viver?

Ao terminar suas palavras o ódio tinha se transformado em loucura.Vinicius explodiu e gritou:

– Você acha que eu acredito nessa porra! Você não sabe nada da minha vida.

Deu um tapa no baralho espalhando todas as cartas. A cigana não mudou o seu semblante:

– Vá. A chuva já acabou. Está na hora de cumprir o seu destino.

Na mesa restou somente uma carta , parada perfeitamente no centro.Ela virou e a carta tinha um esqueleto coberto por uma pele humana. Com uma foice em uma das mãos. O chão escuro repleto de plantas azuis e amarelas e sobras de corpos. O fundo está totalmente branco.No primeiro plano é destacado a cabeça de uma mulher e a cabeça de um homem.O esqueleto está de perfil e parece dirigir-se para a direita. Maneja a foice, sobre a qual apoia as duas mãos.Então ela hesita com medo das próprias palavras , passado alguns segundos ela fala com a voz rouca:

– A décima terceira carta a Morte.

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29 comentários em “Tarô (Wesley Nunes)

  1. Frank
    26 de fevereiro de 2014

    A ideia geral é bacana. Estranhei a mudança na narrativa e, como muitos, gostei bem mais da primeira parte do que da segunda. Boa sorte!

  2. Blanche
    26 de fevereiro de 2014

    Me desculpe, mas parece óbvio que o autor não se preocupou em revisar o conto antes de enviá-lo para postagem. Achei fraco.

  3. Pedro Luna
    26 de fevereiro de 2014

    V-É-L-I-O

    Porque fez isso, cara? O conto começou show de bola no maracanã. Personagem bem filho da puta, comédia..kkk. Mas o final tá bem ruim. As descrições das cartas quebraram o clima. Ah, tem alguns erros na escrita e olha que eu quase nunca reparo nisso. Conserta essa parada e reescreve, pois tem futuro esse conto. Abraços.

  4. Thata Pereira
    26 de fevereiro de 2014

    Após ler o conto, dei uma espiadinha no comentário da Bia, por ser o do topo, e ela disse exatamente o que eu ia dizer: estava gostando muito do conto, mas quando a narração passou de primeira pessoa para a terceira, fiquei me questionando o motivo do(a) autor(a) ter feito isso. Depois veio o final, junto com a minha resposta.

    Ri muito nessa parte: “Porque eu não coloco uma musica calma para acordar, se não for um som chato eu nunca vou levantar. Não custava nada tentar.”

    Pensei: Gente, que rimas são essas!! rs’ Mas aí depois o próprio personagem me deu um balde de água fria… rsrs’

    Boa Sorte!

  5. Bia Machado
    25 de fevereiro de 2014

    Bem, vamos lá. Tirando os últimos dois parágrafos, eu gostei bastante do texto. E isso me fez deixar de lado todos os errinhos que enxerguei no conto, com meus olhinhos de revisora, seu texto é um prato cheio, hahahah! A parte narrada em primeira pessoa estava muito interessante. O que já não posso falar da parte narrada em terceira pessoa, totalmente desnecessária de ser narrada como tal. E aí o motivo de eu não ter gostado nem um pouco dos dois últimos parágrafos: parece que você colocou a parte em terceira pessoa só para poder acrescentá-los, só por isso. E eles são bem fracos, em minha opinião. Não valeram o esforço. Pelo esforço e pelo que li narrado em primeira pessoa, contudo, espero que reestruture esse texto, valerá a pena. Boa sorte!

  6. Gustavo Araujo
    24 de fevereiro de 2014

    Gostei muito do início do conto. Lembrei do Desafio Noir, exatamente pela atmosfera carregada, pelo uso da primeira pessoa, pelo sarcasmo, pela descrição do ambiente soturno e decadente. Enfim, um início muito promissor. O problema está na segunda parte. Me perdoe pela franqueza, mas está muito ruim. Inversamente proporcional ao início. Chego a pensar que o autor adaptou o início de um outro conto para o universo do tarô, criando às pressas uma continuação. Talvez isso explique a mudança de primeira para terceira pessoa. Isso sem falar nos erros. Muitos erros que denotam ausência de cuidado, comprometendo a leitura – uso errado de mal/mau é um bom exemplo.

    Creio que o autor é alguém que sabe criar histórias interessantes, mas no afã de participar do desafio acabou sucumbindo à urgência. Espero, sinceramente, que volte a participar dos desafios, desta vez com tempo para polir o que escreve, para que todo o conto fique à altura do que se viu no início deste.

  7. Leonardo Stockler
    24 de fevereiro de 2014

    O que acrescentar aos comentários? A primeira metade me empolgou muito: o ambiente cinza, podre, o mau humor, a ironia, a atenção para os detalhes (como o botão afundado da TV), a preocupação em transmitir a sensação de cada descrição. A cada erro foi tornando-se mais urgente a necessidade por uma revisão. O conto tem uma boa tacada, e um ótimo ritmo, muito ágil (você escreve bem, mas me parece que esse conto foi meio que feito às pressas, e talvez a segunda metade seja uma evidência disso), mas, alguma mudança no vento tornou-o tedioso e com um fim abrupto que não conseguiu surpreender, embora tenha tornado visível a tentativa do autor em fazer isso. Acho que é isso. A história pode ser prolongada, e acho que pode, com um ritmo desses, render bastante. Abraços.

  8. Pedro Viana
    23 de fevereiro de 2014

    Não vou gastar seu tempo repetindo o que já foi dito. O conto possui sim uma ideia interessante*, mas se perde no desenvolvimento e carece de revisão. Desejo boa sorte nos trabalhos futuros.

    *Como já estou no último conto posso dar um veredito. De todos os textos do desafio que usaram a figura de um cartomante para ministrar o elemento Tarô, esse aqui foi o mais criativo ao criar uma situação que ligasse o protagonista ao dito cujo. Foi hilariante.

  9. Weslley Reis
    22 de fevereiro de 2014

    Enquanto o conto seguia em primeira pessoa me prendeu muito. Gostei do personagem e esperava um grande desenvolvimento do mesmo. Notei alguns erros mas nada que incomodasse tanto a leitura. Só acho realmente que a história se perdeu quando passou para terceira pessoa é perdeu o trunfo que era a empatia com o personagem.

    Fora isso, gostei da narrativa. Acho que se mantivesse o conto em primeira pessoa e trabalhasse o final, ficaria excelente

  10. Eduardo Selga
    21 de fevereiro de 2014

    O personagem é, como um tipo urbano, muito bom, tem um quê de autoironia, como, por exemplo, na passagem referente às moscas (“o lugar agora é delas e avançam quando eu me aproximo, nem ajudam com o aluguel”), o que se coaduna com o final, quando é dito que ele tem “pena de si mesmo”. Esse amargor do protagonista merecia maior exploração, e não eram necessárias mais linhas para isso.

    O mesmo não se pode afirmar da cigana. Profundamente estereotipada, lembrou as bruxas más de Walt Disney, com seus narizes aduncos cheios de verrugas e “dedos longos e cheio de anéis com pedras grandes e coloridas”. Essa personagem não é do autor “Allan the clown of gods”: é de tantos e tantos e tantos e tantos e tantos e tantos e tantos que já a construíram repetidamente, exatamente igual.

    Pelo que ele afirma em resposta a um dos comentários, a mudança da primeira pessoa para a terceira se deu porque “queria que meio que fosse uma outra historia dentro da historia”. Mas não funcionou assim. Foram duas estórias: a primeira não termina e a segunda começa sem mais nem menos. Inexiste uma razão narrativa para a mudança.

    A Língua Portuguesa, instrumento por meio do qual se constrói uma narrativa no Brasil, foi negligenciada. A ponto de, muitas vezes, a vírgula ser posta com um inexplicável espaço em relação à palavra anterior, e não haver espaço entre o ponto e a próxima palavra. Dentre outros “detalhes”.

  11. Alan Machado de Almeida
    19 de fevereiro de 2014

    Personagens mal humorados são sempre interessantes e engraçados de acompanhar. Até a parte em que o personagem começa a enfrentar a chuva a história se desenvolvia bem. Pena que de repente o conto começou a apresentar vários erros de pontuação e de concordância. Isso sem falar na mudança sem sentido de primeira para terceira pessoa. Acho que faltou uma revisão antes de enviar o e-mail. Mas a ideia da história foi boa.

  12. Edson Marcos Nazário
    19 de fevereiro de 2014

    O conto é bom, mas tantos erros desestimulam os leitores. Você narra e descreve muito bem, então, seja cuidadoso com a revisão dos seus textos. Esses pontos finais emendando palavras e posicionamento incorreto de vírgulas incomodaram bastante. Faça as pazes com os acentos. REVISE, REVISE e REVISE, pois até o revisor do Word poderia corrigir os erros bobos que ofuscaram seu texto, como aquele berrante “estavão”. Não entendi a mudança da narração da 1º para 3ª pessoa.
    Entenda que digo tudo isto porque o conto é bom e achei sua narrativa excelente. Vejo um promissor autor aí…
    Continue nesse caminho que você vai longe. Boa sorte!

  13. lu261292
    18 de fevereiro de 2014

    Gostei do conto, bem narrado, apesar de alguns erros gramaticais. O final poderia ter sido melhor trabalhado, mas mesmo assim tem potencial.

  14. Felipe França
    18 de fevereiro de 2014

    A ideia inicial é muito boa, contudo creio que do começo para o final o conto foi “morrendo”. O autor preocupou-se em detalhar muito certas partes, acho legal o detalhamento, mas o exagero torna a leitura cansativa. O final terminou muito vago, sem algo que deixasse um gostinho de “The End” ou mesmo de pensamentos ao longe. O texto precisa ser revisado com mais calma; existem partes que ficam evidentes os erros gramaticais. Leia mais e escreva mais… é isto que aconselho. Boa sorte. Ao infinito… e além.

  15. Paula Melo
    17 de fevereiro de 2014

    Achei o conto legal,apesar de não gostar de certos pontos.
    A ideia precisa ser um pouco mais amadurecida mas nada que o tempo não resolva.
    Boa Sorte!

  16. Rodrigo Arcadia
    17 de fevereiro de 2014

    O conto tem seus defeitos, não sei por qual razão essa mudança de primeira pessoa para terceira. foi um coorte estranho, que não entendi. Pois a narrativa no começo, antes de entrar na loja estava até interessante. Bom, é isso.

    Abraço!

  17. Anorkinda Neide
    17 de fevereiro de 2014

    Olá!! mesmo o conto sendo bem previsível, achei gostoso de ler. Parabens!

  18. Claudia Roberta Angst
    16 de fevereiro de 2014

    Alguns detalhes fugiram à revisão, mas nada que não se possa ajeitar. Parabéns pela pesquisa que fez sobre os arcanos. Há clichês como já apontaram os colegas, mas não me incomodaram. Gostei do final, com a carta que significa algo que deve terminar para que haja transformação. Continue firme que a evolução é certa. Boa sorte.

    • Allan the clown of gods
      16 de fevereiro de 2014

      Ufa , estou vendo que alguém gostou. Em relação ao clichês tenho a seguinte opinião; Não existe clichê para aquele que tenta enxergar o comum e o normal de forma diferente.Parabéns você captou a essência do que eu quis passar no final do conto.

      Valeu mesmo Claudia, seu comentário me animou bastante.

      Boa sorte para você também.

  19. Ricardo Gnecco Falco
    16 de fevereiro de 2014

    Ótimo exercício narrativo! O segredo aqui é continuar firme, escrevendo e escrevendo até isso se tornar mais do que um exercício, mas uma necessidade. Um vício. E, por mais paradoxal que possa parecer, viciar-se em escrever (lendo, sempre, é claro!) irá exatamente livrá-lo dos vícios de linguagem (os chamados “clichês”). Parabéns pela sua criação e continue firme e forte no caminho! Que a Força esteja com você! 😀
    Paz e Bem!

    • Allan the clown of gods
      16 de fevereiro de 2014

      Obrigado pela força e incentivo Ricardo.

      Estou iniciando a minha trajetória como escritor ,tenho muito que aprender. Ainda não estou viciado na escrita , dou muita desculpa para não sentar na frente do teclado e começar a escrever (cansaço , tempo e afins). Nesse texto em especial faltou revisão e eu tinha uma ideia para a cigana, aonde ela conforme virava as cartas alterava a sua forma de criança para velha e uma forma jovem, fazendo um link com o sonho dos Vinicius.

      Ricardo desculpa a minha ignorância, mas você viu o texto como um exercício literário ? Não considerou um conto?

      Vida longa e próspera Ricardo

  20. Jefferson Lemos
    15 de fevereiro de 2014

    Acabei por não gostar do texto. Achei-o fraco e certo que necessite de revisão.
    Continue escrevendo que a melhora vem com a prática.
    Ainda sim, parabéns e boa sorte!

    • Allan the clown of gods
      16 de fevereiro de 2014

      Obrigado Jefferson
      Escrever e escrever esse é o segredo.
      Boa sorte para você também.

  21. Allan the clown of gods
    15 de fevereiro de 2014

    Agradeço sua opinião

  22. Tom Lima
    15 de fevereiro de 2014

    Enquanto eu lia tive a impressão de já ter lido essa história.

    Achei a ideia fraca, um cliché quando o assunto e tarot. Não gosto de mudanças no narrador wm contos. Acho que é preciso um motivo muito grande para mudar de primeira para terceira pesoa e a impressão que tive foi que o autor fez isso por comodidade.

    A pesquisa sobre os significados dos arcanos foi bem feita. Gostei do final, que pode tanto ser bom quanto ruim oara o Vinicius.

    Continue escrevendo que fica bom!

    • Allan the clown of gods
      15 de fevereiro de 2014

      Olá Tom agradeço pelas palavras.

      Como não tinha muito conhecimento em tarô resolvi dar uma boa pesquisada.A historia é bem comum quando se trata de tarô , mas quis colocar no meio desta historia uma critica social de como as pessoas hoje em dia (para dar uma diferenciada)

      Fico feliz que tenha gostado do final. Vou dar varias olhadas no conto quem sabe não sai algo bom.

  23. rubemcabral
    15 de fevereiro de 2014

    Bom, não gostei do conto. Achei a história fraca e a escrita está muito sofrível.

    Revise, revise, releia depois de escrever, é o que posso recomendar.

  24. Pétrya Bischoff
    15 de fevereiro de 2014

    Bueno tchê, a impressão que tive é que o autor ainda tem pouca experiência. Visto assim, o conto está legal; principalmente tudo que antecede seu encontro com a cigana. Mesmo sendo toda uma sorte clichê, gostei das desventuras dele. No entanto, não gostei da descrição da cigana, também clichê. Penso, também, que foi longo demais, muitas cartas… tornou-se enfadonho.
    Sobre a escrita, há muitos erros de gramática/concordância/digitação. O autor também deve atentar-se à narrativa, que inicia-se em primeira pessoa e, no meio do texto, passa a terceira pessoa.
    Enfim, como um exercício de escrita está muito bom e penso que tenha potencial se revisá-lo, mantendo o início e podando um pouco o encontro com a cigana. Também pensaria em um final mais impactante.
    Boa sorte 😉

    • Allan the clown of gods
      15 de fevereiro de 2014

      Muito obrigado por sua analise Pétrya Bischoff.

      Gostei da sua sinceridade e pude perceber que você analisou cada ponto do meu conto com muita atenção.Em relação a cigana ser bem clichê, explico o porque. Queria criar uma atmosfera toda relacionada ao tarô e fiquei inseguro em fazer uma cigana diferente. Em relação a narrativa mudar para a terceira pessoa quando ele chega na tenda foi proposital , vi isso como recurso literário, no momento em que ele entra na tenda queria que meio que fosse uma outra historia dentro da historia (não sei se ficou bom , acho que não rsrsrsrs).Fiquei muito preocupado em cortar a vida dos Vinicius através das cartas e faltou pensar mais um pouco no final. Sendo bem sincero , quando fui escrever o final , vi que a quantidade de palavras estava no limite , mas não ia ser muito diferente do que foi , só que , ia ser melhor trabalhado.

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Publicado às 15 de fevereiro de 2014 por em Tarô e marcado .